quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A permanente urgência de conversão

 


A permanente urgência de conversão 

À luz da passagem do Livro de Jonas (Jn 3, 1-5.10), refletimos sobre a vocação e missão de Jonas que foi chamado por Deus para a pregação da conversão de Nínive, porque a Salvação que Deus oferece se destina a todos os povos (período provável entre 440 e 410 a.C.). 

Através desta “ficção didática” da vocação de Jonas, que reluta em aceitar a missão, num primeiro momento, aprendemos sobre o imediato caminho de conversão de Nínive (capital do Império Assírio), que se tornou um modelo de resposta ao chamado e ao apelo de conversão que Deus nos faz em todo o tempo. 

Duas lições desta conversão: embora considerados como maus, prepotentes, injustos e opressores, os ninivitas foram mais atentos aos desafios de Deus do que o próprio Povo eleito; e, também, que é preciso superar a visão nacionalista, particularista, exclusivista e xenófoba, que estava em moda e que ainda pode persistir ainda hoje. É preciso que aprendamos sobre a lógica de Deus, que é de bondade, misericórdia, perdão e amor sem limites. 

Não é próprio da lógica divina ver os outros como inimigos que merecem ser destruídos, mas irmãos que precisam ser amados. 

Urge que a humanidade aprenda a lógica de Deus; a lógica da misericórdia e bondade divina que ama os bons e os maus: os bons para que perseverem, os maus para que se convertam. Entretanto, é preciso disponibilidade e abertura para a conversão. 

Deus não cristaliza o passado de pecado, não se fixa na história do pecado cometido, mas nos aponta um futuro de vida nova, desde que saibamos nos questionar no tempo presente, e nos colocarmos em atitude de conversão, de transformação de pensamentos, palavras e atitudes.

“Passou pelo mundo fazendo o bem”

                                                        

 “Passou pelo mundo fazendo o bem”

Retomemos a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38), que se refere à parte inicial do Querigma, em que Jesus Cristo é apresentado como Aquele que passou pelo mundo fazendo o bem”, trazendo a libertação aos oprimidos.

Jesus passou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que se encontravam oprimidos pelo demônio, através de Seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade e de amor, na realização do Projeto libertador de Deus para toda a humanidade.

Na segunda parte, a passagem nos fala da salvação que se destina a todos os povos da terra, com o Batismo de Cornélio, pois se trata do primeiro pagão admitido ao cristianismo por um dos Doze Apóstolos, revelando, assim, que Deus não faz acepção de pessoas, de modo que não há como disseminar discriminações por qualquer motivo.

Como discípulos missionários do Senhor, desde o dia do nosso Batismo, também somos chamados ao mesmo fazer. E neste sentido, somos remetidos à Segunda Carta do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses, que nos exorta a duas atitudes: trabalho e a prática do bem:

“Quem não quer trabalhar, também não deve comer. Ora, ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada. Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão. E vós mesmos, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” (2Ts 3,10b-13).

Reflitamos:

- Em que consiste hoje, para nós, como discípulos missionários, esta “prática do bem” em todos os âmbitos de nossa vida?

- Como a ação de Jesus, Sua Palavra e Boa-Nova, fundamentam nossos pensamentos e ações?

- De que modo estamos aguardando a vinda gloriosa do Senhor?

- Temos sido sinal do amor e da bondade divina para todos quantos convivemos?

Iniciando um ano novo, façamos nossos planos e projetos, à luz da prática de Jesus, para que vivendo a graça do batismo recebido, como discípulos missionários do Senhor, intensifiquemos e cresçamos na prática do bem, irradiando a Sua luz, a fim de que Deus por todos seja glorificado, em razão de nossas obras.

Segredos para fortalecimento de nossa religião cristã...

Segredos para fortalecimento de nossa religião cristã...

Retomo a mensagem escrita pelo então Cardeal Arcebispo de Salvador-BA, Geraldo Majella Agnelo, sobre o enfraquecimento da prática religiosa nos dias atuais.

Aborda sobre o que falta aos cristãos de hoje e o porquê do declínio das práticas religiosas, o porquê do tédio, cansaço e fadiga, de quem tem fé, em cumprir os próprios deveres, sobre a falta de alegria dos que acreditam em Cristo.

Afirma o Cardeal:

"Nosso cristianismo é sem Cristo, impessoal,
longínquo, que não é visto de perto, estranho,
mesmo se tão conhecido. Não é uma pessoa
viva e verdadeira, um amigo que caminha conosco,
que está mais presente a nós do que o nosso eu,
como nos diz Santo Agostinho".

À luz da Transfiguração do Senhor, também afirma que, para que as coisas mudem para nós, como para os três discípulos sobre o Tabor, é preciso um maravilhamento, um enamorar-se da pessoa de Cristo, participando de Sua Transfiguração:

"Cristo que Se transfigura para iluminar com a
percepção de Sua divindade, revelação do Amor de
Deus que envolve o coração da pessoa.
É a atração de Cristo, não o constrangimento".

Conclui dizendo que o cristianismo não pode ser vivido por constrangimento, como uma taxa ou um imposto que se obriga a qualquer um pagar:

"Talvez demos pouco espaço à ação de Deus
que atrai a Si por Seu Espírito Santo. Cristo
Se toca com os olhos do coração”.

Bem se diz que o cristianismo não é um conjunto de ideias, mas o encontro pessoal com Jesus Cristo, que transforma a vida de quem o encontra, em inevitável apaixonamento e maravilhamento.

Concluo apresentando dez características do discípulo/a  de Jesus Cristo, como ressonância da reflexão acima:

- Acolhe o Mensageiro e Sua Mensagem, como amigo querido: Jesus e o Evangelho;

- Assenta-se aos pés do Senhor para escutá-Lo e opta pelo essencial: Jesus e Sua Palavra para fazer diferente todas as coisas;

- Não se entrega nem mesmo na prisão e não se faz de vítima por causa das perseguições e dificuldades, mas lê tudo isso à luz dos sofrimentos de Cristo, completando em sua carne o que a falta a Paixão de Cristo;

- Acredita profundamente na pessoa de Jesus Cristo enquanto “esperança da glória”, ou seja, a proposta de um mundo novo;

- Não busca interesses particulares, mas a construção da comunidade cristã;

- Põe todos os recursos a serviço da Palavra de Deus;
- Preocupa-se com todos, porque o Projeto de Deus, que é liberdade e vida, se destina a todos;

- Faz a síntese entre a ação e a contemplação – trabalho e oração, pois sabe que ação sem a escuta da Palavra de Deus a torna vazia e uma oração sem ação é estéril e alienante;

- Acolhe Deus na pessoa do outro, acolhendo-o, escutando-o;

- Confiante em Deus, sabe que é por Ele imensamente recompensado, em Sua infinita bondade.

Roguemos a Deus que tenhamos nossa fé mais nutrida, esperança mais fortalecida, caridade mais inflamada, a fim de que o mundo veja Cristo Vivo em nós, e que possamos repetir como Paulo aos Gálatas:

“Já não sou eu que vivo, mas é
Cristo que vive em mim.
Minha vida presente na carne vivo-a pela fé no
Filho de Deus que me amou e Se entregou a
Si mesmo por mim” (Gl 2,20).

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um Ano que termina, outro que inicia...

                                                              

Um Ano que termina, outro que inicia...
       
Textos, obras, escritos, a história;
A arte, a música, a ideologia,
O sonho, a utopia, a reflexão espiritual...
Um relacionamento de amizade ou conjugal...

Mais um Ano que termina...
Tempo favorável para retrospectivas frutuosas:
Rever as atitudes, avaliar os sentimentos.

Tudo pode ser uma auspiciosa procura e encontro, ou não...
Que cada um faça suas buscas.
faça seus encontros e reencontros.
Refaça seus caminhos e concretize seus sonhos.

Tenhamos coragem de olhar para trás,
E erros, mais que dar conta, admitir, perdão a Deus pedir.
Acertos, mais que exaltação, aprimoramentos...
E louvores a Deus elevar.

Um Ano Novo que inicia...
Deixemos algumas coisas para trás, outras nem tanto.
Que olhemos para frente,
Com olhar de confiança e esperança;
Ousadia e coragem...

Assim é a história de cada um:
Aprendizado com o passado
Para um presente mais amadurecido.
No futuro, por certo, flores e frutos,
Colher com alegria e gratidão,
Por ter a vida, com graça e encanto,
Deliciosamente vivido!

Deus quer sempre o melhor de nós para nós mesmos.
Faço votos que esta reflexão nos propicie esta necessária avaliação:
Simples, mas não menos ousadas propostas fazer,
Para a que a Luz de Deus em mais um Ano venha a resplandecer.
Haverá melhor forma de amá-Lo e adorá-Lo?

Deus seja louvado pelo ano que encerra.
Deus abençoe o novo ano que iniciaremos...

Gratidão e súplica

                                                            


Gratidão e súplica
 
“O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a Sua face, e Se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o Seu rosto e te dê a paz!”  (Nm 6,24-26).
 
Fim de mais um ano, momento de fazer planos para o próximo.
Revisar e repassar o calendário e a agenda...
Quantos acontecimentos para relembrar e, também, celebrar.
 
Grafei com a cor dourada os dias com acontecimentos memoráveis.
Não foram dezenas, mas ainda que um apenas, impulso para os demais.
Precisamos destes como um oásis, em travessia de árido deserto, que por vezes enfrentamos.
 
Com a cor prateada, os dias também expressivos,
Com acontecimentos e a beleza e densidade próprias,
Que refazem nossas forças para passos firmados pelos sonhos.
 
Com cinza escuro de uma nuvem pronta para desaguar,
Os dias marcados por preocupações, na espera de que passem,
Como uma tempestade, que depois deixa sua leveza e pureza no ar.
 
Com o verde, aqueles que ficaram marcados por pequenos gestos,
Como sementes lançadas e a serem cultivadas,
Para flores e frutos saborosos serem colhidos, ainda que não os veja.
 
Com o azul da rosa exótica de um jardim cultivado,
Os dias com acontecimentos que me fizeram sentir
Que o céu é possível, se buscarmos as coisas do alto.
 
Com o amarelo, os dias que clamaram por vigilância e cuidado, para que a vida e a nossa casa comum
não fossem vilipendiadas, destruídas, dor e sofrimento dos empobrecidos amenizados.
 
Embora as cores múltiplas tão diferenciadas,
Em todo o tempo e circunstâncias
A Deus gratidão pelo ano que finda,
Acompanhada de súplicas ao que se inicia. 

Em poucas palavras...

                                                          


                        Deus quer que sejamos santos...

Deus Pai de Amor deseja que, através da ação do Espírito Santo em nós, nos pareçamos cada vez mais com o Seu Filho Jesus Cristo.

Deste modo, seremos testemunhas de santidade, e esta é possível a todos os membros da Igreja, como ela nos ensina, pois Deus quer que todos sejamos Santos, participantes de Sua Vida e Amor. 

Feliz Ano Novo!


Sejamos como lâmpadas acesas pelo Espírito!

                                                   

Sejamos como lâmpadas acesas pelo Espírito!

Com o a chegada de mais um fim de ano, também nos preparamos como Igreja para grandes Festas: Natal do Senhor, Sagrada Família, Solenidade da Mãe de Deus e Epifania, culminando com a Festa do Batismo do Senhor!

É, portanto, tempo favorável para fazermos uma retrospectiva em todos os níveis: pessoal, familiar, como Igreja e sociedade.

Tempo de olharmos para frente com novo ânimo e novo vigor, deixando-nos guiar pela Luz do Espírito Santo.

Cada um terá êxitos e possíveis fracassos para partilhar. Frustrações e expectativas superadas também configuraram eventuais cenários. Pesadelos momentâneos não sufocaram sonhos que nos movem e nos conduzem à eternidade.

Se angústias vivemos, a esperança veio como âncora, não permitindo que naufragássemos nas agitadas águas do cotidiano, contando sempre com a presença Daquele que veio, vem e virá.

Olhemos para frente! Há um longo caminho! Talvez a escuridão de algumas realidades, de algumas estatísticas não nos dê coragem. Não a teremos mesmo, se não acolhermos no mais profundo de nós mesmos a Luz do Divino Menino no Natal.

Não haverá luz e esperança, de fato, para quem não acolher e celebrar o Nascimento do Salvador.

Quando a noite escura de Natal for iluminada com o esplendor da luz trazida pela fragilidade de uma Criança que assumiu nossa mesma realidade, então luzes serão acesas em nosso coração.

Multiplicar-se-ão luzes para um novo ano iluminar. O Cristão é como uma luz acesa pelo Espírito de Deus, e nada pode apagar o que Deus acendeu, nada pode matar o que Ele fez nascer!

Que o Ano Novo seja para nós ocasião de crescermos no amor, o essencial de nossa fé cristã, progredindo em conhecimento e em experiência, como nos falou o Apóstolo Paulo (Fl 1,4-11).

Também seja ele marcado pela alegria que nasce, paradoxalmente, da Cruz. A alegria cristã não é evasão, algo ilusório e passageiro.  Ressoem em nosso coração, as palavras do Apóstolo Paulo:

“Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos no Senhor, confiai a Deus todas vossas inquietações, com súplicas e em ação de graças” (Fl 4,4-7).

Como lâmpadas acesas pelo Espírito, sejamos presença da Luz Divina em meio às trevas que nos desafiam – Eis a nossa missão!

Viver o Natal não apenas como Mistério de Nascimento,
mas também de Morte e Ressurreição!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG