terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
“Pai-Nosso”: “Nossa voz entrelaça-se com a Igreja”
“Rezemos com amor e confiança...”
“Rezemos com amor e confiança...”
“Pai-Nosso...”
Na Escola de Jesus aprendemos a rezar...
“Pai-Nosso”: uma Oração íntima e confiante em Deus
A Oração dos que renasceram pelo Espírito
A Oração dos que renasceram pelo Espírito
Reflitamos sobre o "Pai-Nosso", a Oração que o Senhor nos ensinou, à luz da “Carta a Proba”, escrita por Bispo Santo Agostinho (Séc. V).
“Temos necessidade de palavras para incitar-nos e ponderarmos o que pediremos, e não com a intenção de dá-lo a saber ao Senhor ou a comovê-lo.
Quando, pois, dizemos: Santificado seja o teu nome, exortamo-nos a desejar que Seu nome, imutavelmente Santo, seja também considerado Santo pelos homens, isto é, não desprezado. O que é de proveito para os homens, não para Deus.
E ao dizermos: Venha Teu Reino que, queiramos ou não, virá sem falta, acendemos o desejo deste Reino; que venha para nós e nele mereçamos reinar.
Ao dizermos: Faça-se a Tua vontade assim na terra como no céu, pedimos-lhe conceder-nos esta obediência de sorte que se faça em nós Sua vontade do mesmo modo como é feita no céu por Seus Anjos.
Dizemos: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Pela palavra hoje se entende este nosso tempo. Ou, com a menção da parte principal, indicando o todo pela palavra pão, pedimos aquilo que nos basta. O Sacramento dos fiéis, necessário agora, não, porém, para a felicidade deste tempo, mas para alcançarmos a felicidade eterna.
Dizendo: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos a nossos devedores, tomamos consciência do que pedimos e do que temos de fazer para merecer obtê-lo. Ao dizer: Não nos leves à tentação, advertimo-nos a pedir que não aconteça que, privados de Seu auxílio em alguma tentação, iludidos, consintamos nela, ou cedamos perturbados.
Dizer: Livra-nos do mal nos leva a pensar que ainda não estamos naquele Bem em que não padeceremos de mal algum. E este último pedido da Oração dominical é tão amplo, que o cristão em qualquer tribulação em que se veja, por ele pode gemer, nele derramar lágrimas, daí começar, nele demorar-se, nele terminar a Oração. É preciso guardar em nossa memória, por meio destas palavras, as realidades mesmas.
Pois quaisquer outras palavras que dissermos – tanto as formadas pelo afeto que as precede e esclarece, quanto as que o seguem e crescem pela atenção dele – não dirão nada que não se encontre nesta Oração dominical, se orarmos como convém.
Quem disser algo que não possa ser contido nesta prece evangélica, sua Oração, embora não ilícita, é carnal; contudo não sei como não ser ilícita, uma vez que somente de modo espiritual devem orar os renascidos do Espírito”.
O Senhor nos comunicou o Seu Espírito. Com a confiança e a liberdade de filhos e filhas, sempre iluminados e guiados pela Sabedoria da Palavra divina, rezemos a Oração que Ele nos ensinou:
Pai Nosso..
No “Pai-Nosso”, tudo que precisamos, encontramos
No “Pai-Nosso”, tudo que precisamos, encontramos
Sejamos enriquecidos por este texto da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V), sobre a oração do “Pai-Nosso”.
“Quem diz, por exemplo: Sê glorificado em todos os povos, assim como foste glorificado em nós (Eclo 36,3) e: Sejam reconhecidos fiéis os Teus profetas (Eclo 36,15), o que diz senão: Santificado seja o Teu nome?
Quem diz: Deus dos exércitos, converte-nos e mostra Tua face e seremos salvos (Sl 79,4), o que diz senão: Venha o Teu reino?
Quem diz: Orienta meus caminhos segundo Tua palavra e nenhuma iniquidade me dominará (Sl 118,133), o que diz senão: Seja feita Tua vontade assim na terra como no céu?
Quem diz: Não me dês indigência nem riquezas (Pr 30,8) o que diz senão: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje?
Quem diz: Lembra-Te, Senhor, de Davi e de sua mansidão (Sl 131,1) ou Senhor, se assim agi, se há iniquidade em minhas mãos, se paguei o bem com o mal (cf. Sl 7,14), o que diz senão: Perdoa nossas dívidas assim como perdoamos a nossos devedores?
Quem diz: Arrebata-me de meus inimigos, ó Deus, e dos que se levantam contra mim liberta-me (Sl 58,2), o que diz senão: Livra-nos do mal?
E se percorreres todas as palavras das santas preces, em meu parecer, nada encontrarás que não esteja contido nesta oração dominical ou que ela não encerre. Por isto cada qual ao orar é livre de dizer estas ou aquelas palavras, mas não pode sentir-se livre de dizer coisa diferente.
Sem a menor dúvida, é isso que devemos pedir na oração, por nós, pelos nossos, pelos estranhos e até pelos inimigos; uma coisa para este, outra para aquele, conforme o parentesco mais próximo ou mais afastado, segundo brote ou inspire o sentimento no coração do orante.
Sabes, agora, assim penso, não apenas como rezar, mas o que rezar; não fui eu o mestre, mas aquele que se dignou ensinar-nos a todos nós.
A vida feliz, a ela temos de tender, temos de pedi-la ao Senhor Deus. O que seja ser feliz tem sido muito e por muitos discutido. Nós, porém, para que irmos atrás de muitos e de muitas coisas?
Na Escritura de Deus, com toda a verdade e concisão, se diz: Feliz o povo que tem por Senhor o próprio Deus (Sl 143,15). Para sermos deste povo, chegar a contemplar a Deus e com ele viver sem fim, a meta do preceito é a caridade com um coração puro, consciência boa e fé sem hipocrisia (cf. 1Tm 1,5).
Nestes três objetivos, a esperança corresponde à boa consciência. Portanto a fé, a esperança e a caridade levam a Deus o orante, aquele que crê, que espera, que deseja e que presta atenção ao que pede ao Senhor na oração dominical.”
De fato, nada encontraremos que não esteja contido na oração do Senhor, o “Pai Nosso” (cf. Mt 6,7-15; Lc 11,1-4).
Portanto, devemos rezá-la sempre com amor e confiança, procurando viver o que rezamos no cotidiano, nas pequenas e grandes ações de nossas vidas.
“Pai Nosso que estais nos céus...”







