domingo, 12 de julho de 2026

A esperança em Deus jamais nos decepciona

                                                            

A esperança em Deus jamais nos decepciona

Em tempos difíceis por que passamos, são iluminadoras e providenciais as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos: 

“Gloriamo-nos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 3-5).

Urge caminharmos com o Senhor, contando com o Seu Espírito, a fim de edificar uma Igreja misericordiosa e missionária, confessando o Seu nome.

Há um longo caminho a percorrer, e em cada Eucaristia, renovamos nossas forças para superar as tribulações, inerentes ao caminho daqueles que se põem a seguir o Senhor com fidelidade, coragem, firmeza e generosidade.

Sejam derramadas no coração de todos de nossas comunidades eclesiais missionárias torrentes de graças que nos vêm do Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, em virtude provada, não deixando morrer a esperança, porque sabem e confirmam as palavras do Apóstolo, “a esperança não decepciona” (cf. Rm 5,5).

Porém, a solidificação da fé e a renovação da esperança exigem que cresçamos cada vez na caridade, pois amamos a Deus nos irmãos e irmãs, e amamos os irmãos e irmãs em Deus, vivendo um amor de compaixão, sobretudo para com os que mais precisam – “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

O Apóstolo também disse aos Romanos: “Não fiqueis devendo nada um aos outros a não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei” (Rm 13, 8).

Deste modo, quanto mais nos abrirmos à ação do Espírito Santo, muito mais o amor de Deus será derramado sobre nós, e também, que eventuais prantos vespertinos se tornarão alegrias matutinas, porque a madrugada da Ressurreição foi precedida pelas tardes da escuridão e do vazio sepulcral, mas a vida venceu, de fato, a morte. Aleluia!

Em poucas palavras... (XVDTCA)

                                                  


A Sagrada Escritura

"Se conforme o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras ignora o poder de Deus e Sua Sabedoria, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. (1)

 

(1) São Jerônimo: Presbítero e Doutor da Igreja (340-420)  tradutor da Bíblia para o Latim, que até então era em hebraico e grego, por longos 35 anos.

Citado no parágrafo n.133 do Catecismo da Igreja Católica

 

A Palavra de Deus: leitura e oração (XVDTCA)

                             

A Palavra de Deus: leitura e oração
                                      
    “A oração nos purifica, a leitura nos instrui”

Reflexão à luz da Palavra do Semeado conforme as passagens do Evangelho (Mt 13,1-9; Mc 4,1-9; Lc 8,4-15).

O Semeador é o próprio Jesus, assim como a semente é a Sua Palavra a cair no chão de nosso coração.

Sejamos enriquecidos pelos escritos do Bispo Santo Isidoro (séc. VII) sobre a importância da Palavra de Deus, e em que consiste a diferença da sua leitura ou oração.

“A Oração nos purifica, a leitura nos instrui. Usemos uma e outra, se é possível, porque as duas são coisas boas. Porém, se não for possível, é melhor rezar do que ler.

Quem deseja estar sempre com Deus, deve rezar e ler constantemente. Quando rezamos, falamos com o próprio Deus; mas quando lemos, é Deus que nos fala.

Todo progresso procede da leitura e da meditação. Com a leitura aprendemos o que não sabemos, com a meditação conservamos na memória o que aprendemos.

Da leitura da Sagrada Escritura recebemos uma dupla vantagem, porque ilumina a nossa inteligência e conduz o homem ao amor de Deus, depois de tê-lo arrancado das vaidades mundanas.

Duplo é também o fim que temos de propor-nos a ler: o primeiro, tratar de compreender o sentido das Escrituras; e em seguida, esforçar-nos por proclamá-la com a maior dignidade possível.

Quem lê, de fato, busca em primeiro lugar compreender o que lê, e somente depois trata de expressar de modo mais conveniente o que aprendeu.

Mas o bom leitor não se preocupa tanto de conhecer o que lê quanto de colocá-lo em prática. É menos árduo ignorar completamente um ideal do que, uma vez conhecido, não colocá-lo em prática. Portanto, assim como mediante a leitura demonstramos nosso desejo de conhecer, assim logo após ter conhecido temos de sentir o dever de colocar em prática as coisas boas que aprendemos.

Ninguém é capaz de aprofundar-se no sentido da Sagrada Escritura se não a lê com assiduidade, conforme está escrito: ‘Ama-a e ela te exaltará, glorificar-te-á quando a abraças’.

Quanto mais assíduo se é na leitura da Escritura, mais rico é o entendimento que se alcança. É o mesmo que acontece com a terra: quanto mais a cultivamos, mais produz.

Existem pessoas que, sendo inteligentes, são negligentes na leitura dos textos sagrados. Desta forma, com sua negligência manifestam seu desprezo por aquilo que poderiam ter aprendido mediante a leitura. Outros, no entanto, têm desejos de saber, porém sua escassa preparação se torna um obstáculo. Contudo, estes últimos, mediante uma leitura inteligente e assídua, chegam a conhecer o que os outros ignoram; mais inteligentes, porém preguiçosos e indiferentes.

Assim como uma pessoa, ainda que seja tarda em inteligência, consegue tirar fruto graças ao seu esforço e seu empenho no estudo, assim aquele que negligencia o dom da inteligência que Deus lhe concedeu se torna culpável de reprovação, porque rejeita um dom recebido e o deixa sem dar frutos.

Se a doutrina não está sustentada pela graça, não chega ao coração, mesmo que entre pelos ouvidos. Faz muito barulho por fora, mas não aproveita a alma. Somente quando intervém a graça, a Palavra de Deus desce dos ouvidos ao fundo do coração, e ali age intimamente, levando a compreensão do que foi lido”. (1)

Um pouco antes, São Jerônimo exortou-nos a amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. Literalmente afirmou: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”.

Por isso, é importante que todo cristão viva em contato e em diálogo pessoal com a Palavra de Deus, que nos é entregue na Sagrada Escritura.

Este diálogo com Ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve haver um diálogo realmente pessoal, pois Deus fala conosco através da Sagrada Escritura e tem uma mensagem para cada um de nós.

A Sagrada Escritura não pode ser vista como uma Palavra do passado, mas como Palavra de Deus dirigida também a nós, quando procuramos entender o que o Senhor quer nos dizer.

Para não cair no individualismo, temos de ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão e para nos unir na verdade de nosso caminho rumo a Deus.

Portanto, apesar de ser sempre uma Palavra pessoal, é também uma Palavra que edifica a comunidade, que edifica a Igreja verdadeiramente Sinodal. Por isso, temos de lê-la em comunhão com a Igreja viva.

O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a Liturgia, nela ao celebrar a Palavra e ao tornar presente o Sacramento do Corpo de Cristo, atualizamos a Palavra em nossa vida e a fazemos presente entre nós.

A Palavra de Deus transcende os tempos, ao contrário das opiniões humanas que passam. O que hoje se apresenta como moderno, amanhã estará ultrapassado. Ela é Palavra de Vida Eterna, tem em si a eternidade, vale para sempre. 

Com a leitura da Palavra Divina, podemos nos instruir acerca da vontade de Deus, mas quando a tomamos para a Oração, abrimos nosso coração e a Ele apresentamos nossos anseios, propósitos, angústias, esperanças,  alegrias e tristezas, em atenta espera de Sua resposta.

Os Salmistas nos ensinam que os ouvidos de Deus estão sempre abertos e prontos a nos conceder uma resposta, ainda que esta nos desinstale, nos questione, exija mudança de rumos, conceitos e paradigmas, e alargamento de horizontes…

“Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus:
do Seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em Sua presença chegou aos Seus ouvidos.” (Sl 17,7)


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 176-177

A Palavra Divina e a fecundidade de nosso coração (XVDTCA)

                                               

A Palavra Divina e a fecundidade de nosso coração
     
 “No silêncio orante, façamos a Palavra florescer”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 13,1-9; Mc 4,1-9; Lc 8,4-15), em que nos é apresentada a Parábola do Semeador.

Jesus nos dá a explicação da passagem do semeador que saiu a semear, e da semente que caiu em vários terrenos: à beira do caminho, em terreno pedregoso e com espinhos, e na terra boa.

Cada terreno corresponde a um homem e à sua reação diante da Palavra que foi ouvida. Os diversos terrenos, frequentemente presentes e misturados em nós são a mais perfeita expressão da imagem de nosso coração, desejoso de escutar a Palavra, mas, por vezes, incapaz de compreendê-la profundamente, deixando criar raízes para que dê os frutos abundantes por Deus esperados.

Deste modo, a conversão é algo permanente. A vigilância, perseverança e confiança na Palavra que o Semeador, Jesus, faz em nosso coração são necessárias.

Quando a Palavra acolhida for regada com a força da Eucaristia, e posta em prática, produzimos frutos abundantes de alegria, comunhão, vida, amor e paz.

No silêncio orante, acolhamos a Palavra como semente num coração bom e generoso, onde a Palavra encontra condições favoráveis para florescer e frutificar.

Reflitamos:

- Estamos imunes da superficialidade e dureza de coração na escuta, acolhida e vivência da Palavra Divina?
- Quando nosso coração é como um terreno pedregoso e espinhoso?

- Quem de nós está livre de uma escuta leviana que leva ao imediato esquecimento, insensibilidade e indiferença à Palavra ouvida?

- Estamos totalmente disponíveis para o Plano de Deus, abrindo  mão de planos próprios?
- Como passar do conhecimento à prática da Palavra de Deus?
- Como não cair num ativismo frenético, sacrificando o precioso tempo do recolhimento, da familiaridade, da amizade, intimidade e diálogo com Deus através da Oração?

Oremos:

“Espírito de Jesus, 
Vós que conheceis a nossa vida, as nossas provações, 
o perigo em que vivemos, 
abri os nossos corações, 
para que possamos acolher a Vossa Graça, 
e possamos  compreender aquilo que, 
em nós, atenta à esperança.

Dai-nos luz para discernir os caminhos 
do adversário na nossa vida, 
para não os subestimarmos, 
para estarmos vigilantes, 
para os prevenirmos, 
para podermos lutar corajosamente 
e sermos vitoriosos, 
permanecendo firmes na fé. Amém”.

A eficácia da Palavra Divina (XVDTCA)

                                                

A eficácia da Palavra Divina

Inesgotável a mensagem da Parábola do Semeador (Mt 13,1-23; Mc 4,1-9: Lc 8,4-15):

“A Palavra de Deus é sempre eficaz em si mesma; o homem, todavia, pode resistir-lhe com sua liberdade e torná-La estéril. Também a chuva pode ser estéril se cai sobre as pedras. É o mistério da relação entre graça e livre arbítrio, entre onipotência de Deus e liberdade do homem. Como a luz é única, mas suscita várias cores – branco, vermelho, amarelo etc. – de acordo com a constituição dos corpos sobre os quais se reflete, assim a palavra de Deus é sempre viva e eficaz, mas produz efeitos e frutos diversos de acordo com os corações sobre os quais ela chega”. (1)

Todo discípulo missionário é ao mesmo tempo semeador e chão para a acolhida da Palavra, de modo que precisa estar sempre vigilante, para que não incorra numa espiritualidade vã e estéril.

Abrir-se sempre à graça divina, que cai copiosamente sobre todos, como a chuva que cai sobre os bons e os maus, mas precisa encontrar a acolhida para que possa tornar fecunda nossa vida.

Vigilância para que não sejamos como a semente a cair à beira de um caminho endurecido, por onde transitam os que por ele passam; tão pouco falte profundidade, porque pedregoso ou espinhoso que não suporte as adversidades e provações próprias da condição humana.

Terreno fértil e fecundo seja nosso coração, nutrindo-nos da Seiva do Amor do Santo Espírito: Deus além de conhecer o chão do nosso coração, nos dá a Palavra como semente, a Seiva garantia de fecundidade e abundância de frutos produzidos (Jo 15).

Oremos:

Humildes e confiantes, Vos pedimos, Senhor:
Livrai-nos do mal da esterilidade espiritual;
Do mal do fechamento à Vossa graça santificante;
Da má escuta superficial da Vossa Palavra,
Quando a enterramos no vale da mediocridade,
Porque não a acolhemos com fé profunda e autêntica.

Livrai-nos, Senhor, do mal da incredulidade
Ou da indiferença à Vossa Palavra, tão viva e eficaz,
Quando acolhida com retidão de coração,
E com sagrados compromissos de vivê-la e praticá-La.

Livrai-nos do mal da dureza do coração,
Da fraqueza de ânimo e espírito,
Inevitável quando nos fechamos ao Vosso Santo Espírito,
E nos fragilizamos, porque não nos nutrimos
Do Vosso Pão e do Vosso Sangue,
A nós oferecidos no Banquete Eucarístico de eternidade.

Tão somente libertos destes males e de tantos outros,
É que Vos amaremos e Vos conheceremos,
Adorando-Vos em espírito e verdade
E nos credenciaremos, na solidariedade com nosso próximo,
à graça de um dia alcançar a glória da eternidade. Amém.



(1) O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa – Ed. Ave Maria  – 2013 – p.153

Em poucas palavras... (XVDTCA)

 


Ser terra boa é o que importa

“A única coisa que nos importa – comenta são João Crisóstomo – é não sermos caminho, nem pedregal, nem cardos, mas terra boa (...)

O coração não seja caminho onde o inimigo arrebate, como o pássaro, a semente calcada pelos transeuntes, nem pedregal onde a pouca terra faça germinar imediatamente aquilo que o sol queimará, nem carrascal de paixões humanas e cuidados da vida.” (1)

 

(1) Hablarcondios.org

Em poucas palavras... (XVDTCA)

                                               


O Espírito Santo: caminho único da oração

"Os métodos de meditação são tão diversos como os mestres espirituais. 

Um cristão deve querer meditar com regularidade; doutro modo, torna-se semelhante aos três primeiros terrenos da parábola do semeador (Mc 4,4-7.15-19). 

Mas um método não passa de um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, no caminho único da oração: Cristo Jesus.”(1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2707. 

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