segunda-feira, 30 de março de 2026

Discípulos missionários do Servo Sofredor e Vitorioso

                                                    


Discípulos missionários do Servo Sofredor e Vitorioso


“Ele não clama nem levanta a voz,
nem se faz ouvir pelas ruas”
(Is 42,2)

Na segunda-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 42,1-7); do “Livro da Consolação”, nome dado convencionalmente pelos biblistas.

Trata-se do primeiro Cântico do Servo Sofredor, e refere-se a um excepcional enviado de Deus: manso e humilde de coração, infinitamente misericordioso com todos, com força interior invencível, e é constituído Luz das nações e Aliança de Deus com o Seu Povo.

Retrata a fase final do Exílio, um período muito difícil vivido pelo Povo de Deus, e o Profeta anuncia a reconstrução de Jerusalém, uma cidade que a guerra reduziu às cinzas, mas Deus, na Sua infinita bondade, vai fazer voltar a reinar a alegria e a paz sem fim.

Espera a vinda de um Messias pacífico “estabelecerá a justiça sobre a Terra”, por isto os cristãos viram prefigurados neste Cântico a própria pessoa de Jesus Cristo, o ungido do Senhor, o “Filho Amado de Deus”, como vemos na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 3,13-17).

De fato, Jesus, veio realizar esta missão, e os Seus discípulos darão continuidade a esta, não por iniciativa pessoal, mas certos de que a vocação profética é dom de Deus.

Iniciando a Semana Santa, contemplamos na figura do Servo mencionado pelo profeta um instrumento através do qual Deus age no mundo para comunicar a salvação à humanidade:

“alguém que Deus escolheu entre muitos, a quem chamou e a quem confiou uma missão – trazer a justiça, propor a todas as nações uma nova ordem social da qual desaparecerão as trevas que alienam e impedem de caminhar e oferecer a todos os homens a liberdade e a paz... O Servo contará com a ajuda do Espírito de Deus, que lhe dará a força de assumir a missão e de concretizá-la”.

Assim Deus age: escolhe, chama, capacita e envia para a missão e nos comunica o Seu  Espírito, que nos fortalece, anima e ilumina.

Somos discípulos missionários do Senhor, do Servo Sofredor e vencedor, porque o Pai O Ressuscitou, e em Seu nome, nos enviou o Seu Espírito: acreditemos, contemplemos e imitemos a Paixão do Senhor, morrendo com Ele, para com Ele também ressuscitarmos.


Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Em poucas palavras...

                                                         


“Inclinai o vosso ouvido para mim”

 

“De mim não oculteis a Vossa face,
No dia em que estou angustiado!
Inclinai o Vosso ouvido para mim,
Ao invocar-Vos, atendei-me sem demora!
 

 

Fonte: Antífona da Missa da Segunda-feira da Semana Santa – (Sl 101,3) - Missal Romano – pág. 227

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

                                                  

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

Com este Sermão, o Bispo Santo Agostinho (Séc. V), contemplamos  a Cruz do Senhor, na qual devemos nos gloriar.

“A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência. Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?

Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que Ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que Ele dará a vida aos Seus fiéis, quando já lhes deu até a Sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus? Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.

Quem é Cristo senão Aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus Se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar Sua vida aos mortais. Fez-Se participante de nossa morte para nos tornar participantes da Sua vida.

De fato, assim como os homens, pela Sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também Ele, pela Sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte. Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e d’Ele recebemos a vida.

Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre Si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos. Se Ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da Sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, Ele que é fiel em Suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?

Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.

O Apóstolo Paulo compreendeu bem esse Mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o Seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Retomemos o convite feito pelo Bispo: “Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho”.

Aprendamos com o Apóstolo Paulo: “Quanto a mim, que eu me glorie somente na Cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Vivamos a Semana Santa, a Semana Maior, em que celebramos o imensurável amor de Deus por nós, vivido por Seu Filho, numa fidelidade incondicional, selada pela doação e entrega de Sua própria vida.

Configurados a Cristo Jesus, vivamos também nós o Mistério de Sua Paixão e Morte, para com Ele Ressuscitarmos.

Em poucas palavras... (Semana Santa)

                                               


Derramai a Vossa Misericórdia! 

“Cristo Jesus, salvai-nos e derramai a vossa misericórdia sobre o povo que vive na esperança da Ressurreição; 

– conservai-nos, hoje e sempre, livres de todo o mal.”  (1)

 

 

(1) Prece das Laudes da  Liturgia das Horas

 

Semana Santa: seja nossa fé acompanhada de boas obras (Semana Santa)

                                                   

Semana Santa: seja nossa fé acompanhada de boas obras

Celebremos e vivamos a Semana Santa, tempo forte de silêncio e oração, bem como tempo favorável para revermos como testemunhamos nossa fé e como nos relacionamos com nosso próximo.

Sejamos iluminados pela passagem da Carta de São Tiago (Tg 2, 14-18), a fim de refletirmos sobre a necessária fé operativa, que leva ao compromisso social e comunitário, pois a fé sem obras não serve para nada.

Belos discursos não bastam, é preciso uma bela prática, pois a religião autêntica transparece nos gestos concretos de amor e solidariedade, fraternidade, serviço, partilha, perdão, para que não façamos da religião uma mentira, um engano, uma evasão, um alienar-se de sagrados compromissos.

A mensagem da Carta leva-nos a afirmar que, somente a acolhida aos pobres e a luta pela verdade, justiça e fraternidade, dão conteúdo de veracidade à nossa fé, à nossa prática religiosa.

Também nos convida a refletir sobre a relação que estabelecemos entre a liturgia e a vida, a fé e a vida, evitando qualquer sombra de separação entre ambas.

A fé no Cristo Ressuscitado é autêntica quando se expressa concretamente em ações de solidariedade e misericórdia com nosso próximo, sobretudo no cumprimento do Novo Mandamento que Ele nos deu: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 15,12).

O Senhor é fonte inesgotável de Amor e Perdão (Semana Santa)

                                                            

O Senhor é fonte inesgotável de Amor e Perdão

Retomo as Preces das “Laudes” da Semana Santa, que muito nos ajuda a viver mais intensamente esses dias, em recolhimento e Oração, contemplando a Paixão do Senhor, para celebrarmos com piedade a Sua Morte, assim como Sua gloriosa Ressurreição.

Na Oração se implora a Cristo Salvador, que nos remiu por Sua Morte e Ressurreição; e suplica-se para que Ele tenha piedade de nós!

Urge que nos dirijamos a Ele, que subiu a Jerusalém para sofrer a Paixão, e assim entrar na glória, para conduzir a Sua Igreja à Páscoa da eternidade. 

E a Ele elevado na Cruz, que deixou a lança do soldado traspassar o Seu coração, do qual verteu Água e Sangue, suplicamos a cura de nossas feridas de tantos nomes.

Contemplamos e cremos que Ele transformou o madeiro da Cruz em Árvore da Vida, e por isto a Ele suplicamos que nos conceda os frutos saborosos e abundantes para todos os que renasceram pelo Batismo.

Também, agora, vitorioso, suportando ter sido pregado na Cruz inocentemente, e morto crudelissamamente, ainda encontrou forças para comunicar o perdão ao ladrão arrependido, e a tantos quantos continuam a condená-Lo e crucificá-Lo em todo tempo, e também a nós que pecadores nos reconhecermos.

Contemplemos o Mistério do Amor infinito de Deus por nós e procuremos corresponder cada vez mais com palavras e gestos concretos.

Oremos:

“Ó Deus, que fizestes Vosso Filho padecer o suplício da Cruz para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos Vossos servos e servas, a graça da Ressurreição. Por N. S. J. C. Amém!”

A caridade esforçada de nossas comunidades

                                                  

A caridade esforçada de nossas comunidades 

“Recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 1,3) 

Deste modo, uma comunidade que professa a fé no Senhor deve expressar o amor que se concretize na caridade e na solidariedade, através de seus trabalhos pastorais e ações sociais, empenhando-se em fazer sempre o melhor para Deus e para o próximo. 

    Como discípulos missionários do Senhor, esperar e se comprometer com a Boa-Nova do Reino, tornando o mundo mais justo e fraterno, sem dores e lágrimas,
 estabelecendo novas relações de acolhida, serviço, generosidade, partilha.
 

E é este firme propósito que contemplamos em muitos agentes de pastoral e colaboradores presentes e atuantes em nossas comunidades.

Glorifiquemos a Deus pelos inúmeros trabalhos realizados como a mais bela expressão da caridade fecunda, que brota da fé e dá solidez à nossa esperança. 

Contemos com a presença e proteção do Arcanjo São Miguel no bom combate da fé, e com a Virgem Santíssima, sob o título de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, para que nos abençoe, anime e conduza na inadiável e desafiadora missão de evangelizar.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG