quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Vivamos a graça do Sacramento do Batismo

 


Vivamos a graça do Sacramento do Batismo
 
Retomemos os parágrafos 1213-1216 do Catecismo da Igreja Católica sobre o Sacramento do Batismo, que é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito (“vitae spiritualis ianua” – porta da vida espiritual”).
 
A porta que dá acesso aos outros sacramentos, e por meio dele, somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus, e nos tornamos membros de Cristo, e somos incorporados na Igreja, participantes na sua missão; e denomina-se batismo por causa do rito central com que se realiza: batizar (baptízeín, em grego) que significa “mergulhar”, “imergir’.
 
Esta imersão na água simboliza a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai pela Ressurreição com Ele, Jesus Cristo, como uma “nova criatura” (cf. 2 Cor 5, 17; Gl 6, 15).
 
Também chamado de “banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo” (cf. Tt 3, 5), porque significa e realiza aquele nascimento da água e do Espírito, sem o qual “ninguém pode entrar no Reino de Deus” (cf. Jo 3, 5).
 
Este banho também é chamado de iluminação, porque aqueles que recebem este ensinamento (catequético) ficam com o espírito iluminado (São Justino).
 
No Batismo o pecado é sepultada nas águas, e chamado também de dom, graça, unção, iluminação, veste de incorruptibilidade, banho de regeneração, selo e tudo o que há de mais precioso: Dom, porque é conferido àqueles que nada trazem; Graça, porque é dado mesmo aos culpados;  Unção,  porque é sagrado  régio (como aqueles que são ungidos); Iluminação,  porque é luz irradiante; Veste, porque cobre a nossa vergonha; Banho,  porque lava; Selo, porque nos guarda e é sinal do Senhorio de Deus.
 
Concluindo, viver a graça do Batismo, selados pelo Espírito, é fazer resplandecer, a cada dia,  a luz de Deus onde quer que vivamos, como discípulos missionários do Senhor, sendo sal da terra e luz do mundo, fermento na massa (Mt 5,13-16; Lc 13,18-21).

Crendo e vivendo no Senhor, seremos eternos

                                                                        

Crendo e vivendo no Senhor, seremos eternos

"Com efeito, a paga do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rm 6,23)

A acolhida do Sermão sobre o Batismo, de São Paciano (séc. IV), nos enriquece em nossa espiritualidade, como discípulos missionários do Senhor:

Com Jesus, temos a nossa Ressurreição. Ainda que pela morte passemos, não morreremos para sempre:
“Como trouxemos a imagem do homem terrestre, levemos a d’Aquele que vem do céu; porque o primeiro homem, da terra, é terrestre, o segundo, do céu, é celeste (cf. 1Cor 15,47-49). Assim agindo, diletíssimos, já não mais morreremos. Mesmo que nosso corpo se desfaça, viveremos em Cristo, conforme Ele mesmo disse: Quem crer em mim, mesmo que esteja morto, viverá (Jo 11,15).”

Cremos em Jesus Vivo e Ressuscitado, que nos revela a face de Deus; comunica-nos Seu Espírito, que nos conduz como peregrinos nesta vida, porque agimos pela fé e não pela visão:
“Pelo testemunho do Senhor, estamos certos de que Abraão, Isaac, Jacó e todos os santos de Deus vivem. Destes mesmos diz o Senhor: ‘Todos para Ele vivem; Deus é Deus dos vivos, não dos mortos’ (cf. Mt 22,32). E o Apóstolo fala de si: ‘Para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro; desejo dissolver-me e estar com Cristo’ (cf. Fl 1,21-23). De novo: ‘Quanto a nós, enquanto estamos neste corpo, peregrinamos longe do Senhor. Pois caminhamos pela fé, não pela visão’ (2Cor 5,6). É isto o que cremos, irmãos caríssimos.”

Cremos que fomos criados a imagem de Deus e, por meio de Jesus, alcançamos a vida perpétua:
“De resto: ‘Se apenas para este século temos esperança, somos os mais deploráveis de todos os homens (cf. 1Cor 15,19). Como se pode ver, a vida no mundo é a mesma para nós e para os animais, as feras e as aves. A vida deles pode até ser mais longa do que a nossa. Mas o que é próprio do homem, que Cristo deu por Seu Espírito, é a vida perpétua, contanto que não mais pequemos. Porque como a morte se encontra na culpa e é evitada pela virtude, assim o mal faz perder a vida, a virtude a sustenta. Paga do pecado, a morte; dom de Deus, a vida eterna por Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 6,23).

É Ele quem nos redime, perdoando-nos todo o pecado, assim fala o Apóstolo, destruindo o quirógrafo da desobediência lavrado contra nós; tirou-o do meio de nós, pregando-o na Cruz.”

Cremos que Jesus Se encarnou, viveu e morreu e Ressuscitou, e são indizíveis as maravilhas que nos alcançou:
Despindo a carne, rebaixou as potestades, triunfando livremente delas em Si mesmo (cf. Cl 2,13-15). Libertou os acorrentados, rompeu nossas cadeias, como Davi predissera: ‘O Senhor levanta os caídos, o Senhor liberta os cativos, o Senhor ilumina os cegos’ (cf. Sl 145,7-8). E ainda: ‘Rompeste minhas cadeias, sacrificar-te-ei uma hóstia de louvor’ (Sl 115,16-17). Libertados das cadeias, logo nos reunimos, pelo Sacramento do Batismo, o sinal do Senhor, livres pelo Sangue e pelo Nome de Cristo.” 

Urge que fiquemos vigilantes e em oração, até que venha o Dia do Senhor, preservando-nos de toda impureza do mal, porque somente os puros de coração verão a Deus:
Por conseguinte, queridos, somos lavados de uma vez, libertados de uma vez, de uma vez acolhidos no Reino imortal. De uma vez para sempre são felizes aqueles aos quais os pecados foram perdoados e cobertas as culpas (cf. Sl 31,1). Segurai com força o que recebestes, guardai-o bem, não pequeis mais. Preservai-vos puros do mal e imaculados para o Dia do Senhor.”.

Renovemos a alegria da pertença à Igreja, Corpo de Cristo, sendo Ele a cabeça: se o pecado entrou pelo mundo pelo primeiro Adão, a alma vivente; o último Adão, Jesus, nos comunica o Espírito vivificante, que nos acompanha e nos ajuda a viver um novo modo de vida em Cristo, abandonando os erros da vida antiga.

Crendo em Jesus Cristo Vivo e Ressuscitado, continuemos nossa peregrinação, porque pela fé, podemos sentir Sua divina presença, de modo especialíssimo no Augustíssimo Sacramento da Eucaristia.

Caminhemos com o Senhor, partícipes de uma Igreja Sinodal, verdadeiramente missionária e profética, como assim Ele o desejou e nos enviou; uma Igreja que, por sua ação e presença, a serviço da vida plena e feliz, mesmo enfrentando ventos contrários, permanece serena e confiante.

Deste modo, fazemos resplandecer a Luz de Cristo no mundo, e nos tornamos sal da terra e luz do mundo, como nos falou o Senhor (Mt 5,13-16).

Contando com a presença do Senhor, e com o Sopro encorajador do Santo Espírito, a Igreja, como uma barca, jamais fica à deriva, e faz sua travessia até a outra margem. Amém. 


PS: Apropriado para a passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 6,19-23)

Conduzidos pelas Virtudes Cardeais

                                                        


Conduzidos pelas Virtudes Cardeais

Firmemos nossos passos na missão de discípulos missionários do Senhor, vivendo a graça de sermos sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16; Lc 8,16-18).

Sejamos, portanto, iluminados pelo que nos diz o Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 1805-1809) sobre as quatro virtudes cardeais.

As virtudes da prudência, da justiça, da fortaleza e da temperança denominam-se “cardeais”, pois todas as outras se agrupam em torno delas. Aparecem em inúmeras passagens da Sagrada Escritura, e uma delas, encontramos no Livro da Sabedoria (Sab 8,7):

Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza” (Sb 8, 7).

Vejamos as quatro virtudes:

Prudência: virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de atingi-lo. “O homem prudente vigia os seus passos” (Pr 14, 15);  “Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar” (1 Pd 4, 7).

A prudência não pode ser confundida com a timidez ou o medo, a duplicidade ou dissimulação, e é também chamada de “auriga virtutum – condutor das virtudes”, porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.

Para Santo Tomás e Aristóteles, ela é a reta norma da ação, de modo que, o juízo da consciência é guiado pela prudência, e assim a pessoa prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo, e graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar.

Justiça: é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

A justiça para com Deus chama-se “virtude da religião”, em relação aos homens, ela leva ao respeito dos direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum.

O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela retidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo – “Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade’ (Lv 19, 15); “Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4, 1).

Fortaleza: é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na realização do bem.

Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral, dando a capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições.

Ela dispõe a pessoa para ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa de uma causa justa – “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14); “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Temperança: é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados.

Ela garante o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade, bem como orienta os apetites sensíveis da pessoa para o bem, com uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração.
 
No Antigo Testamento é muitas vezes louvada – “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30).

No Novo Testamento, é chamada “moderação’, ou “sobriedade” – Devemos “viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente” (Tt 2, 12).

Finaliza com uma citação de Santo Agostinho, que sintetiza tudo quanto se disse:

“Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)” .

Seja nossa vida conduzida pelas virtudes cardeais, o que nos fortalecerá no caminho de evangelização, na Proclamação da Palavra de Deus, celebrando piedosamente cada Eucaristia, a fim de que a vivamos na prática da caridade, em permanente ação missionária.

Deste modo, participaremos da construção de uma autêntica cultura de vida e de paz, vendo no outro o nosso irmão, afinal somos todos irmãos: - “Vós sois todos irmãos!” (Mt 23,8), empenhados a fim de que todos tenhamos vida plena e feliz.

Quando chegarmos à fonte, veremos a Luz

 


Quando chegarmos à fonte, veremos a Luz

Sejamos enriquecidos pelo Tratado sobre João, escrito pelo bispo Santo Agostinho, (Séc. V):

“Nós, cristãos, em comparação com os infiéis, já somos luz; porque, como diz o Apóstolo: Outrora éreis trevas; agora, luz no Senhor. Andai como filhos da luz (Ef 5,8). E em outro lugar: Passou a noite, o dia se aproximou; rejeitemos, pois, as obras das trevas e revistamos as armas da luz; como em pleno dia caminhemos com dignidade (Rm 13,12-13).

Todavia, em comparação com aquela luz a que chegaremos, ainda é noite até mesmo o dia em que estamos. Ouve o apóstolo Pedro, quando do magnífico esplendor desceu até ele a voz dirigida a Cristo Senhor: Tu és meu Filho muito amado, em que pus minhas complacências. Esta voz, continua, nós a ouvimos vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo (2Pd 1,17-18).

Já que, porém, nós não estivemos lá e não ouvimos então esta voz do céu, o mesmo Pedro nos fala: E a palavra profética se tornou mais segura para nós; fazeis bem em dar-lhe atenção como a uma lâmpada em lugar escuro, até que brilhe o dia e a estrela da manhã desponte em vossos corações (cf. 2Pd 1,19).

Quando, pois, vier nosso Senhor Jesus Cristo e, segundo diz o apóstolo Paulo, iluminar tudo quanto se oculta nas trevas e manifestar os pensamentos do coração, para que receba cada um de Deus seu louvor (1Cor 4,5), então num dia assim não haverá mais necessidade de lâmpadas: não se lerá mais o profeta, não se abrirá o volume do Apóstolo, não buscaremos o testemunho de João, não precisaremos do próprio Evangelho. Portanto, todas as Escrituras serão retiradas do centro onde, na noite deste mundo, elas se acendiam como lâmpadas a fim de não ficarmos nas trevas.

Afastadas todas estas luzes, não tendo mais de brilhar para nós, indigentes, e dispensando o auxílio que por esses homens de Deus nos era dado, vendo conosco aquela verdadeira e clara luz, o que é que veremos? Onde nosso espírito irá alimentar-se? Por que se alegrará com o que vê? Donde virá aquele júbilo que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem subiu jamais ao coração do homem? (cf. 1Cor 2,9). O que é que veremos?

Eu vos peço: amai comigo, correi crendo comigo, desejemos a pátria celeste, suspiremos pela pátria do alto, sintamo-nos como peregrinos aqui. Que veremos então? Responda o evangelho: No princípio era o Verbo e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1,1). No lugar de onde te banhou o orvalho, chegarás à fonte.

Aí, de onde o raio de luz, indiretamente e como por rodeios, foi lançado a teu coração tenebroso, verás a luz sem véus; vendo-a, recebendo-a, serás purificado. Caríssimos, diz João, somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos; sabendo que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual é (1Jo 3,2).

Percebo que vossos sentimentos sobem comigo para as alturas, mas o corpo corruptível pesa sobre a alma; e a habitação terrena com a multiplicidade dos pensamentos oprime o espírito (Sb 9,15). Também eu irei deixar de lado este livro, saireis também vós, cada um para sua casa. Sentimo-nos bem na luz comum, muito nos alegramos, exultamos de verdade; mas, ao afastar-nos uns dos outros, dele não nos afastemos.” (1)

Aspiramos alcançar a eternidade, e um dia chegarmos à Fonte Divina da Luz, o céu, e então veremos a Luz.

Por ora, peregrinando longe do Senhor, com Ele sempre presente, é tempo de irradiarmos Sua luz pela palavra e pela vida em todos os âmbitos de nossa vida (cf. Mt 5,13-16).

 

(1) Liturgia das Horas – Volume IV - Tempo Comum – pp. 518-519

Nada a temer, o Senhor está conosco!


 Nada a temer, o Senhor está conosco!


“Quem é este, a quem até
o vento e o mar obedecem?”  (Mc 4, 41)

Este será mais um ano marcado por intensas atividades e desafios, e será um tempo oportuno para confirmamos a nossa fé, em corajoso testemunho e compromisso com a Boa-Nova do Reino.

Como Igreja que somos, simbolizada biblicamente pela barca, que faz a travessia até a outra margem, enfrentando os ventos, as tempestades. Dentro dela está o Senhor, e Sua Palavra ressoa no mais profundo de nós, quando ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” (Mc 4, 39).

A presença serena e segura do Senhor na travessia, ainda que em águas turbulentas, até a outra margem, nos acompanha na missão de todos nós: a edificação de uma Igreja ministerial e missionária, comunicando a Alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, como bem disse o Papa Francisco em sua primeira Exortação Apostólica “Alegria do Evangelho”.

As dificuldades que encontramos no desenvolver das atividades pastorais, como é próprio em todo lugar, serão superadas com a força da Palavra do Senhor e a presença de Seu Espírito.

A violência que gera tanta insegurança, medo de circular pelas ruas, praças e shoppings, não poderá ter a última palavra. Haveremos de encontrar caminhos para uma vivência mais humana e fraterna.

Como Igreja, as marcas da desigualdade social, o compromisso social e político não serão ignorados por ninguém.

Urge que as lideranças intensifiquem o engajamento político, como cristãos, a fim de que sejam uma presença iluminadora e promotora de relações mais justas e solidárias, com vistas ao bem comum, sendo sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-16)

A travessia do mar é sempre uma ação ininterrupta da Igreja, como também a assistência e o sopro do Espírito em sua condução.

Renovemos o ardente desejo de permanecer na barca do Senhor, enfrentando adversidades e ventos contrários, se preciso, mas sempre dentro da barca, pois fora dela seríamos submersos nas águas do mar da vida e suas propostas de facilidades, ausência de esperança, consumismo, indiferentismo e outras tantas seduções que o mundo nos oferece.

Finalmente, como Igreja, elevamos a Deus nossas Orações para todos que sejam responsáveis pelo rebanho, sejam os primeiros a dar total testemunho de confiança e perseverança dentro desta barca na qual se encontra o Senhor.

A travessia é longa! Não sejamos tímidos, medrosos e desertores. Permaneçamos na barca do Senhor, pois Deus, em Sua infinita bondade que tudo providencia, jamais nos abandonará.


PS: Passagem do Evangelho (Mc 4,35-41) 

Sejamos Sal e luz na planície do cotidiano (VDTCA)

                                                             

Sejamos Sal e luz na planície do cotidiano

"... quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo."

A Liturgia do 5º Domingo do tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre o compromisso que abraçamos no dia de nosso Batismo, quando nos tornamos cristãos, discípulos missionários do Senhor.

Fazer brilhar a luz de Deus na noite do mundo, e como sal dar gosto e sentido de Deus a todo o existir, é a nossa grande missão.

Na passagem da primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 58,7-10), em tempos difíceis do pós-exílio, mantém viva a chama da esperança de um tempo novo, expressando a reclamação de Deus contra aqueles que praticam um culto vazio e estéril: de nada adianta a prática de leis externas, que não saem do coração, sem a necessária correspondência na vida.

O Profeta faz, portanto, um convite ao Povo para que respeite a santidade da Lei, colocando-a em prática. De modo especial, retrata na passagem o jejum, que no contexto do capítulo aparece sete vezes.

A prática do jejum deve ser feita com humildade diante de Deus, como expressão da dependência, do abandono e amor para com Ele, a renúncia a si próprio, a eliminação do egoísmo e da autossuficiência.

Jejum é voltar-se para o Senhor, manifestando a entrega confiante em Suas mãos, em total disponibilidade de acolher a ação e o dom de Deus, em gestos concretos de amor e solidariedade.

Deste modo, o jejum jamais pode ser compreendido como uma tentativa de colocar Deus do nosso lado, captando Sua benevolência a fim de que realize prontamente nossos interesses e desejos egoístas.

Somente a prática do jejum autêntico é que levará a comunidade a ser e contemplar a luz de Deus no mundo.

Reflitamos:

- Qual é a relação entre os gestos cultuais e gestos reais de nossa vida. Expressam ambos em sintonia a misericórdia e o Amor de Deus?

De que modo o que celebramos tem determinado a nossa vida?
Que matiz o Amor Divino tem dado as nossas ações?

- Somos uma luz acesa na noite do mundo, em solidariedade expressiva?
   - Somos como Isaías, Profetas do amor e servidores da reconciliação para um mundo novo justo e fraterno?

O Apóstolo Paulo, na passagem segunda Leitura (1Cor 2,1-5), nos exorta a identificação com Cristo, interiorizando a “loucura da Cruz”, que é dom e vida. Deus age através de nossa fragilidade e debilidade, como agiu através dele, um homem frágil e pouco brilhante.

Diante da comunidade de Corinto, o Apóstolo se apresentou consciente de sua fraqueza, assustado e cheio de temor.

O que levou os coríntios a abraçar a fé não foi a sedução de sua personalidade, nem suas brilhantes qualidades de pregador (que não possuía), e tão pouco a coerência de sua exposição, que ao contrário foi acolhida com ironia e indiferença.

O que levou os coríntios a aderirem à proposta de Jesus foi a força de Deus que se impõe, muito além dos limites de quem apresenta ou ouve a Sua proposta.

O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração daquele que crê, de forma que a sabedoria humana é suplantada e, assim, somos tocados e elevados pela sabedoria divina.

É preciso que nos coloquemos sempre como humildes instrumentos nas mãos de Deus, para que se realize Seu Projeto de Salvação para o mundo todo.

Com isto, não quer dizer que Deus dispense nossa entrega, doação, técnicas, meios de comunicação, ao contrário, é o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.

A mensagem da passagem do Evangelho (Mt 5,13-16) é o desdobramento do Sermão da Montanha que, se verdadeiramente vivido na planície, nos faz sal da terra e luz do mundo.

Seguidores do Senhor não podem se instalar na mediocridade, jamais se acomodar, mas pôr-se sempre a caminho, sem nenhuma possibilidade para comodismo e facilidades.

Ser sal e luz implica em total fidelidade dos discípulos ao programa anunciado por Jesus nas Bem-Aventuranças: ser pobre em espírito, sedento de justiça e paz, misericordioso, puro e capaz de sofrer toda forma de incompreensão, calúnia e perseguição.

Ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente no testemunhar do Reino em ambientes adversos. 

Não se pode viver um cristianismo “morno” instalado, cômodo, reduzindo a algumas práticas de Oração e de culto (até mesmo de uma Missa apenas aos domingos, como simples expressão de preceito cumprido).

Somente somos sal da terra e luz do mundo quando:

- O nosso agir revela a ação e o compromisso com o Projeto Divino  e apresentamos Jesus como a Luz de todos os Povos, de todas as nações;

- Atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos.

Discípulos missionários do Senhor devem se preocupar permanentemente em não atrair sobre si o olhar de todos, mas deve, antes e sempre, se preocupar em conduzir o olhar e o coração de todos para Deus e à Proposta de Seu Reino de Amor, Vida e Paz.

Sendo sal, que jamais percamos o gosto, do contrário para nada serviremos. Sendo luz, que jamais permitamos que ela se apague, não obstante as dificuldades próprias da existência.

Que tenhamos a coragem de comunicar a luz de Deus na escuridão do cotidiano, sem jamais perder o gosto do sal de Deus: gosto da partilha, do acolhimento, da misericórdia, da caridade.  Tão somente assim a luz de Deus, que em nós habita pelo Seu Espírito, comunicará luz aos que se encontram ao nosso redor.

Sal e luz, sejamos sempre! Sermão da Montanha ouvido e acolhido, na planície da vida anunciado, testemunhado e corajosamente vivido. Amém!  

Bem-Aventuranças e Santidade (VDTCA)

 


Bem-Aventuranças e Santidade
 
Senhor, nesta Montanha Santa, sento-me aos Vossos pés para aprender convosco, Sublime Mestre, o caminho para a felicidade, sonho e desejo de toda pessoa, cultivado no mais profundo de nosso ser (cf. Mt 5,13-16)
 
Aprendo convosco que a felicidade é, na exata medida, o caminho da santidade, o caminho das Bem-Aventuranças, que ao mesmo tempo  nos fascina e angustia, porque exige de nós renúncia e coragem.
 
Senhor, quero viver as Bem-Aventuranças, fazer delas um projeto de vida, mais que um santo propósito, um caminho a ser trilhado, com suas exigências. Que eu seja pobre, manso, misericordioso, pacificador.
 
Fixo meu olhar em Vós, Senhor, que não apenas anunciastes, mas praticastes de forma perfeita e plena as Bem-Aventuranças, com amor, um amor total ao Pai, com a unção do Espírito, e no-las ensinou.
 
Vós que fostes tão pobre, que nascestes numa estrebaria; tão manso, que Vos propusestes como modelo desta virtude (cf. Mt 11,29; 21,5); tão misericordioso, que pudestes afirmar: “Quero misericórdia e não sacrifício” (Mt 9,13; cf. Os 6,6).
 
Vós que fostes tão pacificador, que Vos tornastes “a nossa paz”’ (Ef 2,14); tão puro de coração, tão orientado para Deus totalmente e sempre, que pudestes afirmar: “O meu Alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e realizar a Sua obra!” (Jo 4,34).
 
Vós que fostes tão perseguido, que acabastes por morrer mártir, e muito mais que mártir, derramastes no alto da Cruz, do coração transpassado, a Água que nos renova e o Sangue que nos redime – “Mas um dos soldados transpassou-lhe o lado com a lança e imediatamente saiu Sangue e Água” (Jo 19,34).
 
Senhor, acolho Vossas Palavras nesta Santa Montanha, como fonte de graça, com o firme propósito de vivê-las na planície do cotidiano, fazendo da mensagem das Bem-Aventuranças o caminho em direção à santidade. 
 
Alimentado e nutrido pelos Vossos Sacramentos, que nos unem à Sua Pessoa e à Sua obra, de modo especialíssimo no Santo Banquete da Eucaristia, vivendo a vocação à santidade que é para todos os membros de vossa diletíssima Igreja. Amém.
 
 
 
PS: Fonte inspiradora - Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 -pp. 928-927.

PS: Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG