sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Apresentar e testemunhar Jesus, a Luz das Nações (IIDTCA)

Apresentar e testemunhar Jesus, a Luz das Nações

“Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser.
Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica.”

A Liturgia do 2º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos apresenta as passagens bíblicas: Is 49,3.5-6; Sl 39, 2.4.7-10-11ab; 1 Cor 1,1-3; Jo 1,29-34.

Na primeira Leitura, uma passagem do Antigo Testamento, o Profeta Isaías anuncia a ação divina, que fará do Servo Sofredor a luz das nações, para que seja a Salvação de Deus oferecida a toda a humanidade. Trata-se do segundo cântico do Servo Sofredor.

A Tradição cristã viu sempre nesta página o anúncio profético do Messias, que veio ao mundo como luz e Salvação para a Humanidade.

O Salmo traz um refrão que deve iluminar toda a nossa vida, sobretudo nossa prática pastoral como discípulos missionários do Senhor – “Eu disse: ‘Eis que venho, Senhor, com prazer faço a Vossa vontade!’”.

Servir a Deus com alegria, exultação, sinceridade, doação... Sem reclamar, sem sentir-se obrigado a qualquer coisa. Impulsionados pelo amor, quando algo fazemos, o prazer e a alegria são mais que alcançados, notados e partilhados.

Não encontramos nenhum gosto saboroso naquilo que não fazemos por amor e com prazer, sobretudo quando se refere à vontade divina, que pode exigir de nós algo mais: renúncia, sacrifício.

A passagem da segunda Leitura é a introdução da Carta que Paulo dirige à comunidade de Corinto, convidando todos a trilhar o caminho de santidade e a viver a única vocação que Deus tem para nós: sermos santos.

Finaliza a Carta com uma preciosa saudação que devemos trocar mutuamente, sobretudo quando estivermos esmorecidos, não enxergando a mão e a intervenção amorosa de Deus, que nos concede toda graça e toda paz: “A graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco”.

Na passagem do Evangelho, vemos a presença de João que nos apresenta Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

João batizou Jesus, não porque este fosse pecador, mas para santificar a água na qual todos seríamos batizados. João viu e dá  testemunho sobre Jesus:  Ele,  João, viu, no dia do Batismo, descer do céu sobre Jesus o Espírito como uma pomba. É Jesus, batizado por João, o Messias esperado, o enviado de Deus para com o Batismo no Espírito comunicar Luz e salvação para toda a humanidade.

Oportuna a citação do Lecionário Comentado: “Hoje a Palavra de Deus qualifica João como o ‘apresentador do Messias.

Estamos habituados a assistir às entrevistas na televisão, em que o apresentador se serve de personagens famosas para ganhar audiência: os outros são para ele um pretexto para aumentar sua popularidade.

João, não! Não se serve de Jesus para aumentar a sua fama, ao invés convida os seus discípulos a seguirem Jesus” (p. 62).

A propósito, João dirá em outra passagem: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

Iniciando o ano, somos todos convidados a renovar a alegria da graça do Batismo e também sermos no mundo sinal da Luz que é o Cristo Senhor.

É nossa missão sermos também apresentadores do Senhor, com o anúncio do Evangelho em todos os espaços e por todos os meios.

Mas não basta apresentar Jesus, falar de Jesus. É preciso que nossa vida corresponda ao que anunciamos, ou seja, é necessário o testemunho permanente e incansável, até que um dia possamos contemplar a face d’Aquele que nos foi apresentado, e também ao mundo apresentamos, na glória da eternidade.

Finalizo com as palavras de Santo Inácio de Antioquia (séc I):

Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois só um é o Mestre que disse e tudo foi feito, mas também, tudo quanto Ele fez em silêncio é digno do Pai”.

Peçamos a Deus a graça de continuarmos apresentando o Senhor ao mundo, sempre acompanhado do necessário testemunho, em constante atitude de amor, diálogo, comunhão e serviço.

Setas ardentes do Amor Divino

 


Setas ardentes do Amor Divino

“Mas quem pode livrar-se porventura

dos laços que o amor arma brandamente” (Camões)

 

É uma manhã como todas as demais: o sol desponta timidamente no horizonte para iluminar o novo dia, com seus raios também aquecer e garantir a sagrada teimosia da existência, não obstante depredações e destruições, superaquecimento global, camada de ozônio...

Caminhando entre pedras e espinhos, sigo curando os cortes, e vencendo as dores, carregando as lembranças sacramentadas pelas cicatrizes.

Não fosse o Amor do Amado, quem avançar suportaria? Mais fortes seriam os turbilhões das emoções e medos a levar consigo os sonhos, metas, cantos, prosas e a mais belas poesias.

Mas Deus e Seu amor, que dá vertigem, porque ultrapassa nossos limites, as métricas dos méritos, créditos e débitos dos pecados e acertos que marcam os humanos relacionamentos.

As esperanças se renovam, porque amados por Ele, Jesus, trazemos nos olhos e no coração, a luz da fé, que nos torna intrépidos a vencer os inevitáveis desafios.

Agora, por um instante, silêncio das entranhas do coração, tão somente por Deus conhecido, declaro meu amor pelo Filho Amado do Pai; Amado que nos ama com o Fogo do Amor do Espírito, e  caminhamos mendicantes de imerecido Amor.

E assim, vou descortinando cada dia como páginas de um grande livro, que somente o Autor da Vida conhece seu epílogo, ao Amado abrindo meu coração, ferido pelas setas pontiagudas das Suas Palavras de ternura.

Tão lancinante dor do Amor que:

- Consome, sem me consumir, que, paradoxalmente me faz reencontrar o verdadeiro sentido do existir, sem me fazer perder a direção da vontade e o objetivo da alma do eterno encontro na eternidade Celestial, plenitude de Luz e Amor;

- Devolve o olhar da transcendência, que rompe ilusões e nos conduz no absolutamente essencial, para que a condição existencial tenha beleza e graça;

- Garante a mais bela e necessária de todas as conexões: a conexão com o Divino e Sua vontade a se realizar. E tão somente assim, a felicidade alcançar. Amém.

Perdoados e libertos pelo Senhor

                                                          

Perdoados e libertos pelo Senhor

A Liturgia da Palavra, da Sexta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum, nos apresenta a passagem do Evangelho (Mc 2,1-12).

Reflitamos sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, e que se viu realizado na Pessoa de Jesus, que deve ser acolhido como Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6). 

Reflitamos, também,  sobre o perdão dos pecados, a verdadeira doença da humanidade que Jesus combate e derrota ao cuidar da pessoa humana em sua totalidade.

Através d’Ele, a humanidade pode se voltar novamente para Deus (reconciliação), sobretudo se considerarmos que em cada um de nós existe uma profunda necessidade de libertação do exílio de nós mesmos, das nossas múltiplas paralisias, do nosso afastamento de Deus (pecado).

Deste modo, Jesus é a manifestação da bondade, da misericórdia e do Amor divino que liberta o homem de toda paralisia, de todo pecado. Começa a ser desenhado um conflito que o levará à Cruz, por ação e rejeição das autoridades constituídas.

Lembramos que Marcos não faz uma reportagem jornalística, mas uma autêntica catequese sobre a pessoa e a missão de Jesus, que deverá ser por sua vez a missão de todo aquele que O seguir.

Um paralítico é levado por quatro homens e introduzido pelo telhado na casa onde Jesus Se encontrava. Ele será liberto e perdoado manifestando o poder que Jesus possuía, pelo Pai confiado.

Quatro homens significa a humanidade solidária com quem sofre, e vai ao encontro d'Aquele que tem a última Palavra, a resposta, a libertação.

O paralítico sem nome é a mesma humanidade sedenta de vida, liberdade, movimento, dinamismo, enfim, de uma nova possibilidade.

Também revela que a Salvação de Jesus não é somente para a comunidade judaica, mas para a humanidade inteira. Os esforços feitos para que o paralítico chegasse até Jesus retratam os esforços que devemos fazer para chegarmos até Jesus.

Nada pode impedir nosso encontro com a Fonte da Vida e da Liberdade. Tudo se torna nada, para conhecê-Lo, encontrá-Lo. Os esforços são a revelação da ânsia por libertação. Normalmente Jesus Se revela precisamente em nossas fraquezas, temores, cansaços, incertezas.

Ele tem a Palavra e a resposta. Ele é a própria Palavra que cura, liberta, perdoa, porque a plena manifestação do Amor de Deus.

O perdão que Jesus nos concede é a oportunidade do começo de uma nova vida, ao mesmo tempo revela o poder divino que possui, pois é Deus, e somente Deus pode perdoar (aqui o grande conflito: as autoridades reagem dizendo tratar-se de blasfêmia).

A grande mensagem catequética do Evangelista: Jesus tem autoridade para trazer a vida em plenitude. N’Ele, Deus Se revelou como misericórdia, bondade, amor e perdão.

A humanidade que percorre diariamente as estradas de sofrimento e angústia encontra em Jesus uma resposta, uma palavra de Libertação e Vida plena. Somente Ele pode colocar a humanidade numa órbita de vida nova. Sem Ele nada pode ser feito.

O pecado redimido deixa a lembrança no coração do pecador perdoado, não para imobilizá-lo, mas para que relembre sempre a história de um amor vivenciado, de uma nova oportunidade encontrada. 

Recorda-se como uma História de Salvação, como que um sigilo de um amor que foi e continua a ser maior do que qualquer enfermidade, qualquer pecado, quaisquer deslizes ou infidelidades.

O perdão purifica e renova. No coração de quem foi perdoado, por um pecado cometido, fica a  lembrança do amor vivido; força impulsionadora para um novo modo de ser e agir, para a não repetição indesejável das mesmas faltas.

Reflitamos:

- Como testemunhamos Jesus e Seu poder?
- Quem nós conduzimos até Jesus?
- Quem recebe da Igreja a solidariedade necessária para o encontro da vida digna e plena?

- Procuramos superar a cada instante o perigo de uma forma de vida cômoda, instalada, medíocre?

- Testemunhamos nossa fé com coragem para a transformação em todos os níveis?

- Quais são as paralisias que nos roubam o compromisso com a construção do Reino?

- Quais são os pecados assumidos, para que confessados diante da misericórdia de Deus mereçam o perdão?

- Antes de nosso pedido de perdão chegar até Deus, quais são os esforços que fazemos para alcançá-lo?

Deste modo, por meio de palavras e gestos, Jesus ama, salva, perdoa, liberta.

Concluindo: 
A Face misericordiosa de Deus Se revela em Sua ternura, solidariedade, fidelidade, perdão, liberdade e vida plena para todos.

PS: Passagem paralela - Evangelho de Mateus (Mt 9,1-8)

Uma súplica pelos amigos

                                                             

Uma súplica pelos amigos

“Como a águia que vela por seu ninho 
e revoa por cima dos filhotes, 
Ele o tomou, estendendo as Suas asas, 
E o carregou em cima de Suas penas” (Dt 32,11)

Quando tuas inquietações e preocupações forem tantas, como que te fazendo cair no caminho, lá estarei para te estender a mão e te levantar, para aliviar teus fardos a fim de te pores a caminho, sem jamais desistir de encontrar as superações necessárias.

Quando sonhos que te moviam se tornarem pesadelos, levando-te ao mais profundo do abismo do desespero, aparentemente sem consolo, te farei voltar à planície, a fim de que não desista jamais deles. Se sagrados forem, imortais serão.

Quando não mais forças tiveres para subir à montanha em busca da brisa que nos envolve e nos dá novo fôlego para enfrentar as tramas diabólicas do cotidiano que nos asfixiam, lá estarei invocando sobre ti o Sopro do Espírito.

Quando os mares das adversidades e contrariedades parecerem ser mais fortes, num aparente naufrágio, sem perspectiva de travessia para a margem, estarei presente, te resgatando com a Palavra do Divino Mestre que todos precisamos: “Coragem!”.

Quando a linha do horizonte a ti se apresentar com nuvens escurecidas, sem perspectivas de luminosidade, com o enterro da semente da esperança, lá estarei para te dizer que juntos e com fé, a faremos desabrochar, florescer, ressuscitar.

Quando o céu e o brilho das estrelas, o calor do sol dourado, e a beleza da prateada forem apenas astros, lá estarei para te ajudar a encontrar o reencantamento pela beleza da vida, fazendo-te reencontrar contigo mesmo e com o Sol Nascente que te conduz e ilumina.

Quando nem pela palavra, nem pelos atos eu nada mais puder fazer, na mais pura e fina flor da misericórdia, elevarei orações por ti, no silêncio fecundo que te fará reencontrar o caminho, para que voes mais alto nas asas do Espírito, porque Deus jamais te abandonará.

Levanta-te, creia, luta, não desistas jamais!
Leva contigo minha súplica a Deus,
E com ela, a certeza de que não seremos vencidos,
Porque com Ele, somos mais que vencedores.

Levanta-te,  amigo(a)!

Em poucas palavras...

                                              


A remissão dos pecados

“Na remissão dos pecados realiza-se também a unidade dos Sacramentos: o Batismo é ministrado para a remissão dos pecados; o Espírito é infundido para a remissão dos pecados; o Cálice é derramado para a remissão dos pecados. 

Juntamente com os Santos Padres podemos afirmar que tudo aquilo que Jesus era na terra está presente agora nos Sacramentos da Igreja.” (1)

 

 

(1)   Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Paulus – 2010 – pág. 53 – Comentário da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 2,1-12)

Tempo de promover a concórdia e a paz

         


                       Tempo de promover a concórdia e a paz
 
     “Suportemos as fraquezas dos menos fortes” (cf. Rm 15,1-3)
 
Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos:

“Nós que temos convicções firmes devemos suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação.
 
Cada um de nós procure agradar ao próximo para o bem, visando a edificação. Com efeito, Cristo também não procurou a Sua própria satisfação, mas, como está escrito: ‘Os ultrajes dos que te ultrajavam caíram sobre mim’”. (Rm 15,1-3)
 
Todos nós já tivemos oportunidade de viver esta realidade: uma ação impiedosa, um ato pensado e realizado por alguém, quase ou mesmo roubando nossa serenidade.
 
E isto pode ser no âmbito da comunidade, bem como em todos os níveis de relacionamentos.
 
Eis o grande desafio: “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Jamais podemos perder de vista nossa missão de “edificar” a comunhão, a fraternidade, sobretudo porque somos discípulos missionários do Senhor, que nos deu a mais bela lição pelo Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte, como nos fala o Apóstolo.
 
Não é um caminho fácil a ser percorrido, e está explícito no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a), que nos exorta a viver a mansidão e promover a paz, suportando, se houver, calúnias, difamação e perseguições por causa do nome de Jesus e do Evangelho, que cremos, anunciamos e testemunhamos.
 
Vivendo em comunidade, somos desafiados a dar razão de nossa fé e esperança, sem jamais faltar com a caridade que jamais passará, e é exatamente nestes momentos e situações, o apóstolo nos exorta a “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Urge a edificação da unidade, um grande desafio para nossa fé e testemunho: - “Agradar ao próximo para o bem, visando a edificação”.
 
E isto somente se torna possível, se tivermos como modelo o próprio Cristo “que não procurou a Sua própria satisfação”, fazendo cair sobre Si os ultrajes todos, ainda que não merecidos, por amor de nós, quando ainda pecadores.
 
Deste modo, é sempre tempo crescer na espiritualidade cristã e:
 
- Suportar as fraquezas dos menos fortes;
- Edificar a unidade, movidos pelas virtudes divinas;
- Ter os mesmos sentimentos, pensamentos e atitudes de Jesus.
 

Oremos:
 
"Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-Vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por N.S.J.C. Amém" (1)
 
(1) “Oração do Dia” - IV domingo do Tempo Comum (ano A)
 

Não percamos o foco

 


Não percamos o foco

Ao iniciar o ano, é fundamental que tenhamos projetos, metas, desafios a serem superados.

“Perguntaram a um ancião como um irmão sério não deveria se escandalizar se visse alguns monges retornarem ao mundo.

Ele disse: ‘Ele deveria observar os cães de caça que caçam lebres e notar que, quando um deles avista uma lebre, ele a persegue sem se distrair até alcançá-la.

Os outros cães, vendo apenas o cão perseguindo-a, correm com ele por algum tempo, mas acabam olhando em volta e ficam para trás,

Só aquele cão que viu a lebre a persegue até alcançá-la, não se deixando distrair nem um pouco do alvo de sua corrida pelos cães que recuaram.

Também não presta atenção a desfiladeiros, vegetação espessa ou espinhos. Assim faz aquele que busca Cristo Senhor-e-mestre: mantendo a cruz em mente sem titubear, supera todos os obstáculos que encontra, até alcançar o crucificado’”. (1)

Este dito anônimo nos remete às palavras do Apóstolo Paulo que nos ilumina para que não desistamos de santos projetos a serem alcançados; bem como a superação de eventuais dificuldades na vivência da fé em nossas comunidades eclesiais, e em  outros espaços em que convivemos:

“Por isso, eu corro, mas não sem meta. Eu luto, não como quem golpeia o ar. Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo seja reprovado.” (2)

Sigamos em frente, o ano está apenas começando...

 

 

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 203 – pp. 154-155

(2)1 Cor 9,26-27

Irradiemos a luz divina

                                                 

Irradiemos a luz divina

Reflexão à luz da passagem da Carta de Paulo aos Efésios:

“Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios, mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem.

Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação.

Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda a espécie de maldade.

Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo” (Ef 4,29-32).

Peçamos a Deus que nos conceda sempre a graça de sentir o Seu divino Amor, indicando-nos o caminho que devemos seguir com absoluta fidelidade no carregar da nossa cruz cotidiana, a fim de que jamais sucumbamos à força do pecado, e que, por sua infinita bondade, apague nossas transgressões e purifique nossos corações, eliminando toda ferrugem de nossa alma.

Adoremos o Cristo, Sol nascente e Luz sem ocaso, e supliquemos para que Ele ilumine os nossos passos desde o amanhecer, para que sejam afastadas de nós toda inclinação para o mal. Portanto, sejamos vigilantes em nossos pensamentos, palavras e ações, vivendo plenamente de acordo com a Sua vontade.

Adoremos o Senhor que, por Sua Cruz, nos trouxe a salvação, na mais perfeita expressão de misericórdia, e deste modo, pela Cruz e Ressurreição, na fidelidade ao Pai, tenhamos a consolação do Espírito Santo.

Finalizando, temos sete orientações a serem vividas por aqueles que professam a fé no Senhor, acompanhada do testemunho, para que irradie a luz divina, e seja sal da terra e fermento na massa:


1 – “Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios”;

2 – “mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem”;

3 – “Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação”

4 – “Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda a espécie de maldade”;

5 – “Sede bons uns para com os outros”

6 – “sede compassivos”;

7 – “Perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo”.

Oremos:

Ó Deus, não permitais que nossos lábios profiram palavras nocivas, geradoras de discórdia ou que firam a fraternidade, a solidariedade e a comunhão.

Colocai, ó Deus, em nossos lábios palavras edificantes, que irradiem Vossa luz, façam renascer a esperança, revigorem a fé e inflamem a caridade para com todos e em todos os lugares.

Ó Deus, fortalecei-nos, para que jamais entristeçamos o Espírito Santo, com o qual nos marcastes para o dia da libertação, afastando todos pensamentos, palavras e atitudes indesejáveis.

Ajudai-nos, ó Deus, para que eliminemos toda amargura e irritação, e jamais promovamos gritarias que não gerem alegria e vida, e tão pouco sejamos instrumentos de injúrias e promotores de maldade.

Ó Deus, Vós que sois tão bom e amável, com a Vossa graça, ajudai-nos a sermos sinal de bondade; que o nosso falar e agir revelem a Vossa amável e eterna presença.

Concedei-nos, ó Deus, a graça de sermos compassivos, de modo que acolhidos pela Vossa misericórdia divina, sejamos instrumentos da misericórdia humana para com os que mais precisam.

Ó Deus, perdoados e reconciliados pelo Sangue Redentor de Vosso Filho e remidos pelo Espírito Santo, sejamos capazes de dar e pedir perdão a quem nos tenha ofendido. Amém.


PS: Fonte inspiradora: “Oração das Laudes” da primeira sexta-feira da primeira semana do Tempo Comum.


Apropriado para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 8,16-18)

Peregrinar na esperança e irradiar luz divina

                                                                     


Peregrinar na esperança e irradiar luz divina

Uma súplica luz da passagem da Carta de Paulo aos Efésios:

“Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios, mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem.

Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação.

Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda a espécie de maldade.

Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo” (Ef 4,29-32).

Oremos:

Ó Deus, firmais nossos passos, como peregrinos de esperança, a fim de que jamais sucumbamos à força do pecado, e que, por Vossa infinita bondade, apagueis nossas transgressões e purificai nossos corações, eliminando toda ferrugem de nossa alma.

Afastai de nós toda inclinação para o mal, na vigilância de nossos pensamentos, palavras e ações, para que vivamos plenamente de acordo com a Vossa vontade.

Nós Vos adoramos e pedimos que carreguemos com fidelidade nossa cruz cotidiana, nos passos do Vosso Filho que por Sua gloriosa Cruz, trouxe a salvação para o mundo inteiro, na mais perfeita expressão de misericórdia.

Nós Vos adoramos e glorificamos por meio do Vosso Filho, o Cristo Salvador, Sol nascente e Luz sem ocaso, que ilumina os nossos passos desde o amanhecer, em comunhão com o Santo Espírito. Amém.

Tríplice Mistérios de Jesus Cristo

 


Tríplice Mistérios de Jesus Cristo

À luz dos parágrafos 516-518, reflitamos sobre os três traços comuns dos Mistérios de Jesus Cristo, nosso Salvador.

O primeiro Mistério é a Revelação do Pai: considerando que toda a Sua vida é revelação do Pai por Suas palavras, atos, silêncios, sofrimentos, modo de falar e de ser.

Ao Se encarnar no ventre de Maria e habitando entre nós (Jo 1,14), veio para cumprir plenamente a vontade do Pai (Hb 10,5-7).

Deste modo, pôde afirmar: “Quem Me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9); e o Pai pôde no-Lo apresentar: “Este é o meu Filho predileto: escutai-O” (Lc 9, 35), de modo que os pequenos pormenores de Seus Mistérios manifestam o imenso amor que Deus tem para conosco (1 Jo 4,9).

O segundo Mistério é o de Redenção: ela nos vem pelo Seu Sangue na Cruz (Ef 1,7; 1 Pd 1,18-19), mas revelado por Sua Encarnação, pela qual, fazendo-Se pobre, nos enriquece com a sua pobreza (2Cor 8,9); na vida oculta que, pela sua obediência, repara a nossa insubmissão Lc 2,51); na palavra que purifica os seus ouvintes (Jo 15,3); nas curas e expulsões dos demônios, pelas quais “toma sobre Si as nossas enfermidades e carrega com as nossas doenças” (Mt 8, 17: Is 53,4); na ressurreição, pela qual nos justifica (Rm 4,25).

O terceiro Mistério é de Recapitulação: tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha por fim restabelecer o homem decaído na sua vocação originária: “Quando Ele encarnou e Se fez homem, recapitulou em Si a longa história dos homens e proporcionou-nos, em síntese, a salvação, de tal forma que aquilo que havíamos perdido em Adão – isto é, sermos imagem e semelhança de Deus – o recuperássemos em Cristo Jesus” (Santo Irineu de Lion), e ainda –“Aliás, foi por isso que Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo assim a todos os homens a comunhão com Deus” (idem).

Contemplemos o tríplice Mistério de Jesus: Revelação, Redenção e Recapitulação, e por Ele termos sidos chamados para a missão evangelizadora, para firmamos os pilares da evangelização (Palavra, Eucaristia, Caridade e Ação Missionária).

Contemplemos e glorifiquemos o divino Mistério de Jesus, que cremos e professamos não apenas com nossos lábios, mas com o coração e com toda a nossa vida. Amém.

Em poucas palavras...

 


Esquecimento, negligência e o desejo

“Os anciãos costumavam dizer: ‘Existem três forças de satanás que precedem todo pecado: o esquecimento, a negligência e o desejo.

Quando vem o esquecimento, ele produz a negligência e da negligência vem o desejo: uma pessoa cai como resultado do desejo.

Mas, se a mente estiver vigilante contra o esquecimento, ela não se tornará negligente; e, se não for negligente, não chegará ao desejo.

Se não desejar, ela nunca cairá, pela graça de Cristo.” (1)

 

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 273 – p. 189

 

Em poucas palavras...

 


Uma autêntica fidelidade

“Havia num cenóbio um homem mundano que tinha com ele seu filho. Querendo testá-lo, o abba lhe disse – ‘Não fales com teu filho, mas trata-o como um estranho’. E ele disse: ‘Farei de acordo com tua palavra’.

Viveu muitos anos e não falou com seu filho. Quando chegou o momento do chamado de seu filho e ele estava prestes a morrer, o abba disse ao pai dele: ‘Agora vai e fala com teu filho’.

Mas o pai disse: ‘Por favor, cumpramos o mandamento até o fim’. O filho morreu e o pai não falou com ele.

Todos ficaram maravilhados com a maneira como ele aceitou alegremente o mandamento e o cumpriu.” (1)

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 - n. 72 – p.78

 

Seja nossa vida um presente ao Menino Deus

 


                         
Seja nossa vida um presente ao Menino Deus

Assim falou o Apóstolo Paulo a Tito:

“Mas, quando a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, se manifestaram, Ele salvou-nos, não por causa dos atos justos que houvéssemos praticados, mas porque, por sua misericórdia fomos lavados pelo poder regenerador e renovador do Espírito Santo, que Ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados pela Sua graça, e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna” (Tt 3,4-7­).

E diante de imensurável Mistério, falemos com o Senhor:

“Senhor Jesus, Vossa Epifania é a manifestação ao mundo do amor misericordioso de Deus que Vos enviou a nós, na plenitude dos tempos, Divino Salvador, na frágil criança, que na manjedoura repousa.

No Vosso rosto revela-se o grande do amor de Deus, que Se fez pequeno, até quase mendigar a nossa ternura, em suave convite de que não apenas Vos ofereçamos alguma coisa, mas nos ofereçamos a nós mesmos, somados aos presentes dos magos: ouro, incenso e mirra.

Vossa Epifania é uma luz que brilha para iluminar nossos caminhos e nossa história, tornando-nos, para quantos pudermos, ‘luz do mundo’ (Mt 5,14).

Vossa Epifania invade nosso coração por uma enorme alegria e sentimos a urgência de viver, não  para nós mesmos, mas de nos oferecermos a Vós, inteiramente.

E assim, a Vós nos oferecendo, tomemos consciência de que nos tornamos luz, estrela, sinal para quem ainda deve chegar à gruta de Belém, porque ainda Vos ignora ou não Vos conhece. Amém.”

Agora vivamos a graça do Batismo como discípulos Missionários do Senhor:

Epifania, Deus nos dá o mais belo e divino presente, Seu Filho, o Verbo que Se fez Carne (Jo 1,14):  prostremo-nos diante d’Ele, adoremo-Lo  e ofereçamos nossos presentes.

Levantemo-nos, como Igreja, pondo-nos a caminho, juntos, tendo na Palavra de Deus, a divina fonte, na Eucaristia o sustento, a comunhão de amor e vida nossa meta, e o amor nossa identidade – “Vede como eles se amam” (Tertuliano).

 

Fonte: Lecionário Comentado – Volume Tempo do Advento/Natal - Editora Paulus – Lisboa – 2011 – pág. 334-336


PS: Tendo celebrado a Epifania, continuemos todos os dias a oferecer nossos presentes ao Menino Jesus.

Santo Alberto Magno: sabedoria e santidade

                                                            



Santo Alberto Magno: sabedoria e santidade 

Santo Alberto Magno, um dos Santos da Igreja que marcou profundamente a minha vida pessoal por tudo que fez como Bispo, Pastor e Doutor da Igreja, cuja Memória é celebrada dia 15 de novembro.

Quando nos dispomos a conhecê-lo, vemos quão pertinente é a sua contribuição para os dias atuais, em que procuramos o equilíbrio no relacionamento entre a fé e a razão.

“Alberto, chamado ‘Magno’, quando ainda estava vivo, foi um grande homem não somente nas ciências humanas, mas também na sabedoria cristã, cultivando durante toda a vida uma profunda união com Deus e um grande amor pela humanidade.

Nasceu aproximadamente no ano 1200 em Lauingen, na Baviera (Alemanha), e, quando o pai se transferiu para a Itália no séquito de Frederico II, aproveitou para continuar seus estudos na Universidade de Pádua, onde era muito vivo o interesse pelas ciências naturais.

Ali encontrou o sucessor de São Domingos, o beato Jordão de Saxônia, geral dos dominicanos.

Ele tinha ido a Pádua para pregar aos jovens universitários. Nessa ocasião, dez estudantes pediram para seguir o ideal dominicano. Entre esses, estava Alberto de Lauingen.

Embora os estudos fossem sua paixão, Alberto colocou de lado os seus livros e correu atrás do ideal de São Domingos.

Jordão de Saxônia, que havia percebido o talento do rapaz, mandou-o logo para Colônia. Tinha cerca de 23 anos e, depois do noviciado e dos estudos teológicos, foi mestre de Teologia nas escolas da sua ordem, primeiro em Hidelsheim, depois em Friburgo, em Ratisbona, em Strasburgo, em Colônia, em Paris e daí novamente em Colônia.

Neste período teve a oportunidade de aprofundar seu conhecimento sobre Aristóteles. O pensamento aristotélico estava penetrando no mundo acadêmico daquele tempo por intermédio do filósofo Averróis, que o apresentava como inimigo da visão cristã tradicional, a visão agostiniana.

Alberto, homem sereno e objetivo, quis estudar Aristóteles sem preconceitos, procurando as traduções imperfeitas existentes e não encontrou nele aquele inimigo da Igreja que outras pessoas lhe haviam descrito.

A pedido dos seus confrades começou a escrever uma vasta enciclopédia.

Ao comentar Aristóteles e citando também autores como o árabe Averróis e o judeu Moisés Maimônides, teve a oportunidade de aprofundar a Lógica, a Retórica, a Ética, a Política, a Metafísica e as várias ciências naturais, como a Matemática, a Astronomia, a Física, a biologia, tudo quanto tinha sido produzido na bacia mediterrânea dos tempos antigos até aquele momento.

Durante vinte anos trabalhou nessa obra monumental, abriu o pensamento europeu para a experimentação e estimulou os cristãos a não terem medo das ciências humanas, porque elas são portadoras da verdade e não podem senão ajudar na compreensão das verdades da fé.

Naturalmente ele não aceitava de olhos fechados tudo o que Aristóteles, Platão e os seus comentaristas haviam escrito. Expunha com objetividade o pensamento de outrem, mas também o corrigia, o completava e às vezes o refutava.

Mas era tão forte naquele tempo a aversão ao aristotelismo também por parte de alguns dominicanos, que Alberto teve de responder com palavras muitas vezes fortes:

‘Existem alguns que, por ignorarem as coisas, querem de todos os modos combater o emprego da Filosofia e, sobretudo, entre os dominicanos, onde não existe e ninguém que se opunha a eles. São como animais brutos que se atiram contra coisas que não conhecem’.

Um discípulo, porém, o entendia perfeitamente: Tomás de Aquino. Se tivemos uma Suma Teológica do pensamento cristão na Idade Média, devemos não só ao gênio de Tomás, mas também à mente iluminada de Alberto que abriu a estrada para Tomás de Aquino.

Foi devido ao seu interesse que Tomás ocupou a cátedra universitária dominicana em Paris”.

Santo Alberto Magno foi um homem de governo e construtor da paz:

“Do ano de 1253 a 1256, Alberto foi provincial da sua ordem na Alemanha. Homem de muitos livros revelou-se também experiente na arte de governar.

Viajando frequentemente e a pé, visitou os quarenta mosteiros dos frades da Holanda até a Áustria e os numerosos conventos das dominicanas, instruindo, corrigindo e sobretudo fomentando a vida de Oração e a concórdia nas comunidades.

Pensava já em poder entregar-se em tempo integral à sua tarefa de escritor, quando o Papa o elegeu bispo de Ratisbona.

A diocese, por causa das lutas internas, encontrava-se em um estado de causar dó quanto ao acerto econômico e moral.

Cumprida sua tarefa, pediu e foi exonerado do governo da diocese para levar adiante os seus estudos, mas no ano de 1261, Urbano IV o encarregava de pregar a cruzada nos países de língua alemã”.

Seus últimos anos foram marcados pela dedicação à ciência e à Oração:

“Em 1277, enquanto vivia tranquilo no convento de Wursburg, tomou conhecimento de que o bispo de Paris, Estevão Tempier, tinha condenado dezenove teses, algumas das quais sustentadas por Tomás de Aquino.

Alberto, embora já de idade avançada, seguiu para Paris e defendeu o pensamento do seu discípulo, a fim de que a ignorância e a inveja não fizessem retroceder perigosamente o pensamento cristão.

Dois anos depois redigia o seu testamento, deixando aos pobres suas coisas e aos dominicanos de Colônia seus livros.

Sua caminhada, por tantos anos repleta de uma intensa atividade intelectual, agora escorria na Oração silenciosa e profunda.

Morreu em 15 de novembro de 1280 e foi sepultado em Colônia. Para a canonização, precisou aguardar o ano de 1931, quando PIO XI o proclamou Doutor da Igreja e PIO XII, em 1941, o nomeou padroeiro dos cultores das ciências naturais”.

Santo Alberto Magno: um Doutor universal de saber enciclopédico:

“A formidável atividade literária de Santo Alberto é entendida como a mais gigantesca da Idade Média.

Ela se estende a quase todas as ciências sacras e profanas, e a tudo o que de melhor foi produzido pelas civilizações gregas, latina e árabe.

O seu mérito principal consiste em ter intuído o valor da filosofia aristotélica e em tê-la introduzido na cultura contemporânea, purificada das falsas e artificiais interpretações orientais, e integrada com o pensamento de Platão.

Mais que um construtor de novos sistemas, Santo Alberto foi um diligente recolhedor de materiais, que tornaram possível ao seu grande discípulo a síntese filosófico teológica.

Na Exegese Bíblica, deu realce ao sentido literal e histórico, contrariamente ao uso do tempo; em Moral, moderou o aristotelismo com o platonismo agostiniano; na Mística, com os comentários ao pseudo-Dionísio, deixou assim grandes traços para contribuir para aquele reflorescimento da vida espiritual que na Alemanha e nos Países Baixos tomará o nome de Devoção moderna.

Mas acima de tudo precisamos acrescentar que ele não separou nunca a atividade literária de uma profunda união com Deus”.

Urge aprofundar sobre a intrínseca relação entre a fé e a cultura, e voltar às sábias fontes da Igreja, como este luminar.

Com Santo Alberto Magno, aprendemos que as ciências humanas e as ciências divinas são degraus para chegar até Deus.

Uma autêntica ciência colocada a serviço do homem e da mulher, não nos distancia de Deus, assim como uma fé autêntica, lapidada, não nos exila do convívio com Deus, ao contrário, nos insere cada vez mais numa relação íntima e frutuosa, para que os valores do Reino aconteçam: amor, verdade, justiça, fraternidade, liberdade, vida, paz...


PS: Citações extraídas da “Revista Ave-Maria” – novembro de 2014 – pp. 14-16.