sexta-feira, 3 de julho de 2026

“Cuidemos de nossa casa comum”

        



“Cuidemos de nossa casa comum”
 
Em 2016, a Igreja no Brasil realizou a IV Campanha da Fraternidade Ecumênica, com um tema extremamente atual, complexo e desafiador: “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o Lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).
 
Retomamos a temática com a Campanha da Fraternidade de 2025, com o tema - "Fraternidade e Ecologia Integral", e com o lema -"Deus viu que tudo era muito bom" (cf. Gn 1,31).
 
Oportuno retomar os sete “erres” que, cada vez mais, devem fazer parte de nossa vida:
 
- Repensar os nossos hábitos de consumo e comportamentos. Vejamos onde podemos economizar e evitar a produção de lixo; 

- Reduzir o consumo e o uso de embalagens e produtos não recicláveis; 

- Reaproveitar materiais, papéis, embalagens etc., que muitas vezes vão para o lixo, mas que poderiam continuar sendo usados ou doados para outras pes­soas; 

- Reciclar, fazendo a separação/coleta seletiva do lixo; reciclá-lo ou doá-lo para quem o recicla (muitas pessoas ganham o próprio sustento e da família com este trabalho); 

- Recusar produtos descartáveis como plásticos e outros produtos que prejudicam o ecossistema; 

- Reparar produtos, prolongando sua vida útil; 

- Reintegrar restos de alimentos e outros materiais orgânicos à natureza, através da compostagem.

Com estas ações, que não exigem grande esforço, ao mesmo tempo em que cuidamos do Planeta, estaremos fazendo bem a nós mesmos e aos outros, e, com isto, exercitando a caridade fraterna.
 
Cuidemos do nosso Planeta, nossa Casa Comum, com a consciência de que devemos preservá-lo para as gerações que virão. Se não nos convertermos no uso das coisas, na relação com elas, estaremos comprometendo não somente o futuro, mas já também o presente, haja vista os acidentes e tragédias ambientais que vemos nos noticiários e bem perto de nós.
 


Curai, Senhor, a chaga de nossa incredulidade!

                                                           

 

Curai, Senhor, a chaga de nossa incredulidade!

                  “Ó frutuosa incredulidade para a nossa fé!”

 
Sejamos enriquecidos pela homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), sobre o apóstolo São Tomé:


“Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar.

Veio de novo o Senhor, e mostrou Seu lado ao discípulo incrédulo para que O pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de Suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé.

Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu Mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé.

A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé.

Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da Ressurreição. Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29).

Ora, como diz o Apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. 

De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste?
 
É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que Ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas O possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé.

Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar: A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).”

Somente quando o Ressuscitado apareceu, oito dias depois, é que ele se encontrava e tocando as Chagas do Senhor, fez a grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.

Terá sido por acaso este acontecimento?  Não! Absolutamente!

As chagas de nossa falta de fé foram então curadas pelo gesto de Tomé. Ele expressou a nossa humanidade às vezes incrédula, cética, ateia, indiferente e materialista em demasia…

Bem afirmou o Papa São Gregório Magno: “… ao apalpar as Chagas do Corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé…”

Tomé teve a coragem de, ao tocar as Chagas de Nosso Senhor, expor suas e nossas chagas, com toda sinceridade, sem hipocrisia e artificialismos, e possibilitou que pudéssemos fazer nosso ato de fé, para do Senhor ouvirmos: “Você acreditou porque me viu. Felizes aqueles que creem sem ter visto!”

Este apóstolo do Senhor fez um impressionante itinerário na caminhada de fé: passou do realismo humano ao conhecimento no Espírito; viu e testemunhou a realidade de Paixão e Morte de Jesus, e pôde professar a fé no Cristo Ressuscitado, quando Ele Se manifestou pela segunda vez aos discípulos, que reunidos estavam, de portas fechadas.
   
Não precisamos mais ficar envoltos e submersos na obscuridade da falta da fé, pois Tomé nos possibilitou, e em todo tempo, professar ao mundo que as dolorosas Chagas não tiveram a última palavra. Cremos nas Chagas gloriosas do Ressuscitado. Somos Pascais.
 
Urge que nossa fé seja verdadeiramente Pascal, e assim, digamos como Tomé, ainda que não tenhamos visto e nem tocado Jesus Ressuscitado: “Meu Senhor e meu Deus!”.

Ó bendita incredulidade de Tomé, que afastou de nós a mesma possibilidade da falta de fé, que imobiliza, paralisa, sem sonhos, perspectivas, horizontes de eternidade.
 
Possibilitou, também, em certo sentido, fazer de Tomé o primeiro devoto do trespassado e misericordioso Coração de Jesus!

Bendita incredulidade de Tomé, que cedeu lugar a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”.

A profissão de fé de Tomé suscita em nós a proclamação da nossa fé no Ressuscitado, e agora é preciso coragem e ardor para anunciar e testemunhar com palavras e obras:

Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!

 

Curai, Senhor, pelas Vossas santas e vitoriosas Chagas,

Nossas medíocres e doloridas chagas da incredulidade,

Da falta de esperança, da ausência da revigorada confiança,

Para que a caridade seja força que tudo supera e alcança!

 

Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!

 

Fazei, Senhor, que passemos da incredulidade à fé.

Do infantilismo da fé à maturidade da mesma.

Da imaturidade ao amadurecimento espiritual,

Para que do Ressuscitado sejamos um pequeno sinal!

 

Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!

 

Ó ingratas chagas de nossa humana incredulidade!

Ó Santas Chagas Vitoriosas do Ressuscitado!

Ó gesto tão solene, tão corajoso e sincero de Tomé,

Possibilitou-nos saltos qualitativos em nossa fé!

 

 Deus em Sua extrema clemência sempre nos surpreende.

E Seu Amor é verdadeiramente surpreendente,

pois quem ama surpreende!

Amém. Aleluia! 

  

PS: Oportuna para o 2º domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 20,19-31), ou Jo 20,24-29),  em que Tomé faz a sua profissão de fé vendo e tocando nas chagas gloriosas do Cristo Ressuscitado, e também para o dia 03 de julho quando celebramos a sua Festa.


As cicatrizes do Ressuscitado

                                             

As cicatrizes do Ressuscitado

Sejamos enriquecidos por este trecho do Sermão de Santo Agostinho (séc. V), para melhor compreensão da passagem do Evangelho de João (Jo 20,19-31):

“Não lhes bastou vê-Lo com os próprios olhos: quiseram apalpar com as mãos seu corpo e as cicatrizes das feridas recentes; até o ponto de que o discípulo que tinha duvidado, tão prontamente como tocou e reconheceu as cicatrizes, exclamou: ‘Meu Senhor e Meu Deus!’ Aquelas cicatrizes eram as credenciais d’Aquele que tinha curado as feridas dos demais.

O Senhor não podia ressuscitar sem as cicatrizes? Sem dúvida, mas sabia que no coração de seus discípulos ficavam feridas que haveriam de ser curadas pelas cicatrizes conservadas em seu corpo. E o que respondeu o Senhor ao discípulo que, reconhecendo-O por seu Deus, exclamou: meu Senhor e meu Deus’? Disse-lhe: ‘Crestes porque me vistes? Bem-aventurados os que creram sem terem visto’....”   (1)

Como discípulos missionários do Senhor, façamos nossa profissão de fé no Cristo glorioso, Ressuscitado, e sejamos os bem-aventurados que creem sem nunca terem visto o Senhor.

O Círio Pascal, que acendemos na Vigília Pascal, lembra-nos que Jesus Cristo Ressuscitado é o princípio e o fim (Alfa e ômega), o mesmo ontem e hoje, e a Ele o tempo e a eternidade, a glória e o poder, pelos séculos sem fim.

Contemplemos as Chagas Gloriosas do Senhor, suas credenciais, as cicatrizes de Seu corpo glorioso, como nos falou o bispo, e sejam elas a cura de nossas feridas de nomes diversos.

Contemplando as Chagas Gloriosas do Senhor, revigorados na fé, fortalecidos na esperança, sejamos inflamados na caridade, comprometidos com quem padece as chagas no corpo, como a fome, abandono, exilados de suas terras e raízes...

Com Tomé, também digamos – “Meu Senhor e Meu Deus”, e como Tomé, que derramou seu sangue por amor ao Senhor, tenhamos a coragem para ser testemunhas do Ressuscitado. Amém. 

Com Tomé digamos: “Meu Senhor e meu Deus”.

                                                              

Com Tomé digamos:  “Meu Senhor e meu Deus”.

Na celebração da Festa do Apóstolo São Tomé, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 20,24-29), e refletimos sobre o itinerário da profissão de fé feito por Tomé, ausente na primeira vez em que Jesus apareceu aos Apóstolos, e depois, quando presente, faz a grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.

Tomé é proclamado bem-aventurado porque viu e tocou as Chagas gloriosas do Ressuscitado, e Jesus nos diz que felizes são aqueles que creram sem nunca terem visto, nem tocado.

Tomé toca exatamente onde nascemos e nos nutrimos: no coração de Jesus, do qual jorrou Sangue e Água: Batismo e Eucaristia.

Esta é uma mensagem essencialmente catequética, que nos convida a renovar hoje e sempre a nossa fé: somos felizes porque cremos sem nunca ter visto nem tocado.

A experiência vivida por Tomé não foi exclusiva das primeiras testemunhas do Ressuscitado, e pode ser vivida por todos os cristãos de todos os tempos.

Reflitamos:

- Creio na presença de Jesus Ressuscitado na vida da Igreja?
- Sinto a presença e ação do Ressuscitado em minha vida?
- Como testemunhamos a fé no Cristo vivo e Ressuscitado?


Oremos:

“Deus todo-poderoso, concedei-nos celebrar com alegria a Festa do Apóstolo São Tomé, para que sejamos sempre sustentados por sua proteção e tenhamos a vida pela fé no Cristo que ele reconheceu como Senhor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

PS: Festa celebrada dia 03 de julho

São Tomé viu e tocou as chagas gloriosas do Senhor

                                                             

São Tomé viu e tocou as chagas gloriosas do Senhor

Ao celebrarmos a Festa do Apóstolo São Tomé, ouvimos a passagem do Evangelho de São João (Jo 20,24-29), em que Jesus Se manifesta no centro da comunidade, reunida no primeiro dia da semana, com as portas fechadas, com medo dos judeus.

Da mesma forma, oito dias depois, agora com a presença de Tomé e a sua profissão de fé, quando toca as Chagas gloriosas do Senhor.

Vejamos o que nos diz o Bispo e Doutor Santo Agostinho (séc. V):

“Não lhes bastou vê-Lo com os próprios olhos, quiseram apalpar com as mãos Seu corpo e as cicatrizes das feridas recentes; até o ponto de que o discípulo que tinha duvidado, tão prontamente como tocou e reconheceu as cicatrizes, exclamou: Meu Senhor e Meu Deus! Aquelas cicatrizes eram as credenciais d’Aquele que tinha curado as feridas dos demais.

O Senhor não podia ressuscitar sem as cicatrizes? Sem dúvida, mas sabia que no coração de Seus discípulos ficaram feridas que haveriam de ser curadas pelas cicatrizes conservadas em Seu corpo. E o que respondeu o Senhor ao discípulo que, reconhecendo-O por seu Deus, exclamou: Meu Senhor e meu Deus? Disse-lhe: Crestes porque me vistes? Bem-aventurados os que creram sem terem visto.

A quem chamou de bem-aventurados, irmãos, senão a nós? E não somente a nós, mas a todos os que venham depois de nós. Porque, não muito tempo depois, tendo-Se apartado de seus olhos mortais para fortalecer a fé em seus corações, todos os que doravante crerão n’Ele, crerão sem ver-Lhe, e sua fé teve grande mérito: para conquistar essa fé, mobilizaram unicamente Seu piedoso coração, e não o coração e a mão comprovadora.”  (1)

Deus nos concede a graça de sermos chamados Bem-aventurados, porque cremos sem nunca ter visto, sem nunca ter tocado.

A profissão de fé de Tomé possibilitou que também viéssemos a afirmar nossa fé no Cristo Vivo, Glorioso, Ressuscitado, Aquele que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
Roguemos ao Senhor que cure nossas cicatrizes de tantos nomes, para que curados por suas gloriosas Chagas, nos coloquemos em atitude de anunciadores e testemunhas de Sua Palavra e Projeto de Vida Plena para todos.

Não permitamos que as dificuldades que ferem nossos sonhos, levem-nos a perder a fé nas gloriosas Chagas, crendo que as chagas provisórias podem nelas se transformar e nos conduzir a novos espaços e sagrados compromissos.

Como Tomé, é preciso que creiamos, tenhamos uma fé no poder de Deus, que cura as feridas e cicatrizes de nossa alma, portanto, supliquemos sempre:

“Meu Senhor e Meu Deus!” Curai-me. Fortalecei-me. Enviai-me para Vos testemunhar com fidelidade, coragem e ardor. Amém. Aleluia



(1)         Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.597
PS: Festa celebrada dia 03 de julho.

Vive e caminha conosco, quem tanto amamos

                                              


         Vive e caminha conosco, quem tanto amamos
 
Voltávamos, trocando passos lentos com a solidão,
Cabisbaixos, abraçados com a dor da decepção.
Em quem depositávamos toda a nossa esperança,
No corpo cravado na cruz, pelas dolorosas chagas,
com Ele, para sempre mortas, nada mais a esperar.
 
Restava-nos esperar dias e noites - eternas noites escuras,
Ainda que o sol nascesse, não mais luzes teríamos,
No caminho pedras, obstáculos, fragilidade eternizada,
Tampouco o brilho da lua tornaria encantada a noite,
Nem com o brilho de todas as estrelas multiplicadas.
 
Mas Alguém conosco se pôs a caminho,
Suportando a lentidão de nossa mente,
Para compreender a novidade da Ressurreição.
Suas divinas palavras, arderam em nosso coração,
Nossos olhos descerraram no partir do Pão.
 
Solícito, atendeu ao nosso insistente convite:
“Fica conosco, pois já é tarde e o dia está declinando’!”(1)
Súplica que ora também fazemos, confiantes,
Peregrinos da esperança para viver a graça da missão:
Amar, crer, e n’Ele sempre esperar.
 
Amar, como distintivo de discípulos Seus em todo tempo.
Amar como Ele ama: amor de cruz, que ama até o fim,
Até a última gota de sangue, com gestos de  serviço e doação.
Compromissos batismais com a Boa Nova do Reino,
Como Igreja, juntos caminhando, sempre a caminho. 
 
Crer n’Ele, o Caminho, Verdade e Vida, (2)
Crer n’Ele, o Caminho que nos leva ao Pai;
Crer n’Ele, a Verdade que ilumina os povos;
Crer n’Ele, a Vida que renova o mundo.
Ele, princípio e fim de nossa vida: Alfa e Ômega. (3)
 
Esperar n’Ele e com Ele, com plena confiança,
Porque o amor de Deus foi derramado, pelo Espírito,
Em nossos corações, e a esperança não decepciona.
Memoráveis palavras do Apóstolo ressoem (4)
Para sempre ao longo do árduo caminho. Amém.
 
  
(1)             Lc 24,29
(2)             Jo 14,6
(3)             Ap 22,13
(4)             
Rm 5,5

Urge ouvir os clamores dos empobrecidos!

                                     

Urge ouvir os clamores dos empobrecidos!

Igreja, “perita em humanidade” possui sua Doutrina Social. Trata-se do conjunto de princípios de reflexão, critérios de julgamento e diretrizes de ação, nos diversos campos (político, social, econômico, cultural), na perspectiva ética e moral, que é o ensino social da Igreja a todos os seus fiéis.

A Doutrina Social da Igreja (DSI) é a concretização do essencial da fé cristã: amor a Deus e ao próximo. É a ação cristã que leva a transparecer Cristo, que transforma corações e estruturas injustas criadas pelos homens.

Tem como fundamento a dignidade da pessoa humana e seus direitos inalienáveis; a inseparabilidade da caridade, justiça e paz para o verdadeiro progresso da humanidade.  

Portanto, é a mensagem evangélica e as exigências éticas diante dos problemas que surgem na vida e na sociedade. Várias são as passagens bíblicas que a fundamentam: Êxodo 20,1-17; Mateus 10,40-42; Mateus 25, 31-46; Lucas 4,16-21; Lucas 16,19-31, Epístola de São Tiago, etc.

Instituída pelo Papa Leão XIII, no século XIX, porém, foi fruto de uma longa história, tendo como fonte a Sagrada Escritura, a Tradição do Magistério e o pensamento dos Santos Padres (início da Igreja).

A segunda etapa pode ser situada no pós-Vaticano II, sobretudo com o Papa João Paulo II e, ricamente, aprofundada por Bento XVI em suas Encíclicas, mais recentemente em “Caritas in Veritate”.

A DSI tem à sua frente inquietantes e atuais desafios: a realidade gritante de miséria; desigualdade social; violação da dignidade humana; violação da sacralidade da vida; resposta à emergência da solidariedade e subsidiariedade (responsabilidade em diversos níveis); necessária superação das distâncias que separam a humanidade com brutais desigualdades; fortalecimento da opção preferencial pelos pobres; fortalecimento do primado da pessoa sobre as estruturas; renovação de pessoas e estruturas; a questão da propriedade privada e da hipoteca social...

Não cabe a Igreja dar respostas prontas aos problemas sociais, mas é sua tarefa, inadiável e intransferível, iluminar caminhos e propostas que assegurem o bem-estar social de todos os povos, bem como o desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens, como já nos falava o Papa São Paulo VI.

Conhecendo um pouco mais a Doutrina Social da Igreja, aprofundemos nossa espiritualidade cristã, buscando maior participação na sociedade, com maior sensibilidade diante dos gravíssimos problemas sociais que passamos...

Ainda imperam inúmeros sinais de morte, não podemos nos omitir; tampouco fechar a boca e os ouvidos, menos ainda cruzar os braços!  

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG