sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Nunca é tarde para amar o Amado: Jesus

                                                             

Nunca é tarde para amar o Amado: Jesus

Há procuras que nos
possibilitam verdadeiros encontros...

A mais bela e contagiante procura que podemos fazer é a procura por Deus; procurá-Lo, incansavelmente e ininterruptamente, pois por Ele já fomos encontrados e resgatados. 

Quando o Verbo Se encarnou revelou-se a Face e a presença amorosa do Pai, alcançou-nos a reconciliação e presenteou-nos com o dom maior: o Espírito.

Do Seu Coração pleno de Amor Água e Sangue jorraram, para que assim, n'Ele pudéssemos nascer (Vida Nova do Batismo), n'Ele pudéssemos viver (Corpo e Sangue, Mistério da Eucaristia): remédio para imortalidade porque nos assegura a vida eterna; antídoto para que o pecado não nos domine, nem nos fragilize, roubando-nos a saúde, a vitalidade do Espírito.

A procura de Deus não se dá além de nós mesmos; além de nossa interioridade. Ela se dá na mais profunda intimidade de nosso ser, onde Ele quis fazer-Se o mais belo Hóspede. 

Paradoxalmente, Seu encontro se dá na fragilidade da morada e no esplendor divino d'Aquele que em nós habita.

A procura e o encontro de Deus se dão no exato momento que descobrimos os traços mais marcantes de Seu Ser: “Hesed” - misericórdia, carinho, amor, ternura, bondade...

Seu encontro leva-nos a fazer da nossa vida entrega incondicional, obediência radical e confiança ilimitada, na Paixão Pelo Reino. Nossa existência adquire matizes diferenciados, ganhando consistência e profundidade.

O amor vivido alcança-nos a eternidade, para que o mesmo não seja como a nuvem da manhã que passa ou como o orvalho que ao amanhecer logo se evapora nos primeiros raios do sol. 

O Amor encontrado faz romper a aurora, afastando a escuridão da noite. As trevas cedem lugar à luz. A noite cede lugar ao dia: Mistério daqueles que contemplam a Verdadeira Luz!

Saboreemos esta Confissão do grande Bispo Santo Agostinho (séc. V) e ainda que tarde, mas não tão tarde, entremos na mais perfeita relação com Deus: relação de Amor que nos alcança a felicidade plena:

“Tarde te amei...”.
“Onde Te encontrei Senhor, para Te conhecer? Não estavas certamente em minha memória antes que eu Te conhecesse...

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro e eu fora te procurava. Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas formosas que fizeste. Estavas comigo, Contigo eu não estava. As criaturas retinham-me longe de Ti, aquelas que não existiriam se não estivessem em Ti.

Chamaste e gritaste e rompeste a minha surdez. Cintilaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume, aspirei-o e anseio por Ti. Provei, tenho fome e tenho sede. Tocaste-me e abrasei-me no desejo de Tua paz...

Quando me uno a Ti com todo o meu ser, não há em mim dor nem fadiga. Viva será minha vida, toda repleta de Ti. Agora ergues o que de Ti está repleto. Como ainda não estou pleno de Ti, sou um peso para mim.

Lutam minhas lamentáveis alegrias com as tristezas deleitáveis. De que lado estará à vitória, não sei. Ai de mim, Senhor! Tende piedade de mim. Lutam minhas tristezas com as boas alegrias e não sei quem vencerá. Ai de mim, Senhor! Tende piedade de mim! Ai de mim! Bem vês, que não escondo minhas chagas. És o médico; eu o doente. És misericordioso; eu o miserável... Em Tua imensa misericórdia ponho toda minha esperança”.

Reflitamos:

- Quais os sentimentos que esta bela confissão me desperta?
- Quando se deu a minha procura por Deus dentro de mim mesmo?

- Como sinto e aprofundo a relação de proximidade de Deus para comigo?
- O que posso fazer para aprofundar esta relação de amor com o Mistério Divino que em mim fez morada?

- Há pessoas, que a exemplo de Santo Agostinho, depois de inquietante procura, a Deus encontra, ainda que tarde.

Outras, bem cedo O encontraram! Cada um tem sua história, cada um tem seu encontro… Cedo ou tarde, seja-nos permitido repetir as palavras de Santo Agostinho que, incansavelmente, lemos e relemos. Ele captou e expressa o mais profundo de nós diante do Mistério do Amor Divino:

“... Tarde Te amei, Ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei!
Estavas dentro e eu fora Te procurava. Precipitava-me eu disforme,
sobre as coisas formosas que fizeste. Estavas comigo, Contigo eu
não estava. As criaturas retinham-me longe de Ti, aquelas que
não existiriam se não estivessem em Ti”.

Brasão Episcopal de Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

                                                                  

Brasão Episcopal de Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

O Brasão é composto de um escudo dividido em quatro partes, uma cruz dourada em fundo chapado azul, que representa a devoção de Dom Otacilio a Nossa Senhora do Bom Sucesso, fonte inspiradora para aceitar o chamado ao ministério episcopal. O “SIM” de Maria iluminou o “SIM” de Dom Otacilio.

Cruz dourada significa AUTORIDADE AMOROSA, como deve ser marcada a vida de um bispo.

Na parte superior do Escudo, à direita, está uma Bíblia aberta, prateada, com contorno dourado, tendo no centro uma lança ladeada das letras gregas ALFA E ÔMEGA: Cristo, o princípio e o fim da dedicação episcopal de Dom Otacilio.

À esquerda da parte superior do brasão está uma Âncora prateada que significa o Cristo que ancora a perseverança fiel de seu ministério, mesmo nos momentos de dificuldades e, ao mesmo tempo, a renovação da esperança nas promessas de Cristo, onde ancora seu coração.

Abaixo, à direita do brasão, a imagem do Cordeiro, que devido à sua candura e tolerância é símbolo de mansidão e pureza de coração, qualidades necessárias para os que estão a serviço do acolhimento dos fiéis que procuram a pessoa do Bispo, como pastor da Igreja onde ele está.

Abaixo, à esquerda, está uma Estrela, que significa “Maria, a Estrela da Nova Evangelização”, propósito claro na opção de Dom Otacilio no seu ministério episcopal.

Atrás do brasão, a Cruz em ouro simboliza o cajado do pastor, que deve continuar a Missão de Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado, sustento e modelo do serviço pastoral que o novo Bispo deseja exercer. Na ponta da cruz-cajado, o listel com o lema de Dom Otacilio: “PARA MIM O VIVER É CRISTO” - “MIHI VIVERE CHRISTUS EST” (Fl 1,21).

Encimando o brasão está o chapéu prelatício verde, com seis borlas de cada lado, símbolo do Episcopado.

Dom Otacilio deseja transparecer em seu ministério a vida de Cristo, através da Palavra proclamada, da tradição dos Santos Padres trazidas para a experiência da vida.

A espiritualidade Paulina que inspirou seu lema, e a devoção e espiritualidade Mariana estão presentes em seu ministério e no serviço de uma Igreja missionária.

Na Eucaristia, encontra o sustento e força da presença de Cristo, experiência profunda de comunhão. 

Em poucas palavras...

                                                               


A escada da caridade 

“A caridade é a fonte e origem de todos os bens, é a mais poderosa defesa, o caminho que conduz ao céu.  

Quem caminha na caridade não pode errar nem temer.  Ela dirige, protege, leva a bom termo. 

Portanto, meus irmãos, já que o Cristo nos deu a escada da caridade pela qual todo cristão pode subir ao céu, conservai fielmente a caridade verdadeira, exercitai-a uns para com os outros e, subindo por ela, progredi sempre mais no caminho da perfeição.”(1)

 

(1)Sermão do Bispo São Fulgêncio de Ruspe (séc. VI)

 

“Noite Escura”

                                                       

“Noite Escura”

“Em uma noite escura
De amor em vivas ânsias inflamada
Oh! Ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Estando já minha casa sossegada.

Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Estando já minha casa sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.

Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada no amado transformada!

Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.”

Autor: São João da Cruz (séc. XVI)

O “imperativo da hora”

                                                     

O “imperativo da hora”

Acolher a Boa-Nova do Evangelho, é pautar a vida pelo “imperativo da hora”.
Muitas são as atividades que nos acompanham dia a dia, até o momento
Em que a morte põe um ponto final provisório, rompido com a Ressurreição,
com páginas a serem escritas na primavera celestial, em que as flores não morrem.

Mas, pode acontecer que, imprudentes como as virgens que ficaram dormindo,
Fiquemos a bater para que a porta se abra para a festa da eterna núpcias,
E ouviremos o Senhor nos dizer, para epílogo eterno de desespero:
“Digo-vos que não sei de onde sois” (Lc 13, 25 ) – será tarde demais!

É hoje, e mais que hoje, é agora a hora de nossa corajosa decisão:
Conversão permanente, na vigília e na Oração, no cotidiano ressoadas
Em gestos, pensamentos e palavras de caridade sempre vivenciadas,
Esperança enraizada na fé, sem covardia, com o Reino comprometidos.                                                                          
É o tempo da graça, tão favorável para nossa salvação,
Apenas a Deus adorando, no próximo, o amor vivenciando,
Sem a perda da liberdade, no uso dos bens que passam
Para abraçar e alcançar com alegria os bens eternos.

O “imperativo da hora” não nos permite vacilo e letargias.
Comendo e bebendo do Verdadeiro Pão e Verdadeira Comida,
A nós oferecidos em cada Santa Eucaristia, Banquete de Amor,
Sem medo de a Ele nos entregarmos, n’Ele nos abandonando totalmente.

É agora o imperativo do bem fazer e, com Ele, do mal se livrar.
É a hora de o bom combate da fé viver, completar a corrida,
A Ele entregarmos nossa vida, nosso ser, porque tão somente assim
Vida plena haveremos de ter, e a coroa da glória um dia receber.
Amém! Aleluia!

PS: Oportuno para a reflexão das passagens do Evangelho: Mt 25,1-13; Lc 16,1-13; 21,34-36

A vigilância e a caridade vivida

                                                            


A vigilância e a caridade vivida

“Levai o azeite convosco...”

Reflexão sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,1-13), em que nos apresenta a parábola das dez virgens.

Sejamos enriquecidos pelo Sermão n.93 ao Evangelho feito pelo Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho (354-430), em seu Ser, bispo de Hipona (Norte de África).

“Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as lamparinas. «A meio da noite, ouviu-se um brado». Que brado é este senão aquele de que fala o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final»? «Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Co 15,52).

Depois deste brado, que soará a meio da noite, que acontecerá? «Todas despertaram». Que quer isto dizer? O próprio Senhor nos diz: «É chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a Sua voz e sairão» (Jo 5,28) […].

Que querem dizer estas palavras: «Não levaram azeite consigo»? Consigo, quer dizer nos seus corações. […] As virgens insensatas, que não levaram azeite com elas, procuraram agradar aos homens pela sua continência e pelas suas boas obras, simbolizadas pelas candeias.

Ora, se o motivo das suas boas obras é agradar aos homens, elas não levam azeite com elas. Mas vós, levai o azeite convosco; levai-o no vosso interior, onde penetra o olhar de Deus; trazei aí o testemunho de uma boa consciência. […] Se evitais o mal e se fazeis o bem para recolher lisonjas dos homens, então não tendes azeite no interior das vossas almas […].

Antes de estas virgens terem adormecido, não se disse que as suas candeias estivessem apagadas. As candeias das virgens prudentes brilhavam com um vivo fulgor, alimentadas pelo azeite interior, pela paz da consciência, pela glória secreta da alma, devido à caridade que a abrasa.

As candeias das virgens insensatas também brilhavam. E porquê? Porque a sua luz era mantida pelos louvores humanos. Quando se levantaram, isto é, na ressurreição dos mortos, começaram a pegar nas candeias, ou seja, a preparar as contas que deviam prestar a Deus pelas suas obras. Mas, nessa altura, já não haverá ninguém para as elogiar. […] Elas tentarão, como sempre tinham feito, brilhar com o azeite alheio, viver das lisonjas dos homens: «Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se»”.

Urge que levemos o azeite no interior de nosso coração, o qual somente Deus pode ver:

“Mas vós, levai o azeite convosco; levai-o no vosso interior, onde penetra o olhar de Deus; trazei aí o testemunho de uma boa consciência”. 

Ressoa aqui as palavras do Senhor, apresentadas por Mateus no desenvolvimento das Bem-Aventuranças:

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”. (Mt 5,16).

Na vigilância, esperando o Senhor que virá gloriosamente, é preciso que mantenhamos acesas nossas lâmpadas, vivendo a nossa fé que age pela caridade, como falou o Apóstolo Paulo (Gl 5,6).

Levemos, portanto, o “azeite” conosco, no mais profundo de nós, e que nossas obras, discipulado sejam a mais pura expressão do amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5,5).

Em poucas palavras...

                                                    

 

“Deus, que nos criou sem nós...”


“«Deus, que nos criou sem nós, não quis salvar-nos sem nós» (Santo Agostinho). 

O acolhimento da sua misericórdia exige de nós a confissão das nossas faltas. 

«Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e para nos purificar de toda a maldade» (1 Jo 1,8-9)." (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo  n. 1847

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