sexta-feira, 13 de junho de 2025

“As três despedidas” (13/06)

                                                   

“As três despedidas”

Celebramos dia 13 de junho de 2013 a passagem do terceiro Bispo da Diocese de Guarulhos – SP, para a eternidade: Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo Emérito da Diocese de Guarulhos-SP.

Em uma das Missas de corpo presente, presidida por Dom Odilo Pedro Scherer, Cardeal de São Paulo, ele destacou “três despedidas” em sua pregação.

A primeira despedida: de Paulo a Timóteo.  
A primeira Leitura (2Tm 4, 1-8) falava que o Apóstolo Paulo, pronto para ser oferecido em sacrifício, preso, exorta a coragem, a fidelidade do jovem Timóteo no testemunho da fé.

Notável a serenidade, a confiança do Apóstolo, a certeza de o melhor ter feito em nome do Senhor. A certeza de ter completado a corrida, combatido o bom combate da fé, e agora rumando para a eternidade, para a coroa da justiça receber.

Paulo crendo no Cristo Ressuscitado fincou âncoras na eternidade, na morada do Pai. Terminou a vida no tempo presente com o mais belo sentimento: “valeu a pena ter vivido, ter amado, ter o Cristo seguido, para a certeza da vida eterna ter conseguido. Valeu a pena...”

A segunda despedida: de Jesus aos discípulos (cf. Jo 14,1-12).
Num contexto de Ceia, pão e vinho partilhado, Paixão anunciada e tão brevemente acontecida. Diante da morte certa e iminente, o Divino Mestre aponta o destino de todos que creem: a morada eterna. Não apenas aponta, mas Se faz o próprio Caminho, Verdade e Vida.

Na possibilidade do desespero, desânimo, recuos, abandono, Jesus assegura que Ele e somente Ele pode nos conduzir ao céu, ao Pai.

Despede-Se plantando a certeza de que não ficaremos sós. Que a morte não terá a última palavra, mas se tornará passagem para a vida que não conhece fim – Ele é a Ressurreição e a Vida. Despede-Se assegurando que vale a pena ser fiel ao Projeto de Deus, porque contamos com a força e vida do Espírito que nos eterniza.

A terceira despedida: da Igreja reunida a D. Luiz, nosso pai, pastor e amigo.
Despedir-se de Dom Luiz com sentimentos profundos no coração, mas sem a perda da serenidade e da confiança, à luz destas mesmas Palavras por ele tantas vezes pregada, testemunhada, em corações plantadas, e muitas almas iluminadas.

Despedir-se com a certeza de que ele foi para Deus, está junto d’Ele, porque soube, como humilde servo, com suas limitações e imperfeições da natureza humana, colocar-se com sabedoria e espírito de profecia em defesa da vida.

Um momento forte, inesquecível, que jamais sairá de nossa mente e coração, a Missa do início ao final, seguida do sepultamento.
                                                         
A dor da morte presente, a alegria da Vida Nova que brota da, Páscoa mais que presente, transbordante, radiante.

Lágrimas sim, mas de saudade do vazio da física ausência, para regar as sementes tantas que no coração ele plantou, sobretudo, em seus quase vinte anos de Episcopado em nossa Diocese.

Que Dom Luiz, no repouso eterno, contemple a face do Pai e esteja no maior esplendor da luz eterna, acolhido pelos Anjos e Santos na eternidade, e de modo especial a Mãe Maria, pela tamanha devoção tinha.

Saudades sentimos, mas deixarão de existir quando também partirmos e fizermos o reencontro com todos os que estão na comunhão dos Santos.

Por ora, combatamos o bom combate da fé para merecermos gozar as delícias da eternidade.

D. Luiz, há doze anos no repouso eterno! (13/06)

D. Luiz, há onze anos no repouso eterno!

No dia 13 de junho de 2013, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, segundo Bispo de nossa Diocese fez sua passagem para a eternidade, e com ela a separação provisória, para que possamos nos encontrar, um dia, na eternidade, na glória de Deus. Assim cremos e esperamos, à luz da fé que professamos.

Dom Luiz fez sua Páscoa, depois de ter concluído o bom combate da fé, completado a corrida, se apresentado para receber a coroa prometida, entrou na glória dos céus, como nos fala o Apóstolo Paulo (2Tm 4, 7-8).

Cremos que ele foi receber do Pai a morada, que nos falou o Senhor através do Evangelho de São João – “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se Eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também.” (Jo 14,2-3).

Com os olhos da contemplação, vejo D. Luiz nos céus, pois morrer é entrar nesta plenitude de amor, que ocorre com a inevitabilidade nossa morte.

Com mesmo olhar, o vejo no lugar por Deus preparado para aqueles que O amam, e somos testemunhas de quão imenso era o amor de D. Luiz por Deus Uno e Trino: “O que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (1Cor 2,9).

Também o contemplo com os Anjos e Santos/as, e, de modo especial, na presença amorosa da Mãe de Jesus, por quem ele tinha imensurável devoção, e com todos aqueles que foram considerados dignos de participar do Banquete Eterno.

Ao encontro de Deus, D. Luiz correu com ávida sofreguidão, em incansável defesa da vida, de sua dignidade e sacralidade, da concepção ao seu declínio natural, sobretudo na denúncia de mentalidades e práticas favoráveis ao aborto.

À luz das palavras do Bispo Santo Agostinho, professo minha fé crendo que ele contempla o jardim do Senhor, em que encontramos  não apenas as rosas dos mártires, mas também os lírios das virgens, as heras dos casados, as violetas das viúvas.

Saudade de nosso D. Luiz. Lembro-me dele nem tanto pela erudição, mas, sobretudo, pela sabedoria divina vivida pelos simples, despojamento, pobreza, confiança incondicional no Senhor.

Um homem amigo de Jesus, logo amigo da humanidade; apaixonado pela vida, sedento da Sabedoria Divina, para que à luz dela pudesse tornar mais claro os momentos sombrios e obscuros de nossa vida.

Verdadeiramente enamorado do Senhor e sedento de Seu amor, para ser d’Ele sal, fermento e luz. Para ter sido, e sem dúvida ele foi, um grão de trigo caído por terra que morreu para não ficar só, morrendo produziu muitos frutos, como está profetizado.

Com imensa saudade do grande pai, irmão e amigo que foi D. Luiz para todos nós, contemplo a sua história com um olhar marcado por matizes Pascais.

Dom Luiz: 50 anos de vida Sacerdotal (13/06)


Dom Luiz: 50 anos de vida Sacerdotal

Uma história de amor e alegria em servir

A Diocese de Guarulhos-SP, celebrava em junho de 2009, o Jubileu Sacerdotal de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, hoje na glória da eternidade.

Em nome do Conselho de Presbíteros e da Igreja de Guarulhos, elevamos a Deus, boníssimo e providente, Orações de súplicas, louvores e ação de graças pelo seu Jubileu.

Ação de Graças a Deus por ter dado a Sua Igreja um Presbítero, que no Batismo recebeu o nome de Luiz Gonzaga, para com amor e alegria servir ao povo de Deus.

Mais tarde com a Ordenação Episcopal, como Apóstolo, foi chamado e enviado por Deus para perenizar a Obra dos Apóstolos que Jesus iniciou, com a unção e o sopro do Espírito.

Ação de Graças pelo seu ministério, sendo a maior parte dele dedicado à Diocese de São João da Boa Vista – SP, e quase vinte frutuosos anos à nossa Diocese. Lá como zeloso e dedicado Sacerdote, aqui como Bispo e Pastor.

Louvores a Deus pelo seu incontestável amor pela Eucaristia, carinho e apreço pelo Seminário, a fim de que as comunidades tenham dignos e bons pastores.

Louvores a Deus também pelo seu esforço de inserção na dura realidade da Cidade de Guarulhos, desde sua chegada, procurando respostas aos incontáveis desafios e interpelações do rebanho, por Deus e pela Igreja confiados.

Louvores pela sua presença em nosso meio que, para além de todos os limites que carregamos, deixa transparecer a presença do Bom Pastor.

Louvores pelo incansável e ardoroso pastoreio motivado pelo seu Lema Episcopal. Ressoam aqui as palavras do Bispo Santo Agostinho:

“A fraqueza da criatura cede o poder do Criador e a vaidade dos afetos egoístas dissolve-se diante do amor universal”, enquanto João Batista do fundo da nossa angústia nos grita a misericórdia de Jesus Cristo: "É necessário que Ele cresça e eu diminua" (Jo 3,30).

Evangelizar é mostrar Jesus, como João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), e isto D. Luiz o faz com todo empenho, numa vida marcada pela simplicidade, despojamento e pobreza.

Louvores pelas tantas vezes que, falando e testemunhando com a vida, nos exorta a resplandecer a face de Jesus, sendo o amor de Jesus para o outro; coerência entre o que se diz, a fé que se professa e a vida que se vive. Ensina-nos que é preciso mergulhar sempre no coração de Jesus para tê-lo no coração.

Súplicas a Deus pela sua saúde. Somos testemunhas de tantas vezes, a cruz da enfermidade carregada, sem esmorecimento, lamentos, mas com muita confiança, coragem e serenidade.

Súplicas para que sua vida entregue e doada livremente por amor, seja por Deus abençoada e recompensada.

Súplicas para que seja sempre como barro nas mãos do oleiro, um vaso precioso de argila, com um coração plenificado com a água do Espírito Santo em incontáveis Eucaristias e continue transbordando sobre o rebanho carinho, alegria e amor.

Concluímos com estas palavras dirigidas a Dom Luiz:

“Se nossas palavras ainda portarem algum quê de pobreza, continue fazendo da Palavra de Deus sua mais bela e preciosa riqueza;

Se nossas palavras não forem pão que sacia e alegra o coração, continue se alimentando de Cristo, o mais belo e precioso Pão que, como Sacerdote, partiu,  comungou e distribuiu com amor e dedicação ao longo destes cinquenta anos.

Amparado, amado, acompanhado pelo Imaculado Coração de Maria, Padroeira de nossa Diocese, graças e Bênçãos jamais faltarão, porque abundantemente serão derramadas".


P S: Celebramos em 13 de junho de 2013, a Páscoa de Dom Luiz, Bispo Emérito de Guarulhos, que tendo combatido o bom combate da fé, o Senhor lhe conceda a Coroa da Glória. 

quinta-feira, 12 de junho de 2025

A semente de mostarda e o Reino (27/06)


 
A semente de mostarda e o Reino
No Reino de Deus,
lançar a semente é nossa missão!

Na passagem do Evangelho (Mt 13,31-32), Jesus nos fala do Reino de Deus à luz da Parábola do grão de mostarda.

Jesus compara o Reino de Deus a um grão de mostarda, a menor de todas as sementes, mas produz ramos tão grandes que os pássaros vêm habitar à sua sombra.

Na construção e espera do Reino que vem, é preciso confiança ativa. O Reino é como o crescimento da semente, um processo lento e silencioso, mas seguro. A pequenez da semente também é significativa, pois aparentemente o que fazemos parece nada mudar, mas quanta diferença faz para quem dela recebe, já, os frutos.

Muitas vezes, a pobreza dos meios, as nossas limitações, emergências e clamores nos levam a abrir-nos mais intensa e sinceramente à ação divina, explicitamente falando com a ação do Espírito que é imprescindível para a ação evangelizadora e a construção do Reino.

O Missal Cotidiano nos diz: “Em vez de agitação, serenidade; em vez de indolência, esforço; em vez de desânimo a certeza da fé; eis a atitude da Igreja, do apóstolo, do educador”.

Serenidade, esforço e a certeza da fé devem ser marcas de todo aquele que se coloca a serviço do Reino, contra toda tentação de agitação estéril e estressante, que nada de bom constrói; contra toda perniciosa, desastrosa tentação da acomodação, do recuo, do cruzar os braços em inativismo deplorável aos olhos de Deus – Deus que nos ama, como é próprio do Seu amor, não dispensa nossos esforços; contra toda tentação da perda da fé, do naufrágio da fé, o pior de todos os naufrágios.

Nisto consiste a missão de todos nós: lançar e cultivar as sementes. Se dela frutos não comermos, já terá valido ao outro ter assegurado esta possibilidade.

São oportunas as palavras do Apóstolo Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas era Deus quem fazia crescer” (1Cor 3,6).

De fato, aquilo que comemos ou desfrutamos não é fruto do acaso, mas do reconhecido e louvável esforço e empenho de tantos/as que, muito antes, e até no tempo presente, suas sementes lançaram.

Lancemos nossas sementes, as melhores que pudermos, para que outros desfrutem. 

PS: Passagem paralela no Evangelho de Lucas (Lc 13,18-21)

Fidelidade ao Senhor, frutos abundantes (29/05)


Fidelidade ao Senhor, frutos abundantes

À luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 11,11-26), refletimos sobre a missão da Igreja, mais precisamente, como favorecemos ou enfraquecemos esta missão.

Como discípulos missionários do Senhor, elevemos a Deus esta Oração, renovando a graça de sermos Igreja e a ela pertencermos, para que, na vivência do Novo Mandamento do Amor que Ele nos deu, possamos produzir os frutos esperados.

Oremos:

Senhor, que a Vossa Igreja, por Vós edificada, seja para nós um local privilegiado para o encontro pessoal com o Vosso Pai, envolvidos pelo Vosso Espírito Santo de Amor, de modo que possamos fazer progressos na fé, sempre revigorados na esperança e reavivados na prática da caridade, e assim viver maior comunhão e verdadeiro amor fraterno, correspondendo, de maneira sublime, ao Projeto do Reino por Vós inaugurado.

Senhor, livrai-nos da tentação de fazer da Vossa Igreja lugar de posturas e práticas que têm por finalidade, tão somente, a promoção pessoal, o lucro, a competição e a concorrência entre as pessoas, a busca do prestígio, da fama; pouco importando se fazemos multiplicar  sentimentos que não estão em sintonia com o Vosso Evangelho, como ciúmes, rancor, raiva, ira, inveja...

Senhor, afastai de nós tudo que seja contrário aos Vossos ensinamentos, proclamados no Sermão da Montanha, na Oração do Pai Nosso, e em outros momentos memoráveis, que nos fazem iluminados e iluminantes, comunicadores de Vossa Divina Luz, num mundo tão marcado por sombras e escuridão, como expressão do pecado e morte, que teimosamente insistem em sobreviver. Amém. 

O grito de Nabot continua subindo aos céus (15/06)

                                                             


O grito de Nabot continua subindo aos céus

Na passagem do Primeiro Livro dos Reis (1Rs 21,1-16), encontramos narrado o trágico acontecimento da morte de Nabot (apedrejado), por uma trama de Jezabel e Acab, o rei da Samaria.

Vemos neste fato até que ponto pode chegar o absolutismo régio e o poder despótico de uma mulher e de um soberano fraco e dominado por sua esposa: ambos se mancham com duplo crime de homicídio e furto contra Nabot.

Acab, mediante um grave delito, se apropria dos bens do justo Nabot, defraudando-o de uma terra (a vinha) e de uma vida que tão somente pertence a Deus, ao matá-lo.

Notável o contraste entre o rico insaciado e o pobre Nabot, contente com seu pedacinho de terra, e a sua reivindicação de seus direitos:

“Nabot morre na sua retidão, para não atraiçoar o dever de conservar a posse da terra de seus pais, acolhida como dom de Deus, ao passo que Acab, consciente do delito, apropria-se dela, aumentando a sua riqueza. Nabot, o justo, é alguém que perde, e Acab um vencedor, segundo a lógica humana; mas a lógica de Deus subverte os esquemas dos homens, e ainda mais os denuncia com o anúncio e o estilo de vida evangélica encarnado por Jesus” (1).

Podemos ficar indignados com o casal mencionado, no entanto, os personagens podem se fazer presentes em cada um de nós, numa atitude de egoísmo permissivo:

“Acab e Jezabel estão também em mim. Saberei dar-lhes um nome? Também Nabot está em mim, naturalmente. Pode-se ler o fato na clave “sociedade indivíduos”. Emerge então o acúmulo de necessidades fictícias, de pseudonecessidades de nossa sociedade de consumo, que alimentam uma insaciável avidez”. (2)

Podemos também, como Jezabel e Acab, ser movidos por falsas necessidades e não nos alegrado com o que temos; apropriando-nos do que não nos pertence, aumentando a distância entre os poucos que têm tudo, e os muitos que nada possuem, o que pode ser chamado de pecado da desigualdade social.

Neste sentido, também podemos ler esta página bíblica, na linha do binômio “ricos-pobres” (nações, regiões, grupos, pessoas), como que numa espécie de parábola econômica de justiça social.

À luz da passagem, temos um longo caminho de conversão em todos os âmbitos, a fim de que os pobres tenham seus direitos garantidos, e assim seja assegurada vida plena e digna para todas as pessoas.

“Jezabel e Acab” estão vivos, bem como “Nabots” estão sendo expropriados e mortos inocentemente; privados do pão de cada dia, do essencial para viver, porque a ganância  de poucos os devoram.

Oremos:

“Ó Deus, sois o amparo dos que em Vós esperam e, sem Vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”.

(1)Lecionário Comentado – Tempo Comum - Volume I – Ed. Paulus – 2011 – p.530
(2) Missal Cotidiano – Ed. Paulus – pp.901-902

Somente a misericórdia divina cria laços fraternos (08/06)

 


Somente a misericórdia divina cria laços fraternos
 
"Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o Amor Divino cria o bem na criatura amada" (Santo Tomás de Aquino)
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5, 20-26), que se trata de uma parte do desdobramento do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).
 
No versículo vigésimo, Jesus nos diz: “Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”.
 
Contemplamos o Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.
 
Por isto, Jesus dá exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade.

Importa fortalecer as relações fraternas acompanhadas da contínua necessidade da reconciliação; fortalecer os relacionamentos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em todo o tempo, firmemos nossos passos em nosso itinerário marcado pela penitência e conversão ao Senhor.

Somente deste modo, não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.
 
Deste modo, para quem quiser viver na dinâmica da Boa-Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.
 
É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.
 
Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta, e como podemos afirmar “o amor é querer o bem do amado”. 
 
O amor fraterno, preocupado com a reconciliação, torna frutuoso e agradável o sacrifício que oferecemos a Deus.
 
E ainda, o Senhor nos alerta que quem comparecer diante do divino Juiz sem haver perdoado será condenado a pagar até o último centavo (v.24).
 
São iluminadoras as palavras do Missal Cotidiano:
 
A oferenda da própria vida em oblação a Deus (1 Cor. 13,3) e o próprio sacrifício eucarístico não são aceitos por Deus, se não procedem do amor e da paz recíproca” (1).
 
Deve-se procurar a justiça através do perdão e do amor, um amor novo, gratuito que vai além dos méritos; uma justiça que leva em conta não somente as ações em si, mas suas retas intenções.
 
Em relação a Deus, sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo, sejamos fraternos e solidários.

Somos remetidos a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:
 
“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .
 
"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."
 
Reflitamos:
 
- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?
 
- O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor, considerando que para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...)?
 
- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?
 
- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?
 
Eis o grande desafio para nós, discípulos missionários do Senhor: O Sermão da Montanha foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. 
 
Na missão de ser sal da terra e luz do mundo, torna-se necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja. 
 
(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 198-199

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