sexta-feira, 15 de maio de 2026

Minhas reflexões no Youtube

 
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Não ficamos órfãos

                                                         


Não ficamos órfãos

Preparemos o nosso coração para as próximas Solenidades que nos encherão de alegria (Ascensão do Senhor e Pentecostes) e esperança, apesar das situações que ainda nos entristecem em nosso contexto de pecado e morte de tantos nomes.

Renovemos a confiança de que Deus está conosco, e por isso, não desistimos jamais da missão de continuar anunciando e testemunhando Sua Palavra e Seu Reino, mesmo que encontremos oposições, dúvidas, resistências, e polarizações de múltiplas expressões.

Verdadeiramente Deus está conosco, e nos envia o dom do Espírito Santo, que nos cumula com os sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade.

Vinde, Espírito Santo, “...com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e, depois por meio desse, a alma dos outros....” Amém. Aleluia! (1)

 

PS: Fonte inspiradora - Jo 16,20-23a
(1)São Cirilo de Jerusalém, Bispo -  (séc. IV)

Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho?

                                             



Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho?

Ó Deus, rico em misericórdia, a Vós recorremos confiantes e suplicamos, pela gloriosa Virgem Maria, Vossa Mãe e nossa, a quem invocamos como Nossa Senhora do Caminho.

Verdadeiramente Nossa Senhora do Caminho, porque seu coração é imaculado, e jamais conheceu o pecado e a desobediência à Vossa vontade e projetos.

Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho para:

- Nos apontar Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida, e nos fazer mergulhar no Mistério profundo e imenso do Coração trespassado e ferido de amor do Seu Amado Filho?

 - Caminhar conosco, e nós, como os discípulos de Emaús, sentirmos arder nosso coração como Seu Amado Filho fez ao revelar as Sagradas Escrituras no caminho e reconhecido no partir do Pão (Lc 24,13-35)?

- Nos ensinar a falar com o coração para que no discipulado vivamos a necessária proximidade, compaixão e ternura, sobretudo com os pobres, Vossos amados e preferidos?

- Nos ensinar o caminho de conversão, para que passemos de um mundo sem coração, para uma civilização do amor, fraternidade e comunhão?

- Nos ajudar a discernir e nos comprometermos com novas posturas e mentalidades para curar a “Terra ferida” pelo nossa arrogância, consumismo e autossuficiência, comprometidos com uma necessária Ecologia integral, onde tudo está interligado?

- Nos ajudar a contemplar os Vossos Mistérios, meditando e guardando tudo no Coração, como assim Ela o fazia, pois olhava com o coração, com olhar da contemplação?

- Nos lembrar e nos ajudar a redescobrir, na era da inteligência artificial, que não podemos nos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano (Papa Francisco)?

- Nos ensinar a confiar em Seu Filho, que viveu um amor apaixonado, que sofreu por nós, um coração ferido de amor e por nós Se entregou para nossa redenção, e espera tão apenas que sejamos uma resposta ao Seu divino amor, como um mendicante de nosso amor?

- Nos encorajar, como peregrinos da esperança rumo à casa do Pai, mergulhados no Coração de Cristo, a obra prima do Espírito Santo (Papa São João Paulo II)?

- Fazer nosso coração bater em uníssono com seu coração e o com o Sagrado Coração do Seu Filho, o compêndio do Evangelho, para vivermos a ternura da fé e a alegria do serviço, em sagrados compromissos comunitário, social e missionário?

- Firmar nossos passos, para que sejamos discípulos missionários e irradiar as chamas do amor de Cristo, não nos perdendo com discussões secundárias, mas fazendo da vida uma agradável oferenda e sacrifício de louvor a Deus?

- Nos ajudar, para que sejamos enamorados pelo Verbo que Se fez Carne, e a missão nossa de cada dia não seja por obrigação ou dever, mas simplesmente por um amor que nos envolve e nos enche de ternura, que se torna impossível conter?

- Apontar o Caminho, ainda que marcado por renúncias e cruz carregada cotidianamente, com horizonte de eternidade, ela, que jamais nos apontaria caminhos e atalhos do abismo do sofrimento sem esperança Amém. Aleluia!

Suplicamos a Sabedoria Divina

                                               


Suplicamos a Sabedoria Divina

Ó Deus, por meio do Vosso Filho, venha sobre todos nós, a Sabedoria do Santo Espírito para nos iluminar e nos conduzir, encorajando-nos a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, acima de tudo para a causa da fraternidade humana e da paz.

Iluminai toda a humanidade, como família humana neste inadiável compromisso, a fim de que a paz seja fruto de relações que reconheçam e acolham o outro na sua dignidade inalienável, e de cooperação e compromisso na busca do desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos.

A Vós, ó Pai, por meio de Jesus na comunhão com o Espírito Santo, suplicamos para que o rápido desenvolvimento de formas de inteligência artificial não aumente as  demasiadas desigualdades e injustiças já presentes no mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana.

Enviai Vosso Espírito de Sabedoria para que os fiéis cristãos, os crentes das várias religiões e os homens e mulheres de boa vontade colaborem harmoniosamente para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios colocados pela revolução digital, e entregar às gerações futuras um mundo mais solidário, justo e pacífico. Amém.

 

PS: Fonte inspiradora – Mensagem do Santo Padre Francisco para a Celebração do Dia Mundial da Paz - 1º de janeiro de 2024 – “Inteligência artificial e paz”.

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

Falar somente o que for de proveito espiritual

                                         


Falar somente o que for de proveito espiritual

Assim nos falaram os Pais do Deserto em um dos ditos anônimos:

“Um dos anciãos disse: ‘No início, costumávamos reunir-nos e falar do proveito espiritual; tornamo-nos como coros, coros de anjos, e éramos elevados ao céu.

Agora nos reunimos e chegamos a caluniar, afastando-nos um aos outros para o abismo’.”  (1)

Este dito pode nos ajudar nos tempos atuais, sobretudo no mundo virtual, em que se multiplicam postagens, comentários, críticas privadas de caridade, que por vezes podem criar muros, distanciamentos e não pontes de fraternidade, comunhão e amizade sincera.

E se considerarmos o avanço da Inteligência Artificial na geração de conteúdos, pode se tornar ainda mais grave.

O problema não são as ferramentas disponíveis, mas o bom uso que delas façamos, lembrando as palavras do Papa Leão XIV:

“Por isso, a exposição mediática, o uso das redes sociais e de todos os instrumentos hoje à disposição devem ser sempre avaliados com sabedoria, tendo como paradigma de discernimento o serviço à evangelização. ‘Tudo me é lícito ! Sim, mas nem tudo convém’ (1 Cor 6,12)”. (2)

Concluo com as palavras do Papa Francisco:

“Na era da inteligência artificial, não podemos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano. O que nenhum algoritmo conseguirá abarcar é, por exemplo, aquele momento de infância que se recorda com ternura e que continua a acontecer em todos os cantos do planeta, mesmo com o passar dos anos.” (3)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.238 – pp. 173

(2)Carta Apostólica –“Uma fidelidade que gera futuro” de 8 de dezembro de 2025

(3)Carta Encíclica Dilexit Nous – Papa Francisco – 2024 – parágrafo n. 20

A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas

 


A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas
 
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)
 
Um Planejamento Pastoral deve ser fruto do trabalho conjunto de muitas mãos, mentes e corações, que possibilita a continuidade da ação evangelizadora.
 
Um valioso instrumento que ajuda a lançar as redes em águas mais profundas (Lc 5,1-11), pois a evangelização prima pela superação da superficialidade e ativismo inconsequente; provoca-nos para respostas comunitárias, sem ações individualizadas, mas inseridas na Pastoral de Conjunto.
 
Precisamos buscar respostas evangélicas para os grandes desafios que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna:
 
- A realidade urbana: desafios e respostas;
- A evangelização da família;
- O resgate da pessoa humana no exercício de sua cidadania;
- O aprimoramento das atitudes de acolhida e fortalecimento dos vínculos de comunhão fraterna;
- O desafio da evangelização da juventude;
- Um projeto missionário que expresse a dimensão missionária de toda a Igreja;
- Presença evangelizadora nas escolas e universidades;
- A necessidade de uma linguagem comum para os Sacramentos;
- Formação bíblica e espiritualidade do agente de pastoral;
- Maior cuidado com os momentos litúrgicos, para que sejam momentos fortes de oração;
- Evangelizar através dos Meios de comunicação social contando com a sóbria utilização dos recursos da inteligência artificial;
- Fortalecimento das pastorais sociais na promoção da dignidade da vida e o cuidado da Casa Comum.
 
Deste modo, é necessário que as vocações cristãs leigas, alimentadas pela Palavra e Eucaristia, atuem em sintonia com padres, Bispo, religiosos e religiosas, em diversas estruturas, organismos e pastorais.
 
Urge que no espírito sinodal, comunhão e participação, e na evangélica opção preferencial pelos pobres, participemos da construção de uma sociedade justa, fraterna e mais solidária, a caminho do Reino definitivo.
 
Tenhamos sempre em mente que o Protagonista da evangelização é o Espírito Santo, de modo que a diversidade de carismas, dons e ministérios devem ser compartilhados, garantia de êxito na evangelização (1 Cor 12-30), na fidelidade a Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), e tão somente assim evangelizaremos e avançaremos para as águas mais profundas.

A inteligência artificial e a sabedoria do coração (súplica)

                                             


A inteligência artificial e a sabedoria do coração 

Suplicamos, ó Deus, a Vossa Sabedoria para que através da inteligência artificial, de mãos dadas com a sabedoria do coração, sejamos promotores de uma comunicação plenamente humana, orientada para o bem de toda a humanidade.

Não permitais, ó Deus, que caiamos na tentação do delírio da onipotência, com a indevida utilização da inteligência artificial, na funesta pretensão de um futuro que prescinda de Vós, ou até mesmo decrete a Vossa morte, como se de Vós não mais precisássemos

Concedei-nos um olhar espiritual, recuperando a sabedoria do coração, para que possamos ler e interpretar a novidade do nosso tempo e descobrir o caminho para uma comunicação plenamente humana.

Convertei o nosso coração para que, de fato, ele seja a sede da liberdade e das decisões mais importantes da vida, como um símbolo de integridade e unidade, sem jamais ocorrer a perda dos afetos, desejos, sonhos e da íntima e necessária comunhão convosco.

Abri nossos horizontes para o encontro com o outro, na sabedoria do saber escutar e falar tão somente o que possa edificar pontes de fraternidade e amizade social; jamais seja a inteligência artificial usada para a edificação de muros que nos fragilizam, e nos distanciam, por vezes, numa terceira guerra em pedaços.

Ajudai-nos na prevenção acompanhada da promoção de uma regulamentação ética que contorne os efeitos danosos, discriminadores e socialmente injustos dos sistemas de inteligência artificial, e não caiamos em polarizações de opiniões púbicas ou a construção de um pensamento único determinante.

Abertos à Sabedoria do Espírito, sejamos promotores de uma comunicação que nos liberte de toda forma de escravidão, e estabeleçamos relações de amor, respeito e liberdade, pois é para a liberdade que o Vosso Filho nos libertou, por Sua Morte e Ressurreição (cf. Gl 5,1).

Nutri nosso coração, portanto, de liberdade, para que cresçamos em Sabedoria, colocando toda e qualquer forma de inteligência artificial, a serviço de uma comunicação plenamente humana; mais uma vez, nós Vos pedimos, por meio do Vosso Filho, em comunhão com o Santo Espírito. Amém.

 

PS: Fonte inspiradora: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

Indefinibilidade do amor...

                              

Indefinibilidade do amor... 

Assim conclui a reflexão do Missal Cotidiano, quando se proclama o trecho da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 13,8-10):

“O amor não se define, vive-se. Importa amar para ver claro. E se quisermos que algum outro veja claro, a única estratégia eficiente é amá-lo sem condições, como a nós mesmos. Deus é Aquele que ama primeiro: ama-nos antes de nós mesmos...”

Lembramos as Palavras do Apóstolo aos Romanos: ”A caridade é a plenitude da lei” (Rm 13,10).

Também somos enriquecidos pelo seu memorável texto sobre o amor, que encontramos na Primeira Carta aos Coríntios 13.

Um texto indiscutivelmente inspirador de tantos outros, para cristãos ou não.

Remete-nos a Luís Vaz de Camões (1524-1580), grande poeta da língua portuguesa e sua ímpar poesia:

               “Amor é fogo que arde sem se ver;          
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”


Lembramos “Monte Castelo”, do grupo Legião Urbana, que fez uma releitura musical dos textos acima!

Bíblia, poesia e música: que nossa alma se eleve para amar, sem procura de definições conceituais.

Amar na bela e plena medida como Cristo amou e nos ama...
Amor não se define, vive-se!

Contemplemos o amor que se concretiza
Em múltiplas expressões e relações.

Contemplemos o amor que se eterniza
Em versos, sonetos e belas canções.

Contemplemos o amor que nos eterniza,
Porque condição e meta do existir.

Contemplemos o amor, que nos nutre
E fortalece para tudo que há de vir!

Ah! indefinibilidade do amor!
Ah! inesgotabilidade do amor!

Sobretudo o amor de Nosso Senhor!
que possui o mais belo esplendor! Amém.

Cair, levantar e caminhar

                                               


Cair, levantar e caminhar

Por vezes, podemos experimentar a queda,
mas temos que nos levantar e continuar o caminho...

Ainda que não tenhamos forças para nos levantar,
Deus, em Sua bondade e providência, nos assiste.

Não nos deixa faltar mãos solidárias estendidas,
Que não apenas nos levantam, mas condividem os fardos.

Agradeçamos a Deus por estas mãos tantas,
Que nos foram estendidas para sermos o que somos.

Mãos que tocaram nossas feridas com o bálsamo da atenção,
E nos enfaixaram com as faixas da ternura e coragem.

Sejam nossas mãos também estendidas e solidárias,
A quantos caídos, feridos sem vontade de viver e caminhar.

Contemplemos a tríplice queda do Senhor,
E a solidariedade de Simão Cirineu no carregar da cruz.

O Senhor caiu pelo peso de nossos pecados e maldade.
Caiu porque expressão máxima da misericórdia divina.

Caiu pela misericórdia redentora por todos nós vivida.
Caímos, por vezes, por causa de nossos pecados e miséria.

Se cairmos, que não seja para sempre,
Pois há um longo deserto a atravessar...

“Unidos no Espírito Santo pelo vínculo da paz”

 


“Unidos no Espírito Santo pelo vínculo da paz”

Sejamos enriquecidos pela Homilia sobre o Cântico dos Cânticos escrita pelo bispo São Gregório de Nissa (Séc.IV):

“Se o amor expulsa completamente o temor, de tal modo que o temor se transforma em amor, então compreenderemos que a salvação nos é obtida pela unidade. Pois a salvação consiste em estarmos todos unidos, na íntima adesão ao único e sumo bem, pela perfeição que está representada naquela pomba de que nos fala o Cântico dos Cânticos.

É o que parece depreender-se das seguintes palavras: Uma só é a minha pomba, uma só é a minha perfeita; é a única filha de sua mãe, a predileta daquela que lhe deu à luz (Ct 6,9).

No Evangelho, a palavra do Senhor no-lo diz ainda mais claramente. Jesus abençoa seus discípulos, dá-lhes todo o poder e concede-lhes os seus bens. Nestes bens incluem-se também as santas expressões que dirige ao Pai.

Mas entre todas as palavras que Ele diz e as graças que concede, há uma que é a mais importante e como que a fonte e a síntese de tudo o mais. É aquela em que adverte os seus para nunca mais se separarem por divergência alguma no discernimento das atitudes a tomar; mas, pelo contrário, sejam um só coração e uma só alma, procurando acima de tudo a união com aquele único e sumo bem.

Deste modo, unidos no Espírito Santo pelo vínculo da paz, como diz o Apóstolo, serão todos um só corpo e um só espírito, animado pela mesma esperança a que foram chamados.

Entretanto, será melhor referir textualmente as divinas palavras do Evangelho: Que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós (Jo 17,21).

O vínculo desta unidade é a glória. Nenhuma pessoa sensata poderá negar que este nome “glória” é atribuído ao Espírito Santo, se recordar as palavras do Senhor: Eu dei-lhe a glória que tu me deste (Jo 17,22). Foi esta glória que o Senhor deu aos discípulos quando lhes disse: Recebei o Espírito Santo (Jo 20,22).

Ele sempre possuiu esta glória, antes mesmo que o mundo existisse; mas recebeu-a também ao assumir a natureza humana. E uma vez que a natureza humana de Cristo foi glorificada pelo Espírito Santo, a glória do Espírito foi comunicada a todos os que participam dessa natureza, a começar pelos apóstolos.

Por esta razão diz: Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita (Jo 17,22-23). Por isso, todo aquele que vai crescendo desde a infância até alcançar o estado de homem perfeito, chega àquela maturidade espiritual que somente a inteligência, iluminada pela fé, pode compreender. Então será capaz de receber a glória do Espírito Santo, através de uma vida pura, livre de toda mancha. Esta é aquela pomba perfeita a que se refere o esposo quando afirma: Uma só é a minha pomba, uma só é a minha perfeita.” (1)

O Senhor nos comunica a glória que do Pai recebeu, e nos envia o Espírito Santo para que edifiquemos comunidades mais fraternas e solidárias.

Urge que nossas comunidades empenhem-se, cada dia, fazer progressos neste sentido, no fortalecimento da comunhão vivida, com gestos concretos de amor, perdão, compaixão, proximidade e solidariedade.

“Pai Nosso que estais nos céus...”

 

(1) Liturgia das Horas – Volume Quaresma/Páscoa – Editora Paulus - p. 868-870

A mais bela súplica: Envia, Senhor, o Teu Espírito!

                                                       

 

A mais bela súplica: Envia, Senhor, o Teu Espírito!
 
Ó Espírito Santo de Deus, fonte de toda luz e amor.
Sem Ti, sucumbiríamos em nossa miséria humana,
Não suportaríamos o peso da cruz cotidiana,
e mergulharíamos em um vale de sofrimento e dor.
 
Ó Espírito Santo, que conheces nossos prantos,
e ouves nossos lamentos,
Sem Ti seriam insuportáveis nossos louvores e cantos.
e a última palavra seria a morte e sofrimentos.
 
Por isto, Te pedimos: Envia, Senhor, o Teu Espírito!
Porque Ele é vento que a todos assopra,
Fogo que arde e jamais se consome,
A todos aquece e ilumina!
 
Ó Espírito Santo, Vem! Teu sopro nos envie.
Como Igreja Sinodal reunida, a Ti, confiantes, suplicamos:
Vem até nós para nos aquecer, salvar e iluminar,
Curar, fortalecer, ensinar, aconselhar e consolar. 
 
Ó Espírito Santo de Deus, sem Ti nada somos,
nada podemos. Sem Ti não há vida.
e somos como orvalho da manhã que passa,
Como a grama que murcha ao entardecer.
 
Ó Espírito Santo de Deus, fonte de graça e todo vigor,
Para Ti, nossas mãos confiantes, estendidas se levantam, 
nosso coração se abre, caminhos novos apontam,
E nossos lábios proclamam: És de nossa vida, Senhor!
 
Ó Espírito Santo de Deus, fonte de paz e comunhão,
Contigo, os fardos são mais leves, jugos suavizados.
Contigo, morreu em nós a morte: É Ressurreição!
Contigo, com Tua morada em nós, somos divinizados. Amém. 

Tristezas momentâneas, alegrias eternas...

                                                                 

Tristezas momentâneas, alegrias eternas...

A Liturgia da sexta-feira da 6ª Semana da Páscoa nos apresenta como Leituras: a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (18,9-18), Sl 46 (47) e Evangelho de São João (Jo 16, 20-23a).

Na passagem da primeira Leitura, vemos as dificuldades encontradas pelo Apóstolo Paulo em sua missão evangelizadora na Cidade de Corinto. 

Retomo a Palavra do Senhor a Paulo numa visão: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence” (v.10).

A fé cristã não consiste numa vida tranquila, como que um relacionamento idílico, como se não houvesse mais problemas a serem enfrentados.

Diante das adversidades é preciso manter a serenidade e a confiança, contando com a assistência do Espírito Santo que nos acompanha, encoraja e esclarece nos momentos mais cruciais e difíceis de nossa vida, como nos assegura o Senhor no Evangelho, quando de Sua despedida aos discípulos – “Também vós agora sentis tristeza, mas Eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16, 2).

Nenhuma força humana pode barrar o caminho da Palavra de Deus, a fim de que ela ressoe até os confins da terra. A verdadeira alegria cristã nasce das tribulações, de um parto doloroso. Assim diz o Missal – “Assim como das dores de parto nasce para a mulher uma nova vida, assim dos sofrimentos e da obscuridade da Sexta-feira Santa brotará a alegria da Páscoa” (1).

E completa: “O sofrimento não é querido em si mesmo, mas torna-se um momento ineliminável porque a instalação do Reino de Deus se dá sempre numa dialética de luta e de oposição desencadeadas pelas forças do mal. A vitória, bem sabemos, é sempre precedida de luta, até luta mortal, e esta não é nunca um inócuo exercício de ginástica, mas é agonia e choque de adversários” (2).

Preparando-nos para a Festa da Ascensão e de Pentecostes, procuremos perceber a manifestação e a ação do Espírito Santo, o Paráclito, o Defensor, que nos comunica a presença do Ressuscitado, para vivermos intensamente nossa fé, com viva esperança, entrelaçada com o vigor da caridade.

Abramo-nos à presença e manifestação do Espírito Santo, que nos acompanha em todos os momentos. Não estamos órfãos. O Espírito Santo nos protege, ensina e recorda tudo o que o Senhor ensinou.

Do mesmo modo, nos conduz à luz da verdade, e cria laços de comunhão e fraternidade, porque o Espírito é o Amor do Pai, revelado por Jesus, e nos faz criativos, corajosos na missão do anúncio da Boa Nova, enriquecendo-nos com os sete dons.

Ter fé no Senhor é saber que a tristeza de Sua ausência é momentânea e incomparavelmente menor do que a alegria imensurável de Sua eterna presença, Ressuscitado, Glorioso, como podemos sentir pela ação e vida do Espírito que nos foi enviado do Pai, em Seu nome.


(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 465.
(2) Idem. 

“Venha a nós o Vosso Reino..."

                                                                            

“Venha a nós o Vosso Reino..."

Aprofundemos esta súplica que sempre fazemos ao rezar a Oração do Senhor, o Pai Nosso: “Venha a nós o Vosso Reino...”

Oportunas são as palavras do Prefácio da Missa da Solenidade de Cristo Rei:

“Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder toda criatura, entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal:Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...”

Reino Eterno: 
Quantos reinos passaram, quantos impérios sucumbiram, pois nenhum poder terreno é eterno.
A história tem suas escritas, suas lembranças, ora belas, ora amargas da dominação de verdadeiros impérios, domínios, reinos...
Humanos que  pretenderam ser como deuses, infalíveis, eternos... Mas, ficaram apenas lembranças, às vezes edificantes, outras vezes nem tanto...

O Reino de Jesus é eterno porque implantado no amor e pelo amor. Carrega em sua origem, o princípio vital da eternidade porque procede e volta para oEterno: Deus. Como Deus é Amor, e o Amor jamais passará, Seu Reino jamais passará. 

Reino Universal: 
O Reino de Deus não conhece limites do tempo, nem do espaço e abrange todo o tempo, toda existência, todos os povos, todo o universo.

É a recapitulação e reconciliação da História, de toda criação e de toda criatura.  Sua universalidade faz de todos os povos um só povo, expressão da mais perfeita comunhão, fraternidade e paz.

Reino da Verdade:
Ele mesmo Se apresentou a nós como a Verdade que liberta – “conhecereis a Verdade e vos tornareis verdadeiramente livres”.
Toda Sua vida foi uma verdade absoluta e irrevogável do amor de Deus por nós.

Seu agir foi todo pautado pela verdade, denunciando mentiras e hipocrisias, enfrentando o pai da mentira (Satanás).
Desamarrou as correntes da mentira que aprisionavam as pessoas, rompeu tudo aquilo que impedia emergir no coração e na mente humana a verdade que traz alegria, serenidade, noites bem dormidas, amanhecer pleno de luz.

Reino da Vida:
Também Se apresentou a toda humanidade e em todo o tempo, como a Vida, e disse literalmente:
“Vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente”.

Não veio trazer vida apenas para o presente, para nós trouxe a vida livre da temporalidade inexorável.
Abriu-nos as portas da vida na eternidade.

Rompeu os muros que nos separavam da vida eterna, construída pelo pecado, pela desobediência. O esplendor da vida que perdêramos com o pecado de nossos pais, Ele nos recuperou plenamente. Assegurou-nos a beleza da vida desde sua concepção até seu declínio natural, para que possa desabrochar na presença de Deus: céu. 

Reino da Santidade:
Fomos predestinados a uma vocação única: A santidade. Santidade, não como uma vida para além das nuvens. Pés fincados no chão, coração para Deus voltado, olhos por Ele iluminados com o indispensável colírio da fé. 

Santidade como compromisso com aqueles que nos rodeiam, como desejo de construir pontes indestrutíveis que nos fazem mais humanos, mais fraternos, mais verdadeiramente imagem e semelhança de Deus.

Santidade não como angelismo desencarnado, irresponsável e estéril, que nos faria infantilizados. Santidade rima na palavra e no conteúdo com responsabilidade, fraternidade, maturidade, dignidade, sobriedade... 

Reino da Graça: 
Deus Se relaciona conosco no puro amor, na perfeita doação, ação restauradora; cumula-nos com todos os benefícios; Sua ternura por nós é transbordante; gera e edifica cada pessoa que o coração a Ele abre.

Reino da graça é o Reino em que não há espaço para a violação da vida, como a fome, o frio, o abandono, a solidão, o encarceramento, a enfermidade sem presença amorosa e confortadora.

A acolhida da graça de Deus torna a vida mais bela, pois esta é o Seu cuidado para conosco em todo o tempo.
 
Reino da Justiça: 
Um Reino em que as relações se dão na perfeita harmonia, na justa medida, chegando à expressão da misericórdia.
A justiça humana não dispensa o aprendizado da misericórdia divina. A justiça extingue toda possibilidade de roubo, exclusão, oportunismo, mentira, hipocrisia, indiferença, omissão... 

Reino do Amor: 
Será que é preciso dizer algo sobre esta marca de Seu Reino?
Se algo faltar em sua reflexão, convido-o a retomar o Evangelho de São João (15), em que nos exorta a amar como Ele nos amou, eis o novo Mandamento.

Ou ainda o capitulo 13 de São Paulo aos Coríntios: O hino da caridade. Se ainda algo fosse preciso dizer, se ainda não se sinta saciado é imprescindível e deleitoso ler a 1.ª Carta de São João...

Reino da Paz: Shalon! 
Plenitude de bens, abundância de tudo aquilo que nos faz pessoas verdadeiramente felizes, porque quem participa do Reinado de Jesus, Rei Bom Pastor, Rei Soberano e Juiz, só pode gozar da plenitude da alegria, da vida e da  paz.

“Venha a nós o Vosso Reino 

É fazer de nosso coração o trono em que Ele possa reinar. E quando Ele reina em cada um de nós, nossa vida fica marcada pela verdade, com desejo profundo de santidade, na acolhida e abertura da graça, para que nos relacionemos na justiça, testemunhando O Amor que traz a verdadeira paz!

Seremos eternos e nos comunicaremos na linguagem da universalidade, a linguagem do Espírito: A linguagem do amor.

“... Senhor eu sei que é Teu este lugar, todos querem Te adorar...
Podes Reinar Senhor Jesus oh sim,
O Teu poder Teu povo sentirá. Que bom,
Senhor, saber que estás presente aqui,
Reina, Senhor, neste lugar...”


PS: Oportuno para reflexão da passagem da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses ( 1 Ts 3,12-4,2).

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