domingo, 31 de maio de 2026

Na Trindade vemos o Amor (Santíssima Trindade)

                                                              

Na Trindade vemos o Amor

Retomemos parte do “Tratado sobre a Santíssima Trindade”, do Bispo Santo Agostinho (séc. V).

“Nosso Senhor Jesus Cristo, ao realizar Seus milagres, como querendo dar uma lição mais sublime aos que d’Ele se admiravam, e conduzir as secretas e eternas realidades a estes espíritos atentos e como que suspenso no fascínio de Seus prodígios, lhes diz:

Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso de vossos fardos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo. Ele não disse: ‘Aprendei de mim a ressuscitar mortos de quatro dias’, mas aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.

A solidíssima humildade é mais poderosa e mais segura que os cumes soprados pelos ventos. Por isso segue e diz: E encontrareis descanso para as vossas almas.

A caridade não se ensoberbece, e Deus é caridade; e os fiéis no amor descansarão n’Ele, chamados do estrondoso exterior aos deleites interiores. Se Deus é caridade, para que andar correndo desatinados pelos cumes dos céus e das profundezas da terra em busca d’Aquele que mora em nós, se nós queremos estar junto d’Ele?

Ninguém diga: ‘Não sei o que amar’. Ame ao irmão e amará ao Amor. Conhece melhor a dileção que lhe impulsiona ao amor que ao irmão a quem ama. Eis aqui como podes conhecer melhor a Deus que ao irmão; mais conhecido porque está mais presente; mais conhecido porque é algo mais íntimo; mais conhecido porque é algo mais correto.

Abraça ao Deus Amor e abraça a Deus por amor. É o amor que nos une com vínculo de santidade a todos os anjos bons e a todos os servos de Deus; consolida-nos a eles e nos submete a Ele.

Quanto mais imunizados estejamos contra o inchaço do orgulho, mais plenos estaremos de amor. E aquele que está cheio de amor, do que está preenchido a não ser de Deus?

Porém tu dirás: ‘Vejo a caridade e a contemplo, enquanto posso, com os olhos de minha inteligência, e deposito fé à Escritura, que diz:

Deus é amor, e quem permanece no amor em Deus permanece; mas quando medito no amor, não descubro a Trindade’ Vês a Trindade se vês o Amor.” (1)

É este caminho de santidade que devemos percorrer, num mergulho constante no Mistério do Amor de Deus, crescendo a cada dia no amor a Ele, concretizado no amor ao próximo, para não nos tornarmos míopes de Deus, como bem disse o Papa Bento XVI, em sua primeira Encíclica “Deus Caritas Est”:

"O citado versículo Joanino (1Jo 4,20 ) deve, antes, ser interpretado no sentido de que o amor ao próximo é uma estrada para encontrar também a Deus, e que o fechar os olhos diante do próximo torna cegos também diante de Deus" (n.16).

Supliquemos ao Senhor que nos conceda a graça da imunização contra o “inchaço do orgulho”.

Supliquemos, também, para que sejamos cumulados do Seu Amor, para que, ao desejar abraçar ao Deus Amor, abracemos a Deus por amor, na pessoa de nosso próximo, pois somente amando o irmão estaremos amando ao Amor, somente vendo o Amor, é que veremos a Santíssima Trindade de Amor, como ele tão bem expressou:

“Vês a Trindade se vês o amor”.


(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes -  p. 169-170

A inesgotável compreensão de Deus! (Santíssima Trindade)

                                                              

A inesgotável compreensão de Deus!

Mistério encontrado, amado e conhecido, mas ainda tudo por ser, deliciosamente, encontrado, amado e conhecido!

Mistério que não cabe em minha limitada mente que me desafia ao movimento inverso: Mergulhar meus pensamentos e inquietações pessoais n’Ele, o Grande Mistério de Amor por mim.

Mistério que descoberto ainda falta tudo para descobrir.
E uma vez amado ainda há muito para amar.

Mistério que nos envolve ampliando nossa liberdade.
Que nos abraça, acalenta, reorienta, reencanta.

Mistério que se revela aos poucos, porque não somos capazes de acolher no seu todo.
Mistério que nos acompanha, ainda que não o acompanhemos e o percebamos.

Mistério que aceita minha indignação, e às vezes que em vez de declarar amor, diante Dele, permaneço mudo.
Mistério que nos desafia ao constante encontro, reencontro.

Mistério que abre novos horizontes,
Para não nos fixarmos em horizontes mesquinhos e egoístas.

Ó inesgotável compreensão de Deus!
Que nos convida sempre a dar um novo passo e um novo rumo.

Que nos propõe sempre relação de carinho e ternura,
Porque somos obras de Sua mão, amada criatura.

Ó Mistério inesgotável!
Embora algo tenha dito de Vós,
Nada, absolutamente nada, disse.

Tendo algo escrito sobre Deus,
Nada, absolutamente nada, escrevi.

Tendo descoberto algo sobre Deus,
Absolutamente nada, descobri.

Pensando no que fiz por Deus
Nada, absolutamente nada, ainda fiz.

Tendo expressado gratidão a Deus
Miseravelmente agradeci.

Tendo dado o melhor de mim para Deus...
Nada para Deus eu dei.
Mas Deus  deu tudo e muito mais para mim.

O Seu Amor por mim Revelado pelo Seu Filho, nosso Porto Seguro.
O Seu Amor por mim Comunicado pelo Seu Espírito de Amor.

O Seu Amor em mim despertado por tantos timoneiros,
De Sua Palavra portadores, fiéis mensageiros...

Nada de mim para Deus ainda.
Tudo de Deus para mim e
quanto mais o quiser.
Amém! 

A inesgotável compreensão de Deus! - continuação - (Santíssima Trindade)

                                                           

A inesgotável compreensão de Deus!

Ainda sobre a “inexaurível compreensão de Deus”, completo a reflexão com estas palavras do Bispo Santo Agostinho:

“O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma na Unidade da Santíssima Trindade…

Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo…

Pois onde está a Luz, aí também está esplendor da Luz; e onde está o Esplendor, aí também está a Sua Graça eficiente e esplendorosa…

Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito…”.

E assim reflitamos:

“O Pai é a Fonte que Se dá, eternamente, gratuitamente.
O Filho surge deste dom como a perfeita imagem do Pai.
Quanto ao Espírito, Ele, é este mesmo Movimento de amor
Que liga eternamente o Pai e o Filho”. (1)

Mergulhar no Amor Trinitário sempre!
Um amor verdadeiramente indizível.
Construir uma comunidade do Amor, incansavelmente!
Uma comunidade verdadeiramente credível!

Assim como o conhecimento de Deus é inexaurível
E Seu amor indizível, também nossa comunidade, pelo seu modo de viver, há de ser mais credível!



Santíssima Trindade: Um profundo Mistério de amor (Santíssima Trindade)

 


Santíssima Trindade: Um profundo Mistério de amor

A Santíssima Trindade é um mistério profundo, imenso e intenso de amor, e deste modo, a comunidade cristã é chamada a testemunhar este amor indizível, a fim de que se torne uma comunidade credível, a serviço do Reino de Deus, com o coração ardente e pés a caminho, edificando uma Igreja essencialmente sinodal.

Contemplamos o amor de Deus em tantos momentos na vida da Igreja, e um deles é no seu próprio nascimento, quando celebramos a Solenidade de Pentecostes, com o envio do dom do Espírito Santo para assisti-la até o fim dos tempos e até o fim do mundo.

A Igreja nasceu essencialmente missionária e assistida pelo sopro do Espírito, cumprindo-se a Palavra do Senhor de que não ficaríamos órfãos, e jamais experimentou quaisquer resquícios de orfandade, nem experimentará!

Em cada Eucaristia celebrada, a comunidade se nutre do Pão da Vida, participa do Banquete do amor, aprofunda sua relação com o Amor indizível da Trindade, concretizando em ações, para alcançar maior credibilidade.

Esta credibilidade, originalidade e autenticidade da Igreja são proporcionais à intensidade e a profundidade do amor vivido pela comunidade, com relacionamentos mais verdadeiros e fraternos, sobretudo entre os Agentes de Pastoral e todos os fiéis.

Tão somente assim, viverá o espírito missionário e não se omitirá na busca de respostas para as diversas realidades desafiadoras: desestruturação familiar, juventude, drogas, crise de valores éticos, com a consequente debilitação da prática da justiça, a destruição da nossa Casa Comum, o planeta em que habitamos.

Mais do que nunca, é preciso que mergulhemos no Mistério do amor Trinitário, e que ninguém se exclua ou se omita na participação da construção de uma comunidade Trinitária, que vive o amor e a comunhão, tornando-se verdadeiramente sinal do Reino. Aleluia!

 

Envolvidos pelo Mistério da Santíssima Trindade (Santíssima Trindade)

                                                            

Envolvidos pelo Mistério da Santíssima Trindade

Sejamos enriquecidos pelos escritos de São Gregório Nazianzeno, “o Teólogo” (séc. IV), sobre o Mistério da Santíssima Trindade.

“Antes de todas as coisas, conservai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje.

É por Ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu vo-La dou como companheira e dona de toda a vossa vida.

Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Uma nos Três, e que contém os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe...

A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em Si mesmo é Deus todo inteiro...

Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha em Seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim” (1).

Seja toda a nossa vida um mergulho no amor da Trindade Santa, como experimentamos no dia de nosso Batismo, de modo que a temos como companheira de toda a nossa vida.

Retomo a última afirmação:

“Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha em Seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim”.

Assim aconteça conosco, ao começar a pensar na Unidade: sejamos banhados em todo o Seu esplendor. Comecemos a pensar na Trindade, para que Ela tome conta de nós.

Como discípulos missionários, precisamos deixar-nos envolver pela ternura e docilidade da Santíssima Trindade, para que nossos passos sejam firmados no testemunho das virtudes divinas: fé, esperança e caridade.

Concluo com a afirmação de fé do Concílio Lateranense (séc. XIII):

“Cremos firmemente e afirmamos simplesmente que há um só verdadeiro Deus eterno, imenso e imutável, incompreensível, todo poderoso e inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: Três Pessoas, uma Essência, uma Substância ou Natureza absolutamente simples”.

  
(1) São Gregório Nazianzeno, “o Teólogo”, parágrafo do Catecismo da Igreja Católica n.256.

Santíssima Trindade, a mais perfeita comunhão! (Santíssima Trindade)

                                                            

Santíssima Trindade, a mais perfeita comunhão!

“Viste o Amor, viste a Trindade”

Celebrar a Eucaristia é sempre uma graça divina que nos é oferecida. Nesta Oração Maior, como em toda Oração, não podemos reduzir Deus aos nossos limites, mas devemos dilatar nosso coração para os horizontes de Deus. Este é o convite da Festa que celebramos.

Um Deus em três Pessoas é a mais plena e perfeita sintonia que se possa desejar e pensar, e que Se revela a nós como Mistério profundo de amor, comunhão, alegria, doação, entrega, solidariedade, comunicação, partilha...

Deus é misericórdia ilimitada, com dimensões infinitamente desproporcionais em relação ao nosso amor para com Ele; lento na cólera, rico em bondade e ternura, compassivo e clemente, fiel.  Somente assim podemos conceber a imagem de Deus como a Sagrada Escritura nos revela. 

Está sempre pronto a nos perdoar e conosco viver uma Nova e Eterna Aliança de Amor, primeiramente firmada com Moisés no Monte Sinai.

Ele está sempre nos convidando a subir a montanha para que a nós Se revele, mas só se torna possível quando nos colocamos em atitude de diálogo, comunhão e intimidade. Um encontro que de tão belo, leva-nos ao desejo de eternizá-lo, mas temos que descer a montanha, para esta amizade e encontro ao mundo anunciar e testemunhar.

Celebrar a Festa da Santíssima Trindade não é tanto para que desenvolvamos uma Doutrina sobre ela, é antes de tudo um convite a celebrarmos o Mistério central da fé cristã, um momento de rever e aprofundar nossa origem e destino, revigorar a alegria de termos sido criados à imagem e semelhança divina e convidados, desde o princípio fomos, a viver intensamente esta comunhão.

Com a Celebração temos a graça de aprofundar a missão de sermos reflexos d'Ela, vivendo sinais de comunhão, partilha e esperança, sobretudo se considerarmos que vivemos num mundo dilacerado pela discórdia, com a boa nova envelhecida do individualismo e egoísmo, fazendo morrer todo o sentido de fraternidade, fazendo definhar toda e qualquer forma de esperança.

É escrever e inserir numa fantástica e incrível história de amor, de dom total, uma belíssima e agradável aventura de amor.

Na relação Trinitária contemplamos a incomensurabilidade do Amor de Deus para conosco. É na Cruz a expressão suprema do Amor de Deus. A morte do Filho na Cruz consiste no último ato de uma vida vivida no amor, na doação e na entrega.

Bem afirmou o Bispo Santo Agostinho: “na Cruz se revela o encontro dos três amores: Deus Pai, o eterno Amante; Deus Filho, o eterno Amado; Deus Espírito, o eterno Amor”.

Deus nunca age sozinho. Em linguagem moderna e humana, acompanhada da pobreza de esgotar todo Mistério poderíamos dizer que Deus nunca age sozinho – “trabalha em equipe”. 

O Missal Dominical assim nos enriquece: “Deus é a profundeza última de nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços...

A comunidade Trinitária é verdadeiramente o valor último e supremo, o único e verdadeiro fim último do homem. Uma vez que Deus, e somente Deus, é a plenitude de toda perfeição.

A Comunidade Trinitária é verdadeiramente Mistério... O Mistério de Deus não é um mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, de dar e receber, e por isso somos o que somos...

Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início, novo como cada dia. Todo aprofundamento da ideia de Deus implica num novo nascimento.

Reflitamos:

- Ao Deus que nos propõe uma Aliança de Amor, qual é a nossa resposta?- Como estamos escrevendo a cada dia uma página nesta história de amor?

- Como somos e vivemos como família de Deus, com a divina missão de sermos reflexo da Trindade Santa?
- Como nossas famílias vivem o Amor Trinitário?

- Como superarmos as discórdias movidos e inspirados pela Comunhão Trinitária?
- Deus é comunidade de amor e vida. E nós também o somos?

Concluímos com as palavras de Santo Agostinho: “Deus é um Mistério tão inexaurível que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-Lo”, e disse ainda: Viste o Amor, viste a Trindade”.

E façamos o mesmo em relação às palavras de Santa Catarina de Sena que nos tocam a alma: “Vós, Trindade eterna, sois mar profundo, no qual quanto mais penetro, mais descubro, e quanto mais descubro, mais vos procuro”.

Que digamos juntos:
Ó Trindade Santa, sois nosso berço, 
nosso ninho e nosso destino. 
Contemplo-Vos e adoro-Vos, assim vivo o Amor.  Amém.

Santíssima Trindade: uma comunhão plena de amor (Santíssima Trindade)

                                            

Santíssima Trindade: uma comunhão plena de amor

Reflitamos sobre o inesgotável Mistério da Santíssima Trindade:

“A Trindade não é um postulado teórico da doutrina cristã, mas sim a revelação do amor do Pai, por meio do Filho, comunicado interiormente pelo Espírito Santo” (1)

Mais que compreender o Mistério, que ultrapassa as possibilidades limitadas do conhecimento, mergulhar neste mar imenso e profundo de amor:

“A contemplação do Mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, enquanto realidade do amor que se comunica, torna-se fonte e modelo de uma comunidade humana fundada em relações de acolhimento e permuta recíprocas” (2).

Como discípulos missionários, nossa espiritualidade é essencialmente Trinitária, de modo que a nossa fidelidade ao Plano de amor do Pai, somente alcançamos quando vivemos também a fidelidade ao que nos apresentou o Filho ao anunciar a Boa-Nova do Reino, assim como na fidelidade ao que nos diz o Espírito, o Esplendor da Verdade, que nos ensina e nos revela todas as coisas, para que melhor correspondamos aos desígnios divinos.

Oportunas as palavras atribuídas a  Santo Agostinho: “na Cruz se revela o encontro dos três amores: Deus Pai, o eterno Amante; Deus Filho, o eterno Amado; Deus Espírito, o eterno Amor”.

Oremos:

“Pai fiel e misericordioso,
Que nos revelastes o Mistério da Vossa vida,
Dando-nos o Filho Unigênito e o Espírito de amor,
Amparai a nossa fé e inspirai-nos sentimentos de paz e esperança,
Para que, reunidos na comunhão da Vossa Igreja,
Bendigamos o Vosso Nome glorioso e santo. Amém! (3)



(1) (2) (3) Lecionário Comentado Tempo Comum – Vol. I – Ed. Paulus – Lisboa – Portugal – 2011 - p. 860. 

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