sexta-feira, 15 de maio de 2026

A Inteligência artificial a serviço da autêntica comunicação

 


 

A Inteligência artificial a serviço da autêntica comunicação
 
Ó Deus, Vós nos criastes à Vossa imagem e semelhança,
ajudai-nos a preservar a dignidade do rosto e da voz de cada pessoa
com quem convivemos,
dentro e fora da comunidade que participamos,
Ajudai-nos, para que jamais percamos
a beleza do encontro humano,
vivendo em espaços nos quais as relações sejam fundadas
no amor, verdade, liberdade,
 
Concedei-nos a Vossa Divina sabedoria,
Para o correto uso das novas tecnologias,
e que a inteligência artificial seja instrumento do bem
e jamais substitua a empatia,
a responsabilidade e a liberdade humana.
 
Iluminai-nos, para que nossa comunicação favoreça
A cultura do encontro e da vida fraterna,
Colaborando no florescer o pensamento crítico,
Com a proteção dos mais frágeis
de toda forma de manipulação, dominação e mentira.
 
Pai de ternura e bondade, firmai nossos passos
Nos passos do Vosso Filho,
que Se fez Palavra E veio morar entre nós
Para nos comunicar com a Vida e a Voz a Palavra de Vida plena e eterna.


Na fidelidade à Palavra do Vosso Filho,
a Revelação do Vosso rosto de Misericórdia,
ensinai-nos a educar e comunicar em todos espaços, reais e virtuais
com responsabilidade, como alegres cooperadores de esperança. 
 
Enfim, ó Deus, para que toda inovação
esteja a serviço da humanidade,
Sejam nossas palavras promotoras de paz e a comunhão;
e que nossa voz e nosso rosto revelem sempre Vossa presença,
com a assistência, ação e luz do Vosso Santo Espírito. Amém.
 
 

PS: Inspirado na Mensagem do Papa para o LX Dia Mundial das Comunicações Sociais - 2026, que poderá ser acessada na íntegra
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

 

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS – 2026 (síntese)

 


MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
PARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS – 2026 (síntese)
 
A mensagem tem como título “Preservar vozes e rostos humanos”, pois de fato, são os traços únicos e distintivos de cada pessoa e manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro, afirma o Papa na introdução da mensagem.
 
O rosto e a voz são sagrados e nos foram dados por Deus, que nos criou à Sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu, fazendo-Se Carne e vindo habitar entre nós, e podemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus.
 
Citação enriquecedora nos apresenta o Papa São Gregório de Nissa:
 
«Ter sido criado à imagem de Deus significa que foi impresso no homem, desde o momento da sua criação, um carácter régio [...]. Deus é amor e fonte de amor: o divino Criador também colocou esta característica no nosso rosto, para que, através do amor – reflexo do amor divino –, o ser humano reconheça e manifeste a dignidade da sua natureza e a semelhança com o seu Criador»
 
Somos criados à imagem e semelhança de Deus para dialogar com Ele, e temos impresso em nós o Seu amor – “Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.”
 
Desenvolve a mensagem apresentando os aspectos positivos que nos trazem o bom uso da inteligência artificial, bem como os aspectos que despertam preocupação e o necessário cuidado para que não percamos nossa dignidade, identidade e desígnio que Deus tem para cada pessoa e toda a humanidade (a perda do pensamento crítico e criatividade em todos os âmbitos; a polarização e manipulação emocional; a perda da criatividade, empatia e responsabilidade pessoal).
 
A inteligência artificial faz parte do cotidiano, no entanto não podemos por ela ser dominados, tornando-nos consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anônimos, sem autoria e sem amor: estamos diante de um grande desafio que não é apenas tecnológico, mas antropológico, ou seja, é preciso preservar a humanidade diante de uma automação crescente.
 
O desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la, estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas, de tal modo, que não ocorra a substituição das relações humanas por interações artificiais; o crescimento da desinformação e a manipulação da realidade; a multiplicação de “deepfakes” fraudes digitais, “cyberbullying”, bem como o uso indevido da voz e da imagem, etc. 
 
Em sua mensagem, exorta-nos a uma necessária e possível aliança baseada em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.
 
1 - A responsabilidade – como expressão de honestidade, transparência, coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado, de tal modo que, a responsabilidade é exigida de todos criadores e desenvolvedores de modelos de IA; legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm a função de zelar pelo respeito da dignidade humana.
 
2 – A cooperação - todos somos chamados a cooperar – “Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável.”
 
3 – A educação – “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável.”
 
Fundamental que favoreçamos, especialmente os jovens, a aquisição da capacidade para o pensamento crítico e cresçam na liberdade de espírito, numa necessária literacia (1).
 
Finaliza exortando para que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa: “É necessário preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a inovação tecnológica.”  
 
Não há nada que possa substituir o rosto e a voz real, preservando a dignidade de cada pessoa e a necessária convivência fraterna nos mais diversos espaços.
 
 
PS: Fundamental que acolhamos a mensagem, para que, como comunicadores sociais, de modo especial, favoreçamos a preservação dos sagrados valores da dignidade, verdade, liberdade, fraternidade e paz.
 
Se desejar ler a mensagem na íntegra, acesse:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
 
1 - Literacia – consiste na capacidade de ler, escrever, compreender e aplicar informações de forma funcional no dia a dia. Mais do que apenas saber decodificar letras (alfabetização), trata-se de usar essas competências para aprender, comunicar-se e resolver problemas na sociedade.

Não ficamos órfãos

                                                         


Não ficamos órfãos

Preparemos o nosso coração para as próximas Solenidades que nos encherão de alegria (Ascensão do Senhor e Pentecostes) e esperança, apesar das situações que ainda nos entristecem em nosso contexto de pecado e morte de tantos nomes.

Renovemos a confiança de que Deus está conosco, e por isso, não desistimos jamais da missão de continuar anunciando e testemunhando Sua Palavra e Seu Reino, mesmo que encontremos oposições, dúvidas, resistências, e polarizações de múltiplas expressões.

Verdadeiramente Deus está conosco, e nos envia o dom do Espírito Santo, que nos cumula com os sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade.

Vinde, Espírito Santo, “...com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e, depois por meio desse, a alma dos outros....” Amém. Aleluia! (1)

 

PS: Fonte inspiradora - Jo 16,20-23a
(1)São Cirilo de Jerusalém, Bispo -  (séc. IV)

Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho?

                                             



Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho?

Ó Deus, rico em misericórdia, a Vós recorremos confiantes e suplicamos, pela gloriosa Virgem Maria, Vossa Mãe e nossa, a quem invocamos como Nossa Senhora do Caminho.

Verdadeiramente Nossa Senhora do Caminho, porque seu coração é imaculado, e jamais conheceu o pecado e a desobediência à Vossa vontade e projetos.

Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho para:

- Nos apontar Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida, e nos fazer mergulhar no Mistério profundo e imenso do Coração trespassado e ferido de amor do Seu Amado Filho?

 - Caminhar conosco, e nós, como os discípulos de Emaús, sentirmos arder nosso coração como Seu Amado Filho fez ao revelar as Sagradas Escrituras no caminho e reconhecido no partir do Pão (Lc 24,13-35)?

- Nos ensinar a falar com o coração para que no discipulado vivamos a necessária proximidade, compaixão e ternura, sobretudo com os pobres, Vossos amados e preferidos?

- Nos ensinar o caminho de conversão, para que passemos de um mundo sem coração, para uma civilização do amor, fraternidade e comunhão?

- Nos ajudar a discernir e nos comprometermos com novas posturas e mentalidades para curar a “Terra ferida” pelo nossa arrogância, consumismo e autossuficiência, comprometidos com uma necessária Ecologia integral, onde tudo está interligado?

- Nos ajudar a contemplar os Vossos Mistérios, meditando e guardando tudo no Coração, como assim Ela o fazia, pois olhava com o coração, com olhar da contemplação?

- Nos lembrar e nos ajudar a redescobrir, na era da inteligência artificial, que não podemos nos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano (Papa Francisco)?

- Nos ensinar a confiar em Seu Filho, que viveu um amor apaixonado, que sofreu por nós, um coração ferido de amor e por nós Se entregou para nossa redenção, e espera tão apenas que sejamos uma resposta ao Seu divino amor, como um mendicante de nosso amor?

- Nos encorajar, como peregrinos da esperança rumo à casa do Pai, mergulhados no Coração de Cristo, a obra prima do Espírito Santo (Papa São João Paulo II)?

- Fazer nosso coração bater em uníssono com seu coração e o com o Sagrado Coração do Seu Filho, o compêndio do Evangelho, para vivermos a ternura da fé e a alegria do serviço, em sagrados compromissos comunitário, social e missionário?

- Firmar nossos passos, para que sejamos discípulos missionários e irradiar as chamas do amor de Cristo, não nos perdendo com discussões secundárias, mas fazendo da vida uma agradável oferenda e sacrifício de louvor a Deus?

- Nos ajudar, para que sejamos enamorados pelo Verbo que Se fez Carne, e a missão nossa de cada dia não seja por obrigação ou dever, mas simplesmente por um amor que nos envolve e nos enche de ternura, que se torna impossível conter?

- Apontar o Caminho, ainda que marcado por renúncias e cruz carregada cotidianamente, com horizonte de eternidade, ela, que jamais nos apontaria caminhos e atalhos do abismo do sofrimento sem esperança Amém. Aleluia!

Peregrinos da esperança, compromisso com a paz (2018)

                                                   


Peregrinos da esperança, compromisso com a paz

 
Na Mensagem  para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2018), que teve como Lema “A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32), e como tema: – “Fake news e jornalismo de paz”, o Papa Francisco nos apresentou uma oração inspirada na conhecida oração franciscana, muito oportuna para que a retomemos e rezemos em todo o tempo:
 
“Senhor, fazei de nós instrumentos da Vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão.
 
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
 
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
 
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, 
fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade. Amém.”
 
Vivamos, como peregrinos da esperança, comprometidos com a paz, afinal, como nos falou o Apóstolo Paulo: “A esperança não decepciona” (cf. Rm 5,5). 

“Oração a Jesus, a Verdade em Pessoa” (2018)

                                                     


    “Oração a Jesus, a Verdade em Pessoa”

“Senhor, fazei de nós instrumentos da Vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão.

Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.

Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;

onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;

onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros;

onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.Amém.”

PS: Inspirada na conhecida Oração Franciscana, esta conclui a Mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais - 2018.

Acesse, se desejar, e leia a mensagem na integra para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2018), que tem como Lema “A verdade vos tornará livres

https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20180124_messaggio-comunicazioni-sociali.html


Suplicamos a Sabedoria Divina

                                               


Suplicamos a Sabedoria Divina

Ó Deus, por meio do Vosso Filho, venha sobre todos nós, a Sabedoria do Santo Espírito para nos iluminar e nos conduzir, encorajando-nos a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, acima de tudo para a causa da fraternidade humana e da paz.

Iluminai toda a humanidade, como família humana neste inadiável compromisso, a fim de que a paz seja fruto de relações que reconheçam e acolham o outro na sua dignidade inalienável, e de cooperação e compromisso na busca do desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos.

A Vós, ó Pai, por meio de Jesus na comunhão com o Espírito Santo, suplicamos para que o rápido desenvolvimento de formas de inteligência artificial não aumente as  demasiadas desigualdades e injustiças já presentes no mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana.

Enviai Vosso Espírito de Sabedoria para que os fiéis cristãos, os crentes das várias religiões e os homens e mulheres de boa vontade colaborem harmoniosamente para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios colocados pela revolução digital, e entregar às gerações futuras um mundo mais solidário, justo e pacífico. Amém.

 

PS: Fonte inspiradora – Mensagem do Santo Padre Francisco para a Celebração do Dia Mundial da Paz - 1º de janeiro de 2024 – “Inteligência artificial e paz”.

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

Falar somente o que for de proveito espiritual

                                         


Falar somente o que for de proveito espiritual

Assim nos falaram os Pais do Deserto em um dos ditos anônimos:

“Um dos anciãos disse: ‘No início, costumávamos reunir-nos e falar do proveito espiritual; tornamo-nos como coros, coros de anjos, e éramos elevados ao céu.

Agora nos reunimos e chegamos a caluniar, afastando-nos um aos outros para o abismo’.”  (1)

Este dito pode nos ajudar nos tempos atuais, sobretudo no mundo virtual, em que se multiplicam postagens, comentários, críticas privadas de caridade, que por vezes podem criar muros, distanciamentos e não pontes de fraternidade, comunhão e amizade sincera.

E se considerarmos o avanço da Inteligência Artificial na geração de conteúdos, pode se tornar ainda mais grave.

O problema não são as ferramentas disponíveis, mas o bom uso que delas façamos, lembrando as palavras do Papa Leão XIV:

“Por isso, a exposição mediática, o uso das redes sociais e de todos os instrumentos hoje à disposição devem ser sempre avaliados com sabedoria, tendo como paradigma de discernimento o serviço à evangelização. ‘Tudo me é lícito ! Sim, mas nem tudo convém’ (1 Cor 6,12)”. (2)

Concluo com as palavras do Papa Francisco:

“Na era da inteligência artificial, não podemos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano. O que nenhum algoritmo conseguirá abarcar é, por exemplo, aquele momento de infância que se recorda com ternura e que continua a acontecer em todos os cantos do planeta, mesmo com o passar dos anos.” (3)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.238 – pp. 173

(2)Carta Apostólica –“Uma fidelidade que gera futuro” de 8 de dezembro de 2025

(3)Carta Encíclica Dilexit Nous – Papa Francisco – 2024 – parágrafo n. 20

A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas

 


A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas
 
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)
 
Um Planejamento Pastoral deve ser fruto do trabalho conjunto de muitas mãos, mentes e corações, que possibilita a continuidade da ação evangelizadora.
 
Um valioso instrumento que ajuda a lançar as redes em águas mais profundas (Lc 5,1-11), pois a evangelização prima pela superação da superficialidade e ativismo inconsequente; provoca-nos para respostas comunitárias, sem ações individualizadas, mas inseridas na Pastoral de Conjunto.
 
Precisamos buscar respostas evangélicas para os grandes desafios que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna:
 
- A realidade urbana: desafios e respostas;
- A evangelização da família;
- O resgate da pessoa humana no exercício de sua cidadania;
- O aprimoramento das atitudes de acolhida e fortalecimento dos vínculos de comunhão fraterna;
- O desafio da evangelização da juventude;
- Um projeto missionário que expresse a dimensão missionária de toda a Igreja;
- Presença evangelizadora nas escolas e universidades;
- A necessidade de uma linguagem comum para os Sacramentos;
- Formação bíblica e espiritualidade do agente de pastoral;
- Maior cuidado com os momentos litúrgicos, para que sejam momentos fortes de oração;
- Evangelizar através dos Meios de comunicação social contando com a sóbria utilização dos recursos da inteligência artificial;
- Fortalecimento das pastorais sociais na promoção da dignidade da vida e o cuidado da Casa Comum.
 
Deste modo, é necessário que as vocações cristãs leigas, alimentadas pela Palavra e Eucaristia, atuem em sintonia com padres, Bispo, religiosos e religiosas, em diversas estruturas, organismos e pastorais.
 
Urge que no espírito sinodal, comunhão e participação, e na evangélica opção preferencial pelos pobres, participemos da construção de uma sociedade justa, fraterna e mais solidária, a caminho do Reino definitivo.
 
Tenhamos sempre em mente que o Protagonista da evangelização é o Espírito Santo, de modo que a diversidade de carismas, dons e ministérios devem ser compartilhados, garantia de êxito na evangelização (1 Cor 12-30), na fidelidade a Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), e tão somente assim evangelizaremos e avançaremos para as águas mais profundas.

A inteligência artificial e a sabedoria do coração (súplica)

                                             


A inteligência artificial e a sabedoria do coração 

Suplicamos, ó Deus, a Vossa Sabedoria para que através da inteligência artificial, de mãos dadas com a sabedoria do coração, sejamos promotores de uma comunicação plenamente humana, orientada para o bem de toda a humanidade.

Não permitais, ó Deus, que caiamos na tentação do delírio da onipotência, com a indevida utilização da inteligência artificial, na funesta pretensão de um futuro que prescinda de Vós, ou até mesmo decrete a Vossa morte, como se de Vós não mais precisássemos

Concedei-nos um olhar espiritual, recuperando a sabedoria do coração, para que possamos ler e interpretar a novidade do nosso tempo e descobrir o caminho para uma comunicação plenamente humana.

Convertei o nosso coração para que, de fato, ele seja a sede da liberdade e das decisões mais importantes da vida, como um símbolo de integridade e unidade, sem jamais ocorrer a perda dos afetos, desejos, sonhos e da íntima e necessária comunhão convosco.

Abri nossos horizontes para o encontro com o outro, na sabedoria do saber escutar e falar tão somente o que possa edificar pontes de fraternidade e amizade social; jamais seja a inteligência artificial usada para a edificação de muros que nos fragilizam, e nos distanciam, por vezes, numa terceira guerra em pedaços.

Ajudai-nos na prevenção acompanhada da promoção de uma regulamentação ética que contorne os efeitos danosos, discriminadores e socialmente injustos dos sistemas de inteligência artificial, e não caiamos em polarizações de opiniões púbicas ou a construção de um pensamento único determinante.

Abertos à Sabedoria do Espírito, sejamos promotores de uma comunicação que nos liberte de toda forma de escravidão, e estabeleçamos relações de amor, respeito e liberdade, pois é para a liberdade que o Vosso Filho nos libertou, por Sua Morte e Ressurreição (cf. Gl 5,1).

Nutri nosso coração, portanto, de liberdade, para que cresçamos em Sabedoria, colocando toda e qualquer forma de inteligência artificial, a serviço de uma comunicação plenamente humana; mais uma vez, nós Vos pedimos, por meio do Vosso Filho, em comunhão com o Santo Espírito. Amém.

 

PS: Fonte inspiradora: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20240124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

Indefinibilidade do amor...

                              

Indefinibilidade do amor... 

Assim conclui a reflexão do Missal Cotidiano, quando se proclama o trecho da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 13,8-10):

“O amor não se define, vive-se. Importa amar para ver claro. E se quisermos que algum outro veja claro, a única estratégia eficiente é amá-lo sem condições, como a nós mesmos. Deus é Aquele que ama primeiro: ama-nos antes de nós mesmos...”

Lembramos as Palavras do Apóstolo aos Romanos: ”A caridade é a plenitude da lei” (Rm 13,10).

Também somos enriquecidos pelo seu memorável texto sobre o amor, que encontramos na Primeira Carta aos Coríntios 13.

Um texto indiscutivelmente inspirador de tantos outros, para cristãos ou não.

Remete-nos a Luís Vaz de Camões (1524-1580), grande poeta da língua portuguesa e sua ímpar poesia:

               “Amor é fogo que arde sem se ver;          
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”


Lembramos “Monte Castelo”, do grupo Legião Urbana, que fez uma releitura musical dos textos acima!

Bíblia, poesia e música: que nossa alma se eleve para amar, sem procura de definições conceituais.

Amar na bela e plena medida como Cristo amou e nos ama...
Amor não se define, vive-se!

Contemplemos o amor que se concretiza
Em múltiplas expressões e relações.

Contemplemos o amor que se eterniza
Em versos, sonetos e belas canções.

Contemplemos o amor que nos eterniza,
Porque condição e meta do existir.

Contemplemos o amor, que nos nutre
E fortalece para tudo que há de vir!

Ah! indefinibilidade do amor!
Ah! inesgotabilidade do amor!

Sobretudo o amor de Nosso Senhor!
que possui o mais belo esplendor! Amém.

Cair, levantar e caminhar

                                               


Cair, levantar e caminhar

Por vezes, podemos experimentar a queda,
mas temos que nos levantar e continuar o caminho...

Ainda que não tenhamos forças para nos levantar,
Deus, em Sua bondade e providência, nos assiste.

Não nos deixa faltar mãos solidárias estendidas,
Que não apenas nos levantam, mas condividem os fardos.

Agradeçamos a Deus por estas mãos tantas,
Que nos foram estendidas para sermos o que somos.

Mãos que tocaram nossas feridas com o bálsamo da atenção,
E nos enfaixaram com as faixas da ternura e coragem.

Sejam nossas mãos também estendidas e solidárias,
A quantos caídos, feridos sem vontade de viver e caminhar.

Contemplemos a tríplice queda do Senhor,
E a solidariedade de Simão Cirineu no carregar da cruz.

O Senhor caiu pelo peso de nossos pecados e maldade.
Caiu porque expressão máxima da misericórdia divina.

Caiu pela misericórdia redentora por todos nós vivida.
Caímos, por vezes, por causa de nossos pecados e miséria.

Se cairmos, que não seja para sempre,
Pois há um longo deserto a atravessar...