segunda-feira, 1 de junho de 2026

Somente no Senhor encontramos a Salvação

Somente no Senhor encontramos a Salvação

Reflexão à luz da passagem da Carta de Paulo aos Gálatas (Gl 1,1-2.6-10).

Comentário do Missal Dominical (p. 1139):

“Hoje se apresentam como mediadores de salvação a ciência, a técnica, a psicanálise, a guerra, a revolução. Muitos homens depositam aí sua esperança.

A visão da Lei como salvação não estará ainda presente no mito da mudança das estruturas, segundo o qual, mudadas as estruturas sociais, nasceria como que magicamente o homem novo?
 
A tese paulina da Lei como pedagogo da salvação não poderia ser aplicada à ciência, à técnica, às estruturas?

Se é verdade que estas são radicalmente insuficientes para salvar o homem, é também verdade que, conservadas em seu papel de instrumentos, são meios a serem usados para o bem do homem”.
Citação da “Evangeli Nuntiandi” sobre a renovação da humanidade:

“Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa-Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade:

 "Eis que faço de novo todas as coisas". No entanto não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida segundo o Evangelho.

A finalidade da evangelização, portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzir isso em breves termos, o mais exato seria dizer que a Igreja evangeliza quando, unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, a atividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes são próprios”.

Ansiamos pela salvação, pela renovação da humanidade, e esta não se dá pela absolutização do que na verdade são instrumentos, meios apenas (técnica, ciência, estruturas, poderes constituídos, sistemas de governo, ou quaisquer outras formas de construção que sejam da derivação humana, resultando da ação e intervenção humana).

A Igreja longe de ignorar a contribuição da ciência, vê a necessária relação que deve existir entre a fé e a razão, com vistas ao bem da humanidade.

Que os infinitos recursos que dispomos e a os saberes que possuímos cumpram este fim, o bem de toda a humanidade.

Concluindo, “Não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida Segundo o Evangelho”. E bem sabemos que o Espírito de Deus sopra onde quer, e todos podemos nos abrir à Sua ação, ainda que não percebamos, e assim tudo fazermos pela promoção do bem comum, a fim de que tenhamos vida plena, digna e feliz.

Quaresma: cuidemos melhor da vinha do Senhor

                                                          

Quaresma: cuidemos melhor da vinha do Senhor 

Na Liturgia da segunda Sexta-feira da Quaresma, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 21,33-43.45-46), e refletimos sobre a Vinha, que é a imagem do Povo de Deus, e dos frutos que devemos produzir: amor, paz, justiça, bondade e misericórdia.

O Senhor espera encontrar frutos abundantes em nossa vida, porque muito nos foi dado. Mas, como batizados, se não produzirmos os frutos por Deus esperados, frustrando Sua esperança, Ele tirará de nós a Vinha e a confiará a outros. Grande é, portanto, a nossa responsabilidade.

Muito antes, o Profeta Isaías, que exerceu o seu ministério em Jerusalém por um longo período, nos remete à reflexão sobre a Vinha.

Após uma fase mais tranquila, deparou-se com uma realidade marcada pela exploração dos empobrecidos, contrastando com o fausto cultural, incoerente e mentiroso, porque não era resultado de verdadeira adesão a Javé e Seu projeto de vida plena para todos. 

Falando do Povo como Vinha, o Profeta (Is 5,1-7) a compara à esposa que deixou de ser fiel e se converteu numa prostituta (Is 1,21-26). É preciso superar a infidelidade à Aliança voltando-se para Deus.   

Ele se apropria da imagem da Vinha como que de uma “cantiga de amor”, como recurso para a transmissão da mensagem que Deus lhe confiou, a fim de que resgate o povo a que pertence, em total e incondicional fidelidade ao Pai que não se cansa de amar, perdoar e libertar Seu povo. É próprio do Amor de Deus não se cansar e não desistir da nossa salvação.  

O Profeta/Poeta brinca com as sonoridades e com o ritmo, em alternância de sons doces de canções de amor e a aspereza das canções de trabalho.  Mas num momento ápice o cântico se transforma em queixa e grito pela justiça, numa interpelação direta de seus interlocutores para que cessem os gritos de horror que procedem dos empobrecidos que são como os frutos selvagens de que fala o Profeta/Poeta. 

Estes frutos são as injustiças, arbitrariedades, violência e sangue dos inocentes e, consequentemente, a não defesa do direito dos pobres. Deste modo, a imagem da vinha e seus frutos amargos é a mais perfeita expressão da imagem do povo infiel a Deus, que multiplica o número dos sofredores. De outro lado, o Profeta é incansável em proclamar o amor de Deus que nos ama para nos transformar, de modo que, transformados por Seu amor, amemos nosso próximo. 

Reflitamos: 

- De que modo correspondemos ao amor de Deus?

- Produzimos frutos de tolerância, misericórdia, bondade e compreensão? 

- Nossas Missas e Celebrações têm nos levado a inadiáveis compromissos com a vida dos mais necessitados?

- Quais são as implicações concretas de nossos cultos e louvores? 

Voltando à passagem do Evangelho, que nos apresenta como cenário Jerusalém, temos a presença dos opositores de Jesus que O levarão à prisão, julgamento, condenação e morte. Jesus está plenamente consciente do destino que lhe está reservado. 

Jesus enfrenta os dirigentes de Seu tempo (aqueles que detêm os poderes políticos, religiosos, econômicos e ideológicos); sabe que será condenado implacavelmente, porque não acolherão a Boa-Nova do Reino que veio inaugurar. 

A Parábola contada por Jesus é riquíssima em simbolismos: 

- A Vinha é Israel, o Povo de Deus;

- O Dono da Vinha é o próprio Deus;

- Os vinhateiros homicidas são os líderes religiosos;

- Os servos assassinados são os Profetas que Deus havia enviado; 

- O Filho assassinado é o próprio Jesus. 

Com a Parábola, Jesus insiste na necessidade de se produzir os frutos do Reino, vivendo na radicalidade à Sua proposta. 

Reflitamos: 

-  Qual é o nosso compromisso com o Reino?

-  Quais os frutos que estamos produzindo na nossa vida, dentro e fora da Igreja com o nosso agir?

-  Como temos assumido a missão de trabalhar na Vinha do Senhor? 

-  É muito simples condenar os vinhateiros homicidas, mas o que fazemos com o Mandamento da Lei de Deus, que se resume no amor a Deus e ao próximo? 

-  Escutamos os mensageiros que nos foram enviados por Deus?     

-  O que precisa ser transformado em nossa vida, para que produzamos frutos mais saborosos e abundantes possamos multiplicar? 

Trilhando o itinerário quaresmal, reflitamos sobre a nossa missão; revendo o quanto é decisivo e fundamental o trabalho na Vinha do Senhor. 

Ao chamar os Seus para que O seguisse, Jesus lhes dá uma missão precisa: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28, 19; Lc 24, 46-48). Por isso, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de Sua missão, ao mesmo tempo em que o vincula como amigo e irmão.  

Deste modo, “Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da Vocação mesma” (Aparecida, n.144). 

Neste sentido, apropriadas são as palavras do Apóstolo Paulo: “Irmãos ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor; é o que deveis ter no pensamento” (Fl 4,8). 

Eis a nossa Missão: como batizados, trabalhar com alegria,  amor e fidelidade na Vinha do Senhor. 

Oremos: 

“Pai justo e misericordioso, que velas incessantemente
sobre a Vossa Igreja, não abandoneis a Vinha que à
 Vossa direita plantou: continuai a cultivá-la e a
enriquecê-la de servos missionários escolhidos,
para que, enxertada em Cristo, verdadeira Videira,
 produza frutos abundantes de Vida Eterna.
 Amém”!



PS: Apropriado para aprofundamento da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,1-12)

Em poucas palavras...

                                                           

              

Jamais a desventura de não aceitar o Senhor

“... há muitos modos de dizer ‘não a Deus’, e todos se voltam contra nós: recusar a luz é ficar na escuridão, recusar o calor é permanecer no frio, recusar o alegre anúncio é tristeza.

Contudo, luz, calor, alegre anúncio irão para os outros que os acolherão. Cristo é a ‘Salvação’: não aceitá-Lo é desventura.” (1)

 

 

(1)             Comentário do Missal  Cotidiano, sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,1-12)  

Editora Paulus – pág. 846

Deus misericordioso tem fome e sede de nossa conversão

                                             


Deus misericordioso tem fome e sede de nossa conversão

Sejamos enriquecidos pelo sermão do bispo e doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V):

“Acusa-se a Deus de inclinar-Se para o homem, de colocar-Se junto ao pecador, de ter fome de sua conversão e sede de seu retorno, de tomar o alimento da misericórdia e o cálice da benevolência.

Porém Cristo, irmãos, veio a esta ceia: a Vida veio ao seio destes convidados para que, condenados à morte, vivam com a Vida; a Ressurreição inclinou-Se para que aqueles que jaziam se levantassem de suas tumbas; a Bondade abaixou-Se para elevar aos pecadores até o perdão; Deus veio ao homem para que o homem chegue a Deus; o Juiz veio para o alimento dos culpáveis para subtrair a humanidade da sentença de condenação; o Médico veio à casa dos enfermos para restabelecê-los comendo com eles; o Bom Pastor encurvou-Se para carregar a ovelha perdida até o redil da salvação.

Por que o seu mestre come com os publicanos e pecadores? Porém quem é o pecador, a não ser aquele que recusa considerar-se como tal? Não é isto afundar em seu pecado, e verdadeiramente identificar-se com ele, ao deixar de se reconhecer pecador? E quem é injusto, senão o que se estima justo?...

Enquanto vivemos neste corpo mortal, a fragilidade domina; mesmo que triunfemos sobre os pecados de obra, não podemos vencer os de pensamento nem evitar toda injustiça; e se temos a força de escapar materialmente, e se somos capazes de vencer toda falta inconsciente, como poderemos suprimir as faltas de negligência e os pecados da ignorância...

Confessa teu pecado e poderás vir à mesa de Cristo; Cristo se fará por ti Pão, esse Pão que se partirá para o perdão de teus pecados. Cristo Se fará por ti Cálice, esse Cálice que se derramará para a remissão de tuas culpas.

Vamos, ... participa da refeição dos pecadores e Cristo participará da tua; reconhece-te pecador, e Cristo comerá contigo: entra com os pecadores no festim de teu Senhor e poderás não voltar a ser pecador; entra com o perdão de Cristo na casa da Misericórdia, não seja que com tua própria justiça sejas excluído desta morada.

Vamos, reconhece a Cristo, escuta a Cristo, Sim, escuta o teu Senhor, escuta ao médico do alto, aquele que refuta sem apelação tuas acusações falsas. Os que têm boa saúde não necessitam de médico, mas aqueles que estão enfermos. Se queres ser curado, reconhece tua enfermidade...

Não veio chamar os justos, mas aos pecadores. Sim, irmãos, sejamos pecadores em nossa confissão para não sermos pecadores graças ao perdão de Cristo.” (1)

Este sermão nos convida a reconhecer nossa condição pecadora, e a nos colocarmos em atitude de penitência, com a necessária confissão de nossos pecados, para que sejamos acolhidos, envolvidos e perdoados pela misericórdia divina.

Concluindo, urge trabalhar pelo nosso aperfeiçoamento espiritual, como nos exorta o Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios:

“Irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.” (1 Cor 13,11-13).

  

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.152-153 

A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus (XXVIIDTCA)

                                                       

A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus

Com a Liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos sobre os frutos abundantes que  o Senhor espera encontrar em nossa vida.

Verdadeiramente abundantes porque muito nos foi dado, à luz de uma imagem tão bela e inspiradora, a imagem da Vinha que é a imagem do Povo de Deus, e dos frutos que, como Povo de Deus, devemos produzir: amor, paz, justiça, bondade e misericórdia...

Se não produzirmos os frutos por Deus esperados, Ele tirará de nós a Vinha e confiará a outros; grande é, portanto, a nossa responsabilidade.

Na passagem da primeira Leitura, o Profeta Isaías falando do Povo como Vinha (Is 5,1-7),  a compara como uma esposa que deixou de ser fiel e se converteu numa prostituta (Is 1,21-26). É preciso superar a infidelidade à Aliança voltando-se para Deus.  

O Profeta Isaías exerceu o seu ministério em Jerusalém por um longo período. Após uma fase mais tranquila, deparou-se com uma realidade marcada pela exploração dos empobrecidos, contrastando com o fausto cultural, incoerente e mentiroso, porque não era resultado de verdadeira adesão a Javé e Seu projeto de vida plena para todos.

Ele se apropria da imagem da Vinha como que de uma “cantiga de amor”, como recurso para a transmissão da mensagem que Deus lhe confiou, a fim de que resgate o povo a que pertence, em total e incondicional fidelidade ao Pai que não se cansa de amar, perdoar e libertar Seu povo. É próprio do Amor de Deus não se cansar e não desistir da nossa salvação.

O Profeta/Poeta brinca com as sonoridades e com o ritmo, em alternância de sons doces de canções de amor e a aspereza das canções de trabalho.  Mas num momento ápice o cântico se transforma em queixa e grito pela justiça, numa interpelação direta de seus interlocutores para que cessem os gritos de horror que procedem dos empobrecidos que são como os frutos selvagens de que fala o Profeta/Poeta. Estes frutos são as injustiças, arbitrariedades, violência e sangue dos inocentes e consequentemente a não defesa do direito dos pobres. 

Deste modo a imagem da vinha, com seus frutos amargos, é a mais perfeita expressão da imagem do povo infiel a Deus, que multiplica o número dos sofredores. De outro lado o Profeta é incansável em proclamar o Amor de Deus que nos ama para nos transformar, de modo que, transformados por Seu amor, amemos nosso próximo.

A história da Vinha da primeira Leitura é, numa palavra, a História do Amor de Deus por nós que não cessa.

Reflitamos:

- De que modo correspondemos a este Amor?
- Quais os frutos que estamos produzindo? São os frutos esperados por Deus?

- Produzimos frutos de tolerância, misericórdia, bondade e compreensão?
- Nossas Missas e Celebrações têm nos levado a inadiáveis compromissos com a vida dos mais necessitados?

- Quais são as implicações concretas de nossos cultos e louvores que a Deus sobem?

A passagem da segunda Leitura (Fl 4,6-9) é escrita por Paulo; preso provavelmente em Éfeso expressa mais uma vez o seu carinho pela comunidade. Fala um pouco de si e exorta a comunidade à fidelidade, recordando as obrigações inadiáveis de uma comunidade que professa a fé no Ressuscitado.

O Apóstolo lembra que em nossa fraqueza é preciso que nos apoiemos na oração. Devemos pedir a graça da fidelidade, para que possamos dar muitos frutos, guardando nossos corações e pensamentos em Cristo Jesus.
A comunidade deve viver na alegria, porque vive na comunhão com Cristo. Deve sentir-se segura nos braços de Deus, na presença constante da bondosa mão de Deus.

Enumera certas questões que a comunidade deve cultivar e apreciar: a verdade, a nobreza, a justiça, a pureza, amabilidade e a boa reputação, ou seja, tudo que for digno de louvor. Esta Carta de Paulo é a chamada “magna carta do humanismo cristão”.
A comunidade deve multiplicar os arautos e testemunhas dos valores humanos. Deve viver os valores humanos em confronto constante com a Palavra, e com fidelidade sem jamais trair e renegar a Boa Nova do Evangelho. Ser sal, fermento e luz de um Mundo Novo(cf. Mt 5,13-16).

A comunidade enxertada em Cristo pode produzir muito mais, na serenidade e tranquilidade em total confiança em Deus, o que a caracterizará não como comunidade de fracassados, alienados e falhos, mas uma comunidade constituída pelos mais do que vencedores n’Aquele que nos amou, Jesus.

Reflitamos:

- - Como comunidade, como vivemos aacolhida, a simpatia que deve interligar todos entre si, a amabilidade, a verdade, a coerência?
- - Como estando no mundo não comungar aquilo que venha afetar e esvaziar a nossa fé?
- - Como viver a fé sem cair em contradições que empobreceria a nossa missão?

Com a passagem do Evangelho (Mt 21,33-43) mais uma vez voltamos à temática da Vinha. 

O cenário é a cidade de Jerusalém, com a presença dos opositores de Jesus que o levarão à prisão, julgamento, condenação e morte. Jesus está plenamente consciente do destino que lhe está reservado. 


Jesus enfrenta os dirigentes de Seu tempo (aqueles que detêm os poderes políticos, religiosos, econômicos e ideológicos); sabe que será condenado implacavelmente, porque não acolherão a Boa Nova do Reino que veio inaugurar.

A Parábola contada por Jesus é riquíssima em simbolismo:

A Vinha é Israel, o Povo de Deus;
O Dono da Vinha é o próprio Deus;
Os vinhateiros homicidas são os líderes religiosos;
Os servos assassinados são os Profetas que Deus havia enviado; o Filho assassinado é o próprio Jesus.

Com a Parábola, Jesus insiste na necessidade de se produzir os frutos do Reino, vivendo na radicalidade à Sua proposta.

Os frutos são: amor, serviço, doação, justiça, paz, tolerância, partilha... É preciso dizer não ao comodismo, à instalação, a procura de facilidades.

Reflitamos:

- Qual é o nosso compromisso com o Reino?
- Quais os frutos que estamos produzindo na nossa vida, com o nosso agir?

- Como temos assumido a missão de trabalhar na Vinha do Senhor?
- Quais os frutos que produzimos dentro e fora da Igreja?

- É muito simples condenar os vinhateiros homicidas, mas o que fazemos com o Mandamento da Lei de Deus, que se resume no amor a Deus e ao próximo, como Ele nos ordenou?

 - Escutamos os mensageiros que nos foram enviados por Deus?     
 - O que precisa ser transformado em nossa vida, para que, na Vinha trabalhando, frutos mais saborosos e abundantes possamos multiplicar?

Deus nos ama e espera pacientemente que nos convertamos. Trabalhando na Vinha que Ele nos confia, jamais faltarão frutos saborosos em nossas mesas. Deus nunca desiste de Sua obra de amor e salvação.   
                   
Se nada produzimos ou se frutos amargos produzimos, não é culpa de Deus, mas porque não soubemos corresponder ao amor e confiança que Ele em nós depositou.

É tempo de nos convertemos, para que Deus fique satisfeito com os frutos que venhamos a produzir, que na verdade não serão para Ele, mas para nós mesmos.

Deus não quer outra coisa senão a nossa felicidade! Frutos doces e saborosos sempre, amargos jamais!

Esterilidade da Vinha impensável, frutos abundantes e permanentes jamais faltarão se a Ele nos abrirmos e n’Ele  confiarmos, correspondendo cada vez mais ao Seu Amor!

Somos todos membros do Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.

Ao chamar os Seus para que O seguisse, Jesus lhes dá uma missão precisa: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28, 19 ; Lc 24, 46-48). Por isso, o discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de Sua missão, ao mesmo tempo em que o vincula como amigo e irmão:

“Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da Vocação mesma” (Aparecida, 144).

Nesta perspectiva, consideremos e meditemos as palavras de S. Paulo: “Irmãos ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor; é o que deveis ter no pensamento” (Fl 4,8).

Eis a nossa Missão: como batizados, trabalhar, com
alegria, amor e fidelidade, na Vinha do Senhor.
Não desapontemos o querer de Deus!

Oremos:

“Pai justo e misericordioso, que velas incessantemente
sobre a Vossa Igreja, não abandoneis a Vinha que à
 Vossa direita plantou: continuai a cultivá-la e a
enriquecê-la de servos missionários escolhidos,
para que, enxertada em Cristo, verdadeira Videira,
 produza frutos abundantes de Vida Eterna.
 Amém”!

 

PS: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,1-12), proclamada na segunda-feira da 9ª Semana do Tempo Comum.


As travessias e turbulências pelas quais passamos... (Corpus Christi)

                                                              

As travessias e turbulências pelas quais passamos...
 

Águas agitadas e a força da Eucaristia
Em permanente travessia.
Ah! se não fosse a Eucaristia!
Eucaristia, sempre Eucaristia!

Com Ela o outro lado é o horizonte próximo
Adorar assiduamente a Eucaristia,
Com ela passaremos  a pé enxuto
As águas tumultuosas das lutas espirituais,
Levando-nos à paz!
 
Acreditar piamente,
Celebrar apaixonadamente,
Adorar piedosamente,
Viver intensamente a Eucaristia! 


Eucaristia, Sempre a Eucaristia!
Pão, força, vida, alegria  e luz 
em toda e qualquer travessia!
Amém. Aleluia! 

Envolvidos pelo Mistério da Fé (Corpus Christi)

                                                      

Envolvidos pelo Mistério da Fé

Silenciamo-nos diante da Palavra na Missa proclamada, 
ouvindo as palavras de Pedro na conclusão do Evangelho:
"Tu tens palavras de vida eterna; 
nós acreditamos e conhecemos que és o Santo de Deus" (Jo 6, 69).

Com Pedro, aprendemos que a opção que salva é a adesão a Cristo,
Uma opção que, antes de tudo, é dom de Deus, prerrogativa divina,
Mas que, também, é uma livre resposta de cada  um de nós.

Como os discípulos, também dizemos que é duro o discurso de Jesus,
Porque exige de nós conversão, tanto individual como de todas as estruturas,
E isto não se dá de forma indolor, porque pede de nós renúncias, sacrifícios...

A Palavra do Senhor é cortante como espada, penetra nas entranhas da alma,
Assim como há que ser a palavra de todos que a anuncia:
Ela cria impacto, faz brechas nos que ouvem, gera uma nova criatura.

Depois, na Liturgia Eucarística, após a consagração do Pão e do Vinho,
Contemplamos o "Mistério da fé", e, prontamente, proclamamos exultantes:
“Anunciamos Senhor a Vossa Morte e proclamamos Vossa Ressurreição. Vinde Senhor Jesus”

Mistério que, realizado no Altar, somente compreensível por uma opção de fé.
De que valem os raciocínios "da carne", uma vez que aqui perdem seu significado,
Porque somos envolvidos pelo Mistério indizível do amor de Deus?

Ontem e hoje, diante das Palavras e das ações de Jesus,
Não é fácil superar as aparências e olhar com os olhos da fé;
Não é fácil aceitar que a vida vem unicamente d’Ele e por meio d’Ele.

Ali, presente na aparência do pão e do vinho, frágeis sinais,
Verdadeira Comida e Verdadeira Bebida, Alimentos divinais,
Dos quais quem comer e beber viverá eternamente.

Partícipes das duas Mesas inseparáveis: Mesa da Palavra e da Eucaristia,
Renovamos a graça de sermos cristãos, discípulos missionários do Senhor,
E, como Igreja em saída, missionária, vamos ao mundo testemunhar a fé.

Com ardor viver a vocação de cristãos, chamados e escolhidos por Jesus Cristo,
Para segui-Lo, com renúncias necessárias no carregar da cruz,
Até que mereçamos alcançar a glória da eternidade, plenitude de luz.

Para tanto, ao Senhor, suplicamos humildemente:
Que nossos pensamentos e sentimentos sejam os Vossos.
Que amemos como Vós nos amais, e vivamos como Vós viveis,
E na plena comunhão com o Pai e o Espírito Santo estejamos. Amém.

Livre adaptação: Missal Dominical, Paulus, 1997 – p. 999

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