segunda-feira, 13 de julho de 2026

Preciosas Parábolas do Reino (XVIDTCA)

                                                     

Preciosas Parábolas do Reino

Reflitamos sobre as Parábolas do Reino de Deus, retratadas na passagem do Evangelho do 16º Domingo do Tempo Comum (Mt 13, 24-43), à luz de duas citações: 

“Os maus existem no mundo ou para que se convertam, ou para que por eles, os bons, exercitem a paciência.” (Santo Agostinho).

A Parábola do joio e do trigo é um apelo à humildade e à misericórdia que se irradia. É um compromisso concreto que assumimos ao celebrar a Eucaristia neste Domingo, dentro e fora da comunidade:

“Se há alguém que errou, que no próximo encontro ele possa ver em nossos olhos que estamos reconciliados com ele, que não o condenamos mais, porque a Palavra de Deus nos fez cair o gadanho da mão.” (1)

Tomemos consciência de que todos nós somos trigo e joio ao mesmo tempo. Apenas Jesus foi o puro trigo, sem joio algum, ou seja, não conheceu o pecado, ao contrário, o destruiu.

Jesus é o grão que um dia caiu na terra e morreu. Um grão que foi transformado em Pão Eucarístico que vem a nós e Se entrega por nós como Salutar Alimento, para que nos tornemos trigos de Deus.



(1) “O Verbo Se fez carne” –Editora Ave Maria - p. 157 - Pe. Raniero Cantalamessa.

O Reino de Deus é como um grão de mostarda (XVIDTCA)

                                       

O Reino de Deus é como um grão de mostarda

Reflitamos sobre a Parábola do grão de mostarda (Lc 13, 18-21;Mt 13,24-30).

O grão de mostarda semeado no campo, que se torna uma árvore frondosa, revela um aspecto importante na dinâmica do Reino: da pequenez à grandeza.

O grão de mostarda parece pequeno e frágil, ao despontar na história humana, mas o seu destino é tornar-se grande na sua definitiva manifestação.

Vivemos da mesma forma, na precariedade e imperfeição do momento presente, que constituem nas etapas necessárias de um processo mais amplo, e somente no fim dos tempos (escatologia), é que veremos o despontar do Reino de Deus em toda sua real e majestosa grandiosidade.

Reflitamos sobre a vida de fé, que consiste num processo contínuo da maturação espiritual, desde o dia em que fomos agraciados com a água do Batismo e nos tornamos templos do Espírito Santo.

O discípulo missionário do Senhor precisa aprender a conjugar pequenez e grandeza, sem se deixar iludir por imagens destorcidas do Reino, não se enganando ao identificá-lo com certas manifestações retumbantes, pomposas e suntuosas de religiosidade.

Com o olhar de fé, não se iludirá com coisas extraordinárias e fenomenais, porque será capaz de perceber o Reino lançando suas raízes, em sua fecundidade, não obstante sua fragilidade e pequenez.

Precisará sempre do suficiente senso crítico para perceber a incompatibilidade de certos fenômenos com o Projeto do Reino; assim como será capaz de detectar, ali, onde parece que nada está acontecendo, sinais evidentes do Reino, fermentando a existência humana.

Na história da humanidade, o Reino de Deus tende a manifestar-se em sua fragilidade, não pela imposição, porque é uma decisão livre e pessoal participar de sua construção.

Somente quem for capaz de reconhecer a presença ativa de Deus no que há de mais fraco e pequenino, terá compreendido por que caminhos o Reino atua na História.

Neste sentido, é preciso fazer progressos cada vez maiores, apesar das dificuldades que são próprias da condição da existência.

Não se pode jamais desistir da busca de maior perfeição, conforme nos diz o próprio Jesus: “Sede perfeitos como vosso Pai que está nos céus é perfeito”  (Mt 5,48), o que não é jamais sinônimo de perfeccionismo.

Esta perfeição possível e desejável, que seja buscada tendo Jesus como o próprio e exclusivo modelo, conforme nos exorta o Apóstolo Paulo: que cresçamos até alcançarmos a estatura de Cristo (Ef 4,13).

Imprescindível é a Lei do Amor que O Senhor nos deu, e que nos leva ao crescimento, já que a caridade é o vínculo da perfeição e quem ama permanece em Deus, como afirmaram, respectivamente, Paulo e João.

Que nossas atividades pastorais e diversos serviços, enfim, que nosso discipulado seja como um pequeno grão de mostarda a ser lançado, na esperança de que a beleza do Reino possa florescer e frutificar abundantemente, suportando as podas que se fazem necessárias, para que os frutos sejam mais que abundantes: eternos (Jo 15).

Que o Grão de mostarda seja semeado em nossa alma (XVIDTCA)

                                                     

Que o Grão de mostarda seja semeado em nossa alma

Retomo um trecho do Sermão do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV) que nos fala sobre Cristo, o grão que dissipou as trevas e renovou a Igreja, a partir da Parábola do grão de mostarda (Mt 13,31-32).

“Ó grão por quem foi feito o mundo, por quem foram dissipadas as trevas e renovada a Igreja!

Este grão, suspenso na Cruz, teve tal eficácia que mesmo estando cravado, somente com Sua Palavra raptou o ladrão do madeiro e o transladou às delícias do paraíso; este grão, ferido pela lança no Seu lado, destilou para os sedentos uma Bebida de imortalidade; este grão de mostarda, descido do madeiro e depositado no horto, cobriu toda a terra com os Seus ramos; este grão, depositado no horto, plantou Suas raízes até o inferno, e, tomando consigo as almas que ali jaziam, em três dias as levou para o céu.

Portanto, ‘o Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e o semeou em seu horto’.

Semeia este grão de mostarda no horto de tua alma. Se tiveres este grão de mostarda no horto de tua alma, o Profeta também dirá a ti: ‘Serás um horto bem regado, um manancial de águas cuja veia nunca seca.’...

Ó semente de vida semeada na terra por Deus Pai! Ó gérmen de imortalidade que reconcilias com Deus aos mesmos que tu alimentas!

Diverte-te sob esta árvore e dança com os Anjos, glorificando ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.” (1)

Contemplemos este grão com Seus ramos, alcançando a profundidade do inferno para resgatar ao mais alto dos céus, depois do terceiro dia, com Sua Ressurreição.

Assim cremos: Ele desceu à mansão dos mortos, Ressuscitou ao terceiro dia, para que, em Sua Ressurreição, nossa morte fosse vencida, alcançando-nos a glória da imortalidade.

Que estes benditos ramos também nos alcancem a mesma graça de um dia, enraizados em Cristo e Ele em nós, tenhamos a graça de contemplar a face de Deus na glória da eternidade.

O imperativo do Sermão também nos toca profundamente: “Semeia este grão de mostarda no horto de tua alma...”.

Este grão é o próprio Cristo, é a Sua Palavra, e o abrir-se à graça do Reino que Ele anunciou, nosso tesouro mais precioso, nossa pérola preciosa, que Ele mesmo nos fala nas Parábolas, e o Evangelista nos apresenta (Mt 13, 44-46).

O Reino dos Céus é realmente um tesouro, e ainda mais, o único tesouro verdadeiro, um tesouro escondido, difícil de ser descoberto, mas que vale a pena todo esforço para descobri-lo.

Um tesouro que, uma vez encontrado, exige sacrifício, renúncia, o vender tudo, no dia a dia, para conservá-lo:

“O tesouro escondido, pelo qual é preciso vender tudo, é, sim, o Reino dos Céus, isto, é, uma realidade, mas é também em primeiro lugar uma Pessoa: é o próprio Jesus. Segui-Lo, escolhê-Lo pela vida e voltar a escolhê-Lo sempre de novo, ser Seu discípulo, significa ter feito a escolha certa, a única que assegura o tesouro nos céus. É Ele a pérola preciosa.

Nossa comunhão seja ocasião para confirmamos esta escolha de Jesus que fizemos no Batismo. Se soubermos reconhecê-Lo, este é o momento em que o tesouro vem se esconder dentro de nós para que O descubramos”.

Lembrando a Parábola do semeador (Mt 13, 1-23), que não tenhamos coração endurecido,  num relacionamento superficial e leviano com Deus (semente que caiu à beira do caminho); impermeáveis aos apelos divinos (semente que caiu no meio das pedras); ou demasiadamente preocupados com as múltiplas tarefas, sacrificando o tempo  do diálogo amoroso com Deus, numa intimidade e amizade frutuosa.

Que a Palavra do Divino Semeador seja plantada em nosso coração, no horto de nossa alma, e que procuremos ser o chão fértil onde ela possa cair e produzir os frutos que Deus tanto espera de nós, em contínua transformação e conversão, fecundando a Semente do Verbo, nutridos da Mesa da Eucaristia, indispensavelmente, porque sem Ele nada somos, nada podemos...

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pág.182

PS: Passagem paralela: Evangelho de Lucas (Lc 13,18-21) 

Sobre o amor e a felicidade (XVIDTCA)

                                                              

Sobre o amor e a felicidade

Na passagem da Carta aos Romanos (Rm 8,26-27), Paulo exorta a comunidade a viver segundo o Espírito, como lembra o começo da segunda Leitura da Missa do 16º Domingo do Tempo Comum (Ano A):

 “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis”.

O Amor de Deus Se manifesta de muitas formas, uma delas foi ter derramado em nós o Espírito Santo, o Espírito de Amor.

O Amor de Deus por nós não é porque sejamos merecedores e perfeitos, aliás, até mesmo pelo contrário. Deus nos ama porque somos pecadores e quer a nossa conversão, nossa mudança, como um pregador afirmou em um Retiro dos Presbíteros: “o amor humano ama apesar das fraquezas; o amor divino por causa delas”.

De fato, assim acontece. Deus nos enviou o Espírito do Ressuscitado porque nos ama, porque nos conhece, sabe muito bem nossas fraquezas, fragilidades, imperfeições.

Deus sabe muito bem quem Ele criou, afinal, somos obra de Suas mãos. Sabe que sem o Seu Amor sucumbiríamos em nossa pequenez e mediocridade e suprema imperfeição.

Deus nos ama porque fomos criados a Sua imagem e semelhança, ainda que imperfeitos, inacabados, num processo contínuo de acabamento, amadurecimento, florescimento e frutificação.

Infinitamente superior e incomparável, de fato, é o Amor divino. Amamos o outro com amor humano, apesar de seus defeitos, superando as dificuldades próprias da convivência; amamos apesar das contrariedades, da não correspondência, amamos até mesmo apesar das limitações inerentes ao ser, porque conhecedoras delas o somos. 

Amamos apesar das sombras, das interrogações, do medo que se manifesta de múltiplas formas (medo de sofrer traição, de não ser correspondido na mesma medida; da ausência provisória ou para sempre, da morte, da partida súbita, do adeus dado ou não para uma ida que não há retorno – eternidade...).

Sim, amamos apesar de...
Sim, Deus nos ama por causa de...

Contemplemos amores tão belos e necessários: o Amor divino e o amor humano. O primeiro quer tão apenas uma resposta de amor, como também o segundo. 

Se soubermos corresponder ao primeiro amor, o divino, muito melhor saberemos viver o segundo. Nisto consiste toda a Lei: amar a Deus com toda força, alma, entendimento e ao próximo como si mesmo, disse Jesus.

Amemos, sejamos amados: “A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado por aquilo que você é; ou, mais corretamente, de ser amado apesar daquilo que você é.”

É tempo para amar e construir, alcançar a suprema felicidade com Deus, jamais sem Ele, pois assim disse:

“Sem mim nada podereis fazer... Eu vos digo isto para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena... Isto vos mando: amai-vos uns aos outros...” (Jo 15,1-17).

O Senhor nos explica a Parábola do joio (XVIDTCA)

                                                     

O Senhor nos explica a Parábola do joio

Na terça-feira da 17ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,36-43), em que Jesus explica a Parábola do joio e do trigo aos seus discípulos.

Algumas passagens bíblicas, de modo especial os Salmos, parecem oferecer uma concepção de um Deus impaciente, que queima as etapas, em que os apelos à vingança são bastante frequentes (1Rs 18,40; SI 82 e 108).

Mas há outras passagens mais importantes que desmentem essa impressão, e podemos afirmar que a Escritura é o Livro da paciência divina, que sempre adia o castigo do Seu povo (Ex 32,7-14).

Os Profetas falam da cólera de Deus, que não é o último e definitivo momento da manifestação divina: o perdão sempre vence.

A Bíblia nos apresenta Javé, rico em graça e fidelidade, e sempre pronto a retirar Suas ameaças, quando Israel volta novamente ao caminho da conversão (Sb 12,12.16-19).

O Profeta Elias, cheio de zelo, em experiência pessoal, compreende que Deus não está no furacão ou no terremoto; Ele Se apresenta na brisa leve, no sopro do vento mais delicado (1Rs 19,9-13).
No Novo Testamento, os Apóstolos Tiago e João são censurados por causa de seu desejo de fazer cair raios sobre os samaritanos que não acolhem Jesus (Lc 9,51-55; Mt 26,51).

Esta foi a Boa Nova do Reino inaugurada por Jesus, anunciada a todos e, de modo especial para os pecadores, sem exclusão de ninguém no Seu Reino: todos são a ele chamados, todos podem aí entrar.

Em todos os momentos, Jesus encarnou e viveu a paciência divina, e nisto consiste a missão da Igreja, Corpo de Cristo, encarnar entre os homens a paciência de Jesus.

Como Igreja, temos que revelar no mundo a verdadeira face do amor, sem jamais destruir as pontes de comunicação com a força misericordiosa de Deus, como vemos no Evangelho (Mt 13,24-43).

O Missal Dominical nos enriquece com este comentário:

“Na terra, o trigo está sempre misturado com o joio, e a linha de demarcação entre um e outro não passa pelas páginas dos registros paroquiais ou pelas fronteiras dos países; está no coração e na consciência de cada homem. Deve-se sempre recordar que a separação entre os bons e os maus só será feita depois da morte”.

Aprendamos com Deus a viver a divina paciência diante das dificuldades do mundo, com os que pensam e agem diferente de nós.

A divina paciência é alcançada quando nos reconhecemos diante de Deus como frágeis criaturas modeladas pela Mão Divina, e nos configuramos a Jesus Cristo, que Se apresentou a nós manso e humilde de coração.

Cabe a Deus o julgamento final, não nos cabe catalogar as pessoas entre trigo e joio. Ao contrário, é preciso que nosso coração seja entranhado pela misericórdia e paciência divinas, para que sejamos puro trigo de Deus em Sua seara.

Somente a abertura e acolhida do Espírito e a vivência da Palavra, que Jesus nos comunicou, é que nos farão verdadeiramente puros trigos de Deus.



PS: Fonte inspiradora: Missal Dominical – Editora Paulus - pág. 749. 

O sim que Deus espera de nós (XVIDTCA)

                                                    

O sim que Deus espera de nós

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 21,28-32).

Contemplamos Jesus subindo para Jerusalém na consumação de Sua missão Redentora, e somos convidados a refletir sobre a nossa responsabilidade pessoal na salvação.

Com Ele, temos muito aprender, por amor à vida se entregar e morrer, para com Ele também, um dia, se merecedores, ressuscitar, a glória de Deus contemplar.


Nossa vocação, que é verdadeiramente um Dom Divino, que pressupõe uma resposta humana. Dom, porque uma iniciativa divina, graça por Deus concedida, porém a resposta humana deve ser dada na liberdade da pessoa.

Assim é a história das vocações bíblicas, e o que vemos ao longo de toda a História. Como afirmou o Bispo Santo Agostinho: “Aquele que te criou sem a tua vontade, não te salva se tu não queres”.

Deus é o chamamento, nós somos a resposta, sem fundamentalismos e fanatismos, superficialismos… Deus nos chama e nós respondemos!

Identificados com Jesus, O seguiremos na liberdade, pois foi para a liberdade que Ele nos libertou (Gl 5,1), de modo que a liberdade é fruto do Espírito de Deus oferecido a cada pessoa.

A verdadeira liberdade é viver no amor. Quanto mais amarmos mais livres o seremos. A ausência do amor remete-nos ao passado da escravidão, da vida centrada em si mesmo, marcada pela falsa liberdade que se confunde com libertinagem, que se manifesta no egoísmo, no isolamento, no orgulho, na autossuficiência, no individualismo, no egocentrismo.

Somente se é livre quando se ama… Na resposta ao chamado de Deus, em todo o tempo, exige-se a paciência e confiança em Sua Misericórdia, renúncias, radicalidade da entrega, despojamento, disponibilidade, generosidade, entusiasmo, perseverança, constância, confiança, alegria, liberdade, amor, etc.

Urge que cortemos toda e qualquer amarra que nos impeça de fazer da nossa vida doação total, entrega incondicional, expressa no amor que ama até o fim, até as últimas consequências, assim como fez Jesus, que por amor Se entregou em favor de todos nós – “Tendo nos amado, amou-nos até o fim” (Jo 13, 1).

Nossas comunidades, hoje, são levadas a refletir se, de fato, são comunidades voltadas para o amor, se servem ao Reino na liberdade e alegria.

A Deus se ama e se serve sem hesitações e restrições. Urge que nos coloquemos a caminho, no bom combate da fé, como nos exorta Paulo em sua Carta a Timóteo (1Tm 6,12).

Ao convite amoroso de Deus, só nos resta responder na liberdade, com amor, em alegre e profunda adesão, a serviço do Reino nos colocando…

Deste modo, vemos que a salvação é oferecida a todas as pessoas, e podemos ter atitudes de ingratidão, marcada pela infidelidade, indiferença, fechamento ou docilidade expressa em alegre resposta e adesão contínua e incondicional ao Senhor, com o coração por Ele mais que seduzido, apaixonado, e assim, verdadeiros discípulos missionários d’Ele ser.

Deus, que tanto nos ama, chama a cada um de nós, quer Se encontrar conosco, como alguém assim expressou: “É agora que te amo, é agora que quero encontrar-te, estar contigo”.

Paciência e misericórdia divinas (XVIDTCA)

                                                            

Paciência e misericórdia divinas

A Liturgia da Palavra do sábado da 16ª Semana do Tempo Comum nos apresentará a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13, 24-30).

Algumas passagens bíblicas, de modo especial os Salmos, parecem oferecer uma concepção de um Deus impaciente, que queima as etapas, em que os apelos à vingança são bastante frequentes (1Rs 18,40; SI 82 e 108).

Mas há outras passagens mais importantes que desmentem essa impressão, e podemos afirmar que a Escritura é o Livro da paciência divina, que sempre adia o castigo do seu povo (Ex 32,7-14).

Os Profetas falam da cólera de Deus, que não é o último e definitivo momento da manifestação divina: o perdão sempre vence.

A Bíblia nos apresenta Javé, rico em graça e fidelidade, e sempre pronto a retirar Suas ameaças, quando Israel volta novamente ao caminho da conversão (Sb 12,12.16-19).

O Profeta Elias, cheio de zelo, em experiência pessoal, compreende que Deus não está no furacão ou no terremoto; Ele Se apresenta na brisa leve, no sopro do vento mais delicado (1Rs 19,9-13).
No Novo Testamento, os Apóstolos Tiago e João são censurados por causa de seu desejo de fazer cair raios sobre os samaritanos que não acolhem Jesus (Lc 9,51-55; Mt 26,51).

Esta foi a Boa-Nova do Reino inaugurada por Jesus, anunciada a todos e, de modo especial para os pecadores, sem exclusão de ninguém no Seu Reino: todos são a ele chamados, todos podem aí entrar.

Em todos os momentos, Jesus encarnou e viveu a paciência divina, e nisto consiste a missão da Igreja, Corpo de Cristo, encarnar entre os homens a paciência de Jesus.

Como Igreja, temos que revelar no mundo a verdadeira face do amor, sem jamais destruir as pontes de comunicação com a força misericordiosa de Deus, como vemos no Evangelho (Mt 13,24-43).

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Dominical:


“Na terra, o trigo está sempre misturado com o joio, e a linha de demarcação entre um e outro não passa pelas páginas dos registros paroquiais ou pelas fronteiras dos países; está no coração e na consciência de cada homem. Deve-se sempre recordar que a separação entre os bons e os maus só será feita depois da morte”.(1)

Aprendamos com Deus a viver a divina paciência diante das dificuldades do mundo, com os que pensam e agem diferente de nós.

Ela é alcançada quando nos reconhecemos diante de Deus como frágeis criaturas modeladas pela Mão Divina, e nos configuramos a Jesus Cristo, que Se apresentou a nós manso e humilde de coração.

Cabe a Deus o julgamento final, não nos cabe catalogar as pessoas entre trigo e joio. Ao contrário, é preciso que nosso coração seja entranhado pela misericórdia e paciência divina, para que sejamos puro trigo de Deus em Sua seara.

Somente a abertura e acolhida do Espírito e a vivência da Palavra que Jesus nos comunicou, nos farão verdadeiramente puros trigos de Deus.


(1) Missal Dominical – Editora Paulus - pág. 749. 

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