segunda-feira, 13 de julho de 2026

Tempo de promover a concórdia e a paz

                                        


                       Tempo de promover a concórdia e a paz
 
     “Suportemos as fraquezas dos menos fortes” (cf. Rm 15,1-3)
 
Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos:

“Nós que temos convicções firmes devemos suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação.
 
Cada um de nós procure agradar ao próximo para o bem, visando a edificação. Com efeito, Cristo também não procurou a Sua própria satisfação, mas, como está escrito: ‘Os ultrajes dos que te ultrajavam caíram sobre mim’”. (Rm 15,1-3)
 
Todos nós já tivemos oportunidade de viver esta realidade: uma ação impiedosa, um ato pensado e realizado por alguém, quase ou mesmo roubando nossa serenidade.
 
E isto pode ser no âmbito da comunidade, bem como em todos os níveis de relacionamentos.
 
Eis o grande desafio: “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Jamais podemos perder de vista nossa missão de “edificar” a comunhão, a fraternidade, sobretudo porque somos discípulos missionários do Senhor, que nos deu a mais bela lição pelo Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte, como nos fala o Apóstolo.
 
Não é um caminho fácil a ser percorrido, e está explícito no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a), que nos exorta a viver a mansidão e promover a paz, suportando, se houver, calúnias, difamação e perseguições por causa do nome de Jesus e do Evangelho, que cremos, anunciamos e testemunhamos.
 
Vivendo em comunidade, somos desafiados a dar razão de nossa fé e esperança, sem jamais faltar com a caridade que jamais passará, e é exatamente nestes momentos e situações, o apóstolo nos exorta a “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Urge a edificação da unidade, um grande desafio para nossa fé e testemunho: - “Agradar ao próximo para o bem, visando a edificação”.
 
E isto somente se torna possível, se tivermos como modelo o próprio Cristo “que não procurou a Sua própria satisfação”, fazendo cair sobre Si os ultrajes todos, ainda que não merecidos, por amor de nós, quando ainda pecadores.
 
Deste modo, é sempre tempo crescer na espiritualidade cristã e:
 
- Suportar as fraquezas dos menos fortes;
- Edificar a unidade, movidos pelas virtudes divinas;
- Ter os mesmos sentimentos, pensamentos e atitudes de Jesus.
 

Oremos:
 
"Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-Vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por N.S.J.C. Amém" (1)
 
(1) “Oração do Dia” - IV Domingo do Tempo Comum (ano A)
 

Em poucas palavras...

                                                


 

O triunfo da misericórdia

“Falai e procedei como pessoas que vão ser julgadas pela Lei da liberdade.

Pensai bem: O juízo vai ser sem misericórdia para quem não praticou misericórdia; a misericórdia, porém, triunfa do juízo.”

 

 

(1)Tg 2,12-13

Iluminado e conduzido pela Santa Palavra do Senhor

 


Iluminado e conduzido pela Santa Palavra do Senhor

Converte meu coração, por vezes duro como o chão de terra batida dos caminhos, no qual Tua Santa Palavra não consegue penetrar e  dar fruto como desejas.

Fortalece meu coração, por vezes inconstante, capaz de se entusiasmar instantaneamente, mas também de desanimar diante das primeiras dificuldades, e assim não podes com a Tua Santa Palavra, nele raízes criar e frutos produzir.

Liberte meu coração, por vezes materialista, que dá prioridade à riqueza e aos bens deste mundo, fazendo com que Tua Santa Palavra seja facilmente sufocada por esses e outros interesses dominantes.

Dá-me um coração sempre disponível e bom, aberto aos desafios ao Projeto do Reino de Deus, no qual Tua Santa Palavra, como Divina Semente, é  acolhida e dê muito fruto.

Ajuda-me para que, com Teu Santo Espírito, como Teu discípulo missionário, eu seja uma “boa terra”, participante da sagrada comunhão e missão que a todos confias. Amém.

 

PS: fonte dehonianos.org – passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,1-23)

Presbíteros: construtores da esperança e pontes de paz

                                       


Presbíteros: construtores da esperança e pontes de paz

 

 

De 19 a 21 de maio de 2025, celebramos o Jubileu do Clero da Província de Diamantina, composta pelas arquidiocese de Diamantina, dioceses de Almenara, Araçuaí, Guanhães e Teófilo Otoni, com o tema – “Presbíteros, construtores de esperança”.

 

Éramos cinco bispos titulares e um bispo emérito, e aproximadamente duzentos presbíteros.

 

Retomo alguns pontos da homilia que fiz na missa do dia 20 de maio, na Basílica do Sagrado Coração, da arquidiocese de Diamantina, à luz da Palavra proclamada (At 14,19-28; Sl 144; Jo 14,27-31a), e do tema do encontro:

 

- Os presbíteros devem ser promotores da esperança e da verdadeira paz, que não deve ser entendida como ausência da cruz, mas que brota, paradoxalmente,  da cruz vitoriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tão somente Ele pode nos comunicar o “Shalom” ,  a paz, dom divino que nos comunica confiança, serenidade, esperança para viver a graça do Ministério.

 

- Como os apóstolos mencionados na passagem da primeira leitura, devem viver a vocação num fecundo espírito de missionariedade; evangelizadores de uma Igreja em saída para as inúmeras periferias existenciais, que nos desinstalam e nos provocam a necessária conversão e disponibilidade.

 

Devem ser promotores da comunhão ministerial, com a mais expressiva ternura da fé, alegria do serviço e ardor da missão (cf. Dilexit nos – n. 88 – Papa Francisco), perfeitamente configurados a Jesus Cristo Ressuscitado, fonte de graça da vocação a que foram chamados.

 

Oremos por toda a Igreja, e de modo intenso, por todos os presbíteros, para que renovem, sempre, a chama do primeiro amor (cf. 2 Tm 1,6-10), a fim de que sejam, portanto, construtores da esperança, edificando pontes de comunhão e paz – jamais muros de isolamento e separação; alegres discípulos missionários, e promotores da fecunda comunhão eclesial na mais enriquecedora diversidade de dons e ministérios, com a proteção de Maria, a Estrela da Evangelização. Amém. Aleluia!

"Sete duelos"

                                                  

"Sete duelos"

Sede sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé.” (1 Pd 5, 8-9a)

Inicialmente, vi a verdade duelando com a mentira que, muitas vezes, se apresentou na boca de pessoas bem maquiadas, trajadas, com palavras bem versadas.

Mentira tão bem apresentada, com convicção e persuasão, que parecia uma verdade incontestável. Vi a verdade tão frágil como se não fosse sobreviver. Mas a verdade não pode morrer, pois seria a morte da própria história e da humanidade.

O duelo continuará. Que vença a verdade no final, a verdade que nos faz verdadeiramente livres, que nos vem do Evangelho, como o próprio Senhor nos diz: – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

Vi a vida duelando com a morte, e assim o fará até o fim da existência. Vi a vida florescendo teimosamente numa flor na singeleza de um barranco, ou brotando nas fendas do asfalto.

Vi a vida vencendo a morte, quando o pão foi partilhado, quando se fez renascer o sorriso nos lábios de alguém que participou de nosso cotidiano, amenizando a dor e o drama de uma solidão e, por vezes, até mesmo abandono, em visitas solidárias e expressão de compaixão e comunhão.

Vi este duelo de tantas pessoas que, em suas atividades profissionais, com zelo, amor, ética, tudo fazem para resgatar, salvar vidas, dando o melhor de si, mesmo na precariedade de recursos materiais e humanos; vencendo cansaços, limites, descasos e carências em todos os âmbitos (educação, saúde, lazer, habitação...).

O duelo continuará. Que a vida seja no final a mais bela vencedora: a vida plena e feliz que Jesus veio nos trazer – “Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente” (Jo 10, 10).

Vi a luz quase que se apagando diante da imensidão das trevas do pecado, da injustiça, da infidelidade, desobediência aos desígnios divinos para a humanidade. Mas vi que quanto maior a escuridão, maior é o efeito da chama.

Aprendi com muitos que o auge da escuridão é, de fato, o início de um novo dia; luz que haverá de ser irradiada, sobretudo, por aqueles que um dia o Batismo receberam, para ser no mundo luz, na prática da Boa-Nova das Bem-Aventuranças, como projeto e programa de vida.

O duelo continuará. Cremos na Palavra do Divino Mestre e Senhor que assim nos falou: “Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

Vi o sonho duelando com os pesadelos, quando pais e mães, incansáveis, se desdobraram para o melhor oferecer aos filhos, enfrentando filas e aprendendo o milagre da partilha do pouco que se tem, para que o milagre do amor possibilitasse a vitória de um filho (a) em objetivos e sonhos cultivados; bem como vi filhos que sonham, dando o melhor de si, para que o sonho de seus pais não se tornem tristes pesadelos, que roubam as forças e a alegria da existência e da razão, porque se deram e se doaram.

O duelo continuará. Que vençam os mais belos e sagrados sonhos, cultivados no sono sagrado, que alimenta de horizontes o tempo acordado de viver, como diz a canção.

Vi a fé, pequena como um grão de mostarda, duelando com a montanha da incredulidade da força de Deus, que vem em socorro de nossa fraqueza.

Vi a fé autêntica duelando com a fé alienante, por vezes mágica, transferindo soluções para Deus, quando Ele tudo dispôs em nossas mãos.

Até mesmo vi a fé com raízes bíblicas duelando com a pseudofé, fonte de renda e enriquecimentos improcedentes, e até escandalizantes.

Vi a fé de mãos dadas com a razão, em muitos que não se cansam de procurar respostas e saídas para amenizar a dor, o pranto, e o lamento de vidas pela enfermidade fragilizadas, agonizadas.

O duelo continuará. Que a fé seja o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem (Hb 11,1). Como que uma força e impulso que não nos permitem desistir do bom combate.

Vi a esperança, plantada, cultivada e enraizada em mentes e corações duelando contra o seu oposto, o nada mais esperar, como se tivesse chegado ao fim da história, ao caos absoluto e insuperável.

Vi a esperança no canto dos olhos de enfermos, em novo amanhecer envolvidos em suas atividades, como também no olhar de tantos (crianças, jovens, adultos e idosos) de que algo novo há de surgir.

Vi a esperança de mãos dadas com a alegria no coração dos que conseguem ver além do cinza dos muros, e, se preciso como poetas e cantores, emprestam a voz, o olhar e os ouvidos para anunciar que podemos construir a paz, como incansáveis artesãos.

O duelo continuará. Como Abraão que, em esperança, creu contra a esperança, para que se tornasse pai de muitas nações (Rm 4,18), e como canta o poeta: “mas renova-se a esperança. Nova aurora a cada dia. E há que se cuidar do broto para que a vida nos dê flor, flor e fruto”.

Finalmente, vi o maior de todos os duelos: o amor duelando com o ódio, em tantas notícias de violência, assassinatos, chacinas, sangue de inocentes derramado, o chão tristemente marcando, com manchas execráveis, que ferem nosso olhar e nos fazem sofrer pela triste lembrança.

Vi o ódio sorrindo, em aparente destruição do amor, como se ele pudesse ser e ter a última palavra. Mas cremos que o amor é a força que, ainda que em aparentes últimos suspiros, renasce para além de nossa compreensão e discursos racionais, pois o amor jamais passará, nos disse o apóstolo e assim o cremos (1 Cor 13, 8).

O duelo continuará. Que vença o amor no final, pois fomos criados pelo Amor da Trindade, para viver no amor, e amando, encontrar o sentido do existir e a verdadeira felicidade. Somente quem ama é verdadeiramente feliz. 

Sete duelos que vi e vivi, ou que vimos e vivemos; duelos que continuaremos enfrentando, sem fugas e recuos, sempre com o Amor de Deus, que foi pelo Espírito derramado em nossos corações (Rm 5,5).

Na fidelidade a Jesus, renovemos sagrados compromissos com o Seu Reino; permaneçamos firmes no bom combate da fé (2Tm 4, 7-8), contando sempre com a força do Espírito, para que sejamos totalmente atentos aos desígnios do Pai.
Permaneçamos firmes e vigilantes no bom combate da fé, sempre! Amém. 

O mistério da Iniquidade

                                                                  


O mistério da Iniquidade

“Pois o mistério da iniquidade já opera;
somente até que seja removido aquele que agora o detém.”

No que consiste o mistério da iniquidade? Como enfrentar e superar?

A iniquidade é comumente identificada como maldade, pecado, crime, injustiça...

Iniquidade é quando se chega ao ponto do não conhecimento dos limites, porque já não se tem mais consciência de si e tão pouco dos outros. O “eu” sucumbiu aos próprios interesses e mesquinhez aviltante.

Nada sobra quando a iniquidade se instaura no coração e determina desejos, sentimentos e ações decorrentes.

Ela é o desenfreamento dos desejos a ponto da insanidade da mente, dos pensamentos, levando a atitudes abomináveis de destruição da beleza da vida do outro e mesmo da própria vida, pois rompe os limites, com dilaceramentos e fendas que não se fecham mais, por que devoradoras do próprio ser.

A iniquidade é a ação humana por vezes solidificada e até estruturada, ocultando os seus reais autores/sujeitos.

Não se pode imputar a este ou àquele tal ato, tal consequência. É satanicamente transvestida e diluída, e é preciso muita sensibilidade e criticidade para detectá-la, para também encontrar os meios para sua superação e sanação.

A iniquidade não possui, no entanto, vitalidade eterna, ainda que o germe de pretensão nela possa estar presente, ela pode ser superada.

O mistério da iniquidade tem rosto e manifestações muito concretas, entre elas a maleficência, a vilania, a impiedade, a maldade, a improbidade, a virulência, a crueldade, a torpeza, a tirania, o nepotismo, a desumanidade...

Ele corrói os sonhos de igualdade, partilha e justiça multiplicando pesadelos, sobretudo para os pobres e os pequenos, impondo sobre estes pesos sociais quase insuportáveis.

Curvar-se diante do mistério da iniquidade, com sentimentos de impotência, não é próprio de quem crê, de quem professa a fé no Deus bíblico, no Deus da vida, dos pequenos e dos pobres.

É preciso, sobretudo quem crê no Cristo Ressuscitado, pôr-se de pé, alvejar as vestes no Sangue do Cordeiro Imolado e Vencedor (Ap 7,13), no corajoso testemunho e compromisso com um mundo novo possível, com o Reino de Deus.

Percebemos algumas brechas no mistério da iniquidade e constatamos que ele não possui bases sólidas e indestrutíveis, de modo que é impossível que compactuemos com as suas manifestações, com seus diversos nomes e rostos.

Haveremos de pautar a vida pelos princípios e valores da dignidade e sacralidade da vida e, de modo mais explícito, conjugar e orientar a vida à luz da Palavra de Deus, do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo;

Tomar consciência se não estamos fomentando com pensamentos, palavras, omissões e ações. É necessária a conversão e permanente vigilância;

Revisitar os Profetas bíblicos e com eles reaprender a conduta agradável ao Senhor, com a coragem necessária para não ceder a este mistério para sobreviver ou obter aparentes e ilusórias vantagens.

Finalmente, o Apóstolo Paulo nos ajuda, na sua compreensão para superação, com breves palavras acende uma luz para o nosso caminhar, afastando-nos das trevas do erro, iluminando-nos com a luz da verdade, para que transformemos a iniquidade em novas relações de justiça e fraternidade:

“Ninguém de modo algum vos engane; porque o dia não chegará sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição..., Pois o mistério da iniquidade já opera; somente até que seja removido aquele que agora o detém” (2Ts 2,3.7).

Enfim, há um pensamento muito apropriado – “o abismo chama abismo”. O cair no abismo da iniquidade chama novos abismos da iniquidade, no qual se cairá irremediável e tristemente a humanidade.

Como batizados, mortos para o pecado e vivos para Deus, somos novas criaturas. Evitemos e fujamos dos abismos da iniquidade.

Não podemos ceder ao mistério da iniquidade, que como um fio misterioso entrelaça todas as camadas da existência, como uma teia.

Busquemos as coisas do alto, onde habita Deus, sem jamais nos cansarmos no multiplicar de esforços para tornar o mundo mais fraterno, a vida mais bela e consonante com os desígnios de Deus.

Urge que o Paraíso nunca seja saudade, mas eterna esperança e compromisso, até que alcancemos a eternidade. Amém!

Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

                                                     


Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

“Uma fidelidade que gera futuro”

Senhor, dai-nos a graça de viver uma fidelidade que gere futuro, vivendo com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que sejamos sacerdotes segundo o amor do Coração de Jesus.

Renovai a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo em nossas vidas; aquele memorável encontro que o Senhor nos amou, escolheu, chamou e nos confiou a graça da vocação de discípulos Seus.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurados, firmemos os passos na familiaridade com Ele, envolvendo toda a nossa pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

Senhor, que a cada dia, na fidelidade e serviço,  nossa vida seja oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados;  na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Concedei-nos sabedoria, para viver o chamado ao Ministério Ordenado como dom livre e gratuito de Deus e que nossa vida seja uma resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvidos pela divina ternura que sabe trabalhar com nossas fragilidades e limitações.

Abertos ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja que amamos e servimos, como alegres discípulos missionários do Senhor, cuidemos da formação permanente, acompanhada da conversão cotidiana  e da vigilância necessária, para que não caiamos na tentação do imobilismo ou o fechamento.

Fortalecei-nos, Senhor, na fidelidade à fraternidade, estabelecendo vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral seja elemento constitutivo do Ministério a nós confiado pela Igreja; jamais mergulhados na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

Sejam a concórdia e harmonia na caridade um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais sejamos inseridos na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

Senhor, fortalecei-nos na fidelidade e sinodalidade, abertos ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja; vivamos sadia e fecunda relação no cuidado de nossas comunidades, sem jamais concentrar tudo nas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; para que, então, vivamos o Ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios; edificando assim uma Igreja sinodal e missionária e ministerial.

Senhor, ajudai-nos a viver na fidelidade e missão, exalando o odor do óleo que ungiu as nossas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmos, assustados pelos contextos nos quais inseridos.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garanta o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero, concedendo o equilíbrio na vida cotidiana e a missão alcance todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Dai-nos a Sabedoria para vivermos a harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprendamos a nos fazer pequenos para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, que o uso das redes sociais e todos seus instrumentos à disposição sejam sempre avaliados e usados com sabedoria, sem perder o paradigma do discernimento para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lícito! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

Que a cada dia, a fidelidade e futuro se façam presentes em nossa vida Ministerial, empenhados num renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais nos esquecermos que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Contamos e confiamos na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que vivamos “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Oração para os Presbíteros inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

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