domingo, 6 de setembro de 2026

“Effatha!” – “Abre-te!” - As inesquecíveis aberturas...

                                                  


“Effatha!” – “Abre-te!” - As inesquecíveis aberturas...

Na criação, a primeira grande abertura, contemplamos:
Criando o homem e mulher Deus Se abriu para uma amizade,
Uma história de amor e amizade eterna,
Ainda que não à altura correspondida.

A autossuficiência de nossos pais, o querer ser como deuses,
Nem isto foi o bastante para que Deus fechasse o Seu coração,
Estancasse a comunicação da seiva de Seu amor,
Que corre nas entranhas mais profundas de nosso ser.

A História contemplou uma inesquecível abertura:
A abertura do Mar Vermelho e a grande travessia.
Libertação da Escravidão do Egito rumo à terra da liberdade,
Da fartura, da relação íntima com Deus: paz e felicidade.

Há uma singela e emocionante abertura de coração:
A abertura do coração de Maria e de José aos desígnios divinos,
Ainda que sem compreender, nuvens naturais da obscuridade,
Segredos aos poucos revelados, sim para o Salvador da humanidade.

Uma abertura crudelíssima que revela nossa insanidade,
Uma abertura que revela a face cruel da humanidade:
Transpassaram o Divino Coração, Fonte de Amor, ternura...
Para jorrar Água do nascimento, Corpo e Sangue - Alimento.

Uma abertura fundante, e que mudou o rumo da história:
A pedra do túmulo foi removida, não impede a ação do Ressuscitado.
Tendo descido à triste mansão dos mortos, agora, Vivo, glorioso está.
Abriu-se a porta do túmulo da história: Vida Plena, Vida Nova – Eternidade!

Mas há outra abertura de que depende tão apenas de nós.
Talvez a mais difícil e primeira de todas as aberturas:
A abertura de nosso coração para os Mistérios Divinos,
Para que sejamos acolhedores e instrumentos de Salvação.

Abrir o coração à escuta atenta da Palavra Divina.
Abrir os olhos para a realidade compreender.
Abrir os lábios para as maravilhas de Deus proclamar.
Abrir nossas mãos e todo nosso ser ao Projeto Divino. Amém.

A prática da misericórdia na correção fraterna (XXIIIDTCA)

                                                          

A prática da misericórdia na correção fraterna

Na quarta-feira da 19ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,15-20), e somos convidados a refletir sobre a correção fraterna na comunidade, fazendo desta um lugar do perdão, da reconciliação.

Com isto, exige-se que todos que dela participem, coloquem-se num caminho de empenho pela conversão, para edificar uma comunidade de fé credível e testemunha do Cristo Ressuscitado, unidas sempre pela graça e força da oração.

A Igreja não é a comunidade dos puros e santos, mas daqueles que se empenham, continuamente, contando com a graça e misericórdia divinas, para alcançar a pureza e santidade, cada vez mais, incansavelmente.

Isto nos desafia a viver como uma Igreja formada por comunidades de reconciliados com Deus e com o próximo, portanto, deve nos preocupar a secularização que leva tantos cristãos para fora das nossas Igrejas.

Entretanto, a mensagem do Evangelho nos fortalece neste empenho de construirmos comunidades mais fraternas e misericordiosas; comunidades em oração que abraçam a Cruz de Cristo, com a graça da missão de continuar a ser um sinal concreto de Salvação para todo o mundo.

Tendo abraçado a Cruz de Cristo, pomo-nos, necessariamente, no caminho de conversão, perdão dado e recebido, a fim de que sigamos os passos de Jesus, a face misericordiosa do Pai, com o amor que nos foi derramado pelo Seu Espírito.

Tendo abraçado a Cruz de Cristo, somos a comunidade dos que procuram viver a misericórdia expressa em tantos gestos, e um dos mais expressivos que irradia a luz divina: a prática do perdão e da correção fraterna.

Tendo abraçado a Cruz de Cristo, assim vivendo, tornamo-nos a Comunidade do Ressuscitado, que se alimenta do Pão da Palavra, nutre-se com o Pão da Eucaristia, para viver uma caridade em múltiplas expressões, na dimensão missionária da Igreja, sua verdadeira essência, com a missão de anunciar a Boa-Nova do perdão, da reconciliação e da construção de um mundo mais humano e fraterno.


PS: apropriado para o XXIIIDTCA

Corajosos Sentinelas/Profetas do Reino (XXIIIDTCA)

                                                                    


                Corajosos Sentinelas/Profetas do Reino
 
Reflexão à luz da passagem do Livro do Profeta Ezequiel (Ez 33,7-9).
 
O Profeta  é apresentado como uma sentinela, colocado por Deus, sempre atento ao Projeto Divino, alertando a comunidade para os perigos que a cerca:
 
“O Profeta é um homem do seu tempo, mergulhado na realidade e nos desafios da sociedade em que está integrado; conhece o mundo e é capaz de ler, numa perspectiva crítica, os problemas, os dramas e as infidelidades dos seus contemporâneos.” (1)
 
O Profeta recebe de Deus o mandato da missão, e torna-se um sinal vivo do Amor de Deus pelo Seu povo:
 
“Deus que o chama, que o envia em missão, que lhe dá a coragem de testemunhar, que apoia nos momentos de crise, de desilusão e de solidão... O Profeta/sentinela é a prova de que Deus, cada dia, continua a oferecer ao Seu Povo caminhos de salvação e vida. O Profeta/sentinela demonstra sem margem para dúvidas, que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.” (2)
 
Reflitamos:
 
- Como vivemos a missão profética que recebemos no dia de nosso Batismo?
- Qual o tempo que dedicamos para o encontro com Deus na Oração, para falar com Ele, ouvir e meditar a Sua Palavra?
 
- Quais são as situações do mundo em que vivemos, que, à luz da fé, exige que vivamos a missão profética?
 
Deste modo, é preciso orientar a vida pelo Mandamento do Amor, porque cristianismo sem amor se torna uma mentira, e como cristãos jamais podemos deixar de amar nossos irmãos. 
 
A comunidade tem sempre à frente um desafio: multiplicar as marcas do amor, diminuindo, ou melhor ainda, eliminar toda marca de insensibilidade, egoísmo, confronto, ciúme, inveja, opressão, indiferença, ódio.
 
Sejamos Profetas/sentinelas do Reino, envolvidos e acolhidos pela Misericórdia divina, vivenciando-a concretamente em gestos de acolhida e perdão, para que nossas comunidades sejam mais fraternas e credíveis da presença do Senhor Ressuscitado.
 
Aprendamos o caminho que Jesus nos propõe: ser misericordioso como Deus é misericordioso, buscando nossa perfeição e santificação e também de nosso irmão e irmã. E para tanto, a vivência do Mandamento do Amor é a máxima expressão de nossa fé no Senhor, e de nosso compromisso como discípulos missionários do Reino que Ele inaugurou.
 
O caminho é longo!  Iluminados pela Palavra divina e revigorados pelo Pão da Eucaristia, continuemos passo a passo, sem jamais desistir. Amém.
 
 
(1) (2)  – cf. www.Dehonianos.org/portal

Perdoai-nos, Senhor! (XXIIIDTCA)

                                                        

Perdoai-nos, Senhor!

Um questionamento para a Vida Consagrada, mas que pode muito bem ser feita a todo batizado, a fim de que seja mais autêntico o seu testemunho de fé, como discípulo missionário do Senhor:

“Se tantos homens ignoram a ‘luz’ libertadora que Jesus veio acender ou não se sentem interpelados pelo projeto de Jesus, a culpa não será, um pouco, de um certo imobilismo e instalação, de algum “cinzentismo” na vivência da fé, da forma pouco entusiasta como é testemunhada na Vida Consagrada?” (1)

Oremos:

Senhor, Vós viestes ao nosso encontro para nos iluminar, porque nas trevas da morte jazíamos, mas por vezes preferimos ficar imersos e instalados nesta escuridão, sem a coragem de fazer resplandecer a Vossa luz, sobretudo em realidades e contextos por vezes complexos e desafiadores. Por isto, Vos pedimos perdão e libertai-nos desta tentação de imersão e medo.

Senhor, Vós que sois a Eterna Chama de amor que nunca se apaga, Vos pedimos perdão pelas vezes em que permitimos que esfrie ou mesmo se apague em nossos corações a chama do primeiro amor, daquele dia em que olhando em nossos olhos nos chamastes pelo nome para Vos seguir.

Senhor, Vós que sois a Luz e a nossa Salvação, Vos pedimos perdão pelas vezes que não damos testemunho da fé, em corajoso combate, e assim somos acometidos de uma enfermidade que somente Vós podeis curar: o “cinzentismo” da vivência fé, que ofusca a esperança, e faz perder o ardor da caridade em nossos corações. Amém.


Sentinelas/Profetas (XXIIIDTCA)

                                                      

Sentinelas/Profetas

À luz da passagem da Sagrada Escritura (Ez 33, 7-9), reacendamos a chama do amor a Deus para que vivamos a dimensão profética que recebemos no dia de nosso Batismo.
 
A exemplo do Profeta Ezequiel, urge que sejamos Profetas da esperança, desterrados da Pátria Celeste, porque ainda peregrinos longe do Senhor, sentindo a Sua divina presença, que se expressa na bondade e amor para conosco.
 
Com isto faz-se necessário que venhamos a dar razão de nossa esperança a quantos dela precisarem, convictos de que Deus jamais nos abandona, sobretudo diante dos que nada mais creem.
 
Sejamos aprendizes dos Profetas Ezequiel, Habacuc, Isaías, Jeremias, Oseias, e sejamos sentinelas/profetas de Deus, na escuta atenta dos apelos de Deus, para que não sejamos envolvidos e consumidos pelos perigos que aparecem no horizonte da comunidade.
 
Profetas/sentinelas são vigilantes e atentos, enquanto tantos descansam; perscrutam o horizonte, detectam o perigo que ameaça a vida, e, ao pressentir o perigo, dão o sagrado alarme, evitando catástrofes possíveis.
 
Sejamos Profetas/Sentinelas eficientes iluminados e sedentos da Palavra Divina, que nos consome como um fogo devorador, prontos para descobrir e anunciar a vontade divina para a humanidade e para o mundo.
 
Profetas/Sentinelas, são homens e mulheres de nosso tempo, mergulhados na realidade e nos desafios da sociedade em que estamos inseridos, de modo que sejamos capazes de conhecer e ler as linhas da história, com perspectiva crítica, seus problemas, dramas e infidelidades.
 
Tão somente assim não nos fecharemos num mundo cômodo, ignorando as infidelidades aos Projetos de Deus, sem nos demitirmos de nossas responsabilidades, incomodando-nos com as escolhas erradas que nos afastem da vida plena e feliz.
 
Viveremos a graça do mandato que nos concedeis, alertando a comunidade para os perigos que a ameaça, pagando o custo que for preciso, para que não trilhemos caminhos que conduzam à infelicidade, ao sofrimento e à morte.
 
Seremos um sinal vivo, um sinal do Amor de Deus pelo Seu Povo; enviados em missão, com coragem para testemunhar Seus desígnios, sobretudo em momentos de crise, de desilusão e de solidão…
 
Daremos provas de que Deus, cada dia, não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva, trilhando caminhos de Salvação e Vida.
 
O mundo precisa de Profetas/Sentinelas.
 
Oremos:
Eis-nos aqui, Senhor, colocamo-nos ao Vosso dispor, portanto, conduzi, iluminai, fortalecei e guardai nossos passos, para que convictos e corajosas Profetas/Sentinelas sejamos.
 
Concedei, Senhor, a Vossa luz e sabedoria:
 
-    Aos sacerdotes, na condução das Comunidades que lhes foram confiadas;
 
- Aos pais e mães, para que sejam zelosas Profetas/Sentinelas de suas famílias, pequeninas Igrejas Domésticas;
 
-  Aos Agentes de Pastoral, discípulos missionários do Senhor, vivendo a graça da missão de uma Igreja sinodal, que se renova na comunhão, participação;
 
- A tantos quantos receberam a graça do Batismo, para que como Profetas/Sentinelas, sejam no mundo, sal, fermento e luz. Amém.
 


Em poucas palavras... (XXIIIDTCA)

                                            


Reconciliação com Deus e com a Igreja são inseparáveis

“As palavras ligar e desligar significam: aquele que vós excluirdes da vossa comunhão, ficará também excluído da comunhão com Deus; aquele que de novo receberdes na vossa comunhão, também Deus o acolherá na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1445

A misericórdia e a correção fraterna (XXIIIDTCA)

                                                       

A misericórdia e a correção fraterna

Com a  Liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos sobre a Comunidade do Ressuscitado, onde deve se viver a misericórdia expressa no amor para com outro, fazendo de tudo para redimi-lo de seu pecado, para fortalecimento dos vínculos fraternos.

A Igreja há de ser por excelência uma comunidade de amor, marcada pela comunhão fraterna, no entanto,  por causa da condição humana, das fraquezas, os pecados também nela se fazem presentes.

Não há Igreja onde reine a suprema perfeição, por isto a necessidade da prática da misericórdia para renovar as pessoas, fortalecer os laços de fraterna amizade; afinal, somos um só Corpo, um só Espírito.

Já no Antigo Testamento, o Profeta Ezequiel nos convidava a sermos como que sentinelas para com o nosso próximo, caso este tenha errado; vigilantes para os sinais que possam destruir a vida do Povo de Deus.

É preciso ser vigilantes na misericórdia que edifica, sem a indiferença e a apatia diante do erro; e deste modo, sentinelas do Senhor seremos quando nos tornamos Seus preciosos instrumentos de bondade e reconciliação (Ez 33,7-9).

Na passagem do Evangelho (Mt 18,15-20) nos fala do caminho da correção fraterna, como degraus ou passos que devem ser dados para reintegrar o irmão que pecou contra a comunidade.

Poderíamos chamar de “escada da correção fraterna”. Sempre motivados pelo amor e pela verdade, tudo fazermos para resgatar o irmão que se extraviou, pois afinal, somos a Igreja que nasceu do Coração da Divina Misericórdia, Jesus.

O primeiro passo ou degrau:
Falar pessoalmente e diretamente com o irmão que tenha pecado contra nós ou a comunidade, em atitudes ou palavras inconvenientes. Talvez o passo mais difícil, pois implica coragem, sinceridade, desejo de ver o bem do outro acontecer. Jamais devemos falar de alguém se não pudermos antes falar ao primeiro interessado. Em caso de impossibilidade, melhor aumentar a oração, o silêncio, o recolhimento para que se diga no tempo oportuno, se necessário for.

O segundo degrau:
Falar com o irmão que pecou com mais uma, duas ou três pessoas que tenham sensibilidade e sabedoria. Sempre movidos pela reta intenção, verdade e caridade, sem o quê não terá sentido. Tanto neste como em outros passos, nunca dizer porque se ouviu dizer, sem fatos, provas. Não falar tão apenas a partir de boatos, “nuvens” sem consistência...

O terceiro degrau:
Dizer à Igreja. Afinal, a Igreja na pessoa de Pedro recebeu de Jesus a autoridade de ligar e desligar; atar e desatar; reconciliar, reintegrar.(Mt 16,19). Sempre movidos pela misericórdia, todo empenho multiplicado para que se restaure a comunhão, o pecador, abominando seu pecado. Assim é Deus conosco, ama-nos embora pecadores, nos salva por sermos pecadores, não ama nossos pecados.

O quarto degrau:
Sem o êxito da correção alcançado, considerá-lo como gentio, como pagão. A Igreja, de fato, não exclui o infrator, pois na verdade, a própria pessoa que se fechou à proposta do Reino e se autoexcluiu da comunidade. Mesmo assim ficará este nas orações da comunidade reunida em nome do Senhor.

Acrescentemos à reflexão a  Carta de Paulo aos Romanos (Rm 13,8-10), que afirma: “A caridade é o pleno cumprimento da Lei” e que “não devemos ficar devendo nada um ao outro a não ser o amor mútuo”.

O amor se vivido não nos permitirá violação e ignorância da Lei Divina, dos preceitos divinos, que são a garantia de convivência e de vínculos fraternos eucaristizados no Altar do Senhor, iluminados pela Palavra proclamada em cada Missa que participamos.

O Apóstolo nos recorda que temos uma dívida eterna que deve ser quitada cotidianamente: o amor mútuo. Paradoxalmente uma dívida que quanto mais se paga mais se tem. Quanto mais se ama, mais amor se tem. Amar é multiplicar o amor que no coração foi semeado. Não amar é desertificar o coração onde Deus quis morar. Não tornemos desertos áridos nosso coração!

Saldar alegremente esta dívida com pequenos gestos: um abraço, um sorriso, uma palavra, um reconhecimento, uma atividade pastoral, um trabalho social, um texto postado, uma mensagem enviada, um telefonema, um olhar carinhoso, um minuto de atenção, um pouco da presença, o partilhar e um brinde pela graça da amizade.

Andar pelas ruas e praças, enviar uma mensagem, uma sadia conversa, uma partilha sobre um bom livro ou uma poesia, sobre uma música ou um filme, assistir a uma partida de futebol...

Saldemos alegremente esta dívida com grandes gestos de compromissos sociais, políticos, ecológicos, eclesiais...

Desejar a perfeição, é empenhar-se no fortalecimento da comunhão, procurando caminhos de correção e superação dos conflitos, sem jamais ferir ou esquecer a prática da caridade, como expressão da misericórdia.

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