domingo, 21 de setembro de 2025

Volte para nós Vosso olhar de compaixão, Senhor (21/09)

                                             


Volte para nós Vosso olhar de compaixão, Senhor

Ao celebrar a Festa do Apóstolo e Evangelista, São Mateus, fomos enriquecidos por uma das Homilias do Venerável Presbítero São Beda (séc. VI).

“Jesus viu um homem chamado Mateus, assentado à banca de impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me’ (Mt 9,9).

Viu-o não tanto com os olhos corporais quanto com a vista da íntima compaixão. Viu o publicano, dele se compadeceu e o escolheu. 

Disse-lhe então: 'Segue-me'. Segue, quis dizer, imita; segue, quis dizer, não tanto pelo andar dos pés, quanto pela realização dos atos. Pois quem diz que permanece em Cristo, deve andar como ele andou (1Jo 2,6).

'E levantando-se, o seguiu' (Mt 9,9). Não é de admirar que o publicano, ao primeiro chamado do Senhor, tenha abandonado os lucros terrenos de que cuidava e, desprezando a opulência, aderisse aos seguidores daquele que via não possuir riqueza alguma. Pois o próprio Senhor que o chamara exteriormente com a palavra, interiormente lhe ensinou por instinto invisível a segui-Lo, infundindo em seu espírito a luz da graça espiritual.

Com esta compreenderia que quem o afastava dos tesouros temporais podia dar-lhe nos céus os tesouros incorruptíveis. 'E aconteceu que, estando ele em casa, muitos publicanos e pecadores vieram e puseram-se à mesa com Jesus e seus discípulos' (Mt 9,10).

A conversão de um publicano deu a muitos publicanos e pecadores o exemplo da penitência e do perdão. Belo e verdadeiro prenúncio! 

Aquele que seria apóstolo e doutor dos povos, logo no primeiro encontro arrasta após si para a salvação um grupo de pecadores. 

Assim inicia o ofício de evangelizar desde os primeiros começos de sua fé aquele que viria a realizar este ofício plenamente com o merecido progresso das virtudes.

Contudo se quisermos indagar pelo sentido mais profundo deste acontecimento nós o entenderemos: a Mateus foi muito mais grato o banquete na casa do seu coração, preparado pela fé e pelo amor do que o banquete terreno que ele ofereceu ao Senhor. Atesta-o Aquele mesmo que diz: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele e ele comigo’ (Ap 3,20).

Ouvindo a sua voz, abrimos a porta para recebê-Lo, ao aceitarmos de bom grado Suas advertências secretas ou evidentes e nos pormos a realizar aquilo que compreendemos como o nosso dever. Ele entra para que ceemos, Ele conosco e nós com Ele, porque, pela graça de Seu amor, habita nos corações dos eleitos para alimentá-los sempre com a luz de Sua presença. Possam assim os eleitos cada vez mais progredir no desejo do alto, e Ele mesmo Se alimente com os desejos deles como com pratos deliciosos”.

Jesus compadeceu-se de Levi (Mateus), e o chamou para fazer d'Ele Seu discípulo. Também nós, o Senhor nos chama para segui-Lo, e nos garante Sua eterna presença, que conosco caminha, e nos comunica o Seu Espírito.

Assim como Jesus viu Mateus, não tanto com os olhos corporais quanto com a vista da íntima compaixão, também o Seu olhar se volta para nós.

Olha-nos com a “vista da íntima compaixão”. Acolhe-nos, ainda que pecadores, e por sermos pecadores, para que nos reconciliemos com Deus, numa vida nova, como é próprio da graça do Batismo que recebemos.

Em todos os momentos, sintamos o olhar de compaixão do Senhor para conosco, sobretudo nos momentos difíceis, quando a cruz for pesada demais, e seu peso parecer insuportável.

Concluamos com a Oração depois da Comunhão da Festa deste Apóstolo, que testemunhou com o martírio sua fidelidade a Jesus, na sua expressão máxima, com o seu sangue derramado.

Oremos:

Ó Deus, que na Vossa inesgotável misericórdia escolhestes o publicano Mateus para torná-lo Apóstolo, dai-nos, por sua oração e exemplo, a graça de Vos seguir e permanecer sempre convosco. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Em poucas palavras... (14/12)

                                                                 

                                                                  O juízo final

Na espera do Senhor Jesus que virá em Sua glória nos julgar a todos nós, sejamos conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12) na prática da misericórdia (Mt 25,31-46), bem como nos falou São João da Cruz:

       “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor”.

domingo, 14 de setembro de 2025

Em poucas palavras...

                                                  


“...Ó Maravilha de amor pelos homens!”

“Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isto foi para nós um dom da graça, a fim de que, participando da sua paixão através do mistério sacramental, obtenhamos na realidade a salvação.

Ó maravilha de amor pelos homens! Em Seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a Salvação.” (1)

 

(1)  Das Catequeses de Jerusalém (séc IV)

domingo, 7 de setembro de 2025

Dez características do Discípulo Missionário do Senhor Jesus (04/11)

                                                       

Dez características do
Discípulo Missionário do Senhor Jesus

1. Acolhe o Mensageiro e Sua Mensagem como amigo querido: Jesus, o Evangelho e a Cruz que nos oferece – “quem quiser me seguir...” (Lc 14, 27-34).

2. Assenta-se aos pés do Senhor para escutá-Lo e opta pelo essencial: Jesus e Sua Palavra, para fazer diferente, bem e com amor todas as coisas, num caminho de conversão e confiança no Evangelho – “convertei-vos e crede no Evangelho” - (Lucas 10,38-41).

3. Não se entrega nem mesmo na prisão e não se faz de vítima por causa das perseguições e dificuldades, mas lê tudo isto à luz dos sofrimentos de Cristo.

4. Completa em sua carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja.

5Acredita profundamente na pessoa de Jesus Cristo enquanto “esperança da glória”, ou seja, na proposta de um mundo novo, um sinal do Reino.

6. Não busca interesses particulares, mas a construção da comunidade cristã.

7. Põe todos os recursos e dons a serviço da Palavra de Deus.

8. Preocupa-se com todos, porque o Projeto de Deus – que é de liberdade e vida – se destina a todos.

9. Faz a síntese entre a ação e a contemplação – trabalho e oração – pois sabe que a ação sem a escuta da Palavra de Deus a torna vazia e uma oração sem ação é estéril e alienante.

10. Acolhe Deus na pessoa do outro, escutando-o. Confiante em Deus, pois sabe que é imensamente recompensado por Sua Infinita Bondade.

Peçamos a ajuda do Divino Espírito Santo, para que as características do discípulo missionário do Senhor Jesus estejam presentes em nós, pois Deus merece o melhor de cada um de nós, plenos de confiança que sem O Espírito e a Sua ação nada somos e nada podemos:

"Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.

Oremos: 

Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo,
fazei que apreciemos retamente todas as coisas 
segundo o mesmo Espírito
e gozemos sempre da Vossa consolação.
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém."


PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14,25-33

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

“Sejamos primeiros para os outros” (XXVDTCB)

                                                      

“Sejamos primeiros para os outros”

Para aprofundamento da Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum (ano B):

A verdadeira autoridade não está em estar acima dos outros, oprimir os outros, na afirmação de si mesmos reduzindo os outros a escravos, clientes ou aduladores; está em ‘ser primeiros para os outros’. Em colocar o que se tem de bom a serviço de todos.

Isto cria a nova grandeza evangélica, que é verdadeira grandeza, porque, se é verdade que ‘os primeiros serão os últimos’, é verdade também que ‘os últimos’ (estes últimos dos quais nos falou o Evangelho serão os primeiros (Mt  20,16)”. (1)

Parece pequena a diferença, mas na verdade é de imensa: é preciso antes “ser primeiro que os outros”, “ser primeiro para os outros”.

Quantas vezes, vemos disputas para ver quem é o melhor, quem chega primeiro, quem tem mais acesso, mais ibope... A lista é interminável.

Na verdade deve ser colocada a questão: primeiro, para dominar ou para servir melhor?

Primeiro que o outro em tudo, para enriquecimento pessoal ou para enriquecimento do outro?

A busca do primeiro que o outro só tem sentido se for movido pelo amor doação, serviço, para que todos tenham vida e vida plena.

Sejamos os primeiros a:

- nos colocar alegremente no carregar da cruz, em solidariedade com os crucificados.

- carregar nossa cruz de cada dia, com renúncias, coragem e fidelidade, testemunhando e ajudando o próximo no carregar de sua cruz, como “Cirineus”, que o mundo tanto precisa...

- promover o bem, a verdade, a justiça, a ética, os valores que, se vividos, tornam o mundo mais belo.

Sejamos os primeiros a estender a mão a quem mais precisa. Primeiro, para amar e servir. Eis a grande lição que Jesus nos dá na passagem do Evangelho (Mc 9, 30-37).


(1) O Verbo Se faz Carne - Raniero Cantalamessa - Editora   Ave Maria - 2013 - p.438

PS: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 17,22-27; Mc 9,30-37)

sábado, 14 de maio de 2011

Caminhos novos... Por que não buscá-los?

Caminhos novos... 
Por que não buscá-los?
Sol ilumina, aquece e renasce sempre.
Sol poente indispensável para sol nascente.
Se há outras possibilidades, busquemos...
Novo dia, novo amanhecer...
Novo endereço, nova possibilidade
Luz levar, alegria semear...
Com o blog a espiritualidade renovar...

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG