terça-feira, 1 de setembro de 2026

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA SANTIDADE NO MUNDO ATUAL (Capítulo IV)



Capítulo IV
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA SANTIDADE
NO MUNDO ATUAL

Menciona os meios de santificação: os diferentes métodos de oração, os Sacramentos inestimáveis da Eucaristia e da Reconciliação, a oferta de sacrifícios, as várias formas de devoção, a direção espiritual e muitos outros (n.110).

Apresenta as características da santidade no mundo atual, em contraposição aos riscos e limites da cultura de hoje.

De um lado temos: a ansiedade nervosa e violenta que os dispersa e enfraquece;  o negativismo e a tristeza; a acédia cômoda, consumista e egoísta; o individualismo e tantas formas de falsa espiritualidade sem encontro com Deus que reinam no mercado religioso atual (n. 111).

O estilo de vida que o Senhor nos chama é apresentado nos parágrafos seguintes:

- a suportação; paciência e mansidão; a alegria e o sentido do humor; ousadia e ardor; viver em comunidade; oração constante.

A suportação, paciência e mansidão:

Permanecer centrado, firme em Deus, que ama e sustenta. Com firmeza interior, é possível aguentar, suportar as contrariedades, as vicissitudes da vida e também as agressões dos outros, as suas infidelidades e defeitos: “se Deus está por nós, quem pode estar contra nós?” (Rm 8, 31) (n.112).

São Paulo convidava os cristãos de Roma a não pagar a ninguém o mal com o mal (cf. Rm 12, 17), a não fazer-se justiça por conta própria (cf. 12, 19), nem a deixar-se vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem (cf. 12, 21) (n.113).

A violência pelos meios de comunicação e internet: “Pode acontecer também que os cristãos façam parte de redes de violência verbal através da internet e vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital. Mesmo nos media católicos, é possível ultrapassar os limites, tolerando-se a difamação e a calúnia e parecendo excluir qualquer ética e respeito pela fama alheia. “ (n. 115).

“É impressionante como, às vezes, pretendendo defender outros Mandamentos, se ignora completamente o oitavo: «não levantar falsos testemunhos» e destrói-se sem piedade a imagem alheia. Nisto se manifesta como a língua descontrolada «é um mundo de iniquidade; (…) e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa existência»” (Tg 3, 6)  (n. 115).

“O santo não gasta as suas energias a lamentar-se dos erros alheios, é capaz de guardar silêncio sobre os defeitos dos seus irmãos e evita a violência verbal que destrói e maltrata, porque não se julga digno de ser duro com os outros, mas considera-os superiores a si próprio (cf. Fl 2, 3)” (n.116).

Alegria e sentido de humor:

“O santo é capaz de viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espírito positivo e rico de esperança. Ser cristão é ‘alegria no Espírito Santo’ (Rm 14, 17), porque, ‘do amor de caridade, segue-se necessariamente a alegria. Pois quem ama sempre se alegra na união com o amado. (...) Daí que a consequência da caridade seja a alegria” (n.122).


Os profetas (n.123) foram anunciadores de alegria e Maria (n.124)   soube descobrir a novidade trazida por Jesus, cantava: “o meu espírito se alegra” (Lc 1, 47) e o próprio Jesus ‘estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo’ (Lc 10, 21). Quando Ele passava, “a multidão alegrava-se” (Lc 13, 17). Depois da Sua Ressurreição, onde chegavam os discípulos, havia grande alegria (cf. At 8, 8) (n.124).

“Existem momentos difíceis, tempos de cruz, mas nada pode destruir a alegria sobrenatural, que ‘se adapta e transforma, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados’ (n.125).


“...às vezes a tristeza tem a ver com a ingratidão, com estar tão fechados em nós mesmos que nos tornamos incapazes de reconhecer os dons de Deus” (n.126).


Recomenda a oração atribuída a São Tomás Moro (nota 101):

“Dai-me, Senhor, uma boa digestão e também qualquer coisa para digerir. Dai-me a saúde do corpo, com o bom humor necessário para o conservar. Dai-me, Senhor, uma alma santa que saiba aproveitar o que é bom e puro, e não se assuste à vista do pecado, mas encontre a forma de colocar as coisas de novo em ordem. Dai-me uma alma que não conheça o tédio, as murmurações, os suspiros e os lamentos, e não permitais que sofra excessivamente por essa realidade tão dominadora que se chama ‘eu’. Dai-me, Senhor, o sentido do humor. Dai-me a graça de entender os gracejos, para que conheça na vida um pouco de alegria e comunica-la aos outros. Assim seja”.

Ousadia e ardor:

Ao mesmo tempo, a santidade é parresia: é ousadia, é impulso evangelizador que deixa uma marca neste mundo. Para isso ser possível, o próprio Jesus vem ao nosso encontro, repetindo-nos com serenidade e firmeza: “não temais!” (Mc 6, 50). “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20) (n.129).

Para o Beato Paulo VI entre os obstáculos da evangelização, está a  carência de parresia, “a falta de ardor, tanto mais grave (porque) provém de dentro” (n.130).


“Somos frágeis, mas portadores dum tesouro que nos faz grandes e pode tornar melhores e mais felizes aqueles que o recebem. A ousadia e a coragem apostólica são constitutivas da missão” (n.131).

parresia é selo do Espírito, testemunho da autenticidade do anúncio. É uma certeza feliz que nos leva a gloriar-nos do Evangelho que anunciamos, é confiança inquebrantável na fidelidade da Testemunha fiel, que nos dá a certeza de que nada ‘poderá separar-nos do amor de Deus’ (Rm 8, 39)” (n.132).

“Precisamos do impulso do Espírito para não ser paralisados pelo medo e o calculismo, para não nos habituarmos a caminhar só dentro de confins seguros. Lembremo-nos disto: o que fica fechado acaba cheirando a mofo e criando um ambiente doentio” (n.133).

“À semelhança do profeta Jonas, sempre permanece latente em nós a tentação de fugir para um lugar seguro, que pode ter muitos nomes: individualismo, espiritualismo, confinamento em mundos pequenos, dependência, instalação, repetição de esquemas preestabelecidos, dogmatismo, nostalgia, pessimismo, refúgio nas normas...”   (n.134).

Ir para as periferias, sem medo do novo:

“Deus é sempre novidade, que nos impele a partir sem cessar e a mover-nos para ir mais além do conhecido, rumo às periferias e aos confins. Leva-nos aonde se encontra a humanidade mais ferida e aonde os seres humanos, sob a aparência da superficialidade e do conformismo, continuam à procura de resposta para a questão do sentido da vida. Deus não tem medo! Não tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas e não Lhe metem medo as periferias. Ele próprio Se fez periferia (cf. Flp 2, 6-8; Jo 1, 14). Por isso, se ousarmos ir às periferias, lá O encontraremos: Ele já estará lá. Jesus antecipa-Se-nos no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sombria. Ele já está lá” (n. 135).

“Mas, pensando no ar irrespirável da nossa autorreferencialidade, pergunto-me se às vezes Jesus não estará já dentro de nós, batendo para que O deixemos sair” (n. 136).

“Deixemos então que o Senhor venha despertar-nos, dar-nos um abanão na nossa sonolência, libertar-nos da inércia. Desafiemos a habituação, abramos bem os olhos, os ouvidos e, sobretudo, o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado” (n. 137).

Cita o exemplo de tantos sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos que se dedicam a anunciar e servir com grande fidelidade, muitas vezes arriscando a vida e, sem dúvida, à custa da sua comodidade.

Estes testemunhos nos lembra que a Igreja não precisa de muitos burocratas e funcionários, mas de missionários apaixonados, devorados pelo entusiasmo de comunicar a verdadeira vida; e assim fizeram os santos: surpreendem, desinstalam, porque a sua vida nos chama a sair da mediocridade tranquila e anestesiadora (n. 138).

Uma súplica ao Senhor: “...a graça de não hesitar quando o Espírito nos exige que demos um passo em frente; peçamos a coragem apostólica de comunicar o Evangelho aos outros e de renunciar a fazer da nossa vida um museu de recordações...” (n. 139).

Em comunidade: ...A sedução com que nos bombardeiam é tal que, se estivermos demasiado sozinhos, facilmente perdemos o sentido da realidade, a clareza interior, e sucumbimos” (n. 140).

“A santificação é um caminho comunitário, que se deve fazer dois a dois. Reflexo disto temo-lo em algumas comunidades santas. Em várias ocasiões, a Igreja canonizou comunidades inteiras, que viveram heroicamente o Evangelho ou ofereceram a Deus a vida de todos os seus membros” (n. 141).

“Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e vai-nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e missionária...” (n. 142).

“A vida comunitária, na família, na paróquia, na comunidade religiosa ou em qualquer outra, compõe-se de tantos pequenos detalhes diários” (n. 143).

Jesus nos convida para a atenção aos pequenos detalhes:

o pequeno detalhe do vinho que estava a acabar numa festa;
o pequeno detalhe duma ovelha que faltava;
o pequeno detalhe da viúva que ofereceu as duas moedinhas que tinha;
o pequeno detalhe de ter azeite de reserva para as lâmpadas, caso o noivo se demore;
o pequeno detalhe de pedir aos discípulos que vissem quantos pães tinham;
o pequeno detalhe de ter a fogueira acesa e um peixe na grelha enquanto esperava os discípulos ao amanhecer (n. 144).

“A comunidade, que guarda os pequenos detalhes do amor e na qual os membros cuidam uns dos outros e formam um espaço aberto e evangelizador, é lugar da presença do Ressuscitado que a vai santificando segundo o projeto do Pai.” (n. 145).

Em oração constante: a santidade é feita de abertura habitual à transcendência, que se expressa na oração e na adoração. O santo é uma pessoa com espírito orante, que tem necessidade de comunicar com Deus... Não acredito na santidade sem oração, embora não se trate necessariamente de longos períodos ou de sentimentos intensos” (n. 147).

“Peço, porém, que não se entenda o silêncio orante como uma evasão que nega o mundo que nos rodeia” (n.152).

“A oração, precisamente porque se alimenta do dom de Deus que se derrama na nossa vida, deveria ser sempre rica de memória. A memória das obras de Deus está na base da experiência da aliança entre Deus e o Seu povo...” (n. 153).

A súplica: confiança em Deus e amor ao próximo: “A súplica é expressão do coração que confia em Deus, pois sabe que sozinho não consegue. Na vida do povo fiel de Deus, encontramos muitas súplicas cheias de ternura crente e de profunda confiança. Não desvalorizemos a oração de petição, que tantas vezes nos tranquiliza o coração e ajuda a continuar a lutar com esperança...” (n. 154).

A leitura orante da Palavra de Deus: “«mais doce do que o mel» (Sal 119/118, 103) e «espada de dois gumes» (Heb 4, 12) - escutar o Mestre fazendo da Sua palavra farol para os nossos passos, luz para o nosso caminho (cf. Sl 119/118, 105) (n. 156).

A Escritura e a Eucaristia não se separam: “O encontro com Jesus nas Escrituras conduz-nos à Eucaristia, onde essa mesma Palavra atinge a sua máxima eficácia, porque é presença real d’Aquele que é a Palavra viva. Lá o único Absoluto recebe a maior adoração que se Lhe possa tributar neste mundo, porque é o próprio Cristo que Se oferece. E, quando O recebemos na Comunhão, renovamos a nossa aliança com Ele e consentimos-Lhe que realize cada vez mais a Sua obra transformadora.” (n. 157).

LUTA, VIGILÂNCIA E DISCERNIMENTO (Capítulo V)

Capítulo V
LUTA, VIGILÂNCIA E DISCERNIMENTO

A vida cristã é luta permanente: “A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demônio e anunciar o Evangelho. Esta luta é magnífica, porque nos permite cantar vitória todas as vezes que o Senhor triunfa na nossa vida” (n. 158).


A luta e a vigilância

Uma luta contra o demônio, príncipe do mal; uma luta contra o mundo e a mentalidade mundana, que nos engana, atordoa e torna medíocres, sem empenhamento e sem alegria; uma luta contra a própria fragilidade e as próprias inclinações (cada um tem a sua: para a preguiça, a luxúria, a inveja, os ciúmes, etc. (n.159).


O demônio não é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia:

Este poder maligno está no meio de nós, tem uma força destruidora tão grande (n 160)..

Não se pode diminuir a vigilância:

“O demônio não precisa de nos possuir. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. E assim, enquanto abrandamos a vigilância, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas famílias e as nossas comunidades, porque, ‘como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar’ (1 Pd 5, 8)” (n.161).

Despertos e confiantes:

“A Palavra de Deus convida-nos, explicitamente, a resistir ‘contra as maquinações do diabo’ (Ef 6, 11) e a ‘apagar todas as setas incendiadas do maligno’ (Ef 6, 16)” (n.162).

Para a luta, temos as armas poderosas que o Senhor nos dá: a fé que se expressa na oração, a meditação da Palavra de Deus, a celebração da Missa, a adoração eucarística, a Reconciliação sacramental, as obras de caridade, a vida comunitária, o compromisso missionário. (n.162).

A corrupção espiritual:

“Pois, quem não se dá conta de cometer faltas graves contra a Lei de Deus, pode deixar-se cair numa espécie de entorpecimento ou sonolência. Como não encontra nada de grave a censurar-se, não adverte aquela tibieza que pouco a pouco se vai apoderando da sua vida espiritual e acaba por ficar corroído e corrompido” (n.164).

O que é a corrupção espiritual:

“...é pior que a queda dum pecador, porque trata-se duma cegueira cômoda e autossuficiente, em que tudo acaba por parecer lícito: o engano, a calúnia, o egoísmo e muitas formas sutis de autorreferencialidade, já que ‘também Satanás se disfarça em anjo de luz’ (2 Cor 11, 14). Assim acabou os seus dias Salomão, enquanto o grande pecador David soube superar a sua miséria” (n.165)

O discernimento

“O discernimento não requer apenas uma boa capacidade de raciocinar e sentido comum, é também um dom que é preciso pedir. Se o pedirmos com confiança ao Espírito Santo e, ao mesmo tempo, nos esforçarmos por cultivá-lo com a oração, a reflexão, a leitura e o bom conselho, poderemos certamente crescer nesta capacidade espiritual”. (n.166)

Uma necessidade imperiosa:

“Hoje em dia, tornou-se particularmente necessária a capacidade de discernimento, porque a vida atual oferece enormes possibilidades de ação e distração, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas válidas e boas. Todos, mas especialmente os jovens, estão sujeitos a um zapping constante. É possível navegar simultaneamente em dois ou três visores e interagir ao mesmo tempo em diferentes cenários virtuais. Sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências da ocasião . (n.167)

“...Somos livres, com a liberdade de Jesus, mas Ele chama-nos a examinar o que há dentro de nós – desejos, angústias, temores, expectativas – e o que acontece fora de nós – os ‘sinais dos tempo’ –, para reconhecer os caminhos da liberdade plena: ‘examinai tudo, guardai o que é bom’ (1 Ts 5, 21)”. (n.168)

Sempre à luz do Senhor:
O discernimento é um instrumento de luta, para seguir melhor o Senhor (n.169)

O discernimento é um dom sobrenatural:

Ele não exclui as contribuições de sabedorias humanas, existenciais, psicológicas, sociológicas ou morais; mas transcende-as – “Não bastam sequer as normas sábias da Igreja. Lembremo-nos sempre de que o discernimento é uma graça. Embora inclua a razão e a prudência, supera-as, porque trata-se de entrever o Mistério daquele Projeto, único e irrepetível, que Deus tem para cada um e que se realiza no meio dos mais variados contextos e limites”. (n.170)

O necessário silêncio da oração prolongada para perceber melhor  a linguagem, para interpretar o significado real das inspirações que julgamos ter recebido, para acalmar ansiedades e recompor o conjunto da própria vida à luz de Deus. (n.171).


O discernimento requer a disposição para a escuta do que o Senhor quer nos dizer, e somente esta disposição confere a liberdade de renunciar o  ponto de vista parcial e insuficiente, aos  hábitos e os esquemas.(n.172)

Esta escuta implica na obediência ao Evangelho como último critério, mas também ao Magistério que o guarda, procurando encontrar no tesouro da Igreja aquilo que pode ser mais fecundo para o hoje da salvação, com o auxílio do Espírito (n.173).

A lógica do dom e da cruz:

O discernimento requer o educar-se para a paciência de Deus e os seus tempos, que nunca são os nossos: “Ele não faz descer fogo do céu sobre os incrédulos (cf. Lc 9, 54), nem permite aos zelosos arrancar o joio que cresce juntamente com o trigo (cf. Mt 13, 29). Além disso requer-se generosidade, porque ‘a felicidade está mais em dar do que em receber’ (At 20, 35)” (n.174).

“Mas é necessário pedir ao Espírito Santo que nos liberte e expulse aquele medo que nos leva a negar-Lhe a entrada nalguns aspetos da nossa vida... Isto mostra-nos que o discernimento não é uma autoanálise presuntuosa, uma introspeção egoísta, mas uma verdadeira saída de nós mesmos para o Mistério de Deus, que nos ajuda a viver a missão para a qual nos chamou a bem dos irmãos” n.175).

Antes de finalizar apresenta Maria aquela que:
- como ninguém viveu as Bem-Aventuranças de Jesus;
- estremecia de júbilo na presença de Deus;
- conservava tudo no seu coração e Se deixou atravessar pela espada;
- é a mais abençoada dos santos entre os santos;
- nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha;
- quando caímos, não aceita deixar-nos por terra e, às vezes, leva-nos nos seus braços sem nos julgar.

“Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para lhe explicar o que se passa conosco. É suficiente sussurrar uma vez e outra: «Ave Maria...». (n.176)

Conclui com o desejo de que a Exortação seja útil, para que toda a Igreja se dedique a promover a santidade:

“Peçamos ao Espírito Santo que infunda em nós um desejo intenso de ser santos para a maior glória de Deus; e animemo-nos uns aos outros neste propósito. Assim, compartilharemos uma felicidade que o mundo não poderá tirar-nos”. (n.177).

“Sai deste homem”

                                                       

“Sai deste homem”

Sejamos enriquecidos pelo Comentário do Evangelho de São Marcos, escrito por São Jerônimo, Doutor da Igreja (séc. IV).

“E Jesus ameaçou: Cala-te e sai deste homem. A verdade não necessita de testemunho da mentira. Não vim para ser reconhecido pelo teu testemunho, mas para precipitar-te de minha criatura. Não é belo o louvor na boca do pecador.

Não necessito do testemunho daquele ao qual quero atormentar. Cala-te. Teu silêncio seja o meu louvor. Não quero que a tua voz me louve, mas os teus tormentos: tua pena é meu louvor. Não me é agradável que me louves, mas que se retire.

Cala-te e sai deste homem. Como se dissesse: sai de minha casa, o que fazes em minha morada? Eu desejo entrar: Cala-te e sai deste homem. Deste homem, ou seja, deste animal racional. Sai deste homem: abandona esta morada preparada para mim. O Senhor deseja a sua casa: sai deste homem, deste animal racional.

Sai deste homem, disse também em outro lugar a uma legião de demônios, para que saíssem de um homem e entrassem nos porcos. Vede quão preciosa é a alma humana. Isto contradiz àqueles que creem que nós e os animais temos uma mesma alma e trazemos um mesmo espírito.

De um só homem é lançada a legião e enviada a dois mil porcos, o que nos permite ver que é precioso o que se salva e de pouco valor o que se perde. Sai deste homem e vai-te para os porcos, vai-te para os animais, vai-te para onde queiras, vai-te aos abismos.

Abandona ao homem, ou seja, abandona uma propriedade particularmente minha. Sai deste homem: não quero que tua possuas ao homem; para mim é uma injúria que habites no homem, sendo Eu o que habita nele. Eu assumi o corpo humano, Eu habito no homem. Essa carne que possuís é parte da minha carne, portanto, sai deste homem.

E o espírito imundo, agitando-o violentamente... Com estes sinais mostrou sua dor, agitando-o violentamente. Aquele demônio, ao sair, como não podia causar dano à alma, o fez ao corpo, e, como não podia fazer-se compreender por outro meio, manifesta com sinais corporais que saiu.

E o espírito imundo, agitando-o violentamente... Porque ali estava o espírito impuro que foge do espírito puro. E dado um grito, saiu dele. Com o clamor da voz e a agitação do corpo manifestou que saia”. (1)

Vemos quão preciosos somos aos olhos de Deus, de modo especial, considerando estas duas afirmações de São Jerônimo, a partir da ação libertadora de Jesus, com sua Palavra:

- “De um só homem é lançada a legião e enviada a dois mil porcos, o que nos permite ver que é precioso o que se salva e de pouco valor o que se perde”;

- “’Sai deste homem’: não quero que tua possuas ao homem; para mim é uma injúria que habites no homem, sendo Eu o que habita nele. Eu assumi o corpo humano, Eu habito no homem. Essa carne que possuís é parte da minha carne, portanto, ‘sai deste homem’”.

Seja a ação evangelizadora o empenho efetivo em promoção e defesa da dignidade e sacralidade da vida, desde sua concepção até o seu declínio natural.

É tempo de reaprendermos o valor da existência humana como morada de Deus, e, portanto, qualquer sinal que expresse sua violação, mutilação, deve ser superado.
  
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 –p.377-378 
Apropriado para as passagens: Mc 1,21-28; Lc 4,31-37

“Cala-te e sai dele”

                                                          


“Cala-te e sai dele”

Na terça-feira da 22ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,31-37).

Trata-se na ação de Jesus na sinagoga, em dia de sábado, libertando um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro.

A vitória de Jesus sobre o demônio revela o plano que Deus tem, e Jesus veio realizar, porque Jesus é o “Santo de Deus”, a intervenção de Deus, autorizado por força de palavra e poder de ação, em nosso mundo sujeito a outro poder, o poder do mal.

Com a passagem, contemplamos Jesus dando início ao Seu Ministério, ensinando e curando, com autoridade.

Esta autoridade consiste em falar de modo que aqueles que O ouvem se encontrem com a pessoa do Mestre, e pondo-se a caminho viverão a fidelidade no amor incondicional, como discípulos missionários Seus.

Muitos que O ouviram puseram a falar d’Ele, e esta é a nossa missão: comunicar a experiência que fazemos com Ele, do mesmo modo que fizeram os Seus apóstolos - “Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (At 4,20).

Que o Espírito do Senhor, que com Ele estava, também nos acompanhe em todos os momentos.

Concluo com as palavras de São Cirilo de Jerusalém (séc. IV) sobre a ação do Espírito Santo em nossa missão evangelizadora:

“Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradá­vel é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo! A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, ilu­minar a alma de quem o recebe, e, depois, por meio desse, a alma dos outros.” 

 

PS: Fonte - Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp.1224-1225

Em poucas palavras...

                                                         



O sabor da Palavra

Tão doce, tão amarga é a Vossa Palavra, Senhor.
Vivê-la é um risco de ser incompreendido,
Odiado, perseguido...

Mas, nos ventos contrários,
ela é força e fonte de Amor!
Tão doce, tão amarga é a Vossa Palavra, Senhor!



Somos libertos pela Palavra e ação de Jesus

                                   

Somos libertos pela Palavra e ação de Jesus
 
“O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade...
Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”
 
Deus tem um Projeto de liberdade e vida plena para a humanidade, que se contrapõe aos projetos marcados pelo egoísmo, escravidão de toda forma e morte.
 
Na passagem do Evangelho (Mc 1,21-28), vemos a ação de Jesus, o Filho de Deus, que vem cumprir o Projeto de libertação.
 
Depois de apresentar o chamamento dos discípulos, o Evangelista apresenta uma jornada ministerial do Senhor, com Sua autoridade revelada no ensino e diante dos “espíritos impuros”.
 
Com Sua Palavra e ação, Jesus renova aqueles que O acolhem e acreditam em Sua Palavra, tornando-os verdadeiramente livres do egoísmo, do pecado e da própria morte.
 
A ação de Jesus faz suscitar a interrogação daqueles que O viram ensinar e expulsar os demônios: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina e com que autoridade!”. Também nós devemos nos perguntar “quem é Jesus para nós?”
 
Jesus veio nos libertar de tudo o que nos faça “prisioneiros” e nos roube a vida e a alegria de viver. Com Sua Palavra e ação, Jesus nos revela que Deus não desistiu da humanidade, e quer conduzi-la à vida plena e feliz.
 
Seus seguidores não poderão cruzar os braços, continuando a Sua missão na luta contra os “demônios” de tantos nomes, que roubam a vida e a liberdade das pessoas.
 
O discípulo de Jesus, com Sua Palavra e presença, luta na libertação de todos os demônios que desfiguram as pessoas, para que estabeleçamos relações mais fraternas.
 
Ser discípulo consistirá em percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, lutando até o fim, em total doação da vida para que tenhamos um mundo mais humano, mais livre, mais solidário, mais justo e mais fraterno. Sendo assim, é inconcebível que os discípulos cruzem os braços, de olhos voltados para o céu.
 
Há um mundo a ser transformado e, como Igreja em saída (como tem insistido o Papa Francisco), não podemos ficar fechados em nossas sacristias, mas assumir corajosamente, com a força do Espírito, com sabedoria e criatividade, a dimensão missionária, elemento constitutivo da Igreja, presença nas mais diversas realidades, em incansável empenho para a transformação das realidades:  familiar, social, política, econômica, cultural, do trabalho e da comunicação.
 
Nem sempre isto se dá de modo tranquilo, porque pode gerar conflitos, divisões, sofrimentos, incompreensões, perseguições, mas vale a pena, porque é fiel Àquele que prometeu jamais nos desamparar, jamais nos deixar órfãos na missão por Ele confiada, afinal nos comunicou o Seu Espírito, que nos assiste em todos os momentos.
 
O discípulo de Jesus é alguém que embarcou nesta aventura de amor que dá sentido à vida, o que nos torna cúmplices e instrumentos nas mãos de Deus, para que construamos um mundo novo, de homens e mulheres livres e felizes.
 
Com o coração seduzido e inflamado por Jesus, que voltou para nós o Seu olhar de amor e nos chamou pelo nome, não há como voltar atrás; de modo que, quem pelo Senhor sentiu-se amado, já não pode mais viver sem o Seu Amor, a Sua Palavra e presença.
 
 
 
(1) Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Paulus – Lisboa – p.1177
 
P
S: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,31-37).

Em poucas palavras...

                                                       


A necessária escuta da Palavra de Deus

“E sobretudo há a obra da evangelização e da catequese que se tem revitalizado precisamente pela atenção à Palavra de Deus.

É preciso, amados irmãos e irmãs, consolidar e aprofundar esta linha, inclusive com a difusão do livro da Bíblia nas famílias.

De modo particular é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo a antiga e sempre válida tradição da ‘lectio divina’: esta permite ler o texto bíblico como Palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência.” (1)

 

(1)Novo Millennio Ineunte - 2001 - Papa São João Paulo II

 

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