domingo, 1 de março de 2026

Transfiguração do Senhor: Escutemos o Filho Amado (IIDTQA)

                                                               

Transfiguração do Senhor: Escutemos o Filho Amado

O Tempo da Quaresma se constitui num tempo favorável para ouvirmos o Filho Amado, que se transfigura gloriosamente na montanha e nos envia em missão na árdua planície do cotidiano.

Somente contemplando e ouvindo o Filho Amado, somente acolhendo no mais profundo de nós o que Deus tem a nos dizer, e carregando nossa cruz na planície corajosamente, é que o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor acontecerá em nossa vida.

Fiéis à voz do Filho Amado, vivenciando os exercícios quaresmais que pela Igreja nos são propostos (Oração, jejum e esmola), solidificamos uma caminhada de alegria, de fé e de muita esperança, onde cada um faz uma descoberta de si e, sobretudo, do amor de Deus, que se revela surpreendentemente muito maior do que o nosso coração, como nos falou o Apóstolo João (1Jo 3,20).

Revigorar a fé inspirado no exemplo dos Santos e Mártires de nossa Igreja; não podemos jamais olvidar de nossos sagrados compromissos do testemunho da fé viva e enraizada no chão fértil e ao mesmo tempo desafiador da realidade.

Ouvindo o Filho Amado, multipliquemos Orações, para que o Papa Francisco conduza a Igreja nesta longa travessia do mar agitado da história, com suas turbulências e provações. Que o Espírito do Senhor continue pousando sobre ele, para que, com Sabedoria e atento aos sinais dos tempos, sobretudo, neste difícil contexto de mudança de época, cuide do rebanho por Cristo a ele confiado, fiel em sua missão Evangelizadora.

Viver e Celebrar a Quaresma e seu ápice que é a  Semana Santa com todo ardor, com todo empenho e dedicação, para que, na madrugada da Ressurreição, irrompa a luz gloriosa do Ressuscitado e digamos com o Apóstolo Paulo:

Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova, o mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo” (2Cor 5,17), e cantaremos alegremente o grande Aleluia Pascal.  

Contemplemos o Mistério da Transfiguração do Senhor (IIDTQA)

                                            


Contemplemos o Mistério da Transfiguração do Senhor 

Senhor Jesus, “Vós Vos transfigurastes na montanha e, porquanto eram capazes, Vossos discípulos contemplaram Vossa glória, Cristo Deus, para que, quando Vos vissem crucificado, compreendessem que Vossa Paixão era voluntária e anunciassem ao mundo que Vós sois verdadeiramente a irradiação do Pai” .(1)


Senhor Jesus, nós Vos adoramos e glorificamos, vós que Vos Transfigurastes na Montanha, diante de Pedro, Tiago e João, tendo como testemunhas Moisés e Elias, a Lei e a Profecia, respectivamente, anunciando os Vossos sofrimentos, como o Messias, o Servo Sofredor, num novo Êxodo, no Mistério da Paixão e Morte.


Senhor Jesus, na Vossa Transfiguração nos revelastes toda a Vossa glória divina, confirmando a confissão de Pedro, e assim mostrais que para entrar na Glória (Lc 24,26), deveríeis passar pela Cruz em Jerusalém, culminando na gloriosa Ressurreição.


Senhor Jesus, nós contemplamos e adoramos com Vossa Transfiguração a manifestação e presença da Santíssima Trindade, em todos os momentos de Vossa Vida:  Adoramos e reconhecemos o Pai na voz; Vós, o Filho no homem; o Espírito, na clara nuvem que Vos cobriu.


Senhor Jesus, na Vossa Morte crudelíssima na Cruz, cremos que se manifestou toda a beleza do amor, extraordinariamente generoso de Deus (cf Rm 5,8), um amor que nos salva, e não as nossas obras, ainda que necessárias (2 Tm 1,9).


Senhor Jesus, que nossa fé não se reduza à memorização de algumas verdades aprendidas, mas seja o estabelecimento de uma relação profunda com o Deus que Se nos revelou em Vós, com matizes de confiança total, que faz que coloquemos nas mãos do Vosso Pai, como fizestes, toda a nossa vida e por toda a vida, sem reservas e sem medo. Amém.


(1) Da Liturgia Bizantina, Kontakion da Festa da Transfiguração – citado no parágrafo n. 555 do Catecismo da Igreja Católica
 
Passagens dos Evangelhos: Mt 17,1-9; Mc 9,2-10; Lc 9,28b-36
 

Atentos à voz do Filho amado, na vida de fé jamais recuar (IIDTQA)

                                                     

Atentos à voz do Filho amado, na vida de fé jamais recuar

No 2º Domingo da Quaresma, dando mais um passo em nosso itinerário Quaresmal, refletimos o momento fundamental na vida dos discípulos: a Transfiguração do Senhor.

É necessário revigorar nossas forças no carregar da cruz, renovando e fortalecendo compromissos com os desfigurados, na escuta do Filho Amado do Pai, transfigurando a realidade pessoal, familiar, eclesial e social, na qual estamos inseridos.

Precisamos reavivar sempre a chama, que em cada coração foi acesa no dia do Batismo (2Tm 1,6), de quem O encontrou, O ouviu e por Ele foi amado para viver a tríplice missão da Igreja e do Pastor: santificar, ensinar e governar a Igreja.

É tempo de percebermos o que está bom ou não, e não medir esforços para melhorar, corrigir, aperfeiçoar, avançar. Naquilo que está bom, recuar jamais e, no que nos desafia, avançar, buscar saídas.

Como afirmou o Papa Bento XVI em uma de suas mensagens para a Quaresma, “na vida de fé, quem não avança, recua”.

Com a força do Espírito, é tempo de nos empenharmos na transformação dos sinais de morte em sinais de vida, uma vez que, mais do que nunca, a cidade e seus inúmeros desafios estão em nossa mente e coração.

Como Igreja em estado permanente de missão, sair e ir ao encontro dos que estão indiferentes ou até mesmo afastados.

Continuemos em direção à cruz, carregando-a com coragem, com imprescindíveis renúncias, despojamentos, amadurecimentos, somente assim alcançaremos a glória da eternidade.

Há um mundo desfigurado, triste, enfermo, mergulhado no pecado, que precisa ser transfigurado. Que a experiência do Monte Tabor, a contemplação do Cristo Glorioso, Transfigurado, d’Aquele que deu pleno cumprimento à Lei e à Profecia (Moisés e Elias), seja um momento de esplendor da luz divina.

Que toda a Igreja, na atenta escuta da Palavra do Filho Amado do Pai, na montanha do recolhimento, silêncio e Oração, na planície do cotidiano a coloquemos em prática, pois “nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Ceús...” (Mt 7,21). 

Transfiguração do Senhor: da tribulação à glória celestial (IIDTQA)

                                                       

Transfiguração do Senhor: da tribulação à glória celestial

Sejamos enriquecidos com um parágrafo do Catecismo da Igreja Católica sobre a Transfiguração do Senhor.

No limiar da vida pública, o Batismo; no limiar da Páscoa, a transfiguração. Pelo Batismo de Jesus ‘foi declarado o Mistério da (nossa) primeira regeneração’ – o nosso Batismo; e a Transfiguração ‘est sacramentum secundae regenerationis – é o Sacramento da (nossa) segunda regeneração’ – a nossa própria ressurreição.

Desde agora, nós participamos na Ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que atua nos Sacramentos do Corpo de Cristo. A transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa de Cristo, ‘que transfigurará o nosso corpo miserável para o conformar com o Seu corpo glorioso’ (Fl 3, 21). Mas lembra-nos também que temos de passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus’ (At 14, 22)”. (1)

No mesmo parágrafo, cita Santo Agostinho, como que o Senhor falando a Pedro na montanha:

“‘Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-Se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-Se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer?’” (2)  

Nisto também consiste nossa caminhada quaresmal rumo à Páscoa do Senhor, como discípulos missionários que somos.

Não podemos fixarm moradas na montanha, mas, com coragem, descermos à planície do cotidiano, renovando fidelidade ao Senhor, Caminho, Verdade e Vida, carregando nossa cruz, até que um dia sejamos merecedores da eternidade. 

Por ora, há um mundo desfigurado, marcado pela fome, enfermidades, desesperança, insegurança, refugiados, aflitos, dependentes químicos, e quanto mais possamos dizer.

Há um mundo, nossa casa comum, que está sendo vilipendiado, destruído, por ambições desmedidas e cuidados não vivenciados.

Nossa casa comum está desfigurada, e transfigurá-la, torná-la mais habitável, é responsabilidade de todos nós, como nos exortou a Campanha da Fraternidade do ano de 2025, com o Tema: “Fraternidade e Ecologia Integral"; e o Lema: "Deus viu que tudo era  muito bom” (Gn 1,31.

É tempo de consolidarmos nossa fé, fazendo a mesma experiência que os discípulos fizeram no Monte Tabor, contemplando o Cristo Transfigurado, com credíveis testemunhas, Moisés e Elias, porque Ele, Jesus, é a plena realização da Lei e da profecia, nestes simbolizados.

Por ora, o combate, o antegozo das alegrias do Reino, até que possamos vivê-las plenamente, com toda intensidade.



(1) (2) Catecismo da Igreja Católica n.556 - Santo Agostinho – Sermão 78,6; PL 38,492-493.

Contemplemos o Quarto Mistério Luminoso: a Transfiguração do Senhor (IIDTQA)

                                                        

Contemplemos o Quarto Mistério Luminoso: a Transfiguração do Senhor

“Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz! (Mc 9,7)

A Liturgia Quaresmal nos propõe no segundo Domingo da Quaresma bem como no dia 6 de agosto, a reflexão sobre a Transfiguração do Senhor no alto da montanha, no Monte Tabor – o quarto Mistério da Luz que o então Papa São João Paulo II nos presenteou.

Sejamos iluminados pelo Sermão, do Papa Leão Magno (séc. V), neste dia, em que somos convidados a subir a montanha para escutar o que o Filho amado tem a dizer:

“O Senhor manifesta a Sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo fez resplandecer o Seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que Seu rosto se tornou brilhante como o sol e Suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade dessa transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da Cruz, para que a humilhação da Paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo.

(...) aos Apóstolos que deviam ser confirmados na fé e introduzidos no conhecimento de todos os Mistérios do Reino, esse prodígio ofereceu ainda outro ensinamento.

Moisés e Elias, isto é, a Lei e os Profetas, apareceram conversando com o Senhor, a fim de cumprir-se plenamente na presença daqueles cinco homens (incluindo Pedro, João e Tiago), o que fora dito:

Será digna de fé toda palavra proferida na presença de duas ou três testemunhas (cf. Mt 18,16). Que pode haver de mais estável e mais firme que esta Palavra?

Para proclamá-la, ressoa em uníssono a dupla trombeta do Antigo e do Novo testamento, e os testemunhos dos tempos passados concordam com o ensinamento do Evangelho.

(...) Porque, como diz João, por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo (Jo l, 17).  N’Ele cumpriram-se integralmente não só a promessa das figuras proféticas, mas também o sentido dos preceitos da Lei; pois pela Sua presença mostra a verdade das profecias e pela Sua graça, torna-se possível cumprir os Mandamentos.

Sirva, portanto, a proclamação do Santo Evangelho para confirmar a fé de todos, e ninguém se envergonhe da Cruz de Cristo, pela qual o mundo foi redimido.

Ninguém tenha medo de sofrer por causa da justiça ou duvide da recompensa prometida, porque é pelo trabalho que se chega ao repouso, e pela morte, à vida.

O Senhor assumiu toda a fraqueza de nossa pobre condição e, se permanecermos no amor e na proclamação do Seu nome, venceremos o que Ele venceu e receberemos o que Ele prometeu.

Assim, quer cumprindo os Mandamentos ou suportando a adversidade, deve sempre ressoar aos nossos ouvidos a voz do Pai, que se fez ouvir, dizendo: Este é o meu Filho amado, no qual pus todo meu agrado. Escutai-O (Mt 17,5)”.(1)

Contemplar a glória de Jesus e descer à planície para testemunhar o que ouvimos. Na planície, no compromisso com a paz, transfigurar a realidade de tantos rostos marcados e desfigurados pela fome, abandono, droga, desamor, desemprego, falta de sentido para a vida, ilhados pela falta da esperança, enfraquecidos pela fraqueza da fé, sem o ardor que queima da chama da caridade...

Subamos ao alto da montanha com o Senhor, e escutemos atentamente o que Ele tem a nos dizer, encorajando-nos para descer à planície, de cada dia, para testemunhar nosso amor e fidelidade à Sua Palavra, ao Seu Evangelho, esperançosos da glória futura, mas corajosamente carregando a cruz do tempo presente.

A subida na montanha, por mais esplêndida que seja a experiência, é apenas um momento provisório daquilo que será nos céus, antes é preciso enfrentar os desafios na planície.

A Transfiguração, enfim, é o pleno cumprimento de toda Profecia e da Lei. É convite para que vivamos nossa vocação profética na prática incondicional da Lei do Amor: a Caridade, que é a Plenitude da Lei, seu pleno cumprimento (Rm 13,10).

Não nos custa contemplar o Transfigurado, pelo contrário, difícil é reconhecê-Lo desfigurado na Cruz e reconhecê-Lo nos desfigurados na planície.

“Transfiguração: Na Montanha escutar o filho amado,
na Planície compromisso com o Reino, vida plena e feliz...”.

(1) cf. Liturgia das Horas, Vol II, pp.130-132

Transfiguração do Senhor e a participação na Ceia Eucarística (IIDTQA)

                                                                

Transfiguração do Senhor e a participação na Ceia Eucarística

No segundo Domingo da Quaresma (ano A), contemplemos Jesus transfigurado no Monte Tabor, e o Monte “...é um lugar de todo especial: demasiado rude ser habitação do homem, mas também demasiado terreno para ser a morada de Deus, é um meio-termo em que Deus e o homem se encontram, o homem com uma subida penosa, e Deus com uma descida humilde. Só quem aposta a sua vida n’Aquele que é fiel (Sl 32) pode chegar ao cume” (1).

Dirigindo-se da Galileia para Jerusalém, Jesus, com a Sua Transfiguração, concede aos discípulos uma antecipação da maravilhosa luz da Ressurreição que alcançará, mas passando, inevitavelmente, pelo Mistério da Paixão e Morte na Cruz.

Com a Transfiguração, o Senhor introduz gradualmente os discípulos (nas presenças de João, Pedro e Tiago) no Mistério do sofrimento, mas ao mesmo tempo da glória do Filho do Homem que é Ele próprio, Jesus.

Neste acontecimento, em que Jesus é envolvido numa grande luz, Ele Se revela como o novo Moisés e ali, no Monte Tabor,  um novo Sinai (onde Moisés recebeu a Tábula da Lei).

A Transfiguração é uma “...breve revelação da luz divina encarnada na opacidade da natureza humana, não é momento de autoexaltação, mas é dádiva feita aos discípulos chamados a serem, por sua vez, anunciadores.

É ingenuidade o desejo de reservar para si mesmo essa luz (v.4); não é felicidade da visão, mas a fadiga da ‘escuta’ é o que resta aos discípulos na sequela de Cristo.

Só Ele, Palavra de Deus, permanece quando o êxtase cessa e volta o temor da majestade pressentida (v. 6-8). E Jesus volta a descer, com os Seus discípulos, para cumprir uma caminhada dolorosa, através da qual, somente, a luz triunfará” (2)

Urge que escutemos a Palavra que Se fez Carne, Jesus:

"'Palavra’ única do Pai, e também única ‘tenda’, a única morada de Deus entre os homens, ‘Palavra’ dura também, que da doçura do monte, embora necessária para aliviar na Oração, nos volta a impelir para um caminho de serviço...

Chamados a seguir o Ressuscitado, também nós, como os Apóstolos, devemos compreender que a contemplação não é evasão da vida, nem condução de uma vida paralela: a sequela de Cristo reconduz-nos à aridez da nossa terra de serviço, embora não estejamos já sozinhos, porque Ele desce do monte conosco, e o nosso caminho é transfigurado porque é marcado pela experiência de Cristo...

O rosto transfigurado de Cristo está escondido no rosto desfigurado do irmão pobre ou enfermo, mas nós próprios somos chamados a demonstrar aos irmãos, através do nosso rosto ferido pela vida, a luz do Ressuscitado” (3).

A experiência vivida pelos discípulos na Transfiguração também podemos vivê-la cada vez que subimos à Montanha, celebramos a Eucaristia e sentimos a presença de Deus em nosso meio, nos alimentando com o Seu Filho, que Se faz Comida e Bebida, e nos fortalecemos com a presença do Espírito Santo.

Revigorados no Banquete Eucarístico, saímos com o Senhor da Montanha Sagrada, a Igreja, descemos à planície para sermos alegres e corajosas testemunhas do Ressuscitado, num vigoroso e autêntico testemunho da fé, redimensionados na esperança e fortalecidos na caridade, para que vivamos sagrados compromisso com a construção do Reino de Deus.

Nisto consiste a Transfiguração: subidas e descidas com o Senhor. Lá na Montanha, ouvir Sua Palavra; na planície, vivê-la.



(1) Lecionário Comentado - Volume Quaresma/Páscoa - Editora  Paulus - Lisboa  p. 94.
(2) Idem pp. 93-94
(3) Idem p. 95

Transfiguração: o olhar da fé foi purificado (IIDTQA)

                                                                     

Transfiguração: o olhar da fé foi purificado
                                                                           
No 2º Domingo da Quaresma (ano A), ouvimos as seguintes passagens: Gn 12,1-4a; 2 Tm 1,8b-10; Mt 17,1-9.

Façamos uma breve reflexão à luz da primeira Leitura e do Evangelho, para que vivamos frutuosamente a Quaresma:

“Chamando-nos à conversão, a Igreja nos chama, na realidade, a repetir e tornar nossa a expressão de Abraão e aquela dos apóstolos no Tabor: sair, descer, ir. Sair da rotina da vida – de nossa Ur da Caldeia – na qual estamos confortavelmente instalados, a mente cheia de projetos e de desejos terrenos. Ir ‘para a terra que o Senhor nos indica’, isto é, para o futuro da fé, abrindo-nos às promessas que Deus nos faz e às obras que nos pede” (1).

Voltemo-nos mais uma vez para Abraão, nosso pai da fé:

“Abraão foi chamado a desenraizar-se de um passado sereno e de um presente certo, para ir para um futuro indeterminado, para uma terra que jamais apertará nas suas mãos, para uma inumerável descendência, paradoxal para um velho marido de uma esposa anciã estéril. Daí em diante, só o ponto de partida será certo” ( 2).

Também temos a nossa história marcada por luzes e sombras, certezas e dúvidas, decisões a serem tomadas; estabilidades e instabilidades; seguranças e medos; turbulências pelos ventos contrários e a serenidade pelas brisas suaves que também nos acompanham.

E sejam favoráveis ou adversos, é tempo de nos deixarmos conduzir pelas virtudes divinas que nos acompanham: fé, esperança e caridade.

Concluo apresentando uma súplica para nos ajudar neste santo propósito, que renovamos a cada Quaresma que celebramos e vivenciamos intensamente com toda a Igreja.

Supliquemos:

Senhor Deus, concedei-nos a coragem de “sair, descer e ir” para onde quiserdes nos enviar e a Vossa divina vontade realizar, sem fixar âncoras nas aparentes seguranças que já tenhamos alcançado.

Concedei-nos também a graça de não cairmos na tentação de nos instalarmos num passado sereno, ou presente tão certo e seguro, mas termos a coragem de nos levantarmos, descermos e partirmos para o indeterminado, tão apenas confiando em Vosso Projeto, sem sombras de dúvidas ou de medo, guiados pelo Vosso Espírito, na fidelidade ao Vosso Amado Filho.

“Sair, descer e ir”, não fixando em nossa Caldeira de Ur, tão pouco fixando moradas no Monte Tabor, como desejaram Vossos Apóstolos, mas com os olhos da fé devidamente purificados, descermos à planície ao encontro dos desfigurados, Vossos pobres prediletos, até que mereçamos a visão da Trindade Santa e Eterna, plenitude de amor e luz: céu.

Senhor Deus, ainda que o Mistério da Cruz se faça presente em nossa vida, a experiência do Tabor pelos Apóstolos vivida, conosco compartilhada e nela acreditada, seja a força que nos impulsione a caminhar adiante, colocando nossa vida inteiramente ao Vosso dispor, para que renovemos sagrados compromissos com Vosso Reino.

Oremos:

“Ó Deus, que nos mandastes ouvir o Vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a Vossa Palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão de Vossa glória. Por N.S.J.C. Amém."

  
(1) O Verbo Se faz Carne - Raniero Cantalamessa - Editora AVe Maria - 2013 p.55
(2) Lecionário Comentado - Editora Paulus -Lisboa - p.91

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