sexta-feira, 3 de abril de 2026

Em poucas palavras...

                                                     



Celebremos e vivamos O Mistério da Semana Santa

 

Somos discípulos missionários do Senhor, do Servo Sofredor e vencedor, porque o Pai O Ressuscitou, e em Seu nome, nos enviou o Seu Espírito: acreditemos, contemplemos e imitemos a Paixão do Senhor, morrendo com Ele, para com Ele também ressuscitarmos.

 

 

A Crudelíssima Morte ou a Pleníssima Vida! (I)

                                                             

A Crudelíssima Morte ou a Pleníssima Vida!

Contemplemos o Amor de Jesus, Sua humanidade, Sua divindade, Sua entrega por Amor na Cruz, Sua crudelíssima Morte na Cruz por causa de nossa infidelidade, crueldade, pecado…

Vejamos o que nos disse o Papa Bento XVI, quando ainda Cardeal Joseph Ratzinger, de nossa responsabilidade diante da morte de Jesus, do Deus Homem, Homem Deus:

“Deus morreu e nós O trespassamos. Nós O matamos encerrando-O no invólucro deteriorado das ideias rotineiras, exilando-O em forma de piedade sem conteúdo ou em preciosismos arqueológicos; matamo-Lo pela ambiguidade da nossa vida que lançou um véu obscuro sobre Ele”.

Dito de outra forma: Deus morreu e nós O matamos.
Quando?

Quando O fechamos no revestimento apodrecido das ideias superficiais, nos pensamentos sem densidade de conteúdo evangélico, desacompanhado do germe do novo, mas de braços dados com a falta de sinceros e vitais compromissos éticos…

Assim como disse o Papa:

“O encerramos no invólucro deteriorado das idéias rotineiras”
Quando não nos deixamos transformar por Sua Palavra, tão lida, ouvida e conhecida e tão pouco vivida… Para além do conhecimento e acesso, a Palavra deve ser vivida…

“O exilamos em forma de piedade sem conteúdo”.
Quando lançamos Deus para fora de nossa existência, quando nossa vida de oração fica a desejar, ou ainda, quando expressa é em tantas horas e momentos, mas sem conteúdo de vida, sem testemunho. Belas liturgias, como há de ser sempre, mas sem belas ressonâncias na vida, para que se tornem mais belas, mais bonitas também…

Matamos Deus pelos preciosismos arqueológicos, sofisticados estudos que não levam a novos renascimentos, ao compromisso com o Reino.

Quando se procura conhecer o Homem Jesus no Seu tempo, sem a acolhida da Boa Nova de Seu Evangelho que transcende todo tempo – Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre!

Matamos Jesus pela ambiguidade de nossa vida, percebida tristemente na incoerência do que se crê e do que se vive; incoerência entre propósitos e atitudes; divórcio e distanciamento da fé professada e da fé vivida.

Matamos Jesus quando:

- perdemos a característica própria do fermento que somos na massa. Não mais levedamos o mundo com o fermento do amor;

- deixamos de ser sal, deixamos de dar o sabor de Deus à vida, porque somos muitas vezes seduzidos por outros sabores que a vida nos oferece;

- empanturramos com o pão que passa, empanzinados pelo consumo materialista que não nos satisfaz, porque preterimos o Pão da Vida, desprezando-O ou menosprezando Sua força que nutre toda a nossa vida;

- lançamos véu obscuro sobre Ele. Pode ser que não vejam em nós, Cristo e Sua luz, porque deixamos morrer a luz que no Batismo foi acesa. Apaga-se a luz quando perdemos a esperança, quando não revitalizamos a fé, não mantemos acesa a chama da caridade.

Estamos na Semana Santa, a Semana Maior e é tempo de novas posturas, novos e salutares compromissos com a Boa Nova do Senhor.

Não entremos no cortejo dos que promovem a crudelíssima morte de Jesus.

Procuremos dar nossa resposta de amor ao Deus de Amor, assumindo nossa cruz, diremos um sim ao Amor autêntico.

Não vivamos promovendo crudelíssima morte de Jesus, e tudo que temos que fazer é multiplicar esforços para que Ele não morra mais em cada criança famélica, abandonada, desassistida, vítima da prática abortista, assim como em outras inúmeras situações...

Sejamos, portanto, atraídos por Ele, tenhamos a coragem de ser como grão de trigo que morre ao cair na terra, para não ficar só e produzir muitos frutos.

Chorar a crudelíssima morte de Jesus ou fazer da mesma, compromisso com a sacralidade da Vida, em sinais e gestos Pascais.

Depende de cada um de nós:
A Crudelíssima Morte ou a Pleníssima Vida como
Ele nos propôs! 
Amém.

A crudelíssima morte ou a pleníssima vida! (II)

                                                       


A crudelíssima morte ou a pleníssima vida! 

Na Semana Santa, contemplando os Evangelhos, refletimos sobre a Hora na qual Jesus Se prepara para ser glorificado, não fugindo da cruz, onde testemunhará, com Sua entrega, a expressão máxima do amor de Deus.

Chegando a Hora, como ainda não o era nas Bodas de Caná, com Seu Sangue derramado, sela a Nova e Eterna Aliança de Amor de Deus com a humanidade…

Do Coração trespassado jorra a tinta do Amor: Seu Sangue, para escrever no coração da humanidade esta Aliança irrevogável, esta reconciliação tão desejada.

A Hora de Jesus possibilita-nos eternizar nossa vida, concede-nos força para a hora presente, leva-nos a alcançar a Hora da eternidade do Amor Divino.

Ressoa em nosso coração Suas próprias palavras, em que transborda toda Sua humanidade dizendo – “Agora sinto-Me angustiado...” (Jo 12,27), e a Carta aos Hebreus (Hb 5,7-8)  – “Cristo, nos dias de Sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas Àquele que era capaz de salvá-Lo da morte. E foi atendido, por causa de Sua entrega a Deus. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus, por aquilo que sofreu” .

Contemplemos Jesus, verdadeiramente homem, verdadeiramente Deus!

O Papa São Leão Magno (séc V), assim se referiu a Jesus:
“Como poderá ficar fora da comunhão com Cristo, quem recebe Aquele que assumiu a sua própria natureza e é regenerado pelo mesmo Espírito, por obra do qual nasceu Jesus?

Quem não reconhece n'Ele as fraquezas próprias da condição humana? Quem não vê que alimentar-se, buscar o repouso do sono, sofrer angústia e tristeza, derramar lágrimas de compaixão, eram próprios da condição de servo?” (Lit. Horas p. 281 – Vol.II).

Nossas horas terão densidade de vida, sentido, esplendor… se assumirmos a grande Hora de Jesus, na radicalidade da proposta, de tomar nossa cruz de cada dia para segui-Lo.

Em empenho sincero com a vida, com a realização do Reino, superando todo e qualquer sinal de morte que nos cerque: analfabetismo, fome, nudez, violência, conflitos étnicos, gastos com armas, exploração de toda forma, destruição do meio ambiente, enfermidades...

Vivendo cada hora até a hora de nossa morte, 
quando pelo mérito da Hora de Jesus, 
poderemos adentrar na eternidade, 
vivendo intensamente e eternamente a Hora de Deus, contemplando-O, 
ao lado da Rainha dos céus, 
dos Seus Santos, Santas 
e Anjos! 
Amém.

Os Sofrimentos de Cristo, os sofrimentos do cristão...

                                                               


Os Sofrimentos de Cristo, os sofrimentos do cristão...

"Procuro completar na minha carne 
o que falta das tribulações de Cristo" (Cl 1,24).

O Comentário do Bispo Santo Agostinho  (séc. V), nos ajuda na compreensão dos sofrimentos do cristão e os sofrimentos de Cristo.

“Jesus Cristo é um só Homem, com Sua cabeça e Seu corpo: Salvador do corpo e membros do corpo são dois numa só carne, numa só voz, numa só Paixão; e quando passar o tempo da iniquidade, num só descanso.

Por isso, os Sofrimentos de Cristo não são apenas de Cristo, ou melhor, os Sofrimentos de Cristo não são senão de Cristo. Se pensas em Cristo como cabeça e corpo, os Sofrimentos de Cristo são apenas de Cristo; se, porém, pensas em Cristo só como cabeça, os Sofrimentos de Cristo não são apenas de Cristo.

Com efeito, se os Sofrimentos de Cristo só atingem a Cristo, isto é, apenas a cabeça, como pode dizer um de Seus membros, o Apóstolo Paulo: Procuro completar na minha carne o que falta das tribulações de Cristo? (Cl 1,24).

Se, pois, és membro de Cristo – quem quer que sejas tu que ouves estas palavras, ou mesmo que não as ouça (no entanto ouves se és membro de Cristo) – tudo quanto sofreres por parte daqueles que não são membros de Cristo, é o que faltava às tribulações de Cristo.

Por isso se diz que faltava. Tu vens encher a medida, mas não a fazes transbordar. Tu sofres apenas o que faltava da tua parte na Paixão total de Cristo, que sofreu como nossa cabeça e sofre ainda em Seus membros, quer dizer em nós mesmos.

Assim como numa sociedade civil, ou 'república', cada um paga conforme as suas posses o que lhe compete, também cada um de nós contribui para esta comunidade, na medida de suas possibilidades, com uma espécie de quota de sofrimentos.

A liquidação total dos sofrimentos de todos só se dará quando chegar o fim do mundo. Portanto, irmãos, não julgueis que todos os justos que sofreram perseguições dos iníquos, mesmo aqueles que foram enviados antes da vinda do Senhor para anunciar Sua chegada, não pertenciam aos membros de Cristo.

Longe de vós pensar que não pertença aos membros de Cristo quem faz parte da cidade que tem Cristo como Rei. Pois toda esta cidade fala, desde o sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias.

E a partir de então, desde o sangue de João Batista, é uma só cidade que fala através do sangue dos Apóstolos, do sangue dos mártires, do sangue dos fiéis em Cristo”. 

Deixemos ressoar estas afirmações:

- “Tu sofres apenas o que faltava da tua parte na Paixão total de Cristo, que sofreu como nossa cabeça e sofre ainda em Seus membros, quer dizer em nós mesmos”;

- “A liquidação total dos sofrimentos de todos só se dará quando chegar o fim do mundo.”

Somos remetidos às palavras do Apóstolo Paulo:

“Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por Seu corpo que é a Igreja”  (Cl 1,24).

Sofrimentos...
Ainda que não gostemos, eles existem!
Sofrimentos, quem não os têm?
Sofrimentos, quem deles está imune?
Sofrimentos, como assumi-los?

Façamos uma súplica por todos os que sofrem:

Que o Espírito Santo,  o Paráclito, 
o Advogado, Defensor, o Consolador 
venha sempre ao nosso encontro e, 
de modo especial, de todos os que sofrem...
Vinde Espírito Santo enchei os corações
dos Vossos fiéis...

PS: Liturgia das Horas - Vol. II - pp. 1574-1575. 

Sem lamentações inúteis


Semana Santa: Tempo de recolhimento, silêncio e oração (introdução)

 


Semana Santa: Tempo de recolhimento, silêncio e oração (introdução)

 Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!” (Mt 26,42).

Com a Celebração do Domingo de Ramos, começamos a Semana Santa,  a Semana Maior, e participemos ativa, consciente e piedosamente de todos os momentos a serem celebrados, prolongando em fecundo e necessário recolhimento e silêncio. Permaneçamos com o Senhor no “inverno” de Seu Calvário

Contemplemos a entrada de Jesus em Jerusalém, a manifestação da vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa da Sua Morte e da Sua Ressurreição. 

Seja a entrada do Senhor Jesus em nossas vidas, em nossa “Jerusalém interior” de nossos corações e não nos ocorram atitudes de rejeição com consequências que nos roubem a alegria e beleza do bem viver.

De fato, na vida de cada indivíduo e na vida de cada nação, há três momentos: um tempo de visitação ou privilégio em forma de bênção de Deus; um tempo de rejeição em que o Divino é esquecido; e um tempo de desgraça ou desastre, pois a desobediência à vontade divina, nos destruímos, e transpassamos o Sagrado Coração do Senhor, negando-O e matando-O.

Esta foi a mensagem de Suas lágrimas, enquanto Rei, ao seguir para o Calvário, com a Cruz de nossos pecados sobre suas costas. Pesada era a Cruz, mas muito maior era o Seu amor por nós.

Temos que assumir com coragem a procissão que conduz à vida, com Jesus, jamais a procissão de Pilatos, que conduz à morte. Duas paixões e procissões totalmente diferentes.

Reflitamos:

 

- A quem seguiremos?

- Quem é o “Senhor” que comanda o nosso coração?

- Em que valores nos inspiramos?

- Em qual procissão participaremos?

 

PS: Fontes - Magistério e Tradição da Igreja e outras fontes litúrgicas que se encontram neste blog

Semana Santa: Tempo de recolhimento, silêncio e oração (Parte I)

 


Semana Santa: Tempo de recolhimento, silêncio e oração (Parte I)

“Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!” (Mt 26,42).

Oremos:

“Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.”

Cremos que somente a Cruz Vos importava; ensinamentos, milagres, cumprimento de profecias – tudo isso estava estreitamente subordinado à Vossa Missão na Terra: ser como grão de trigo que passaria pelo inverno de um Calvário e então se tornaria o Pão da Vida, como Vosso Apóstolo nos falaria mais tarde: sois a semente que morreria para viver (2 Cor 5,15-16).

Cremos que, doente, nossa natureza precisava de ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada, pois havíamos perdido a posse do bem; era preciso que nos fosse restituída.

Cremos que estávamos enclausurados nas trevas, de modo que era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um Salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador. Por isso descestes à nossa natureza humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em estado tão miserável e infeliz. Quem nos amaria tanto assim? Amém.

 

PS: Fontes - Magistério e Tradição da Igreja e outras fontes litúrgicas que se encontram neste blog

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