
MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
PARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS – 2026 (síntese)
A
mensagem tem como título “Preservar vozes e rostos humanos”, pois de
fato, são os traços únicos e distintivos de cada pessoa e manifestam a sua
identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro, afirma o
Papa na introdução da mensagem.
O
rosto e a voz são sagrados e nos foram dados por Deus, que nos criou à Sua
imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos
dirigiu, fazendo-Se Carne e vindo habitar entre nós, e podemos ainda escutá-la
e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no
Rosto de Jesus, Filho de Deus.
Citação
enriquecedora nos apresenta o Papa São Gregório de Nissa:
«Ter
sido criado à imagem de Deus significa que foi impresso no homem, desde o
momento da sua criação, um carácter régio [...]. Deus é amor e fonte de amor: o
divino Criador também colocou esta característica no nosso rosto, para que,
através do amor – reflexo do amor divino –, o ser humano reconheça e manifeste
a dignidade da sua natureza e a semelhança com o seu Criador»
Somos
criados à imagem e semelhança de Deus para dialogar com Ele, e temos impresso
em nós o Seu amor – “Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos
predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e
irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com
os outros.”
Desenvolve
a mensagem apresentando os aspectos positivos que nos trazem o bom uso da
inteligência artificial, bem como os aspectos que despertam preocupação e o
necessário cuidado para que não percamos nossa dignidade, identidade e desígnio
que Deus tem para cada pessoa e toda a humanidade (a perda do pensamento
crítico e criatividade em todos os âmbitos; a polarização e manipulação
emocional; a perda da criatividade, empatia e responsabilidade pessoal).
A
inteligência artificial faz parte do cotidiano, no entanto não podemos por ela
ser dominados, tornando-nos consumidores passivos de pensamentos não pensados,
de produtos anônimos, sem autoria e sem amor: estamos diante de um grande
desafio que não é apenas tecnológico, mas antropológico, ou seja, é preciso
preservar a humanidade diante de uma automação crescente.
O
desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la,
estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar
a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser
integradas por nós como aliadas, de tal modo, que não ocorra a substituição das
relações humanas por interações artificiais; o crescimento da desinformação e a
manipulação da realidade; a multiplicação de “deepfakes” fraudes
digitais, “cyberbullying”, bem como o uso indevido da voz e da imagem, etc.
Em
sua mensagem, exorta-nos a uma necessária e possível aliança baseada em três
pilares: responsabilidade, cooperação e educação.
1
- A responsabilidade – como expressão de honestidade, transparência,
coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado, de
tal modo que, a responsabilidade é exigida de todos criadores e desenvolvedores
de modelos de IA; legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm
a função de zelar pelo respeito da dignidade humana.
2
– A cooperação - todos somos chamados a cooperar – “Nenhum setor pode
enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por
isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes
interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de
criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem
estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital
consciente e responsável.”
3
– A educação – “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir
criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por
trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos
psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e
associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação
mais saudável e responsável.”
Fundamental
que favoreçamos, especialmente os jovens, a aquisição da capacidade para o
pensamento crítico e cresçam na liberdade de espírito, numa necessária
literacia (1).
Finaliza exortando para que o rosto e a voz voltem a
dizer a pessoa: “É necessário preservar o dom da comunicação como a mais
profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a
inovação tecnológica.”
Não há nada que possa substituir o rosto e a voz real, preservando
a dignidade de cada pessoa e a necessária convivência fraterna nos mais
diversos espaços.
PS: Fundamental que acolhamos a mensagem, para que, como
comunicadores sociais, de modo especial, favoreçamos a preservação dos sagrados
valores da dignidade, verdade, liberdade, fraternidade e paz.
Se desejar ler a mensagem na íntegra, acesse:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
1 - Literacia – consiste na capacidade de ler, escrever,
compreender e aplicar informações de forma funcional no dia a dia. Mais do que
apenas saber decodificar letras (alfabetização), trata-se de usar essas
competências para aprender, comunicar-se e resolver problemas na sociedade.
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