domingo, 1 de junho de 2025

A Solenidade da Ascensão segundo Santo Agostinho... (Ascensão do Senhor)

A Solenidade da Ascensão segundo Santo Agostinho...

À luz do Sermão do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), reflitamos sobre a Ascensão do Senhor aos céus:

“Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com Ele o nosso coração. Ouçamos as palavras do Apóstolo:

Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Cl 3,1-2).

E assim como Ele subiu sem Se afastar de nós, também nós subimos com Ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que nos está prometido.

Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como Seus membros.

Deu testemunho desta verdade quando Se fez ouvir lá do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues (At 9,4). E ainda: Eu estava com fome e me destes de comer (Mt 25,35).

Por que razão nós também não trabalhamos aqui na terra de tal modo que, pela fé, esperança e caridade que nos unem a nosso Salvador, já descansemos com Ele no céu?

Cristo está no céu, mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com Ele.

Por Sua divindade, por Seu poder e por Seu amor Ele está conosco; nós, embora não possamos realizar isso pela divindade, como Ele, ao menos, podemos realizar pelo amor que temos para com Ele.

O Senhor Jesus Cristo não deixou o céu quando de lá desceu até nós; também não Se afastou de nós quando subiu novamente ao céu.

Ele mesmo afirma que Se encontrava no céu quando vivia na terra, ao dizer:
Ninguém subiu ao céu, a não ser Aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu (cf. Jo 3,13).

Isto foi dito para significar a unidade que existe entre Ele, nossa Cabeça, e nós, Seu Corpo.

E ninguém senão Ele podia realizar esta unidade que nos identifica com Ele mesmo, pois Se tornou Filho do homem por nossa causa, e nós por meio Dele nos tornamos filhos de Deus.
Neste sentido diz o Apóstolo:

Como o corpo é um só, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo (1Cor 12,12).

Ele não diz: “assim é Cristo”, mas: assim também acontece com Cristo.

Portanto, Cristo é um só, formado por muitos membros. Desceu do céu por Sua misericórdia e ninguém mais subiu senão Ele; mas n’Ele, pela graça, também nós subimos. Portanto, ninguém mais desceu senão Cristo e ninguém mais subiu além de Cristo.

Isto não quer dizer que a dignidade da Cabeça se confunde com a do corpo, mas que a unidade do Corpo não se separa da Cabeça.” (1)

Renovemos o ardor da Missão Evangelizadora, pois assim como Deus O assistiu em todos os momentos, voltando para o Pai, nos reveste da força do alto, com a presença do Espírito.

Uma vez revestidos da força do alto, com a presença e ação do Espírito, trilhamos “a estreita via da Cruz”, na construção do novo céu e nova terra.

Nada faltou a Jesus, sendo assim, sendo Ele a Cabeça, nós o Seu Corpo, também já fomos elevados aos céus.

Isto não significa que tudo está consumado. Há um longo caminho a percorrer até que um dia possamos contemplar Deus face a face...

Sem letargias, inseguranças, atropelos, inércia, desânimos, mas com firmeza, equilíbrio, ardor...

A Ascensão é ao mesmo tempo a conclusão da
Missão do Senhor na terra e o início da nossa Missão.
Como amadas testemunhas, Ele nos enviou
para sermos sinais do Seu Amor!
Amém!

(1) Liturgia das Horas - pág. 828-829. 

Em poucas palavras... (Ascensão do Senhor)

 


“O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança...”

“O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança que nós vivemos, quando rezamos ao Pai. Ele está nos céus: é a sua morada.

A casa do Pai é, pois, a nossa «pátria». Foi da terra da Aliança que o pecado nos exilou (Gn 3), e é para o Pai, para o céu, que a conversão do coração nos faz voltar (Jr 3,19-4,1a; Lc 15,18.21).

Ora, foi em Cristo que o céu e a terra se reconciliaram (Is 45,8; Sl 85,12), porque o Filho «desceu do céu», sozinho, e para lá nos faz subir juntamente consigo, pela sua cruz, ressurreição e ascensão (Jo 12,32; 14,2-3; 16,28; 20,17; Ef 4,9-10; Hb 1,3; 2,13).”   (1)

  

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 2795

Em poucas palavras... (Ascensão do Senhor)

 


“Depois da Ascensão do Seu Filho...”

“Depois da Ascensão do seu Filho, Maria «assistiu com suas orações aos começos da Igreja» (Lumen Gentium n. 69). E, reunida com os Apóstolos e algumas mulheres, vemos «Maria implorando com as suas orações o dom daquele Espírito, que já na Anunciação a cobrira com a Sua sombra» (Lumen Gentium n.59).” (1)

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica – n. 965

Ascensão: o Triunfo do Vencedor, Jesus Cristo (Ascensão do Senhor)

 


Ascensão: o Triunfo do Vencedor, Jesus Cristo

Ao Celebramos a Ascensão do Senhor, sejamos enriquecidos pelo Sermão de São Máximo de Turim (séc. V):

“’Se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica infecundo; mas se morre, dá muito fruto’. Floresceu, pois, novamente o Senhor ressuscitando do sepulcro; frutifica quando sobe ao céu.

É flor quando é gerado nas profundezas da terra; é fruto quando é assentado em Sua sublime sede. É grão – como Ele mesmo diz – quando, só, padece a Cruz; é fruto quando Se vê cercado da copiosa fé dos Apóstolos.

De fato, durante aqueles quarenta dias em que, depois da Ressurreição, conviveu com Seus discípulos, instruiu-lhes em toda a maturidade da sabedoria e os preparou para uma safra abundante com toda a fecundidade de Sua doutrina. Depois subiu ao céu, ou seja, ao Pai, levando o fruto da carne e deixando em Seus discípulos as sementes da justiça.

Subiu, portanto, o Senhor ao Pai. Vossa santidade recordará, sem dúvida, que comparei o Salvador com aquela águia do salmista, da qual lemos que renova sua juventude.

Realmente existe uma semelhança, e não pequena. Pois assim como a águia abandonando os vales se eleva às alturas e penetra impetuosa nos céus, assim também o Salvador abandonando as profundidades do abismo Se elevou aos serenos picos do paraíso, e penetrou nas mais elevadas regiões do céu.

E assim como a águia, abandonando a mesquinharia da terra, e voando para as alturas, usufrui da salubridade de um ar mais puro, assim também o Senhor, abandonando a imundície dos pecados terrenos e revoando em Seus santos, alegra-Se na simplicidade de uma vida mais pura.

De forma que a comparação com a águia se encaixa perfeitamente ao Salvador. Mas, então, como explicar o fato de que frequentemente a águia destroça sua presa e arrebata seguidamente a presa alheia? Contudo, tampouco nisto é dessemelhante ao Salvador.

De certo modo arrastou com a presa quando ao homem que tinha assumido, arrancado das gargantas do inferno, o conduziu ao céu, e ao que era escravo de uma dominação alheia, isto é, da potestade diabólica, libertado da catividade, cativo o conduziu às regiões elevadas, como escreve o profeta: ‘Subiu ao alto levando cativa a catividade e deu dons aos homens’.

Esta frase certamente significa que levou ao alto dos céus a catividade cativa. Uma e outra catividade são designadas com idêntica palavra. Mas ambas com um significado bem distinto, visto que a catividade do diabo reduz o homem à escravidão, enquanto a catividade de Cristo restitui a liberdade.

‘Subiu’, disse, ‘ao alto levando cativa a catividade’. Quão bem descreve o profeta o triunfo de Cristo! Pois, segundo dizem, a pompa da carruagem dos vencidos costuma preceder ao rei vencedor.

Mas eis aqui que a catividade gloriosa não precede ao Senhor em sua Ascensão aos céus, mas que o acompanha; não é conduzida a carruagem à frente, mas sim que é ela a que leva ao Salvador.

Por um inefável mistério, enquanto o Filho de Deus eleva ao céu o Filho do homem, a própria catividade é ao mesmo tempo portadora e portada. O que acrescenta: ‘deu dons aos homens’, é o gesto típico do vencedor.” (1)

O Prefácio da Solenidade da Ascensão é expressivo para aprofundamento de quanto tenha dito São Máximo de Turim em seu Sermão:

“Na Verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Vencendo o pecado e a morte, vosso Filho, Jesus, Rei da glória, subiu (hoje) ante os anjos maravilhados ao mais alto dos céus. E tornou-Se o mediador entre vós, Deus, nosso Pai, e a humanidade redimida, juiz do mundo e Senhor do universo. Ele, nossa cabeça e princípio, subiu aos céus, não para afastar-Se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade...” .

De fato, a Ascensão de Cristo é o triunfo do vencedor, como tão bem expressa a Oração do dia desta Solenidade:

Oremos: 

“Ó Deus todo-poderoso, a Ascensão do Vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de Seu corpo, somos chamados na esperança a participar da Sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - pp. 110-111

As Virtudes Divinas à luz da Ascensão do Senhor (Ascensão do Senhor)

As Virtudes Divinas à luz da Ascensão do Senhor

Ascensão do Senhor, uma Festa com extrema beleza!
Inesgotável pelo seu conteúdo e esplendor...
Exultemos e cantemos de alegria:
continuamos a Missão do próprio Senhor.

Quando com a Comunidade, 
Missa, ativa, consciente e piedosamente celebrada,
pela Palavra Divina iluminados,
nossos passos, mais que revigorados.

“Ascensão: Jesus conosco está!
Portanto, não vacilemos na fé,
não esmoreçamos na esperança,
e não esfriemos na caridade!”

Voltemo-nos para dentro de nós mesmos.
Tenhamos coragem de rever os passos dados,
evivamos intensamente tudo que for celebrado
na vida, com pequenos grandes gestos de amor multiplicados.

Ao mundo, por Ele, fomos enviados.
Jesus na Ascensão completa Sua missão!
Agora começa a nossa. É a nossa vez,
Com Sua Ressurreição tudo novo se fez!
Aleluia!

A Festa da Ascensão é a Festa da nossa Missão! (Ascensão do Senhor)

A Festa da Ascensão é a Festa da nossa Missão!

Com a Solenidade da Ascensão do Senhor aos Céus, celebramos a elevação do Senhor, que não significa subida no sentido literal, mas que entrou em plena comunhão com Deus: Jesus subiu aos céus para ficar bem perto de nós.

Foi elevado junto de Deus para caminhar conosco até o fim do mundo.

Por fidelidade absoluta à missão, amor até as últimas consequências, entrega de Sua vida, por amor de nós, o Pai O glorificou e O fez entrar em Sua glória, por isto está sentado a Sua direita, exercendo o senhorio da história.

Ao subir ao céu, que é o amor sem limites, fica cada vez mais perto de nós com a presença e ação do Espírito Santo.

Jesus é a Cabeça, a Igreja Seu corpo. A Igreja jamais se sentirá desamparada, abandonada... Será sempre sinal de salvação para o mundo.

Numa perfeita comunhão a Igreja continua sua missão, com a assistência do Espírito, até que Cristo seja tudo em todos, na fidelidade ao que o Filho começou e que o Pai desejou para todos nós: A construção do Reino.

Portanto, somos cumulados de Bênçãos nesta alegre e irrenunciável Missão de Evangelizar.

Evidentemente que, por tudo isto, não há lugar na Igreja para apáticos, desanimados, derrotados... Quaisquer sinais de inércia são eliminados de nossa vida.

A Ascensão é um alegre anúncio, mais do que isto, é irradiação de alegria, porque a Vida venceu a Morte, um novo céu e uma nova terra devem ser inaugurados, como dom de Deus e empenho nosso.
Seja extirpada qualquer experiência espiritualista desencarnada e descomprometida com a realidade, com a vida.

Não há religião verdadeira, quando os braços se cruzam, mas quando as mãos se juntam em oração e se estendem, efetivamente, com empenho e compromissos solidários com a justiça e a paz, na construção da Jerusalém Celeste, a Cidade da Paz.

A fé cristã é encarnação na realidade, confronto com as culturas, fermentação de um mundo novo, e lembramos o Papa São Leão Magno (séc. V):

“... nem assim vacile a fé, esmoreça a esperança ou esfrie a caridade...”

A Festa da Ascensão aumenta a nossa fé e, é sempre momento profundo e eficaz para que a Igreja avalie e reveja sua presença no mundo, sobretudo em nossa realidade Latino Americana e Caribenha, marcada por tantos sinais de morte que clamam por vida.

Ascensão é, enfim, a Festa da nossa Missão na fidelidade a Deus; na continuidade da prática de Jesus com a Assistência do Espírito Santo.

Temos, com esta Solenidade, 
a maravilhosa oportunidade
de revigorar nosso compromisso batismal,
para sermos da massa o  fermento,
do mundo a luz 
e da terra o imprescindível sal.
Amém.

Ascensão, um Mistério de esperança que convida à ação (Ascensão do Senhor)


Ascensão, um Mistério de esperança que convida à ação

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Hebreus (Hb 9,24-28; 10,19-23), que nos convida a refletir sobre a Ascensão do Senhor.

A Ascensão de Cristo é a  Sua entrada no santuário do Céu, onde está intercedendo por nós, e de lá voltará e aparecerá um dia, para conceder a Salvação a quem O estiver esperando.

Deste modo, compreendamos a Ascensão do Senhor, como um Mistério de Esperança, que convida para a ação - "Por que estais a olhar para o céu? Em nome do Senhor, podeis ir em paz".

Na fidelidade ao Senhor, devemos viver a realidade cristã, marcada pela plenitude da fé (Hb 10,22), acompanhada de uma esperança indefectível, que tem seu fundamento na fidelidade de Deus (Hb 10,23), vivenciada por uma caridade ativa (Hb 10,24).

É no chão do coração, purificado de toda má consciência, que a fé lança suas sementes, fincando suas raízes, para que se elimine toda erva daninha do desânimo, de modo que a fina e pura flor da esperança exale todo seu odor, que se torna visível pela caridade e boas obras.

Todos nós, nas travessias de mares assustadores, de desertos extenuantes com seus temores, de caminhos difíceis, em que as pedras são inevitáveis, bem como das flores seus espinhos, precisamos da plenitude da fé.

Uma pessoa que tem fé, não será submergida na travessia dos mares nem terá sua garganta ressequida, ou a alma falecida pela secura e aridez do deserto, muito menos desistirá de trilhar seu caminho, porque sabe que com Ele, Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), não caminhará à deriva sem horizonte, sem rumo.


Da mesma forma, tendo esperança indefectível, sem erros, vacilos, defeitos, fará de cada amanhecer uma nova possibilidade; de cada recuo, se necessário for, ponto de um novo avanço (assim são as ondas); se quedas houver, é para que se tome consciência das limitações, para cair toda pseudo-onipotência, e se aprenda a curvar diante da Divina Onipotência, Deus.

Caridade no coração terá; uma caridade com um tom diferencial, que seja ativa. O amor será a mais bela chama que a todos contagia, porque é próprio do Amor de Deus assim fazer. O amor divino é como língua de fogo, que aquece as realidades mais frias e sombrias, ilumina outras, mais que escuras, desoladoras. O amor é fogo que não se consome, chama ardente de caridade que o coração invade, e luz que jamais se apaga.

Amar é fazer Deus aparecer, todo Seu esplendor revelar, e glórias infinitas aos céus elevar.

Bem disse Jesus, ao nos conferir identidade e missão de sermos sal e luz do mundo: “Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16)

Plenitude de fé, esperança indefectível, caridade ativa,
Virtudes divinas tão preciosas,
Que haveremos, com todo o zelo, cuidar.

Cultivo tão belo e precioso jamais omitido,
Certeza de que o amanhã melhor há de ser,
Pois é próprio do amor de Deus fazer florescer,
Tudo que para nós for preciso, e a vida mais bela ser.
Amém.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG