quinta-feira, 2 de julho de 2026

Conversão e fidelidade ao projeto divino

 


Conversão e fidelidade ao projeto divino

Reflexão à luz da passagem do Livro do Profeta Ezequiel (Ez 18,25-28).

Vemos a missão do Profeta Ezequiel, o “Profeta da esperança”, num período que marca a volta do exílio e o recomeço de uma nova história.

O Profeta tem que destruir as falsas esperanças, provocar atitudes de conversão e responsabilidade pela própria história de cada um diante de Deus.

Deve ressuscitar a confiança e a esperança do povo em Deus. De nada ajudará o povo ficar culpando os antepassados, ou atribuir a Deus a culpa de seus pecados e infidelidades.

O presente está em nossas mãos para que correspondamos à vontade divina, assegurando um futuro novo e melhor.

O Profeta chama à responsabilidade a cada um, pois de nada adianta procurar culpados se antes não nos revermos diante de Deus e de Sua proposta.

Também nos assegura que Deus está sempre presente no meio de Seu povo, nunca o abandona, sendo que o contrário pode acontecer, e se isto ocorre as consequências são extremamente danosas.

Toda infidelidade a Deus traz frutos amargos: sofrimentos, desolação, enfraquecimento. De outro lado, a fidelidade a Deus é fonte de bênçãos. Deus está sempre pronto a selar aliança de amor conosco, e não nos é permitido ficar com rodeios, desculpas evasivas e subterfúgios que nos afastam d’Ele e de nossa felicidade.

É preciso que o povo tenha consciência de seus limites e não acuse Deus como o responsável pelos erros que comete. Deste modo, novo horizonte de vida e liberdade se abrirá diante dele. 

Torna-se necessário revermos como realizamos o que a nós é próprio; como e com que intensidade e fidelidade aos preceitos de Deus, a Sua adoração em Espírito e verdade se vivemos.

Deus em Sua fidelidade não se alegra com nossa flutuabilidade, incoerência e contradição.

 Reflitamos:

- Diante d’Ele qual é a nossa resposta?

- Quais são os nossos compromissos?

- Qual é a nossa parcela de culpa diante dos sinais de morte? 
- Qual é a nossa participação na construção da cultura da vida, em total fidelidade ao Senhor?

- O que preciso fazer para me converter?

Procuremos a mais perfeita coerência entre o que cremos e o que vivemos, para que o mundo veja Cristo em nós, e como Paulo, digamos: “E já não sou eu que vivo: é Cristo que vive em mim. E a vida que vivo agora na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.” (Gl 2,20)

Tão somente assim viveremos num contínuo processo de conversão para maior fidelidade ao Projeto Divino, como nos exorta o Profeta Ezequiel.

 

Nada pode nos paralisar

                                                  

Nada pode nos paralisar

Com a passagem do Evangelho da quinta-feira da 13ª semana do Tempo Comum (Mt 9,1-8), refletimos sobre o  poder que Jesus tem, não somente de perdoar os pecados da humanidade, bem como de libertá-la das possíveis paralisias físicas, e também de outras com maiores consequências: a paralisia espiritual.

Jesus é a manifestação da misericórdia de Deus que pode ser experimentada de diversos modos, e um deles é através do Sacramento da Penitência com uma sincera, válida, e frutuosa confissão junto a um Presbítero da Igreja.

Há aqueles que não gostam de se confessar, por vezes pela dificuldade de como e o que confessar. Evidentemente, que podemos confessar diretamente com Deus, mas não podemos prescindir e ignorar a forma salutar da confissão individual; quando o penitente reconhece a sua miséria, com seus limites e imperfeições, e curva-se diante da misericórdia de Deus.

Confessar é no mínimo um ato de humildade e de coragem; de colocar-se diante de si mesmo, do outro e de Deus, numa abertura necessária para reconhecer os pecados cometidos, as faltas que possam ter prejudicado os relacionamentos com Deus e com o outro.

Há uma forma de paralisia que brota da ausência do perdão, matando amizades, amores, convivências, lares, projetos, sonhos, conquistas...

Reflitamos sobre a misericórdia de Deus e a nossa realidade incontestável de pecadores que somos, assim como sobre as paralisias das quais temos que ser libertos.

Quanto ao paralítico curado, como não pensar nas múltiplas manifestações de paralisias das quais podemos estar acometidos?

Muitos pelas dificuldades enfrentadas, e a maior delas, a morte de um ente querido, são levados até mesmo à perda do sentido e da razão de viver.

Não podemos paralisar nem mesmo diante da morte de um ente querido, ainda que esposo/esposa, mãe/pai, filho/filha, irmão/irmã, e mesmo um amigo que tenhamos apreço como a um irmão.

Os Apóstolos não ficaram paralisados diante da morte de Jesus, ao contrário, fazendo a experiência de Sua Ressurreição, contemplando Sua nova presença, redimensionaram e reorientaram os passos da Igreja nascente.

A fé na Ressurreição, a força do Ressuscitado rompe as portas fechadas do medo que nos paralisa, fragiliza, e nos faz sucumbir em possíveis mediocridades dos recuos.

Oremos:

Ó Deus, fonte de Misericórdia,
Suplico Vosso perdão,
Reconheço meus pecados, em pensamentos,
palavras, atos e omissão.

Coloco-me em Vossas mãos,
Que Vossa misericórdia penetre as fibras mais íntimas do meu ser.
Renovai-me, Senhor, revesti-me com Vosso Amor.
Fazei-me uma nova criatura, para a Vossa imagem melhor refletir.

Libertai-me, Senhor, de toda e qualquer paralisia,
Que me impeça sinceros compromissos com o Vosso Reino.
Que Vossa Palavra ressoe no mais profundo de mim,
Para que a vocação profética do Batismo se reacenda.

Que me alegre ser Vossa presença, Vossa voz,
A tantos que precisarem de Vossa Palavra ouvir.
Quero tão apenas, Senhor, por Vós ser perdoado e liberto.
E a quem precisar ser um sinal de Vossa misericórdia e poder. Amém! 

Em poucas palavras...

                                                             


Fidelidade e justiça são inseparáveis

“Deus odeia esse egoísmo coletivo, tanto quanto o individual. Ele faz causa comum com os pobres e oprimidos.

A oração destes vai direto a Ele. Não é por acaso que se dão certos desabamentos humanamente imprevisíveis, insuspeitáveis.

Mas atenção! Isso não atinge somente os ‘poderosos’, os ‘grandes’, porém a todos. Ninguém pode explorar impunemente um irmão e acreditar ser fiel a Deus” (1)

 

(1) Comentário da passagem do Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro de Amós (Am 8,4-6;9-12)- p. 981

Em poucas palavras...

                                              


O necessário cuidado das pessoas em apuros

“Um irmão perguntou a um ancião: ‘Existem dois irmãos: um deles vive em hesychia, jejuando seis dias seguidos e entregando-se ao duro trabalho, e o outro cuida das pessoas em apuros. Deus aceitará mais prontamente a tarefa de qual deles?’

O ancião lhe disse: ‘Mesmo que aquele que jejua por seis dias se pendurasse pelas narinas, não pode ser igual àquele que cuida das pessoas em apuros’.” (1)

 

(1)   Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 355 – p. 235

        (hesychia: silêncio, quietude, paz...)

Em poucas palavras...

 


Revestidos de Cristo

“Se fosse viva em nós a consciência de estarmos ‘revestidos’ de Cristo, de sermos filhos como ‘o Filho’ (Gl 3,26-27), compreender-nos-íamos melhor a nós mesmos.

Compreenderíamos  a nossa vida como liberdade: liberdade de colocar sobre os nossos ombros a nossa cruz e a cruz dos nossos irmãos, de perdermos também a nossa vida como resposta de amor Àquele que nos ama e deu a vida por nós.” (1)

 

(1)Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – pág. 573

 

Nossa missão: Fortalecer os pilares da comunidade

                                                          

 

Nossa missão: Fortalecer os pilares da comunidade
 
Aprofundando a Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 2, 42-47) e do Evangelho (Lc 4, 16-21), refletiremos os “quatro pilares” de uma boa comunidade.
 
Estas passagens bíblicas permitem um “Raio-X” de nossas comunidades, percebendo sua estrutura, o que precisa ser reforçado, para que este texto não seja apenas saudosismo, mas um desafiador projeto a ser realizado, numa autêntica evangelização, no anúncio da Boa Nova aos pobres, em empenho sincero de sua libertação, fazendo acontecer o urgente Ano da Graça do Senhor, como nos exorta o Evangelista Lucas.
 
Em relação ao primeiro texto, comparemos a comunidade a uma cadeira, com seus necessários quatro pés, bons e firmes.
 
Assim deve ser a comunidade: quatro pés, quatro pilares que a faz e a fará mais fiel Àquele que é a sua razão de existir: Jesus Cristo.
 
A comunidade precisa perseverar e cuidar destes pilares:
 
Ensinamentos dos Apóstolos:
Formação bíblica, teológica, doutrinal, Documentos da Igreja, Escola de Ministérios, subsídios diversos disponíveis, livros dos grupos de reflexão, jornal da Diocese, plano de pastoral…

Comunhão Fraterna:
É muito mais que um abraço, um canto de paz na Missa ou culto dominical, é a solidariedade concreta com os empobrecidos, através das Pastorais da Saúde, da Criança, participação sindical, movimentos populares, plebiscitos populares ocasionais, fortalecimento do Grupo Fé e Política, a defesa e promoção de uma Ecologia integral, o amor ao Brasil (seu povo, sua cultura, sua história), a participação na construção de uma nova ordem mundial, diante do idolátrico neoliberalismo e globalização excludente, fortalecimento do trabalho Social da Igreja em favor dos empobrecidos…

Eucaristia + Fração do Pão:
A Celebração Dominical na qual Deus Se faz nosso Alimento e nos fortalece pela Sua Palavra. Quando celebramos nossa vida, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, em busca de novos horizontes para que o Reino de Deus aconteça… Que a Eucaristia seja, de fato, o ponto alto e a fonte de toda a nossa vida. A Eucaristia edifica a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia, como nos falou o Papa São João Paulo II.

Oração:
Individual, familiar e comunitária. Trinta minutos, ao menos por dia, como nos exortou um grande Bispo da Igreja do Brasil (D. Pedro Casaldáliga).
 
A Oração muito mais do que uma reza sistemática, rotineira, é um diálogo profundo com o Eterno que habita em cada um de nós. É colocar-se no colo de Deus, ser beijado e acariciado pelo mesmo e, se preciso, levar um “puxão de orelha” para nossa orientação… A Oração é diálogo no aparente silêncio de Deus.
 
Reflitamos:

-  Como está a minha vivência de fé à luz destes quatro pilares? 
-  Da mesma forma, como está em relação às nossas comunidades?
 
Há muitas “cadeiras mancas, com cupins, brocas, pernas mais curtas…”

Que nossa “cadeira” fique mais firme, segura, forte, bem assentada no chão da realidade.
 
Que os “quatro pilares” refletidos sejam a cada dia mais fortalecidos, para que nossa missão corresponda ao que Deus quer de cada um de nós!

Sabedoria Divina e sabedoria humana...

                                                           


Sabedoria Divina e sabedoria humana...

Há duas Sabedorias que não se opõem, pelo contrário se completam perfeitamente na justaposição da humana à Divina.

O saber humano não pode prescindir do Saber Divino. Da mesma forma o Saber Divino não desmerece o saber humano, pelo contrário, o ilumina   para que este não se volte contra o próprio homem.

A autêntica Sabedoria, tanto a humana quanto a Divina, edifica a nova humanidade, até que vejamos acontecer o Novo Céu e a Nova terra!

É a inter-relação necessária entre a fé e a razão!
A sabedoria humana jamais dispensável.
A Sabedoria Divina, mais que desejável,
Na Sagrada Escritura fundamentada,
Que por homens escrita, pelo Espírito inspirada...

Que a sabedoria humana a serviço da Sabedoria Divina, que a Sabedoria Divina se valendo da sabedoria humana sejam saberes que religam, iluminam, edificam a nova história criando laços fraternos, de ternura, humanidade nova: para passado memorável, presente invejável, futuro belo e promissor realizável!

Invoquemos a Sabedoria do Espírito Santo:

Que o Fogo do Espírito nos inflame, para correspondermos melhor ao Projeto de Deus, e que ela nos seja revelada em perfeita sintonia com a sabedoria humana, que nos levará ao equilíbrio necessário, para agirmos como se tudo dependesse da humanidade sem jamais prescindirmos da Força da Suprema Divindade. 

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG