domingo, 1 de março de 2026

As palavras nunca serão o bastante suficientes...

                                                


As palavras nunca serão o bastante suficientes...

Para expressar a humanidade-divindade do Senhor;
O Amor de Deus desde sempre e para sempre por nós.
Que também não sejam para o mesmo Amor a Deus expressar.

As palavras nunca serão o bastante suficientes...

Para narrar as maravilhas que Deus realizou por meio de Moisés;
E as maravilhas que, na plenitude dos tempos, por meio de Jesus,
Revelam o Amor do Pai, porque pleno da presença do Espírito.

As palavras nunca serão o bastante suficientes...

Para expressar o que sentimos diante de Sua Presença,
Quando nos fala na Palavra lida, ouvida, meditada
E no chão do coração plantada, enraizada, frutificada...

As palavras nunca serão o bastante suficientes...

“O que está acontecendo contigo?”

                                                                 

“O que está acontecendo contigo?”

“Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a Oração, as súplicas e a ação de graças"
(Fl 4, 6)

“O que está acontecendo contigo?”
Alguém, com lágrimas vertentes, poderá me responder:
“Já não tenho mais o emprego ;
Somarei a tantos milhões que amargam sua falta;
Terei que reinventar um novo modo de sobreviver,
Sem na fé vacilar, jamais na esperança esmorecer”.

“O que está acontecendo contigo?”
Outro, neste momento, poderá me responder:
“Vi alguém partir para ficar para sempre, com a inevitabilidade da morte.
Está difícil recomeçar meu caminho, mas sei que é preciso.
Ainda que a ausência e a saudade me consumam vorazmente,
Crer na Ressurreição até que um dia nos encontremos novamente”.

“O que está acontecendo contigo?”
Alguém talvez nem forças terá para responder, mas dirá:
“Roubaram meus sonhos, pisotearam minhas utopias,
Escureceram meu horizonte do inédito que buscava,
Dizendo que não passavam de ilusórias fantasias.
Mas preciso revigorar minhas forças, a força da profecia”.

“O que está acontecendo contigo?”
Apontando para o chão em que pisamos responde:
“Veja o chão que pisamos; o céu que nos cobre.
Estenda teu olhar para o planeta Terra, nossa casa comum.
Estou em silêncio, ouvindo do Planeta seus gemidos e clamores.
O que fazer para recriar e cuidar melhor de nossa casa comum?”

“O que está acontecendo contigo?”
Também preciso dar minha resposta com sinceridade:
“Refletindo sobre a vida, nossa humana condição,
E o que fazer para elevar e qualificar a condição humana.
Que pães e peixes tenho para oferecer?
Que posso fazer para um novo amanhecer?”

“O que está acontecendo contigo?”
Dê ao Senhor neste momento a tua resposta:
Dê tuas respostas: se bem,  diga a Ele com sinceridade
E com toda simplicidade: estou bem, em paz, porque contigo.
Do contrário, abra teu coração e, antes mesmo de falares,
Ele bem saberá, e com certeza uma Boa-Nova te dirá”.

Em poucas palavras... (IIDTQA)

 


A finalidade da Transfiguração de Cristo

“A Transfiguração de Cristo tem por fim fortalecer a fé dos Apóstolos em vista da Paixão: a subida à «alta montanha» prepara a subida ao Calvário. Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o que o Seu Corpo contém e irradia nos Sacramentos: «a esperança da Glória» (Cl 1, 27) (Papa São Leão Magno  séc. V).” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 568

Em poucas palavras... (IIDTQA)

                                                 


A finalidade da Transfiguração do Senhor (2)

“O Senhor manifesta a Sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo fez resplandecer o Seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que Seu rosto se tornou brilhante como o sol e Suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade dessa transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da Cruz, para que a humilhação da Paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo”. (1)

 

(1) Papa São Leão Magno (séc. V)

Transfiguração do Senhor: A glória é precedida pela Cruz (IIDTQA)

                                                              

Transfiguração do Senhor: A glória é precedida pela Cruz

O segundo Domingo da Quaresma, identificado como “O Domingo da Transfiguração do Senhor”, é um convite a escutarmos a voz do Filho Amado, e maior obediência à vontade de Deus, na Força do Espírito.

A passagem da primeira Leitura (Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18), fala-nos de Abraão e do sacrifício de seu filho Isaac.

O autor Sagrado nos revela um Deus que ama com Amor intenso e eterno; que revigora nossa serenidade e esperança; um Deus que não quer sacrifícios de vidas humanas, mas que todos tenham vida e vida plena.

Muitas vezes, as provações acontecem em nossa vida; e são elas ocasião para testemunharmos nossa fidelidade e revelarmos o que se passa no mais profundo de nosso coração.

Assim nos fez aprender Abraão, que não pouparia seu filho único, amado e herdeiro. Parecia que Deus iria destruir os próprios sonhos que ajudou a criar, no entanto, não é esta a mensagem, pois se Deus algo nos tira, é para nos dar algo ainda melhor.

A prontidão da resposta de Abraão revela um homem que entrega, confia, obedece... 

Sua obediência foi fonte de Bênção para todas as nações, e da mesma forma, será pelo nosso sim às coisas divinas, fazendo-nos  instrumentos da Bênção Divina para o outro.

Abraão nos ensina a confiar além da incompreensão. Com isto, é possível questionar qual a atitude que temos diante dos Mistérios de Deus em nossa vida.

Além da compreensão de tudo que somos incapazes, é preciso antes confiar e entregar-se, como Abraão, nas mãos da Divina Providência, que tudo sabe e tudo pode.

Tudo isto leva ao questionamento de nossa vida cristã, nossa fidelidade aos desígnios de Deus, de modo que a sua atitude nos convida rever nossas prioridades: fazer de Deus o valor máximo, a prioridade fundamental de nossa vida.

Não podemos servir a “deusinhos” e aos ídolos sedutores de tantos nomes, mas tão somente ao Deus Vivo e Verdadeiro, o Deus bíblico revelado por Jesus.

Deste modo, as qualidades de Abraão nos ajudam no Itinerário Quaresmal, na busca e prática da conversão necessária, para que possamos celebrar uma frutuosa e alegre Páscoa do Senhor. 

Com ele, aprendemos a crer, contra toda falta de humana esperança, e também que a obediência a Deus não é sinônimo de escravidão, mas garantia de vida, prosperidade, felicidade e realização.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,31b-34), é fortalecida a nossa espiritualidade cristã, que consiste em percorrer o caminho do amor a Deus e aos irmãos: enfrentar os sofrimentos, fazer as renúncias necessárias, suportar as incompreensões e perseguições e, sobretudo, não perder a esperança no triunfo final.

O discípulo de Jesus sabe que sua esperança não é uma ilusão, pois se relaciona com um Deus que ama a todos com Amor intenso, imenso e eterno, e por isto, mantém a serenidade, a confiança e a esperança, marcando assim, todo o seu existir.

Na aparente orfandade, ouve no mais íntimo de si mesmo: “Não tenhais medo”, pois o Amor de Deus veio ao nosso encontro por meio de Jesus, que por nós viveu um Amor, profundo, radical e total: um Amor vitorioso que passou pela Cruz para ser vencedor.

Com a passagem do Evangelho (Mc 9, 2-10),  refletimos sobre o Projeto Messiânico, que se realizará pela Cruz: com renúncias, o carregar da cruz no seguimento, escuta e obediência.

Poderiam indagar os próprios discípulos: “Vale a pena seguir alguém que nos oferece a morte na Cruz?”

O Evangelista, retratando a Transfiguração, nos assegura que sim, pois ela é um sinal antecipado da vitória, do triunfo glorioso da Ressurreição.

Assim compreendido, a Transfiguração no Monte é uma teofania – uma manifestação da força e onipotência divina que venceu a morte: não ficará morto para sempre o Filho Amado que nos amando, amou-nos até o fim.

Contemplemos algumas imagens que nos oferecem interessantes paralelos entre o Antigo e o Novo Testamento:

- O rosto transfigurado e as vestes brancas de Jesus lembram o resplendor de Moisés ao descer do Sinai, após o encontro com Deus em que receber as Tábuas da Lei;
- A nuvem na Bíblia sempre representa uma forma de falar da presença de Deus;

- Moisés e Elias, a Lei e a Profecia que se realizam;
- O temor mencionado revela a Onipotência Divina;

- As tendas lembram um novo Êxodo – passagem da escravidão à liberdade;
- Jesus é o novo Moisés, com Ele uma Nova e Eterna Aliança;
- A roupa branca também sinaliza a Ressurreição: a Cruz não terá e não será a palavra final.

O discípulo missionário do Senhor jamais poderá deixar se entorpecer por certo tipo de “anestesia espiritual”, que nos torna indiferentes diante dos outros.

No caminho de fidelidade a Jesus, não podemos esmorecer, fracassar, fugir ou abandonar a cruz que Ele nos ofereceu para ser carregada cotidianamente com renúncias necessárias.

Dando mais um passo em nosso itinerário quaresmal, ao ouvir a Palavra proclamada, seja acolhida no alto da montanha e na planície vivida.

Seja purificado o olhar de nossa fé, para que vejamos, além da transitoriedade da dor e do sofrimento, os sinais maravilhosos da Glória Celeste, e assim poderemos no final deste itinerário quaresmal, celebrar o transbordamento da alegria Pascal, a Ressurreição do Senhor.

A Transfiguração do Senhor contemplada, compromissos sagrados renovados (IIDTQA)

                                             


A Transfiguração do Senhor contemplada, compromissos sagrados renovados 

“Este é o meu Filho amado, 
no qual Eu pus todo o meu agrado. Escutai-O” (Mt 17,5)

Uma breve reflexão sobre a Transfiguração do Senhor, à luz do parágrafo número 555 do Catecismo da Igreja Católica:

- A glória divina é precedida pela Cruz:

“Por um momento, Jesus mostra a Sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para «entrar na Sua glória» (Lc 24, 26), tem de passar pela Cruz em Jerusalém. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias (Lc 24,27).”

- A presença e ação da Santíssima Trindade na Transfiguração do Senhor: verdadeiramente uma teofania:

“A paixão de Jesus é da vontade do Pai: o Filho age como Servo de Deus (Is 42,1). A nuvem indica a presença do Espírito Santo: «Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine; Spiritus in nube clara – Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa» (Santo Tomás de Aquino)”

-  A Transfiguração do Senhor: Jesus viveu uma paixão voluntária e Ele é a irradiação do Pai:

«Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os Teus discípulos contemplaram a Tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai» (Liturgia bizantina, Kontakion na Festa da Transfiguração: «Mênaîa toû bólou eniautoû», v. 6 (Romae 1901) p. 341).” (1)

A transfiguração do Senhor contemplada, leva-nos necessariamente à renovação de sagrados compromissos como Igreja sinodal que somos, sempre caminhando juntos, atentos na escuta e na prática do que nos diz o Filho amado do Pai, Jesus.

Oremos:

“Ó Deus, que nos mandastes ouvir o Vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a Vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da Vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

 

(1)         Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 555
(2)        Oração do dia no segundo Domingo da Quaresma


Quaresma: edifiquemos tendas de transfiguração (IIDTQA)

                                                          

Quaresma: edifiquemos tendas de transfiguração

Senhor Jesus, contemplando Vossa Transfiguração no Monte Tabor, somos desinstalados e enviados em missão como discípulos missionários na planície, nos diversos espaços em que vivemos e nos relacionamos, e rostos tão desfigurados, com marcas da violência de incontáveis nomes, encontramos; edificando tendas para edificar e santificar a vida de Vossos filhos e filhas, nossos irmãos e irmãs.

Senhor Jesus, ainda que queiramos, não podemos fixar tendas no Monte Tabor, livrai-nos da tentação de evadirmos do mundo, sem jamais nos omitirmos em nossas responsabilidades de transformá-lo, construindo uma cultura de paz, com laços mais fraternos, e que esta paz seja fruto da justiça, sinal de um mundo novo e reconciliado.

Senhor Jesus, afastai-nos desta tentação de fixar tendas no Monte Tabor, que seria como uma pedra de tropeço no árduo testemunho e combate da fé, e assim fecharíamos os olhos ao Mistério Pascal; esvaziando-o de todo o sentido e conteúdo, porque não viveríamos a autenticidade da fidelidade e seguimento, com renúncias necessárias, carregando a nossa cruz cotidiana.

Senhor Jesus, iluminai-nos para a compreensão da efemeridade do resplendor da Transfiguração neste mundo, necessariamente efêmero, a fim de não desejarmos nos  instalar no “alto monte”, pois ainda não chegou este tempo,  nem para os cristãos nem para a Vossa Igreja que somos.

Senhor Jesus, conduzi-nos neste tempo da fé e da esperança sem esplendor. Com a certeza de que caminhais conosco, podemos nos apoiar firmemente, porque Vosso Pai, com o Vosso Espírito, é fiel e nunca falta às Suas promessas, assim como foi com Abraão, nosso pai na fé, pronto para o sacrifício de seu filho.

Senhor Jesus, ajudai-nos a viver este Tempo da Quaresma, tempo favorável de nossa Salvação, marcado por reconciliações convosco e com nosso próximo, vivendo os exercícios que a Igreja nos propõe (oração, jejum e esmola), a fim de que possamos celebrar, em breve, o transbordamento da alegria Pascal, quando a Igreja cantará, solenemente, o Aleluia!



Fonte de pesquisa: Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – 2010 - Editora Paulus – Lisboa - p.329

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