quinta-feira, 28 de maio de 2026

Uma Igreja sinodal, misericordiosa e missionária

                                            


Uma Igreja sinodal, misericordiosa e missionária 

Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus
que recebeste pela imposição de minhas mãos. Pois, Deus não
nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza,
de amor e sobriedade” (2Tm 1,6)
 

A Doutrina Social da Igreja, vivida à luz da misericórdia divina, nos faz “misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36), para que toda a Igreja se coloque a serviço da vida plena para todos. 

Conduzidos pelo protagonista da evangelização que é o Espírito Santo, somos fortalecidos pela Doutrina Social da Igreja, na vivência das obras de misericórdia corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos); e espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos). 

Com o Espírito do Senhor, que não nos deixou órfãos, e nos assiste e nos acompanha nesta missão de construir um novo céu e uma nova terra, viveremos concretamente a misericórdia divina - “O Espírito do Senhor repousa sobre mim...” (cf. Lc 4,18). 

E é este mesmo Espírito que não nos permite timidez, omissão, indiferença diante dos inúmeros apelos de vida que clamam aos céus, no deserto árido de nossa cidade, porque somos discípulos missionários do Cristo Ressuscitado, que doou a própria vida por toda a humanidade. 

Urge intensificar a formação de nossos agentes, a fim de que edifiquemos uma Igreja verdadeiramente sinodal, Povo de Deus a caminho, na comunhão, participação e missão em todos os âmbitos, dentro e fora dos espaços da Igreja, como sal da terra, fermento na massa e luz no mundo.

Deste modo, seremos uma Igreja misericordiosa, reavivando a chama da vocação como dom de Deus, e a graça de participar da missão evangelizadora que o Senhor nos confia, com zelo, amor, ardor e alegria. Amém. Aleluia!

Em poucas palavras...

                                           


A remissão dos pecados

“Na remissão dos pecados realiza-se também a unidade dos Sacramentos: o Batismo é ministrado para a remissão dos pecados; o Espírito é infundido para a remissão dos pecados; o Cálice é derramado para a remissão dos pecados. 

Juntamente com os Santos Padres podemos afirmar que tudo aquilo que Jesus era na terra está presente agora nos Sacramentos da Igreja.” (1)

 

 

(1)   Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Paulus – 2010 – pág. 53 – Comentário da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 2,1-12)

Dai-nos, Senhor, o colírio da fé!

                                                   

Dai-nos, Senhor, o colírio da fé!
Sem a luz da fé, sem o colírio da fé
Sou a criatura mais míope que se conheça.
Nem caminhos, nem montes, nem vales...
Mal distingo os bens dos males!

Sem a luz da fé, sem o colírio da fé
Fecho-me, enterro-me, sucumbo-me
Cadavericamente na sepultura fico,
Nem me lanço apenas desmaio, caio...

Sem a luz da fé, sem o colírio da fé
Minha cegueira não é apenas de nascença,
Acompanha-me sordidamente no frio da eternidade,
Sem vã esperança, vida vazia, mediocridade...

Sem a luz da fé, sem o colírio da fé
Mergulho no abismo da triste escuridão.
Sem forças, definho-me, rendo-me,
Numa história insana, doentia solidão.

Com a luz da fé, com o colírio da fé
Com o Espírito mudo a tônica, a vida tem novo tom,
Porque com ela tudo se renova, recria, multiplica...
Ó quão imensuráveis maravilhas com tão excelso dom!

Com a luz da fé, com o colírio da fé
Vejo tudo possível, porque vejo diferente,
A esperança se renova e se materializa,
Novos sonhos, ilumina-se a minha mente.

Com a luz da fé, com o colírio da fé
Nossos cansaços, em Deus o descanso,
Pedras do caminho são removidas,
Em Seu coração tão terno e manso.

Com a luz da fé, com o colírio da fé
Caverna escura de nossa existência é iluminada,
Toda secura da alma, pela água cristalina saciada,
Toda lágrima vertida, pela Mão Divina enxugada.

Viver a vida com toda intensidade:
Sem a luz da fé, sem o colírio da fé;
Ou com a luz da fé, com o colírio da fé...
Indubitavelmente com ela, de Deus, um dom!

PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,46-52; Lc 18,35-43).

Sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino

                                                      


Sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino

A Igreja, fiel à sua ação evangelizadora, se coloca a serviço da vida plena e feliz para todos, na prática da autêntica caridade.

É preciso reler a história para não repetir os erros, revigorando a construção da verdadeira democracia, restaurando o verdadeiro sentido da política, que consiste na arte sublime do exercício da caridade, na promoção o bem comum.

Urge propiciar uma vida plena e feliz para todos, e não o alcance de privilégios para poucos, em detrimento de muitos que são condenados ao abandono, ao desemprego, analfabetismo, doença, e tantas outras situações que roubam a beleza e maculam a sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural.

Queremos uma nação que ofereça reais possibilidades para uma vida digna, como prevê a própria Constituição. E isto não é uma ilusão, desde que os recursos sejam investidos sem extravios e corrupção, mas com transparência e prioridades estabelecidas.

Iluminadora é a passagem do Evangelho, em que o cego Bartimeu suplica a Jesus que o cure de sua cegueira: - “Mestre, que eu veja” (Mc 10,46-53). Que seja esta também a nossa súplica ao Senhor, para que tenhamos um olhar crítico, discernindo os fatos, suas causas e consequências, exercendo o nosso direito legítimo ao voto, de forma cada vez mais consciente e consequente, com o acompanhamento daqueles que elegemos.

“Mestre, que eu veja” a história como um processo que se desenvolve em páginas, que são escritas como um grande enredo, em que os fatos não são se dissociam, mas têm implicações permanentes, muitas vezes com efeitos penosos sobre a vida do povo.

“Mestre, que eu veja” caminhos a serem trilhados numa participação ativa, consciente e frutuosa, no âmbito da política, para que, bem exercida, produza os frutos saborosos por Deus esperados, e por todos nós desejados.

Que nosso olhar não apenas fique condenado à cegueira, mas que também não seja um olhar derrotista, que nos leve a cair no imobilismo e indiferença política, com funestas consequências, que tão somente agravariam a situação em que estamos submetidos em todos os âmbitos (econômico, político, econômico, cultural, social).

Curados de nossa “cegueira”, tenhamos um olhar que ultrapasse a linha do horizonte do inédito que Deus tem a nos oferecer, mas que depende de cada um o melhor de si dar e, num compromisso afetivo e efetivo com a justiça, a fraternidade, a cada dia, renovar.

Curados, compreendamos e renovemos sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino, sem jamais na fé vacilar, na esperança esmorecer, e a chama da caridade permitir que se apague.

Supliquemos ao Divino Mestre, Jesus, que vejamos o Paraíso não como algo que ficou no passado, perdido, mas que pode ser, aqui e agora, reconstruído.

As inseparáveis virtudes divinas

                                                          


As inseparáveis virtudes divinas

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,46-52), sobre a cura do cego Bartimeu (filho de Timeu). 

Vejamos o que nos diz o comentário do Missal Dominical:

“Se no passado, a fé podia constituir uma explicação ou uma interpretação do universo, um lugar de segurança diante dos absurdos da história e do mistério do mundo, hoje não é mais assim. 

Os movimentos de ideias, o processo tecnológico, a expansão do consumo, os movimentos migratórios e turísticos, a urbanização crescente e caótica com as consequentes dificuldades de integração comunitária, a agressão da publicidade, a instabilidade política, econômica e social, com todos os problemas daí derivados, concorrem para aguçar a dilaceração interior, ainda mais sensível nos homens de cultura. 

Nesse quadro, a carência de uma fé consciente e robusta favorece a dissolução da religiosidade, até a ruptura com a prática religiosa” (1)

Vivemos num mundo secularizado, com fortes marcas de ateísmo, em que o espaço do sagrado muitas vezes é sinônimo de alienação, atraso, anti-história...

O Papa São João Paulo II refletiu sobre estas questões na Encíclica Fé e Razão: não são inconciliáveis a fé e a razão. Uma não pode prescindir da outra, do contrário não corroboram para o processo de fraternidade e promoção da vida, da dignidade humana. 

Evidentemente que podemos cultivar uma fé ingênua, marcada pelo infantilismo, renunciando aos compromissos inerentes a mesma. Delegando a Deus o que é tarefa humana, descomprometendo-se, lamentavelmente, com aquilo que é próprio e inadiável nosso.

Vejamos a fé como resposta, e não uma fuga dos problemas; e mais do que uma resposta, uma proposta transformadora, fundada e nutrida pelo Pão da Palavra e pelo Pão da Eucaristia. 

A fé deve consistir na resposta sedenta de sentido de vida, ultrapassando todo pragmatismo evasivo; todas as explicações que se encerram em si mesmo.

Cultivemos uma fé consciente e robusta, procurando respostas aos incontáveis problemas mencionados, de modo que a fé, a esperança e caridade, como virtudes teologais, amadureçam inseparavelmente em nosso interior, afastando toda a estimulação e excitação de dilaceramentos interiores... Tão somente assim, veremos a fé expressa em gestos concretos, afetivos e efetivos de caridade.

Urge uma viva e uma Esperança com âncoras nos céus, onde se encontra o Ressuscitado! E, assim a Caridade dará respostas libertadoras para o mundo que precisa ser transformado.
  
(1)  Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 1057
PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 18,35-43)

“Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim”

                                                 

“Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim”

Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim. Não quero ficar aqui, à beira do caminho, mendigando em eterna dependência, saboreando o amargo sabor da marginalização, indiferença e exclusão.

Ainda que queiram calar minha voz, a Ti, grito e, suplico, pois sei em quem confio e que não me deixarás gritar aos ventos, com minha dor, sofrimento, prantos e lamentos, e em Ti, tenho fé que podes me devolver o olhar, um novo olhar...

Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim. A exemplo daquela que curaste, que há dezoito anos encurvada se encontrava, e não podia olhar para o alto e ver o horizonte do inédito, pois apenas via o chão sórdido da dor, regado pelas lágrimas de sofrimento.

Não quero mergulhar meu coração na terra, como se não mais houvesse sinais de esperança, como que numa entrega, abandono, desistência, sem saídas possíveis, a não ser silenciá-lo, no chão duro dos que não mais querem viver, porque razões não há.

Nem cego, nem encurvado quero ficar, mas quero enxergar contra toda falta de esperança.

Quero me por de pé, olhando para o alto, e as coisas do alto para sempre buscar, como nos falou o Apóstolo Paulo - "Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas do alto onde Cristo está sentado à direita de Deus" (Cl 3,1).

Jesus, Filho de Davi, curai minha cegueira, e que não me curve jamais diante do mal, do medo, da apatia, da indiferença e de qualquer outra coisa que roube a beleza da vida
E o encantamento e paixão pelo Teu Reino. Amém


PS: Inspirado nas passagens bíblicas Mc 10,46-52; Lc 13,10-17;Lc 18,35-43)

Nós Vos suplicamos, Senhor...

                                                              


Nós Vos suplicamos, Senhor...

Senhor, Vós que tendes a plenitude do Espírito.
Vós que sois o Amém, o Sim total a Deus,
Vós que sois a testemunha fiel, a Verdade,
O princípio de todas as criaturas de Deus,

Nós Vos suplicamos, Senhor...

Suplicamos
Que nos ajudeis a multiplicar
Os dons que tanto nos enriqueceis
Pela Divina presença do Vosso Espírito em nós.

Suplicamos
Que não sejamos moribundos na fé,
Diante das dificuldades que possam existir,
Como Vossa Igreja de Sardes exortada.

Suplicamos
Que nossa fé não seja morna,
Que não nos assemelhemos à Igreja de Laodiceia,
Que a chama de nossa fé a todos ilumine e aqueça.

Suplicamos
Que nos fortaleceis no carregar da cruz,
Para uma vida cristã autêntica, fé comprovada,
Como viveram tantos no início de Vossa Igreja.

Suplicamos
Que não nos deixeis perder a fidelidade originária,
O primeiro amor, o primeiro encanto,
A alegria dos primeiros passos da fé.

Suplicamos
Que afasteis de nós uma vida cristã inócua e insípida,
Marcada pela infelicidade, pobreza, cegueira e nudez,
Que encontremos em Vós a mais bela e preciosa riqueza.

Suplicamos
Que nos concedais o imprescindível colírio da fé,
Para redescobrirmos sempre em nosso próximo,
Sobretudo nos empobrecidos, Vossa divina presença.

Suplicamos
Enfim, Senhor, que sejamos por Vosso poder curados
De toda mudez, para que ouvintes de Vossa Palavra
Não apenas o sejamos, mas fervorosos praticantes.

Até que Vós venhais reinar sobre tudo e sobre todos.
A Vós, a quem rendemos toda honra, glória e poder,
Toda a nossa vida Vos seja um agradável louvor.

Se a vida for, por vezes, a travessia de um vale escuro,
Que a chama batismal em nosso coração um dia acesa
Não se apague, o caminho ilumine, Vossa luz resplandeça!
Amém!


PS: Fonte inspiradora: Ap  3,1-6.14-22, Leitura da terça-feira da 33ª semana do Tempo Comum (ano par); apropriado para a passagem do Evagelho de Marcos (Mc 10,46-52; Lc 18,35-43)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG