quarta-feira, 15 de julho de 2026

Que o Fogo do Espírito nos inflame!

                                                            

Que o Fogo do Espírito nos inflame!

Celebramos, no  dia 15 de julho, a Memória do Bispo São Boaventura (séc. XIII), que nos enriquece com seu “Opúsculo Literário da Mente para Deus”.

“Cristo é o caminho e a porta. Cristo é a escada e o veículo, o propiciatório colocado sobre a arca de Deus (cf. Ex 26,34) e o Mistério desde sempre escondido (Ef 3,9).

Quem olha para este propiciatório, com o rosto totalmente voltado para Ele, contemplando-O suspenso na Cruz, com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com Ele a Páscoa, isto é, a passagem.

E assim, por meio do Lenho da Cruz, atravessa o mar Vermelho, saindo do Egito e entrando no deserto, onde saboreia o maná escondido.

Descansa também no túmulo com Cristo, parecendo exteriormente morto, mas experimentando, tanto quanto é possível à Sua condição de peregrino, aquilo que foi dito pelo próprio Cristo ao ladrão que O reconhecera: Ainda hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23,43).

Nesta passagem, se for perfeita, é preciso deixar todas as operações intelectuais, e que o ápice de todo o afeto seja transferido e transformado em Deus.

Estamos diante de uma realidade mística e profundíssima: ninguém a conhece, a não ser quem a recebe; ninguém a recebe, se não a deseja; nem a deseja, se não for inflamado, até a medula, pelo Fogo do Espírito Santo, que Cristo enviou ao mundo. Por isso, o Apóstolo diz que essa Sabedoria mística é revelada pelo Espírito Santo (cf. 1Cor 2,13).

Se, portanto, queres saber como isso acontece, interroga a graça, e não a ciência; o desejo, e não a inteligência; o gemido da oração, e não o estudo dos livros; o esposo, e não o professor; Deus, e não o homem; a escuridão, e não a claridade.

Não interrogues a luz, mas o Fogo que tudo inflama e transfere para Deus, com unções suavíssimas e afetos ardentíssimos.
Esse Fogo é Deus; a Sua fornalha está em Jerusalém. Cristo acendeu-a no calor da Sua ardentíssima Paixão.

Verdadeiramente, só pode suportá-la quem diz: Minha alma prefere ser sufocada, e os meus ossos a morte (cf. Jó 7,15). Quem ama esta morte pode ver a Deus porque, sem dúvida alguma, é verdade: O homem não pode ver-me e viver (Ex 33,20).

Morramos, pois, e entremos na escuridão; imponhamos silêncio às preocupações, paixões e fantasias.

Com Cristo crucificado, passemos deste mundo para o Pai (cf. Jo 13,1), a fim de podermos dizer com o Apóstolo Filipe, quando o Pai Se manifestar a nós: Isso nos basta (Jo 14,8); ouvirmos com São Paulo: Basta-te a minha graça (2Cor 12,9); e exultar com Davi, exclamando: Mesmo que o corpo e o coração vão se gastando, Deus é minha parte e minha herança para sempre! (Sl 72,26).

Bendito seja Deus para sempre! E que todo o povo diga: Amém! Amém! (cf. Sl 105,48)”.

Oremos:

Senhor, que o Fogo do Espírito nos inflame, para correspondermos melhor ao Projeto de Deus.

Com a Sabedoria a nós comunicada, seja nossa alma inflamada, e acompanhados pela Vossa presença e envolvidos pela Vossa infinita misericórdia, bondade e ternura.

Como peregrinos da esperança, com a Sabedoria do Espírito, contemplamos insondáveis Mistérios Divinos que dão um novo e salutar sentido à nossa vida. Amém.

O amor de Deus pelos pequeninos, humildes e simples

                                                   

O amor de Deus pelos pequeninos, humildes e simples

A Liturgia da Missa da quarta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-27), em que Jesus louva o Pai por ter ocultado o Mistério da Salvação aos sábios e entendidos, e o ter revelado aos pequeninos.

De fato, Jesus é o revelador do Pai, pois conhece tudo do Pai e recebeu a missão de manifestá-Lo a todos os homens e mulheres.

Os pobres, os pequeninos, os humildes correm a Ele e alcançam a fé. Esta adesão de fé é, necessariamente, adesão à Sua Igreja, que será para o mundo sinal de Salvação, numa total confiança, entrega e disponibilidade, na alegria da missão que se inaugura no dia de nosso Batismo.

O mundo precisa de “pequeninos”, que humildemente revelem a grandeza e a Onipotência Divina, com as limitações próprias que nos marcam.

Glorifiquemos a Deus que escolheu os fracos para confundir os fortes. O Projeto de Deus é diferente dos projetos humanos, porque infinitamente melhor.

Celebremos a Eucaristia prolongando, com gestos e compromissos, suscitando nos lábios do Senhor, louvores incontáveis.

Como Jesus, louvamos e glorificamos em ver milhões de pessoas sedentas e abertas à revelação de Deus e à Sua Sabedoria, como uma grande Sarça Ardente que nos inflama e nos impulsiona em missão.

Não estamos sós. E como tão bem afirmou o Bispo Santo Agostinho (séc V), em seu Comentário do Salmo (Sl 85,1);

“Deste modo, o único Salvador de Seu corpo, 
nosso Senhor Jesus Cristo, 
é o mesmo que ora por nós,
ora em nós 
e recebe a nossa Oração.

Ele ora por nós como nosso Sacerdote;
 ora em nós como nossa cabeça 
e recebe nossa Oração como nosso Deus.
Reconheçamos n’Ele a nossa voz, 
e em nós a Sua voz” 

Oremos:

Ó Deus, ajudai-nos, para que sejamos pequeninos diante de Vós, vivendo com humildade e simplicidade.

Dai-nos a graça de possuir um coração puro para sentir a Vossa presença e, um dia, contemplar a Vossa face.

Ajudai-nos, ó Deus, para que nossas palavras e gestos revelem a Vossa ação e presença em nós, no amor e solidariedade para com o nosso próximo, com a força, luz e Sabedoria do Espírito Santo. Amém.

Deus é paciente, misericordioso e espera a nossa conversão (XVIDTCA)

                                                     


Deus é paciente, misericordioso e espera a nossa conversão

A Liturgia da Palavra do 16º Domingo do Tempo Comum – (ano A) nos leva a refletir, à luz das Parábolas do Reino, sobre o ser de Deus, que é paciente, cheio de misericórdia, indulgente e clemente.

Na passagem da primeira Leitura no Livro da Sabedoria (Sb 12, 13.16-19), um dos livros mais recentes do Antigo Testamento (primeira metade do século I a.C), refletimos sobre a verdadeira Sabedoria de Deus que se manifestou na história de Israel. Somente quem se abrir a ela encontrará a verdadeira felicidade.

A mensagem é de que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva, pois a sua lógica, muitas vezes se contrapõe à lógica humana, pois se trata da lógica do perdão e da misericórdia revestida em sinais de paciência, como bem retrata o Salmista: “Ó Senhor Vós sois bom, sois clemente e fiel!" (Sl 85).

Deus jamais deseja a destruição do pecador, de modo que a salvação Ele nos oferece como dom, e exige de nós uma resposta, esforço, empenho, compromisso, sinceridade, dedicação.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,26-27), Paulo se dirige aos Romanos, e refletimos sobre a vida segundo o Espírito: um caminho sem nenhuma facilidade, mas com a certeza da verdadeira felicidade que deve ser buscada corretamente.

Somente Deus pode:

- vir a todos nós com a força de que tanto precisamos para enfrentar as obscuridades de momentos que possamos passar;

- nos ajudar a interpretar os fatos que nos marcam, e a compreender os desígnios divinos;

- renovar no mais profundo de nós o fascínio pelas coisas divinas, sem jamais perder o encanto, a paixão, o enamoramento por Jesus.

Somente enraizados no verdadeiro Amor da Trindade e a vida segundo o Espírito não nos permitirá sucumbir em ativismos que nos levariam inevitavelmente ao cansaço, ao desencanto e desencontro de múltiplas formas.

Acolher o Espírito nos fará pacientes como Deus é paciente, conforme veremos na Parábola do joio e do trigo.

À luz da passagem do Evangelho (Mt 13, 24-43), refletimos sobre a necessidade de aprender a silenciar para a contemplação da face e do ser divino, que Se manifesta na misericórdia, que faz chover sobre bons e maus.

As Parábolas que ouvimos, favorecem a nossa conversão e o nosso crescimento espiritual, pois nos questionam, exortam, animam, ensinam, fortalecem a fé e nos levam ao mergulho tão necessário dentro de nós mesmos. Sao como injeção de ânimo, de esperança e renovação de compromissos com o Reino de Deus.

É preciso tomar cuidado, multiplicando na vigilância, a oração, o diálogo, o silêncio, pois dentro de cada um de nós pode muito bem coexistir uma belíssima plantação de trigo, mas sufocada pela indesejável plantação do joio, sem culpar terceiros.

Sendo assim, expulsemos todo o desânimo, a apatia, a indiferença, os prejulgamentos, os preconceitos. Creiamos na força da Palavra, que acolhida no mais profundo de nós, em chão fértil, frutos abundantes jamais faltarão.

Abandonemos toda a atitude simplista de condenação, porque de joio e de trigo todos temos um pouco. Cuidado haveremos de tomar de não excomungar, excluir, extirpar, eliminar o pecador junto com seu pecado.

Ainda que tão pequenos como o grão de mostarda, aparentemente tão insignificantes, nossas ações aos olhos de Deus não o serão, pois o mesmo que acontece com o grão de mostarda acontece com o bem que fazemos.

O Reino de Deus não acontece pela grandiosidade, celebridade etc.; o Reino acontece pela ação dos simples. dos pequenos, dos pobres, de nossos pequenos esforços e entregas, doação total. Ainda que não mude o mundo na totalidade,  visibiliza a graça do Reino.

Renovemos o entusiasmo inicial. Trabalhar pelo Reino também de nós exige um eterno recomeço e confiança de que Deus faz crescer e multiplicar o que temos e somos.

Bem disse São Paulo: Deus escolhe os fracos para confundir os fortes. A Cruz, verdadeiramente é loucura para os gregos e escândalo para os judeus.

Um discípulo missionário não fica medindo o tamanho da ação, tão pouco a recompensa recebida, mas antes, por amor, não economiza no multiplicar nos pequenos grandes gestos de amor. Isto é o que nos ensina a Parábola do grão de mostarda.

Mas tudo isto nos pede um fermento para levedar a massa, para fazer crescer o Reino o fermento indispensável: o amor, certos de que Deus  reina por Seu Amor, e o amor jamais força alguém, mas cativa para a livre adesão.

Seja a paciência a expressão da confiança na Misericórdia Divina e na esperança de que todos temos de ser melhores.

Mais paciência e misericórdia (não como sinônimo de conivência), menos julgamento e condenação nos farão comunidades mais pascais, evidentemente zelando pelo amadurecimento e crescimento do testemunho, sem jamais esvaziar e mutilar a Palavra Divina e sem negar e contratestemunhar a Eucaristia que celebramos - Mistério de Amor e Comunhão. 

Em poucas palavras... (XVIDTCA)

                                                                


“Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino...”

"Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17).

Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e atos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa «alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa» (Lc 15, 7).

A prova suprema deste amor será o sacrifício da Sua própria vida, «pela remissão dos pecados» (Mt 26, 28)."

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 545

Em poucas palavras... (XVIDTCA)

                                                  


A caridade é a alma da santidade

“A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim» (Lumen Gentium n. 42):

«Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a Igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor.

Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue...

Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares ... numa palavra, que ele é Eterno» (Santa Teresa do Menino Jesus).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 826

Em poucas palavras... (XVIDTCA)

                                         

Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”

“«Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade:

Assim, Santa Catarina de Sena diz aos «que se escandalizam e se revoltam contra o que lhes acontece»: «Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem, e não com nenhum outro fim».

E S. Tomás Moro, pouco antes do seu martírio, consola a filha com estas palavras: «Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom».

E Juliana de Norwich: «Compreendi, pois, pela graça de Deus, que era necessário ater-me firmemente à fé [...] e crer, com não menos firmeza, que todas as coisas serão para bem [...]». «Thou shalt see thyself that all manner of thing shall be well» .” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 313

Em poucas palavras... (XVIDTCA)

                                    


Santidade

“«Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade» (Lumen Gentium n.48).

Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho» (Lumen Gentium n. 11).” (1)

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 825

 

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