Santa Águeda, virgem e mártir, modelo de fidelidade ao Senhor!

Santa Águeda, virgem e mártir, modelo de fidelidade ao Senhor!
Ao
celebrar a memória de Santa Águeda (séc. III), sejamos enriquecidos pelo Sermão
escrito pelo Bispo São Metódio da Sicília (Séc. IX):
“A
comemoração do aniversário de Santa Águeda nos reúne a todos neste lugar, como
se fôssemos um só. Bem conheceis, meus ouvintes, o combate glorioso desta
mártir, uma das mais antigas e ao mesmo tempo tão recente que parece estar
agora mesmo lutando e vencendo, através dos divinos milagres com os quais
diariamente é coroada e ornada.
A
virgem Águeda nasceu do Verbo de Deus imortal e Seu único Filho, que também
padeceu a morte por nós. Com efeito, João, o teólogo, assim se exprime: ‘A
todos aqueles que O receb
eram, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de
Deus (Jo 1,12)’.
É uma virgem esta mulher que nos convidou para o Sagrado Banquete; é a mulher
desposada com um único esposo, Cristo, para usar as mesmas expressões do
Apóstolo Paulo, ao falar da união conjugal. É uma virgem que pintava e
enfeitava os olhos e os lábios com a luz da consciência e a cor do Sangue do
verdadeiro e divino Cordeiro; e que, pela meditação contínua, trazia sempre em
seu íntimo a morte d’Aquele que tanto amava.
Deste
modo, a mística veste de seu testemunho fala por si mesma a todas as gerações
futuras, porque traz em si a marca indelével do Sangue de Cristo e o tesouro
inesgotável da sua eloquência virginal.
Ela
é uma imagem autêntica da bondade, porque, sendo de Deus, vem da parte de seu
Esposo nos tornar participantes daqueles bens, dos quais seu nome traz o valor
e o significado: Águeda (que quer dizer ‘boa’) é um dom que nos foi concedido
por Deus, verdadeira fonte de bondade.
Qual a causa suprema de toda a bondade, senão aquela que é o Sumo Bem? Por
isso, quem encontrará algo mais que mereça, como Águeda, os nossos elogios e
louvores?
Águeda,
cuja bondade corresponde tão bem ao nome e à realidade! Águeda, que pelos
feitos notáveis traz consigo um nome glorioso, e no próprio nome demonstra as
ilustres ações que realizou!
Águeda,
que nos atrai com o nome, para que todos venham ao seu encontro, e com o
exemplo nos ensina a corrermos sem demora para o verdadeiro bem, que é Deus
somente!”
Quanto
à sua história, embora não se tenha tanto material disponível, é mais um
testemunho de alguém que teve o coração por Cristo seduzido, e N’Ele encontrou
a razão do existir, o sentido último e fundamental: a Salvação.
Águeda,
um luminar da fé que correspondeu ao dom que foi concedido por Deus, a
verdadeira fonte da bondade; um autêntico testemunho de entrega, doação na
expressão máxima do martírio, em corajosa e incondicional fidelidade a Deus.
Águeda
pôde rezar com o Salmista: “O Senhor é minha luz e salvação, a quem eu
temerei?”, ou ainda: “Ainda que eu passe pelo vale da morte, nenhum
mal eu temerei…” (Sl 27 e 91).
Através
de sua fragilidade, Deus manifestou Sua onipotência; e com ela, aprendemos a
expressar no mundo a bondade divina, através de palavras e muito mais através
dos gestos; bem como aprendemos a correr sem demora para o verdadeiro bem,
Deus, pois somente Deus e Sua graça nos bastam.
Águeda,
a “virgem que pintava e enfeitava os olhos e os lábios com a luz da consciência
e a cor do Sangue do verdadeiro e divino Cordeiro; e que, pela meditação
contínua, trazia sempre em seu íntimo a morte d’Aquele que tanto amava” também
nos ensina a também a ver o mundo com os olhos de Deus, e com os lábios
proclamar ao mundo o seu projeto, já experimentado e vivenciado na meditação
contínua, na mais perfeita configuração à Jesus Cristo que, por amor, em nosso
favor morreu e Ressuscitou.
Uma
página viva que revela uma bela verdade: O amor é a força que move o mundo,
possibilita dar às coisas seu real valor, discernindo o que é relativo e o que
é absoluto!
Águeda
foi exemplo de quem manteve a virgindade e fidelidade ao Senhor, mesmo tendo
sido condenada a ficar em lugar de má fama e enfrentando toda e qualquer forma
de sedução de Quintiano, cônsul do imperador romano. Este ordenou que ela fosse
torturada através de açoites, dilaceramento por meio de ganchos de ferro, e
queimada com chamas de tochas.
Águeda
sofria tudo isto com alegria, deixando o cônsul furioso. Isto o levou a
ordenar, cruelmente, que os seios dela fossem esmagados e arrancados. Mais
tarde a reencarcerou, e determinou que nenhum alimento ou socorro médico lhe
fosse concedido.
Ao
ser levada de volta para a prisão, ela orou: "Senhor, meu Criador,
Tu me tens protegido sempre desde meu nascimento; Tu me tens livrado do amor ao
mundo, e me tens dado paciência para sofrer. Recebe agora minha alma". Após
dizer essas palavras entregou sua vida.
Hoje,
num mundo de permissividade, em que o prazer se torna como que um ídolo, com
perda de valores morais, banalização da sexualidade, muitas vezes ausência de
firmes princípios, esta Santa, reconhecida pela Igreja, é mais um exemplo a ser
imitado na fidelidade ao Senhor.
Celebrar
a memória de Santa Águeda é celebrar a alegria de ver multiplicar, em cada
tempo, cristãos convictos da fé e do Evangelho que ouvem, acolhem, proclamam e,
com a vida, testemunham.
Reflitamos:
- Até que ponto entregamos nossa vida pelo Evangelho
e por causa de Jesus?
- Qual a intensidade e profundidade de nosso
apaixonamento por Cristo?
- Que sinal profético somos, no mundo, da Palavra de
Deus?
Que, a exemplo de Santa Águeda, saibamos nos colocar nas mãos de
Deus com absoluta confiança e esperança, e roquemos a Deus para que nos conceda
cada vez mais sermos sinal de Jesus Cristo no mundo, na pureza de alma e
coração, que somente é possível quando participamos ativa, piedosa e
frutuosamente da Mesa da Eucaristia, prolongando-A no cotidiano, a fim de que
não haja a separação empobrecedora do culto e a vida.
(1)
Memória celebrada no dia 5
de fevereiro.
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