quarta-feira, 29 de abril de 2026

Como é bom e suave o Teu Espírito, Senhor!

                                                          

                    Como é bom e suave o Teu Espírito, Senhor!

Sejamos enriquecidos pelo diálogo da Virgem Santa Catarina de Sena (séc. XIV), Doutora da Igreja, com a Providência divina.

“Com a indizível benignidade de sua clemência, o Pai eterno dirigiu o olhar para esta alma, e começou a falar: ‘Caríssima filha, determinei com firmeza usar de misericórdia para com o mundo e quero providenciar acerca de todas as situações dos homens. Mas o homem ignorante julga levar à morte aquilo que lhe concedo para a vida, e assim se torna muito cruel, para si próprio; no entanto, dele eu cuido sempre. Por isso quero que saibas: tudo quanto dou ao homem provém da suprema providência.

E o motivo está em que, tendo criado com providência, olhei em mim mesmo e fiquei cativo da beleza de minha criatura. Porque foi de meu agrado criá-la com grande providência à minha imagem e semelhança. Mais ainda, dei-lhe a memória para guardar meus benefícios em seu favor, por querer que participasse de meu poder de Pai eterno.

Dei-lhe, além disto, a inteligência para conhecer e compreender na sabedoria de meu Filho a minha vontade, porque sou com ardente caridade paterna o máximo doador de todas as graças. Concedi-lhe também a vontade de amar, participando da clemência do Espírito Santo, para poder amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse.

Isto fez minha doce providência. Ser o único capaz de entender e de encontrar seu gozo em mim com alegria imensa na minha eterna visão. E como de outras vezes te falei, pela desobediência de vosso primeiro pai Adão, o céu estava fechado. Desta desobediência decorreram depois todos os males no mundo inteiro.

Para fazer desaparecer do homem a morte de sua desobediência, em minha clemência providenciei, entregando-vos meu Filho unigênito com grande sabedoria, para que assim reparasse vosso dano. Impus-lhe uma grande obediência, a fim de que o gênero humano se livrasse do veneno que se difundira no mundo pela desobediência de vosso primeiro pai. Assim, como que cativo de amor e com verdadeira obediência, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa morte sacratíssima, deu-vos a vida, não pelo vigor de sua humanidade, mas da divindade’".

Como Deus é misericordioso para conosco! Incansavelmente, cuida de nós, ainda que não mereçamos e não percebamos. É próprio do amor de Deus não desistir de nós, porque somos obras de Sua mão, expressão de Seu amor.

Nada teríamos se Deus não nos providenciasse, e tudo é Sua inciativa. Importa reconhecer que tudo que temos é nosso, mas antes de tudo é de Deus. O mundo, a vida, o nosso ser, tudo é de Cristo, e Cristo é de Deus, já nos disse o Apóstolo Paulo.

Deus nos criou, somos obras de Suas mãos. A beleza que temos é a perfeita semelhança com Ele. Criado à Sua imagem e semelhança nos deu a memória, que por vezes mal usamos, não guardamos os benefícios e maravilhas incontáveis que Ele realiza.   

Possuidores de memória, de inteligência, de liberdade, podemos corresponder ou não aos desígnios divinos; fortalecer vínculos com a fonte de nossa vida e aprofundar nossa amizade com Ele, no senhorio sobre todas as coisas.                 

Explicita a inteligência para compreensão de Sua sabedoria para que sua vontade seja conhecida e realizada. Deus é Pai e possui por nós uma “ardente caridade paterna” e é para nós o “doador de todas as graças.” Ainda, nos comunica a ação e a presença do Espírito Santo para “amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse”.

Ó quão doce é a providência divina; capaz de derramar e comunicar Seu Amor por nós, ainda que nossos primeiros pais tenham pecado!.

Ressoem três passagens bíblicas:

“Deus amou tanto o mundo  que entregou o Seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16);

Tornando-Se semelhante aos homens e reconhecido em Seu aspecto como um homem abaixou-Se, tornando-Se obediente até a morte, à morte sobre uma Cruz. Por isso Deus soberanamente o elevou e lhe conferiu o nome que está acima de todo nome...” (Fl 2, 1-9);

“Vede que manifestação de amor nos Deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus e nós o somos. Se o mundo não nos conhece, é porque não o conheceu” (1 Jo 3,1).

De fato, a onipotência divina tem um rosto e um nome: Jesus, que nos ama até o fim.

Esta onipotência Se revela na impotência da humanidade crucificada por Amor de nós, para nos redimir, reconciliar com Deus e nos tirar da mansão dos mortos, do abismo do pecado, da escuridão, do desamor... Ó Suprema e Divina Santíssima Trindade!

Glorifiquemos a Deus por mulheres tão sábias e tão presentes em nossas comunidades, a exemplo de Santa Catarina de Sena, que nos comunicam as maravilhas das delícias divinas em todos os tempos.

Um diálogo amoroso

                                                     

Um diálogo amoroso
 
Da Virgem Santa Catarina de Sena (séc. XIV), Doutora da Igreja, temos um Diálogo que ela faz com a Providência divina, e que muito nos ajuda a crescer na intimidade com Deus.
 
Assim inicia seu diálogo com Deus:
 
Com a indizível benignidade de Sua clemência, o Pai eterno dirigiu o olhar para esta alma, e começou a falar...”
 
Em seguida, ela nos apresenta o falar da Providência Divina:
 
Caríssima filha, determinei com firmeza usar de misericórdia para com o mundo e quero providenciar acerca de todas as situações dos homens. Mas o homem ignorante julga levar à morte aquilo que lhe concedo para a vida, e assim se torna muito cruel, para si próprio; no entanto, dele Eu cuido sempre.”
 
Como Deus é misericordioso para conosco! Incansavelmente, cuida de nós, ainda que não mereçamos, ainda que não percebamos.
 
“Por isso quero que saibas: tudo quanto dou ao homem provém da suprema providência.”
 
Nada teríamos se Deus não nos providenciasse. Tudo é nosso pela iniciativa de Deus. Importa reconhecer que tudo que temos é nosso, mas antes de tudo é de Deus. O mundo, a vida, o nosso ser, tudo é de Cristo, e Cristo é de Deus, já nos disse o Apóstolo Paulo.
 
“E o motivo está em que, tendo criado com providência, olhei em mim mesmo e fiquei cativo da beleza de minha criatura. Porque foi de meu agrado criá-la com grande providência à minha imagem e semelhança. Mais ainda, dei-lhe a memória para guardar meus benefícios em seu favor, por querer que participasse de meu poder de Pai eterno.”
 
Deus nos criou, somos obras de Suas mãos. A beleza que temos é a perfeita semelhança com Ele. Criado à Sua imagem e semelhança nos deu a memória, que por vezes mal usamos, não guardamos os benefícios e maravilhas incontáveis que Ele realiza.   Possuidores de memória, de inteligência, de liberdade, podemos corresponder ou não aos desígnios divinos; fortalecer vínculos com a fonte de nossa vida e aprofundar nossa amizade com Ele, no senhorio sobre todas as coisas.                 
 
“Dei-lhe, além disto, a inteligência para conhecer e compreender na sabedoria de meu Filho a minha vontade, porque Sou com ardente caridade paterna o máximo doador de todas as graças. Concedi-lhe também a vontade de amar, participando da clemência do Espírito Santo, para poder amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse.”
 
Explicita a inteligência para compreensão de Sua sabedoria para que sua vontade seja conhecida e realizada. Deus é Pai e possui por nós uma “ardente caridade paterna” e é para nós o “doador de todas as graças.” Ainda, nos comunica a ação e a presença do Espírito Santo para “amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse”.
 
Continua a Doutora:
 
“Isto fez minha doce providência. Ser o único capaz de entender e de encontrar seu gozo em mim com alegria imensa na minha eterna visão. E como de outras vezes te falei, pela desobediência de vosso primeiro pai Adão, o céu estava fechado. Desta desobediência decorreram depois todos os males no mundo inteiro.”
 
Ó quão doce é a providência divina; capaz de derramar e comunicar Seu Amor por nós, ainda que nossos primeiros pais tenham pecado. É próprio do Amor de Deus não desistir de nós, porque somos obras de Sua mão, expressão de Seu amor.
 
“Para fazer desaparecer do homem a morte de sua desobediência, em minha clemência providenciei, entregando-vos meu Filho unigênito com grande sabedoria, para que assim reparasse vosso dano. Impus-lhe uma grande obediência, a fim de que o gênero humano se livrasse do veneno que se difundira no mundo pela desobediência de vosso primeiro pai.”
 
Somos remetidos à algumas passagens bíblicas:
 
 “Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16);
 
 “Tornando-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz. Por isso Deus soberanamente o elevou e lhe conferiu o nome que está acima de todo nome...” (Fl 2, 1-9);
 
 “Vede que manifestação de amor nos Deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus e nós o somos. Se o mundo não nos conhece, é porque não o conheceu” (1 Jo 3,1).
 
Retomando o seu diálogo:
 
- “Assim, como que cativo de amor e com verdadeira obediência, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima, deu-vos a vida, não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade”.
 
- “Cativo de amor” é o Senhor Jesus por nós. Que sejamos então prisioneiros também do mais Belo Amor. Completemos em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Igreja, como falou o Apóstolo Paulo (Col 1,24). E com ele, repitamos: “quem nos separará de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada?” ( Rm 8,35)
 
Jesus, nos deu a vida não pelo vigor de Sua humanidade, mas pelo vigor de Sua divindade.
 
A onipotência divina tem um rosto e um nome: Jesus, e Se revela no Amor que ama até o fim.
 
A onipotência divina Se revela na impotência da humanidade crucificada por Amor de nós, para nos redimir, reconciliar com Deus e nos tirar da mansão dos mortos, do abismo do pecado, da escuridão, do desamor... Ó Suprema e Divina Santíssima Trindade!
 
Glorifiquemos a Deus por mulheres tão sábias, que nos comunicam as maravilhas das delícias divinas, ontem, hoje e sempre.
 


Em poucas palavras...

                                                         


Graças e dons divinos recebidos

“Eu distribuo as virtudes tão diferentemente, que não dou tudo a todos, mas a uns uma e a outros outra […] A um darei principalmente a caridade, a outro a justiça, a este a humildade, àquele uma fé viva. […] 

E assim dei muitos dons e graças de virtudes, espirituais e temporais, com tal diversidade, que não comuniquei tudo a uma só pessoa, a fim de que vós fôsseis forçados a usar de caridade uns para com os outros; […] 

Eu quis que um tivesse necessidade do outro e todos fossem meus ministros na distribuição das graças e dons de Mim recebidos” (1)

 

(1) Santa Catarina de Sena (séc. XIV)

Em poucas palavras...

                                                    


As diferentes virtudes divinas a nós concedidas

“Estas diferenças fazem parte do plano de Deus que quer que cada um receba de outrem aquilo de que precisa e que os que dispõem de «talentos» particulares comuniquem os seus benefícios aos que deles precisam.

As diferenças estimulam e muitas vezes obrigam as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha: e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras:

«Eu distribuo as virtudes tão diferentemente, que não dou tudo a todos, mas a uns uma e a outros outra [...] A um darei principalmente a caridade, a outro a justiça, a este a humildade, àquele uma fé viva. [...] E assim dei muitos dons e graças de virtudes, espirituais e temporais, com tal diversidade, que não comuniquei tudo a uma só pessoa, a fim de que vós fosseis forçados a usar de caridade uns para com os outros; [...] Eu quis que um tivesse necessidade do outro e todos fossem meus ministros na distribuição das graças e dons de Mim recebidos» (Santa Catarina de Sena).” (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1937

Participando deste Diálogo nossa alma se eleva…

                                                


Participando deste Diálogo nossa alma se eleva…

Contemplemos o Diálogo sobre a Providência Divina, da Virgem e Doutora Santa Catarina de Sena (Séc. XIV), cuja Memória celebramos dia 29 de abril.

“Com a indizível benignidade de Sua clemência, o Pai eterno dirigiu o olhar para esta alma, e começou a falar:

Caríssima filha, determinei com firmeza usar de misericórdia para com o mundo e quero providenciar acerca de todas as situações dos homens.

Mas o homem ignorante julga levar à morte aquilo que lhe concedo para a vida, e assim se torna muito cruel, para si próprio; no entanto, dele Eu cuido sempre. Por isso quero que saibas: tudo quanto dou ao homem provém da Suprema Providência.

E o motivo está em que, tendo criado com Providência, olhei em mim mesmo e fiquei cativo da beleza de minha criatura. Porque foi de meu agrado criá-la com grande Providência à minha imagem e semelhança. Mais ainda, dei-lhe a memória para guardar meus benefícios em seu favor, por querer que participasse de meu poder de Pai eterno.

Dei-lhe, além disto, a inteligência para conhecer e compreender na sabedoria de meu Filho a minha vontade, porque sou com ardente caridade paterna o máximo doador de todas as graças.

Concedi-lhe também a vontade de amar, participando da clemência do Espírito Santo, para poder amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse.

Isto fez minha doce Providência. Ser o único capaz de entender e de encontrar seu gozo em mim com alegria imensa na minha eterna visão. E como de outras vezes te falei, pela desobediência de vosso primeiro pai Adão, o céu estava fechado. Desta desobediência decorreram depois todos os males no mundo inteiro.

Para fazer desaparecer do homem a morte de sua desobediência, em minha clemência providenciei, entregando-vos meu Filho unigênito com grande sabedoria, para que assim reparasse vosso dano. Impus-lhe uma grande obediência, a fim de que o gênero humano se livrasse do veneno que se difundira no mundo pela desobediência de vosso primeiro pai.

Assim, como que cativo de amor e com verdadeira obediência, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima, deu-vos a vida, não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade”.

Neste Diálogo contemplamos sublimes revelações do Senhor a esta doutora mulher e muito nos inspira e fortalece no discipulado.

Tudo quanto Deus concede ao homem provém de Sua suprema Providência. Criou o homem e a mulher com grande  Providência a Sua imagem e semelhança. Mais do que isto, concedeu-lhe a memória, a Inteligência e a vontade de amar.

Instaurando a criatura o pecado, e com ele o rompimento de uma aliança de amor, entregou-nos o Seu Filho unigênito com grande sabedoria impondo-lhe uma grande obediência.

Ele encarnando-Se, na fidelidade incondicional e com verdadeira obediência, como que cativo de amor, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima. Com Sua morte concedeu-nos a vida, vida presente, vida plenamente, vida eternamente…

Esta vida a nós concedida, paradoxalmente vem não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade.

Na fragilidade humana assumida, quando encarnada a nós, Se assemelhou, a nós Se fez igual, exceto no pecado, para que pudesse destruí-lo e recuperássemos tudo que perdêramos, pela falta de correspondência ao plano de Deus, um puro plano de amor…

Em Sua Encarnação, Morte e Ressurreição, já não somos mais quem fomos, pois n’Ele e com Ele somos uma nova criatura, mortos para o pecado e vivos para Deus, como o Apóstolo Paulo nos disse.

Como Deus nos ama!
Seu amor ultrapassa nossa lógica
e capacidade de compreensão…
Vida Nova com Sua Morte e Ressurreição!

terça-feira, 28 de abril de 2026

“Sete pecados sociais”

                                                             

“Sete pecados sociais”

Atribui-se a Mahatma Gandhi esta afirmação:

“Sete pecados sociais: política sem princípios, riqueza sem trabalho, prazer sem consciência, conhecimento sem caráter, comércio sem moralidade, ciência sem humanidade e culto sem sacrifício.”

Embora vivamos em tempos e lugares diferenciados, os “sete pecados sociais” estão presentes em nosso cotidiano, somos vítimas e ao mesmo tempo sujeitos.

“Política sem princípios”:
A ausência de princípios éticos abre brechas para medidas e posturas que aumenta o abismo dos ricos e empobrecidos; a política e seus atores caem na vala comum: da apatia, indiferença, desconfiança e perda de esperança de tempos novos. A falta de princípios faz com que a política deixe de ser a prática sublime de caridade, e assim deixamos de buscar e promover o bem comum, com vida e cidadania digna para todos, sem resquícios de exclusão.

“Riqueza sem trabalho”:
Porque certamente conseguida com trabalho de outros, por vezes mal remunerado, direitos sociais vilipendiados, conquistas não asseguradas, mutiladas, reduzidas, aniquiladas; retrocessos de conquistas alcançadas. Ou por vezes da especulação de qualquer ordem, da acumulação, extorsão, ágios, lucros não partilhados...

“ Prazer sem consciência”:
Porque pode ser a máxima expressão do hedonismo; do prazer inconsequente, com preços altos a serem pagos; comprometimento de futuros e projetos que poderiam serem evitados, por vezes impossíveis de serem revertidos, porque deu à história de quem ao prazer se curvou, um outro indesejável e infeliz sentido.

“Conhecimento sem caráter”:
A busca do conhecimento é como uma espiral que tende ao infinito. Mas todo conhecimento somente tem sentido quando ele se volta em favor do próprio homem e mulher que pensam e tem sede do conhecimento. Há conhecimentos sem caráter, sem utilidades, conhecimentos fúteis e inúteis, que não corroboram para que a vida humana seja mais bela. Todo conhecimento a ser buscado e alcançado é para que se favoreçam novos relacionamentos, e, com isto, promover a fraternidade e possibilidade de que todos dele desfrutem.

“Comércio sem moralidade”:
Há valores sagrados que não se negociam; exploração abundantemente execrada pelos Profetas na Sagrada Escritura; tráficos de qualquer espécie que desconsideram a beleza, dignidade e sacralidade da vida (tráfico de drogas, armas, órgãos humanos), da concepção ao declínio natural. Negociatas para garantir vantagens, postos, privilégios, ainda que muitos sejam prejudicados.

“Ciência sem humanidade”:
Ciência é saber que deve também fazer seus progressos numa busca inacabada do saber, com a religação de todos os saberes, mas sem jamais colocar em risco a existência da humanidade.  O grande pecado da ciência é quando aqueles que a buscam e promovem não têm como meta a elevação das possibilidades de existência da  condição humana. A ciência somente tem razão de existir, quando  em favor do próprio homem e mulher que a busca e a promove.

“Culto sem sacrifício”:
Independentemente do credo professado, da religião vivida, todo culto exige daquele que o realiza, abertura, disponibilidade, doação, entrega, renúncias, para que todos possamos viver melhor; que um mundo mais humano e fraterno construamos. Pode parecer um sonho, uma ilusão, mas é exatamente o ponto convergente de todos os cultos, e para isto, a necessidade de sacrifícios, penitência e conversão permanente.

Concluindo: 
Continuemos aprofundando sobre os pecados sociais, firmando nossos passos na busca de um mundo mais humano e fraterno.

O jardim de nossa alma

                                                          

O jardim de nossa alma

Senhor, professamos nossa fé e amor por Vós,
que sois o Grão por quem foi feito o mundo,
Iluminando as trevas e renovando a Igreja,

Senhor, fostes o Grão suspenso na Cruz, com tanta eficácia que, 
mesmo estando cravado, somente com Vossa Palavra 
raptastes o ladrão do madeiro e o transladastes às delícias do paraíso.

Vós sois o Grão ferido pela lança no Seu lado,
Destilando para os sedentos uma Bebida de imortalidade,
Quando do Vosso lado aberto, água e sangue verteram.

Vós sois o Grão de mostarda, descido do madeiro e depositado no horto, 
e cobristes toda a terra com os Seus ramos,
Para que neles fôssemos enxertados e nutridos pela Seiva do Vosso Amor.

Vós sois, Senhor, o Grão depositado no horto,
Plantando Vossas raízes até o inferno, e,
tomando convosco as almas que ali jaziam.

Sois, Senhor, o Grão que, em três dias, as almas levastes para o céu,
Com Vossa Ressurreição e Ascensão. À direita do Pai,
Sentado para reinar sobre tudo e sobre todos e todo o universo.

Ó Senhor, Vós inaugurastes o Reino dos Céus 
e nos apresentastes semelhante a um grão de mostarda, 
que um homem tomou e o semeou em seu horto.

Senhor, Vós sois a Semente de vida semeada na terra por Deus Pai; 
o gérmen de imortalidade que reconciliais com Deus 
e ao mesmo tempo nos alimentais!

Semeai este Grão de mostarda no horto de nossa alma,
Pois assim, seremos um horto bem regado, 
um manancial de águas cuja veia nunca seca.

Senhor, que a Vossa Palavra seja plantada em nosso coração, 
no horto de nossa alma, tornando nosso coração 
o chão fértil onde ela possa cair e produzir os frutos que esperais.

Senhor, que continuemos no permanente caminho de conversão 
da mente e do coração, fecundando a Vossa Divina Semente da Boa- Nova, vivendo com alegria e ardor como discípulos Vossos.

Senhor, nutridos da Mesa da Eucaristia, pelo Vosso Corpo e Sangue, remédio de imortalidade e antídoto para não morrer, firmes no bom combate, continuemos, até que um dia, possamos a glória alcançar. 

Senhor, que divirtamo-nos convosco sob esta árvore, com a dança dos Anjos, glorificando ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.


PS: Inspirado no Sermão do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV) sobre o grão de mostarda.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG