terça-feira, 5 de agosto de 2025

Maria, Mãe de Deus e nossa (05/08)

                                                         


Maria, Mãe de Deus e nossa

No dia 5 de agosto, celebramos a Festa da Dedicação da Basílica Santa Maria Maior, a mais antiga Igreja do Ocidente dedicada à Santíssima Virgem, erigida pelo Papa Sisto III (432-440), em Roma, no monte Esquilino.

Sejamos enriquecidos pela Homilia pronunciada pelo Bispo São Cirilo de Alexandria, no Concílio de Éfeso (431), em que Maria, a Mãe de Jesus, é proclamada Mãe de Deus.

"Contemplo esta assembleia de homens santos, alegres e exultantes que, convidados pela santa e sempre Virgem Maria e Mãe de Deus, prontamente acorreram para cá.

Embora oprimido por uma grande tristeza, a vista dos santos padres aqui reunidos encheu-me de júbilo. Neste momento vão realizar-se entre nós aquelas doces palavras do salmista Davi:

‘Vede como é bom, como é suave os irmãos viverem juntos bem unidos!’(Sl 132,1).

Salve, ó mística e Santa Trindade, que nos reunistes a todos nós nesta Igreja de Santa Maria Mãe de Deus.

Salve, ó Maria, Mãe de Deus, venerável tesouro do mundo inteiro, lâmpada inextinguível, coroa da virgindade, cetro da verdadeira doutrina, templo indestrutível, morada d’Aquele que lugar algum pode conter, virgem e mãe, por meio de quem é proclamado Bendito nos Santos Evangelhos ‘o que vem em nome do Senhor’(Mt 21,9).

Salve, ó Maria, tu que trouxeste em teu sagrado seio virginal o Imenso e Incompreensível; por ti, se festeja e é adorada no universo a Cruz preciosa; por ti, exultam os céus; por ti, se alegram os Anjos e os Arcanjos; por ti, são postos em fuga os demônios; por ti, cai do céu o diabo tentador; por ti, é elevada ao céu a criatura decaída; por ti, todo o gênero humano, sujeito à insensatez dos ídolos, chega ao conhecimento da verdade; por ti, o santo Batismo purifica os que creem; por ti, recebemos o óleo da alegria; por ti, são fundadas Igrejas em toda a terra; por ti, as nações são conduzidas à conversão.

E que mais direi? Por Maria, o Filho Unigênito de Deus veio ‘iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte’(Lc 1,77); por ela, os Profetas anunciaram as coisas futuras; por ela, os mortos ressuscitam; por ela, reinam os Reis em nome da Santíssima Trindade.

Quem dentre os homens é capaz de celebrar dignamente a Maria, merecedora de todo o louvor? Ela é mãe e virgem. Que coisa admirável! Este milagre me deixa extasiado. Quem jamais ouviu dizer que o construtor fosse impedido de habitar no templo que ele próprio construiu? Quem se humilhou tanto a ponto de escolher uma escrava para ser a sua própria mãe?

Eis que tudo exulta de alegria! Reverenciemos e adoremos a divina Unidade, com santo temor, veneremos a indivisível Trindade, ao celebrar com louvores a sempre Virgem Maria! Ela é o templo santo de Deus, que é seu Filho e esposo imaculado. A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém".

Maria, Templo Santo de Deus, templo criado para Aquele pelo qual tudo foi criado, louvores aos céus elevemos.

Louvemos a Maria, que permitiu que nela se pousasse a sombra do Espírito, e nela o Mistério da Encarnação viesse a ocorrer.

Louvamos a Maria, na qual Deus fez sua morada para vir ao nosso encontro. Nela o Verbo Se fez Carne e habitou entre nós.

Louvamos a Maria, por ser a Mãe de Jesus, Mãe de Deus e nossa, que nos carrega em seu coração, e nos sentimos envolvidos por sua ternura, no seu colo, seguros e protegidos.

Louvemos a Maria, que em nenhum instante se separou de Seu Filho, e nos acolheu, aos pés da Cruz, como seus Filhos, em atenção às Palavras geradas na dor indescritível do seu Filho chagado na Cruz, que nela morrendo, o mundo redimiu.

Louvemos a Maria, Mãe da Igreja, da qual nos tornamos membros pelo Batismo, como pedras vivas, amadas e escolhidas por Deus.

Louvemos a Maria, que cantou a esperança dos pobres no Magnificat, e as maravilhas que Deus realiza em nosso favor (Lc 1, 46-55).

Louvemos a Maria, assunta ao céu, coroada Rainha dos Céus; contando com sua presença em nosso árduo combate da fé, aqui na terra, enquanto peregrinamos longe do Senhor, longe ainda de nosso desejo inflamado de contemplar a face de Deus, de a comunhão plena e eterna de Amor do Deus Uno e Trino para sempre viver.

Louvemos a Maria, enquanto caminhamos pelas estradas da vida, trilhando o Caminho que é o próprio Jesus, seu humano e amado Filho, iluminados pelo esplendor da Verdade; seu divino e adorado Filho, sedentos de Vida e paz, seu humano e divino, amado e adorado Filho, Jesus, a quem tributamos toda honra, glória, poder e louvor por todos os séculos. Amém!

As chamas da caridade ardente (03/08)

                                                             


As chamas da caridade ardente

 

“Coragem, sou Eu, não tenhais medo” (cf. Mt 14,27)

 

Retomemos a primeira Grande Revelação em que Jesus fala de seu imenso amor por nós, provavelmente em 27 de dezembro de 1673, relatada por Santa Margarida Maria: 

Meu Coração divino é tão apaixonado de amor pelos homens, e por ti em particular, que não mais podendo conter em Si as chamas de Sua caridade ardente, é preciso que elas se difundam por teu intermédio, e que Ele se manifeste aos homens para enriquecê-los de Seus tesouros preciosos, que Eu aqui manifesto, e que contêm as graças santificantes e salvíficas necessárias para retirá-los do abismo de perdição”.  

Diante do Sagrado Coração de Jesus, silencio-me;
Deixo-me envolver pelas chamas da Sua caridade ardente.
Aqueço meu coração, por vezes frio e cheio de medo,
Medo que não pode nos devorar e levar ao desespero.
 
Vivamos cada tempo como tempo de graça,
Para que entremos em contato com nosso mundo interno,
Coloquemos nossos pensamentos em ordem,
Observemos e escutemos o significado das nossas emoções.
 
Tempo de rever a nossa passagem pelo mundo.
Tempo de conversão de posturas de onipotência,
Que levam não somente a humanidade à morte,
Mas o mundo, a Terra, nossa Casa Comum.
 
Tempo de ouvir os clamores de nosso Planeta,
Que não suporta mais como o tratamos;
Com posturas levando à sua abismal destruição,
Em nome do lucro, capital voraz, a vida aniquilando.
 
É tempo de renovar a confiança em Deus em nossa “travessia”:
Estamos todos na mesma tempestade, mas não à deriva.
Contamos com a presença do Senhor que nos diz:
“Coragem, sou Eu, não tenhais medo” (cf. Mt 14,22-33).
 
Diante do Sagrado Coração de Jesus, continuarei em silêncio,
Totalmente envolvido pelas chamas da Sua caridade ardente.
Coração aquecido, medo permanentemente a ser vencido,
Em Sua Palavra confiando, um novo amanhecer sonhando.
 
A alegria do encontro, das festas, haverá de voltar.
Cultos, rezas e Missas terão maior e melhor sabor.
Reaprenderemos o que de fato tem ou não valor.
Viveremos intensamente a essência da fé cristã: o Mandamento do Amor.

Oremos: 

Coração de Jesus, fonte de vida e de santidade,
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados,
Tende piedade de nós, de joelhos suplicamos:
Aquecei-nos com Vossa chama de caridade ardente. 
Amém.

Coragem na fidelidade ao Senhor (03/08)

                                                    

Coragem na fidelidade ao Senhor

Disse o Senhor aos Seus discípulos: - "Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27).

Nossa fidelidade ao Senhor Jesus Cristo e com o Reino de Deus por Ele inaugurado, exigem de todos nós “coragem!”. 

Entretanto, não há porque ter medo, pois o Espírito do Senhor está presente em nossa vida, em nossa pequena barca da família, da Igreja.

Por isto é sempre bom ouvir, a cada instante, a Palavra de Jesus, nesta travessia do mar da vida, em que sentimos medo pelo vento que sopra contra a barca: "Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27).

Os ventos contrários são muitos (desemprego, incertezas, banalização da vida, individualismo, prazer sem compromisso, depressão, dependência química, incertezas, abandonos...), por isto é preciso ter coragem de ir contra a corrente para alcançar a verdadeira felicidade.

Cremos que a felicidade é possível quando não desistimos de buscá-la, mas é preciso coragem para ir ao seu encontro, para ir contra a corrente, na certeza de que somente com Jesus, presente na Palavra e na Eucaristia, de modo especialíssimo, é que poderemos alcançá-la, e a muitos apresentá-Lo, com humilde anúncio e corajoso testemunho.

Coragem! Digamos uns para os outros sempre... O Senhor está conosco, caminha conosco, e nada poderá fazer naufragar nossos sonhos e a esperança de que a felicidade é possível; de que um mundo novo pode acontecer, desde que não nos deixemos levar pelos ventos das facilidades que o mundo oferece, com promessas de felicidade que se tornam, com o tempo, vazias e ilusórias.

Coragem! Confiemos sempre no Senhor, o mesmo ontem hoje e sempre. Amém.

Paixão, fé e cruz (03/08)

                                                             

Paixão, fé e cruz
“Coragem! Sou Eu!
Não tenhais medo”

Ouvimos, na terça-feira da 18ª semana do Tempo Comum (ano par), a passagem do Livro de Jeremias (Jr 28,1-17) e a passagem do Evangelho de  Mateus (Mt 14,22-36).

Somos convidados a refletir sobre duas figuras de extrema importância na Bíblia: Jeremias e Pedro. Ambos em tempos diferentes, com fragilidades próprias, tiveram o coração pelo Amor de Deus seduzido. Cada um ao seu modo abraçou a missão por Deus confiada.

Encantamo-nos ao meditar sobre a vocação de Jeremias: predestinação desde o ventre materno, chamado divino, resposta corajosa, sedução, apaixonamento, missão profética, e a escuta da voz de Deus.

Experimentou a perseguição, cadeias, abandono, solidão, provações, sofrimentos e muito mais que se possa dizer, mas foi fiel à missão abraçada.

Foi tido como o “Profeta da desgraça”, traidor, ignorado, caluniado, incompreendido. Nem por isto deixou ou retrocedeu na missão, e teve que reacender a chama da confiança e da esperança em Deus, em absoluta e incondicional fidelidade à Aliança divina, pois somente Deus pode assegurar a vida, a liberdade e a paz.

Assim deve viver todo cristão discípulo missionário do Senhor, tendo Jeremias como modelo e inspiração de vida na fidelidade ao Senhor.

Tenhamos sempre diante de nós a vocação de Jeremias, sobretudo nos momentos mais difíceis de incompreensão, abandono e  desilusão.

Também o Apóstolo Pedro e os discípulos foram desafiados  diante das tempestades e da travessia sobre as águas turbulentas  a professar sua confiança na presença divina, como ouvimos na passagem do Evangelho.

A súplica dos discípulos deve ser também a de todos nós sempre nas inúmeras travessias das águas turbulentas que a vida nos oferece – “Senhor, Salva-me!”. E, a advertência de Jesus ressoará a Pedro, ressoará sempre em nossos corações – “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”:

 “A confiança na presença divina na vida é a base indispensável para procurarmos ser cristãos, e, portanto, pessoas maduras e responsáveis [...] confiar em Nosso Senhor Jesus Cristo significa dar crédito à veracidade da sua Palavra, à autenticidade positiva dos valores que ela exprime.

E se a comunidade, todos os que se sentem chamados ao discipulado cristão, ou seja, a Igreja, não viver fundamentado efetivamente sobre tudo isso, bem depressa sentirá medo do presente e do futuro, entrincheirar-se-á na defesa das suas posições humanas e mergulhará nas dificuldades históricas sem remissão possível”. (1)

Em nossas limitações e fragilidades experimentamos a força e poder de Deus. No testemunho da fé, como rebanho do Senhor; nutridos pela oração e de modo sublime pela Eucaristia.

Seja a nossa glória a Cruz de Nosso Senhor, para que, como Jeremias, não fraquejemos na missão profética, e tão pouco retrocedamos ou descuidemos do rebanho, como Pedro tanto nos inspira.

A paixão de Jeremias, a ousadia e o progresso na fé de Pedro e a Loucura da Cruz Paulina nos acompanhem ontem, hoje e sempre.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - pág. p.58

A travessia do mar tempestuoso(03/08)

                                                        

A travessia do mar tempestuoso

“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!”
(Mt 14,27)

Vou singrar o mar tempestuoso deste mundo,
Até um dia alcançar o porto feliz da eternidade.
Enfrentando os ventos contrários que não são poucos,
E, por vezes, me fazem sentir o medo do naufrágio.

Vou singrar com a esperança da desejada vitória,
Revendo, retrospectivamente, o caminho feito,
As marcas deixadas...
Com a coragem de assumir os erros e os acertos.

Vou singrar o mar revoltoso, agitado pelas ondas,
Certo de que a calmaria há de vir no tempo oportuno,
Com a confiança na força da Palavra do Senhor, que Se faz presente,
E para quem todas as forças e poderes são submetidos.

Vou singrar olhando para o novo horizonte da história,
Sem me entregar aos aparentes sinais de derrota,
Com a fé no Cristo, glorioso e Ressuscitado,
Que me envolve com Sua presença, graça e ternura.

Vou singrar corajosamente o mar revoltoso do  mundo,
Sem reclamar das dificuldades e desafios surgidos,
Amparado, em todo o tempo, pela mão poderosa do Senhor
Sempre pronta, a quem estender em confiante súplica.

Navegarei de mar em mar, incansável e corajosamente,
Travessias necessárias e possíveis a serem realizadas
Fortalecido pela Palavra que dos lábios divinos emanam,
Saciado e revigorado pelo Pão recebido na mesa da Eucaristia.

Singrarei com a certeza de que não navegamos sós, mas
Com a presença de irmãos nesta nau que segue em frente,
Jamais à deriva, porque sabem em quem confiam:
“Coragem, sou Eu, não temais” (Mt 14,27).

Amemos como Deus nos ama (04/08)

                                                            

Amemos como Deus nos ama
“Para colaborar com Deus é
necessário amar muito, como Cristo”.

Assim diz o Missal na reflexão da primeira Leitura (Jr 30,1-2.12-15.18-22), proclamada na terça-feira da 18ª Semana do Tempo Comum (ano par):

“Ainda hoje, enquanto os homens odeiam e destroem, Deus ama sempre e está em ação para reconstruir; enquanto forças ou tendências antagônicas se digladiam, Deus faz sempre algo novo, porque Sua obra é obra de amor. Para colaborar com Deus é necessário amar muito, como Cristo”.

Isto nos remete às palavras do Papa Francisco ao longo da XXXI Jornada Mundial da Juventude (Cracóvia):

“Uma só palavra gostaria de dizer para esclarecer. Quando eu falo de “guerra”, falo de guerra seriamente, não de “guerra de religiões”: não. 

Existe guerra de interesses, existe guerra pelo dinheiro, existe guerra pelos recursos da natureza, existe guerra pelo domínio dos povos: esta é a guerra. 

Alguém pode pensar: 'Está falando de guerra de religiões': não! 

Todas as religiões, queremos a paz. 

A guerra, a querem os outros. Entendido?”.

Por tudo isto, a Boa-Nova de Jesus e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo, por Ele dado e também vivido, é o caminho para a construção de uma nova civilização, a “civilização do amor”.

É preciso repensar as relações e fortalecer tudo quanto possa criar elos entre as pessoas, edificação de “pontes de fraternidade” e não muros que isolam ou "trincheiras de guerra", seja de que nome for.

Portanto, ou pomos o fim a todas as guerras, ou colocamos em risco o próprio futuro da humanidade, e podemos contar com o irrenunciável amor de Deus e Sua ação que faz novas todas as coisas, porque, verdadeiramente a Sua obra é uma obra de amor, e o amor jamais passará (1 Cor 13).

Rezemos pela paz, comprometamo-nos com ela, a partir dos pequenos gestos cotidianos, em nível local, até em sua máxima expressão, em nível global, com matizes mundiais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

“Dai-lhes vós mesmos de comer” (01/08)

                                                         


“Dai-lhes vós mesmos de comer”

Viver a Vocação como dom de Deus, exige de nós a máxima atenção para a árdua missão evangelizadora que o Senhor nos confiou, e que nos convida a voltar os nossos olhos à realidade que nos cerca, multiplicando gestos de amor e solidariedade, como expressão autêntica da compaixão que deve marcar a vida dos discípulos missionários do Divino Salvador, que inúmeras vezes Se compadeceu da multidão, que parecia ovelhas sem pastor, como retratam as passagens narradas pelo Evangelista Mateus (Mt 9, 36; Mt 14, 14).

Como Igreja, não podemos nos omitir diante da realidade clamorosa por vida digna. Portanto, mais do que nunca, é tempo de fazermos da nossa Comunidade uma casa do Pão da Palavra, do Pão da Eucaristia e do Pão da Caridade.

Se partilharmos nossos pães e peixes (Mt 14,13-21), ainda que aparentemente poucos e insignificantes, mas com amor, por Deus serão mais que abençoados, serão “eucaristizados” e, por isto, multiplicados; e ainda teremos as sobras, sem esbanjamentos e desperdícios indesejáveis, sem acumulações, todos serão saciados.

Deste modo, é oportuno e necessário conhecer a Doutrina Social da Igreja e a prática das obras de misericórdia corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos), que por sua vez não se separam das Obras de Misericórdia Espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

Somente assim, nossas Paróquias se tornarão espaços de formação, missão, solidariedade e comunhão, a serviço da vida e da esperança.

Precisamos renovar permanentemente nosso encontro com Jesus, para sermos no mundo sinal da Sua compaixão e da solidariedade, para que a vida seja mais bela, confiantes em Sua presença e Palavra.

Neste sentido, não podemos ignorar que a Vocação à vida familiar acontece em meio a uma desafiadora realidade: perda de valores e desestruturação da família. Comovidos profundamente com esta situação, e movidos pelo sentimento de compaixão, promovamos encontros, formações na solidificação e santificação de nossas famílias, verdadeiros santuários da vida. 

A compaixão evangélica será mutilada se também nos omitirmos, ou nos tornarmos indiferentes à questão social, de modo especial com o compromisso político, a fim de que esta seja a expressão da promoção do bem comum, uma sublime expressão da caridade. 

É sempre tempo de nossas comunidades se desinstalarem, reavivando o ardor e revigorando a chama missionária que deve nos acompanhar, desde o dia de nosso Batismo.

Urge acreditar e investir na juventude, que mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade. O jovem deve tornar-se, antes de tudo, evangelizador de outros jovens, que ainda não conhecem Jesus e o Seu Evangelho.

Uma comunidade com rosto jovial somente será, na fidelidade ao Senhor e ao Seu Espírito, se souber colocar-se a serviço da sacralidade e beleza da vida, e, com alegria, anunciar a Boa-Nova do Evangelho, indo corajosamente ao encontro daqueles que ainda não ouviram a Palavra, e que ainda não fazem parte de nossa vivência comunitária: uma Igreja genuinamente sinodal e missionária, sem o que acaba esvaziando a sua razão de existir.

Concluindo, vivamos autenticamente a nossa Vocação, renovando a alegria de termos sido chamados para trabalhar na vinha do Senhor, que é regada pelo Seu Sangue derramado na Cruz; redimidos e fortalecidos pelo Pão da Eucaristia, sejamos no mundo sinal de sua presença: discípulos missionários do Divino Mestre da Compaixão.

Não podemos nos tornar indiferentes e omissos diante de tantos clamores que sobem aos céus, e, assim, nenhum sentimento de impotência ou qualquer desculpa apresentemos, mas nos empenhemos, em todos os âmbitos, para que o Reino de Deus se torne, efetivamente, presente entre nós.  

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