domingo, 5 de julho de 2026

Senhor Jesus, manso e humilde de coração (XIVDTCA)

                                       

Senhor Jesus, manso e humilde de coração

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, sentimos, por vezes, nossa pequenez e fragilidade por diversos motivos, internos e externos, enquanto caminhamos peregrinos longe de Vós, tão próximo de nós.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, nestes momentos podemos, humanamente, sentir-nos perturbados, porém sabemos que podemos confiar em Vós, que prometestes nunca nos deixar órfãos.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, ajudai-nos a compreender que, no sofrimento, participamos em Sua Paixão para participar em Sua Vida; sofrendo, comunicamos vida aos outros; e quando somos fracos, então é que somos fortes.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, ajudai-nos, para que, em nossa pequenez e imperfeição, venhamos a dar a Vós o que de melhor pudermos, do melhor modo possível, testemunhando a fé com palavras e ações.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, se ao praticar o bem, nos sentirmos frágeis, e no mal parecermos fortes, ajudai-nos a redescobrir que a verdadeira força somente pode vir de Vós, que agis através da fraqueza humana, para que advenha maior glória para Deus.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, que morrestes e Ressuscitastes para nos comunicar vida plena e definitiva, ajudai-nos para que, como Igreja, anunciemos a ação e presença de Deus, na fidelidade ao Vosso Pai, na comunhão com Vosso Espírito.

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, num mundo por vezes marcado pela cultura da morte, até mesmo acreditando e proclamando que Deus “morreu”; ajudai-nos, como Igreja, a proclamar o amor no meio do ódio, a fraternidade entre todos. Amém.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.892;  passagens  Bíblicas: 2 Cor 4,7-15; Mt 11,28-30

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro” (XIVDTCA)

                                                 

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro

Reflitamos sobre qual o sacrifício querido por Deus, ou seja, um espírito contrito, conforme veremos no Sermão do Bispo e Doutor Santo  Agostinho (Séc. V).

Reconheço o meu pecado, diz Davi. Se eu o reconheço, perdoa-me, Senhor! Mesmo procurando viver bem, de modo algum tenhamos a presunção de ser sem pecado. Que demos valor à vida em que se pede perdão. Os homens sem esperança, quanto menos atentam para os próprios pecados, com tanto maior curiosidade espreitam os alheios. Procuram não o que corrigir, mas o que morder. Não podendo escusar-se, estão prontos a acusar.

Não foi este o exemplo de rogar e de satisfazer a Deus que Davi nos deu, dizendo: Porque reconheço meu crime e meu pecado está sempre diante de mim. Davi não estava atento aos pecados alheios. Caía em si, não se desculpava, mas em si mesmo penetrava e descia cada vez mais profundamente. Não se poupava, e por isso podia confiadamente pedir para si o perdão.

Queres reconciliar-te com Deus? Repara como procedes contigo, para que Deus te seja propício. Presta atenção ao salmo, onde lemos: Porque se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente; não te causam prazer os holocaustos. Então ficarás sem sacrifício para oferecer? Nada oferecerás? Com nenhuma oblação tornarás Deus propício? Que disseste? Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente; não te causam prazer os holocaustos. Continua, escuta e dize: Sacrifício para Deus é o espírito contrito; o coração contrito e humilhado Deus não o despreza. Rejeitado aquilo que oferecias, encontraste o que oferecer. Como os antepassados, oferecias vítimas de animais, ditos sacrifícios: Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente. Não queres mais este gênero de sacrifícios, no entanto, procuras um sacrifício.

Não te causam prazer os holocaustos. Se não tens prazer com os holocaustos, ficarás sem sacrifício? De modo algum. Sacrifício para Deus é o espírito contrito; o coração contrito e humilhado Deus não o despreza. Tens o que oferecer. Não examines o rebanho, não aprestes navios e não atravesses as mais longínquas regiões em busca de perfumes. Procura em teu coração aquilo de que Deus gosta. O coração deve ser esmagado. Por que temes que o esmagado pereça? Lê-se aqui: Cria em mim, ó Deus, um coração puro. Para que seja criado o coração puro, esmague-se o impuro.

Sintamos aborrecimento por nós mesmos quando pecamos, porque os pecados aborrecem a Deus. Já que não estamos sem pecado, ao menos nisto sejamos semelhantes a Deus: o que lhe desagrada, desagrade também a nós. Em parte tu te unes à vontade de Deus, por te desagradar em ti aquilo mesmo que odeia aquele que te fez”.

Retomo parte do Sermão:

“Procura em teu coração aquilo de que Deus gosta. O coração deve ser esmagado. Por que temes que o esmagado pereça? Lê-se aqui: Cria em mim, ó Deus, um coração puro. Para que seja criado o coração puro, esmague-se o impuro.

Sintamos aborrecimento por nós mesmos quando pecamos, porque os pecados aborrecem a Deus.”

No seguimento do Senhor, como discípulos missionários Seus, precisamos sempre rever nossos pensamentos, palavras, ações ou mesmo omissões.

Vigilantes para perceber o que possa criar raízes em nosso coração. e que não é do agrado de Deus.

Coragem de esmagar dentro dele o que for preciso, para que seja criado por Deus, como um coração puro, em que todas as impurezas que não correspondam ao Evangelho sejam purificadas, e assim, vivamos segundo o espírito e não segundo a carne, como nos falou o Apóstolo aos Romanos (Rm 8,1-21).

Urge que sintamos aborrecimento por nós mesmos quando pecamos, e de coração contrito e humilhado, voltarmos para Deus, que é rico em misericórdia, com novas posturas, novo e sagrados compromissos.

Da mesma forma, aceitarmos o amoroso convite do Senhor, que revela a inefável bondade divina:

“Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt 11,28-30).

Para sempre me seduziste, Senhor (XIVDTCA)

                                         


                        Para sempre me seduziste, Senhor

Numa tarde, à  beira do mar da minha existência,

Teu olhar se fixou em meus olhos, sem nada dizer.

E ao mesmo tempo, falou para sempre em minh’alma.

Deixei tudo e me pus para sempre a seguir-Te

 

Tuas mãos me foram suavemente estendidas,

Levantou-me da poeira da miséria que sozinho seria,

E em todo o tempo, Tuas mãos seguram as minhas,

Para que, sempre abertas, abençoem e se solidarizem.

 

.Meus pés foram curados para me por sempre a caminho,

Me deste as sandálias para suportar eventuais pedras,

Das quais quem Te segue não está isento, jamais livre

Mas protegido, firmado, seguindo firme seu destino.

 

Em meus lábios estão Tuas Palavras, que antes colocastes,

Nas entranhas do meu coração, para serem proclamadas

Palavras que ora exortam, animam, corrigem, reorientam,

Palavra que, se acolhida e crida, frutos abundantes concedes.

 

Ressoou para sempre Teu doce e suave convite:

“Vinde a mim, vós que estais cansados e fatigados,

Pois meu fardo é leve e meu jugo é suave” (Mt 11,28-30)

Em teu peito reclinamos, como teu amado discípulo.

 

Teu olhar, Teu convite, Tuas Palavras, sedução divina

Tão humano, tão divino, quero ser uma resposta

A Ti que, por misericórdia, desceste ao nosso encontro,

E nós, em nossa infinita miséria, caímos, mas em Ti confiamos. Amém. Aleluia!

Viver segundo o Espírito (XIVDTCA)

                                                           

Viver segundo o Espírito

“Vinde a mim todos
 vós que estais cansados...”

A vida segundo o Espírito: fardo leve, jugo suave... “Para quem ama é suave; pesado só para quem não ama”. 

Jesus quer que O sigamos, animados pelo Espírito que supera a Lei, pela relação amorosa, característica de quem cultiva a Sua Aliança com Pai.

“Qualquer outra carga te oprime e te incomoda, mas a carga de Cristo alivia-te do peso. Qualquer outra carga tem peso, mas a de Cristo tem asa.

Se a uma ave lhe tirares as suas asas, parece que a alivias do peso, mas, quanto mais lhes tirares, mais esta pesa; restitui-lhe o peso das suas asas e verás como voa.” (1)

A mansidão e a humildade de Jesus contemplamos em Seu coração. Falando ao Seu coração receberemos tudo o que quisermos (Frei Tiago de Milão, franciscano do século XVI).

Três tendas construamos: aos Seus pés, em Suas mãos e ao Seu lado. N’Ele podemos descansar dormir, comer, beber, ler e rezar...

Aqueles que se deixam tocar pelo Amor de Cristo constroem tendas permanentes ao Seu lado, para fazerem do mundo uma grande tenda.

Nela os pequeninos, os pobres, encontrarão seu lugar, terão vez e voz, dignidade reconhecida, para honra e glória de Deus, pois, a glória de Deus é a vida de todos...

Viver a vida segundo o Espírito...
Contemplar o coração manso e humilde de Nosso Senhor, pleno de bondade, ternura, amor e compreensão... Sempre pronto a nos acolher e nos renovar. A Ele apresentando nossos cansaços e fadigas, de cada dia, jamais sairemos de mãos vazias.

Com Ele nosso coração é rejuvenescido, nossos pés fortalecidos, nosso olhar, pelo colírio da fé, protegido. Jesus tem sempre a Palavra, porque Ele é a Palavra do Pai, revelada aos pequeninos. Escondida aos supostamente, sábios, mas privados de sabedoria.

Viver segundo o Espírito, é possível. Sempre com Ele e n’Ele.
Que Jesus esteja sempre em nosso coração! E, assim, encontraremos um lugar no Seu, pois o mesmo foi trespassado, dilatado, para que n’Ele coubéssemos e jamais viéssemos a nos sentir desamparados, cansados e desanimados...

Vinde a mim vós todos!
Respondamos prontamente a este convite.


(1) Sermão de Santo Agostinho 30,10 e 126,12.

Não sejamos peso sobre o povo (XIVDTCA)

                                                


Não sejamos peso sobre o povo
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,28-30) em que Jesus diz: “vinde a mim todos vós que estais cansados, porque meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,30).
 
Contemplando a ação de Jesus, e repensando nossa atividade pastoral, ou qualquer outra responsabilidade sobre o mesmo, a mensagem iluminadora é de que o povo deve ser amado, ajudado no seu desenvolvimento integral.
 
É preciso que todos nos deixemos envolver pelo amor de Deus. E ao mesmo tempo ser testemunha da misericórdia divina, e quando  misericordiosos, poderão ouvir de Jesus estas palavras:
 
Vinde a mim porque Sou manso e humilde de coração...
Vinde a mim vós que estais cansados e fatigados, porque
Meu fardo é leve e meu jugo é suave!” (Mt 11,28-30).
 
Urge que estas  atitudes estejam presentes em nossa vida, a fim de que sejamos iluminados e iluminadores, afastando toda treva que teima em subsistir, como nos falou o Abade São Columbano (séc. VII):
 
“Que Tu, Cristo, dulcíssimo Salvador nosso,
Te dignes acender nossas lâmpadas,
de modo a refulgirem para sempre em
Teu templo, receberem perene luz de Ti,
que és a luz perene, para iluminar nossas trevas
e afugentar de nós as trevas no mundo”.
 
E, com o Abade São Máximo (séc. VII), concluímos:
 
“Só Ele (Jesus), qual lâmpada,desfaz a escuridão da ignorância,repele o negrume da maldade e do vício”
                                                         
Quando vivemos a misericórdia, o Amor de Deus arde em nós e Sua luz ilumina todo o mundo. Para sermos luz Deus nos criou: “Vós sois a luz do mundo! Vós sois o sal da terra” (cf. Mt 5,13-16).

Em poucas palavras... (XIVDTCA)

                                                   


Branda e suave é a aproximação do Espírito 

“Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradá­vel é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo! A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. 

Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: 

vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, ilu­minar a alma de quem O recebe, e, depois, por meio desse, a alma dos outros”.   (1)

  

(1) São Cirilo de Jerusalém (séc. IV)

 

“Eu Te louvo, ó Pai...” (XIVDTCA)

                                

                                        “Eu Te louvo, ó Pai...”

Na quarta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-27).

A Liturgia nos apresenta, como mensagem, um Deus que Se revela na simplicidade, humildade, pobreza e pequenez, que veio ao encontro da humanidade na pessoa de Jesus Cristo, anunciado pelos Profetas e esperado pelo Povo de Deus.

Paradoxalmente, Deus não Se revela no orgulho e na prepotência, como vemos no Livro do Profeta Zacarias (Zc 9,9-10):  vem como um Rei pobre, com humildade e simplicidade.

A passagem encontra-se no “Deutero-Zacarias”, a segunda parte do Livro, também conhecida como “Segundo Zacarias”, e retrata o período pós-exílio, e anuncia a intervenção e salvação de Deus, a glória futura da Salvação, com forte aceno messiânico: um Messias virá, será Rei, Pastor e o Servo do Senhor.

Um Rei humilde e pacífico virá com força para destruir a guerra e seus instrumentos de morte, e este será o próprio Jesus. Repito: Deus sempre Se revela na humildade, pobreza e simplicidade: a fé cristã reconhece em Jesus a personagem profetizada por Zacarias (Mt 21,1-9).

Refletir esta passagem leva o Povo de Deus a perceber que em situações de desencanto, frustração e privação da liberdade, precisa redescobrir o Deus que vem ao seu encontro e restaura a esperança com uma nova lógica (desarmado, pacífico e humilde), em vez da lógica humana (força, guerra, morte, destruição).

É neste contexto que compreendemos o louvor de Jesus ao Pai: Jesus louva ao Pai pela Proposta de Salvação que Ele fez à humanidade, mas acolhida apenas pelos pobres e pequenos, que em sua pobreza e simplicidade, sempre disponíveis à novidade libertadora por Deus oferecida.

A Proposta de Jesus encontra acolhida entre os pobres e os marginalizados, os desiludidos com a religião oficial, que os discriminava e os oprimia, como jugo insuportável, porque pesado e desumanizante, pelas leis, entre outras coisas.

“É o que experimentamos em virtude do Batismo que faz de nós homens novos, porque infunde em nós o Espírito que é verdade, vida e força de Deus. É este o ‘jugo suave’ de que fala Jesus (Mt 11,29-30).

O jugo da lei colocado aos ombros dos homens, para submetê-los em vez de libertá-los, não é só aquele de que Jesus acusa os fariseus (os fardos – Mt 23,4), mas é também a proposta cristã quando, em vez de ser mensagem de libertação para quem anda oprimido e humilhado pelo peso do pecado e da morte, se transforma numa quantidade de preceitos e de normas que se devem respeitar perante um Deus juiz severo”. (1)

A passagem pode ser divida em três partes:

- O louvor a Deus por ter escondido o conhecimento aos pretensamente sábios e entendidos (vv. 25-26);
- A explicação do que foi escondido e a quem foi revelado (v. 27);
- O convite final: “Vinde a mim...”

Jesus oferece a libertação da escravidão da Lei, propondo a vida nova marcada pelo Mandamento do Amor a Deus e ao próximo. Somente um coração aberto a Deus e às Suas propostas pode garantir a vida em plenitude, assim como nos falou o Apóstolo Paulo – “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Com Jesus temos, portanto, uma reviravolta de valores, em que a força, poder e riqueza cedem lugar para a vida marcada pela simplicidade, doação, humildade, partilha.

É preciso rever nossos julgamentos e comportamentos, ou seja, é preciso que sejamos pobres, simples, humildes, colocando nossa fragilidade nas mãos de Deus, contando com Sua Palavra e força que nos vem do Espírito.

Assim, viveremos na planície do cotidiano o Sermão da Montanha que Jesus proclamou: “Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos céus...” (Mt 5,1-12).

Vivendo assim, estaremos dentro da lógica de Deus que oferece Salvação a todos. Que sejamos pobres em espírito para acolher esta Proposta, renovando concretos compromissos de solidariedade e amor para com os pequeninos, os preferidos de Deus:

“... o verdadeiro conhecimento do Pai, do Deus que é Amor, não pode acontecer senão mediante Jesus, ‘o Caminho’ que nos leva ao Pai”. (2)

Revendo nossas opções, viveremos a opção de Deus pelos pobres, humildes e oprimidos, tornando evidente que a Palavra da salvação é um insistente convite para que percorramos o caminho da humildade verdadeira, do Messias crucificado, ainda hoje “escândalo e loucura” para muitos, como falou o Apóstolo Paulo (1 Cor 1,23).

Oremos:

“Ó Deus, que Vos revelais aos pequeninos e concedeis aos mansos a herança do vosso Reino, tornai-nos pobres, livres e felizes, à imitação de Cristo, Vosso Filho, para levarmos com Ele o suave jugo da Cruz e anunciarmos aos homens a alegria que vem de Vós”. Amém. (3).

(1) (2) Lecionário Comentado – p.660.
(3) Idem p.661.

PS: Reflexão contempla a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-30).

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