quinta-feira, 4 de junho de 2026

Eucaristia e comunhão fraterna (Corpus Christi)

                                                             

Eucaristia e comunhão fraterna

Reflitamos sobre a passagem da Primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1Cor 10,1-6.10-12), que muito  nos ilumina sobre a nossa participação na Eucaristia.

Uma autêntica participação na Eucaristia, exclui qualquer possibilidade de prática idolátrica.

O Apóstolo, portanto,  adverte aqueles que na comunidade que se julgarem fortes e iluminados, para que se tornem disponíveis para o serviço e, sobretudo, o amor incondicional para com os fracos e os menos iluminados.

É preciso esforços contínuos para a transformação radical da existência, recentrando a nossa vida nos valores divinos, com total adesão à vontade de Deus, sem jamais cair na prática idolátrica que nos afastaria da comunhão com Deus, escandalizando os pequeninos.

Reflitamos:

  -   Quando apenas parecemos cristãos e não o somos de fato?

  -   O que somos capazes de sacrificar por amor aos pequeninos preferidos de Deus, para não os fragilizar e escandalizá-los?

  -   O que significa a celebração dos Sacramentos em nossa vida, sobretudo o Sacramento da Eucaristia?

  -   Quais são as possíveis marcas de coerência e incoerência na vida cristã?

Partícipes da Eucaristia, jamais deixemos de multiplicar esforços para uma vida marcada pela coerência e comunhão com Deus, no que consiste o essencial da vida cristã.

Santa Missa: centro, fonte, cume e coração de nossa vida

 


Santa Missa: centro, fonte, cume e coração de nossa vida

“Se, com a ajuda da graça, nos esforçarmos, a Santa Missa será o centro para o qual convergirão todas as nossas práticas de piedade, os deveres familiares e sociais, o trabalho, o apostolado...;

converter‑se‑á também na fonte onde recuperaremos diariamente as forças para prosseguir a nossa caminhada;

no cume para o qual dirigiremos os nossos passos, as nossas obras, os nossos anseios apostólicos, os mais íntimos desejos da alma;

será também o coração onde aprenderemos a amar os outros, com os seus defeitos, parecidos aos nossos, e com as suas facetas menos agradáveis.” (1)

 

(1) Fonte: http://www.hablarcondios.org

Eucaristia: salutar Alimento (Corpus Christi)

                                                


Eucaristia: salutar Alimento

Sejamos enriquecidos pelo Tratado contra as heresias, escrito por Santo Irineu de Lião (sec. II).

“Estão inteiramente loucos aqueles que rejeitam toda a economia de Deus, ao negar a salvação da carne e desprezar o seu novo nascimento, pois dizem que ela não é capaz de ser incorruptível. Pois se a carne não se salva, então nem o Senhor nos redimiu com o seu sangue, nem o cálice da Eucaristia é comunhão com o seu Sangue, nem o pão que partimos é a comunhão com o seu Corpo. Porque o sangue não pode ter origem a não ser das veias e da carne, e de tudo o que forma a substância do homem, pelo qual, tendo o Verbo de Deus a assumido verdadeiramente, nos redimiu com seu Sangue.

Como diz o Apóstolo: N’Ele temos a redenção pelo seu sangue e a remissão dos pecados. E, como somos os seus membros, e nos alimentamos por meio das coisas criadas, Ele mesmo põe à nossa disposição a sua criação, fazendo se erguer o sol e chover como Ele quer. Porque Ele mesmo ainda confessou que o cálice, tirado da natureza criada, é seu Sangue, com o qual fortifica nosso sangue; e o pão, que também é tirado da natureza criada, declarou ser seu próprio Corpo, com o qual fortifica nossos corpos.

Em consequência, se o cálice misturado com água e o pão que foi produzido recebem a Palavra de Deus para converterem-se na Eucaristia do Sangue e do Corpo de Cristo, e mediante estes a carne de nosso ser se fortalece e se desenvolve, como eles podem negar que a carne seja capaz de receber o dom de Deus que é a vida eterna, já que se nutriu com o Sangue e o Corpo de Cristo, e se converteu em seu membro?

Quando o bem-aventurado Apóstolo escreve em sua Carta aos Efésios: Somos membros de seu corpo, de sua carne e de seus ossos, não diz isto de algum homem espiritual e invisível - pois um espírito não tem carne nem ossos -, mas daquele ser que é verdadeiro homem, que está formado por carne, ossos e nervos, o qual se nutre do Sangue do Senhor e se desenvolve com o pão de seu Corpo.

Quando um galho separado da videira é plantado na terra, apodrece, cresce e se multiplica por obra do Espírito de Deus que contém tudo.  Logo, pela sabedoria divina, torna-se útil aos homens, e recebendo a Palavra de Deus se converte na Eucaristia, que é o Corpo e o Sangue de Cristo. De modo semelhante, também nossos corpos, alimentados por esta Eucaristia e sepultados na terra, nela apodrecem para ressuscitar no tempo oportuno, quando o Verbo de Deus os fará ressuscitar para a glória de Deus Pai.

Ele é quem transforma o mortal em imortal e ao corruptível concede gratuitamente tornar-se incorruptível, pois o poder de Deus se manifesta na fraqueza.” (1)

O Tratado de Santo Irineu de Lion nos remete a Santo Inácio, que dizia que a Eucaristia "é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre".

Participantes da Mesa da Eucaristia, nos alimentamos do Corpo e Sangue do Senhor, pão e vinho transubstanciados na Oração Eucarística.

Oportuno que rezemos, aprofundemos e saboreemos em cada Missa, as riquezas dos Prefácios das Orações Eucarísticas, bem como a diversidade de Orações Eucarísticas que o Missal Romano nos oferece.

Fundamental que sejam escolhidas sempre em conformidade com a Liturgia celebrada, na estreita relação da Mesa da Palavra com a Mesa da Eucaristia, para ressoar no testemunho cotidiano. Amém.

 

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pág. 446-447

Eucaristia, amor e partilha (Corpus Christi)

                                                          

Eucaristia, amor e partilha

Na Liturgia da Palavra, da segunda Sexta-Feira da Páscoa, ouvimos a proclamação da passagem do Evangelho de São João (Jo 6, 1-15), em que narra o sinal que Jesus fez no deserto, celebrando com a multidão o Banquete da Vida, em oposição ao banquete de Herodes, o banquete da morte:

Sacrifício voraz de vidas inocentes e justas, como a vida de João Batista. No Banquete de Jesus, há credenciais exigidas para autêntica participação:

O amor de compaixão, a solidariedade, a confiança na providência de Deus, a gratidão, a bênção, e a consciência de que os bens de graça, d’Ele, recebidos devem ser generosamente partilhados.

O pão que de Deus, cotidianamente, recebemos, por Ele abençoado e por nós partilhado, ganha um novo sabor.

No Banquete da Vida de Nosso Senhor, não há como se omitir diante da dor, da fome, da miséria da existência humana: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

É possível superar esta brutal realidade que rouba a beleza do Projeto Divino. 

O Profeta Isaías já anunciara a promessa messiânica, de restauração da vida, em que Deus nos chama a comer e a beber sem paga: vinho e leite, deleite e força, alegria, revigoramento...

No Antigo Testamento vemos o Profeta Eliseu que também soube partilhar o pouco para saciar a fome de muitos (2 Rs 4,42-44).

Uma última exigência: Aprender a nova matemática de Deus: Na racionalidade da matemática humana 5+ 2 = 7, indiscutivelmente, logo os 5000 homens, sem contar mulheres e crianças, estariam condenados à fome, ao desalento...

Na racionalidade da Matemática Divina, 5 + 2 = plenitude, perfeição, tudo!

Temos tudo para saciar a fome da humanidade, pois os bens que de Deus recebemos, quando partilhados, são multiplicados.
O milagre da multiplicação dos 5 pães e 2 peixes foi um sinal do Banquete Eucarístico que celebramos.

Alimentando-nos de um pedaço de Pão e um pouco de Vinho, Corpo e Sangue do Senhor, prolongamos a celebração na vida, multiplicando gestos de compaixão, partilha, solidariedade, tornamo-nos promotores da justiça, da fraternidade, da vida e da paz.

Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir, no séc. I, num contexto de dominação e perseguição, nos exortava com sabedoria indiscutível:

“Vosso Batismo seja a vossa arma; a fé, o vosso capacete; a caridade, a vossa lança; a paciência, a vossa armadura completa. As vossas obras sejam vosso depósito para receberdes em justiça o que vos é devido”.

Quando aprendizes da matemática divina:

- Nada nos separará do Amor de Deus (Rm 8,35-39): nem a tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada...

- Intensificaremos nosso relacionamento com Deus, que é misericórdia, piedade, amor, paciência, compaixão, muito bom para com todos e pleno de ternura que abraça toda criatura (Sl 144).

-   Aprenderemos com um autor desconhecido:

Somente a água que damos de beber ao próximo poderá saciar nossa sede. Somente a roupa que doamos poderá vestir nossa nudez. Somente o doente que visitamos poderá nos curar.

Somente o pão que oferecemos ao irmão poderá nos satisfazer.
Somente a palavra que suaviza a dor poderá nos consolar.
Somente o prisioneiro que libertamos poderá nos libertar”.

Somente a partir da matemática de Deus é que teremos o sinal de um novo céu e uma nova terra, pois não é a lógica fria e irracional, mas a lógica da compaixão, amor, solidariedade e partilha que multiplica, abundantemente, em nós, todas as graças divinas.

Matemática de Deus...
Uma bela lição a aprender para que vivamos a Eucaristia como expressão de amor, acompanhado da necessária partilha. Amém. Aleluia!

PS: Oportuna para o 17º Domingo do Tempo Comum - ano B

Temos fome do Pão do céu e da Bebida da Salvação (Corpus Christi)

                                                                     

Temos fome do Pão do céu e da Bebida da Salvação

Sejamos enriquecidos pela Catequese escrita pelo Bispo São Cirilo, extraída “Das Catequeses de Jerusalém” (séc. IV), que nos fala sobre a  Eucaristia, o Pão do céu e a Bebida da Salvação.

“Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o Pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a Seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”.

Em seguida, tomando o Cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o Pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o Seu sangue?

Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de Pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o Corpo e o Sangue de Cristo, te transformas com Ele num só corpo e num só sangue. 

Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o Seu corpo e o Seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).

Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. 

Na Antiga Aliança, havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um Pão do céu e de um Cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.

Por isso, não consideres o Pão e o Vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o Corpo e o Sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. 

Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tenha a firme certeza do que a fé te ensina. Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o Corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o Sangue de Cristo.

Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse Pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém”. (1)

Vemos quão importante e necessário que participemos da Ceia do Senhor, alimentando-nos não apenas por um pedaço de pão e um pouco de vinho, mas Transubstanciados, na Celebração Eucarística, tornam-Se, verdadeiramente, Pão do Céu e Bebida de Salvação.

Participemos cada vez mais, ativa, piedosa, conscientemente das Missas de nossas Comunidades, prolongando-as, dia a dia, em sagrados compromissos com a Boa Notícia nela Proclamada, assim como do Verdadeiro Pão e Verdadeira Comida saciados.

Seja a nossa espiritualidade essencialmente Eucarística. Sejamos perseverantes, como as primeiras comunidades, na Doutrina dos Apóstolos, comunhão fraterna, fração do Pão e oração (At 2,42-45).


(1)Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p. 558-560
PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de João (Jo 6,35-40)

Em poucas palavras... (corpus Christi)

                                                        


“Da Vossa Ceia Mística...”

“E na Divina Liturgia de São João Crisóstomo os fiéis oram no mesmo espírito:

‘Da Vossa Ceia Mística fazei-me participar hoje, ó Filho de Deus. Pois não revelarei o Mistério aos Vossos inimigos, nem Vos darei o beijo de Judas. Mas, como o ladrão, clamo a Vós: lembrai-Vos de mim, Senhor, no Vosso Reino’.” (1)

 

(1) Citado no Catecismo da Igreja Católica n.1386

 


Oração para a Comunhão Espiritual (1) (Corpus Christi)

                                                      

Oração para a Comunhão Espiritual

Neste tempo de recolhimento, de isolamento social, para que juntos possamos vencer a pandemia que coloca em risco a nossa vida, as Missas não têm sido com participação presencial, e muitos não podem receber a Comunhão. 

No entanto, podem fazer a Comunhão Espiritual, revigorando a fé, para fazermos a travessia do mar, enfrentando os ventos e tempestades.

De outro lado, estamos redescobrindo o valor e a importância da Igreja Doméstica, a Família, reunida em oração, convivência, diálogo, mútua ajuda.

Entretanto, a muitos faz falta receber a Santa Comunhão, e uma forma é a Comunhão Espiritual, muito preciosa para nós, sobretudo neste momento que vivemos.  

Àqueles que não podem participar presencialmente da Santa Missa, ofereço esta Oração de Comunhão Espiritual, do Bispo Santo Afonso de Maria Ligório (séc. XVIII):

“Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-Vos sobre todas as coisas e minha alma suspira por Vós. Mas como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração.

Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me convosco inteiramente. Ah! Não permitais que torne a separar-me de Vós! Ó, sumo bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai o meu coração, a fim de que esteja abrasado em Vosso amor para sempre. Amém”.

Continuemos juntos na oração, renovando no Senhor nossa confiança:

“Provai e vede como o Senhor é bom, feliz de quem n’Ele encontra o seu refugio” (Sl 34,8).


PS: Postado em abril de 2020

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