segunda-feira, 11 de maio de 2026

Como se fossem pássaros... Mas... por onde andam?

                                                  

Como se fossem pássaros...
Mas... por onde andam?

Temos pessoas que nos lembram os pássaros...
Pássaros humanos que Deus coloca em nosso caminho
Em alguns momentos marcantes na caminhada de fé.

Há pessoas que como águias nos levam a voos maravilhosos,
Ao encontro da sabedoria do Altíssimo, tão divina, tão bela.
Voamos nas asas das palavras carregadas desta sabedoria.

Como águias nos apontam o destino que marca a fé:
Buscar as coisas do alto e não debaixo, incansavelmente,
Lá onde Deus habita, como bem disse Paulo aos Colossenses.

Como águias nos ajudam a olhar para baixo, para o cotidiano...
Ensinam-nos que, para fazer a travessia do vale de lágrimas, 
a fé é mais do que preciso, pois com Deus tudo é possível.

Há pessoas que como gaivotas nos levam 
a buscar o alimento no mar,
Em voos certeiros, e sempre com o alimento à boca para sobreviver,
Mergulham no mar tão profundo que oculta tantos mistérios...

Como gaivotas nos apontam a busca do tão apenas essencial,
Para que não procuremos o supérfluo, o acúmulo.
Tão apenas o necessário: o pão de cada dia nos dai hoje...

Como gaivotas nos apontam onde se encontra o Alimento,
Não mais no mar propriamente dito, mas na Mesa Santa da Palavra
E em outra inseparável: 
a Mesa do Pão Eterno, dulcíssimo Sacramento.

Há pessoas que como beija-flores 
nos ensinam a sugar o néctar das flores.
Incansável no abanar das asas, sem pouso, 
sem descanso, o tempo suficiente,
Para que alimentado, retome o voo para retornar noutro momento.

Como beija-flores nos ensinam a sugar o néctar da vida,
Que encontramos naqueles que são puros de coração;
Naqueles que promovem a justiça, comprometidos com a paz.

Como beija-flores nos ensinam a ir e vir à procura do néctar,
Do mais precioso néctar da eternidade que encontramos
No coração daqueles que não se furtam 
dos compromissos com a fraternidade.

Águias, gaivotas, beija-flores, os vejo voando...
Águias, gaivotas, beija-flores os vejo anunciando.
Águias, gaivotas, beija-flores, a Palavra pregando.

Assim foi e será a vida da Igreja.
Assim é a missão evangelizadora.

Com a Igreja, dando os  passos na caminhada de fé,
Precisamos de alguém que nos ensine sagrados voos:
Águias, gaivotas, beija-flores, são mais que precisos.

Por onde eles andam? Eu bem sei.
Por onde eles andam? Bem sabemos.

Sejamos também como eles...
Ouçamos cada um deles
cantando na janela de tua alma...


PS: Dedicado às mães que, como "pássaros",  nos falam e cantam as coisas divinas.

Mães nos dão suporte e segurança (Mãe)

                                                   


 

Mães nos dão suporte e segurança


Diante do altar, um vaso com belas flores,
E era que se podia ver, porque notável,
Mas havia algo que quase imperceptível:
 
Com o olhar poético, contemplei os pés dos vasos.
Um deles, era uma pedra suporte
Dando ao vaso equilíbrio e sustentação.
 
A pedra silenciosa e ocultamente ali, diante dos olhares,
Assim acontece, por vezes, com nossas mães:
No cotidiano, imperceptíveis, e silenciosas...
 
Nos garante em muitos momentos e situações
Equilíbrio e sustentação de nossos sonhos e projetos,
E de seus lábios ouvimos: “coragem, você vai conseguir”.
 
Naquela manhã, quando parecia eternizar um problema,
Que pareceria para sempre um imenso pesadelo,
Dela ouvimos: “o pesadelo há de passar, não deixe de sonhar.”
 
E em tantos outros momentos em nossa vida,
Ali se encontra, se reinventando e dando suporte,
Porque, muitas vezes, como vasos sem os pés nos sentimos.
 
Ser mãe, no silêncio, oculta aos olhares,
Mas com o olhar que não se fecha,
Às angústias e dores de um filho.
 
Mãe é como uma “pedra que dá suporte”
A um vaso quebrado, que por vezes o somos,
Ali sempre presente, nosso carinho e gratidão. Amém. 

Enviai, Senhor, o Defensor, o Espírito da Verdade

                                            


Enviai, Senhor, o Defensor, o Espírito da Verdade
 
Senhor Jesus, Vossas Palavras nos aquecem e acalentam, quando ao partir, no Mistério de Paixão e Morte, em Vossa despedida, nos dissestes: “É bom para vós que Eu parta; se Eu não for não virá a vós o Defensor, mas, se Eu me for, Eu vo-lo mandarei” (Jo 16,7).
 
Senhor Jesus, também são preciosas Vossas Palavras que nos enchem de coragem e esperança:“O Espírito da Verdade vos conduzirá à plena verdade” Pois Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará” (Jo 16,13).
 
Senhor Jesus, no anúncio e testemunho de Vosso Evangelho, quão preciosa e insubstituível a presença do Vosso Espírito, que vem nos  iluminar, guiar, estimular a Igreja a interpretar sempre mais fundo a Vossa Palavra.
 
Senhor Jesus, com o Vosso Espírito, a Palavra de Deus não é um depósito de proposições cristalizadas, mas uma Palavra viva e eficaz que penetra nossa alma, no mais profundo de nós, iluminando os cantos mais obscuros que houver (Hb 4,12).
 
Senhor Jesus, com a assistência do Espírito da Verdade, o Defensor, temos a orientação para a plenitude da verdade, e também estímulo para a compreensão sempre nova e criativa da realidade em que nos encontramos.
 
Senhor Jesus, com Vosso Espírito da Verdade, somos revigorados para uma fidelidade de leitura e interpretação da Palavra Sagrada, a fim de que não incorramos em acomodações humanas, omissões ou conivências incoerentes com a Boa-Nova do Reino.
 
Senhor Jesus, enviai junto do Pai, onde estais, o Vosso Espírito da Verdade, pois Ele é nosso Defensor nesta dura e desafiadora travessia do deserto a ser feita, até que possamos alcançar outras margens por Vós para nós preparadas.
 
Senhor Jesus, enviai de junto do Pai, onde reinais na plena comunhão de amor, o Vosso Espírito, o Defensor, para que não nos curvemos diante das dificuldades, e jamais seja vacilante nossa fé, sem vida nossa esperança e inexpressiva a nossa caridade. Amém.


PS: Oportuna para a passagem do Evangelho de João (Jo 15,26-16,4a)

A ação do Espírito Santo pelo Batismo

                                                     


A ação do Espírito Santo pelo Batismo

Reflitamos a partir do Tratado sobre a Trindade, de Dídimo de Alexandria (Séc. IV) sobre a ação do Espírito Santo que recebemos ao sermos batizados e reintegrados na beleza primitiva! 

“O Espírito Santo, que é Deus juntamente com o Pai e o Filho, nos renova pelo Batismo; e do nosso estado de imperfeição, reintegra-nos na beleza primitiva.

Torna-nos de tal forma repletos de Sua graça, que não podemos admitir em nós qualquer coisa que não deva ser desejada. Além disso, liberta-nos do pecado e da morte. E de terrenos que somos, quer dizer, feitos do pó da terra, nos faz espirituais, participantes da glória divina, filhos e herdeiros de Deus Pai.

Faz-nos ainda conformes à imagem do Filho, seus coerdeiros e irmãos, destinados a ser um dia glorificados e a reinar com Ele. Em vez da terra, dá-nos de novo o céu, abre-nos generosamente as portas do paraíso, honra-nos mais do que os próprios Anjos.

E com as Águas Divinas do Batismo, apaga as imensas e inextinguíveis chamas do inferno...

Os homens são concebidos duas vezes: uma corporalmente, a outra, pelo divino Espírito. Acerca de um e de outro nascimento, escreveram muito bem os autores sagrados. Citarei o nome e a doutrina de cada um.

João diz: A todos que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,12-13).

Todos os que acreditaram em Cristo, afirma ele, receberam a capacidade de se tornarem filhos de Deus, quer dizer, do Espírito Santo, e participantes da natureza divina.

E para ficar bem claro que o Deus que gera é o Espírito Santo, acrescenta estas palavras de Cristo: Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3,5).

A fonte batismal dá à luz de maneira visível nosso corpo visível, pelo ministério dos Sacerdotes; mas o Espírito de Deus, invisível a todas as inteligências, é que batiza e regenera simultaneamente o corpo e a alma, pelo Ministério dos Anjos.

João Batista, historicamente e de acordo com esta expressão: da Água e do Espírito, diz a respeito de Cristo: Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11; Lc 3,16).

Como um vaso de barro, o homem precisa primeiro ser purificado pela água; em seguida, fortalecido e aperfeiçoado pelo fogo espiritual (Deus, com efeito, é um fogo devorador).

Precisamos, portanto, do Espírito Santo para nossa perfeição e renovação. Pois o fogo espiritual sabe também regar, e a água batismal é também capaz de queimar como o fogo”. (1)

Agradeçamos a Deus pela indescritível ação do Espírito naquele que O recebe, e é a maior graça que recebemos de nos tornarmos Sua morada.

Como diz São Basílio Magno: “o Espírito nos diviniza...”, e concluindo, renovemos nosso Batismo elevando a Deus este canto:

“Banhados em Cristo somos uma nova criatura, as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo. Aleluia, Aleluia...” 

(1) Liturgia das Horas - Volume II - Quaresma/Páscoa - p. 794-795

Em poucas palavras...

                                                 




O Espírito Santo nos acompanha em todo o tempo

“A vida cristã é vista, a um só tempo, como vida de tentação e de testemunho.

Por isso, Jesus liga uma à outra e ambas ao Espírito, que dará força e lealdade para o testemunho, assim como para a perseguição.

Sobretudo quando cada cristão não se esquece de seu dever de reforma e conversão permanente.”  (1)

 

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus, sobre a passagem do Evangelho de João (Jo 15,26-16,4a)- p. 450

domingo, 10 de maio de 2026

Pássaro solitário

                              

Pássaro solitário
 
“Espere no Senhor. Seja forte! Coragem!
Espere no Senhor.”
(Sl 27,14)

Como que sem vontade de voar,
Olhar fixo no horizonte do nada,
Por algum tempo, um pássaro ali parado.
E meu olhar fixo nele, à distância
 
Não queria que ele voasse.
Não por mais um instante.
Aquela solidão, um céu cinza de fundo,
Reportam à solidão de muitos,
 
Que também fixam o olhar
No horizonte do nada,
Sem mais esperança alguma:
Por que resistir? Melhor se entregar...
 
A solidão e o pássaro imóvel,
Um breve instante que soou como uma eternidade.
Assim, por vezes, alguém pode se sentir.
Mas é preciso bater asas,
 
Crer que o céu para sempre cinza, não ficará.
Mais cedo ou mais tarde, voltará o azul,
E também os voos em busca do melhor.
Forças revigoradas, asas bater, voar...
 
O pássaro e o cinza do céu,
Cenário do cotidiano que me fez pensar:
Se preciso, pousar e silenciar,
Ainda que por um instante.
 
Se dos olhos tristes lágrimas verterem,
Que não seja expressão de esforços em vão;
De ações multiplicadas inúteis e desgastantes.
 
O cinza do céu, apenas uma passagem,
Que na vida de todos presente pode estar,
Mas não para sempre, assim cremos.
 
Viver sem perder a fé e a esperança,
virtudes que se cultivam no coração,
de mãos dadas com a virtude maior:
 
O amor necessariamente renovado,
Novos céus há que se esperar e buscar...
 
A solidão e a aparente tristeza do pássaro,
O cinza do céu, o silêncio
O recolhimento, a oração...
 
Voemos nas asas do Espírito,
Que renova nossas forças,
Comunica graça e paz,
 
E derrama, copiosamente, o amor divino;
para voos mais altos e para o eterno,
Haveremos de, incansavelmente, buscar.
 Amém. Aleluia! Aleluia!

Quem fora prometido, veio em nosso socorro!

                                               


Quem fora prometido, veio em nosso socorro!
 
Saí a procura, pelas ruas, praças e jardins,
De alguém que comigo acredita no poder de sonhar.
Na certeza de que sonhos coletivos não serão apenas sonhos.
Porque uma luz de sagrados compromissos nasce inevitavelmente,
E acredita não serem, para sempre, as noites escuras da alma.
 
Vamos sonhar juntos a paz mais que desejável, possível,
Desde que não fique para amanhã, mas que começa no instante
Em que os pés se põem a caminho edificando pontes
Que aproximam, encurtam distâncias, fraternidade promovida.
Enamorados pela beleza da existência, sacralidade da vida.
 
Temos a fé que impulsiona, a esperança que não decepciona,
A caridade que, nas entranhas da coração de quem crê, inflama,
Com a presença e ação do Espírito que vem ao nosso encontro:
“Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradá­vel é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo!” (1)
 
“A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. 
Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: 
vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, ilu­minar a alma de quem O recebe, e, depois,
por meio desse, a alma dos outros”.  (2)
 
Ele vem caminhar conosco, basta suplicarmos.
Não estamos sós, temos um Advogado, Consolador,
Amável Paráclito, que nos conhece mais que nós a nós mesmos.
Habita no profundo de nós: conhece nossas angústias e esperanças,
Alegrias e tristezas e nos confia uma missão a realizar. Amém.
 
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis...”
 
 
(1) ;(2) São Cirilo de Jerusalém (séc. IV)

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