domingo, 19 de julho de 2026

Os frutos da boa obediência

                                      


 

Os frutos da boa obediência


“Um ancião tinha seu escravo como discípulo e, desejando dominá-lo, convenceu-o a manter completa obediência.
 
Por isso, o ancião lhe disse: ‘Vai, acende o fogo no forno, toma o livro que é lido na ‘synaxis’ e lança-o no forno’.
 
Ele foi e fez sem questionar. 

E, quando o livro foi lançado, o forno se apagou.
 
Isto ocorreu para entendermos que a obediência é boa, porque é uma escada para o Reino dos Céus.” (1)
 
Somos todos eternos aprendizes da obediência,
Com Maria, José, santos e santas, quanto a aprender!
 
Aquela que coloca a vontade divina acima de tudo,
Acompanhada de renúncia dos projetos e vontades próprias.
 
Que os Pais do deserto viveram e ensinaram,
A escada para que adentremos no Reino dos Céus.
 
Não a obediência com gosto de subserviência,
Mas como expressão de sagrada liberdade.
 
Não com a miopia para outras possibilidades,
Mas docilidade aos acenos do Espírito.
 
Não como a resignação estéril e , fria,
Mas com a chama do amor que crepita e impulsiona.
 
Obediência como expressão de mansuetude,
Que floresce e frutifica com a resiliência. 
 
Suas marcas indeléveis de prontidão e solicitude,
Colocando nas mãos divinas nossa finitude.
 
Obediência que garante sagrados frutos,
Porque vivida com todas as veras do coração.
 
Acompanhada da necessária oração,
Na graça da simplicidade e da humildade.
 
Alimentado pelo Pão da Palavra e da Eucaristia,
Na Mesa Sagrada nutrido, porque peregrinar é preciso!
 
 
(1)  Ditos anônimos dos Pais do deserto – Editora Vozes – 2023 – pp.66-67
 

“Maria é a mais bela flor que desabrochou na criação”

                                                   


“Maria é a mais bela flor que desabrochou na criação
 
Sejamos enriquecidos pelas palavras do então Papa Bento XVI, para vivermos intensamente a nossa devoção Mariana:
 
“... Com efeito, Maria, é a flor mais bonita que desabrochou na criação, a "rosa" que apareceu na plenitude dos tempos quando Deus, enviando o seu Filho, conferiu ao mundo uma nova Primavera.
 
E é ao mesmo tempo protagonista, humilde e discreta, dos primeiros passos da Comunidade cristã: Maria é o seu coração espiritual, porque a sua própria presença no meio dos discípulos constitui a memória viva do Senhor Jesus e o penhor do dom do Seu Espírito.
 
O Evangelho deste Domingo, tirado do capítulo 14 de São João, oferece-nos um retrato espiritual implícito da Virgem Maria, onde Jesus diz: "Se alguém me ama, guarda a minha Palavra; meu Pai amá-lo-á, viremos a ele e nele faremos morada" (Jo 14, 23).
 
Estas expressões são dirigidas aos discípulos, mas podem ser aplicadas ao máximo grau precisamente àquela que é a primeira e perfeita discípula de Jesus.
 
Efetivamente, Maria foi a primeira que observou de maneira plena a Palavra do seu Filho, demonstrando deste modo que O ama não apenas como Mãe, mas ainda antes como serva humilde e obediente; por isso, Deus Pai amou-a e nela a Santíssima Trindade fez a Sua morada.
 
Além disso, quando Jesus promete aos Seus amigos que o Espírito Santo os assistirá, ajudando-os a recordar cada uma das Suas Palavras e a compreendê-las profundamente (cf. Jo 14, 26), como não pensar em Maria, que no seu coração, templo do Espírito, meditava e interpretava fielmente tudo aquilo que o seu Filho dizia e fazia?
 
Deste modo, já antes e, sobretudo, depois da Páscoa, a Mãe de Jesus tornou-se também a Mãe e o modelo da Igreja.”
 
Ela é a primeira flor a exalar o odor de Cristo para o mundo, acolhendo-O em seu ventre pela ação do Espírito.
 
Flor que O acompanhou em todos os instantes, como os Evangelhos e a Igreja nos ensinam e cremos: desde a concepção, em seu crescimento em idade, tamanho, sabedoria e graça diante de Deus;  partícipe fundamental no primeiro sinal de Caná da Galileia; presente na hora da agonia, da Paixão, da morte e da Ressurreição.
 
Maria é a “rosa” que apareceu na plenitude dos tempos como nos falou o Papa, e, com certeza, é a rosa que torna mais belo o céu, porque nele, ao lado do Filho, se encontra.
 
Maria é a “rosa” que se faz presente em nosso caminhar, nos dizendo sempre, como disse em Caná: “fazei tudo o que Ele vos disser”.
 
Maria é a “rosa” que nos dá a certeza de que não estamos sós e que o Espírito Santo que nela agiu, continua agindo, assistindo e conduzindo a Igreja de Seu Filho e soprando onde Ele quer.
 
Maria é a mais bela “rosa” que jamais perde o encanto, a vida, a graça.
 
Maria é a mais bela “rosa” que torna mais belo o jardim de nossa existência, até que um dia tenhamos a graça de vê-la no céu, como há muito se canta:
 
“Com minha mãe estarei na Santa Glória um dia,
Junto com a Virgem Maria, no céu triunfarei...” 

Resiliência na travessia

                                                 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere.

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas as nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece, (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à outra margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

“FICA COMIGO, SENHOR!”

                                                


“FICA COMIGO, SENHOR!”
 
Fica Senhor comigo, 
pois preciso da tua presença para não te esquecer. 
Sabes quão facilmente posso te abandonar. 
Fica Senhor comigo, 
porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.
 
Fica Senhor comigo, 
porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.
 
Fica Senhor comigo, 
porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.
 
Fica Senhor comigo, 
para me mostrar tua vontade.

Fica Senhor comigo, 
para que ouça tua voz e te siga.

Fica Senhor comigo, 
pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.
 
Fica Senhor comigo, 
se queres que te seja fiel.
 
Fica Senhor comigo, 
porque, por mais pobre que seja minha alma, 
quero que se transforme num lugar de consolação para ti, 
um ninho de amor.
 
Fica comigo, Jesus, 
pois se faz tarde e o dia chega ao fim; 
a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. 
Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho. 
Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. 
Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.
 
Fica comigo nesta noite, Jesus, 
pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti. 

Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.
 
Fica comigo, Senhor, 
porque na hora da morte quero estar unido a ti, 
se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
 
Fica comigo, Jesus. 
Não peço consolações divinas, porque não as mereço, 
mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!
 
Fica Senhor comigo, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. 


Com este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.
 
PS: Oração de São Pio de Pietrelcina
 

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

                                         

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

“Naquele dia, saindo Jesus de casa, sentou-Se à beira-mar. Em torno d’Ele reuniu-se uma grande multidão. Por isto, entrou num barco e sentou-Se, enquanto a multidão estava em pé na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas.” (Mt 13,1-3).

Sete Parábolas saíram dos lábios do Senhor, e chegam aos nossos ouvidos e nas entranhas do coração, que tão somente Deus pode conhecer plenamente.

Sete Parábolas: do semeador, sua Palavra e nosso coração; do joio e do trigo; do grão de mostarda; do fermento na massa; do tesouro escondido; da pérola preciosa e da rede lançada ao mar (Mt 13,3-50).

Nisto consiste a missão do(a) Catequista: acolher a Palavra, a melhor semente no próprio coração; e discípulo missionário do Divino Semeador, Jesus; e, também, no coração dos catequizandos, a semente da Palavra lançar, na esperança da acolhida em férteis terrenos do chão do coração, com os frutos a produzir, por Deus sempre esperados.

Perseverança e paciência ao lançar as sementes do bem, do amor e da verdade, com ousadia e coragem ainda que o inimigo venha semear as sementes do mal, do ódio, da mentira e da pseudofelicidade, pois a autêntica, somente Ele, o Senhor, pode nos alcançar.

Catequese é como um grão de mostarda: ainda que pareça tão pequena e insignificante, pela graça de Deus, faz crescer e florescer, frutos produzir, ainda que não os vejamos e os frutos não saboreemos, mas outros com certeza o farão.

Catequese, fermento que leveda a massa: fermento do amor que faz toda a diferença: tão somente o amor é capaz de gerar o novo em cada um e em cada uma de nós. Há que se apresentar e levedar a humanidade com o eterno fermento do amor que jamais acabará, tão pouco jamais passará (1Cor 13).

Tesouro encontrado e a pérola preciosa de nossa vida é o Senhor Jesus, com a Sua Palavra, Pessoa , e com Ele, a alegria do Reino de Deus entre nós presente. Por este tesouro e pérola, nossas renúncias nada são, ainda que muito o façamos, incomparável valor, por isto tão somente este Tesouro e Pérola fazem nosso coração crepitar com chamas eternas de amor.

Ser catequista é lançar as redes, sem medo, nas águas mais profundas (Lc 5,1-11), para resgatar do mar da vida homens e mulheres, para que entrem na comunhão com o Senhor, do Reino parte façam, e o coração transborde de alegria.

Catequista, acolha as palavras do Senhor ao final das sete Parábolas:

"Entendestes todas essas coisas?’ Responderam-lhe: ‘Sim”. Então lhes disse: ‘Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante ao proprietário que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.” (Mt 13,51).

Ser Catequista é, com a presença e ação do Espírito, rezar e viver da Palavra de Deus, em permanente leitura, meditação, oração, contemplação, colocando-se como barro na mão do oleiro, porque imperfeitos e inacabados todos o somos, para que mais imagem e semelhança de Deus o sejamos. Amém.

Humildade e paciência (XVIDTCA)

                                                 

Humildade e paciência

Senhor Jesus Cristo, medito em Tua Parábola sobre o Reino de Deus em que o compara à semente lançada na terra, que germina e cresce sem que saibamos.

Senhor Jesus Cristo, medito também a Parábola do grão de mostarda, a menor de todas as sementes, mas que, depois de semeada, cresce e se torna maior que todas as outras hortaliças, com ramos grandes, a tal ponto que os pássaros dos céus podem fazer seus ninhos.

Senhor Jesus Cristo, ajuda-nos a tomar cada vez mais consciência de que a realização do Reino é iniciativa divina e resposta nossa, e, portanto, precisamos ser pacientes em sua construção.

Senhor Jesus Cristo, dá-nos nova mentalidade, conscientes de que Deus em nós age, sem prender-Se ao nosso tempo e aos nossos desejos.

Senhor Jesus Cristo, por isto, renove em nós a paciência, como colaboradores da construção do Reino, em total atitude de disponibilidade e pobreza.

Senhor Jesus Cristo, não permita que, como discípulos Teus, venhamos a nos refugiar num descomprometido quietismo, ficando tranquilo e esperando que tudo aconteça.

Senhor Jesus Cristo, que, a cada dia, tenhamos consciência de que é Teu Pai quem nos chama, quando e como quer; Se serve de nós, mas não sabemos de que modo, em que ocasião e para quais pessoas.

Senhor Jesus Cristo, dai-nos a Sabedoria para vivermos a verdadeira pobreza;  fazer tudo sem atribuir-nos o mérito de nada; trabalhar com todas as nossas forças sem pretender ver o resultado.

Senhor Jesus Cristo, dá-nos, portanto, a paciência e a humildade necessárias, para aprendermos as belas lições de Tuas Parábolas. Amém.


Fonte inspiradora: Missal Dominical – Editora Paulus p.933- Evangelho Mc 4,26-34; Mt 13,24-43
PS: Oportuno para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 17,5-10)

Deus é misericordioso e paciente conosco (XVIDTCA)

                                                          

Deus é misericordioso e paciente conosco


Como o joio é recolhido e queimado ao fogo,
assim também acontecerá no fim dos tempos”
(Mt 13,40)

Reflitamos sobre a Parábola do joio e do trigo, apresentada por Jesus para nos falar Reino de Deus, na passagem do Evangelho proclamada na terça-feira da 17ª Semana do Tempo Comum (Mt 13,36-43).

A Parábola do joio e do trigo é um apelo à humildade e à misericórdia que se irradia. É um compromisso concreto que assumimos ao celebrar a Eucaristia neste Domingo, dentro e fora da comunidade:

“Se há alguém que errou, que no próximo encontro ele possa ver em nossos olhos que estamos reconciliados com ele, que não o condenamos mais, porque a Palavra de Deus nos fez cair o gadanho da mão.” (1)

Segundo o Bispo Santo Agostinho, “Os maus existem no mundo ou para que se convertam, ou para que por eles, os bons, exercitem a paciência.”

Tomemos consciência de que todos nós somos trigo e joio ao mesmo tempo. Apenas Jesus foi o puro trigo, sem joio algum, ou seja, não conheceu o pecado, ao contrário, o destruiu.

Jesus é o grão que um dia caiu na terra e morreu. Um grão que foi transformado em Pão Eucarístico que vem a nós e Se entrega por nós como Salutar Alimento, para que nos tornemos trigos de Deus.



(1) “O Verbo Se faz Carne” – Pe Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - p. 157
PS: oportuno para o 16º Domingo do Tempo Comum - Mt 13,24-43

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