quarta-feira, 1 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                               


A necessária humildade

"Os anciãos costumavam dizer que a coroa do monge é a humildade." (1)

 

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto - Editora Vozes - 2023 - n. 98 - p. 89

Em poucas palavras...

                                          


Atitude exemplar de desapego

“Alguém implorou a um ancião que aceitasse dinheiro para suas próprias necessidades, mas ele não estava disposto a aceitar porque tinha o suficiente com o trabalho de suas mãos.

Como a pessoa persistiu implorando que o aceitasse para as necessidades dos que não tinham o suficiente, o ancião replicou:

‘Esta é uma dupla vergonha: Eu aceito sem necessitar e também me orgulho por doar o que pertence a outro’”. (1)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 258 – p. 183

Em poucas palavras...

                                                     



“Nunca...”

 

“Um ancião dizia:

‘Nunca me atrasei em fazer alguma coisa de que eu era capaz’, ou:

‘Nunca repeti alguma coisa que eu já tinha concluído’, ou:

‘Nunca pensei de novo (literalmente: mudei de ideia) sobre alguma coisa que eu podia compreender/captar plenamente’, ou:

‘Nunca considerei de pouca importância realizar qualquer coisa de que eu era capaz’.”(1)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 - n. 109 – p. 91

Família: espaço do aprendizado dos valores do Reino

 


Família: espaço do aprendizado dos valores do Reino
 
O Apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Efésios (Ef 5,21-32), fala das consequências daquele que faz sua adesão a Cristo.
 
Apresenta-nos a família como espaço do aprendizado dos valores do Reino: partilha, amor, união, paz e vida.
 
O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Uma relação de amor, doação, serviço e edificação do outro. Paulo estabelece um belíssimo paralelo: o amor dos esposos comparado com a relação do Amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo.
 
A vida conjugal, “ser uma só carne”, é o empenho cotidiano de viver neste amor e fidelidade, na partilha de toda a vida, com suas dores e alegrias, angústias e esperanças.
 
Viver o Batismo implica sempre em viver como homens novos, e a família se torna o espaço privilegiado e primeiro de aprendizado das normas e valores do Reino.
 
Empenhemo-nos para que a família cumpra tão importante missão, edificada sobre a Rocha da Palavra de Deus (cf. Mt 7,21-27).
 

Um novo amanhecer, podemos esperar!

Um novo amanhecer, podemos esperar!

Treze anos passados, multiplicavam-se nas ruas e praças de nossas cidades, acontecimentos inéditos e inauditos.

De forma surpreendente, e inexplicável para muitos, os clamores se somaram, os encontros se multiplicaram, para que nossas esperanças não fossem subtraídas, para que aprendamos melhor dividir uns com os outros as forças que temos, para o novo inaugurar. 

A indignação, através das redes sociais, se difundiu, como lavas vulcânicas, em vibrantes protestos, manifestando o despertar de sonhos aparentemente adormecidos, e projetos de um mundo novo sufocado, asfixiado pelos poderes constituídos, com seus mandos e desmandos, improbidades, governos e desgovernos, práticas de impunidade acobertadas por interesses escusos, que apenas fizeram avolumar a situação clamorosa de nosso povo, com desigualdades sociais aviltantes, precariedade da situação da saúde, educação, habitação, lazer e outras tantas.

O clamor subia aos céus, expressão de insatisfação, jamais de saudosismo, pessimismo ou derrotismo. Não há, e nunca houve espaço para indiferença e resignação, pois somente agravaria o momento pelo qual passamos.

É inaceitável entrar no cortejo dos que pregam o “quanto pior, melhor”, mas sim no cortejo daqueles que se empenham e não se omitem na missão que realizam, para um amanhecer mais iluminado e feliz para todos.

Ontem e hoje, olhares envinagrados não nos permitirão vislumbrar novos caminhos de superação e reconstrução de uma verdadeira democracia.

Somente olhares reluzentes de indignação, acompanhados de fremir profético, mas sem a ira, loucura passageira e estéril, é que alcançaremos os nossos direitos.

É preciso reconhecer e acolher esta força da manifestação que veio das ruas e praças e que, de um modo ou de outro, continuam a acontecer. 

Como Igreja, na realidade em que estamos inseridos, com suas marcas nem sempre positivas, há a necessidade de estabelecer as urgências e perspectivas da ação evangelizadora, para que todos tenham vida, e vida plena.

Urge que continuemos nosso caminho, participando da construção de uma sociedade mais fraterna, justa e solidária.

Revestidos de Cristo sempre sejamos!

Revestidos de Cristo sempre sejamos!

“Vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.
Vós todos que fostes batizados em Cristo vos
 revestistes de Cristo” (Gl 3, 26-27)

Em julho de 2013, estávamos com os olhos voltados para o Rio de Janeiro, onde aconteceu a 28ª Jornada Mundial da Juventude, precedida pela Semana Missionária da Juventude em todo o Brasil.

Com o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28,19), testemunhamos um grande sopro do Espírito, como em Pentecostes, em que a Igreja se volta de modo especial para a Juventude,  vendo nesta um potencial imensurável de força evangelizadora, não somente dentro da própria Igreja, mas fora dela, nos diversos ambientes em que vive (familiar, acadêmico, profissional) e se comunica (comunidades e espaços virtuais).

Mas a Evangelização somente alcança o seu objetivo se nos revestirmos de Cristo, com a força da oração, abertos ao que o Espírito diz a Igreja em cada tempo e realidade, nas diferentes circunstâncias. 

Revestidos com esta força e assistidos pelo Espírito Santo, a Palavra de Deus será anunciada e testemunhada, e novos discípulos faremos para o Senhor, em total fidelidade ao seu mandato.

Deste modo, víamos com bons olhos as manifestações populares, num grito profético contra os desmandos e abusos que são cometidos contra a cidadania, desde há muito (evidentemente, sem compactuar com vandalismos ou coisas semelhantes).

É sempre importante que ações organizadas e sérias, com liberdade de expressão, se multipliquem, para que numa atitude de diálogo estabelecido, tenhamos mais igualdade, fraternidade e comunhão, com direitos preservados e deveres cumpridos.

Estávamos vivendo o Ano da Fé, solidificando a nossa fé na rocha firme da Palavra de Jesus Cristo, e assim a esperança, que brota da Vida Nova da Ressurreição, inflame a prática da caridade, em gestos de amor, partilha, solidariedade, perdão.

Estávamos também acolhendo e aprofundando a primeira Encíclica do Papa Francisco – “Lumen Fidei” (A Luz da Fé) ­– para que nossa fé não seja um refúgio e falta de compromissos de santidade e santificação da família e do mundo. 

Uma fé autêntica nos faz olhar para um amanhã mais esperançoso, procurando, no tempo presente, compromissos concretos para a sua viabilização.

Tendo Deus plantado em nós a semente da fé, ela se torna luminosa, incapaz de ser ocultada.

Os desafios da Pós Jornada Mundial da Juventude

Os desafios da Pós Jornada Mundial da Juventude 

“Com o ruído que se produziu a multidão acorreu e ficou perplexa, pois cada qual os ouvia falar em seu próprio idioma” (At 2, 6)

Treze anos passados, vivíamos dias memoráveis com a visita do Papa Francisco e a realização da 28ª Jornada Mundial da Juventude, cujo lema é sempre oportuno lembrar - “Ide e fazei discípulos entre as nações!”. 

Na Basílica Nacional de Aparecida, o Papa foi e é uma “Voz Viva” que o mundo parou para ouvir. Foi um grande Pentecostes, lembrando a passagem da Sagrada Escritura:

“De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e pousavam sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem” (At 2, 2-4).

Ocupando espaço na mídia televisiva, impressa, internet, pelo carisma próprio e, sobretudo, pela mensagem marcada pela simplicidade e profundidade, beleza e profecia, força e ternura.

O Papa veio como que reavivar a chama do rebanho católico, e não há dúvida que suas palavras também aqueceram o coração de quem o viu e ouviu. 

Fomos desafiados a buscar ações solidárias em favor da vida, e de modo especial em favor dos empobrecidos. Fomos exortados a uma conversão sincera a Jesus Cristo e à mensagem de Seu Evangelho.

E, de modo especial está reafirmado o compromisso da evangelização da Juventude, descobrindo métodos, caminhos para que estes sejam, de fato, uma primavera na Igreja, protagonistas preciosos no anúncio e testemunho da Boa-Nova de Jesus.

Temos que continuar o aprofundamento do que o Papa disse e deixou escrito, fazendo uma revisão do caminho feito e alargando sempre os horizontes, para que a opção pelos pobres e os jovens (desde a Conferência Episcopal Latino Americana em Puebla – 1979) seja efetiva. 

Não há alegria verdadeira se nos tornarmos indiferentes à realidade de quem sofre e precisa de uma palavra de carinho, um gesto de solidariedade.  

Como Igreja que somos, o Papa nos convidava e convida a nos deixarmos surpreender pelo Amor de Deus e a Ele correspondermos, servindo com alegria, irradiando a luz da fé, multiplicando ações que viabilizem a esperança de um novo céu e uma nova terra, colocando-nos como eternos aprendizes da linguagem do amor que nos uniu, independentemente de nação, cultura ou língua.

O Papa não somente nos ensinou, mas assim o fez, tornou-se próximo de nós, tocando o rebanho ficou com o seu cheiro, como ele já dissera no começo de seu pontificado: “os presbíteros precisam ter cheiro do rebanho”.

Continuemos sentindo a presença de Deus em nosso meio, como uma incessante e suave brisa divina, e o fogo do Espírito, que faz arder nossos corações, e assim, renovemos a graça da missão que o Senhor nos confia.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG