sexta-feira, 3 de julho de 2026

Chagas/Pétalas

                                                           

“Tive suplício entre dois
Que não eram quem mostrava.
Morri como eles morreram,
Morto ainda me matavam...

Cinco pétalas que eu tinha
Em cinco Chagas abriram
Com uma lança depois
Meu Coração descobriram..."
(Fernando Pessoa)

Chagas/Pétalas

Ó impressionantes Chagas/Pétalas!

Chagas doloridas do Senhor
São como as mais belas pétalas,
Exalantes do mais belo Amor,
Morte cruenta que o mundo redimiu.

Contemplo silenciosamente,
à luz da poesia de Pessoa,
Mergulho em reflexões, deleitosamente,
Sobre as Santas Chagas do Redentor.

Nas asas do Espírito voo, medito, contemplo
As chagas expostas de um enfermo,
No qual Cristo Se faz presença
Para ser amado, pois é d’Ele seu templo.

Chagas/Pétalas, tantas do cotidiano,
Abertas, tão ardentes, clamantes,
À espera de quem as cure,
Sem indiferença aos gritos delirantes

Chagas/Pétalas, outras perfumadas,
Da vitória do Corpo Ressuscitado:
Cinco Chagas resplandecentes, vitoriosas
Do Filho tão amado, Glorificado.

Chagas/Pétalas com odores de alegria,
Que dos céus nos caem abundantes
Em famílias que vivem a ternura,
Valores outros mais do que edificantes.

Chagas/Pétalas de amores vivenciados,
Em compromissos com o Reino renovados,
Por um mundo mais justo e fraterno,
Por Deus, para nós desejado e sonhado.

Ó impressionantes Chagas/Pétalas!
Ora exalam perfumes deliciosos,
Ora nem tanto assim,

Porém, não fossem as Chagas do Crucificado,
Não haveria as Chagas do Ressuscitado!

“Bem-aventurados os que creram sem nunca terem visto”

                                                        

“Bem-aventurados os que creram sem nunca terem visto”

No 2º Domingo da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 20,19-31), na qual encontramos a profissão de fé feita por Tomé, diante da manifestação do Ressuscitado – “Meu Senhor e meu Deus”.

Vemos o itinerário da profissão de fé feito por Tomé, ausente na primeira vez em que Jesus apareceu aos Apóstolos, e depois, quando presente, faz a grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.

Tomé é proclamado bem-aventurado porque viu e tocou as Chagas gloriosas do Ressuscitado, e Jesus nos diz que felizes são aqueles que creram sem nunca terem visto, nem tocado.

Tomé toca exatamente onde nascemos e nos nutrimos: no coração de Jesus, do qual jorrou Sangue e Água: Batismo e Eucaristia.

Esta é uma mensagem essencialmente catequética, que nos convida a renovar hoje e sempre a nossa fé: somos felizes porque cremos sem nunca termos visto e nem tocado: a experiência vivida por Tomé não foi exclusiva das primeiras testemunhas do Ressuscitado, e pode ser vivida por todos os cristãos de todos os tempos.

Reflitamos:

- Creio na presença de Jesus Ressuscitado na vida da Igreja?
- Sinto a presença e ação do Ressuscitado em minha vida?
- Como testemunhamos a fé no Cristo vivo e Ressuscitado?

Oremos:

Deus todo-poderoso, concedei-nos que a exemplo do Apóstolo São Tomé, sejamos sempre sustentados por sua proteção 
e tenhamos a vida nova segundo o Espírito, 
vivendo a fé no Cristo que ele reconheceu como Senhor.
Nós Vos pedimos pelo mesmo Cristo e Nosso Senhor, 
na comunhão com o Espírito Santo. 
Amém. Aleluia!

Curai-me, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

                                                           


Curai-me, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

Senhor, em meu silêncio orante,
Coloco-me em Vossas mãos...
Sei que a Vida venceu a morte!
O Senhor Ressuscitou! Aleluia!

Sei que tudo posso n’Aquele que me fortalece (Fl 4,13)
Sei em quem pus minha vitoriosa confiança.
Sei que estais, silenciosamente, ao meu lado.
Sei que sois meu defensor, meu refúgio...

É  Páscoa! Não há mais lugar para o antigo inimigo.
Ele que inaugurou sua ação no Paraíso,
Pelo Filho Amado na Morte de Cruz foi vencido,
O veneno da serpente cedeu lugar ao Sangue Divinal.

É Páscoa! A luz se fez clara como o dia,
O medo foi vencido pela coragem Pascal,
A alegria invadiu e transbordou no coração dos discípulos...
E assim se fez: fomos curados, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

Como os discípulos de Emaús eu Vos peço:
Ficai comigo, Senhor, e com Vossa Igreja!
Mais uma vez, minhas mãos estendo e suplico:
Curai-me, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

Sei que sois minha rocha, minha fortaleza...
Sei que Vós tendes a última Palavra.

Sequemos nossas lágrimas!
Sejamos curados pelas Santas Chagas do Amor!

Amém. Aleluia!

“Meu Senhor e meu Deus”

                                            

“Meu Senhor e meu Deus”

Era o primeiro dia da semana... Um acontecimento memorável que marcou a vida dos primeiros discípulos, e, para sempre, a vida da Igreja, irradiando a luz que jamais se apaga, porque foi a manifestação gloriosa do Senhor Jesus, vivo e Ressuscitado.

Portas fechadas por medo dos judeus, compreensível, pois o que haviam feito ao Divino Mestre, poderiam o mesmo fazer com Seus discípulos seguidores. Quem não ficaria com medo diante do trágico acontecimento, da crudelíssima morte do Justo, Santo e Inocente?

Inspirado na passagem do Evangelho de João (20,19-31), apresento uma súplica, a fim de que nossas forças sejam renovadas, e também o nosso compromisso batismal, para que sal e luz da terra sejamos, vida nova, no Espírito, vivamos, gosto de Deus ao mundo demos

Oremos:

Senhor Jesus Ressuscitado, creio que para Vós não há porta e absolutamente nada que impeça Sua ação. Suplico-Vos, rompei a porta de meu coração, para nele fazer Vossa morada, e assim eu Vos acolha como o mais belo Hóspede.

Senhor, afastai de nós todo medo que possa nos fragilizar. Medo de tantos nomes, sobretudo nos momentos difíceis por que passamos. Vossa divina presença, Senhor, nos dá segurança, porque sois nosso refúgio, nosso escudo, nossa luz e proteção.

Senhor, ficai no centro de minha vida, assim como da comunidade que participo. Que absolutamente nada ocupe a centralidade em minha vida. Que eu saiba buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais me será acrescentado, como Vós mesmo nos dissestes e nos assegurais.

Senhor, Vossa divina presença é para nós a comunicação da alegria, mas não a alegria ilusória e passageira que o mundo dá, e que nos afasta da verdadeira alegria, que somente de Vós procede. Pois Vós também dissestes, que somente Vós podeis nos dar a plena alegria.

Senhor Jesus, dai-me a Vossa paz, o Shalom, a plenitude de todos os bens, dons. Somente em Vós e convosco, eu encontro a paz plena, que não significa a ausência de problemas, ou uma falsa paz conseguida com drogas ou coisa semelhante, mas com seu alto preço consequente.

Senhor Jesus, como é maravilhoso poder contar com o Vosso sopro, que nos comunica a presença e ação do Espírito, que não nos permite que nos sintamos órfãos, e nos envia em missão para remissão dos pecados, inauguração de novos tempos, novos relacionamentos, mundo novo e reconciliado.

Senhor, unido ao Mistério de Vossa Paixão, em comunhão com Vossas Chagas dolorosas, cremos que sois vitorioso, glorioso, e que estais sentado à direita do Pai. Sem ter visto e nem tocado, como Tomé, também digo: “Meu Senhor e meu Deus”, exultante de alegria pelas Vossas Chagas gloriosas.

Senhor, renovo minha fé, e assim como Vosso Apóstolo Pedro nos exortou, quero testemunhá-la com a esperança que não murcha, que floresce em terrenos áridos e sombrios, porque impelido pelo Vosso amor que não passa, e o coração para sempre inflama. Amém. Aleluia.

Quem, por medo, as portas não fecharia?

                                           


Quem, por medo, as portas não fecharia?

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas,
por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-Se no meio deles, disse:  ‘A paz esteja convosco’”(Jo 20,19)
 
Quem a portas, por medo, não fecharia?
Eliminaram a vida do Amado, em quem tanto confiávamos.
Esperanças e confiança, com eles mortas, para sempre enterradas!
 
Enterradas?
Não. Definitivamente não!
Ressuscitou como disse. Aleluia!
 
Não há portas que possam impedir Sua nova presença.
Ele vive e está entre nós, O Primeiro e o último.
Aquele que vive, nos falou o discípulo amado(cf. Ap 1,17).
 
“Estive morto, mas agora estou vivo para sempre.
Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos.
Escreve, pois o que viste, aquilo que está acontecendo
E que vai acontecer depois.” (cf. Ap. 1,18)
 
Com Ele vivo e Ressuscitado,
O início de uma nova criação,
Primeiro dia da semana.
 
Centralidade em nossas vidas em todos os momentos e lugar
Com Ele, por Ele, para Ele todo o nosso existir.
Com o sopro do Seu Espírito, há uma missão a cumprir.
 
Suas chagas que na sexta-feira escura da dor paixão e morte,
A mansão dos mortos, o sepulcro por amor visitou.
Mas o Pai, para sempre, em mesmo amor, glorificou.
 
Vive, para sempre, Aquele que tantos nos amou.
Viveremos para sempre por quem tanto nos amou.
Peregrinando na esperança, fiéis a divina missão
Que à Sua Igreja, com o Santo Espírito nos confiou. 
 
Vençamos todo o cansaço, todo o medo.
Anunciar o mundo o mais belo segredo de quem crê:
Nada mais será como antes. Ressuscitou Aleluia.
 
Quem, por medo, as portas não fecharia?
Mas agora não pode impedir o anúncio,
Corajoso testemunho. Aleluia! Aleluia!

No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

                                                                 



No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

“Ó Deus, ao participarmos da alegria da Salvação que encheu de júbilo são Mateus, recebendo o Salvador em sua casa, concedei sejamos sempre refeitos à mesa d’Aquele que veio chamar
à salvação não os justos, mas os pecadores.
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”(1)

Mateus, a mesa para o Senhor e os pecadores preparou.
Pouco mais tarde é o Senhor quem o mesmo faria,
Mas não apenas a mesa prepararia...

Mais que mesa preparada, servo na Santa Ceia Se fez
E melhor Alimento a Mateus e a nós ofereceu:
Seu Corpo verdadeira Comida, Seu Sangue verdadeira Bebida.

No banquete de Mateus há um sustento necessário, provisório,
No Banquete do Divino, o Cordeiro, Alimento de eternidade,
Que nos compromete com o presente, Reino de Fraternidade.

No banquete de Mateus, acolhida e amizade partilhadas;
Refazem-se os laços fraternos, sinaliza-se a urgência da comunhão,
Banquete da misericórdia, sem barreiras e exclusão.

No Banquete do Deus da Vida, Eucaristia recebida,
Refeitos nós somos para continuarmos longa travessia,
Comprometidos com a defesa da vida, com a Força da Eucaristia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para o sonho, o canto, a luta, a poesia;
Refeitos na coragem para reavivar a chama da profecia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para atenta escuta aos clamores que procedem
Dos esmagados, pisoteados, marginalizados, sofridos.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, renovados, restaurados, reconciliados,
Pecados destruídos, vida nova celebrada e vivida.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, olhos abertos para caminhos novos,
Enriquecidos para viver as divinas virtudes.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, porque nossa alma tão bem enriquecida
De todos os dons preciosos, tão divinos, tão necessários.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para as mãos generosas estender,
Aquecer, abençoar, cuidar, plantar...

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para a alegria da solidariedade, da comunhão...
Compromissos renovados para construir mundo mais irmão.


PS: Inspirado na  Oração pós-Comunhão da Festa de São Mateus (1) 

A esperança da vida plena e feliz

                                                   


A esperança da vida plena e feliz

Sejamos iluminados pelo início da chamada Carta de Barnabé (Séc. II), em que nos fala da esperança da vida como o início e o fim de nossa fé.

“Saúdo-vos na paz, filhos e filhas, em nome do Senhor que nos ama.
Por serem grandes e preciosas as liberalidades que Deus vos concedeu, mais que tudo e intensamente me alegro por vos saber felizes e esclarecidos. Pois assim acolhestes a graça do dom espiritual, enxertada na alma. Por isto ainda mais me felicito com a esperança de ser salvo, ao ver realmente derramado sobre vós o Espírito vindo da copiosa fonte do Senhor.

Estou plenamente convencido e consciente de que ao falar convosco vos ensinei muitas coisas, porque o Senhor me acompanhou no caminho da justiça; e sinto-me fortemente impelido a amar-vos mais do que a minha vida, porque são grandes a fé e a caridade que existem em vós pela esperança da vida.

Tendo em consideração que, se é de meu interesse por vossa causa partilhar convosco algo do que recebi, será minha paga servir a tais pessoas. Decidi, então, escrever-vos poucas palavras, para que, junto com a fé, tenhais perfeita ciência.

São três os preceitos do Senhor: a esperança da vida, início e fim de nossa fé; a justiça, início e fim do direito; caridade alegre e jovial, testemunho das obras de justiça.

Pelos profetas, o Senhor fez-nos conhecer as coisas passadas, as presentes e deu-nos saborear as primícias das futuras. Ao vermos tudo acontecer por ordem, tal como falou, devemos nós, mais ricos e seguros, assimilar o Seu temor.

Quanto a mim, não como mestre, mas como um de vós, mostrarei alguns poucos pontos, pelos quais vos alegrareis nas circunstâncias atuais.

Nestes dias maus, Ele mostra Seu poder; empenhemo-nos, pois, de coração em perscrutar os Mandamentos do Senhor. Nossos auxiliares são o temor e a paciência; apoiam-nos a generosidade e a continência que, aos olhos do Senhor, permanecem castas, no convívio da sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento.

Todos os profetas nos revelaram não ter Ele necessidade de sacrifícios nem de holocaustos nem de oblações, dizendo: ‘Que tenho a ver com a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto de holocaustos, de gorduras dos cordeiros; não quero o sangue de touros e de cabritos, mesmo que venhais à minha presença. Quem exige isto de vossas mãos? Não pisareis mais em meus átrios. Trazeis oblações de farinha? Será em vão. O incenso me é abominável; vossos novilúnios e solenidades, não as suporto (cf. Is 1,11-13)”.

Como discípulos missionários do Senhor, empenhemo-nos em viver os três preceitos do Senhor que Barnabé nos apresenta:

- “a esperança da vida, início e fim de nossa fé”;
- “a justiça, início e fim do direito”;
- “a caridade alegre e jovial, testemunho das obras de justiça”.

Oremos:

Ó Deus de bondade, ajudai-nos a fazer progresso no temor de Vós, com a paciência necessária para que vejamos florir e frutificar frutos de amor e justiça no mundo em que vivemos.

Concedei-nos a generosidade e a continência, e que elas permaneçam puras, vivendo com sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento dos Vossos desígnios, ontem, hoje e sempre.

Fortalecei a esperança da vida plena e feliz, que é o início e o fim de nossa fé, quando parecer não mais haver sinais de esperança, e não tenha a última palavra a cultura da morte.

Ajudai-nos a buscar primeiro o Vosso Reino e a justiça, e tudo o mais nos será acrescentado, fiéis à fé que professamos e à Doutrina que nos conduz.

Revigorai em nossos corações a caridade alegre e jovial, a fim de que elas sejam testemunhos credíveis das obras de justiça dentro e fora da Igreja, em todos os âmbitos, na fidelidade a Jesus e com o Santo Espírito. Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG