sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Ensina-me, Senhor, a perdoar! (XXIIIDTCA)
Perdão vivido, expressão de maturidade cristã (XXIIIDTCA)
Perdão vivido, expressão de maturidade cristã
Assim rezamos na Oração que o Senhor nos ensinou: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Sejamos enriquecidos pelos parágrafos 2842-2845 do Catecismo da Igreja Católica sobre esta súplica.
Este “como”, assim lemos, “não é único no ensinamento de Jesus”. Vejamos outros:
- “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48);
- “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36);
- “Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13, 34).
Observar o mandamento do Senhor é impossível, quando se trata de imitar, do exterior, o modelo divino.
Isto somente se torna possível quando se tratar de uma participação vital, vinda “do fundo do coração”, na santidade, na misericórdia e no amor do nosso Deus.
Tendo de Jesus os mesmos sentimentos (Fl 2,1.5), podemos perdoar-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo (Ef 4, 32), pois para o Senhor, o perdão é o amor que ama até ao extremo do amor (Jo 13,1).
A parábola do servo desapiedado conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial, termina com estas palavras: “Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração” (cf. Mt 18,23-35).
De fato, é “no fundo do coração”, que tudo se ata e desata, e deste modo, não se encontra em nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão.
O perdão estende-se até aos inimigos (Mt 5,43-44), e quando vivido, transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre.
O perdão é o cume da oração cristã, e dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina.
Perdão vivido é “...testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação ((2 Cor 5,18-21) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si”.
Quanto ao limite e medida para o perdão, não existem, pois reflete o perdão divino, que é ilimitado e imensurável; de modo que somos eternos devedores do amor de uns para com os outros, como nos falou o Apóstolo Paulo aos Romanos (Rm 13,8), e a comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (1Jo 3,19-24), que por sua vez, é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (Mt 5,23-24).
O Catecismo conclui citando São Cipriano, bispo e mártir do séc. III:
“Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
Concluindo, é sempre tempo de perdoar e ser perdoado, e tão somente, podemos perdoar o outro, porque antes, amados e perdoados por Deus o fomos, de modo ilimitado e imensurável.
Perdão assim vivido, fará com que cresçamos na maturidade cristã, e contribui para a construção de relações mais fraternas e partícipes da cultura da paz, pois assim nos falou o Senhor Jesus: – “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).
A escada da correção fraterna (XXIIIDTCA)
Desejar a perfeição, é empenhar-se no fortalecimento da comunhão, procurando caminhos de correção e superação dos conflitos, sem jamais ferir ou esquecer a prática da caridade, como expressão da misericórdia.
A prática da misericórdia na correção fraterna (XXIIIDTCA)
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
A promoção do bem comum
À luz dos parágrafos n.1905-1917 do Catecismo da Igreja Católica, reflitamos sobre em que consiste o bem comum.
De acordo com a natureza social do homem, o bem de cada um está necessariamente relacionado ao bem comum; e este, por sua vez, abrange o conjunto das condições sociais que permitem aos grupos e às pessoas atingir a sua perfeição, do modo mais pleno e fácil.
Entendamos, portanto, o bem comum, como “o conjunto das condições sociais que permitem, tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir a sua perfeição, do modo mais completo e adequado” (Gaudium Et Spes n.26).
Ele interessa à vida de todos, com a necessária prudência da parte de cada um, sobretudo da parte de quem exerce a autoridade.
São três os elementos essenciais do bem comum:
1º. O respeito e a promoção dos direitos fundamentais da pessoa:
- Em nome do bem comum, os poderes públicos são obrigados a respeitar os direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana.
- A sociedade humana deve empenhar-se em permitir, a cada um dos seus membros, realizar a própria vocação.
- O bem comum, por sua vez, reside nas condições do exercício das liberdades naturais, indispensáveis à realização da vocação humana.
2º. A prosperidade ou desenvolvimento dos bens espirituais e temporais da sociedade (exigência do bem-estar social e o desenvolvimento da própria sociedade):
- O desenvolvimento é o resumo de todos os deveres sociais.
- Compete à autoridade arbitrar, em nome do bem comum, entre os diversos interesses particulares.
- Mas deve tornar acessível a cada qual aquilo de que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana como alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação e cultura, informação conveniente, direito de constituir família, etc.
3º. A paz e a segurança do grupo e dos seus membros:
- Pressupõe que a autoridade assegure, por meios honestos, a segurança da sociedade e dos seus membros.
- O bem comum, por sua vez, está na base do direito à legítima defesa, pessoal e coletiva.
Concluindo, importa que o bem comum esteja sempre orientado para o progresso das pessoas, de modo que a ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas, e não o inverso.
Esta ordem constrói-se na justiça e é vivificada pelo amor e tem como base a verdade, competindo ao Estado defender e promover o bem comum da sociedade civil.
O bem comum de toda família humana exige uma organização da sociedade internacional.






