sábado, 6 de junho de 2026

A missão cristã no mundo (XDTCA)

                                             

A missão cristã no mundo

No que consiste a missão do cristão no mundo, segundo J. Mouroux:

"O cristão não se caracteriza pela fuga; é, ao contrário, alguém comprometido como pessoa no incremento, no bom êxito, na salvação do mundo.

Sabe que o universo inteiro tem um só princípio de consistência, de movimento, de fim: Cristo; porque por meio d’Ele todas as coisas foram feitas e n’Ele todas subsistem (Cl 1,16-18).

Cristo é, deste modo, Aquele que congrega, trabalhando no íntimo das almas e das coisas para tudo santificar, tudo unir, tudo consagrar para a glória de Deus.

O cristão se engaja voluntariamente neste gigantesco empreendimento, no seu lugar, no seu tempo, com seus recursos.

Não trabalha sozinho: colabora… Trabalha com coragem, porque a luta é dura; com fé, porque a tarefa é misteriosa e sem proporção com as forças humanas; trabalha para fazer crescer o universo e despontar a nova criação através da luta caótica e dolorosa, cheia de esperança e de preocupações, luta que não é, porém, a de uma agonia e sim a de um parto". (1)

O Cristão é um peregrino nesta terra. Não é “cidadão” do mundo, porque exilado, marcha para a verdadeira Pátria.

Cidadãos dos céus sem jamais nos omitirmos na construção de realidades humanas mais justas, fraternas e solidárias. Assim entendiam os primeiros cristãos e assim o é: “O que a alma é no corpo devem ser os cristãos no mundo“ (Carta a Diogneto 6).

Ainda no Comentário do Missal Dominical, vemos que em certo sentido depois de Cristo tudo está feito, nada mais esperamos substancialmente novo, no entanto, não deixa de ser verdade que resta tudo por fazer.

Mas, absolutamente nada deve ser feito sem Ele. Tudo deve ser feito com Ele, por Ele e para Ele. A Ele toda honra, glória, louvor e poder por toda a eternidade. Amém!


PS: Missal Dominical - Editora Paulus - p. 1076

“Vim chamar os pecadores” (XDTCA)

                                                        

“Vim chamar os pecadores”

Reflexão à luz da passagem proclamada na sexta-feira da 13ª semana do Tempo Comum (Mt 9,9-13), e vemos quão misericordioso é o nosso Deus, através da prática de Jesus que nos diz não ter vindo chamar os justos, mas os pecadores para a conversão.

Assim Se expressa o Senhor:

– “Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (v. 13).

O Missal Cotidiano nos enriquece com este comentário:

Deus foi sempre o grande incompreendido por parte dos homens. Incompreendido em Seu agir, em Suas intervenções, incompreendido em Seu silêncio, incompreendido em Suas exigências e em Sua lei.

Mas a incompreensão maior e mais estranha refere-se à Sua misericórdia. É a incompreensão de quem não crê na misericórdia de Deus, de quem tem medo d’Ele, de quem treme ao pensar em comparecer à Sua presença, e foge do mal unicamente para evitar os Seus castigos...”.

Somente poderá compreender o Coração de Deus quem souber:

- Viver a misericórdia para com o próximo, na sincera e frutuosa prática da acolhida, do perdão, da superação;

- Saborear a mais bela e pura alegria que nasce do perdão dado e recebido;

- Não crer que o ódio, o rancor, o ressentimento fossilizarão nas entranhas mais profundas do coração;

- Transformar o coração de pedra num coração de carne, terno e manso, para que nele Deus possa frutuosa e ricamente fazer Sua morada;

- Não crer que a obscuridade ao outro deva ser para sempre imposta pelo seu erro, tropeço, falha;

- Compreender na exata medida o erro cometido, sem nada acrescentar, e ter também a maturidade de se colocar no lugar do outro, porque todos passíveis de erros o somos.

Somente poderá compreender o Coração de Deus quem do Senhor Jesus mesmos sentimentos e ações tiver. Quem souber gerar e formar Cristo em Si e no outro, no amor que renova, recria, reencanta, refaz, reconduz...

Quem poderá compreender o Coração de Deus?

Ó incompreendido Amor de Deus que questiona o amor humano, tão pequeno, quantificável, porque limitado, medido, calculado, com parcimônia por vezes comunicado.

Ó incompreendido Amor de Deus, que o nosso assim também o seja. Amor não é para ser compreendido, amor é para amar, simplesmente; sem teorias, explicações, racionalizações. Amor de Cruz, que ama, acolhe, perdoa, renova, faz renascer e rompe a barreira do aparentemente impossível.

O Amor vivido no extremo da Cruz, foi, é e será para sempre o verdadeiro Amor. Tão incompreendido, mas tão necessário e desafiador para a humanidade em todo tempo.

Amor que, se vivido, nos credencia para a eternidade de Deus, que é a vivência e mergulho na plenitude de Seu amor, luz, alegria e paz. Amém. 


PS: Proclamado no Sábado depois das cinzas a passagem paralela -  Evangelho de Lucas (Lc 5,27-32).

O Cristo do Evangelho que procuramos, encontramos? (XDTCA)

                                                      


O Cristo do Evangelho que procuramos, encontramos?

Encontrá-Lo e por Ele ser encontrado,
Eis a perfeita liberdade!

Muitas vezes temos a apresentação de um Jesus açucarado, como em certas imagens e pregações. Outras vezes, é um herói; um super-herói hollywoodiano que faz derramar lágrimas, como em belas produções cinematográficas. Outras ainda, é apenas um ilustre personagem do passado, por alguns conhecidos, por outros nem tanto!

Para muitos, lamentavelmente, é lembrança remota de uma primeira comunhão que teve fim em si mesmo…

- Mas, onde foi parar “Aquele Jesus” cuja vida real, dura e conflituosa lhe tocou profundamente?

- Onde foi parar Aquele que Se nos apresentou como Caminho, Verdade e Vida?

Pior que opor-se a Cristo é esquecê-Lo, ignorá-Lo. Muitas vezes por falta de fidelidade e aprofundamento esvaziamos Sua palavra e vida, tornando inócua Sua mensagem, em estéril romantismo, ou mesmo numa oração sem ressonâncias e compromissos efetivos, pois passam distante dos conflitos da vida, de suas encruzilhadas, dramas e dilemas…

O Cristo na Celebração Eucarística, quando crido e acolhido pela Palavra proclamada; recebido no Pão consagrado e partilhado, não nos dará jamais uma tranquilidade espiritual inerte e inconsequente, amnésia de realidades conflitivas, como ópio que nos anestesie para a insensibilidade!

Ao contrário, seremos nutridos para o bom combate da fé, robustecida nossa esperança, para que a caridade inflamada e vivida afaste qualquer possibilidade de um Jesus empobrecido por mesquinhas e ingênuas fantasias.

Viveremos em profunda comunhão com Ele, na mais bela e perfeita; na mais autêntica e querida sintonia, na comunhão do Espírito, como filhos e filhas de Deus Pai!

Estaremos vivendo, pois viver significa optar pela liberdade. Optar por ela é, indubitavelmente, optar por Ele em profunda comunhão Trinitária! Amém!

“Se soubesses como te amo!” (XDTCA)

                                                


“Se soubesses como te amo!”

Eis que eu a vou seduzir, levando-a
à solidão, onde lhe falarei ao coração” 
(Os 2, 16)

Se soubesses o quanto te amo!
Desde sempre te amei e para sempre te amarei.
É meu desejo que redescubra a chama do primeiro amor,
E terás a plenitude de todos os bens.

Se soubesses o quanto te amo,
Bem depressa voltarias para mim;
Abandonarias toda infidelidade e idolatria
E serias envolvido com laços de amor e ternura.

Se soubesses o quanto te amo,
O quanto fui, sou e serei, para sempre,
Enamorado por ti, e inflamado de paixão,
Ao ponto de ir contra a Lei da morte de uma adúltera.

Se soubesses o quanto te amo,
O quanto me empenho na mais salutar sedução,
Para que reencontres o caminho perdido,
E reconquistes o amor que tenho, ainda que traído.

Se soubesses o quanto te amo,
Como desejo voltar aos tempos do primeiro amor,
Em que nada se interpunha entre nós,
Distraídos em colóquios eternos de amor.

Se soubesses o quanto te amo,
Voltarias depressa para mim,
Envolvido em laços de justiça, direito,
Amor, fidelidade e misericórdia.

Se soubesses o quanto te amo,
Voltarias bem depressa, para um novo encontro.
Amo-te e jamais deixarei te amar.
Tu és meu Povo, Eu serei Teu Deus.


Fonte inspiradora: Os 2,16-17b-18.21-22

“Deus nos ama e nós cremos no amor” (XDTCA)

                                                          

“Deus nos ama e nós cremos no amor”

Para aprofundamento da Liturgia do 10º Domingo do Tempo Comum, transcrevo uma reflexão do Frei Raniero Cantalamessa, que reconstrói este processo do amor de Deus por nós em quatro etapas:

- A primeira etapa: somos transportados para antes do tempo e da história, na mesma eternidade de Deus – “Deus é amor” (1 Jo 4,8):

“É amor em si mesmo, antes de a criatura tomar consciência disso. Aparentemente nós estamos ausentes desta primeira etapa: Deus só tem que amar a Si mesmo. Sabemos, porém, que Deus, embora sendo único, não é solitário também nesta primeira fase que precede a criação.

Tem consigo, com efeito, Seu Filho, Sua imagem perfeita que ama e por quem é amado com um amor tão forte que chega a constituir uma terceira Pessoa, o Espírito Santo. Há, portanto, já, o amor de Deus, mas um amor não criado, trinitário, inacessível...

Estávamos já contidos e contemplados em Seu coração como criaturas ainda ocultas no seio e no pensamento de quem as gerou, e se espera que venham à luz”.

- A segunda etapa: é a criação, a revelação do amor oculto:

“É um gesto fundamental do amor de Deus pelas criaturas, aquele que lhe confere o ser e as faz existir... A criação é um ato de amor... este amor de Deus encontra em Seus Profetas Seus cantores insuperáveis. Deus deu a alguns homens (como Isaías, Jeremias, Oseias) um coração grande, cheio de capacidades, sensível a todo espécie de amor, para que revelassem aos homens algo de Seu insondável amor. Os Profetas fizeram o máximo...”.

- A terceira etapa: abrange as anteriores e esta etapa se chama Jesus Cristo:

“Jesus é amor de Deus feito carne; Ele é a manifestação tangível do amor do Pai – Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o Seu Filho único, para que vivamos por Ele (1 Jo 4,9)...

Em Jesus, o amor de Deus se adequou à nossa condição humana, que tem necessidade de ver, de sentir, de tocar, de dialogar... O amor de Jesus pelos homens é forte, viril, terno, constante, até a prova suprema da vida.

Porque ninguém tem amor maior do quem dá a vida pela pessoa amada (cf. Jo 5,13). E Ele deu a vida! Amor cheio de delicadeza e de calor humano: como ama as mulheres, com que delicadeza se abaixa sobre sua humilhação, sem, todavia, condescender minimamente ao mal!

Como ama os discípulos; como ama as crianças, os doentes, os pobres, os intocáveis da época... Amado, Ele muda, faz renascer, liberta (a Samaritana. Madalena). Diante do túmulo de Lázaro, disseram d’Ele: ‘Vede como Ele o amava’”.

A quarta etapa: é aquela que se estende até os dias de hoje e que se chama Espírito Santo:

“O amor de Deus que se manifestou em Cristo Jesus permanece entre os homens e vivifica a Igreja através do Espírito Santo.

O que é afinal o Espírito Santo? É o amor recíproco entre Pai e Filho que, depois da Ressurreição, se difundiu sobre os crentes, como perfume que jorra do vaso de alabastro quebrado e enche a casa: o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5); nisso é que conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós, por Ele nos ter dado o Seu Espírito (1 Jo 4,13)...

Não se trata de um amor subjetivo, isto é, de um sentimento fugaz; é algo de soberanamente objetivo e concreto. Chega a ser até uma pessoa. No Novo testamento é apresentado como O Consolador, que dá paz, força, coragem, alívio. É ‘Espírito de amor’. É chamado também ‘coração novo’, o ‘coração de carne’, porque Sua presença nos torna não só amados, mas também capazes de amar (amar de modo novo a Deus e aos irmãos). Ele é agora Aquele que realiza a impossível fidelidade do homem; tendo-O presente, com efeito, o crente pode observar os Mandamentos, pode ‘corresponder’ ao amor de Deus, o que não era possível antes de Cristo”.

De fato, assim falou o Evangelista São João: “Deus amou tanto o mundo, que deu Seu Filho Unigênito, para que não morra todo o que n’Ele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

O amor de Deus é o centro de toda a Sagrada Escritura, revelado numa sucessão de gestos, de manifestações, que chamamos de “História da Salvação”.

Frei Raniero Cantalamessa finaliza nos falando da dificuldade que temos de crer no amor, considerando numerosas traições e decepções: “quem foi traído ou ferido uma vez, tem medo de amar e de ser amado, porque sabe quanto é dolorido ser enganado...”

No entanto, o cristão deve se libertar deste medo, pois esta é a sua vocação: amar, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações no batismo, e é preciso descobri-lo dentro de nós mesmos, na Igreja e ao mundo testemunhá-lo: 

“É o momento decisivo na História da Salvação, Aquele em que um homem, ou antes, uma comunidade movida pelo Espírito Santo, diz, como fazemos nós agora: ‘Deus nos ama e nós cremos no amor’”.

Oremos:

“Deus bom e fiel, que jamais Vos cansais de chamar os errantes a uma verdadeira conversão e no Vosso Filho levantado na Cruz nos curais das mordeduras do Maligno, concedei-nos a riqueza da Vossa Graça, para que, renovados no Espírito, possamos corresponder ao Vosso amor eterno e infinito”. (2)


(1)  O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 
(2) Lecionário Comentado – Volume Quaresma-Páscoa Ed. Paulus – 2011 Lisboa – p. 184

PS: Reflexão apropriada para a 13ª Sexta-feira do Tempo Comum

Deus misericordioso tem fome e sede de nossa conversão (XDTCA)

                                                    


Deus misericordioso tem fome e sede de nossa conversão

Sejamos enriquecidos pelo sermão do bispo e doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V):

“Acusa-se a Deus de inclinar-Se para o homem, de colocar-Se junto ao pecador, de ter fome de sua conversão e sede de seu retorno, de tomar o alimento da misericórdia e o cálice da benevolência.

Porém Cristo, irmãos, veio a esta ceia: a Vida veio ao seio destes convidados para que, condenados à morte, vivam com a Vida; a Ressurreição inclinou-Se para que aqueles que jaziam se levantassem de suas tumbas; a Bondade abaixou-Se para elevar aos pecadores até o perdão; Deus veio ao homem para que o homem chegue a Deus; o Juiz veio para o alimento dos culpáveis para subtrair a humanidade da sentença de condenação; o Médico veio à casa dos enfermos para restabelecê-los comendo com eles; o Bom Pastor encurvou-Se para carregar a ovelha perdida até o redil da salvação.

Por que o seu mestre come com os publicanos e pecadores? Porém quem é o pecador, a não ser aquele que recusa considerar-se como tal? Não é isto afundar em seu pecado, e verdadeiramente identificar-se com ele, ao deixar de se reconhecer pecador? E quem é injusto, senão o que se estima justo?...

Enquanto vivemos neste corpo mortal, a fragilidade domina; mesmo que triunfemos sobre os pecados de obra, não podemos vencer os de pensamento nem evitar toda injustiça; e se temos a força de escapar materialmente, e se somos capazes de vencer toda falta inconsciente, como poderemos suprimir as faltas de negligência e os pecados da ignorância...

Confessa teu pecado e poderás vir à mesa de Cristo; Cristo se fará por ti Pão, esse Pão que se partirá para o perdão de teus pecados. Cristo Se fará por ti Cálice, esse Cálice que se derramará para a remissão de tuas culpas.

Vamos, ... participa da refeição dos pecadores e Cristo participará da tua; reconhece-te pecador, e Cristo comerá contigo: entra com os pecadores no festim de teu Senhor e poderás não voltar a ser pecador; entra com o perdão de Cristo na casa da Misericórdia, não seja que com tua própria justiça sejas excluído desta morada.

Vamos, reconhece a Cristo, escuta a Cristo, Sim, escuta o teu Senhor, escuta ao médico do alto, aquele que refuta sem apelação tuas acusações falsas. Os que têm boa saúde não necessitam de médico, mas aqueles que estão enfermos. Se queres ser curado, reconhece tua enfermidade...

Não veio chamar os justos, mas aos pecadores. Sim, irmãos, sejamos pecadores em nossa confissão para não sermos pecadores graças ao perdão de Cristo.” (1)

Este sermão nos convida a reconhecer nossa condição pecadora, e a nos colocarmos em atitude de penitência, com a necessária confissão de nossos pecados, para que sejamos acolhidos, envolvidos e perdoados pela misericórdia divina.

Concluindo, urge trabalhar pelo nosso aperfeiçoamento espiritual, como nos exorta o Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios:

“Irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.” (1 Cor 13,11-13).

  

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.152-153 

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (XDTCA)

                                             

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

“Pela misericórdia de Deus...”

As palavras do Apóstolo Paulo, revigoram e iluminam nosso discipulado, a fim de que sejamos peregrinos da esperança, em plena  fidelidade à missão que Jesus nos confiou:

“Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: Este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”. (Rm 12,1-2)

A vida do apóstolo Paulo é a história de um coração extremamente apaixonado e seduzido por Deus, e exorta-nos a assumir atitudes coerentes com a fé que professamos.

Também nos exorta para que assumamos  atitudes coerentes com a fé que professamos, tornando nossa vida um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando ao mundo em que vivemos, mas configurando-nos ao Senhor e Seu Evangelho, oferecendo nossa vida inteiramente a Deus.

Portanto, exige de nós transformação e conversão de nossa maneira de pensar e julgar, não nos deixando moldar pela lógica do mundo, mas pela lógica do Evangelho, procurando sempre o que é agradável a Deus.

O Apóstolo exorta em nome da misericórdia divina, para que façamos progressos espirituais cada vez maiores, e alguns verbos são expressivos nos ajudam a fortalecer nossos passos em processo contínuo de conversão e de configuração ao Senhor, como sacrifícios a Ele agradáveis:

1º – “a vos oferecerdes” - urge que sejamos sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, pois nisto consiste o verdadeiro e frutuoso culto espiritual. Fazer da vida uma eterna e agradável oferenda a Deus, sobretudo colocando nossa vida no Cálice Sagrado do Senhor, configurados a Ele no Seu Mistério de Paixão e Morte, celebrando piedosa, ativa e frutuosamente a Sua Memória.

2º – “Não vos conformeis com o mundo” – ou seja, não compactuar com a mentalidade do mundo, para que sal, luz e fermento sejamos, como bem nos falou o Senhor, nas passagens evangélicas, e próprio Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses, sobre ter os mesmos sentimentos de Jesus (Fl 2,5).

3º – “transformai-vos” – implica viver em permanente atitude de conversão, para que melhor correspondamos aos desígnios de Deus, dando passos sucessivos na escala da perfeição e santidade.

4º – “renovando vossa maneira de pensar e julgar” – a fim de que sejamos moldados pela mão de Deus, porque obras imperfeitas e inacabadas somos.

5º – “distinguir o que é a vontade de Deus” – discernir entre bem e o mal; a mentira e o ódio; o justo e desejável por Deus; o pecado e a graça; o que conduz à vida ou à morte; enfim, fazer o bom uso da liberdade de arbítrio, que por Ele nos foi concedida.

Deste modo, viver um culto agradável a Deus, consiste em viver no amor, no serviço, na doação em entrega a Deus e aos irmãos; e urge, pois, rever o grande sinal que nos identifica, o Sinal da Cruz, que tantas vezes fazemos, e, por vezes, sem pensar no que o gesto implica: carregar a cruz com fé, coragem e fidelidade, como ponte necessária para a eternidade. Sem cruz, não há como conceber e alcançar a eternidade.

Urge que integremos o culto e a vida, fortalecendo os pilares de nossas comunidades, como tão bem expressam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil – Conferência Nacional do Brasil – CNBB – 2019-2023): os pilares da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.

Quando o culto e a vida andam de mãos dadas, tornam-se agradáveis a Deus, e Jesus Cristo é, verdadeiramente, Senhor de nossa vida e Rei do Universo.

Reflitamos:

 - O que precisamos rever em nossa vida de fé (pensamentos, palavras e ações), para melhor correspondermos aos desígnios de Deus, de tal modo, que nossa vida seja um culto agradável ao Senhor?

 - Como estamos carregando nossa cruz de cada dia?

- Quais as renúncias necessárias?

- Como vivemos as  palavras que o Senhor nos ensinou, na Oração do “Pai-Nosso”  – “Seja feita a Vossa vontade...”?

Concluindo, se necessário e possível, procuremos o Sacramento da Penitência, para confessarmos nossos pecados.  

Absolvidos, iniciemos um novo caminho, com santos propósitos de progressos maiores ainda no caminho de santidade, a vocação de todos nós, vivendo a vida nova que recebemos no dia do Batismo, e assim irradiaremos a luz divina em todo tempo e em todo o lugar.

 

Sejamos discípulos do Senhor, e não há outro caminho, senão o caminho da cruz; viver corajosamente a “A loucura da Cruz”, de tal modo que o sacrifício vivo seja acompanhado da necessária conversão.

 

Fonte: Lecionário comentado – Tempo Quaresma e Páscoa – Editora Paulus – 2011 – p. 202

PS: Oportuno para o Tempo da Quaresma e em todo o tempo.

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