sábado, 30 de maio de 2026

“Vinde, Espírito de amor, como fogo abrasador”

                                                            

“Vinde, Espírito de amor, como fogo abrasador”

Vinde, Espírito Santo, inflamai nossos corações com o Vosso fogo de amor, como fizestes naquele memorável Dia de Pentecostes.

Fazei sair de nossos lábios palavras como labaredas de fogo, para inflamar os corações de Vossos discípulos missionários, reavivando a fé, a esperança e a caridade.

Colocai em nossos lábios palavras de sabedoria, para iluminar os caminhos daqueles que abraçam a evangelização, com fidelidade, em renovados compromissos sagrados.

Dai-nos a Vossa graça, para que as palavras que dissermos sejam expressão de Vossa vontade, e assim, todos vivam mais frutuosamente o Batismo um dia recebido.

Saciai-nos com a água cristalina que somente Vós tendes, para a árdua travessia, 
No árido deserto do cotidiano, por que devemos todos passar e enfrentar.

Fortalecei nossos passos no amadurecimento da vida cristã, para que sejamos sal da terra e luz do mundo, fermento na Massa.

Conduzidos por Vós, alimentados e revigorados pelo Pão de Vossa Palavra,
Do Pão Sagrado da Eucaristia, caridade inflamada, missionariedade renovada. Amém.

Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

                                                          

Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

"O amor de Deus foi derramado em nossos corações 
pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5)

Na solidão do quintal acendi minha fogueira,
e como que uma corte celestial de anjos,
traziam lenhas para mantê-la acesa.
Ouvia o crepitar das chamas, 
como uma suave melodia cantando aos céus.

Olhando para as chamas, pedi a Deus que em meu coração,
Também fossem acesas, e que jamais se apaguem,
Bem como no coração de tantos quantos oro e nele carrego.
Seja nosso coração reflexo e sinal da Folha Ardente de Caridade:
O doce amado Sagrado Coração de Jesus.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, fogo crepitante.
Fui queimando meus pensamentos negativos,
Possíveis medos, inseguranças e angústias tão humanas.
Fossem também queimados os mesmos de tantos que
A vida com sonhos, pesadelos, cansaços e esperanças comigo compartilham.

Supliquei a Deus que fossem queimados para sempre
A hipocrisia, a ganância, chagas abomináveis dos preconceitos,
A banalização do mal e a violação da sacralidade da existência humana.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, músicas pelos anjos cantadas.
Não há quadrilhas, bebidas típicas que venham à memória.
Mas vem um novo canto de um inédito amanhecer.
Onde o mal cede lugar ao bem, o ódio ao amor, a morte à vida.
Um suave canto de louvor pela criação e criaturas.
Não mais abusadas, vilipendiadas, destruídas,
E nossa Casa Comum melhor cuidada, porque não fala mais alto
A ambição desmedida do lucro, sobrepondo-se à beleza da vida.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, bebidas pelos anjos servidas,
Pré-anunciando um banquete celestial por Deus para nós preparado.
Saciados no tempo presente pela bebida do néctar do amor divino,
Refazemos nossas forças, celebrando a beleza da vida,
Tão ameaçada, machucada, esmagada, insanamente destruída.
Néctar do amor, bebida que nos cura de nossa loucura destruidora,
Bebida e saboreada porque não permite a eternidade da noite escura
E na luminosidade divina confia, nesta superação, necessária travessia.

As fogueiras não foram acesas, dirão; responderei: de fato.
Não nos encontramos, não ouvimos músicas como outrora.
Não saboreamos delícias das festas juninas.
Não hasteamos bandeiras, tão pouco dançamos quadrilha.
Nem pipoca, nem batata-doce, canjica, pé-de-moleque,
Nem qualquer outra comida ou bebida.
Talvez para que reaprendamos esta beleza, por ora esquecida,
Do encontro, da festa, da vida, do sorriso, da fraterna vivência.

Na solidão do quintal, fogueira acesa?
No coração com certeza, mais que acesa,
Para que vençamos o frio da noite prolongada que vivemos.
E brevemente, podermos celebrar,
E falar das fogueiras tantas que Deus vai acendendo:
A chama do fogo do amor do Espírito,
Que em nossos corações, pelo Espírito foi derramada,
Como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Rm 5,5). 
Amém. Aleluia!

O Senhor foi prefigurado na pessoa de Jó

                                                          

O Senhor foi prefigurado na pessoa de Jó

O Bispo São Zeno de Verona (séc. IV) nos fala em seu Tratado sobre a prefiguração de Cristo na figura de Jó.

“Tanto quanto se pode entender, irmãos caríssimos, Jó prenunciava a figura de Cristo, o que é provado por uma comparação:

Jó é chamado de justo por Deus. Ora, Cristo é a Justiça de cuja fonte bebem todos os bem-aventurados. Dele se disse: Levantar-se-á para vós o Sol da Justiça.

Jó é dito veraz. O Senhor, que declara no Evangelho: Eu sou o Caminho e a Verdade, é a própria Verdade.

Jó foi rico. E quem mais rico do que o Senhor? D’Ele são todos os servos ricos, d’Ele o mundo inteiro e toda a natureza, no testemunho do Santo Davi: Do Senhor é a terra e sua plenitude, o orbe da terra e todos quantos nele habitam.

O diabo tentou Jó por três vezes. De modo semelhante, narra o Evangelista, por três vezes o mesmo diabo esforçou-se por tentar o Senhor.

Jó perdeu os bens que possuía. O Senhor, por nosso amor, abandonou os bens celestes e fez-Se pobre para enriquecer-nos.

O diabo, furioso, matou os filhos de Jó. E aos profetas, filhos de Deus, o louco povo fariseu assassinou.

Jó manchou-se pelas úlceras. O Senhor, assumindo a carne de todo o gênero humano, apareceu manchado com as sujeiras dos pecadores.

Jó foi instigado pela esposa a pecar. A sinagoga quis obrigar o Senhor a seguir a depravação dos anciãos.

Apresentam-se os amigos de Jó a insultá-lo. E ao Senhor insultaram os sacerdotes que deviam cultuá-Lo.

Jó senta-se no monturo coberto de vermes. Também o Senhor no verdadeiro monturo, isto é, na lama desse mundo se demorou rodeado de homens estuantes de crimes e paixões, os verdadeiros vermes.

Jó recuperou tanto a saúde quanto a riqueza. E o Senhor, ressuscitando, concedeu não só a saúde, mas a imortalidade aos que n’Ele creem e recuperou o domínio sobre toda a natureza, segundo Suas próprias palavras: Tudo me foi dado por meu Pai.

Jó teve filhos em substituição aos primeiros. O Senhor também gerou, depois dos filhos dos Profetas, os Santos Apóstolos.

Jó, feliz, descansou em paz. O Senhor, porém, permanece o Bendito eternamente, antes dos séculos, nos séculos e por todos os séculos dos séculos”. (1)

Muitas vezes lembrando os sofrimentos dos justos, vem-nos,  imediatamente, à lembrança Jó; mas quantos de nós fizemos um paralelo entre Jó e o Senhor?

Jó no seu tempo, fidelidade inquestionável a Deus.
O Servo Sofredor, no seu tempo, Amor que ama até o fim.

Quão belas lições podemos tirar deste Tratado, para fortalecimento de nossa espiritualidade na fidelidade ao Senhor!

Como Discípulos Missionários do Senhor,
trilhemos mesmo caminho,
Nutridos pelo Sagrado Pão, inebriados e
redimidos pelo Sagrado Vinho!


PS: Liturgia das Horas – Vol. III – pp. 252-253.

No silêncio, a Santíssima Trindade agia...

                                                        

No silêncio, a Santíssima Trindade agia...

Retomo este artigo que fiz ao realizar o Encontro de Casais com Cristo (2012),  com o tema: “A Família é o Santuário da Vida e como Lema: “No silêncio orante, façamos a Palavra florescer”, quando Pároco da Paróquia Santo Antônio de Gopoúva - Diocese de Guarulhos - SP.

É sempre tempo de acolhermos na graça do silêncio orante, a Palavra de Deus para que ela floresça, para que de fato nossas famílias sejam um santuário da vida,  no qual se aprenda sagrados valores, para que tenhamos novos tempos mais humanos e fraternos, e assim, a Luz de Deus brilhe mais forte.

O Tema e lema iluminaram o ECC, com seus princípios: doação, pobreza, simplicidade, alegria e Oração. 

Ressoe em nosso coração as palavras da Igreja para o aprofundamento do Tema e lema:

“A Igreja é apresentada como Mistério a ser realizado entre os povos, como uma vontade Salvífica do Pai, realizada na missão do Filho e vivificada pelo Espírito Santo (LG n.4) – Mistério Trinitário: A Igreja vem da Trindade, vive da Trindade e caminha para a Trindade, o que chamamos de Comunhão Trinitária – A Santíssima Trindade é a melhor comunidade”. 

E ainda: “A Missão da Igreja é tornar-se lugar, espaço e comunidade onde a humanidade pode encontrar Deus em Jesus Cristo e ser santificada no Seu Espírito Santo.”

Sendo a família uma espécie de Igreja Doméstica, como nos ensina a “Lumen Gentium” (n.11), sem dúvida o ECC é um, entre tantos, precioso instrumento para ajudá-la a ser um reflexo da melhor comunidade: a Santíssima Trindade.

Neste tempo o Amor Trinitário agiu silenciosamente, desde os primeiros chamados para Dirigentes, Coordenadores, Palestrantes, Membros das diversas Equipes, assim como os Assessores Diocesanos. 

Quantos convites, quantas belas respostas, movidas pelo amor Trinitário que agia silenciosamente, e certamente com olhar contemplativo e a participação de nossa querida Mãe Maria!

Rendemos honra, glória e louvores à Trindade Santíssima que também agiu silenciosamente por meio de pessoas simples, disponíveis, alegres, que deram de sua pobreza, sempre movidos pela oração, na mais bela e frutuosa devoção, imitando as virtudes de nossa tão querida Mãe da Igreja, Mãe das Famílias – Maria.

A Santíssima Trindade agia silenciosamente? Agia, age e agirá sempre, num movimento contínuo de Amor, para que jamais deixemos de multiplicar compromissos pastorais na evangelização da família, para que seja, de fato, o Santuário da Vida. 

Sejam as famílias espaços para o silêncio orante, fecundo, em que as mais preciosas Sementes do Verbo, da Sua Palavra possam cair, florescer e maravilhosamente frutificar.

Urge que as mesas de nossos lares jamais se separem da Mesa Sagrada da Palavra e da Mesa da Santa Eucaristia, na comunhão maior, na vida da Igreja, Sacramento de Salvação para o mundo. Amém. 

Santíssima Trindade: adorar, amar e imitar... (Santíssima Trindade)

                                             


Santíssima Trindade: adorar, amar e imitar...
 
“A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.” (2 Cor 13,13)
 
Reflexão sobre o Tratado Sobre a Trindade, do Bispo Santo Hilário (Séc. IV:
 
"O Senhor mandou batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, quer dizer, professando a fé no Criador, no Filho e no que é chamado Dom de Deus.
 
Um só é o Criador de todas as coisas. Pois um só é Deus Pai, de quem tudo procede; um só é o Filho Unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo foi feito; e um só é o Espírito, que foi dado a todos nós.
 
Todas as coisas são ordenadas segundo suas capacidades e méritos: um só é o Poder, do qual tudo procede; um só é o Filho, por quem tudo começa; e um só é o Dom, que é penhor da esperança perfeita. Nada falta a tão grande perfeição.
 
Tudo é perfeitíssimo na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom. Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós:
 
Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12). É bom para vós que Eu parta: se Eu me for, vos mandarei o Defensor (cf. Jo 16,7).
 
Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14,16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois Ele não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16,13-14).
 
Estas palavras, entre muitas outras, foram ditas para nos dar a conhecer a vontade d'Aquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom.
 
Por conseguinte, já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom que é o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus. Assim, o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender.
 
Como o corpo natural do homem permaneceria inativo se lhe faltassem os estímulos necessários para as suas funções – os olhos, se não há luz ou não é dia, nada podem fazer; os ouvidos, caso não haja vozes ou sons, não cumprem seu ofício; o olfato, se não sente nenhum odor, para nada serve; não porque percam a sua capacidade natural por falta de estímulo para agir – assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.
 
Este Dom de Cristo está inteiramente à disposição de todos e encontra-Se em toda parte; mas é dado na medida do desejo e dos méritos de cada um. Ele está conosco até o fim do mundo; Ele é o Consolador no tempo da nossa espera; Ele, pela atividade dos Seus Dons, é o penhor da nossa esperança futura; Ele é a  Luz do nosso espírito; Ele é o Esplendor das nossas almas”.
 
Nas três Pessoas da Trindade contemplamos, respectivamente (Pai, Filho e Espírito Santo):
 
“... a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom”;
 
“... o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender.”;
 
“Ele está conosco até o fim do mundo; Ele é o Consolador no tempo da nossa espera;
 
Ele, pela atividade dos Seus Dons, é o penhor da nossa esperança futura;
 
Ele é a Luz do nosso espírito; Ele é o Esplendor das nossas almas”.
 
Assim falou Santo Agostinho: “Vês a Trindade se vês o Amor”.
E ainda: “Deus é um Mistério tão grande, que uma vez encontrado, ainda falta tudo para encontrá-Lo”.
 
Bem afirmou Santo Irineu (séc. II): O Filho e o Espírito são “as duas mãos do Pai”, que nos acolhem, envolvem, abraçam e nos impelem para a missão.
 
Crer na Santíssima Trindade, mistério de comunhão, amor, partilha e esperança, nos compromete em transformar um mundo dividido, individualista e sem esperança.
 
Contemplemos, adoremos a ação da Trindade Santa e renovemos sagrados compromissos, como Igreja Sinodal: ser  no mundo, sinal e instrumento do Amor Trinitário.
 
Adoremos, amemos e imitemos a Santíssima Trindade: vida, luz e paz teremos, e um dia nesta comunhão plena e eterna viveremos.
 
Concluímos com a palavra do Evangelista São João: “Deus amou tanto o mundo, que deu o Seu Filho unigênito, para que não morra todo o que n’Ele  crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
 
Exultemos de alegria com a ação do Espírito em nós, e a Ele rezemos:
 
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o Fogo do Vosso Amor...”
 

Em poucas palavras... (Santíssima Trindade)

 


Nossa fé na Trindade

“Os cristãos são batizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Antes disso, eles respondem «Creio» à tríplice pergunta com que são interpelados a confessar a sua fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo: «Fides omnium christianorum in Trinitate consistit – A fé de todos os cristãos assenta na Trindade») (São Cesário de Arles).” (1)

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 233

 


Em poucas palavras... (Santíssima Trindade)

                               


“Santíssima Trindade: mistério central da fé e da vida cristã”

“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. E, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina.

É o ensinamento mais fundamental e essencial na «hierarquia das verdades da fé» . «Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, reconcilia consigo e Se une aos homens que se afastam do pecado»”  (1)

 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 234

 

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