sábado, 25 de julho de 2026

As múltiplas possibilidades de leituras...

                                               

As múltiplas possibilidades de leituras...

“... como um sábio garimpeiro, sair
à procura de pérolas para tornar mais bela a vida...”

Quando temos um livro em mãos, quando temos páginas escritas na tela do computador, temos sempre muito mais do que isso...

É como que se nos convidassem: Veja-me! Leia-me! Decifra-me! Acalenta tua alma! Troquemos conhecimentos, cumulando saberes que se trocados multiplicam! Estabeleçamos vínculos!

Temos a possibilidade de nos colocarmos diante do próprio autor, numa conversa edificante ou não, dependendo do seu conteúdo.

Os textos postados neste blog são reflexões, poesias, poemas, Homilias, provocações para a elevação da alma, para que o leitor anseie buscar cada vez mais as coisas do alto, onde Deus habita.

Escritos que têm como fonte inspiradora a Sagrada Escritura, Documentos e riquezas deixadas pelos Santos/as da Igreja, acompanhados de reflexões pessoais do autor: ora questionando a existência e o compromisso da fé dentro dos espaços internos da própria Igreja, ora abrindo para o inadiável e indispensável compromisso e presença no mundo, resplandecendo raios da luz divina.

Caberá ao leitor confirmar ou não o que se disse, corroborando o que um livro/escritos pode trazer à alma de quem o ler, e também daquele que o fecunda silenciosamente e com muito amor, como procuro fazer, não obstante as limitações próprias de conhecimento, de experiência ou de tempo.

Assim há múltiplas possibilidades: uma leitura panorâmica, como que num voo rasante; ou mergulhando em cada linha, palavra, parágrafo, texto; parando e refletindo diante do que mais possa lhe tocar e enriquecer. Ou ainda, como um sábio garimpeiro, que sai à procura de pérolas para tornar mais bela a vida.

Atrás de cada “post” há um homem que sonha, pensa, sente...; um homem que se inquieta e busca caminhos para uma Igreja mais comunhão, mais instrumento do Reino de Deus na construção de um mundo justo e fraterno.

Paciência...

                                                     

Paciência...
 
Quantas vezes podemos nos decepcionar frente às dificuldades múltiplas e multiplicadas no tempo presente: resultados esperados não alcançados; demora de resposta; metas que parecem menos tangíveis; decepções por não ver o que se esperava de alguém ou de uma situação com a realidade de fato?
 
As provas são muitas, ora menores, ora maiores, ora internas próprias da condição humana, ora externas, devido aos inúmeros fatores que nos envolvem (econômicos, familiares, sociais).
 
E nos dizem: “é preciso ter paciência”... Paciência? 

Mas como ter paciência? Como cultivá-la? O que fazer quando “sentimos que o sinal de reserva já foi dado”?
 
A virtude da paciência precisa andar de mãos dadas com a perseverança, apesar de todos os obstáculos que possam surgir e nos desafiar, pois a paciência é, segundo Santo Agostinho, “a virtude pela qual suportamos os males com ânimo sereno”.
 
Na Sagrada Escritura, encontramos inúmeras passagens que revelam a paciência de Deus conosco: é próprio do Amor de Deus não desistir jamais de nós.
 
Entretanto, não confundamos paciência com passividade perante o sofrimento, pois o Amor de Deus nos assegura que, se um sofrimento nos foi permitido, é para que tenhamos frutos maiores ainda, como nos diz Santo Tomás em seu comentário da Epístola aos Hebreus:
 
– “Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a Cruz; não Se importando com a infâmia (Hb 12,1-2)”.
 
O Senhor, sabedor das dificuldades, nos revela a misericórdia de Deus e nas provações nos diz: “havereis de ter aflições no mundo, mas tendes confiança, Eu venci o mundo” (Jo 16,33).
 
Precisamos viver a virtude da paciência em três níveis:
 
- Primeiro, para conosco próprios: humildade, confiança em Deus, superação das próprias limitações. São Francisco de Sales afirmava que “é necessário termos paciência com todos, mas, em primeiro lugar, conosco próprios – (“Epistolário – fragmento n.139);
 
- Depois, com as pessoas com quem nos relacionamos: elas também têm seus defeitos, limitações e podem estar também fazendo esforços de superação. É preciso dar um tempo, uma resposta amável para que nossas palavras cheguem ao coração destas e ainda se não chegarem, com certeza chegarão ao Coração do Senhor que não desviará Seu olhar de afeto para nós. Pode acontecer que o veneno, o problema não esteja no outro, mas bem dentro de nós;
 
- Finalmente, com os acontecimentos que nos contrariam: doença, pobreza, frio ou calor, contratempos, provações de muitos nomes... É preciso enfrentar tudo com ânimo, sem “explodir”, sem rancores, blasfêmias. Santificar-se também com as adversidades e em todas as circunstâncias dar graças a Deus, ficando sempre alegres e orando sem cessar, conforme falou o Apóstolo (1 Ts 5, 17).
 
Abrir o coração à docilidade do Espírito que nos assiste, vivendo a paciência de mãos dadas com a constância, a humildade: quando a paciência anda de mãos dadas com a humildade, acomoda-se ao ser das coisas e respeita o tempo e o momento de cada uma delas, sem precipitações, perturbações, inquietações desnecessárias porque sabe lidar com as próprias limitações, com as dos outros e com o contexto no qual nos encontramos inseridos.
 
É preciso ter sempre o olhar posto em Cristo e confiar em Sua presença e Palavra; manter a serenidade, e, somente cresceremos em serenidade, se a pusermos a serviço da caridade, fortalecendo a humildade, tomando consciência de nossas limitações, aprendendo a conviver com elas para superá-las.
 
Para finalizar, somente com uma Oração bem feita, deixando-nos modelar pela mão divina, iluminando as profundezas de nosso coração, reencontraremos a paciência que tanto desejamos e precisamos para nos relacionarmos conosco, com o outro e com o mundo que nos cerca.
 
Cultivemos em todo o tempo esta virtude tão necessária para que a esperança de novos tempos se torne uma realidade e novas relações de paz sejam percebidas, porque estará transbordando nosso coração de alegria, e nós, envolvidos pelo Amor de Deus, que veio morar em nosso meio e em nós, e nos foi comunicado através da Sua Encarnação, na fragilidade de uma criança.
 
A Encarnação de Deus naquela Criança, o Menino Jesus, que crescendo em sabedoria, tamanho e graça de Deus, é a maior expressão da paciência divina para conosco que, tendo nos amado, nos amou até o fim, passando pela morte, Ressuscitando ao terceiro dia...
 
Somente nos sentindo amados por Deus, renovaremos nossas forças que vêm do alto, da Divina Fonte da Paciência: A Trindade Santíssima. Amém.

Autenticidade do olhar e escuta do Senhor

                                                                   

Autenticidade do olhar e escuta do Senhor

O escutar é abertura do coração a Deus.

Celebramos no dia 26 de julho a memória de São Joaquim e Santa Ana, avós maternos de Jesus, pais de Maria, Sua Mãe e nossa.

Ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,16-17) que nos permite a autoavaliação sobre a qualidade do nosso olhar e da nossa escuta:

Não basta escutar, como não basta ver, se o coração permanece endurecido, isto é, obstinado nas suas convicções, incapaz de acolher até o ao fim e deixar-se impressionar pela Palavra de Jesus”.

Jesus com Sua palavra e ação tudo fez para curar aqueles que se voltaram para Ele, desde que se pusessem numa autêntica postura de escuta que levaria necessariamente à conversão.

Se a Sua Palavra for escutada e acolhida com abertura, sinceridade e humildade, transforma a vida de quem a ouve.

O escutar é abertura do coração a Deus. Segundo Santo Agostinho, é preciso que se escute a Sua Palavra, fazendo crescer a nossa fé, e pela fé, na paciência esperar, e esperando, amar e amar até o fim, no desembocar da eternidade

Ontem, hoje e sempre, o Senhor Jesus está sempre pronto a atuar no terreno por vezes obscurecido de nosso coração, irradiando Sua luz. Pronto para nele atuar, ainda que muitas vezes endurecido pelo rancor e ressentimento, para transformá-lo com Sua ternura, misericórdia e bondade.

Encontra-se o nosso coração por vezes frio pelas respostas de desamor recebidas, gelidez de relacionamentos que não se transformaram em relacionamentos desejáveis, sinceros, maduros e fraternos.

O Senhor atua em nosso coração, que fica hermético pelo medo, cansaço, decepção, fuga, isolamento, sofrível solidão, e rompendo todas as amarras e correntes, nos liberta para novas e sinceras amizades, convivências, para nos inserir com o outro na mais bela harmonia do Deus Uno e Trino, Santíssima Trindade, Amor e Comunhão.

Ainda que encontre o nosso coração cheio de espinhos que impedem a acolhida frutuosa de Sua Palavra, ainda assim não desiste de nós: é próprio do Amor de Deus não desistir de nós, porque por Amor nos criou, e por Amor nos redimiu.

Oremos:

“Curai, Senhor, nossa surdez 
para uma escuta mais autêntica,
Para vivermos com toda docilidade e fidelidade
a Vossa Santa Aliança.

Que não vagueemos a procura de cisternas enganadoras 
para saciar nossa sede de vida, 
pois somente Vós, 
a mais preciosa e inesgotável
Divina Fonte de Amor, vida e paz sois. 
Amém”.

Em poucas palavras...

                                                   


Maria: a “linda flor mais perfumosa”

 “A ilustre linhagem de Jessé produziu o rebento mais formoso, do qual surgiu a linda flor mais perfumosa.”  (1)

 

(1)Antífona do Cântico evangélico (Magnificat), ao celebrar a Memória de São Joaquim e Sant’Ana


Nossos avós são imortais

                                                      

Nossos avós são imortais

Em tempos passados, bem distantes,
Avôs e avós, referências de histórias bem vividas;
Princípios e valores transmitidos a filhos e netos.

Em tempos passados, nem tão distantes,
Pela necessidade, vivem nova maternidade e paternidade,
por possíveis ausências de pai e mãe.

Em tempos presentes, bem próximos,
Continuam escrevendo suas histórias bem vividas,
Mesma missão de princípios e valores transmitir.

Em tempos presentes, que se eternizarão,
Serão sempre meigas e amáveis presenças,
Nas quais encontramos um porto seguro.

Seja passado distante ou não;
Seja presente próximo, eternizado,
Sempre terão nosso apreço, carinho e consideração.

No próximo Dia dos Avós celebremos.
Contemplemos São Joaquim e Santa Ana,
Pais de Maria, a Mãe de Nosso Senhor.

De “Joaquins” e “Anas”, ontem, hoje e sempre, precisaremos;
Avôs e avós que nos apontem o bom caminho;
Que nos encorajem para que não sintamos sozinhos.

Avôs e avós já na glória da eternidade,
Ou entre nós partilhando nossas alegrias e tristezas,
Animando-nos nas angústias, reavivando nossa esperança.

Hoje, pelos que vivem entre nós, perto ou longe,
Escutem de nossos lábios palavras de reconhecimento;
Sintam nossa presença com gestos ternos de agradecimento.

Hoje, pelos que não vivem mais entre nós,
E, ao mesmo tempo, tão perto, na comunhão dos santos,
Uma súplica: dai-lhes Senhor, o descanso a paz e a luz eterna. Amém.

São Joaquim e Sant’Ana, avós do Senhor, rogai por nós!

                                             


São Joaquim e Sant’Ana, avós do Senhor, rogai por nós!

No dia 26 de julho, celebraremos a Memória de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus e por isto, lembramos, sobretudo neste dia, de todos os avós vivos ou na glória de Deus.
 
Oportuno retomar parte do Sermão do Bispo São João Damasceno (séc. VIII):
 
“Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o mais valioso de todos os dons, isto é, a mãe pura, a única que era digna do Criador.  Alegra-te, Ana estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz (Is 54,1). Rejubila-te, Joaquim, porque de tua filha nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um Filho; o nome que lhe foi dado é: Anjo do grande conselho, salvação do mundo inteiro, Deus forte (Cf. Is 9,5). Este menino é Deus. Ó casal feliz, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Sereis conhecidos pelo fruto de vossas entranhas, como disse o Senhor certa vez: Vós os conhecereis pelos seus frutos (Mt 7,16).”
 
Ontem, hoje e sempre precisamos de nossos avós, que impulsionados por uma fé indefectível em Deus, cultivem no coração dos que lhes foram confiados, de modo especial, filhos e netos, a fina flor da esperança, que exala odores maravilhosos de amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente, cumprindo assim, plenamente, a Lei que nos foi dada: amor a Deus e ao próximo.
 
Fundamental que, se nossos avós estiverem ao nosso lado, expressemos no carinho, compreensão e atenção; caso estejam na glória, oremos por eles, pois com eles estamos unidos pela comunhão dos Santos, como nos ensina a Igreja.
 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV PARA O VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS (síntese) (2026)

 


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
PARA O VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS  (síntese)

“Eu nunca te esquecerei” (Is 49, 15)

A Mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos (2026), do Papa Leão XIV tem como lema a passagem do Livro do Profeta Isaías – “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15).

O Papa ressalta a experiência do povo de Deus que pode contar sempre com a ternura e bondade divinas, que jamais o esquece, renovando a consolação e a confiança na Sua providência.

Com isso, alerta para a dolorosa sensação de ser esquecida vivida por muitas pessoas, especialmente pelos idosos.

Ao longo da Mensagem, há exortações para multiplicarmos gestos de acolhida, atenção e ternura para com os idosos, avôs e avós, tanto na família como em outros espaços, como nos asilos onde a singularidade de cada pessoa corre o risco de ser reduzido ao número da sua cama ou à sua patologia.

Dessa forma, a celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para redescobrir que a Igreja é chamada a ser mãe de todos e que é sempre possível, em qualquer idade, descobrir-se filhos e filhas de Deus.

O Papa também nos alerta para a cultura digital que multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade (Carta enc. Magnifica humanitas, 239), daí a importância da proximidade exortada.

Citando Santo Agostinho, recorda que, neste novo caminho de atenção e solicitude para com os idosos, pode-se reconhecer Deus aquele que  «é mãe porque aquece, porque alimenta, porque amamenta, porque protege» (Comentário ao Salmo 26, II, 18).

Recorda as palavras do Papa Francisco que se referiu aos idosos como um “novo povo” (Catequese, 23 de fevereiro de 2022), uma vez que o número de pessoas de idade avançada nunca foi tão elevado na história da humanidade. Nela, a fragilidade se faz presente e não pode ser causa de medo.

Trata-se de viver este tempo como tempo de renascimento na velhice (Jo 3,4-6), assumindo juntos compromissos renovados para a superação da violência bélica e social, assegurando um futuro onde possam crescer os próprios netos.

A Mensagem termina agradecendo pelas orações dirigidas a ele, especialmente no  terço, e retribui pedindo que o Senhor renove a todos na fé, na esperança e na caridade, na certeza de que Deus nunca se esquece de nós.

 

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