quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Em poucas palavras... (Paz)

                                                  


                           “Concede-nos, Senhor, a tua paz!”

“Concede-nos, Senhor, a tua paz! Esta é a oração que elevo a Deus ao dirigir as minhas saudações de Ano Novo aos Chefes de Estado e de Governo, aos Chefes das Organizações Internacionais, aos líderes das diferentes religiões e a todas as pessoas de boa vontade.

Perdoa-nos as nossas ofensas, Senhor, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e, neste círculo de perdão, concede-nos a tua paz, aquela paz que só Tu podes dar para aqueles que deixam o seu coração desarmado, para aqueles que, com esperança, querem perdoar as dívidas aos seus irmãos, para aqueles que confessam sem medo que são vossos devedores, para aqueles que não ficam surdos ao grito dos mais pobres.” (1)

 

(1)        Mensagem do Santo Padre Francisco para o LVIII Dia Mundial da Paz (01/01/25) – parágrafo n. 15

A paz é fruto da justiça!


 A paz é fruto da justiça!

Em 2009, a Campanha da Fraternidade nos desafiou com um tema de extrema urgência: construir a paz, em irrenunciável compromisso com ela.

Passos foram dados, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Enquanto peregrinarmos neste mundo a paz será sempre a nossa grande busca, proponho ao leitor retomarmos as reflexões que escrevi na ocasião, reeditadas para facilitar a leitura.

Inicialmente, é importante termos claro qual é paz que a Igreja acredita e anuncia.

A Paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao outro, a mediação pacífica dos conflitos, a promoção da dignidade humana e construção de uma sociedade justa e fraterna. Enfim, a paz fruto da justiça.

Precisamos dizer não à paz negativa, que se dá pelo uso da força das armas, da intolerância com os diferentes, e que tem como foco e meta os bens materiais, a busca inescrupulosa do poder.

Todos somos responsáveis pela paz. O exercício da cidadania é inadiável, e devemos colaborar no cultivo da cultura da paz e da vida, não apenas nas paredes de nossa Igreja, mas envolvendo todas as pessoas, todos os segmentos da sociedade, em todas as esferas de poder.

Lembro as oportunas e atualíssimas palavras do Secretário Geral da CNBB, D. Dimas L. Barbosa, naquele ano: “O caminho para a superação da insegurança passa, assim, pelo cultivo da cultura da paz, que supera a visão de guerra, seguindo a qual a violência se vence com violência.

A cultura da paz exige novos critérios para o relacionamento humano: a vivência da não violência ativa, a superação da vingança, a gratuidade, o perdão e a misericórdia. A prioridade tem que ser o valor da pessoa humana e sua dignidade”

A Oração do Salmista há de se tornar uma realidade: “O Amor e a Verdade se encontram, Justiça e Paz se abraçam, da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu. O próprio Iahweh dará a felicidade e nossa terra dará seu fruto. A Justiça caminhará a sua frente, e com seus passos traçará um caminho” (Sl 85,11-14).

Natal verdadeiro é compromisso com a fraternidade

Natal verdadeiro é compromisso com a fraternidade

Sejamos iluminados pela reflexão escrita pelo Bispo e Doutor da Igreja, Santo Atanásio:

O Verbo de Deus veio em auxílio da descendência de Abraão, como diz o Apóstolo. Por isso devia fazer-Se em tudo semelhante aos irmãos (Hb 2,16-17) e assumir um corpo semelhante ao nosso.

Eis por que Maria está verdadeiramente presente neste Mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós.

A Sagrada Escritura, recordando este Nascimento, diz: Envolveu-O em panos (Lc 2,7); proclama felizes os seios que O amamentaram e fala também do sacrifício oferecido pelo Nascimento deste Primogênito.

O Anjo Gabriel, com prudência e sabedoria, já O anunciara a Maria; não lhe disse simplesmente: Aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti (cf. Lc 1, 35Vulg.), para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria.

Assim foi que o Verbo, recebendo nossa natureza humana e oferecendo-a em sacrifício, assumiu-a em Sua totalidade, para nos revestir depois de Sua natureza divina, segundo as palavras do Apóstolo: É preciso que este ser corruptível Se vista de incorruptibilidade; é preciso que este ser mortal Se vista de imortalidade (1Cor 15,53).

Estas coisas não se realizaram de maneira fictícia, como julgam alguns, o que é inadmissível! Nosso Salvador fez-Se verdadeiro homem, alcançando assim a salvação do homem na sua totalidade. Nossa salvação não é absolutamente algo de fictício, nem limitado só ao corpo; mas realmente a salvação do homem todo, corpo e alma, foi realizada pelo Verbo de Deus.

A natureza que Ele recebeu de Maria era uma natureza humana, segundo as divinas Escrituras, e o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro. Digo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso. Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão.

As palavras de João: O Verbo Se fez carne (Jo 1,14) têm o mesmo sentido que se pode atribuir a uma expressão semelhante de Paulo: O Cristo fez-Se maldição por nós (cf. Gl 3,13). Pois da intima e estreita união com o Verbo, resultou para o corpo humano em engrandecimento sem par: de mortal tornou-se imortal; sendo animal, tornou-se espiritual; terreno, transpôs as portas do céu.

Contudo, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio da Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição.

É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo.”

Celebramos o Natal, o maior de todos os acontecimentos da História: o Nascimento do Salvador, e com ele o maravilhoso encontro da Divina Fonte de Amor, que no ventre de Maria foi concebido, realizando o encontro da imensidão divina do Verbo e a pequenez da criatura humana.

Deus veio ao nosso encontro, fez-Se um de nós, assumiu nossa condição humana vivendo as vicissitudes desta condição, exceto o pecado.

Contemplemos o Mistério que nos envolve, tempo tão esperado, na plenitude dos tempos, realizado e, no Altar Sagrado, celebrado.

No ventre de Maria, o encontro de duas naturezas, o encontro da imensidão e da pequenez que nos convida ao silêncio e à Oração.

Deus se tornou tão próximo de nós sem nenhum mérito de nossa parte.

Tendo celebrado o Mistério do Natal do Senhor, empenhemo-nos na realização da aspiração da fraternidade, fazendo dela o fundamento e o caminho para a paz e façamos de cada dia do ano novo, uma contemplação e correspondência ao Mistério imensurável do Amor de Deus.


Tempo de promover a concórdia e a paz

         


                       Tempo de promover a concórdia e a paz
 
     “Suportemos as fraquezas dos menos fortes” (cf. Rm 15,1-3)
 
Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos:

“Nós que temos convicções firmes devemos suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação.
 
Cada um de nós procure agradar ao próximo para o bem, visando a edificação. Com efeito, Cristo também não procurou a Sua própria satisfação, mas, como está escrito: ‘Os ultrajes dos que te ultrajavam caíram sobre mim’”. (Rm 15,1-3)
 
Todos nós já tivemos oportunidade de viver esta realidade: uma ação impiedosa, um ato pensado e realizado por alguém, quase ou mesmo roubando nossa serenidade.
 
E isto pode ser no âmbito da comunidade, bem como em todos os níveis de relacionamentos.
 
Eis o grande desafio: “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Jamais podemos perder de vista nossa missão de “edificar” a comunhão, a fraternidade, sobretudo porque somos discípulos missionários do Senhor, que nos deu a mais bela lição pelo Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte, como nos fala o Apóstolo.
 
Não é um caminho fácil a ser percorrido, e está explícito no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a), que nos exorta a viver a mansidão e promover a paz, suportando, se houver, calúnias, difamação e perseguições por causa do nome de Jesus e do Evangelho, que cremos, anunciamos e testemunhamos.
 
Vivendo em comunidade, somos desafiados a dar razão de nossa fé e esperança, sem jamais faltar com a caridade que jamais passará, e é exatamente nestes momentos e situações, o apóstolo nos exorta a “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Urge a edificação da unidade, um grande desafio para nossa fé e testemunho: - “Agradar ao próximo para o bem, visando a edificação”.
 
E isto somente se torna possível, se tivermos como modelo o próprio Cristo “que não procurou a Sua própria satisfação”, fazendo cair sobre Si os ultrajes todos, ainda que não merecidos, por amor de nós, quando ainda pecadores.
 
Deste modo, é sempre tempo crescer na espiritualidade cristã e:
 
- Suportar as fraquezas dos menos fortes;
- Edificar a unidade, movidos pelas virtudes divinas;
- Ter os mesmos sentimentos, pensamentos e atitudes de Jesus.
 

Oremos:
 
"Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-Vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por N.S.J.C. Amém" (1)
 
(1) “Oração do Dia” - IV domingo do Tempo Comum (ano A)
 

Abençoados por Deus e protegidos por Maria

                                                     


Abençoados por Deus e protegidos por Maria

Senhor, iniciaremos mais um ano, e pedimos todos os dias Vossa bênção e proteção.
Fazei resplandecer sobre nós Vosso rosto, e tenha misericórdia de nós,
Humildemente, em Vossas mãos, colocamos nossa miséria por Vós redimida.

Senhor, volvei para nós o Vosso rosto e dai-nos a Vossa verdadeira paz,
A plenitude de todos os dons, enriquecendo-nos imensuravelmente com eles,
Pois valem mais do que todo o ouro e riqueza do mundo inteiro.

Senhor, concedei-nos, a cada dia, um coração contemplativo e meditativo,
Como o coração de Vossa Amantíssima Mãe que,
Contemplando os Mistérios divinos, nos ensinou o mesmo fazer.

Senhor, com este olhar, saibamos silenciar o coração e amar como amais,
Sobretudo quando as águas turbulentas de nossa história se agitarem,
jamais percamos a fé e esperança, porque em Vós não se decepciona quem confia.

Senhor, como aos Vossos pastores, concedei-nos Vosso Santo Espírito,
Para louvar e glorificar a Vossa incansável ação em nosso favor,
Vós que nos cumulais de copiosas graças e infinitas maravilhas.

Senhor, por Vós iluminados e conduzidos pelo Vosso Santo Espírito,
Proclamemos Vossa divina Palavra, como alegres mensageiros
Discípulos missionários, com os pés a caminho, em permanente missão.

Senhor, enfim, nós Vos agradecemos, porque ao Se Encarnar e por nós morrer,
Nos redimistes e Deus nos adotou por filhos, e nos fez herdeiros por Vossa graça,
Herdeiros da mais bela riqueza, hospedeiros do mais belo Hóspede: o Santo Espírito.

Trindade Santa, sejamos, portanto, a cada dia deste ano, abençoados,
E, por Vossa Mãe, no colo carregados, e também amados e protegidos,
Por maiores que as dificuldades sejam, maior seja a força que vem de Vós. Amém.

Maria, Mãe de Deus

                                                       


Maria, Mãe de Deus

“Maria ficará para sempre ‘mãe’,
Mãe do homem Jesus Cristo e Mãe do Altíssimo.”

Tanto nas Igrejas do Oriente como do ocidente dão, unanimemente, a Maria o nome de “Mãe de Deus”; é através deste título que a Ela recorrem na Oração Eucarística e nas celebrações do Natal do Senhor, invocando a sua intercessão, e não poderia ser chamada de outro modo porque Seu Filho é o Filho do Altíssimo.

O Concílio Ecumênico em Éfeso, no ano de 431, a declarou solenemente Mãe de Deus, contra os que rejeitavam este apelativo.

Por isso, a proclamação do Magistério provocou na cidade um regozijo popular indescritível, porque o povo cristão já havia assim compreendido antes da afirmação do Dogma.

Em Roma, o Papa Sisto III (432-440) mandou restaurar imediatamente e consagrou à Virgem Maria a antiga basílica, que, desde o século IV, se erguia no Monte Esquilino, hoje conhecida com o nome de Santa Maria Maior (mais velha ou mais antiga), porque foi a primeira Igreja dedicada à Mãe de Deus no Ocidente.

A Virgem Maria é nossa mãe por ter trazido ao mundo Aquele que é nosso Irmão e Senhor, e muito nos enriquecemos ao contemplá-La em sua humildade como ‘escrava do Senhor’, ‘a bendita entre todas as mulheres’ que correspondeu com fé e humildade plena à sua vocação, e por isto ela se tornou a Mãe da Igreja e modelo mais perfeito para todo o discípulo missionário que pretende ser fiel na escuta prática da Palavra do Senhor.

Por isto a Igreja afirma que Ela é a "Rainha de todos os Santos", porque nela a graça desenvolveu-se sem encontrar o menor obstáculo e está intimamente associada à obra da Redenção, realizada por Seu Filho, intercedendo junto d’Ele por nós, ‘pecadores’, agora e na hora de nossa morte, como Mãe e Medianeira nossa.

Nada sabemos sobre o que o Ano Novo trará para nós e para o mundo inteiro, mesmo quando saudamos e desejamos um "Ano Novo cheio de felicidades".

Mas não há sombra de dúvida que, aconteça o que acontecer, podemos contar sempre com a graça constante de Deus e com a intercessão de Maria, que jamais nos desampara.

Silenciemo-nos e contemplemos a singeleza de um presépio, lá está Maria silenciosa ao lado de José: ela um pouco mais retirada no estábulo em que deu à luz ao Salvador, como que dizendo a todos nós: “Amados filhos, somente n’Ele, neste Menino que é Deus,  deve centrar toda a atenção, e só por Ele dar glória e louvor a Deus, e façam tudo o que Ele disser a vocês, sem medo, sem reservas, com coragem e fidelidade, e alegria, felicidade e paz encontrarão".

É deste modo que contemplamos a presença de Maria na Igreja: intensamente presente, mas em segundo plano em relação a Jesus, Aquele que é único que nos Salva, porque é Verdadeiramente Homem, Verdadeiramente Deus.

Concluindo, “Maria ficará para sempre ‘mãe’, Mãe do homem Jesus Cristo e Mãe do Altíssimo. O seu seio é o lugar onde se encontram a imensidão de Deus e a pequenez e fragilidade da criatura humana. É esta a ‘admirável permuta’ que muda o nosso destino, porque agora também a mais pobre carne humana encerra o tesouro de uma semente de humanidade.” (1)

“Por Ele, realiza-se hoje o maravilhoso encontro que nos dá vida nova em plenitude. No momento em que Vosso Filho assume nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade: Ao tornar-se ele um de nós, nós nos tornarmos eternos.” (2)

Contemplemos Jesus, a Fonte da Divina Graça, Maria, plena da graça divina, José, fidelidade incondicional à graça divina. Enfim, imitemos a Sagrada Família na terra, para viver com Ela no céu.



PS: Livre adaptação - Missal Cotidiano Dominical e Ferial - pp. 206 e 208;
(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus - p.292
(2) Missal Romano - Editora Paulus - p. 412

“Hino à Mãe de Deus”

                                                       

“Hino à Mãe de Deus”

Hino à Mãe de Deus: trata-se de um antigo hino siríaco de Tiago de Saroug, em que nos apresenta Maria, a Bem-Aventurada.

Também nós, como discípulos missionários do Senhor, somos chamados a trilhar o caminho das Bem-Aventuranças, como Ele nos falou no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Seja nossa devoção Mariana a imitação das virtudes de Sua Mãe, a Mãe de Deus, pois somente assim nossa devoção será frutuosa e agradável aos olhos de Deus, como nos ensina a Igreja.

“Ela é bem-aventurada: recebeu o Espírito que a fez pura e imaculada; tornou-se o templo onde habita o Filho das celestes alturas.

Ela é bem-aventurada: por ela foi restaurada a raça de Adão e reconduzidos os que tinham abandonado a casa do Pai.

Ela é bem-aventurada: sem conhecer as uniões humanas, pôde sem confusão contemplar seu Filho como as outras mães.

Ela é bem-aventurada: seu corpo permaneceu sem mancha e foi glorificado pelo terno fruto da sua virgindade.

Ela é bem-aventurada: os limites do seu seio contiveram a grandeza sem limite que enche os céus, sem que estes possam sustentá-la.

Ela é bem-aventurada: deu a vida ao antepassado comum que gerou Adão e renovou todas as criaturas degeneradas.

Ela é bem-aventurada: deu o seio àquele que levanta as ondas do mar.

Ela é bem-aventurada: carregou o poderoso gigante que sustenta o mundo com secreto vigor; beijou-O e ternamente O cobriu de carícias.

Ela é bem-aventurada: seus lábios tocaram aquele cuja chama faz recuar os ardentes serafins.

Ela é bem-aventurada: suscitou aos prisioneiros um libertador que subjugou o carcereiro e devolveu a paz à terra.

Ela é bem-aventurada: alimentou com seu leite aquele que deu a vida a todos os mundos.

Ela é bem-aventurada: pois todos os santos devem ao seu Filho a felicidade. Bendito é o Santo de Deus que brotou da sua pureza!
Amém.” 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG