quinta-feira, 2 de abril de 2026

Em poucas palavras... (Quinta-feira Santa)

                                           


Celebremos piedosamente o Tríduo Pascal

Partindo do Tríduo Pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico da sua claridade.

Progressivamente, dum lado e doutro desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia.

Ele é realmente o ano da graça do Senhor (Lc 4,19). A economia da salvação realiza-se no quadro do tempo, mas a partir do seu cumprimento na Páscoa de Jesus e da efusão do Espírito Santo, o fim da história é antecipado, pregustado, e o Reino de Deus entra no nosso tempo.” (1)

 (1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1168

Em poucas palavras... (Quinta-feira Santa)

                                               


Jesus, por amor, na Cruz, consuma o Sacrifício Redentor

É o «amor até ao fim» (Jo 13,1) que confere ao sacrifício de Cristo o valor de redenção e reparação, de expiação e satisfação. Ele conheceu-nos e amou-nos a todos no oferecimento da sua vida (Gl 2,20). «O amor de Cristo nos pressiona, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram» (2 Cor 5, 14).

Nenhum homem, ainda que fosse o mais santo, estava em condições de tornar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos.

A existência, em Cristo, da pessoa divina do Filho, que ultrapassa e ao mesmo tempo abrange todas as pessoas humanas e O constitui cabeça de toda a humanidade, é que torna possível o seu sacrifício redentor por todos.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 616

Missa Crismal: conhecer bem para celebrar melhor (Quinta-feira Santa)

 


Missa Crismal: conhecer bem, para celebrar melhor

Para bem celebrarmos a Missa Crismal, conhecida como Missa do Crisma, ou ainda Missa da Unidade, retomemos um parágrafo do Cerimonial dos Bispos:

“Esta Missa, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os outros óleos, é como que a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu bispo.

Com o santo crisma consagrado pelo bispo, são ungidos os recém-batizados e são marcados com o sinal da cruz os que vão ser confirmados, são ungidas as mãos dos presbíteros e a cabeça dos bispos, bem como a igreja e os altares na sua dedicação. Com o óleo dos catecúmenos, estes preparam-se e dispõem-se para o Batismo. Por fim, com o óleo dos enfermos, estes recebem alívio na doença.

Para esta Missa se congregam e nela concelebram os presbíteros, uma vez que, na confecção do crisma, são testemunhas e cooperadores do seu bispo, de cujo múnus sagrado participam, na edificação, santificação e condução do povo de Deus.

E deste modo se manifesta claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo continuado na Igreja.

Para que se exprima o melhor possível esta unidade do presbitério, procure o Bispo que estejam presentes presbíteros concelebrantes, vindos das diversas regiões da diocese.

Os que, porventura, não concelebrem podem, nesta Missa crismal, comungar sob as duas espécies.” (1)

Assim também lemos no Pontifical Romano:

“O bispo deve ser considerado como sumo sacerdote de sua grei; dele decorre e depende de certo modo a vida cristã dos fiéis ( Sacrosanctum Concilium, n.42).

A Missa do Crisma, que concelebra com os presbíteros das diversas regiões da diocese e na qual consagra o santo crisma e benze os outros óleos, é considerada uma das principais manifestações da plenitude do seu sacerdócio e sinal da estreita união dos presbíteros com ele. De fato, com o santo crisma consagrado pelo bispo são ungidos os recém-batizados e assinalados os que vão receber a confirmação. Pelo óleo dos catecúmenos, são eles preparados e encaminhados para o Batismo. O óleo dos enfermos, finalmente, alivia-os em suas enfermidades.

A Liturgia cristã adotou o uso do Antigo Testamento de ungir com o óleo da consagração os reis, os sacerdotes e os profetas, porque prefiguravam o Cristo, cujo nome significa Ungido do Senhor.

Do mesmo modo, manifesta-se pelos agrado crisma que os cristãos, tendo sido inseridos pelo Batismo no mistério pascal de Cristo, com ele mortos, sepultados e ressuscitados (Sacrosanctum  Concilium, n.6), participam de seu sacerdócio real e profético e recebem pela Confirmação a unção espiritual do Espírito Santo que lhes é dado.

O efeito dos exorcismos é aumentado pelo óleo dos catecúmenos, pois os batizandos se fortalecem para poderem renunciar ao demônio e ao pecado antes de se aproximarem da fonte da vida e renascer.

O óleo dos enfermos, cujo uso é atestado por São Tiago (Tg 5,14), proporciona aos doentes remédio para as enfermidades da alma e do corpo, a fim de poderem suportar e superar com fortaleza os sofrimentos e alcançar o perdão de seus pecados.” (2)

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Dominical:

“O bispo e os sacerdotes concelebram na catedral. Constituídos, na última Ceia, ‘servos do Mistério’: realizam eles a unidade do seu sacerdócio no único grande Sacerdote, Jesus Cristo.

Nesta missa manifesta-se o mistério do sacerdócio de Cristo, participado pelos ministros constituídos em cada Igreja local, que renovam hoje seu compromisso ao serviço do povo de Deus.

O bispo, cercado pelos outros sacerdotes, abençoa os óleos, que serão usados nos diversos sacramento: o crisma (óleo misturado com perfumes), para significar o dom do Espírito no batismo, na crisma, na ordem; o óleo para os catecúmenos e o óleo para os enfermos, sinal da força que liberta do mal e sustenta na provação da doença.

Através de uma realidade terrena já transformada pelo trabalho do homem (o óleo) e de um gesto simples e familiar (a unção), exprime-se a riqueza de nova existência em Cristo, que o Espírito continua a transmitir à Igreja até o fim dos tempos.” (3)

Quanto ao dia da bênção, assim lemos no Pontifical Romano:

“A bênção do óleo dos enfermos e do óleo dos catecúmenos e a consagração do crisma são feitas de costume pelo bispo na Quinta-feira da Semana Santa, na Missa própria, que deve ser celebrada pela manhã.

Se for difícil reunir o clero e o povo neste dia com o bispo, pode-se antecipar esta bênção, sempre, porém, nas proximidades da Páscoa e sempre com Missa própria.” (4)

Com tudo isto, conhecendo bem, poderemos celebrar muito melhor esta bela e fecunda Santa Missa, com sua riqueza inexprimível. Deste modo, imperdível para quem participa da vida da Igreja, e de modo especial, para quem desempenha alguma atividade pastoral ou ministério na Igreja.

 
(1) Cerimonial dos Bispos – Cerimonial da Igreja – Editora Paulus – 1988 – parágrafo n. 274 – p. 93
(2)Pontifical Romano – Editora Paulus – 2000 – parágrafos nn.1 e 2 – p. 524
(3)Missal Dominical – Editora Paulus – 1995 – p. 288
(4)Pontifical Romano - Editora Paulus - 2000 - parágrafos 
– nn.9-10 – p. 526

“Chegou a hora...”

                                                  

“Chegou a hora...”

Assim nos falou o Senhor na passagem do Evangelho de João:

"Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade Eu vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só, mas se morrer, dará muito fruto” (Jo 12,23-24)

Contemplemos o que indica “esta hora”, segundo o quarto Evangelho:

- é a hora que não havia chegado ainda na realização do primeiro sinal, ao transformar a água em vinho nas bodas de Caná;

- o cume e chave de interpretação de toda a Sua missão salvífica - Ele veio para esta hora;

- a hora temida;

- a hora de agonia e, no entanto, profundamente desejada por ser a hora do sacrifício perfeito da Sua obediência ao Pai, hora da Sua glorificação;

- a hora em que os próprios pagãos reconhecerão n’Ele o Filho de Deus;

- a hora do olhar de fé para Aquele que foi trespassado, Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6), e nos garante a Salvação;

- a hora da Páscoa do Senhor.

Unamo-nos mais intimamente ao Senhor, em Seu Mistério de Paixão e Morte, para com Ele também ressuscitarmos.

Conceda-nos, Deus, coragem e fidelidade, para nos configurarmos ao Seu Filho, com a graça da ação do Espírito Santo, que nos anima, conduz, orienta e nos fortalece.

Nossas horas terão novos conteúdos, salutares e luminosos, se nos unirmos à “hora do Senhor”.



Fonte de pesquisa: Missal Quotidiano – Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – p.445

Glorifiquemos o Cordeiro Imolado (Quinta-feira Santa)

                                                              

Glorifiquemos o Cordeiro Imolado

Na Quinta-Feira Santa, a Liturgia das Horas nos apresenta a Homilia do Bispo Melitão de Sardes (séc. II): “Páscoa, a Festa em que celebramos o Cordeiro imolado que nos libertou da morte para a vida”.

Oremos:

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, muitas coisas foram preditas pelos profetas sobre o Mistério da Vossa Páscoa, a quem damos honra e glória, pelos séculos dos séculos.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, descestes dos céus a terra para curar as enfermidades dos homens; revestistes da nossa natureza no seio da Virgem e Vos fizestes homem.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, tomastes sobre Vós os sofrimentos do homem enfermo, num corpo sujeito ao sofrimento, e destruístes as paixões da carne; e o Vosso Espírito, que não pode morrer, matou a morte homicida.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, fostes levado como cordeiro e morto como ovelha; e nos libertastes das seduções do mundo, como outrora, Vosso Pai, os israelitas do Egito.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, Vós nos salvastes da escravidão do demônio, como outrora, Vosso Pai fez sair Israel das mãos do faraó.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, marcastes nossas almas com o sinal do Vosso Espírito e os nossos corpos com Vosso Sangue.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, vencestes a morte e confundistes o demônio, como outrora, Moisés ao faraó.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, destruístes a iniquidade e condenastes a injustiça à esterilidade, como Moisés ao Egito.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, Vós nos fizestes passar da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da morte para a vida, da tirania para o Reino sem fim.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, fizestes de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre, e Vós sois, portanto, a Páscoa da nossa Salvação.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, tomastes sobre Vós os sofrimentos de muitos: fostes morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac; exilado de Sua terra em Jacó; vendido em José.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, fostes exposto em Moisés; sacrificado no cordeiro pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos profetas.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, fostes encarnado no seio da Virgem, suspenso na Cruz, sepultado na terra e, ressuscitando dos mortos, subistes ao mais alto dos céus.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, fostes um Cordeiro que não abriu a boca, o Cordeiro Imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho, levado ao matadouro, imolado à tarde e sepultado à noite.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, ao serdes crucificado, não Vos quebraram osso algum, e ao serdes sepultado, não experimentastes a corrupção; mas ressuscitado dos mortos, ressuscitastes também a humanidade das profundezas do sepulcro.

Senhor Jesus, Cordeiro Imolado, que por amor a nós Vos entregastes em total fidelidade ao Plano de amor do Pai pela humanidade, enviai-nos Vosso Santo Espírito. E a Vós, com Vosso Pai e o Espírito, glorificamos hoje e sempre. Amém.


PS: Oração inspirada na Homilia do Bispo Melitão de Sardes - Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p. 400-401

O Senhor nos libertou da morte para a vida

                                                  

O Senhor nos libertou da morte para a vida

Ele é a Páscoa da nossa salvação.

A Igreja nos apresenta uma das Homilias do Bispo Melitão de Sardes (Séc. II) sobre a Páscoa, sobre o Cordeiro imolado, Jesus Cristo, que nos libertou da morte para a vida.

“Muitas coisas foram preditas pelos Profetas sobre o Mistério da Páscoa, que é Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl 1,5).

Ele desceu dos céus à terra para curar a enfermidade do homem; revestiu-Se da nossa natureza no seio da Virgem e Se fez homem; tomou sobre Si os sofrimentos do homem enfermo num corpo sujeito ao sofrimento, e destruiu as paixões da carne; Seu espírito, que não pode morrer, matou a morte homicida.

Foi levado como cordeiro e morto como ovelha; libertou-nos das seduções do mundo, como outrora tirou os israelitas do Egito; salvou-nos da escravidão do demônio, como outrora fez sair Israel das mãos do faraó; marcou nossas almas como sinal do Seu Espírito e os nossos corpos com Seu Sangue.

Foi Ele que venceu a morte e confundiu o demônio, como outrora Moisés ao faraó. Foi Ele que destruiu a iniquidade e condenou a injustiça à esterilidade, como Moisés ao Egito.

Foi Ele que nos fez passar da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da morte para a vida, da tirania para o Reino sem fim, e fez de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre. Ele é a Páscoa da nossa salvação.

Foi Ele que tomou sobre Si os sofrimentos de muitos: foi morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac; exilado de Sua terra em Jacó; vendido em José; exposto em Moisés; sacrificado no Cordeiro Pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos Profetas.

Foi Ele que Se encarnou no seio da Virgem, foi suspenso na Cruz, sepultado na terra e, Ressuscitando dos mortos, subiu ao mais alto dos céus.

Foi Ele o Cordeiro que não abriu a boca, o Cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho, foi levado ao matadouro, imolado à tarde e sepultado à noite; ao ser Crucificado, não lhe quebraram osso algum, e ao ser sepultado, não experimentou a corrupção; mas Ressuscitando dos mortos, ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro”.

Avaliemos nossa resposta de amor a Deus, para que seja mais autêntica, profunda e frutuosa: um amor que foi vivido ao extremo na pessoa do Filho, com a presença do Espírito que jamais o desampara.

Preparemo-nos para bem celebrar a Páscoa do Senhor, de modo que, mergulhados nas riquezas infinitas do Tríduo Pascal, contemplemos o Amor de Deus por nós.

Reflitamos:

- À luz da Homilia, como não abismarmos diante do Amor que Deus tem por nós?

- Como não nos inquietarmos diante de tantos sinais de morte que ainda se multiplicam, porque ainda não aprendemos a Lição Maior do Senhor: amor, doação, entrega e fidelidade ao Projeto de Deus, para que a morte não mais reine entre nós?

Silenciemo-nos diante do Cristo Crucificado, revendo nossos passos, pensamentos, palavras, atitudes, a fim de poderemos celebrar a Vitória gloriosa do Cristo Ressuscitado, na madrugada tão esperada da Ressurreição. Amém.

Lava-pés: sagrado compromisso de Amar e Servir (Quinta-feira Santa)

 


Lava-pés: sagrado compromisso de Amar e Servir

O Tríduo Pascal, iniciando na noite de Quinta-feira da Semana Santa nos envolve completamente e, se vivido intensamente, algo muda substancialmente na vida de quem o celebra ativa, consciente, piedosamente, para que seja abundante em frutos de alegria, vida e paz!

Na Quinta-feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor, agradecemos a Deus de infinita bondade, a Instituição da Eucaristia, como memorial da Sua Nova e Eterna presença; recebemos o Mandamento Novo do Amor e aprendemos com Jesus, numa lição de humildade, ao lavar os pés dos discípulos, a atitude de serviço em favor da vida de nosso semelhante, num gesto supremo de humildade.

Fundamental que reflitamos sobre a Eucaristia, ponto alto e fonte da vida cristã. Eucaristia celebrada no altar para no cotidiano ser vivida.

A Missa não tem fim em si mesma, continua em todo o nosso existir. Somos as testemunhas da sua presença, transformados n’Aquele que recebemos, vivendo o Novo Mandamento que Ele nos deu, criando laços mais humanos, belos e fraternos em atitude de servidores do Reino da Vida.

Em resumo, há um estreito vínculo indissolúvel entre a Eucaristia, a fraternidade universal, o amor e o serviço.

Eucarísticos que somos, urge que sejamos testemunhas críveis do amor, e nossa vida marcada por compromissos solidários em favor da vida, sobretudo dos mais empobrecidos – “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz...” (Jo 13,15). 

Nisto consiste a beleza do lava-pés: Amar e Servir, nutridos pela força do Eucaristia, na mais bela expressão do Mandamento do Amor que nos deu Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG