sábado, 25 de julho de 2026
As múltiplas possibilidades de leituras...
Paciência...
Paciência...
Quantas vezes podemos nos decepcionar frente às dificuldades múltiplas e multiplicadas no tempo presente: resultados esperados não alcançados; demora de resposta; metas que parecem menos tangíveis; decepções por não ver o que se esperava de alguém ou de uma situação com a realidade de fato?
As provas são muitas, ora menores, ora maiores, ora internas próprias da condição humana, ora externas, devido aos inúmeros fatores que nos envolvem (econômicos, familiares, sociais).
E nos dizem: “é preciso ter paciência”... Paciência?
Mas como ter paciência? Como cultivá-la? O que fazer quando “sentimos que o sinal de reserva já foi dado”?
A virtude da paciência precisa andar de mãos dadas com a perseverança, apesar de todos os obstáculos que possam surgir e nos desafiar, pois a paciência é, segundo Santo Agostinho, “a virtude pela qual suportamos os males com ânimo sereno”.
Na Sagrada Escritura, encontramos inúmeras passagens que revelam a paciência de Deus conosco: é próprio do Amor de Deus não desistir jamais de nós.
Entretanto, não confundamos paciência com passividade perante o sofrimento, pois o Amor de Deus nos assegura que, se um sofrimento nos foi permitido, é para que tenhamos frutos maiores ainda, como nos diz Santo Tomás em seu comentário da Epístola aos Hebreus:
– “Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a Cruz; não Se importando com a infâmia (Hb 12,1-2)”.
O Senhor, sabedor das dificuldades, nos revela a misericórdia de Deus e nas provações nos diz: “havereis de ter aflições no mundo, mas tendes confiança, Eu venci o mundo” (Jo 16,33).
Precisamos viver a virtude da paciência em três níveis:
- Primeiro, para conosco próprios: humildade, confiança em Deus, superação das próprias limitações. São Francisco de Sales afirmava que “é necessário termos paciência com todos, mas, em primeiro lugar, conosco próprios – (“Epistolário – fragmento n.139);
- Depois, com as pessoas com quem nos relacionamos: elas também têm seus defeitos, limitações e podem estar também fazendo esforços de superação. É preciso dar um tempo, uma resposta amável para que nossas palavras cheguem ao coração destas e ainda se não chegarem, com certeza chegarão ao Coração do Senhor que não desviará Seu olhar de afeto para nós. Pode acontecer que o veneno, o problema não esteja no outro, mas bem dentro de nós;
- Finalmente, com os acontecimentos que nos contrariam: doença, pobreza, frio ou calor, contratempos, provações de muitos nomes... É preciso enfrentar tudo com ânimo, sem “explodir”, sem rancores, blasfêmias. Santificar-se também com as adversidades e em todas as circunstâncias dar graças a Deus, ficando sempre alegres e orando sem cessar, conforme falou o Apóstolo (1 Ts 5, 17).
Abrir o coração à docilidade do Espírito que nos assiste, vivendo a paciência de mãos dadas com a constância, a humildade: quando a paciência anda de mãos dadas com a humildade, acomoda-se ao ser das coisas e respeita o tempo e o momento de cada uma delas, sem precipitações, perturbações, inquietações desnecessárias porque sabe lidar com as próprias limitações, com as dos outros e com o contexto no qual nos encontramos inseridos.
É preciso ter sempre o olhar posto em Cristo e confiar em Sua presença e Palavra; manter a serenidade, e, somente cresceremos em serenidade, se a pusermos a serviço da caridade, fortalecendo a humildade, tomando consciência de nossas limitações, aprendendo a conviver com elas para superá-las.
Para finalizar, somente com uma Oração bem feita, deixando-nos modelar pela mão divina, iluminando as profundezas de nosso coração, reencontraremos a paciência que tanto desejamos e precisamos para nos relacionarmos conosco, com o outro e com o mundo que nos cerca.
Cultivemos em todo o tempo esta virtude tão necessária para que a esperança de novos tempos se torne uma realidade e novas relações de paz sejam percebidas, porque estará transbordando nosso coração de alegria, e nós, envolvidos pelo Amor de Deus, que veio morar em nosso meio e em nós, e nos foi comunicado através da Sua Encarnação, na fragilidade de uma criança.
A Encarnação de Deus naquela Criança, o Menino Jesus, que crescendo em sabedoria, tamanho e graça de Deus, é a maior expressão da paciência divina para conosco que, tendo nos amado, nos amou até o fim, passando pela morte, Ressuscitando ao terceiro dia...
Somente nos sentindo amados por Deus, renovaremos nossas forças que vêm do alto, da Divina Fonte da Paciência: A Trindade Santíssima. Amém.
Autenticidade do olhar e escuta do Senhor
Ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,16-17) que nos permite a autoavaliação sobre a qualidade do nosso olhar e da nossa escuta:
para saciar nossa sede de vida,
pois somente Vós,
a mais preciosa e inesgotável
Amém”.
Em poucas palavras...
Maria: a “linda flor mais perfumosa”
“A ilustre linhagem de Jessé produziu o rebento mais formoso, do qual surgiu a linda flor mais perfumosa.” (1)
(1)Antífona do Cântico evangélico (Magnificat), ao celebrar a Memória de São Joaquim e Sant’Ana
Nossos avós são imortais
São Joaquim e Sant’Ana, avós do Senhor, rogai por nós!
São Joaquim e Sant’Ana, avós do Senhor, rogai por nós!
No dia 26 de julho, celebraremos a Memória de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus e por isto, lembramos, sobretudo neste dia, de todos os avós vivos ou na glória de Deus. Oportuno retomar parte do Sermão do Bispo São João Damasceno (séc. VIII): “Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o mais valioso de todos os dons, isto é, a mãe pura, a única que era digna do Criador. Alegra-te, Ana estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz (Is 54,1). Rejubila-te, Joaquim, porque de tua filha nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um Filho; o nome que lhe foi dado é: Anjo do grande conselho, salvação do mundo inteiro, Deus forte (Cf. Is 9,5). Este menino é Deus. Ó casal feliz, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Sereis conhecidos pelo fruto de vossas entranhas, como disse o Senhor certa vez: Vós os conhecereis pelos seus frutos (Mt 7,16).” Ontem, hoje e sempre precisamos de nossos avós, que impulsionados por uma fé indefectível em Deus, cultivem no coração dos que lhes foram confiados, de modo especial, filhos e netos, a fina flor da esperança, que exala odores maravilhosos de amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente, cumprindo assim, plenamente, a Lei que nos foi dada: amor a Deus e ao próximo. Fundamental que, se nossos avós estiverem ao nosso lado, expressemos no carinho, compreensão e atenção; caso estejam na glória, oremos por eles, pois com eles estamos unidos pela comunhão dos Santos, como nos ensina a Igreja.
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV PARA O VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS (síntese) (2026)
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
PARA O VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS
(síntese)
“Eu nunca te esquecerei” (Is 49, 15)
A Mensagem para o VI Dia
Mundial dos Avós e dos Idosos (2026), do Papa Leão XIV tem como lema a passagem
do Livro do Profeta Isaías – “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15).
O Papa ressalta a
experiência do povo de Deus que pode contar sempre com a ternura e bondade
divinas, que jamais o esquece, renovando a consolação e a confiança na Sua providência.
Com isso, alerta para a
dolorosa sensação de ser esquecida vivida por muitas pessoas, especialmente
pelos idosos.
Ao longo da Mensagem, há
exortações para multiplicarmos gestos de acolhida, atenção e ternura para com
os idosos, avôs e avós, tanto na família como em outros espaços, como nos asilos
onde a singularidade de cada pessoa corre o risco de ser reduzido ao número da
sua cama ou à sua patologia.
Dessa forma, a celebração
do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para redescobrir que a
Igreja é chamada a ser mãe de todos e que é sempre possível, em qualquer idade,
descobrir-se filhos e filhas de Deus.
O Papa também nos alerta
para a cultura digital que multiplica as conexões e oferece novas
possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma
necessidade inalienável de proximidade (Carta enc. Magnifica humanitas,
239), daí a importância da proximidade exortada.
Citando Santo Agostinho,
recorda que, neste novo caminho de atenção e solicitude para com os idosos,
pode-se reconhecer Deus aquele que «é
mãe porque aquece, porque alimenta, porque amamenta, porque protege» (Comentário
ao Salmo 26, II, 18).
Recorda as palavras do Papa
Francisco que se referiu aos idosos como um “novo povo” (Catequese,
23 de fevereiro de 2022), uma vez que o número de pessoas de idade avançada
nunca foi tão elevado na história da humanidade. Nela, a fragilidade se faz
presente e não pode ser causa de medo.
Trata-se de viver este
tempo como tempo de renascimento na velhice (Jo 3,4-6), assumindo juntos
compromissos renovados para a superação da violência bélica e social,
assegurando um futuro onde possam crescer os próprios netos.
A Mensagem
termina agradecendo pelas orações dirigidas a ele, especialmente no terço, e retribui pedindo que o Senhor renove
a todos na fé, na esperança e na caridade, na certeza de que Deus nunca se
esquece de nós.







