quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Em poucas palavras...

                                    


Proclamação do Mistério de Cristo

“Unidos no amor, celebramos a sua morte; vivendo a fé, proclamamos a sua ressurreição e, com firme esperança, aguardamos a sua vinda na glória.” (1)

 

 

(1)               Prefácio Comum V – Missal Romano

Em poucas palavras...

                                           


A força e a virtude da Palavra de Deus

“«É tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus, que ela se torna para a Igreja apoio e vigor e, para os filhos da Igreja, solidez da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual». É necessário que «os fiéis tenham largo acesso à Sagrada Escritura»” (1)

 

(1)Parágrafo n. 131 do Catecismo da Igreja Católica  - citações da Dei Verbum – nn. 21 e 22 respectivamente

Paciência e imediatismo

                                                          

Paciência e imediatismo

Como Igreja Sinodal que somos, urge o aprendizado da linguagem do Espírito, cessando as palavras, com renovados compromissos com a Evangelização, a fim de construirmos uma Igreja viva e solidária, fiel ao Cristo Ressuscitado, atenta ao sopro do Espírito, sem jamais nos omitirmos na construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna, conforme o desejo e sonho de Deus Pai.

À luz da Palavra de Deus, dos ensinamentos da Igreja, contidos em seu Catecismo, e dos escritos de um dos grandes santos da religiosidade popular e da Igreja, Santo Antônio, refletimos sobre a virtude da paciência, e as suas implicações na vida cotidiana em todas as dimensões, pois vivemos numa sociedade marcada acentuadamente pela cultura do imediatismo.

Oportunas são sábias palavras de Santo Antônio em  um dos seus Sermões: “Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando são as obras que falam”.

Animados pelas virtudes teologais – fé, esperança e caridade –  cultivemos a virtude da paciência, sem nos curvarmos à cultura do imediatismo, mas comprometidos com a cultura da vida, para que vivenciando o Mandamento do amor santifiquemos nossas famílias, pois de nada adiantaria falar em paciência ou em linguagem do Espírito se não tivermos o amor.

Quanto mais intenso o amor, maior será a paciência vivida, como bem nos alertou São Paulo: “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade, tudo desculpa. Tudo crê, tudo espera e tudo suporta" (1Cor 13, 4-7).

Como Igreja, sintamo-nos sempre animados e fortalecidos pelo Fogo do Espírito que ilumina nossa vida, reavivando a chama da fé que em nosso coração foi acesa, e num crepitar permanente tenhamos o coração ardente e os olhos abertos em cada Eucaristia celebrada.

Iluminados pela Palavra de Deus e nutridos pelo Seu Corpo e Sangue, renovemos nossas forças para maior empenho, dedicação no carregar da cruz hoje, para alcançarmos e merecermos a glória da eternidade no amanhã de Deus, sem cairmos na tentação do imediatismo inútil e estéril. 

Sementes da esperança

                                                 

Sementes da esperança

Como pequenas sementes da esperança, plantemos no chão do Coração, arado pela Cruz que o Senhor carregou e assumiu e nela morreu por amor a nós, Pecadores e não merecedores que somos, porque é a revelação da misericórdia divina, e espera que, também, misericordiosos como o Pai sejamos.

A semente da esperança consiste em estar ao lado do Pai, que nos ama, do Filho, que é Amado, e do Espírito de amor, e passos firmes dar, vendo novas todas as coisas (o futuro, sobretudo), comprometidos, no tempo presente, com um novo céu e uma nova terra.

A semente da esperança é a espera com confiança inquebrantável deste novo céu, sem lágrimas, pranto, luto ou dor, embora ainda que lágrimas tenham que ser vertidas, passar por muitas tribulações para entrarmos no Reino dos céus, lavando, com coragem e fidelidade, as nossas vestes no Sangue do Cordeiro.

A semente da esperança consiste na audácia, na capacidade de uma resistência positiva, corajosa frente às dificuldades, vivendo a fé como o bom combate, inflamados pela eterna chama do Espírito, pela Palavra a nós comunicada, quando acolhida, ouvida e em prática colocada.

A semente da esperança não é uma espera tão apenas confiante e passiva, porque requer sagrados e irrenunciáveis compromissos, de mãos dadas com um amor oblativo, que se expressa em gestos concretos de doação, solidariedade, partilha, numa colaboração operosa e responsável.

A semente da esperança nos leva a romper qualquer tentação de isolamento, individualismo, egoísmo, abrindo-nos à comunhão com o outro, porque o amor autêntico a Deus passa necessariamente pelo amor ao próximo, sobretudo, aquele que mais precisa. E que assim, ao nos virem, como cristãos reunidos, exclamem: “vede como se amam” (Tertuliano).

Exalemos o odor de Cristo

                                                      

Exalemos o odor de Cristo
 
Vidro de perfume caído no chão em cacos,
E o seu conteúdo espalhado pelo chão,
Exalando, no entanto, a suavidade do conteúdo.
 
Mistério da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Seu corpo preso aos cravos da Cruz,
Corpo estirado, suspiro último ouvido.
 
Corpo estilhaçado, tão desfigurado, por nós crucificado,
Sem qualquer figura humana, e quanto à Sua aparência,
Já não era mais a de um homem, ó Deus! (1)
 
Ele, que nos dias de Sua vida terrestre, ao Pai,
Que podia salvá-Lo da morte, pedidos e súplicas,
Com veemência clamor e lágrimas, apresentou. (2)
 
Exalava do alto da Cruz, de Seus lábios,
Tão humanos e tão divinos, o mais belo odor
Do amor, perdão, solidariedade conosco pecadores.
 
“Sete palavras” que por vezes refletimos,
Que nos iluminam na configuração a Ele,
Para mesmos sentimentos termos e vivermos. (3)
 
Ainda que em cacos, pelas dificuldades
Aflições, medo nesta travessia que fazemos,
Enfrentando ventos contrários e tempestades.
 
Exalar o odor de Cristo, suavidade do divino amor,
Completando em nossa carne o que falta à Sua Paixão
Por amor ao Seu corpo, que é a Igreja. (4)
 
Exalar o odor de Cristo, suavidade do divino amor,
Que não desiste diante do impossível,
Nem desanima diante das dificuldades. (5)
 
 
 
(1)  Cf.  (Is 52,14)
(2)  Cf. (Hb 5,7-9)
(3)  Cf. Sermão das sete palavras de Jesus na Cruz
(4)  Cf. Cl 1,24
(5) 
 São Pedro Crisólogo (séc. V)

Fervorosos discípulos missionários do Ressuscitado

 


Fervorosos discípulos missionários do Ressuscitado

“Fomos consepultados com Cristo, diz Paulo (Rm 6,4)

e acrescenta como quem já recebeu as arras da ressurreição:

E com Ele ressuscitamos (cf. Rm 6,4).”

 

Sejamos enriquecidos pelo  Comentário sobre o Evangelho de João, de Orígenes, presbítero (Séc. III):

Destruí este templo e em três dias o reedificarei (Jo 2,19). Os apegados ao corpo e às coisas sensíveis, creio, parecem indicar os judeus, que irritados por terem sido expulsos por Jesus, acusando-os de transformarem a casa do Pai em mercado de seus produtos, pedem um sinal.

Por esse sinal devia Jesus justificar o seu procedimento e provar que era o Filho de Deus, o que eles na sua incredulidade não queriam admitir. Mas o Salvador ajuntou uma palavra sobre seu corpo, como se falasse daquele templo; aos que interrogavam: Que sinal mostras para assim fazeres?, responde: Destruí este templo e em três dias o reedificarei.

Todavia ambos, tanto o templo como o corpo de Jesus, compreendidos como unidade, parecem-me ser figura da Igreja. Por ter sido edificada com pedras vivas; feita casa espiritual para o sacerdócio santo (1Pd 2,5).

Edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo sua máxima pedra angular o Cristo Jesus (Ef 2,20), existindo em verdade, como templo. Se, porém, por causa da palavra: Vós sois o corpo de Cristo e membros uns dos outros (1Cor 12,27), se entender serem destruídas e deslocadas as junturas e disposições das pedras do templo, como se lê no Salmo 21 sobre os ossos de Cristo, pelas ciladas das perseguições e tribulações e por aqueles que combatem a unidade do templo por contradições, levantar-se-á o templo e ressuscitará o corpo ao terceiro dia. Após o dia da maldade que pesa sobre ele, e após o dia da consumação que se seguir.

Seguirá de perto o terceiro dia do novo céu e da terra nova, quando esses ossos, quero dizer, toda a casa de Israel, serão reerguidos, no grande domingo, em que a morte é vencida.

Assim a ressurreição de Cristo depois da paixão contém o mistério da ressurreição do corpo total de Cristo. Como aquele corpo de Jesus, sensível, foi pregado na cruz, sepultado e depois ressuscitado, assim todo o corpo dos santos de Cristo com ele foi pregado na cruz e agora já não vive mais. Cada um deles, à semelhança de Paulo, não se gloria em coisa alguma a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo por quem está crucificado para o mundo e o mundo para Ele.

Por isto não apenas foi cada um de nós, junto com Cristo, pregado à cruz e crucificado para o mundo, mas também, junto com Cristo, sepultado: Fomos consepultados com Cristo, diz Paulo (Rm 6,4) e acrescenta como quem já recebeu as arras da ressurreição: E com Ele ressuscitamos (cf. Rm 6,4).”  (1)

Cristo falava do templo do seu corpo, quando da destruição e reconstrução que faria.

Como o Apóstolo Paulo, renovemos nossa fidelidade a Jesus, com as renúncias necessárias, para carregarmos cotidianamente nossa cruz.

Mortos com Ele para também com Ele ressuscitarmos, crendo e contemplando as arras da Ressurreição. De fato, não nos faltam os sinais da Ressurreição, da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte.

A morte na cruz não ficou sem a última palavra: A Ressurreição.

Renovemos nossa fé: Creio em Deus Pai todo-poderoso... na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.”

(1) Liturgia das Horas – Volume IV – Editora Paulus - p. 172-174

“Por que as pessoas procuram uma religião?”

                                                       

Por que as pessoas procuram uma religião?”

Uma breve reflexão a partir da passagem do Evangelho proclamado na quarta feira da 22ª Semana do Tempo Comum (Lc 4, 38-44).

Uma pergunta aparentemente simples, mas nem tanto: “Por que as pessoas procuram a religião?”

Há os que acreditam que a maioria das pessoas que procuram a religião o faz por motivos egoístas, relacionando Deus como um grande servidor para obter a proteção, saúde, sucesso econômico, profissional, social ou afetivo.

Também pode ser para fugir do medo do desconhecido, do sobrenatural ou da própria morte, que se vislumbra irreversivelmente no horizonte de cada um de nós.

Outros afirmam que ela é um ópio que nos aliena da realidade em que nos encontramos inseridos, ocultando as complexidades e conflitos da sociedade.

Porém, há um autêntico motivo: a nossa configuração plena com Jesus. À luz dos Evangelhos, aprendemos a procurar na religião um relacionamento pessoal e amoroso com o próprio Deus, para que possamos servi-Lo amando os nossos irmãos e irmãs.

Nisto consiste o melhor conceito de religião, ainda que dito de forma sucinta: religar – religar-nos com Deus e com nosso próximo.

Torna-se um imperativo na vida do discípulo missionário do Senhor o conhecimento do Evangelho, no qual Ele nos anuncia a Boa-Nova do Reino de Deus.

O conhecimento do Evangelho interpela, inexoravelmente, à vivência concreta do amor, da solidariedade, do perdão, da partilha em relação com o nosso próximo.

Assim como Jesus no raiar do dia se recolheu em intimidade e Oração diante do Pai, também precisamos deste momento, em que nos colocamos num diálogo amoroso e frutuoso com o Deus Pai de Amor, para maior fidelidade ao Filho e continuidade de Sua missão com a força, sabedoria e luz do Santo Espírito.

Sem momentos de recolhimento, revigoramento de nossas forças, sem que nos deixemos interpelar por Deus e por Sua Palavra e vontade, podemos viver uma religião com matizes que subtraem o verdadeiro motivo da religião.

Portanto, é preciso que nossa vida seja mais intensamente configurada a Jesus, num relacionamento mais amoroso com Deus, para que mais fraternos o sejamos. 

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