sábado, 19 de julho de 2025

Minha alma arde em desejos de ver a face de seu Criador

                                                                    

Minha alma arde em desejos de ver a face de seu Criador

À luz do Sermão de São Gregório Magno (séc. VI), Papa e Doutor da Igreja, sobre o Livro do Profeta Ezequiel, reflitamos sobre o sentido de uma vida ativa e contemplativa.

“A vida ativa consiste em dar pão ao faminto, ensinar a sabedoria ao ignorante, corrigir ao que erra, reconduzir o soberbo ao caminho da humildade, cuidar do enfermo, proporcionar a cada qual o que lhe convém e prover os meios de subsistência aos que nos foram confiados.

A vida contemplativa, porém, consiste, é verdade, em manter com toda a alma a caridade de Deus e do próximo, mas abstendo-se de toda atividade exterior e deixando-se invadir somente pelo desejo do Criador, de modo que já não encontre atrativo em atuar, porém, descartada qualquer outra preocupação, a alma arda em desejos de ver a face de seu Criador, até o ponto de que começa a suportar com fastio o peso da carne corruptível e aspirar com todo o dinamismo do desejo unir-se aos coros angélicos que entoam hinos, confundir-se entre os cidadãos do céu e gozar na presença de Deus da eterna incorrupção.

Um bom modelo destes dois tipos de vida foram aquelas duas mulheres, a saber, Marta e Maria, das quais uma se desdobrava para dar conta do serviço, enquanto a outra, sentada aos pés do Senhor, escutava as palavras de Sua boca.

Como Marta se queixa de que sua irmã não se preocupava de ajudá-la, o Senhor lhe contestou: 'Marta: anda inquieta e nervosa com muitas coisas; mas somente uma é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e não lhe será tirada'.

Observa que não se reprova a parte de Marta, mas se louva a de Maria. Nem se limita a dizer que Maria escolheu a boa parte, mas a parte melhor, para indicar que também a parte de Marta era boa. E porque a parte de Maria seja a melhor, o destaca na continuação, dizendo: 'E não lhe será tirada'.

De fato, a vida ativa acaba com a morte. Pois quem pode dar pão ao faminto na pátria eterna, na qual ninguém terá fome? Quem pode dar de beber ao sedento, se ninguém tem sede? Quem pode enterrar os mortos, se ninguém morre?

Portanto, enquanto que a vida ativa acaba neste mundo, a vida contemplativa, iniciada aqui, aperfeiçoa-se na pátria celestial, pois o fogo do amor que aqui começa a arder, à vista do Amado, ainda se aviva em Seu amor.

Assim, a vida contemplativa não cessará jamais, pois alcança precisamente sua perfeição ao apagar-se a luz do mundo atual”. (1)

Oremos:

Que eu não entenda Tuas palavras dirigidas a Marta, como menosprezo pelo cuidado dos que acolhemos ou convivemos, suplico-Te, Senhor.

Que não me deixe enganar pelo falso enunciado de um princípio que estabelece a hierarquia entre “ação” e “contemplação”, suplico-Te, Senhor.

Que eu reconheça e valorize a riqueza das vocações e estados da vida religiosa ativa e contemplativa, suplico-Te, Senhor.

Que eu tenha como prioridade absoluta a escuta da Palavra, recuperando o fôlego e coragem para fazer novas e com amor todas as coisas, com sabedoria fazer as renúncias necessárias, suplico-Te, Senhor.

Que eu me assente regularmente aos Teus pés, como discípulo missionário, atento à Tua Palavra, para colocá-la em prática em meio às muitas ocupações da vida, na expressão de amor e serviço ao próximo, suplico-Te, Senhor.

Que nada, absolutamente nada (cansaço, doença, preocupações...), me impeça deste acolhimento vital e necessário, servindo a Ti, como primeiro, e depois Te servir concretamente na pessoa do irmão, suplico-Te, Senhor.

Senhor, sentado aos Teus pés, como Maria, coração inflamado pelo Teu amor, que faz arder nosso coração, como fizeste também com os discípulos de Emaús, por esta Palavra nos deixemos iluminar e conduzir, até que um dia Te contemplemos, face a face, na glória de Deus Pai, na plena comunhão com Teu Espírito. Amém. (2)


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes, 2013 – pp. 679-680
(2) Fonte inspiradora da Oração: Missal Dominical – Editora Paulus – Lisboa – p.1632. 

Em poucas palavras...

                                          


 A necessária graça divina em nossas fraquezas

“O Espírito Santo confere a alguns o carisma especial de poderem curar (1Cor 12,9.28.30) para manifestar a força da graça do Ressuscitado. 

Todavia, nem as orações mais fervorosas obtêm sempre a cura de todas as doenças.

Assim, São Paulo deve aprender do Senhor que «a minha graça te basta: pois na fraqueza é que a minha força atua plenamente» (2 Cor 12, 9), e que os sofrimentos a suportar podem ter como sentido que «eu complete na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo, que é a Igreja» (Cl 1, 24).” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 1508

 

A Espiritualidade do(a) Evangelizador(a), à luz da Carta aos Colossenses

                                       

A Espiritualidade do(a) Evangelizador(a), à luz da Carta aos Colossenses

Colossas era uma pequena cidade da Ásia Menor, distante 200 km de Éfeso, e próxima a Hierápolis e Laodiceia. Paulo não a visitou pessoalmente.  As Comunidades Cristãs de Colossas, Hierápolis e Laodiceia foram fundadas por Epáfras, discípulo de Paulo, enquanto este se encontrava em Éfeso.

A Carta aos Colossenses foi escrita na prisão, provavelmente em Éfeso, entre os anos 55 e 57, talvez na mesma ocasião em que foi escrita a Carta aos Filipenses.

Paulo apresenta o retrato de discípulo de Jesus (Cl 1, 24-28). O anúncio de Jesus Cristo lhe trouxe prisões, humilhações, torturas, difamações e sofrimentos sem conta. Tudo isto fez com que ele se sentisse próximo de Jesus e de Sua Paixão: “Vou completando na minha própria carne o que falta aos sofrimentos de Cristo em favor do Seu Corpo, que é a Igreja” (v. 24). É o evangelizador que enfrenta com alegria os sofrimentos, a fim de que a comunidade Cristã seja edificada.

Paulo se apresenta como Ministro da Palavra para o bem da Comunidade. Por meio dele as Comunidades Cristãs ampliaram seus horizontes, se abrindo aos não judeus, entre os quais se encontram os cristãos de Colossas. A isso ele chama de “Mistério escondido durante os séculos e as gerações do passado, mas agora revelado o Seu povo Santo” (v. 26). Ele se tornou Ministro do Projeto de Deus que, em Jesus Cristo, fez do mundo inteiro um só povo (v. 27). Para isso dá o melhor de si a todos, sem distinção, “para fazer de todos os seres humanos cristãos perfeitos” (v. 28).

Paulo foi um batalhador do Projeto de Deus. Da Carta emergem as seguintes características do Agente de Pastoral e Liderança comprometidos (as) com o Projeto de Deus; emerge o perfil das lideranças cristãs e de todos cristãos que participam da “Eucaristia: fonte da missão e da vida solidária” (Congresso Eucarístico Nacional 2001).

- Alguém que não se entrega, nem mesmo na prisão;
- Uma pessoa que não se faz vítima por causa das perseguições e dificuldades, mas lê tudo isto à luz dos sofrimentos de Jesus Cristo;

- Alguém que acredita profundamente na pessoa de Jesus Cristo enquanto “esperança da Glória”;       
- Uma pessoa que não busca interesses particulares, mas a construção da Comunidade cristã;

Alguém que põe todos os recursos a serviço da Palavra de Deus. Uma pessoa que se preocupa com todos(as), porque o Projeto de Deus – liberdade e vida – se destina a todos(as).

Reflitamos:

Das características acima, quais você tem?
- Qual precisaria desenvolver mais no seu trabalho pastoral?

- À luz do tema do Congresso Eucarístico, o que significa a Eucaristia em sua vida?
- De que modo você tem se alimentado e se comprometido com Cristo Eucarístico em sua missão, numa autêntica vida solidária?


PS: Texto escrito no ano de 2001 quando estava em trabalho Missionário na Diocese de Ji-paraná-RO, para solidificação da espiritualidade, num amor incondicional por Jesus e Sua Igreja, para além de quaisquer dificuldades que possamos enfrentar.

Jesus Cristo, sumo-sacerdote de nossa propiciação

 


Jesus Cristo, sumo-sacerdote de nossa propiciação

“Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados” (1Jo 2,1-2).

Sejamos enriquecidos por uma das homilias escritas pelo presbítero Orígenes (Séc. III), sobre o Livro do Levítico:

“Uma vez por ano o sumo sacerdote, afastando-se do povo, entra no lugar onde estão o propiciatório, os querubins, a arca da aliança e o altar do incenso; ninguém pode entrar aí, exceto o sumo sacerdote. Mas consideremos o nosso verdadeiro sumo sacerdote, o Senhor Jesus Cristo.

Tendo assumido a natureza humana, ele estava o ano todo com o povo – aquele ano do qual Ele mesmo disse: O Senhor enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres; proclamar um ano da graça do Senhor e o dia do perdão (cf. Lc 4,18.19) – e uma só vez durante esse ano, no dia da expiação, Ele entrou no santuário, isto é, penetrou nos céus, depois de cumprir Sua missão redentora, e permanece diante do Pai, para torná-Lo propício ao gênero humano e interceder por todos os que n’Ele creem.

Conhecendo esta propiciação que reconcilia os homens com o Pai, diz o apóstolo João: Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados (1Jo 2,1-2).

Paulo lembra igualmente esta propiciação, ao falar de Cristo: Deus O destinou a ser, por Seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé (Rm 3,25). Por isso, o dia da expiação continua para nós até o fim do mundo.

Diz a palavra divina: Na presença do Senhor porá o incenso sobre o fogo, de modo que a nuvem de incenso cubra o propiciatório que está sobre a arca da aliança; assim não morrerá. Em seguida, pegará um pouco do sangue do bezerro, e com o dedo, aspergirá o lado oriental do propiciatório (cf. Lv 16,13-14).

Ensinou assim aos antigos como havia de ser celebrado o rito de propiciação, oferecido a Deus em favor dos homens. Tu, porém, que te aproximaste de Cristo, o verdadeiro sumo sacerdote que, com o Seu sangue, tornou Deus propício para contigo e te reconciliou com o Pai, não fixes tua atenção no sangue das vítimas antigas.

Procura antes conhecer o sangue do Verbo e ouve o que Ele mesmo te diz: Isto é o meu sangue, que será derramado por vós, para remissão dos pecados (cf. Mt 26,28).

Também a aspersão para o lado do oriente tem o seu significado. Do oriente nos vem a propiciação. É de lá que vem aquele homem cujo nome é Oriente e que foi constituído mediador entre Deus e os homens.

Por esse motivo és convidado a olhar sempre para o oriente, de onde nasce para ti o Sol da justiça, de onde a luz se levanta sobre ti, para que nunca andes nas trevas, nem te surpreenda nas trevas o último dia; a fim de que a noite e a escuridão da ignorância não caiam sorrateiramente sobre ti, mas vivas sempre na luz da sabedoria, no pleno dia da fé e no fulgor da caridade e da paz.” (1)

Cremos que a propiciação é  o sacrifício de Jesus Cristo que, através de Sua morte na cruz, nos alcançou o  perdão e a reconciliação entre a humanidade e Deus.

De fato, por meio de Jesus, fomos reconciliados, restaurados, para uma vida nova, que começa no dia de nosso batismo.

Seja o Tempo da Quaresma, tempo favorável para nos configuramos cada vez mais a Jesus Cristo, no mistério de Sua Paixão e Morte, para com júbilo, celebrarmos a Páscoa do Senhor.

Concluo com as palavras do Apóstolo Paulo:

- “Alegro-me nos sofrimentos que tenho suportado por vós e completo o que na minha carne falta ás tribulações de Cristo, em favor do Seu Corpo que é a Igreja” (Cl 1,24).

- “Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5).

 

 

(1) Liturgia das Horas – Volume Quaresma/Páscoa – Editora Paulus - pág. 255-256

Discurso do Santo Padre à Cúria Romana na apresentação de votos natalícios

                                                      

Discurso do Santo Padre à Cúria Romana
na apresentação de votos natalícios

“E o Verbo fez-Se homem e veio habitar conosco
(Jo 1, 14)

Alguns apontamentos, a partir do Discurso do Santo Padre ao apresentar votos natalícios à Cúria Romana, em dezembro de 2019, tendo como inspiração o versículo bíblico acima.

Depois de reconhecimento e algumas saudações, inicia a mensagem falando da oportunidade do encontro para o momento de comunhão e reforço da fraternidade enraizado no amor de Deus que Se revela no Natal.

Citando Matta el Meskin, fala-nos do nascimento de Cristo, como um testemunho mais forte e eloquente de quanto Deus amou o homem, com um amor pessoal; e por isto tomou um corpo humano, ao qual Se uniu e assumiu para sempre. Este nascimento é, em si mesmo, uma “aliança de amor”’, estipulada para sempre entre Deus e o homem.

Completa com a citação de Clemente de Alexandria – Para isto Ele (Cristo) desceu; para isto Se revestiu de humanidade; para isto sofreu voluntariamente o que padecem os homens, para que, depois de Se ter confrontado com a nossa fraqueza que amou, pudesse em troca confrontar-nos com a sua força”.

Segundo o Papa, por causa deste amor, a troca das “Boas-Festas” natalícias é igualmente ocasião para acolhermos de modo novo o seu mandamento: «Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 34-35)

Lembra o Papa que  Jesus não nos pede para O amarmos em resposta ao Seu amor por nós; mas, sim, para nos amarmos uns aos outros com o Seu próprio amor, como tão bem expressou o Santo Cardeal Newman:

– Oxalá o Natal nos encontre cada vez mais semelhantes Àquele que, neste tempo, Se tornou menino por nosso amor; que em cada novo Natal nos encontre mais simples, mais humildes, mais santos, mais caridosos, mais resignados, mais alegres, mais repletos de Deus... Este é o tempo da inocência, da pureza, da mansidão, da alegria, da paz”

Para isto, é preciso mudanças, buscando a perfeição como resultado de muitas transformações, e não se trata procurar a mudança por si mesma nem de seguir as modas, mas de ter a convicção de que o desenvolvimento e o crescimento são características da vida terrena e humana, enquanto no centro de tudo, segundo a perspectiva do crente, está a estabilidade de Deus; e a mudança implica em conversão, em transformação interior, como afirmava Newman.

Sobretudo quando vivemos um contexto de mudança de época, e não apenas época de mudanças: – “Muitas vezes acontece viver a mudança limitando-se a envergar um vestido novo e, depois, permanecer como se era antes. Lembro-me da expressão enigmática que se lê num famoso romance italiano: «Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude» (Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi de Lampedusa)”.

Retoma a questão sobre a implementação da reforma da Cúria Romana, reiterando que esta reforma nunca teve a presunção de proceder como se nada tivesse existido antes; pelo contrário, procurou-se valorizar quanto de bom se fez na complexa história da Cúria, consciente de que a tradição não é estática, mas dinâmica, como dizia G. Mahler: a tradição é a garantia do futuro e não a custódia das cinzas.

Em encontros anteriores no Natal, o Papa lembra que falou de critérios que inspiraram o trabalho da reforma; algumas novidades da organização da Cúria, como, por exemplo, a Terceira Secção da Secretaria de Estado; as relações entre a Cúria Romana e as Igrejas particulares, lembrando também a prática antiga das Visitas ad limina Apostolorum; ou a estrutura de alguns Dicastérios, nomeadamente o das Igrejas Orientais e os Dicastérios para o diálogo ecumênico e inter-religioso e, de modo especial, com o Judaísmo.

Neste encontro, o Papa se detém sobre outros Dicastérios vistos a partir do coração da reforma, ou seja, da primeira e mais importante tarefa da Igreja: a evangelização.

Em diversos parágrafos, se detém e aprofunda a necessária reforma de alguns Dicastérios da Cúria Romana: a Congregação para a Doutrina da Fé, a Congregação para a Evangelização dos Povos; mas penso também no Dicastério para a Comunicação e no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Para estas mudanças, segundo o Papa, não tem fórmulas mágicas nem atalhos; não se pode cair da tentação de retirar-se para o passado como segurança; tão pouco a atitude rigidez frente às necessárias mudanças: – “Aqui é necessário advertir contra a tentação de assumir a atitude da rigidez. Esta nasce do medo da mudança e acaba por disseminar estacas e obstáculos pelo terreno do bem comum, tornando-o um campo minado de incomunicabilidade e ódio. Lembremo-nos sempre de que, por trás de qualquer rigidez, jaz um desequilíbrio. A rigidez e o desequilíbrio nutrem-se, mutuamente, num círculo vicioso. E hoje esta tentação da rigidez tornou-se tão atual”.

Em seguida, lembra o fato de que a Cúria Romana não é um corpo separado da realidade – embora o risco esteja sempre presente –, mas deve ser concebida e vivida no hoje do caminho percorrido pelos homens e as mulheres, na lógica da mudança de época.

Ela não é um palácio ou um armário cheio de roupas, que se hão de vestir para justificar uma mudança, pois se trata de um corpo vivo, e será tanto mais quanto mais viver a integralidade do Evangelho.

Lembra as interpeladoras palavras do Cardeal Martini, em sua última entrevista dada poucos dias antes da sua morte: – “A Igreja ficou atrasada duzentos anos. Como é possível que não se alvorace? Temos medo? Medo, em vez de coragem? No entanto, a fé é o fundamento da Igreja. A fé, a confiança, a coragem. (...) Só o amor vence o cansaço”.

Entregando dois livros de presente aos participantes, finaliza com votos de Feliz Natal, reiterando que o Natal é a festa do amor de Deus por nós; e é um amor que inspira, dirige e corrige a mudança e vence o medo humano de deixar o “seguro” para se lançar no “mistério”.



sexta-feira, 18 de julho de 2025

Em poucas palavras...

                                                   


Peregrinar na esperança com a presença do Santo Espírito

         “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, me enviou para                                     evangelizar os pobres...” ( cf. Lc 4,16-21)

Não estamos sozinhos em nossa luta, nem na vida, sequer na morte (Papa Bento XVI).

Precisamos perceber e permitir a ação do Espírito de Deus em nosso meio, no “bom combate da fé” (cf. 2 Tm 4,7).

Ardentemente, desejamos que se realize o ano da Graça do Senhor, para que os pobres possam recuperar aquilo que lhes fora tirado: a vida!

Seja  nosso peregrinar na esperança viver com ardor e fidelidade a missão que o Senhor nos confia. Amém.                   

A vida está acima da Lei

                                                           

A vida está acima da Lei

Ouvimos, na sexta-feira da 15ª semana do Tempo Comum, a passagem do Evangelho (Mt 12,1-8), em que Jesus se apresenta como Filho do Homem e Senhor do sábado, e nos exorta a vivência da misericórdia que coloca a vida acima de toda lei.

Crendo no Cristo Glorioso, Ressuscitado, celebramos em cada Eucaristia o mais belo triunfo: a vitória do amor. 

A partir da Páscoa, a Lei se condensa no amor; no amor aprendido com o Amor: Jesus.

De fato, a morte não teve sua última palavra. O Amor que nos amou até o fim venceu. A vida venceu a morte, a fim de que a humanidade nunca mais fique mergulhada na escuridão.

O abismo da morte recebeu a visita do Redentor, para que fizesse triunfar a Sua missão.

A Cruz teve aparência de derrota, na perspectiva da fé é vitória. Jesus morrendo, matou em Si a morte e, nós, por Sua morte somos libertados da morte.

Assumir a cruz de cada dia é contemplar e testemunhar o Amor da Trindade ali presente: Um Deus (Pai) que é eterno Amante, fiel ao eterno Amado (Jesus) em comunhão com o eterno Amor (Espírito Santo).

Ele que fez dom de Si mesmo, num amor incondicional até o extremo: Amor misericordioso, vivido intensamente na fidelidade ao Pai, sob a ação do Espírito na defesa e promoção da vida, portadora da sacralidade divina.

Deste modo, o Apóstolo Paulo nos exorta a “Viver a Caridade, que é a plenitude da Lei”, a plenitude do Amor (Rm 13,8-10), pois quem ama cumpre plenamente a Lei, e como disse Santo Agostinho: “Ame e faça o que quiseres”.

O próprio Jesus nos disse: “ninguém tem amor maior do que Aquele que dá a vida pelos Seus amigos”  (Jo 15,13).

Quanto mais progredirmos no amor de Deus, mais humanos nos tornaremos. O caminho da humanização passa pela prática do amor, concretizada no Amor a Deus e no amor ao próximo; é o que nos disse Santo Irineu: “Deus Se fez humano para que nos tornássemos divinos…”

Somente trilhando O Caminho, acolhendo A Verdade, teremos A Vida; vida plena e abundante, nutrida e movida pela caridade, como expressão madura da liberdade.

Verdade, caridade e liberdade devem nos acompanhar em todo tempo, para que a alegria da Ressurreição celebrada no Altar possa o mundo contagiar. Eis a Boa Nova a anunciar, testemunhar…

Discípulos missionários do Senhor, aprendendo com Ele o verdadeiro Amor, amor que nos ama até o fim, vivamos.

Anunciamos e testemunhamos a Boa-Nova do Senhor: o Amor que cura, salva e liberta; amor como cumprimento alegre e rejuvenescedor de toda Lei, porque se nutre da Fonte do Amor, em cada Eucaristia, que nos revela em todo o Seu esplendor. Amém!  

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG