sexta-feira, 4 de abril de 2025

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Quaresma: Coragem de rever o caminho feito

                                                           

Quaresma: Coragem de rever o caminho feito
 
A Liturgia da 4ª sexta-feira da Quaresma nos apresenta no Banquete da Palavra: Sb 2,1a.12-22, Sl 33,17-21.23; Jo 7,1-2.10.25-30).
 
Vivendo o Tempo favorável de graça e salvação, em que nos empenhamos numa frutuosa conversão, aproveitemos e prolonguemos nosso tempo de Oração fecunda para colhermos abundantes frutos pascais.


Assim lemos no Comentário do Lecionário Comentado: 


Porventura é mesmo esta falsa segurança de conhecer bem Jesus que estereotipa o nosso anúncio, torna morna a nossa fé, pouco convincente o nosso testemunho e pouco fecunda a nossa missão.  'E vós quem dizeis que Eu sou?' (Mc 8,29): esta pergunta de Jesus interpela-nos continuamente”  (1).


Reflitamos:
 
“O Mistério de Cristo não pode revelar o Seu poder de novidade perturbante se o consideramos tranquilamente entre as coisas sabidas, entre os discursos óbvios e previsíveis, entre as doutrinas bem organizadas, entre as fórmulas que se repetem nas catequeses e entre as datas que se celebram ano após ano no nosso calendário litúrgico.
 
Podemos imaginar como dirigido também a nós o que dizia Jesus como alguma ironia aos Seus contemporâneos que presumiam conhecê-Lo. ‘Certamente conheceis-me e sabeis de onde Eu sou’.
 
Existe também para nós o perigo da credulidade preguiçosa, da redução do Evangelho ao bom senso do homem, enfraquecendo a sua natureza paradoxal e a sua força vital. 
 
- Conhecemos Jesus de fato, ou conhecemos apenas uma imagem que concebemos e nela nos apoiamos?
- O Evangelho de Jesus é sempre uma Boa Nova que nos questiona, perturba, inquieta e provoca a buscar novos caminhos, novos pensamentos, atitudes e compromissos?
 
- O cristianismo que vivemos consiste em fórmulas sabidas e decoradas e pouco enraizadas, sem conteúdo necessário, obras que o revelam?
- De que modo a Doutrina Católica e sua riquíssima catequese orienta o nosso existir? Qual a dedicação em conhecê-la e vivê-la?
 
- O quanto os Ritos e Tempos Pascais transformam a nossa vida?
- De que modo o que celebramos se prolonga em nosso cotidiano?
 
- Buscamos a verdadeira Face do Cristo que Se revela nas Escrituras e nos empobrecidos?
 
- Tomamos cuidado com o perigo da credulidade preguiçosa que afirma a confiança em Deus, mas nada de concreto faz para alcançar o que se pede, ou mudar o que for preciso, em omissões e falta de compromissos eucarísticos?
 
- Temos reduzido o Evangelho ao bom senso do século, em conformidade com o mundo e suas propostas?
 
- Temos comunicado com coragem a força vital da Boa Nova do Evangelho, de modo que a Palavra de Deus não perca sua beleza, esplendor e profecia?
 
- Qual é a “temperatura” da fé que professamos? Será ela fria, cálida ou morna, sendo esta abominada por Deus (cf. Ap 3,16)?
 
- Qual a pertinência e o convencimento de nosso testemunho cristão, assim como de nossas comunidades?
 
- Preocupamo-nos com a fecundidade da nossa missão em realidades urbanas que nos desafiam: condomínios, escolas, cadeias, hospitais, aeroportos, shoppings, ruas, meios de comunicação, e outros incontáveis espaços, chãos fecundos para a Missão, para o semear da Semente do Verbo?
 
A perseguição dos justos, ontem hoje e sempre, pode muito bem identificar a pessoa de Jesus, o Justo por excelência, porque obediente e fiel plenamente à vontade divina, que jamais conheceu o pecado.
 
Tendo encontrado com o Senhor que nos fala quando temos coragem de ouvir, ponhamo-nos em missão, com sentimentos de paciência na tribulação, resistência na tentação e gratidão na prosperidade porque nada falta a quem no Senhor confia, e a Ele se entrega.
 
 
(1) Cf. Lecionário Comentado – Ed. Paulus – Vol. Quaresma – Páscoa – p. 210


O Senhor renova todas as coisas...

                                                  

        O Senhor renova todas as coisas...

“O cristianismo é graça, é a surpresa de Deus”
(Papa São João Paulo II)


Senhor, Te contemplo como Messias,
Medito sobre Tuas dramáticas controvérsias com os judeus:
Procuram-te para prender, mas ainda não é chegada a tua hora.

Senhor, caminhas para Jerusalém, onde culminarás Tua missão,
Para redimir a humanidade de seu pecado;
A vida por Amor consumida, dilacerada, crucificada.

Tu, realizador de tantos prodígios,
Suscitaste interrogações e inquietações entre os Teus:
De uns a admiração, de outros a absoluta rejeição.

Tu, conhecido de tantos, e nem tanto assim,
Por conhecerem Tua família, Te ignoram,
A Ti se dirigem com frieza, indiferença e ironia.

Muitos não compreendem Tua origem divina,
Distantes do Plano de Salvação de Deus,
Ignoram até mesmo o próprio Deus.

Ó Senhor, creio em Ti, que és a verdadeira novidade,
Que superas a cada instante todas as expectativas.
És para a humanidade, hoje e sempre, surpresa maviosa.

Ó Senhor, Tua Palavra, ainda que o tempo passe,
Não perde o germe da novidade,
Fazendo renascer no coração os mais belos frutos.

Ó Senhor, Tua Palavra, no coração caída,
Como semente deita raízes, entranha a alma,
E frutos incontáveis para sempre ficam.

Ó Senhor, ainda que o mundo desapareça,
Tua Palavra para sempre permanecerá:
É fogo que queima, arde, aquece.

Ó Senhor, creio em Ti que não me deixas perder o encanto
De crer que Tuas maravilhas jamais cessam de acontecer,
Transformas em alegria e vitória as tristezas e prantos.

Peço-te, Senhor, que eu não caia na armadilha da presunção,
De tão habituado de Ti falar, de Tua Palavra proclamar,
Nada, absolutamente nada, a vida transformar.

Peço-Te, Senhor, que não me contente e me acomode
Com uma fé infantil, superficial, ingênua e aparente,
Que ela seja amadurecida pelas provações do presente.

Suplico-Te, Senhor, que não busque em Ti doutrinas e discursos
Que me anestesiem, alienem, e do combate me afastem,
Que Tua Palavra me desestabilize das falsas seguranças.

Suplico-Te, Senhor, livra-me de uma credulidade preguiçosa 
Que reduz a Boa Nova ao que o mundo deseja e propõe,
Esvaziando Sua natureza tão divina, Sua força tão vital.

Suplico-Te, Senhor, que não apenas a ilusão tenha
De tê-Lo encontrado, mas antes por Ti encontrado,
Num relacionamento verdadeiro, confiante e apaixonado.

Foste Tu, Senhor, que me escolheste, chamaste,
Que me enviaste para no mundo Tua presença ser,
E no pequenino Tua presença real reconhecer.

Que respondendo ao Teu divino chamado,
Uma fé mais convincente venha a viver,
Com testemunho mais fecundo e na missão mais ardor.

Dá-me, Senhor, suplico-Te, ainda que não mereça,
Uma fé viva, um espírito contrito e generoso,
Para compreender como és amável e bondoso.

Que contemplando a Tua divina glória,
Passos mais firmes, gestos multiplicados,
Novas linhas de uma nova história escrever. 


PS: Fonte inspiradora: Liturgia da sexta-feira da quarta semana da Quaresma (Sb 2,1a. 12 -22; Sl 33, 17-21;23;  Jo 7, 1-2.10.25-30), e livre adaptação do Lecionário Comentado – Quaresma – Páscoa pág. 207/210.

A alegria da Páscoa que se aproxima

                                                               

A alegria da Páscoa que se aproxima
 
Sejamos iluminados pela Carta Pascal escrita pelo Bispo Santo Atanásio (Séc. IV).
 
“É muito belo, meus irmãos, passar de uma para outra festa, de uma Oração para outra, de uma solenidade para outra Solenidade. Aproxima-se o tempo que nos traz um novo início e o anúncio da Santa Páscoa, na qual o Senhor foi imolado.
 
Do Seu Alimento nos sustentamos como de um manjar de vida, e a nossa alma se delicia com o Sangue precioso de Cristo como numa fonte. E, contudo, temos sempre sede desse Sangue, sempre o desejamos ardentemente. Mas o nosso Salvador está perto daqueles que têm sede, e na Sua bondade convida todos os corações sedentos para o grande dia da festa, dizendo: ‘Se alguém tem sede, venha a mim, e beba’ (Jo 7,37).
 
Sempre que nos aproximamos d’Ele para beber, Ele nos mata a sede; e sempre que pedimos, podemos nos aproximar d’Ele.
 
A graça própria desta celebração festiva não se limita apenas a um determinado momento; nem seus raios fulgurantes conhecem ocaso, mas estão sempre prontos para iluminar as almas de todos que O desejam. 
 
Exerce contínua influência sobre aqueles que já foram iluminados e se debruçam dia e noite sobre a Sagrada Escritura. Estes são como aquele homem que o Salmo proclama feliz, quando afirma:
 
‘Feliz aquele homem que não anda conforme o conselho dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na Lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar’ (Sl 1,1-2).
 
Por outro lado, amados irmãos, o Deus que desde o princípio instituiu esta festa para nós, concede-nos a graça de celebrá-la cada ano. Ele que, para nossa salvação, entregou à morte Seu próprio Filho, pelo mesmo motivo nos proporciona esta santa solenidade que não tem igual no decurso do ano.
 
Esta festa nos sustenta no meio das aflições que encontramos neste mundo. Por ela Deus nos concede a alegria da salvação e nos faz amigos uns dos outros.
 
E nos conduz a uma única assembleia, unindo espiritualmente a todos em todo lugar, concedendo-nos orar em comum e render comuns ações de graças, como se deve fazer em toda festividade.
 
É este um milagre de Sua bondade: congrega nesta festa os que estão longe e reúne na unidade da fé os que, porventura, se encontram fisicamente afastados”.
A poucos dias da Semana Santa e da desejada celebração da Páscoa do Senhor que, passando pela Paixão e Morte, alcança a glória da Ressurreição, e nela a nossa, continuemos nosso itinerário Quaresmal rumo à Páscoa do Senhor, intensificando nossa aplicação nos exercícios quaresmais da oração, jejum e esmola.
 
Intensifiquemos a preparação da celebração deste Mistério Pascal, que reúne na unidade da fé os que se encontram fisicamente afastados e, também, aqueles com os quais convivemos e partilhamos nossa existência.
 
Seja cada vez mais frutuosa, ativa, piedosa e consciente nossa participação das celebrações eucarísticas, bem como em todos os outros momentos vivenciados pela Comunidade, a fim de que sejamos fortalecidos, como discípulos missionários do Senhor, como Igreja Sinodal que somos, caminhando sempre juntos.
 
Elevemos a Deus orações, para que estes momentos tão difíceis passem, renovando em nós a fé, a esperança e a caridade, e assim poderemos também celebrar os demais Sacramentos, bem como retomar todas as atividades Pastorais.
 
Urge que continuemos orando em família, uma verdadeira Igreja doméstica, como nos fala o Catecismo da Igreja Católica:
 
"Uma revelação e atuação específica da comunhão eclesial é constituída pela família cristã, que também, por isso, se pode e deve chamar Igreja doméstica." É uma comunidade de fé, de esperança e de caridade; na Igreja ela tem uma importância singular, como se vê no Novo Testamento" (1).
 
Somente com esta preparação, será possível que em nosso coração seja transbordada a alegria da Páscoa do Senhor.
 
E assim, seremos novas criaturas para continuarmos nosso bom combate da fé, até que um dia façamos também nossa passagem definitiva, como o começo de uma vida que não conhece o fim, porque é a vida eterna na glória dos céus.
 
(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n.2204
 


Cristo Salvador, dai-nos coragem e fortaleza

                                                                 

Cristo Salvador, dai-nos coragem e fortaleza

Na quarta sexta-feira do Tempo da Quaresma, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 7,1-2.10.25-30).

Com este capítulo, o Evangelista João começa a segunda parte do seu Evangelho, e é notável o desdobramento, que culminará da morte de Jesus Cristo - “Os judeus procuravam matá-Lo”.

Jesus está disposto a assumir as consequências até o seu extremo, de modo que a hostilidade destes O levará à morte.

Diante de Jesus, temos que fazer nossa escolha: ou reconhecer n’Ele o enviado do Pai, fonte da vida, e aceitar os riscos de semelhante escolha ou então rejeitá-Lo, a fim de conservar a própria segurança no imediato, mas comprometendo o futuro.

Deste modo, vemos como o Mistério de Cristo reflete-se na Igreja, e as opções desta na fidelidade a Ele exigem coragem e fortaleza.

Oremos:

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que, por Vossa morte e Ressurreição, fomos redimidos.

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que conduzis Vossa Igreja à Páscoa da eternidade.

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que fostes elevado na Cruz, deixastes a lança do soldado Vos traspassar, e podeis curar as nossas feridas. 

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que transformastes o Madeiro da Cruz em Árvore da Vida, e podeis conceder os frutos desta Árvore aos que renasceram pelo Batismo.

Cremos em Vós, Cristo Salvador, que fostes pregado na Cruz, perdoastes o ladrão arrependido, e que podeis, também, perdoar a nós, pecadores que somos.

Por isto Cristo Salvador, que nos alimentais com Vosso Corpo e Sangue, fortalecei-nos na missão de discípulos missionários Vossos. Dai-nos coragem e fortaleza. Amém.


Fontes: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.78; Preces das Laudes da quarta sexta-feira do Tempo da Quaresma

“Vá e não peques mais” (VDTQC)

                                                           

“Vá e não peques mais”

No 5º Domingo da Quaresma (Ano C), a Liturgia da Palavra da Santa Missa nos convida a nos pormos de pé, vivendo de maneira diferente, acolhendo a Palavra de Jesus que foi dirigida à pecadora surpreendida em adultério: “vai e não tornes a pecar”.

É o grande convite para fortalecermos o dinamismo de conversão que iniciamos com a Quarta-feira de Cinzas, voltando-nos para um Deus que nos ama e nos desafia a romper as escravidões que nos afastam de Seu Amor e nos colocando a caminho numa vida nova, até que alcancemos a Ressurreição.

A primeira Leitura (Is 43, 16-21) é uma passagem contida no “Livro da Consolação”, que retrata um contexto de exílio na espera de um novo êxodo (séc. VI a.C.).

O Povo de Deus não podia ficar ancorado numa fuga nostálgica do passado, tão pouco ficar inerte numa saudade que não levasse a uma nova realidade, menos ainda refugiar-se com medo do presente. A lembrança do passado somente é valida quando alimenta a esperança e prepara um futuro novo. Este só será possível quando o Povo de Deus se volta para Ele em fidelidade incondicional.

Deus, de fato, é um Deus libertador que não se conforma com qualquer escravidão que roube a vida e a dignidade do homem e da mulher, e nos acompanha e nos fortalece para que lutemos contra toda forma de sujeição.

A segunda Leitura (Fl 3,8-14) é uma pequena e densa passagem em que o Apóstolo Paulo exorta os fiéis da comunidade a jogar fora todo “lixo” que impeça a mais bela descoberta de Cristo, para se viver a comunhão e a identificação com Ele.

Paulo está preso e escreve esta Carta terna e afetuosa, com palavras de gratidão e exortação à fidelidade a Cristo Jesus, para que a comunidade não se desvie pela pregação dos falsos pregadores.

Somente Cristo importa. Conhecê-Lo numa intimidade de vida, viver em comunhão com Ele, assumir o mesmo destino para Ressuscitar para uma vida nova. É preciso se apaixonar por Cristo e Sua Palavra.

O episódio descrito na passagem do Evangelho (Jo 8,1-11) revela-nos um Deus de Misericórdia que age por meio do Filho, Jesus. 

O cenário de fundo nos coloca frente a uma mulher apanhada em adultério, e de acordo com o Levítico (Lv 20,10) e o Livro do Deuteronômio (Dt 22,22-24), a mulher devia ser morta (lapidada).

Aplicar a Lei ou não, eis a questão colocada para Jesus, que é posto em face à Lei e, ao mesmo tempo, em face de uma mulher adúltera.

Jesus não rejeita a Lei, pede tão apenas que escribas e fariseus se voltem para sua própria vida antes de olhar a mulher e de sentenciar a condenação.        

Que se vejam “no espelho” e também vejam quão pecadores também o são. E, assim, a partir dos mais velhos retiram-se.

A ação de Jesus diante da questão posta revela que a Misericórdia Divina não condena, não elimina, não julga e não mata.

A lógica divina é sempre a possibilidade de uma vida nova. De fato, o amor liberta, renova e gera esta vida nova que tanto ansiamos.

Embora nossa vida pareça, por vezes, um deserto árido, Deus se apresenta como a Fonte de Água Viva; por Seu Amor faz surgir um rio de Água Viva. A aridez do deserto é vitalizada pela intervenção divina, que nos acompanha e nunca desiste de nós, apesar de nossas infidelidades.

Somos interpelados a rever a lógica sobre a qual se organiza a sociedade, passando da eliminação sumária à reeducação e a reintegração daquele que pecou, ainda que o caminho pareça mais difícil, mais longo.

Somos desafiados a viver a lógica da misericórdia que é criativa. É preciso superar a lógica simplista - “errou, pagou...”. A lógica divina é infinitamente superior: “errou, dê conta do erro e não peques mais, e entre num caminho comunitário de conversão”.

Neste Tempo Quaresmal, somos convidados a rever também nossos pecados, e confessá-los diante da Misericórdia de Deus, sobretudo, através do Sacramento da Penitência.

Também convidados somos a cuidar melhor de nossos “telhados de vidro”, sem conivência com o pecado do outro, mas crendo que a Misericórdia Divina é a possibilidade de vida reconciliada, de vida nova para todos.

A alegria de Deus é a conversão do pecador. Deus abomina o pecado e ama o pecador. Ele não quer que ninguém se perca e naufrague no mar imenso de pecado.

É preciso que esvaziemos nossas mãos das pedras, sempre prontas para as lapidações sumárias do outro. Por vezes estas pedras se encontram em nossa língua e em nossos gestos, se nosso coração estiver cheio de rancores, ressentimentos, autossuficiência, soberba...

Libertemo-nos das pedras, revistamo-nos da Misericórdia Divina que em Cristo nos reconciliou e nos fez novas criaturas.

Caminhemos com Jeus, o rosto da misericórdia divina. Amém.

Alegria que nasce do amor e do perdão! (VDTQC)

                                                    

Alegria que nasce do amor e do perdão!

Quem de nós não
precisa receber e dar o pero?

Toda experiência de ser amado e perdoado gera uma alegria com gosto de Páscoa. Assim foi com a pecadora adúltera perdoada por Jesus, como nos apresenta a passagem do Evangelho de São João (Jo 8,1-11).

Aprofundemos sobre a desafiadora e necessária experiência do perdão, para que sintamos a alegria que ele nos propicia. 

Assim diz o Comentário do Missal Cotidiano sobre esta passagem do Evangelho: "A adúltera representa os membros da Igreja. Para lá de nossos pecados aceitamos o encontro e o diálogo de fé com Cristo, que deve desaguar no 'não peques mais', não por mera obediência à lei, mas para responder às exigências de uma consciência que encontrou o Amor." (1)

A misericórdia de Deus não condena, não elimina, não julga e não mata. A lógica divina é sempre a possibilidade de uma nova vida, de um novo recomeço.

Quando Cristo é a nossa riqueza, tudo é lixo (Fl 3,8). Abandona-se a vida do pecado, para um mergulho na vida da graça: “Vá e não peques mais” (Jo 8,11).

O que Cristo escreve no chão de nossa história para que O descubramos como nossa riqueza, e busquemos uma nova vida?

Se formos de má índole precisamos nos corrigir. Se formos acompanhados de pessoas de má índole, devemos nos cercar de pessoas que nos retire da areia movediça de nossos pecados.

Se for toda uma estrutura que gera situações de pecados, todos devemos nos empenhar na transformação desta.

Nossa vida parece, às vezes, um deserto árido, mas Deus que é fonte de Água Viva, por Seu amor, faz surgir um rio de água viva em pleno deserto de nossa existência, a partir da experiência mais edificante que consiste em amar e ser amado.

A lógica de Deus não é a mesma lógica da sociedade. Deus reeduca, a sociedade elimina. Diante da atitude de exclusão o Amor divino propõe a inclusão de quem pecou.

A lógica do Amor de Deus nos faz perceber nossos telhados de vidros:

“Atire a primeira pedra quem não tiver pecado algum” (Jo 8,7).

A lógica humana é simplista: errou, pagou! A lógica de Deus é infinitamente superior e criativa e nos desafia a mesma criatividade: Errou, dê conta do erro e não peque mais! Entre num caminho comunitário de conversão e compromisso com o próximo.

O amor liberta, renova e gera uma nova vida. A pecadora adúltera somos nós, a Igreja, frágeis, pequenos, que suplicamos a Deus a Sua misericórdia.

A Igreja deve sempre ser no mundo sinal de quem experimentou a ternura de Deus e descobriu na prática da ternura de Jesus o que existe de mais humano em Deus e o que há de divino no homem.

Jesus nos faz um forte convite: desarmarmo-nos de nossas pedras e nos armarmos com a arma do cristão que é o amor.

Quais são as pedras que devemos depor?
Quais são as pedras que atiramos com nossas línguas, gestos no dia a dia?

Somente a partir da experiência de ser acolhido, amado e perdoado que poderemos fazer o mesmo.

Prenúncio de uma nova realidade!
Serão os sinais visíveis da Vinda do Senhor em nossa vida. Sinais para aqueles que se nutriram do horizonte do amor que é verdadeiramente infinito, inaugurado e realizado por Cristo Jesus, celebrado em cada Banquete Eucarístico, até que Ele venha! Amém!


PS: Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 293.

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