terça-feira, 8 de setembro de 2026

Amados e perdoados para amar e perdoar! (XXIVDTCA)

                                                       

Amados e perdoados para amar e perdoar!

A Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A), trata do tema do perdão.

Contemplamos a Face de Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida. Feitos à Sua imagem, somos convidados a amar na mesma medida, sobretudo na vivência do perdão.

A lógica do Amor de Deus muitas vezes nos questiona, desestabiliza, pois é totalmente contrária à lógica humana, por vezes movida pelo rancor, ressentimento.

À luz da primeira leitura do Livro do Eclesiástico (Eclo 27,33-28,9), aprendemos a arte de viver bem e sermos felizes, contemplando a Sabedoria Divina que está acima de toda e qualquer sabedoria; revendo nossas posturas e atitudes.

A comunidade cristã, segundo a Carta de Paulo aos Romanos (Rm 14,7-9), há de ser o espaço do aprendizado e da vivência desta lógica do amor – a comunidade tem que ser o lugar do amor, superando quaisquer atitudes de intolerância, incompreensão, despeito pela diversidade e uniformidade pela fé.

A passagem do Evangelho (Mt 18,21-35) traz uma verdadeira catequese sobre a Misericórdia de Deus: o Perdão Divino é ilimitado e universal  e se contrapõe a mesquinhez humana.

A provisoriedade da vida e a morte nos fazem repensar e rever nossos conceitos, sentimentos e ressentimentos. A vida é breve, por que guardar rancores e ódio? A consequência é dor, sofrimento, estresse...

Urge que a comunidade aprenda a perdoar as ofensas e viver a compaixão. Uma vez experimentado o Perdão Divino devemos expressá-lo mutuamente no perdão humano.

Superar a lógica do olho por olho, dente por dente e eliminar quaisquer posturas de vinganças, rancor e ódio. É preciso ter um coração não endurecido, não violento e não agressivo.

Perdão que não é jamais sinônimo de conivência e pacto com a mediocridade. Perdão é ir ao encontro do outro possibilitando reconciliação, novas atitudes, novos caminhos.

Perdão dado e recebido é sinal de uma vida nova, relacionamento novo, pacto de alegria, reencontro, superação, crescimento, amadurecimento.

Perdão jamais poderá ser entendido também como a permissão e persistência contumaz no pecado. Perdão exige esforço e empenho de mudança, sem o que esvaziaremos uma das palavras mais bela do cristianismo.

O amor na prática do perdão é nosso mais belo distintivo: contemplemos quantas vezes da Divina Fonte do Amor e Perdão, Jesus, ecoaram Palavras de misericórdia e perdão.

Em Sua missão e até na Sua consumação no alto da Cruz – “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem...” e ao ladrão arrependido –“ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Perdão não é também sinônimo de passividade, alienação, conformismo, covardia e indiferença. Perdoar é estar sempre disposto a ir ao encontro daquele que nos ofendeu, estendendo a mão, abrindo o coração, recomeçando o diálogo, abrindo janelas (se não conseguir de imediato as portas), darmos, enfim, nova oportunidade...

É preciso recordar e dar conteúdo ao que rezamos no Pai Nosso – “Perdoai-nos, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...”

Perdoados sempre por Deus devemos ter a mesma atitude para com o outro, do contrário seremos instrumentos da prática dos “dois pesos e duas medidas”.

Devemos carregar as marcas de quem perdoa: compreensão, misericórdia, acolhimento, amor, o desejo de ver o outro melhor.

Santo Agostinho, pensando no pecado de Judas Iscariotes, assim escreveu: “Se ele tivesse orado em nome de Cristo teria pedido perdão, se tivesse pedido perdão teria esperança, se tivesse esperança teria esperado na misericórdia e não teria se enforcado desesperadamente”.

São Máximo de Turim nos fala também da maravilha do perdão e o que podemos esperar do Amor de Deus: “se o ladrão obteve a graça do paraíso, por que o cristão não há de obter o perdão?”.

Reine na comunidade o amor, o respeito pelo outro, a aceitação das diferenças, a partilha e o perdão. Nela precisa haver o discernimento, para que não nos percamos em discussões de coisas secundárias esquecendo o que é essencial:

Discutimos se se deve receber a comunhão na mão ou na boca, se se deve ou não ajoelhar à consagração, se determinado cântico é litúrgico ou não, se os Padres devem ou não casar, se a procissão do santo padroeiro da paróquia deve fazer este ou aquele percurso… e, algures durante a discussão, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos à volta do mesmo Senhor. É preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide.”

Finalizando, perdão é eterno recomeço e aprendizado, se nos faltarem palavras e coragem de pedir perdão e de perdoar coloquemo-nos prolongadamente e silenciosamente diante do Coração trespassado do Senhor, a Divina Fonte de Misericórdia. Contemplemos Seu Coração terno, pleno de Amor e perdão, mansidão, doçura, ternura e bondade...

Quanto mais soubermos amar e perdoar, mais felizes o seremos. Podemos perdoar porque antes fomos amados e perdoados.

A graça de pertencemos ao rebanho do Senhor (XXIVDTCA)

 


A graça de pertencemos ao rebanho do Senhor 
 
Reflexão à luz do Sermão do Bispo Santo Agostinho (séc. V) sobre os pastores e a vida de todos os cristãos.
 
“Não é de agora que vossa caridade sabe que nossa esperança está toda em Cristo e que nossa verdadeira glória de salvação é Ele. Sois do rebanho d’Aquele que guarda e apascenta Israel.
 
Mas por haver pastores que apreciam este nome, porém não querem exercer seu ofício, vejamos o que a seu respeito diz o Profeta. Escutai vós com atenção; escutemos nós com temor.
 
‘Foi-me dirigida a Palavra do Senhor que dizia: Filho do homem, profetiza contra os pastores e dize aos pastores de Israel’ (Ez 34,1-2).
 
Acabamos de ouvir a leitura deste trecho; resolvemos então falar-vos algo. O Senhor nos ajudará a dizer o que é verdadeiro, se não dissermos o que é nosso. Pois se dissermos o que é nosso seremos pastores a nos apascentar a nós, não as ovelhas. Se, ao contrário, dissermos o que é d’Ele, será Ele que vos apascenta por intermédio de quem quer que seja.
 
Assim diz o Senhor Deus: Ó pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Acaso não são as ovelhas que os pastores têm de apascentar? (Ez 34,2) quer dizer, os pastores apascentam ovelhas, não a si mesmos. É este o primeiro motivo de repreensão a tais pastores, que apascentam a si e não as ovelhas. Quem são estes que se apascentam? O Apóstolo diz: ‘Todos procuram seu interesse, não o de Jesus Cristo’ (Fl 2,21).
 
Quanto a nós, a quem o Senhor, por Sua benevolência e não por mérito nosso, estabeleceu neste cargo de que teremos difíceis contas a dar, devemos distinguir bem duas coisas: a primeira, somos cristãos, a segunda, somos bispos. Somos cristãos para nosso proveito; e somos bispos para vós. Como cristãos, atendemos ao proveito nosso; como bispos, somente ao vosso.
 
E são muitos os cristãos não bispos que vão a Deus por caminho mais fácil talvez, e andam com tanto mais desembaraço quanto menos peso carregam. Nós, porém, além de cristãos, tendo de prestar contas a Deus de nossa vida, somos também bispos e teremos de responder a Deus por nossa administração”.
 
Sempre tempo favorável para que avaliemos nossa vida cristã, se está de acordo com a vontade de Deus, na fidelidade a Jesus, assistidos pelo Espírito Santo.
 
Do mesmo modo, é sempre tempo favorável para rever como vivemos a vida nova que recebemos no dia de nosso Batismo.
 
Neste mês, especialmente dedicado à Bíblia, roguemos a Deus a sabedoria, coragem e mansidão para que vivamos a graça da missão evangelizadora, e que a Palavra de Deus seja sempre a luz de nosso caminho. Amém.
 

O perdão vivido recria vínculos fraternos ” (XXIVDTCA)

                                                      

O perdão vivido recria vínculos fraternos

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35), que nos fala sobre a prática do perdão, presente nos relacionamentos fraternos, dentro e fora da Comunidade.

Assim nos falou o Apóstolo Paulo sobre a vivência da caridade, como pleno cumprimento da Lei: “Não devais nada a ninguém. A não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei.” (Rm 13,8).

De fato, há uma dívida que todos somos mais ou menos insolventes: a dívida do amor recíproco:

“Deveríamos preocupar-nos verdadeiramente com isto. Por isto sentimos que é para nós a exortação de Paulo, que apela a que vivamos o ‘amor mútuo’. Amar é entregar-se totalmente a um outro, é passar da lógica consumista do ‘tu és meu’, para a oblativa do ‘eu sou para ti’: uma experiência a que não é possível colocar limites” (1)

Mas para viver este amor a um outro (próximo) é preciso sentir-se amado por Deus, o totalmente Outro, que nos ama e quer que o mesmo façamos:  “Dou-vos um Mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13,34).

Sentir-se amado por Deus leva-nos ao empenho de correspondência ao Seu amor, e isto se dá concretamente na restituição do amor na caridade fraterna, corrigindo e permitindo que sejamos corrigidos, sem marcas de presunção, rivalidade ou despeito.

Vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado:

“Não podemos estar em relação com a infinita riqueza de Deus se não estivermos em relação com a pobreza do irmão” (2)

Somos encorajados a viver como reconciliados; empenhados na busca da paz, ajudando-nos e deixando-nos ajudar, de modo a criar vínculos mais sólidos e fraternos na comunidade em que participamos:

“Preocupemo-nos em deixar este mundo depois de termos desatado ou ajudado a desatar todos os vínculos, então as portas do Céu abri-se-ão para nós (Mt 18,18)” (3).

Oportunas são as palavras do Bispo Santo Agostinho (séc. IV), que aplicou exatamente à correção fraterna as palavras do Apóstolo Paulo sobre a caridade: 

“Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor; seja que perdoes, perdoa o amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”.

Sendo assim, que Deus nos conceda coração e espírito novos, para nos tornarmos mais sensíveis ao nosso próximo, no pleno cumprimento da Lei, o Mandamento do Amor, que consiste no compêndio de toda a Lei.

Supliquemos a Ele, para que jamais desistamos deste aprendizado, desta difícil e revitalizante expressão de amor, que sabe corrigir sem desencorajar e lutar sem ofender.

De fato, na escola do Divino Mestre do Amor, somos todos eternos aprendizes. Há muito que aprender, sem cansaços, recuos e desistências.

Somente deste modo, não veremos o perdão como a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas como a novidade que rompe as cadeias, que tornam a pessoa amarrada a si mesma (4).

  
(1)  Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa -  p.281.
(2)  Idem – p. 157
(3)  Idem - p.284.
(4)  Idem – p. 158

A graça de ser perdoado e perdoar (XXIVDTCA)

                                                   


A graça de ser perdoado e perdoar


“Perdoai-nos, Senhor, os nossos pecados...”

Aprofundando sobre o perdão que devemos viver nas relações com nosso próximo, voltemo-nos para o parágrafo (n.2843) do Catecismo da Igreja Católica:

“Assim ganham vida as palavras do Senhor sobre o perdão, sobre este amor que ama até ao extremo do amor (Jo 13,1).

A parábola do servo desapiedado, que conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial (Mt 18,23-35), termina com estas palavras: ‘Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração’.

É aí, de fato, ‘no fundo do coração’, que tudo se ata e desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão”.

Oremos:

Senhor, Vós Sois o Deus de Amor e Verdade, que amamos e adoramos e queremos amar e servir vivendo a graça do Batismo.

“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido” do fundo do coração, onde tudo se ata e se desata.

Como não está em nosso poder deixar de sentir ou esquecer a ofensa, libertai-nos de todas as amarras, ressentimentos, mágoas e dureza de coração, para que semelhante ao Coração Sagrado do Vosso Filho seja.

Entregamos nosso coração ao Vosso Espírito, para que toda ferida seja curada e transformada em compaixão; nossa memória é purificada de toda lembrança que nos consome e destrói; transformando cada ofensa recebida em contínua oração de intercessão.

“Meu Senhor e meu Deus, tirai-me tudo o que me afasta de Vós.
Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo o que me aproxima de Vós.
Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo, 
para doar-me por inteiro a Vós”. Amém. (1)

 (1) - São Nicolau de Flue

“Senhor, ensina-nos a perdoar” (XXIVDTCA)

                                                              

“Senhor, ensina-nos a perdoar”

“Se cada um não perdoar
a seu irmão, o Pai não vos perdoará”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35), em que o Senhor nos convida a viver o perdão sem limites, um eterno aprendizado:

“Qualquer que seja o motivo que leva Pedro a fazer sua pergunta uma coisa é certa; ele quer que Jesus confirme a existência de um limite no exercício da caridade cristã.

É confortador saber quando e onde se pode, com tranquila consciência, ignorar as injunções da caridade cristã (pois é mais interessante saber quando cessam do que onde começam tais obrigações).

Parece de fato mais que justo que em certo momento possamos dizer:  ‘Basta! Afinal somos homens!’ Queremos ser o eco do nosso ambiente…

Jesus, porém, nos diz que devemos ser o eco daquilo que Deus fez por nós. Ninguém é homem pelo fato de poder ‘ explodir’ mas pelo fato de poder desenvolver em si e transmitir aos outros aquilo que Deus nos deu.

A lei do perdão é vinculante não facultativa; é como um contrato firmado com o Sangue de Cristo. Ora, depende de mim ratificá-lo derramando sobre os meus semelhantes aquilo que Deus me deu: ‘Eis como meu Pai celeste agirá convosco…’ " (v.35). (1)

A segunda fonte, sobre o perdão, afirma:

"Temos uma ideia tão elevada do perdão que nunca a utilizamos realmente... As pessoas perdoam ou então fingem: no máximo pensam que não querem vingar-se.

É verdade, humanamente não é possível perdoar. O perdão é somente dom de Deus, um dom intenso. Por isso a palavra perdão deriva duma palavra utilizada na Idade Media, per-dom, a qual significa precisamente ‘dom profundo’... podemos e devemos perdoar porque fomos perdoados.

Assim escreveu Graham Greene – ‘ninguém suporta não ser perdoado: só Deus é capaz disso’. Mas perdoar é possível graças ao dom de Deus que previne qualquer iniciativa nossa e como resposta a um amor maior...

Só num percurso de fé podemos exercer o perdão na vida concreta, por exemplo, para com quem não consegue considerá-lo na sua vida de homem: o perdão não é a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas a novidade que rompe as cadeias que tornam a pessoa amarrada a si mesma” (2)

É sempre tempo para dar e pedir perdão; e somente é possível porque antes por Deus fomos perdoados, por um perdão e Amor sem medida e sem méritos.

Amados e perdoados, podemos e devemos  amar e perdoar, pois sem o quê,  não poderíamos rezar a Oração que o Senhor nos ensinou, de modo que somente a prática do perdão nos faz verdadeiramente livres, rompendo as amarras que nos reduzem horizontes e movimentos.

O perdão é algo que não se aprende e se vive totalmente. Sempre teremos algo a aprender na escola do perdão com o Divino Mestre da Misericórdia que nos amou e nos perdoou. Somos, nesta escola maravilhosa, eternos aprendizes:

“Não recuses, portanto, praticar a misericórdia a fim de que não sejas excluído do perdão quando tu mesmo vieres a ter necessidade dela” (Santo Astério de Amasea – séc V).

Quanto mais perdoarmos e formos perdoados, mais livres seremos e mais semelhantes ao Divino Mestre o seremos. Não podemos nos dizer cristãos sem a graça do perdão recebido e partilhado.

Bem sabemos o quanto difícil o é. Haverá algo mais belo que um perdão dado e recebido, um relacionamento restaurado?

A leveza e a alegria do Espírito, só alcança quem vive a graça do perdão, e neste sentido, importa não recuar, pois assim é a vida de fé.

Temos muito a aprender. Não recuemos! Avancemos, pois assim é a vida de fé.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág.238
(2) cf. Lecionário Comentado - Tempo da Quaresma

A graça de pertencemos ao rebanho do Senhor (XXIVDTCA)

                                          

A graça de pertencemos ao rebanho do Senhor 
 
Reflexão à luz do Sermão do Bispo Santo Agostinho (séc. V) sobre os pastores e a vida de todos os cristãos.
 
“Não é de agora que vossa caridade sabe que nossa esperança está toda em Cristo e que nossa verdadeira glória de salvação é Ele. Sois do rebanho d’Aquele que guarda e apascenta Israel.
 
Mas por haver pastores que apreciam este nome, porém não querem exercer seu ofício, vejamos o que a seu respeito diz o Profeta. Escutai vós com atenção; escutemos nós com temor.
 
‘Foi-me dirigida a Palavra do Senhor que dizia: Filho do homem, profetiza contra os pastores e dize aos pastores de Israel’ (Ez 34,1-2).
 
Acabamos de ouvir a leitura deste trecho; resolvemos então falar-vos algo. O Senhor nos ajudará a dizer o que é verdadeiro, se não dissermos o que é nosso. Pois se dissermos o que é nosso seremos pastores a nos apascentar a nós, não as ovelhas. Se, ao contrário, dissermos o que é d’Ele, será Ele que vos apascenta por intermédio de quem quer que seja.
 
Assim diz o Senhor Deus: Ó pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Acaso não são as ovelhas que os pastores têm de apascentar? (Ez 34,2) quer dizer, os pastores apascentam ovelhas, não a si mesmos. É este o primeiro motivo de repreensão a tais pastores, que apascentam a si e não as ovelhas. Quem são estes que se apascentam? O Apóstolo diz: ‘Todos procuram seu interesse, não o de Jesus Cristo’ (Fl 2,21).
 
Quanto a nós, a quem o Senhor, por Sua benevolência e não por mérito nosso, estabeleceu neste cargo de que teremos difíceis contas a dar, devemos distinguir bem duas coisas: a primeira, somos cristãos, a segunda, somos bispos. Somos cristãos para nosso proveito; e somos bispos para vós. Como cristãos, atendemos ao proveito nosso; como bispos, somente ao vosso.
 
E são muitos os cristãos não bispos que vão a Deus por caminho mais fácil talvez, e andam com tanto mais desembaraço quanto menos peso carregam. Nós, porém, além de cristãos, tendo de prestar contas a Deus de nossa vida, somos também bispos e teremos de responder a Deus por nossa administração”.
 
Sempre tempo favorável para que avaliemos nossa vida cristã, se está de acordo com a vontade de Deus, na fidelidade a Jesus, assistidos pelo Espírito Santo.
 
Do mesmo modo, é sempre tempo favorável para rever como vivemos a vida nova que recebemos no dia de nosso Batismo.
 
Neste mês, especialmente dedicado à Bíblia, roguemos a Deus a sabedoria, coragem e mansidão para que vivamos a graça da missão evangelizadora, e que a Palavra de Deus seja sempre a luz de nosso caminho. Amém.
 

Em poucas palavras...(XXIVDTCA)

                                             


O amor de Deus é eterno

“O amor de Deus é «eterno» (Is 54, 8): «Ainda que as montanhas se desloquem e vacilem as colinas, o meu amor não te abandonará» (Is 54, 10). «Amei-te com amor eterno: por isso, guardei o meu favor para contigo» (Jr 31, 3).”

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 220

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