sábado, 29 de agosto de 2026

A Cruz e o Cálice

                                                      

A Cruz e o Cálice

Senhor, Vós quando chamastes os discípulos para Vos seguir, jamais ocultastes ou escondestes a realidade da Cruz.

Senhor, em todos os momentos, a Cruz transpareceu no âmago de Vossa Missão: na Apresentação no Templo, na Vossa Transfiguração no Monte Tabor, e em todos os momentos.

Senhor, seguir com coerência o Vosso chamado não é fácil, pois, às vezes, pede que paguemos um alto preço: o desprezo em vez de glória, o isolamento do último lugar, o mal como recompensa pelo bem cumprido.

Mas nem por isto, Vos deixaremos ou Vos abandonaremos. Queremos beber do Vosso Sagrado Cálice, revigorados pelo Alimento da Santa Eucaristia, a cruz carregando com coragem e ardor.

Senhor, não permitais que sejamos no mundo inimigos de Vossa cruz, com palavras, atos, pensamentos ou omissões, que não revelem Vossa luz e presença em nós, desde o dia memorável do Batismo.

Senhor, bebendo do Vosso Cálice Sagrado, queremos continuar firmes no bom combate da fé, renovando a sagrada esperança que anda de passos largos de mãos dadas com a caridade. Amém.


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - Lisboa - pp. 119 e 120.
Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,35-45; Mt 20,17-28)

Não desistir diante das provações: da provação à perfeição

                                            


                                            Não desistir diante das provações

Diante da história de todos nós, com suas páginas de provações, tribulações, dificuldades, tropeços e inquietações, como fazer a necessária superação?

Precisamos, a partir da fé, escrever novas páginas de paciência, esperança, perseverança, perfeição, integridade e de verdadeira alegria.

Como Igreja Sinodal, peregrinos de esperança, sejamos iluminados e fortalecidos pela Palavra de Deus, que é luz para o nosso caminho (Sl 119,105), no bom combate da fé (2 Tm 4,7-8).

Urge firmar nossos passos, escrevendo páginas de acrisolamento, amadurecimento, aperfeiçoamento, vivendo o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele Ressuscitar, e com Ele, sermos mais que vencedores:

– “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por Aquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (Rm 8,37-39).

O Apóstolo São Paulo também nos ajuda neste santo propósito, como peregrinos do Senhor que somos:

-  “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não decepciona, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,1-5).

Por fim, acolhamos e aprofundemos nossa reflexão, à luz das palavras do Apóstolo São Tiago:

-  “Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.” (Tg 1,2-4)


Nota-se um itinerário que o cristão precisa percorrer, na vivência da fé:

1º - A provação, como motivo de grande alegria;

2º - A comprovação da fé;

3º - A perseverança na fé;

4º - A geração da obra de perfeição;

5º - A perfeição e integridade (sem falta ou deficiência alguma).

Concluindo, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o caminho da perfeição que devemos trilhar:

“O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças.” (1)

Façamos as renúncias necessárias, tomemos nossa cruz de cada dia e sigamos o Senhor (cf. Lc 9,23), cujo fardo é leve e o jugo é suave (cf. Mt 11,28-30), revitalizando-nos com o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia, que são os imprescindíveis e divinos Pães de nossa vida, no tempo presente e na eternidade. Amém.

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 2015 

“Loucura da Cruz” – Loucura do Amor

                                                                  

“Loucura da Cruz” – Loucura do Amor

“Nós pregamos Cristo Crucificado...”

O zelo pela casa do Pai consumiu Jesus Cristo, como também deve nos consumir (cf. Jo 2,19).

Quando Jesus diz “Destruí este santuário, eu o reerguerei em três dias”, está falando da Ressurreição do Templo de Seu corpo.

Somos convidados a voltar nosso olhar para a Obra do Amor fiel que Jesus levará a termo em Jerusalém, e não o faria se não entrasse no Templo e o purificasse. 

Uma vida que não vai em direção da Cruz não é cristã. É preciso viver a “loucura da Cruz” – a loucura do Amor em fidelidade ao Amor Maior, Jesus.

Cremos, pregamos e anunciamos Jesus Crucificado, como o Apóstolo disse “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1Cor 1,22-25).

Cremos no Deus que aceitou, por meio de Seu Filho, amar até às últimas consequências. É a loucura do Amor que salva, redime, liberta. Amém.

“A cruz é o único sacrifício de Cristo...”

                                             


“A cruz é o único sacrifício de Cristo...”

“A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens (1 Tm 2,5). Mas porque, na sua pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem» (Gaudium et spes – GS n.22), «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhe­cido» (GS n.22).

Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo(Mt 16,24) porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos (1 Pd 2,21).

De fato, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários (Mc 10,39; Jo, 21-18-19; Cl 1,24). Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor (Lc 2,35):

«Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu» (Santa Rosa de Lima).” (1)

 (1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 618

Amores...

                                                         


Amores...

“Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,
não os matava e perdoava seu pecado; quantas vezes
dominou a Sua ira e não deu largas à vazão de Seu furor” (Sl 77, 38)

Amores cantados.
Amores contados.
Amores revelados.
Amores negados.

Amores tantos...
Amores correspondidos.
Amores não correspondidos.
Amores não amores.

Amores de um único amor.
Amores de um verdadeiro amor.
Amores esvaziados.
Amores renascidos.

Amores tão densos.
Amores tão imensos.
Amores tão superficiais.
Amores tão profundos.

Amores assim na Bíblia encontramos;
Amores que não se concretizaram.
Amores que não floresceram.
Amores nos caminhos perdidos.

Amor Verdadeiro Encarnado,
Na Carne e Vida do Verbo,
Amor que amou sem fim,
Que a Morte de Cruz suportou.

Amor Verdadeiro Crucificado.
Amor Verdadeiro Vitorioso.
Amor Verdadeiro Eternizado,
Pelo Pai, com o Espírito glorificado.

Ó incrível Amor de Deus!
Amor fiel e misericordioso,
Que tantos prodígios
Incansavelmente fez e faz.

Ó ínfimo amor que ainda sinto,
Por vezes de braços com a incredulidade,
Por vezes inconstante e frágil.
Mesmo assim o Deus de Amor me ama.

Amores e amores:
Há o Amor divino tão imensurável.
Há o amor por Ele ainda tão pouco.
Quão feliz quem embarca nesta aventura de amor!

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é contemplar o Amor de todos os Amores.
E sentindo-se amado, não pelo mérito, intensamente amar como Ele ama...

Silencio-me!
Do maior pecado
Nasceu o maior Amor.
Ele me ama... Eu O amo...


PS: "De gênero didático este salmo (77) recorda a história de Israel numa alternância de dois momentos: o do Amor fiel e misericordioso de Deus a favor do seu Povo; e, o da incredulidade e da inconstância de Israel"  - Leccionário Comentado p. 919.

Enamorado por Ti

                                                         


Enamorado por Ti

O sentido da vida encontrei quando Te encontrei, e quando me chamaste pelo nome, e não pude resistir à vibração de Tua voz, como que lançando fagulhas nas entranhas de meu coração, e as  águas do rio e do mar  não bastarão para apagar.

Desde aquele dia, enamorado por Ti fiquei, e não consigo mais sem Ti viver, por isto Te procuro e Te encontro na oração, quando num diálogo intenso e profundo, com desejo que interminável seja.

Tuas Palavras na Oração, não mais como fagulhas, mas como labaredas, aquecem o meu coração, e a “noite escura” de minha existência fica mais clara que o ápice da claridade de um dia de verão, ensolarado, com seus raios fustigantes.

Enamorado por Ti, já não preciso de fórmulas, espaço e tempo determinados para contigo falar, pois é próprio de quem ama não encontrar as palavras para exprimir o inexprimível: o verdadeiro amor.

Este enamoramento, como fogo devorador, me liberta de fórmulas, porque posso dizer como sou e o que sinto, sem rodeios e máscaras, e ainda que nada fale, Tu, que me amas com amor eterno, já sabes, porque conheces e sondas todas as coisas com Teu Espírito.

A Eterna Chama, que em mim acendeste, possibilita-me encontrar-Te, em todos os momentos: porque me amas, e porque Te amo, estás comigo aqui e agora, lá e em todo tempo, aonde quer que eu vá.

Este amor que nutres por mim, e sem o qual não posso viver, porque me fizeste para o mundo sinal do Teu amor, renovo no Banquete em que Te dás no Pão de Eternidade, Pão que alimenta, Vinho que dá alegria e vida, nos inebria, no Banquete da Eucaristia.

Discípulo missionário Teu, Senhor, sou e para sempre o serei, porque enamorado por Ti, apaixonado por Ti e pela Palavra que Tu nos anunciaste, e com o Espírito Santo que, com o suave sopro, nos concedeste, quando voltaste para o Teu Pai de Amor.

PS: Apropriado para o dia do Bom Pastor - IV Domingo da Páscoa.

Espírito Santo: “Fogo Devorador”

                                                          

Espírito Santo: “Fogo Devorador”

Contemplo-Te, Espírito Santo, que subvertes os planos humanos, como o fizestes em relação aos planos do Apóstolo Paulo, que deu tudo de si a serviço do Evangelho, a fim de que Jesus Ressuscitado fosse conhecido, amado e acreditado em todas as nações.

Contemplo-Te, “Fogo devorador”, que entras na vida de cada um de nós e não deixas para nós nenhum ângulo ou qualquer dobra do nosso espírito sem o esplendor de Tua Luz Divina, que ilumina e nos conduz em passos mais firmes e seguros em meio às obscuridades da vida.

Contemplo-Te e Te adoro, porque me transpassas pelo Teu Fogo que jamais se apaga, e me purifica, tornando-me transparente à Palavra Encarnada, Jesus Cristo, em plena fidelidade no testemunho do Reino de amor e vida do Pai, que a todos cria e recria por amor.

Contemplo e Te adoro presente na Eucaristia, o Pão da Eternidade, Pão Vivo descido do céu, pão de imortalidade, antídoto para que não morramos, destruindo nossos pecados, enriquecendo-nos com todas as virtudes, e enriquecendo nossa alma com todos os dons (1).

Contemplo e Te adoro, presente na Eucaristia, que é verdadeiramente um pedaço do céu que se abre, e os raios de glória da Jerusalém Celeste atravessam as nuvens da história e vem iluminar nossos caminhos (2), e assim as trevas se tornam claras como a luz do dia. Amém.

Fonte Atos dos Apóstolos (At 22,30; 23,6-11)
(1) Santo Tomás de Aquino
(2) Papa São João Paulo II

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