terça-feira, 23 de setembro de 2025
domingo, 21 de setembro de 2025
Deus ouve o clamor dos empobrecidos (XXVDTCC)
Deus ouve o clamor dos empobrecidos
O Profeta Amós bradou profeticamente contra a exploração dos pobres na
defesa da justiça de Deus, que se concretiza na construção de relações justas e
fraternas (Am 8,4-12).
Denunciou com coragem e ousadia as práticas para o aumento do lucro à
custa dos empobrecidos.
Embora nosso contexto de exploração, enriquecimento e empobrecimento
seja muito diferente do citado no tempo de Amós, constatamos que esta relação,
lamentavelmente, persiste com novas expressões, às vezes mais sutis, mas não
menos insanas (preços exorbitantes de medicamentos indispensáveis, a
publicidade que gera falsas necessidades, produtos adulterados e impróprios
para o consumo, produtos que deveriam ser evitados, pois absolutamente
antiecológicos etc.).
São Basílio Magno (séc. IV) já nos acenava que toda concentração ou
desperdício gera situações de miséria e indigência. São duras e inesquecíveis
suas palavras, mas muito mais do que isto são extremamente questionadoras para
todos nós:
“Não és acaso um ladrão, tu que te apossas das
riquezas cuja gestão recebeste? ... Ao faminto pertence o pão que
conservas; ao homem nu o manto que manténs guardado; ao descalço, os sapatos
que estão estragando em tua casa; ao necessitado, o dinheiro que escondeste.
Cometes assim tantas injustiças quantos são aqueles a quem poderias dar.”
Reflitamos:
- Como lido com os
bens que tenho?
- Possuo os bens ou
são eles que me possuem e me escravizam?
- Os bens que tenho
me impedem de partilhar com alegria e desprendimento?
- Alguns têm pouco e são escravos deste pouco, outros têm muito e nunca
estão felizes, outros ainda se alegram e são felizes com o que
possuem. E eu, com qual deles me identifico?
- Como sermos hábeis e não desonestos na busca do essencial, visto que não
podemos servir a dois senhores?
Na
“Primavera Divina”, seremos julgados pela administração dos bens que o Senhor
nos confiou. Ele espera colher muitas flores e frutos do
amor e da justiça, da verdade e da paz!
Só Deus nos basta! (XXVDTCC)
Retomemos as passagens bíblicas: Ecl 1,2; 2,21-23; Col 3,1-5.9; Lc 12,13-21, que nos convidam a revermos nossa atitude diante dos bens que passam e dos bens que não passam...
É mais uma belíssima e atualíssima lição, para que sirvamos e construamos o Reino por Jesus inaugurado.
Os deuses não devem dirigir nossa vida como garantia de plena felicidade. Como homens novos, renascidos pelo Batismo, devemos procurar incansavelmente as coisas divinas que nos alcançam a felicidade que não se corrompe, e que não nos pode ser tirada.
Viver para acumulação de bens materiais tem como consequência a falência, a “loucura”, a ausência de sentido existencial.
Somente Deus dá sentido à nossa existência. Reconhecedores de nossa impotência, cremos que somente em Deus nossa vida pode ser preenchida, revelando todo esplendor e beleza que d’Ele procedem, como Sua imagem que somos.
Reflitamos:
- O que nos move no dia a dia?
- Em que empenhamos nossos esforços?
- Em que empenhamos nossos esforços?
- Qual nossa atitude frente aos bens que passam e os bens que não passam?
Precisamos rever como buscamos e nos empenhamos pelo efêmero, sem a perda do horizonte da conquista daquilo que é eterno.
Uma das mais funestas atitudes que podemos ter diante dos bens é a deificação da riqueza, ou seja, fazer “deus” aquilo que não é, no abandono do Verdadeiro Deus da Vida, que deve ser adorado acima de tudo e de todos.
O desprendimento, a conversão do egoísmo, que cega nosso coração para a solidariedade e a partilha, são imperativos divinos constantes em nossa vida.
Superar toda lógica da acumulação, da ganância e do lucro, que criem uma sociedade marcada pelo pecado da desigualdade, sofrimento, fome, privações...
Os fatos, os números, as cenas de famélicos e injustiças que testemunhamos não deixam dúvidas!
Nossas famílias não estão imunes desta conversão, pois a ânsia da ascensão social, o acúmulo, a insatisfação, o consumismo, geram seu declínio, esvaziamento, cansaço, desilusões, dependências, e consequente desmoronamento.
Temos insistido na purificação da família com a fé e a Palavra Divina, que nos dá os verdadeiros pilares e fundamentos de sua vitalidade estrutural, abrindo-se para novos horizontes de amor e partilha, fé e solidariedade, esperança e compromisso!
O Evangelho menciona o homem rico que construiu um celeiro para guardar sua riqueza acumulada, mas a morte irrompeu abruptamente, sem aviso, e nada pode levar.
Reflitamos:
- Quais são os celeiros que construímos?
- O que devemos acumular que poderemos conosco um dia levar?
- De que modo avaliamos a nossa vida?
- De que modo trabalhamos sem a perda do sentido da vida?
- O que nos preenche e nos dá alegria?
- Vivemos como criatura nova renascida pelo Batismo?
- Adoração ou deificação?
- Qual nossa relação com os bens e com o Bem Maior?
Concluo citando Santa Teresa D’Avila e Santa Teresa dos Andes, respectivamente, que inspiraram o título desta reflexão:
“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa,
Deus não muda, a paciência tudo alcança; quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta.”
“Só Deus nos basta para sermos felizes. Apalpo a cada instante o que é ser toda de Deus e parece-me que, se agora me fosse necessário passar pelo fogo para consagrar-me a Ele, não titubearia em fazê-lo, pois todos os sacrifícios desaparecem diante da felicidade de possuir a Deus só”.
Sejamos bons administradores das coisas divinas (06/11)
Sejamos bons administradores das coisas divinas
A Liturgia da Sexta-feira da 31ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 16, 1-8), e nos convida a refletir sobre a correta utilização dos bens que passam, a fim de que abracemos os que não passam.
Os bens são necessários, mas não são deuses, por isto o coração do discípulo deve ser indiviso e seduzido pelo Bem Maior – Deus!
Com habilidade os discípulos podem gerar uma nova sociedade pondo os bens a serviço de todos, numa clara postura profética contra a ambição e a acumulação
Evidentemente que não se trata de uma apologia à corrupção, de modo que considerando o contexto da Parábola de Jesus, trata-se da capacidade de renúncia de algo em favor de um bem maior.
O administrador abriu mão do lucro assegurando seu futuro na espera da gratidão de seus devedores. O que o fez injusto não foi isto, mas o que anteriormente fez e que o levou a ser despedido.
O administrador abriu mão do lucro assegurando seu futuro na espera da gratidão de seus devedores. O que o fez injusto não foi isto, mas o que anteriormente fez e que o levou a ser despedido.
Jesus nos ensina que os discípulos devem usar os bens deste mundo, não como um fim em si mesmo, mas para conseguir algo mais importante e mais duradouro, como sinais do Reino.
As riquezas jamais devem se tornar obstáculo à Salvação e a honestidade é virtude que deve perpassar em todas as nossas relações.
Muito antes, o Profeta Amós (Am 8,4-7) bradou profeticamente contra a exploração dos pobres na defesa da justiça de Deus, que se concretiza na construção de relações justas e fraternas. Denunciou com coragem e ousadia as práticas para o aumento do lucro à custa dos empobrecidos.
Embora nosso contexto de exploração, enriquecimento e empobrecimento seja muito diferente do citado no tempo de Amós, constatamos que esta relação, lamentavelmente, persiste com novas expressões, às vezes mais sutis, mas não menos insanas (preços exorbitantes de medicamentos indispensáveis, a publicidade que gera falsas necessidades, produtos adulterados e impróprios para o consumo, produtos que deveriam ser evitados, pois absolutamente antiecológicos etc.).
Também com o Apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo (Tm 2,1-8) aprendemos que a Oração feita por um coração límpido, os horizontes da fraternidade, amizade, comunhão e solidariedade geram vida e a paz.
São Basílio Magno (séc. IV) já nos acenava que toda concentração ou desperdício gera situações de miséria e indigência. São duras e inesquecíveis suas palavras, mas muito mais do que isto são extremamente questionadoras para todos nós:
“Não és acaso um ladrão, tu que te apossas das riquezas cuja gestão recebeste? ... Ao faminto pertence o pão que conservas; ao homem nu o manto que manténs guardado; ao descalço, os sapatos que estão estragando em tua casa; ao necessitado, o dinheiro que escondeste. Cometes assim tantas injustiças quantos
são aqueles a quem poderias dar.”
Reflitamos:
- Como lido com os bens que tenho?
- Possuo os bens ou são eles que me possuem e me escravizam?
- Os bens que tenho me impedem de partilhar com alegria e desprendimento?
- Alguns têm pouco e são escravos deste pouco, outros têm muito e nunca estão felizes, outros ainda se alegram e são felizes com o que possuem. E eu, com qual deles me identifico?
- Como sermos hábeis e não desonestos na busca do essencial, visto que não podemos servir a dois senhores?
- Como sermos hábeis e não desonestos na busca do essencial, visto que não podemos servir a dois senhores?
Novamente é preciso dizer que o discípulo deve ser livre de todos os bens, porque tem um Bem Maior: Deus.
Na “Primavera Divina” seremos julgados pela administração dos bens que o Senhor nos confiou. Ele espera colher muitas flores e frutos do amor e da justiça, da verdade e da paz!
PS: Oportuno para refletirmos a passagem da Carta de Paulo a Timóteo (1Tm 1,2,1-8).
“A loucura evangélica é a suprema sabedoria” (XXVDTCB)
“A loucura evangélica é a suprema sabedoria”
No 25º Domingo do Tempo Comum (ano B) proclamamos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 9, 30-37), que trata do segundo anúncio da Paixão do Senhor, que desconcerta os discípulos, porque compreendem que seguir Jesus implica em viver como Ele; tornar-se como Ele, servos de todos.
Assim nos diz o comentário do Missal:
“... A experiência deveria mostrar que a suposta loucura evangélica é a suprema sabedoria. A cobiça, a intolerância, a inveja, a submissão aos instintos humanos de posse e de domínio, sempre geraram guerras e conflitos, encobertos ou declarados, não só no mundo, mas também nas comunidades cristãs e na própria Igreja.
Os frutos da paz e da justiça amadurecem lentamente, mas com firmeza, quando cada qual, em vez de tentar dominar os outros, torna-se humilde ‘servo de todos’. As comunidades cristãs, a Igreja, ‘serva e pobre’, devem oferecer ao mundo uma imagem da cidade do Alto.” (1)
Que ao celebrar o Mistério da Eucaristia, mais uma vez, alimentados por Ela e pela Palavra proclamada, também nós, discípulos missionários, renovemos sagrados compromissos de nos tornarmos, cada vez mais, como Jesus, nosso Divino Mestre e Senhor.
Deste modo cumpriremos plenamente a Lei Divina impressa nas entranhas de nosso coração, e viveremos o duplo Mandamento do Amor a Deus e ao próximo, e para tanto supliquemos a graça divina necessária, como assim rezamos na primeira Oração da Missa, a Oração da Coleta.
(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Editora Paulus - p.1959
PS: oportuno para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 17,22-27)
O “poder-serviço” deve ser a marca do discípulo do Senhor (XXVDTCB)
O “poder-serviço” deve ser a marca do discípulo do Senhor
A Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum (Ano B) nos convida a refletir sobre as condições para o seguimento de Jesus, no acolhimento de Sua Palavra, para anunciá-La e testemunhá-La.
O discípulo de Jesus terá que discernir sempre para pautar a sua vida na “sabedoria de Deus” e não na “sabedoria do mundo”.
A passagem da primeira Leitura (Sb 2,12.17-20) aprofunda sobre a sabedoria de Deus: vivê-la implica em suportar as perseguições, num aparente caminho de fracasso, opondo-se a toda forma de idolatria, numa verdadeira adoração a Deus.
O autor sagrado do Livro mais recente do Antigo Testamento assegura que vale a pena ser justo e fiel aos valores da fé; garante que a fidelidade do justo a Deus não ficará sem recompensa.
A sabedoria de Deus deve ser vivida até a morte, por amor, em relação de serviço, unidade, caridade, verdade, construindo um mundo mais justo e fraterno.
É preciso renunciar a todo orgulho e autossuficiência, pois a vivência da sabedoria do mundo condena ao vazio, à frustração, à depressão, à escravidão e a uma felicidade ilusória, passageira.
Somente a sabedoria de Deus é garantia de uma verdadeira felicidade, realização plena, embora não garanta uma vida fácil, pois mesmo na vida daquele que a vive pode estar presente a calúnia, a perseguição, a tortura e até mesmo o martírio.
Com a passagem da segunda Leitura (Tg 3,16-4,3), refletimos sobre os perigos que destroem uma comunidade: orgulho, ambição, inveja, competição, egoísmo...
O batizado deve viver segundo os critérios de Deus, e, portanto, a necessária vigilância e conversão.
A opção pela sabedoria do mundo não é um caminho para a realização plena do homem, pois gera somente infelicidade, desordem, guerras, rivalidades, conflitos e mortes.
A opção pela sabedoria do mundo não é um caminho para a realização plena do homem, pois gera somente infelicidade, desordem, guerras, rivalidades, conflitos e mortes.
De outro lado, a sabedoria de Deus deve plenificar o nosso coração e iluminar as nossas decisões. Somente assim nossa Oração será ouvida por Deus, pois a Oração que é movida pela sabedoria do mundo não tem sentido algum.
Na passagem do Evangelho (Mc 9,30-37), Jesus mais uma vez anuncia a Sua Paixão e Morte (2º anúncio), e nos apresenta a verdadeira concepção de poder que os Seus seguidores devem possuir.
O Evangelista nos apresenta Jesus como o Filho de Deus, que oferece Sua vida como dom, por amor a humanidade. Assim também terão que fazer os Seus seguidores; precisarão ter a coragem de viver a lógica de Deus, tão oposta à lógica humana. Deverão ter coragem e disposição para embarcar com Ele na mais bela de todas as aventuras: a aventura do Reino de Deus.
Seguirão um caminho que poderá ter aparência de fracasso, mas terá como palavra última a vitória assegurada pelo Cristo Ressuscitado. A adesão ao Senhor implica em seguir o mesmo caminho que Ele percorreu, portanto o discipulado é essencialmente Pascal, precedido da Paixão e Morte.
Seguir Jesus implicará em viver o “poder-serviço”. Não haverá a busca dos primeiros lugares, mas com humildade cada um se colocar alegre e generosamente a serviço de todos, a partir dos últimos.
Esta humildade, no entanto, não consiste na virtude do medroso, covarde, medíocre, ao contrário, é preciso ter consciência de que a vida só tem beleza e sabor quando consumida e colocada a serviço do outro. Somente assim se alcança e se saboreia as delícias de uma autêntica “felicidade-doação”.
Esta humildade, no entanto, não consiste na virtude do medroso, covarde, medíocre, ao contrário, é preciso ter consciência de que a vida só tem beleza e sabor quando consumida e colocada a serviço do outro. Somente assim se alcança e se saboreia as delícias de uma autêntica “felicidade-doação”.
A criança mencionada no Evangelho representa os frágeis, os sem direitos, os pobres, os indefesos, os insignificantes, os marginalizados. São estes que devem ocupar nossas pautas, mente e coração; é esta realidade que nos incomoda e nos pede compromissos evangélicos de amor e solidariedade.
Resumindo, somos convidados a viver a sabedoria de Deus que passa pela Cruz, que possui aparência de fracasso, mas é certeza de vitória; na doação da própria vida, acolhendo as críticas, as perseguições, as incompreensões (Mt 5,1-12 – as Bem-Aventuranças), numa vida de serviço por amor, alegremente, deixando nossas atitudes e pensamentos moverem-se pelos critérios de Jesus.
Urge que a virtude da humildade se concretize na acolhida e serviço aos pequenos, que são os preferidos de Deus. E como afirmou Jon Konings – “Os humildes despertam a força do amor que dorme no coração do ser humano”.
Cuidando dos preferidos de Deus, estaremos cuidando do próprio Deus (Mt 25 – o julgamento final).
Como Igreja, Povo Eleito do Senhor, sejamos uma comunidade de serviço: serviço de unidade, caridade, verdade; aprendendo a viver a complementaridade e subsidiariedade.
Reflitamos:
- Qual sabedoria pauta nossa vida: a do mundo ou a de Deus?
- O que constrói ou destrói nossas comunidades?
- Qual a nossa alegria em embarcar na aventura do Reino de Deus?
- De que modo o poder é verdadeiramente serviço dentro e fora da Igreja?
- Quem foi eleito para qualquer cargo o exerce com doação, promovendo o bem comum, no compromisso com os últimos de nossa sociedade?
- Todos nós temos algum poder (família, escola, trabalho...). Como o exercemos?
Caminhando em frente, demos mais um passo na fidelidade ao Senhor, com renúncias necessárias, carregando cotidianamente nossa cruz, até que mereçamos a glória e o descanso eterno. Amém.
Mateus: chamado pelo Senhor para segui-Lo(21/09)
Mateus: chamado pelo Senhor para segui-Lo
“Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos e disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus” (Mt 9,9)
Ao celebrarmos a Festa de São Mateus, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9, 9-13), que nos apresenta Jesus chamando Levi (também conhecido por Mateus), para o Seu seguimento.
Reflitamos sobre o que acontece com quem tenha sido tocado e chamado pelo Senhor em algum momento de sua vida.
Não pode ficar contida, retida, aprisionada, a experiência pessoal do encontro com o Senhor, que nos chamou pelo nome, a cada um de um modo, e a cada um em uma determinada hora, envolvidos em nossas atividades, como vemos na passagem do Evangelho.
Num dos “Odes de Salomão” assim lemos:
“O Senhor deu-Se me a conhecer na Sua simplicidade, na Sua benevolência tornou pequena a Sua grandeza. Tornou-Se semelhante a mim para que eu O acolha, fez-Se semelhante a mim para que eu O revista.
Não me espantei ao vê-Lo, porque Ele é a misericórdia! Ele tomou a minha natureza para que O possa compreender, a minha figura para que não me afaste d’Ele” (1).
Retomemos estas palavras do Papa Bento XVI:
«No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus Caritas Est, 1).
Nisto consiste a vida do discípulo missionário do Senhor: tendo encontrado o Senhor, torna-se intermediário de um novo encontro para outra pessoa.
Deste modo, ter encontrado com o Senhor é ter feito a experiência do encontro com a misericórdia feito Carne.
Encontro com Alguém que Se fez próximo de nós, muito mais que possamos compreender, e quer conosco caminhar e fazer-nos discípulos missionários Seus. Ele é a proximidade de cada pessoa e a condescendência para com cada criatura.
Assim haverá de ser sempre o discipulado: encontrar e permanecer com o Divino Mestre, Jesus, deixar-se guiar, permanentemente, por Ele, para que que Ele nos conduza:
“No seguimento humilde e quotidiano do Senhor, saboreamos a Sua misericórdia e experimentamos o que é sermos chamados pela pura graça de Deus” (2).
Os primeiros discípulos deram sua resposta, agora é o nosso tempo, a oportunidade de também nos tornamos autênticas testemunhas do Messias, d’Aquele que veio ao nosso encontro.
Elevemos a Deus orações, por todos nós, para que, tendo feito este encontro com Jesus, sejamos corajosos intermediários, levando muitos ao encontro com o Senhor.
Rezemos de modo especial por todos os cristãos leigos e leigas, para que sejam no mundo um instrumento e sinal de esperança, fé e caridade, para que a luz de Deus se irradie mais forte e ilumine os cantos sombrios de nossa história, marcado ainda, pelo pecado, sofrimento, dor e tantos sinais de morte.
O Senhor nos chama, qual a nossa resposta?
(1) Lecionário Comentado – Vol. Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa 2011 – p.57
(2) Idem – p.58
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