quinta-feira, 4 de setembro de 2025

“Enviados para anunciar a Boa-Nova”

“Enviados para anunciar a Boa-Nova

 “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!”
(1Cor 9,16)

É sempre tempo favorável para o aprofundamento da vital missão da Igreja: evangelizar, proclamar a Boa Notícia do Evangelho a todos os povos:

"Todo poder foi me dado no céu e sobre a terra. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto Vos ordenei. E, eis que Eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 18-20).

Como a Igreja nos ensina, a evangelização é missão de todos os fiéis chamados, em virtude de seu batismo, a serem discípulos missionários de Jesus Cristo.

A missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, não se limitando a um programa ou projeto. É o compartilhar da experiência e do acontecimento do encontro pessoal com Jesus Cristo, por Ele se apaixonando, em corajoso e alegre testemunho a todas as pessoas, tornando visível o Amor misericordioso do Pai, especialmente com os pobres e pecadores.

Fiéis à sã doutrina da Igreja, procurando respostas evangélicas para as questões sociais que nos inquietam, a fim de que a vida seja promovida em todos os níveis e em todos os seus momentos, desde a concepção até seu declínio natural, por uma autêntica e sadia cidadania.

A cidade e seus desafios nos inquietam: a superação da miséria, fome, violência, extinção dos escândalos inúmeros (dos quais somos vítimas todos os dias).

É tempo de renovarmos nosso ardor missionário, procurando novas expressões e métodos, para que a Boa Notícia do Evangelho chegue a todos os povos, e que continue ressoando em nosso coração as palavras do Apóstolo Paulo, acima mencionadas.

Enquanto caminhamos na penumbra da fé até a Cidade Celestial, plena de luz, vida, amor e paz... fiquemos vigilantes e em Oração, reavivando sempre a graça do Batismo, em alegre anúncio, corajoso testemunho, fazendo da vida, amor, doação e serviço, como assim o fez Nosso Senhor, assistidos pela força do Espírito Santo, em total fidelidade ao Plano de Deus e ao Seu Reino.

O mais alto objetivo da Arte

O mais alto objetivo da Arte

Atribui-se ao filósofo George Friedrich Hegel esta frase:

O mais alto objetivo da arte é o que é comum à Religião e à Filosofia. Tal como estas, é um modo de expressão do divino, das necessidades e exigências mais elevadas do Espírito”.

Neste sentido, a arte apresenta-se como um processo de infinitização do finito, um convite à reflexão, nos interrogando incessantemente, porque em perfeita sintonia e intimidade com o pensamento e o sentimento.

Segundo Delmo Mattos, “Enquanto ideia, a Arte concilia o infinito no finito, representa o Absoluto numa matéria sensível ou plástica, presentifica o divino em elementos sensíveis, revelando-se a verdade da Arte. Nessa manifestação sensível, material, do espírito, a Arte contradiz sua própria forma, o que ela deve exprimir: seu conteúdo infinito, divino” (1)

Esta reflexão nos remete à recente Mensagem Oficial da CNBB:

 “Em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino. ‘A arte é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana’ (Bento XVI – 2011). O mundo no qual vivemos, ensina Paulo VI, precisa de beleza para não cair no desespero (Cf. Mensagem aos Artistas – 1965).

Reconhecemos que “para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte” (São João Paulo II – Carta aos artistas 1999). Somos, por isso, agradecidos aos artistas pela infinidade de obras que enriquecem a cultura, animam o espírito e inspiram a fé.

 Merecem destaque a pintura, a música, a arquitetura, a escultura e tantas outras expressões artísticas que ressaltam a beleza da criação, do ser humano, da sexualidade, e o espírito religioso do povo brasileiro. Arte e fé, portanto, devem caminhar unidas, numa harmonia que respeita os valores e a sensibilidade de cada uma e de toda pessoa humana na sua cultura e nos seus valores”.(2)

Urge que se devolva à arte o seu mais alto objetivo, considerando tudo que vimos e ouvimos nestes dias.

Reconquiste a verdadeira arte espaços para que o espírito humano seja elevado, e que ela seja de fato “como uma porta aberta par ao infinito...”, como tão bem expressou o Papa Bento XVI.

A verdadeira arte é pão para nossa fome, e água cristalina para nossa sede do belo e elevação transcendente.



(1) Delmo Mattos em “o sublime e o belo artístico em Hegel”.
(2) Mensagem Oficial da CNBB - “Vencer a intolerância e o fundamentalismo”

A graça de pertencemos ao rebanho do Senhor

 


A graça de pertencemos ao rebanho do Senhor 
 
Reflexão à luz do Sermão do Bispo Santo Agostinho (séc. V) sobre os pastores e a vida de todos os cristãos.
 
“Não é de agora que vossa caridade sabe que nossa esperança está toda em Cristo e que nossa verdadeira glória de salvação é Ele. Sois do rebanho d’Aquele que guarda e apascenta Israel.
 
Mas por haver pastores que apreciam este nome, porém não querem exercer seu ofício, vejamos o que a seu respeito diz o Profeta. Escutai vós com atenção; escutemos nós com temor.
 
‘Foi-me dirigida a Palavra do Senhor que dizia: Filho do homem, profetiza contra os pastores e dize aos pastores de Israel’ (Ez 34,1-2).
 
Acabamos de ouvir a leitura deste trecho; resolvemos então falar-vos algo. O Senhor nos ajudará a dizer o que é verdadeiro, se não dissermos o que é nosso. Pois se dissermos o que é nosso seremos pastores a nos apascentar a nós, não as ovelhas. Se, ao contrário, dissermos o que é d’Ele, será Ele que vos apascenta por intermédio de quem quer que seja.
 
Assim diz o Senhor Deus: Ó pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Acaso não são as ovelhas que os pastores têm de apascentar? (Ez 34,2) quer dizer, os pastores apascentam ovelhas, não a si mesmos. É este o primeiro motivo de repreensão a tais pastores, que apascentam a si e não as ovelhas. Quem são estes que se apascentam? O Apóstolo diz: ‘Todos procuram seu interesse, não o de Jesus Cristo’ (Fl 2,21).
 
Quanto a nós, a quem o Senhor, por Sua benevolência e não por mérito nosso, estabeleceu neste cargo de que teremos difíceis contas a dar, devemos distinguir bem duas coisas: a primeira, somos cristãos, a segunda, somos bispos. Somos cristãos para nosso proveito; e somos bispos para vós. Como cristãos, atendemos ao proveito nosso; como bispos, somente ao vosso.
 
E são muitos os cristãos não bispos que vão a Deus por caminho mais fácil talvez, e andam com tanto mais desembaraço quanto menos peso carregam. Nós, porém, além de cristãos, tendo de prestar contas a Deus de nossa vida, somos também bispos e teremos de responder a Deus por nossa administração”.
 
Sempre tempo favorável para que avaliemos nossa vida cristã, se está de acordo com a vontade de Deus, na fidelidade a Jesus, assistidos pelo Espírito Santo.
 
Do mesmo modo, é sempre tempo favorável para rever como vivemos a vida nova que recebemos no dia de nosso Batismo.
 
Neste mês, especialmente dedicado à Bíblia, roguemos a Deus a sabedoria, coragem e mansidão para que vivamos a graça da missão evangelizadora, e que a Palavra de Deus seja sempre a luz de nosso caminho. Amém.
 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Em poucas palavras...

                                                   


“Mas é Deus que primeiro chama o homem...”

“Mas é Deus que primeiro chama o homem. Muito embora o homem se esqueça do seu Criador ou se esconda da sua face, corra atrás dos ídolos ou acuse a divindade de o ter abandonado, o Deus vivo e verdadeiro chama incansavelmente cada pessoa ao misterioso encontro da oração.

Na oração, é sempre o amor do Deus fiel a dar o primeiro passo; o passo do homem é sempre uma resposta. A medida que Deus Se revela e revela o homem a si mesmo, a oração surge como um apelo recíproco, um drama de aliança. 

Através das palavras e dos atos, este drama compromete o coração e manifesta-se ao longo de toda a história da Salvação.”

 

(1)   Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 2.567

 

Em poucas palavras...

                                          


Pecados que bradam ao céu

“A tradição catequética lembra também a existência de «pecados que bradam ao céu».

Bradam ao céu: o sangue de Abel (Gn 4,10); o pecado dos sodomitas (Gn 18,20; 19,13); o clamor do povo oprimido no Egito (Ex 3,7-10); o lamento do estrangeiro, da viúva e do órfão (Ex 20,20-22); a injustiça para com o assalariado (Dt 24,14-15; Tg 5,4).”  (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1867

Impermeabilidade...

                                                      

Impermeabilidade...

Há impermeabilidades não desejáveis e outras que devem nos acompanhar em todos os instantes.

Não quero a impermeabilidade indesejável do que me faça feliz,
Sobretudo, do coração ao convite de Amor que Deus sempre me faz.

Não quero a impermeabilidade do ouvido à Sua Palavra Santa e Divina,
Que, adentrando no mais profundo de minha alma, maviosamente ilumina.

Não quero impermeabilidade a tudo que me faz mais humano e fraterno;
Ao que permita abrir-me constantemente e absorver o melhor que Deus possa me oferecer.

Não quero a impermeabilidade dos incrédulos que não renovam sua fé,
Tão pouco revigoram sua esperança em gestos humanos e divinos de caridade.

Quero a impermeabilidade da mente para o que for fútil;
de modo que não seja invadida pelo relativismo das verdades pouco duráveis.

Quero a impermeabilidade da mente para tudo que me fragilize;
Também para que a coerência das atitudes tristemente não se pulverize.

Quero a impermeabilidade do coração para a maldade que o circunda;
Também para não ser corrompido pelas paixões que me desviam da Fonte Plena de Amor, Jesus.

Quero a impermeabilidade do coração para tudo que for abominável;
Também para que aberto tão apenas seja ao que for por Deus desejável.

Quero a impermeabilidade da alma para que não seja maculada
Pelos tentáculos dos pecados capitais que a vida destroem e obscurecem.

Quero a impermeabilidade da alma para que não se torne vulnerável,
Para não sucumbirem no vale do desamor, alma, espírito e corpo.

Quero a impermeabilidade do ouvido às palavras que não edificam,
Com suas seduções e conteúdos vazios que me empobreceriam.

Quero a impermeabilidade do ouvido para os profetas derrotistas,
Que não me comunicam, nem me renovam a esperança na humanidade.

Quero a impermeabilidade do olhar para o bem material não ambicionar;
Para saber com o pouco e necessário me alegrar, que a felicidade não passe pelo ter.

Entre as impermeabilidades abomináveis e outras desejáveis,
Continuo minha existência sem a impermeabilidade ao que me faça crescer...

Travessia em tempo de pandemia

 


  Travessia em tempo de pandemia 


A travessia pelo deserto em tempo de pandemia nos desafia:

Noticiário invade nossas casas, comunidades e outros espaços,

Inquietando-nos, roubando e adiando sonhos e projetos,

Mas haveremos de vencer juntos na solidariedade,

Comunhão, proximidade real ou virtual, quando possível,

Com a firme convicção de que lições haveremos de aprender.


Travessia com suas subtrações num rol imensurável:

Daqueles que partiram para a eternidade cedo demais;

Dos encontros, festas, aulas, formações e celebrações.

Travessia vivida como um pesadelo sem fim,

Em que somos desafiados a dar razão da esperança viva,

Fé inquebrantável e caridade vivida mais necessária.


Travessia com suas adições da mesma forma sucedem:

Soma de sorrisos que não empalidecem, apesar de toda a dor.

Soma de experiências que marcarão para sempre nossa vida,

Que não mais voltará a ser como antes, pois  

Navegávamos como que numa nave à deriva;

Ao encontro da tragédia que vivenciamos.


Travessia com suas multiplicações, contemplamos:

Multiplicaram-se esforços de crescimento, superação;

Esforços de vidas sacrificadas para que outros vivessem.

Quer nos espaços da comunidade ou do cotidiano,

Multiplicações de mil nomes de pessoas ora visíveis

Ora em anonimatos em heroicas atividades lembramos.

Travessia com suas divisões em gestos tantos vistos.


Aprendizado para repartir o pouco que se tem,

Para que, juntos, nos fortaleçamos e consigamos atravessar,

E a margem do horizonte do inédito que nos move, alcançar.

Divisão de responsabilidades sem lamentos, com dedicação,

A fim de que nada e a ninguém falte o essencial para sobreviver.

Travessia se faz sofrendo e aprendendo, incansavelmente.


Como assim o fez o Povo de Deus, narra a Sagrada Escritura;

Travessia que nos aproxima uns dos outros ao encontro do Outro,

Do Deus do Êxodo, da libertação, da solidariedade sempre presente,

Que jamais à nossa dor se faz cego, surdo, mudo e indiferente.

Amor que ama para que não desistamos da travessia.


“Iahweh disse: ‘Eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.

Ouvi seu grito por causa dos opressores; pois eu conheço as suas 

angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios,

E para fazê-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta,

Terra que emana leite e mel, o lugar dos cananeus, dos heteus, dos 

amorreus, dos ferezeus, dos heveus e jebuzeus’” (Ex 3,7-8).


PS: Escrito em 2020

 

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