sábado, 30 de agosto de 2025

Ser Catequista

                                                               


Ser Catequista

É ter um encontro pessoal com Cristo e senti-Lo junto de si como luz que aquece o coração e impulsiona o nosso viver ao encontro do irmão, com o desejo de deixá-Lo transparecer na singeleza de um sorriso, na troca de um olhar, num aperto de mão;

É sentir o coração arder pela Palavra e não se caber de contentamento ao transmiti-la às crianças, aos jovens e a tantos adultos que possam cruzar o seu caminho, transformando-a em uma fonte cristalina, que sacia os sedentos, numa transformação profunda de fé;

É dar testemunho de confiança no Amor de Deus revelado em Seu Filho Ressuscitado e presente na Eucaristia, que sustenta e  faz crescer a esperança de que é possível chegar a um mundo harmonioso, na fidelidade aos Seus ensinamentos;

É não perder de vista a vida missionária, comunicando luz em qualquer escuridão, entendendo que cada ser humano foi criado para vida plena e bela, num incessante exercício de Oração, confiança e esperança;

É viver a disponibilidade, acreditando que Deus não escolhe os instruídos, mas instrui e prepara os escolhidos;

É não ter medo e, assim como Maria que, na sua simplicidade, aceitou fazer parte dos Planos de Deus, trazendo ao mundo o Seu Filho, ter coragem e determinação de anunciar o Filho de Deus.

Celebraremos com a Igreja, o Dia do Catequista, e glorificaremos a Deus por todos os Catequistas que não medem esforços para anunciar o Evangelho, lembrando, de modo especial, aqueles que, tendo combatido o bom combate da fé, encontram-se na glória de Deus.

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

                                           

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

“Naquele dia, saindo Jesus de casa, sentou-Se à beira-mar. Em torno d’Ele reuniu-se uma grande multidão. Por isto, entrou num barco e sentou-Se, enquanto a multidão estava em pé na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas.” (Mt 13,1-3).

Sete Parábolas saíram dos lábios do Senhor, e chegam aos nossos ouvidos e nas entranhas do coração, que tão somente Deus pode conhecer plenamente.

Sete Parábolas: do semeador, sua Palavra e nosso coração; do joio e do trigo; do grão de mostarda; do fermento na massa; do tesouro escondido; da pérola preciosa e da rede lançada ao mar (Mt 13,3-50).

Nisto consiste a missão do(a) Catequista: acolher a Palavra, a melhor semente no próprio coração; e discípulo missionário do Divino Semeador, Jesus; e, também, no coração dos catequizandos, a semente da Palavra lançar, na esperança da acolhida em férteis terrenos do chão do coração, com os frutos a produzir, por Deus sempre esperados.

Perseverança e paciência ao lançar as sementes do bem, do amor e da verdade, com ousadia e coragem ainda que o inimigo venha semear as sementes do mal, do ódio, da mentira e da pseudofelicidade, pois a autêntica, somente Ele, o Senhor, pode nos alcançar.

Catequese é como um grão de mostarda: ainda que pareça tão pequena e insignificante, pela graça de Deus, faz crescer e florescer, frutos produzir, ainda que não os vejamos e os frutos não saboreemos, mas outros com certeza o farão.

Catequese, fermento que leveda a massa: fermento do amor que faz toda a diferença: tão somente o amor é capaz de gerar o novo em cada um e em cada uma de nós. Há que se apresentar e levedar a humanidade com o eterno fermento do amor que jamais acabará, tão pouco jamais passará (1Cor 13).

Tesouro encontrado e a pérola preciosa de nossa vida é o Senhor Jesus, com a Sua Palavra, Pessoa , e com Ele, a alegria do Reino de Deus entre nós presente. Por este tesouro e pérola, nossas renúncias nada são, ainda que muito o façamos, incomparável valor, por isto tão somente este Tesouro e Pérola fazem nosso coração crepitar com chamas eternas de amor.

Ser catequista é lançar as redes, sem medo, nas águas mais profundas (Lc 5,1-11), para resgatar do mar da vida homens e mulheres, para que entrem na comunhão com o Senhor, do Reino parte façam, e o coração transborde de alegria.

Catequista, acolha as palavras do Senhor ao final das sete Parábolas:

"Entendestes todas essas coisas?’ Responderam-lhe: ‘Sim”. Então lhes disse: ‘Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante ao proprietário que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.” (Mt 13,51).

Ser Catequista é, com a presença e ação do Espírito, rezar e viver da Palavra de Deus, em permanente leitura, meditação, oração, contemplação, colocando-se como barro na mão do oleiro, porque imperfeitos e inacabados todos o somos, para que mais imagem e semelhança de Deus o sejamos. Amém.

Catequista: comunicar a Palavra do Amado

                                                      

Catequista: comunicar a Palavra do Amado

“Vistes o Amado de minha alma?”
(Ct 3,3)

O catequista vai sempre ao encontro do Amado, porque antes por Ele foi encontrado, chamado, amado e por Ele enviado para comunicar a Sua Palavra a quantos ainda não O conheçam, para que também se sintam amados.

Levanta quando ainda está escuro ao encontro do Amado, como fez a Apóstola dos Apóstolos, e se torna mensageiro da Boa-Nova da Ressurreição.

Passos firmes, no meio da manhã, quando o sol irradia seus raios com luz e calor, renova a graça de ser testemunha daquele momento que marcou para sempre a vida da Igreja, a vinda do Espírito Santo como línguas de fogo e de amor.

Às dozes horas, contempla o céu que naquele dia memorável de nossa Salvação, que foi coberto pela escuridão, e houve treva em toda a terra, mergulhando em silêncio e recolhimento, contemplando o Mistério da Salvação.

Quando os sinos marcam quinze horas, silenciam, na contemplação do Mistério da Morte do Amado, que tendo nos amado, amou-nos até o fim, e no alto da Cruz, após um forte grito, inclinando a cabeça, nas mãos do Pai entregou o Seu espírito.

Cai à tarde, chega a noite, são dezoito horas, e sabe que o sol se põe para inaugurar um novo dia, para ininterrupta missão de ser voz a comunicar a Palavra do Amado, que antes falou-lhe nas entranhas da alma.

Chega à noite para refazer-se do bom cansaço da missão realizada, ao longo de todo o dia, com renúncias e cruz carregada, mas na certeza de que a missão por amor e tão somente por amor foi realizada.

Nasce um novo dia, e num eterno encontro e reencontro com Aquele que mudou sua vida e a ela deu novo sentido, bem como alargou os seus horizontes, porque é próprio de quem ama deleitar-se no encontro com o Amado, alegre e solícito em caminho de santificação. Amém. 


Catequista: dom, graça e missão

                                                       

Catequista: dom, graça e missão

Ser catequista é, antes de tudo, uma graça divina e, para bom êxito, exige formação permanente à luz da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja, pois tão somente assim teremos a renovação da Catequese com fecundos resultados alcançados.

É preciso pensar em um processo de formação dos discípulos missionários, com etapas que se interligam e que se renovam num círculo ininterrupto: encontro, conversão; discipulado, comunhão e  missão.

A catequese, portanto, não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas uma verdadeira escola de formação integral, com o cultivo da amizade com Cristo na oração, no apreço pela Celebração Litúrgica, na experiência comunitária e o compromisso apostólico mediante um permanente serviço aos demais.

O encontro com Jesus implica em atitude de permanente conversão, para um discipulado credível e concretizado na comunhão e missão.

Como as primeiras comunidades cristãs (cf. At 2,42-47), é preciso intensificar os encontros para o partir do Pão da Palavra e da Eucaristia; e perseverar na catequese, na vida sacramental, na comunhão fraterna, na oração e na prática da caridade.

Na Igreja, muitas são as pessoas que se sentem chamadas a se fazer catequistas, com grande entrega, numa doação alegre, e, como discípulos, se põem em permanente caminho, pois ser discípulo é dom destinado a crescer.

Deste modo, a Bíblia, Catecismo da Igreja Católica e o compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI), no mínimo, são os livros de cabeceira de todo o catequista.

Seja para crianças, jovens ou adultos, a Catequese precisa ser atrativa, introduzindo os catequizandos no conhecimento do Mistério de Cristo, buscando mostrar a eles a beleza da Eucaristia dominical, que os leva a descobrir nela o Cristo vivo e o Mistério fascinante da Igreja: "A Eucaristia é o centro e o vértice da vida da Igreja" Isto significa que "a Eucaristia edifica a Igreja e que a Igreja faz a Eucaristia" (Papa São João Paulo II).

Portanto, uma catequese renovada pressupõe a coerência e relação necessária entre fé e vida no âmbito político, econômico e social; exige a formação da consciência, que se traduz no conhecimento da DSI, pois como nos falou o Papa Bento XVI - “a vida cristã não se expressa somente nas virtudes pessoais, mas também nas virtudes sociais e políticas”. (1)

Finalizando, ser Catequista, pressupõe um amor à Virgem Maria, a “educadora da fé”, assemelhando-se cada vez mais a Jesus, com a apropriação progressiva de suas atitudes:

“Tenham em vocês os sentimentos que havia em Cristo Jesus: Ele tinha condição divina, mas não se apegou à sua igualdade com Deus.” (Fl 2, 5).


(1) Documento de Aparecida – cf. n.505

A Catequese da Vida Nova em Cristo

                                                     


                                     A Catequese da Vida Nova em Cristo

À luz do parágrafo número 1697 do Catecismo da Igreja Católica, reflitamos sobre a necessária catequese em nossas comunidades.

Através dela, é fundamental que se revele com clareza e alegria as exigências do caminho de Cristo, uma vez que catequese não é um ponto de chegada, mas sempre um caminho, a fim de que vivamos uma catequese da Vida Nova no Senhor (Rm 6,4)

Retomemos as oito características fundamentais de uma catequese, que o Catecismo nos apresenta:

a)  uma catequese do Espírito Santo, que é o Mestre interior da vida segundo Cristo, o doce hóspede e amigo que inspira, guia, retifica e fortalece esta vida segundo Cristo; 

b)  uma catequese da graça, pois é pela graça que somos salvos e por ela que as nossas obras podem ser frutuosas para a vida eterna; 

c)   uma catequese das bem-aventuranças, porque o caminho de Cristo se resume nelas e é o único caminho da felicidade eterna aspirado por todos nós; 

d)  uma catequese do pecado e do perdão, porque, reconhecendo-nos como pecadores, podemos conhecer a verdade sobre nós mesmos, para a condição de um procedimento justo, e somente com a oferta do perdão, tornamo-nos capazes de suportar a verdade do reconhecimento de nossa condição pecadora; 

e)  uma catequese das virtudes humanas, que nos possibilita a apreensão da beleza e o atrativo das retas disposições para o bem; 

f)   uma catequese das virtudes cristãs da fé, esperança e caridade, tendo como inspiração os exemplos dos santos e santas; 

g)  uma catequese do duplo Mandamento da caridade exposto no decálogo: o amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente; 

h)  uma catequese eclesial, porque é nas múltiplas permutas dos “bens espirituais” na “comunhão dos santos”, que a vida cristã pode crescer, desenvolver-se e comunicar-se. 

Como podemos perceber, há um longo caminho a ser feito em nossas comunidades, a fim de que tenhamos uma catequese renovada, com estas características tão bem apresentadas no Catecismo da Igreja Católica.

Ainda mais se considerarmos o tempo presente, com as dificuldades dos encontros presenciais, a participação ativa, consciente e piedosa nas Celebrações Eucarísticas.

Urge que passemos da Catequese de tão apenas conhecimento teórico da doutrina, quando acontece, para uma catequese de inspiração catecumenal, que aponta sempre o horizonte em contínuo processo de formação na Doutrina, acompanhado pela vivência desta.

Não obstante as inúmeras dificuldades, é preciso que nos empenhemos para que estas características da Catequese sejam vividas, e formemos comunidades de homens e mulheres que vivam n’Ele, Jesus Cristo, a Vida Nova que nos foi concedida pela graça do Sacramento do Batismo, a fim de que sejamos sal da terra e luz do mundo, vivendo uma espiritualidade, essencialmente eucarística.

“Cristo está no coração da Catequese”

                                                          


                        
“Cristo está no coração da Catequese”

O Catecismo da Igreja Católica, nos parágrafos 426/429, nos apresenta uma Pessoa no coração da Catequese, que é Jesus de Nazaré, o Filho único do Pai, que sofreu e morreu por nós, e que agora ressuscitado, vive conosco para sempre.

Na catequese, portanto, é Cristo, o Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado; e tudo o mais se diz referência a Ele.

Deste modo, segundo o Catecismo, catequizar consiste em:

- revelar, na Pessoa de Cristo, todo o desígnio eterno de Deus;

- procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais por Ele realizados;

- levar à comunhão com Jesus Cristo, pois, somente Ele pode levar ao amor do Pai, no Espírito, e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade.

Ainda, segundo o Catecismo, é tão somente Cristo que ensina, e nós somos porta-vozes. Deste modo, o/a catequista precisa:

- procurar o conhecimento de Jesus Cristo;

- aceitar perder tudo para ganhar Cristo e encontrar-se n'Ele e conhecê-Lo; 

- crer na força da Sua ressurreição e participar na comunhão com os Seus sofrimentos;

- conformar-se com Ele na morte, na esperança de chegar a ressuscitar dos mortos (Fl 3, 8-11);

- fazer brotar em si o desejo de anunciar Jesus Cristo, evangelizando e levando os outros ao sim da fé n’Ele;

- conhecer o Símbolo da fé (Creio) e as verdades nele contidas.

Supliquemos a Deus o fortalecimento de nossos/as catequistas na graça desta missão, sempre assistidos e conduzidos pela ação do Espírito Santo.

Ser Catequista: cativar e cultivar

                                                         


Ser Catequista: cativar e cultivar

Ser Catequista é conjugar estes dois verbos: cativar e cultivar.

Cativar:

É manter atitude de abertura, alegre e acolhedora; não ser um corpo estranho e indiferente dentro da própria comunidade, mas marcar presença nela, assumindo-a com amor e entusiasmo; trazê-la na mente e no coração, mesmo com todas as dificuldades próprias. Entusiasmo significa ter Deus dentro de nós.

Dentro da comunidade, anunciar, catequizar, animar um grupo de pastoral irradiar a luz de Deus que habita dentro de nós, cativando sempre novas pessoas para Aquele que anunciamos: Jesus.

Como é triste e melancólica a pregação quando aquele que anuncia o Evangelho de Cristo, não deixa a Luz d’Ele transparecer, e agravado, quando não acompanhado do testemunho.

Cultivar:

É cuidar da nossa chama batismal, para que nunca se apague. Quantos não vivem seu Batismo, e encontram-se desvinculados de uma Comunidade de irmãos e irmãs.

A graça do Batismo vivido também deve ser acompanhada da vigilância, abastecendo nossas lâmpadas com o óleo da justiça, da verdade, do amor, até que Ele venha.

É preciso fundamentar uma espiritualidade comprometida com Jesus de Nazaré; vivendo a vida segundo Seu Espírito, no autêntico amor a Deus, que passa necessariamente pelo outro, de modo preferencial pelos pobres. 

Deste modo, espiritualidade não é sinônimo de fuga e alienação, mas compromisso com o Deus da Vida e Seu Reino e com o fortalecimento da esperança todos os dias.

A humanidade não sobreviverá sem os ideais de liberdade e justiça; sem aqueles que dedicam sua vida a eles, até mesmo passando pelo martírio, como expressão máxima.

Somente enfrentando a desesperança é que alcançaremos a verdadeira esperança. E a História da Igreja tem inúmeros testemunhos.

Oportunas são as palavras do Apóstolo Paulo:

“Esperando contra toda humana esperança, Abrão acreditou e tornou-se o pai de muitas nações, conforme foi dito a ele...” (Rm 4, 18s).

Cativar e cultivar, dois grandes desafios: cativar é o primeiro momento de todo relacionamento, mas cultivar implica em dedicação, tempo, disciplina, atenção, oração, solidariedade, presença ainda que não física, porque às vezes humanamente impossível, mas a presença espiritual sempre.

Ser Catequista é participar da Evangelização, e esta  será coroada de êxitos se não descuidarem de cativar, e não se omitirem no cultivar. Assim frutos saborosos serão colhidos, se estes dois verbos, além de conjugados, forem nos relacionamentos concretizados.

Catequistas, cativem e cultivem amizades sinceras no Senhor!

PS: Reflexão escrita quando retornei da missão, na Diocese de Ji-Paraná - RO (2000-2002).

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