domingo, 1 de junho de 2025

Supliquemos ao nosso Salvador, a Testemunha fiel

 


Supliquemos ao nosso Salvador, a Testemunha fiel
 
Senhor Jesus, nosso Salvador e Testemunha fiel,
a Vós  que nos remistes com o Vosso divino Sangue 
derramado por amor de nós, 
com coração pleno de confiança,
a Vós nos dirigimos,
E contamos com a intercessão de Vossos mártires, 
que a vida livremente deram, 
no testemunho e proclamação da fé em Vós.
 
Contamos com eles que, seguindo Vossos passos, 
derramaram também o sangue, 
lavando a vestes no Vosso Sangue, 
Vós que sois o Cordeiro de Deus por nós imolado.
 
Dai-nos, Senhor, nós Vos pedimos, 
pureza e constância na fé, 
a fim de que tenhamos a  verdadeira liberdade de espírito
para suportar, com coragem, as dificuldades da vida
e vencer todas as ciladas da carne e do mundo. Amém.
 
Livre adaptação da Oração da Manhã do Tempo Comum – Liturgia das Horas
 


Ascensão do Senhor: Ele confia em nós a continuidade da missão


Ascensão do Senhor: Ele confia em nós a continuidade da missão

Sejamos enriquecidos pelo Tratado n.74, escrito pelo Papa e Doutor da Igreja, São Leão Magno (séc. V):

“O mistério de nossa Salvação, amadíssimos, que o Criador do universo abonou no preço de Seu sangue, foi realizado segundo uma economia de humildade desde o dia de Seu nascimento corporal até o término de Sua Paixão. E ainda que sob a condição de servo irradiaram muitos sinais manifestativos de Sua divindade, contudo, toda a atividade deste período esteve orientada propriamente para demonstrar a realidade da humanidade assumida.

Apesar disso, depois da Paixão, rompidas as cadeias da morte que, ao recair n’Aquele que não conheceu o pecado perdera toda a sua malignidade, a debilidade se converteu em fortaleza, a mortalidade em eternidade, a ignomínia em glória, glória que o Senhor Jesus tornou manifesta diante de muitas testemunhas através de numerosas provas, até o dia em que introduziu nos céus o triunfo da vitória obtida sobre os mortos.

E assim como na Solenidade da Páscoa a Ressurreição do Senhor foi para nós causa de alegria, assim também agora Sua Ascensão ao céu é para nós um novo motivo de júbilo, ao recordar e celebrar liturgicamente o dia em que a pequenez de nossa natureza foi elevada, em Cristo, acima de todos os exércitos celestiais, de todas as categorias de anjos, de toda a sublimidade das potestades até compartir o trono de Deus Pai.

Fomos estabelecidos e edificados por este modo de operar divino, para que a graça de Cristo se manifestasse mais admiravelmente, e assim, apesar da presença visível do Senhor ter sido afastada da vista dos homens – pela qual se alimentava o respeito deles para com Ele –, a fé se mantivesse firme, a esperança impassível e o amor ardente.

Nisto consiste, de fato, o vigor dos espíritos verdadeiramente grandes, isto é, o que a luz da fé realiza nas almas realmente fiéis: crer sem vacilação o que nossos olhos não veem; ter o desejo fixo naquilo que nosso olhar não pode alcançar.

Como esta piedade poderia nascer em nossos corações, ou como poderíamos ser justificados pela fé se a nossa salvação consistisse somente no que nos é dado ver? Por isso o Senhor disse àquela Apostolo que não cria na Ressurreição de Cristo enquanto não averiguasse com a vista e o tato, em Sua carne, os sinais da Paixão:

Crestes porque me vistes? Bem-aventurados os que creram sem terem visto.

Assim, para tornar-nos capazes, amadíssimos, de semelhante bem-aventurança, nosso Senhor Jesus Cristo, após ter realizado tudo o que convinha para a pregação evangélica e aos mistérios do Novo Testamento, quarenta dias após a Ressurreição, elevando-Se ao céu à vista dos Seus discípulos, findou a Sua presença corporal para sentar-Se à direita do Pai, até que se cumpram os tempos divinamente estabelecidos nos quais se multipliquem os filhos da Igreja, e Ele volte, na mesma carne com a qual ascendeu aos céus, para julgar os vivos e os mortos.

Assim, todas as coisas referentes a nosso Senhor que antes eram visíveis, passaram a ser ritos sacramentais; e para que nossa fé fosse mais firme e valiosa, a visão foi substituída pela instrução, de maneira que, doravante, nossos corações, iluminados pela luz celestial, devem apoiar-se nesta instrução”.

À luz do Tratado, oremos:

Cremos, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, que todas as coisas referentes a Vós, que foram contempladas e visíveis para os primeiros que chamastes, agora contemplamos verdadeiramente presente nos Sacramentos que celebramos

Cremos que, depois da Vossa Paixão, rompidas as cadeias da morte que, ao recair em Vós que não conhecestes o pecado, elas perderam toda a sua malignidade.

Cremos, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, que a debilidade se converteu em fortaleza, a mortalidade em eternidade, a ignomínia em glória.

Cremos, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, que, após Vossa Ressurreição, Vos manifestastes diante de muitas testemunhas através de numerosas provas, até o dia em que fostes introduzidos no triunfo da vitória obtida sobre os mortos.

Portanto, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, Vos pedimos que mantenhamos firmes nossa fé, impassível a nossa esperança, e ardente a caridade em nossos corações, contando com a presença e ação do Espírito da Verdade, na plena fidelidade a Deus, como plenamente vivestes. Amém. Aleluia!


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical –Editora Vozes – 2013 – pp. 109-110 – Editora Vozes

Em poucas palavras... (Ascensão do Senhor)

                                                        


“A elevação na cruz significa e anuncia a elevação da ascensão aos céus”

“«E Eu, uma vez elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). A elevação na cruz significa e anuncia a elevação da ascensão aos céus. É o princípio dela, Jesus Cristo, o único sacerdote da nova e eterna Aliança, «não entrou num santuário feito por homens [...].

Entrou no próprio céu, a fim de agora se apresentar diante de Deus em nosso favor» (Hb 9, 24). 

Nos céus, Cristo exerce permanentemente o seu sacerdócio, «sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus» (Hb 7, 25). 

Como «sumo sacerdote dos bens futuros» (Hb 9, 11), Ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai que está nos céus (São João Damasceno).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 662

O crepitar da chama em nossos corações (01/06)

 


O crepitar da chama em nossos corações

Livrai-nos, Senhor, da tentação das propostas de um messianismo fácil e triunfalista, pois não foi assim que Vos apresentastes como o Verdadeiro Messias.

Renovai em nós o amor, zelo e ardor da missão evangelizadora, com coragem para as renúncias e melhor segui-Lo e servi-Lo na pessoa de nosso próximo, carregando, com ousadia e fidelidade, nossa cruz de cada dia.

Ajudai-nos a viver a graça da fé em Vós, que vivestes plena fidelidade ao Pai na comunhão com o Santo Espírito, até o fim na missão redentora da humanidade, fazendo crepitar a chama do amor em nossos corações.

Concedei-nos a sabedoria para cultivar e manter viva a esperança da chegada do Vosso Reino, já presente entre nós, lançando as sementes fecundadoras de novos tempos, recriando o paraíso, não como uma vil saudade, mas compromisso inadiável sempre.

Inflamai-nos com o fogo do Santo Espírito, para que vivamos a caridade como a plenitude da Lei, como vivestes e nos ensinastes a viver (cf. Rm 13,10), enriquecidos pelos sete dons, e assim, produzirmos os sagrados frutos do Espírito (Gl 5,22). Amém.

 

PS: Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,35-37)


Vivamos a loucura da Cruz (01/06)

                                                        


Vivamos a loucura da Cruz


Na terça-feira da sétima Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 9, 30-37), que trata do segundo anúncio da Paixão do Senhor.

Este anúncio desconcerta os discípulos, que compreendem que seguir Jesus implica em viver como Ele, ou seja, ser servo de todos.

Assim nos diz o comentário do Missal:

“... A experiência deveria mostrar que a suposta loucura evangélica é a suprema sabedoria. A cobiça, a intolerância, a inveja, a submissão aos instintos humanos de posse e de domínio, sempre geraram guerras e conflitos, encobertos ou declarados, não só no mundo, mas também nas comunidades cristãs e na própria Igreja.

Os frutos da paz e da justiça amadurecem lentamente, mas com firmeza, quando cada qual, em vez de tentar dominar os outros, torna-se humilde ‘servo de todos’. As comunidades cristãs, a Igreja, ‘serva e pobre’, devem oferecer ao mundo uma imagem da cidade do Alto.” (1)

Celebrando o Mistério da Eucaristia, mais uma vez, alimentados por Ela e pela Palavra proclamada, também nós, discípulos missionários, renovemos sagrados compromissos de nos tornarmos, cada vez mais, como Jesus, nosso Divino Mestre e Senhor.

Deste modo, cumpriremos plenamente a Lei Divina impressa nas entranhas de nosso coração, e viveremos o duplo Mandamento do Amor a Deus e ao próximo, e para tanto, supliquemos a graça divina necessária.

Oremos:

“Concedei, ó Deus todo-poderoso, que procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”



(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Editora Paulus - p.1959

A Missão do Senhor é a nossa missão (Ascensão do Senhor)

                                                          


A Missão do Senhor é a nossa missão

Senhor, com a Vossa Ascensão aos céus, nos convidais a voltarmos os nossos olhos para o mundo em que vivemos, e darmos continuidade à Vossa Divina Missão, embora não merecedores o sejamos, mas em Vós confiamos e agradecemos.

Celebramos e contemplamos a Vossa partida como a marca do começo da missão universal confiada aos Apóstolos, porque tendes todo o poder no Céu e na Terra, e sois Cabeça da Igreja, que é o Vosso Corpo, e a ela nada falta para que esta missão realize.

Renovamos hoje o compromisso de construir, paciente e humildemente, no amor, a Vossa Igreja, como pedras vivas e escolhidas Vossas, e jamais nos sentindo órfãos, porque nos enviastes do Pai o Vosso Santo Espírito.

Cremos, contemplamos e sentimos a Vossa presença, Senhor, não mais como outrora, sujeita às limitações da condição humana, que restringia a Vossa ação no tempo e no espaço. Nada mais pode impedi-Lo de estar aqui ou ali, agora estais em todo lugar e caminhais conosco.

Contemplamos Vossa presença, Senhor, sublimemente na Palavra, na Eucaristia e no pobre, faminto, sedento, nu, enfermo, forasteiro, preso, e em tantos quantos possamos reconhecer-Vos, amando e servindo com humildade e alegria.

Nós Vos agradecemos, Senhor, por esta nova presença, e como discípulos missionários nada temos a temer no mundo. E que cada vez mais, como Igreja em saída, missionária e misericordiosa, coloquemo-nos a serviço da vida e da esperança, impelidos pelo Fogo do Vosso Amor. Amém. Aleluia!

A Ascensão do Senhor e as Virtudes Cardeais (Ascensão do Senhor)

A Ascensão do Senhor e as Virtudes Cardeais

Celebraremos a Ascensão do Senhor aos céus no próximo Domingo, e ao longo da semana, nos prepararemos, mais intensamente, para a Festa de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre a comunidade reunida, logo após a Ressurreição do Senhor.

A vinda do Espírito Santo nos acompanha em todo o momento na ação evangelizadora, e muito nos ajuda a orientá-la a partir das Virtudes Cardeais.

Vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 1805-1809) sobre estas quatro virtudes, que desempenham o papel como de uma dobradiça.

As virtudes da prudência, da justiça, da fortaleza e da temperança denominam-se “cardeais”, pois todas as outras se agrupam em torno delas.

Aparecem em inúmeras passagens da Sagrada Escritura, e uma delas, encontramos no Livro da Sabedoria (Sb 8,7): “Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza” (Sb 8, 7).

Vejamos as quatro virtudes:

Prudência: virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de atingi-lo. O homem prudente vigia os seus passos” (Pr 14, 15);  “Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar” (1 Pd 4, 7).

A prudência não pode ser confundida com a timidez ou o medo, a duplicidade ou dissimulação, e é também chamada de auriga virtutum – condutor das virtudes”, porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.

Justiça: é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

A justiça para com Deus chama-se “virtude da religião”, em relação aos homens, ela leva ao respeito dos direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum.

O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela retidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo – Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade’ (Lv 19, 15); “Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4, 1).

Fortaleza: é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na realização do bem.

Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral, dando a capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições.

Ela dispõe a pessoa para ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa de uma causa justa – “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14); “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Temperança: é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados.

Ela garante o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade, bem como orienta os apetites sensíveis da pessoa para o bem, com uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. 

No Antigo Testamento é muitas vezes louvada – “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30).

No Novo Testamento, é chamada “moderação’, ou “sobriedade” – Devemos “viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente” (Tt 2, 12).

Finaliza com uma citação de Santo Agostinho, que sintetiza tudo quanto se disse:

“Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)” .

Deste modo, nossa vida, conduzida pelas virtudes cardeais, nos fortalecerá no caminho de evangelização, na Proclamação da Palavra de Deus, participando da construção de uma autêntica cultura de vida e de paz, vendo no outro o nosso irmão, afinal somos todos irmãos - “Vós sois todos irmãos!” (Mt 23,8).

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