sábado, 4 de julho de 2026

Confessemos os nossos pecados

                                                                 

Confessemos os nossos pecados

Acolhamos este texto de São Cirilo (séc. IV), Bispo de Jerusalém, extraído de suas "Catequeses", sobre a confissão dos nossos pecados no tempo propício.

“Se há aqui alguém escravo do pecado, prepare-se pela fé para o nobre renascimento de filhos por adoção. Rejeitada a péssima escravidão dos pecados e obtida a felicíssima servidão do Senhor, seja considerado digno de alcançar a herança do Reino celeste.

Portanto despi, pela confissão, o homem velho que se vai corrompendo ao sabor dos desejos maus, a fim de revestirdes o homem novo, que se renova pelo conhecimento d’Aquele que o criou.

Adquiri pela fé a segurança do Espírito Santo de serdes acolhidos nas mansões eternas.

Aproximai-vos do místico sinal para que possais ser favoravelmente reconhecidos pelo Soberano.

Juntai-vos ao santo e racional rebanho de Cristo. Postos um dia de parte à Sua direita, entrareis assim na posse da vida preparada por herança para vós.

Com a aspereza dos pecados aderentes como pelos, estão à esquerda aqueles que não se achegam à graça de Deus concedida por Cristo no banho da regeneração. Refiro-me aqui não à regeneração dos corpos, mas ao novo nascimento espiritual da alma.

Os corpos são gerados pelos pais visíveis; a alma é gerada de novo pela fé, porque o ‘Espírito sopra onde quer’. Então, se te tornares digno, poderás ouvir: ‘Muito bem, servo bom e fiel’, quando não se encontrar em ti qualquer impureza de fingimento na consciência.

Se algum dos que aqui estão espera provocar a graça de Deus, engana-se e desconhece o valor das coisas. Tem, ó homem, alma sincera e livre de disfarce, por causa d’Aquele que perscruta corações e rins.
           
O tempo agora é tempo de confissão. Confessa o que cometeste por palavra, ou ação, de noite ou de dia. Confessa no tempo propício e recebe no dia da salvação o tesouro celeste.

Limpa tua jarra para conter graça mais abundante, pois a remissão dos pecados é dada igualmente a todos, mas, a comunicação do Espírito Santo é concedida a cada um segundo a fé. Se trabalhares pouco, receberás pouco; se fizeres muito, grande será a recompensa.

Corre em teu próprio proveito, vê o que te convém. Se tens algo contra outro, perdoa. Tu te aproximas para receber o perdão dos pecados; é necessário perdoar a quem te ofendeu”.(1).

Alguns imperativos aparecem notavelmente na Catequese, retomo o último: 

“Limpa tua jarra para conter graça mais abundante, pois a remissão dos pecados é dada igualmente a todos, mas, a comunicação do Espírito Santo é concedida a cada um segundo a fé...”. 

Reconheçamos e tomemos consciência de nossos pecados, acompanhado do arrependimento, com desejo de conversão e esforço contínuo de reparação, acompanhado da necessária vigilância para não incorrermos nos mesmos pecados.

Sejamos perdoados de nossos pecados, como ação do Espírito Santo que nos foi concedido naquele oitavo dia, quando o discípulos se encontravam, com as portas fechadas, com medo dos judeus, e enviados para comunicar o perdão dos pecados:

“E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos’” (Jo 20,22-23).


(1) Liturgia das Horas – Editora Paulus – Tempo comum - Vol. III – pp. 400-401.

Testemunhemos a alegria Pascal

                                                                

Testemunhemos a alegria Pascal

Como discípulos missionários do Senhor, é nossa missão testemunhar a alegria Pascal, como refletimos à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,14-17).

Ontem presente fisicamente junto aos Seus discípulos, hoje também presente,  Ressuscitado, como professamos pela fé: Ele está vivo e presente entre nós, desde aquela madrugada da Sua Ressurreição, e depois com a descida do Espírito Santo, os mensageiros de Cristo levarão seu anuncio de alegria a todos as partes do mundo.

Acabara o tempo da espera, não era mais tempo de jejuar, pois Ele, o “noivo esperado” Se fez presente.

Assim entendemos as Suas Palavras: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com ele”?

Reflitamos:

- Está o mundo cristão em festa pela presença do Ressuscitado?
- Esta verdade alimenta suficientemente a nossa vida?

- Por que não são, por vezes,  os cristãos portadores da paz?
- O que fazer para nos tornarmos semeadores de verdadeira alegria?

Examinemos nossa fé e a nossa vida, conscientes de que como cristãos não vivemos fora do tempo, tão pouco fugimos aos graves problemas do mundo, mas renovamos sagrados esforços e compromissos com a Boa Nova do Reino.

Renovemos, na Eucaristia que celebramos, a alegria e presença de Jesus Cristo Ressuscitado, que caminha e está conosco!

Coração novo, vinho novo

                                                                  

Coração novo, vinho novo

 “O Amor de Deus foi
derramado em nossos corações.”

Ouvimos no 13º sábado do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,14-17) em que Jesus nos questiona: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto, enquanto o noivo está com eles?”; E nos disse: “Vinho novo se coloca em odres novos, e assim os dois se conservam”.

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões de um autor anônimo do século VI, que nos leva a refletir sobre a unidade da Igreja que, recebendo o dom do Espírito Santo, fala todas as línguas, de modo que todos se comunicam e se entendem.

“Os Apóstolos começaram a falar em todas as línguas. Aprouve a Deus, naquele momento, significar a presença do Espírito Santo, fazendo com que todo aquele que O tivesse recebido, falasse em todas as línguas.

Devemos compreender, irmãos caríssimos, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual o Amor de Deus foi derramado em nossos corações.

O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem, recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas.

Se por acaso alguém nos disser: ‘Recebeste o Espírito Santo; por que não falas em todas as línguas?’ devemos responder:

‘Eu falo em todas as línguas. Porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da Sua Igreja, que se exprime em todas as línguas. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que Sua Igreja haveria de falar em todas as línguas?’

Deste modo, cumpriu-se o que o Senhor tinha prometido: Ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E assim ambos são preservados (cf. Lc 5,37-38).
       
Por isso, quando ouviram os Apóstolos falar em todas as línguas, diziam alguns com certa razão: Estão cheios de vinho (At 2,13).

Na verdade, já se haviam transformado em odres novos, renovados pela graça da santidade, a fim de que, repletos do vinho novo, isto é, do Espírito Santo, parecessem ferver ao falar em todas as línguas.

E com este milagre tão evidente prefiguravam a universalidade da futura Igreja, que haveria de abranger as línguas de todos os povos.

Celebrai, pois, este dia como membros do único Corpo de Cristo.

E não o celebrareis em vão, se realmente sois aquilo que celebrais, isto é, se estais perfeitamente incorporados naquela Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro.

Esta Igreja Ele reconhece como Sua e é por ela reconhecida como seu Senhor. O Esposo não abandonou sua esposa; por isso ninguém pode substituí-la por outra.

É a vós, homens de todas as nações, que sois a Igreja de Cristo, os membros de Cristo, o corpo de Cristo, a esposa de Cristo, é a vós que o Apóstolo dirige estas palavras:

Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a Unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,2-3).

Reparai como, ao lembrar o Preceito de nos suportarmos uns aos outros, falou-nos do amor, e quando Se referiu à esperança da unidade, pôs em evidência o vínculo da paz.

Esta é a casa de Deus, edificada com pedras vivas. Nela o Eterno Pai gosta de morar; nela Seus olhos jamais devem ser ofendidos pelo triste espetáculo da divisão entre Seus filhos.”

Somos exortados a acolher o dom do Espírito Santo, e com Ele o Amor de Deus, que é derramado em nossos corações; somos membros do único Corpo de Cristo, e assim devemos viver e agir.

Somos membros de uma Igreja, edificada com pedras vivas, e todo esforço deve ser feito para que se supere o “triste espetáculo da divisão entre Seus filhos”, como refletimos na conclusão do Sermão.

Envolvidos pelo Amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que preenche nossos corações, com coragem e ousadia, sejamos arautos contumazes e intrépidos da “Alegria do Evangelho”, eternos aprendizes da mais bela linguagem universal: a linguagem do Espírito Santo, a linguagem de Deus, que consiste na linguagem do Amor.

Com o coração renovado, a cada dia, acolhamos o Vinho Novo do Amor de Deus e, uma vez transbordante, seja derramado a quantos precisarem, porque sedentos de amor, vida, alegria e paz.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                         


A mitra e o esplendor da santidade

Na Ordenação Episcopal, o Bispo sagrante principal impõe a mitra ao Bispo ordenado, dizendo:


“Recebe a mitra e brilhe em ti o esplendor da santidade, para que quando vier o Príncipe dos pastores, mereças receber a imarcescível coroa da glória”
.

 

Em poucas palavras...

                                                

A profundidade do ser cristão

“Nisto consiste toda a profundidade do ser cristão: capacitados pelo batismo, para lutar eficazmente contra o pecado original, ou antes, estrutural, em que todos nascemos impreterivelmente. O cristão é um lutador dentro da história e dentro da sociedade.”(1) 

 

(1)Comentários à Bíblia Litúrgica = Gráfica Coimbra 2 – Palheira – pág.1480 – referente à passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 6,12-18)

Em poucas palavras...

                                                       

 

Senhor, acendei em nós a esperança

“Evidentemente, quando os tempos se tornam duros, quando a autoridade política mostra o seu rosto mais perverso, deve acender-se a esperança de que o fim do mundo (a parusia de Jesus na história).

O que importa, porém, é saber que, em todos os momentos (nos bons e nos maus), a verdade da Paixão da Cruz e da Páscoa de Jesus nos fundamenta desde dentro, nos oferece uma esperança e nos afirma que o mundo (e a nossa vida) é uma realidade que, internamente, está a acabar”. (1)

 

(1)         Comentários à Bíblia Litúrgica – Gráfica Coimbra 2 – Palheira – p.1195 – sobre a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 21,19-23) 

“Perdoai-nos, Senhor!”

                                                     

“Perdoai-nos, Senhor!”

 “Homem, teus pecados estão perdoados” (Lc 5,20)

Ó Pai de Misericórdia, por meio de Vosso Amado Filho que no-la revelou de modo maravilhoso, suplicamos-Vos que por Vosso Santo Espírito nos seja concedida a remissão de nossos pecados.

Reconhecemos nossa condição humana e pecadora diante de Vossa condição divina e reconciliadora, que nos renova em profundidade, como o bem mais importante que só vem de Vós.

Ó Pai, como precisamos de Vosso olhar misericordioso voltado para cada um de nós, pois somente o Amor derramado do Sagrado Coração do Vosso Filho destrói nossos pecados.

Redimidos por Vosso Santo Espírito sejamos envolvidos pelo Vosso Amor indizível sempre pronto a nos acolher e a nos perdoar, para a mais desejável comunhão de vida e amor.

Uma Comunhão que nos coloca numa relação mais profunda, sincera e frutuosa convosco, porque também nos leva à mesma relação com nosso próximo, a quem devemos amar e perdoar.

Concedei a graça do Espírito Santo, que em nós foi infundido pelo Santo Batismo para a remissão de nossos pecados, para que fossemos então regenerados e iluminados.

Jamais nos afastemos do Vosso Sagrado Cálice da Eucaristia, onde encontramos o Sangue Sagrado por Vós derramado para também remir nossos pecados.

Aumentai, Senhor, em nosso coração o amor necessário para perdoar nosso próximo, e também a humildade para que saibamos pedir o perdão.

E assim, ó Trindade Santa de Amor e comunhão, perdoados e libertos, sejamos no mundo construtores da paz, como alegres testemunhas de Vosso Amor. Amém!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG